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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poeta José Pacheco da Rocha – Síntese biográfica

José Pacheco da Rocha (1890 – 27/04/1954)

Além de poeta popular bastante fecundo, caracterizado pela jocosidade e variedade de temas de suas composições, dedicou-se a várias atividades paralelas: trabalhou em feiras, ora vendendo folhetos, ora comerciando gêneros alimentícios.

Segundo Átila de Almeida e José Alves Sobrinho, em seu Dicionário Biobibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada Volume 1 publicado em 1978 pela Editora Universitária de João Pessoa – Paraíba, “José Pacheco da Rocha nasceu em 1890, em Porto Calvo, Alagoas e faleceu no dia 27 de abril de 1954, acidentado”. Os autores não especificam as causas do acidente. As informações sobre a vida do grande poeta são escassas e cheias de controvérsia. Há quem afirme que ele era pernambucano de Correntes. Segundo José Costa Leite, que o conheceu pessoalmente no final da década de 40, na feira de Itabaiana, Paraíba, Pacheco era um camarada alegre, brincalhão e irreverente. Era acaboclado, de estatura mediana, e tinha um braço mais grosso que o outro. Gostava de trajar terno branco e promovia verdadeiros espetáculos recitando seus poemas nas feiras nordestinas.

Os grandes poetas do presente e os pesquisadores que realmente entendem de literatura de cordel consideram José Pacheco um dos grandes pilares da trindade máxima do cordel, ao lado de Leandro Gomes de Barros e José Camelo de Melo.

FONTES CONSULTADAS

CÂMARA Brasileira de Jovens Escritores. José Pacheco. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com /cordel24.htm>. Acesso em: 01 nov. 2014.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;.> Acesso em: 26 nov. 2014.

FILHO, Severino Alves de. Folkmarketing: uma estratégia comunicacional construtora de discurso. Disponível em: <http://www.eventos.uepg.br/ojs2_revistas/index.php?journal=folkcom&page=article&op=viewFile&path%5B%5D=641&path%5B%5D=468>. Acesso em: 29 set. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonarde Dantas de; HOLANDA, Virgínia Célia Cavalcante de. Geografia e literatura de cordel: trilhando práticas e possibilidades em sala de aula. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 9, n. 28, p. 134-145, dez. 2008.

MELO, Alex Canuto de Melo. Memórias candangas: representações de outras Brasílias na literatura de cordel. 2013. 53 f. Monografia (Graduação) –  Universidade de Brasília, Departamento de Teoria Literária, Brasília: [S.n], 2013.

RICARTE, Alyne B. F. Virino. O folheto na história e a história no folheto: práticas e discursos culturais do cordel de circunstância em Fortaleza (1987- 2007). 2009. 230 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Coordenação do Mestrado em História e Culturas, Fortaleza: [s.n], 2009.

SANTOS, Morgana Ribeiro dos. Perspectivas da literatura de cordel no ensino fundamental: poesia popular nordestina nos livros didáticos. In: CONGRESO INTERNACIONAL ASOCIACIÓN DE LINGÜÍSTICA Y FILOLOGÍA DE AMÉRICA LATINA, 22., 2014. Anais… João Pessoa: [s.n], 2014.

SILVA, Danilo de Abreu. Cordel: educomídia no discurso popular. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/4/40/GT6_-_009.pdf>. Acesso em:  29 set. 2014.

SILVA, Fabio Luiz Carneiro Mourilhe. A estética da literatura de cordel nos quadrinhos de Jô Oliveira. Intercom. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 31., 2008, Natal. Anais… Natal: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2008.

Poeta José Medeiros de Lacerda – Síntese biográfica

José Medeiros de Lacerda

De um galego descendente de holandesa com português e uma bisneta de índia Panati nasceu José Medeiros de Lacerda, mais um descendente das sete irmãs da Cacimba da Velha.

Aos 8 anos, já escrevia estórias do seu imaginário como O Aventureiro, descrevendo a saga de um garoto criado entre as matas da Várzea Comprida na Fazenda Passagem do Meio, de seus avós maternos.

Com 12 anos, extremamente amante dos estudos, viu seu sonho desmoronar-se. Só homem já feito conseguiu voltar às salas de aula, de onde nunca mais saiu. Primeiro como aluno, depois professor. O sangue de Tropeiro da Borborema, herdado do pai, o fez percorrer o Brasil, de Roraima ao Paraná, carregando seus sonhos, compondo seus poemas, idealizando seus cordéis. No teatro, ele foi ator, dançarino, coreógrafo e autor; na poesia, um aprendiz, do cordel é professor. Em Santa Luzia, constituiu família, e em Patos concluiu seu curso de Letras na atual Faculdade Integrada de Patos na Paraíba.

Hoje se realiza vendo seus cordéis lidos em todos os estados do Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste brasileiros, fonte que lhe serve de inspiração como revelado nos versos do A filha do Coronel e o ferreiro apaixonado.

Sou viajante e poeta

Levo a vida a viajar

Colhendo aqui e ali

Estórias para versejar

E o tema deste poema

Consegui em Capanema

No Estado do Pará

Sua felicidade aumenta ao testemunhar o uso de sua literatura em várias escolas pelo Brasil afora, vivenciando sua poesia em sala de aula. Seus cordéis têm cunho educativo, informativo e histórico, sem nunca serem usados como desabafos íntimos, válvulas de escape diante das pressões existenciais.

FONTE CONSULTADA

JOSÉ Medeiros de Lacerda. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cordelnarua.recantodasletras.com.br/perfil.php>. Acesso em: 20 nov. 2014.

 

Poeta José Maria Gonzaga Vieira – Síntese biográfica

José Maria Gonzaga Vieira (20/09/1946)

Nasceu em Canindé no dia 20 de setembro de 1946. Autodidata, milita na imprensa escrita e falada. Pertence à Associação de Arte e Cultura de Canindé. É correspondente de vários grêmios culturais de Fortaleza, Natal, Campina Grande e Brasília. É autor de quase duas dezenas de folhetos rimados, com destaque para A história de Aparecida e A menina perdida nas matas do Amazonas. Participa do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, criado pelo poeta Arievaldo Viana e implantado em Canindé, em parceria com a Secretaria de Educação do Município.

Começou escrevendo folhetos de oito páginas, principalmente no gênero ABC, tendo publicado O ABC do MOBRAL, dos Tubarões, do Consumidor e outros de cunho político e social. No gênero romance, seu melhor trabalho é A lida de Conrado e a honradez sertaneja, que foi ampliado de 16 para 32 páginas pelo poeta Arievaldo Viana.

Habitante de um dos maiores centros religiosos do Nordeste, já escreveu diversos folhetos tendo São Francisco das Chagas de Canindé como tema principal. É citado em artigo da escritora francesa Sylvie Deb’s, publicado na revista Latitude, da Universidade de Sorbonne. Também já teve a sua obra pesquisada por outra francesa, Martine Kunz, que reside atualmente em Fortaleza. É também conhecido como Gonzaga Vieira ou Gonzaga de Canindé.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDELIZANDO na net. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/grandes-autores.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

GONZAGA Vieira (Gonzaga de Canindé). [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel 26.htm>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta José Maria do Nascimento – Síntese biográfica

José Maria do Nascimento

José Maria do Nascimento, também conhecido como Zé Maria de Fortaleza, é natural de Araçoiaba, Ceará. Aos 13 anos, ele veio para Fortaleza, onde iniciou sua carreira como violeiro, tornando-se conhecido pelo seu talento poético e sua maneira de cantar. Já representou o Ceará em diversos festivais realizados em vários estados do Brasil, destacando-se duas viagens que marcaram época em sua carreira: quando esteve no Rio Grande do Sul, por ocasião do 2º Congresso Nacional de Turismo, e quando esteve em Brasília, cantando para as maiores autoridades do país. Lançou, juntamente com Benoni Conrado, um dos primeiros discos de violeiros que se tem notícia no Brasil. Tem um livro inédito intitulado Fagulhas do Estro. Publicou vários folhetos de cordel, destacando-se Folclore também é cultura e Miscelânea de motes e glosas.

FONTES CONSULTADAS

ANDRADE, Solange Gusmão de. Nas trilhas do cordel baiano: conteúdos simbólicos e efeitos de sentidos. 2012. 181 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em Estudo de Linguagens, Salvador, 2012.

SILVA, Joseilton José de Araújo. A utilização da literatura de cordel como instrumento didático-metodológico no ensino de geografia. 2012. 158f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Programa de Pós-graduação em Geografia, João Pessoa, 2012.

Poeta José João dos Santos – Síntese biográfica

José João dos Santos (08/01/1932)

Azulão, alcunha de José João dos Santos, nasceu em Sapé, Paraíba, a 08 de janeiro de 1932. Filho de João Joaquim dos Santos e de Severina Ana dos Santos, aos 17 anos na carroceria de um pau-de-arara, embarcou para o Rio de Janeiro, onde foi um dos fundadores da Feira de São Cristóvão. Cantador e poeta popular dos melhores, começou a ser conhecido após uma apresentação no programa de rádio de Almirante, no início da década de 1950.

Seus folhetos mais famosos são O trem da madrugada, como se pode constatar no verso que segue:

Leitores trago mais uma

Criação muito engraçada

Da minha lira poética

Que sempre vive afinada

Desta vez descrevo bem

O movimento do trem

Que desce da madrugada.

 

Seja de Paracambi

São Mateus ou Santa Cruz

A turma da fuleragem

Que só bagunça produz

De madrugada só quer

Carro que tem mais mulher,

Porta enguiçada e sem luz.

(SANTOS, AZULÃO, O trem…, s/d, p. 1)

 

Outro folheto que ganhou fama foi O poder que a bunda tem. A obra desse cordelista, que contabiliza ter publicado mais de trezentos folhetos, se destaca principalmente pelo humor, abordando temas como a história da minissaia ou uma genealogia dos chifrudos.

Não deixa de enveredar, também, pelas histórias de animais, pelos contos de castigo e recompensa e por pelejas, fatos políticos e históricos maravilhosos, aspectos da religião (milagres e romarias em Aparecida do Norte), além do romance, como por exemplo, História de Renato e Mariana no Reino de Macabul.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

GOMES, Marisa Nunes. A inculturação nas salas de aula através do estudo da literatura de cordel. 2013. 37f. Monografia (Graduação) – Faculdade de Pará de Minas, Curso de Letras, 2013.

MENDES, Simone de Paula dos Santos. Um estudo da argumentação em cordéis midiatizados: da enunciação performática à construção discursiva da opinião. 2011. 277 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras, Programa de Pós-graduação em Estudos Lingüísticos, Belo Horizonte, 2011.

NEMER, Sylvia Regina Bastos. Governando as memórias: a feira de São Cristóvão e os novos olhares da governança memoriaL. IN: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS CULTURAIS, 4., 2013, Rio de Janeiro. Anais… Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 2013.

NEMER, Sylvia Regina Bastos. Feira de São Cristovão: foi assim que começou. In: ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUH, 15., 2012, Rio de Janeiro. Anais… Rio de Janeiro: ANPUH. Disponível em: <http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338341567_ARQUIVO_FeiradeSaoCristovaofoiassimquecomecou.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2014.

Poeta José Honório da Silva – Síntese biográfica

José Honório da Silva (23/01/1963)

Cordelista nascido no Recife, Pernambuco, em 23 de janeiro de 1963. Publica folhetos de cordel desde 1984. Articulador da União dos Cordelistas de Pernambuco – UNICORDEL, através da qual promove recitais, palestras e oficinas. Pertence à nova geração de poetas populares que veem a tecnologia como aliada da tradição. Foi um dos primeiros a usar a internet como espaço de peleja virtual, com o ontológico: O marco cibernético construído em Timbaúba – a peleja virtual entre Américo Gomes (Paraíba) e José Honório (Pernambuco), chegando a ser denominado de o tímido rei do repente em reportagem de Maria Alice Amorim para o Jornal do Commercio.

Honório é uma figura emblemática da arte de recitação na capital pernambucana, tanto pelo seu texto como pela sua performance em palco. Vem realizando palestras e oficinas de cordel (inclusive no exterior), além de levar sua poesia para escolas, feiras e eventos culturais. O seu livro Indecências em parceria com o xilogravurista Marcelo Soares é uma referência no gênero e encontra-se publicado no Interpoética.

FONTES CONSULTADAS

AMORIM, Maria Alice. [S.l.: s.n., 20?]. O tímido rei do repente. Disponível em: <http://hp.br.inter.net/jhonorio/ otimidorei.htm>. Acesso em: 24/03/2014.

PERFIS. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=232&catid=48>. Acesso em: 22 nov. 2014.

Poeta José Galdino da Silva Duda – Síntese biográfica

José Galdino da Silva Duda (1866 – 1931)

Nasceu em 1866 no município de Itabaiana na Paraíba, mas foi em Recife que ganhou fama como violeiro e repentista. Morreu em 1931, consagrado como mestre dos cantadores. Gostava de ser chamado de Zé Duda e, no seu folheto de cordel Encontro de Antonio Marinho com Zé Duda no Recife em 1915 registra uma de suas pelejas mais notáveis.

Foi almocreve e comboieiro, tendo se tornado depois cantador famoso. É o autor da História de D. Genevra, versada de um trecho do Decameron de Giovanni Boccacio, com uma fidelidade que surpreendeu o folclorista Luís da Câmara Cascudo.

FONTES CONSULTADAS

BARROSO, Maria Helenice Barroso. No palco das reminiscências: as cores do cordel no Brasil e em Portugal. 2013. 260f. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Programa de Pós-graduação em Linguística, Brasília, 2013.

CABRAL, Geovanni Gomes. As representações de poder no corpus de folhetos de 1945 a 1954: leituras da “Era Vargas”. 2008. 171 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em História, Recife, 2008.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Ler/ouvir folhetos de cordel em Pernambuco (1930-1950). 2000. 537f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais,  Faculdade de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, Belo Horizonte, 2000.

GAUDÊNCIO, Sale Mário; BORBA, Maria do Socorro de Azevedo. O cordel como fonte de informação: a vivacidade dos folhetos de cordéis no Rio Grande do Norte. Biblionline, João Pessoa, v. 6, n. 1, p. 82-92, 2010.

Poeta José Francisco Soares – Síntese biográfica

José Francisco Soares (05/01/1914 – 09/01/1981)

José Francisco Soares ou como ele preferia ser chamado – Zé Soares – nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, em 5 de janeiro de 1914, e faleceu em 9 de janeiro de 1981, em Timbaúba, Pernambuco.

Ainda menino se encantara com os desafios entre violeiros-repentistas, emboladores de coco e com os folhetos de feira que os poetas declamavam. Em 1928, publicou seu primeiro folheto Descrição do Brasil por estados. Fez biscates como agricultor e almocreve e, em 1934, foi para o Rio de Janeiro trabalhar como pedreiro, sem jamais deixar de publicar suas obras. Voltou ao Recife em 1940, quando montou uma banca de folhetos no oitão do Mercado de São José, onde vendia suas obras e as de outros poetas. Nas décadas de 1940 e 1950, publicou grande parte de seus folhetos na Gráfica Medeiros.

Especializou-se no viés jornalístico da literatura de cordel e, podemos afirmar que foi o maior poeta desse gênero no Brasil, daí ter recebido a alcunha de o poeta repórter. Suas obras foram centradas na notícia, pois lia vários jornais diariamente, além de ouvir programas de rádio para manter-se no foco dos principais acontecimentos do município, cidade, estado, país e do mundo, sendo reconhecido como poeta de bancada.

Era perito em identificar notícias que despertavam o interesse de seus leitores e recriá-las na forma poética, produzindo folhetos com uma rapidez nunca vista, para vendê-los enquanto a notícia não caía no esquecimento. Mas José Soares não foi apenas o poeta da notícia. Escreveu folhetos sob a temática do gracejo, histórias de milagres, relatos da vida dos sertanejos e teve uma vasta produção sobre uma de suas grandes paixões – o futebol.

Como torcedor convicto do Santa Cruz Esporte Clube, ele foi testemunha ocular da boa fase vivida pelo clube pernambucano nos anos 60 e 70, registrando com versos os feitos do Mais Querido, como no folheto Chegou o Santa Cruz, a máquina de fazer gols, escrito para comemorar a vitoriosa excursão do Santinha ao Oriente Médio e Europa, em 1979, e que abaixo transcrevemos.

 

 O Santa Cruz no Oriente

bancava e pintava o sete

quem joga a bola quadrada

não entra que se derrete

em todo Oriente Médio

o Santa virou vedete.

Joel sacudia a bola

na cabeça de Pedrinho

Pedrinho deitava a pelota

morta nos pés de Betinho

que jogava na esquerda

para o olé de Joãozinho.

Uma de suas características poéticas era a exímia qualidade de seus textos fosse pelas rimas, métricas e orações. Adotava metáforas que tocavam o coração. Nos últimos anos de sua vida, tinha a saúde bastante abalada, mas não esmorecia na produção de folhetos. O último título publicado foi O incêndio das barracas de fogos em Garanhuns, concluído duas semanas antes de sua morte.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoseSoares/joseSoares_biografia.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

CORDEL de Saia.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2011/05/jose-soares-patrono-ablc.html&gt;>. Acesso em: 25 out. 2014.

SOARES, José Francisco. Introdução e seleção Mark Dinneen. São Paulo: Hedra, 2007.

SOUSA, Manoel Matusalém. Cordel grito do oprimido: uma escola de resistência à Ditadura Militar. 2007. 283 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal da Paraíba, Centro de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, João Pessoa, 2007.

Poeta José Francisco Borges – Síntese biográfica

José Francisco Borges (20/12/1935)

Mais conhecido como J. Borges.  Ele é um dos mestres do cordel, um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina e o xilogravurista brasileiro mais reconhecido no mundo. Nasceu em 20 de dezembro de 1935 em Bezerros, cidade do Agreste de Pernambuco. Na infância ainda, trabalhava na lavoura e fazia cestos e balaios para vender na feira. Na adolescência, atuou no jogo do bicho, fabricou lajes e tijolos e confeccionou brinquedos, além de vender folhetos nas feiras do interior.

Autodidata, o gosto pela poesia fez encontrar nos folhetos de cordel um substituto para os livros escolares. Em 1964, começou a escrever folhetos de cordel, quando produziu O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, xilogravado por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses. Animado com o resultado, escreveu o segundo chamado O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm, que o conduziu pela primeira vez à xilogravura. Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo, começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, que usou no seu segundo folheto de cordel. Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida. Hoje essas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte.

Seu reconhecimento o conduz a ministrar cursos e oficinas no Brasil e no exterior. Suas temáticas abordam o cotidiano popular, histórias do cangaço, da religiosidade, crimes e corrupções. Dotado de uma postura eclética, ele discorre sobre o seu tempo quanto viaja no universo do imaginário popular e coletivo, e folguedos populares que revelam o universo cultural e religioso do povo nordestino. Dada à sua importância e qualidade artística, J. Borges foi considerado, desde 2006, Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, título que lhe foi outorgado pelo Governo do Estado.

A primeira de suas obras a alcançar sucesso e visibilidade foi a Chegada da Prostituta no Céu, do qual extraímos as duas primeiras páginas:

 Do rosto da poesia

eu tirei o santo véu

e pedi licença a ela

e escrever a chegada

para tirar o chapéu

da prostituta no céu

Sabemos que a prostituta

é também um ser humano

que por uma iludição

fraqueza ou desengano

o seu viver é volúvel

sempre abraça a o engano

 

Vive metida em orgia

e cheia de vaidade

é raro uma que trabalha

e usa honestidade

por isso fica odiada

perante a sociedade

 

Todas as religiões

pra ela escala uma pena

se o homem lhe abraça

a mulher casada condena

mas sabemos que Jesus

perdoou a Madalena

 

Falar sobre prostituta

é um caso muito sério

que é um ser sofredor

sua vida é de mistério

e para sobreviver

sempre usa o adultério

 

Perante a sociedade

ela é marginalizada

existe umas mais calmas

e outras mais depravadas

e quem tem mais ódio delas

é a própria mulher casada

 

Ela vive aqui na terra

enfrentando um sacrifício

se vende para os homens

muitas se entrega a o vício

enquanto nova se estraga

e faz da miséria ofício

FONTES CONSULTADAS

ALMANAQUE Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <www.almanaquebrasil.com.br>. Acesso em: 18 nov. 2014.

ARTE Popular do Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://artepopularbrasil.blogspot.com.br/2011/01/j-borges.html>. Acesso em: 27 nov. 2014.

BORGES, J. Memórias e contos de J. Borges. [S.l]: Hedra, 2007.

MACHADO, Regina Coeli Vieira. J. Borges. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php? option=com_content&view=article&id=394%3Aj-borges&catid=45%3Aletra-j&Itemid=1>. Acesso em: 10 nov. 2014.

O NORDESTE. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=J.+Borges>. Acesso em: 22 nov. 2014.

PERFIS Biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 20 nov. 2014.

WIKIPEDIA. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://pt. wikipedia.org/wiki/J._Borges>. Acesso em: 21 nov. 2014.

LITERATURA de cordel acervo Fundação Joaquim Nabuco. [S.l.: s.n.], 2008.  Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br/ images/meca/documentacao/CordelAcervoFundaj2008.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2014.

Poeta Erivaldo Leite de Lima – Síntese biográfica

Erivaldo Leite de Lima (19/12/1960)

Nasceu no município pernambucano de Sertânia, antiga Lagoa de Baixo, cidade de Moxotó. Em sua adolescência residiu em Caruaru, Pernambuco e radicou-se em Natal, Rio Grande do Norte. Por este motivo, Erivaldo Leite de Lima se autonomeia pernampo, ou seja, pernambucano potiguar.

Detentor de um íntimo e rico acervo cultural oriundo da tradição nordestina, pois vivenciou múltiplas manifestações populares, das novenas e ritos domésticos ao teatro de fantoche, folia de reis, além dos ritmos e sons das bandas de pífano, repentistas, cirandas, maracatus, cantadores de coco, aboiadores, frevo e forró pé de serra (SOARES; DANTAS, 2009).

O filho de Nilda Leite de Lima e de Manoel Romão de Lima nasceu aos 19 de dezembro de 1960 e, criança, passou a ser chamado, pelos amigos, de Abaeté. Começou a aventurar-se nas letras ainda menino, tornando-se escritor profícuo. Autor de mais de 500 títulos de literatura de cordel, cujo primeiro trabalho foi o verso malicioso O casal que engatou no Parque Industrial e indica como produção preferida O pescador de Sonhos (SOARES; DANTAS, 2009).

Este poeta popular, cordelista, compositor e repentista é defensor da cultura ao fomentar a arte cordelista, não só por meio da sua produção, mas também pela implantação da Casa do Cordel, em Natal, Rio Grande do Norte fundada em 17 de agosto de 2007, e é presidente da Associação dos Cordelistas de Natal (Unicodern).

Seu filho, Erick Lima, é o responsável pelo ateliê de xilogravura da Casa do Cordel desde a sua inauguração, momento que começou a trabalhar oficialmente com a arte. Anteriormente, ele ilustrava apenas os cordéis do pai e seus amigos.

A Casa do Cordel funciona na Rua Vigário Bartolomeu, no Centro de Natal e é ponto de encontro da cultura popular, promovendo encontros de artistas populares, além de feiras, exposições, palestras, lançamentos de livros e saraus culturais. Erivaldo Lima gosta de ser considerado um pernambucano potiguar, em seus versos a natureza e suas nuances estão presentes:

 

Verão

 

Se as pedras rolarem

do penhasco

Em sua direção

Grite

arrependidamente

paixão

Eu não amei

tú não amaste

ninguém

volta

No inverno as pedras

rolam

para se encontrar

no verão

FONTES CONSULTADAS

ABAETÉ do Cordel. Tributo ao cordel. [S.l.: s.n.: 2014]. Disponível em: <http://foque.com.br/tributoaocordel/index. php/abaete-do-cordel/&gt.>. Acesso em: 19 nov. 2014.

ABAETÉ. O Nordeste: enciclopédia nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http:enciclopediaNordeste/index.php?titulo= Abaet%C3%A9<r=a&id_perso=1368>. Acesso em: 19 nov. 2014.

CASA do cordel em NATAL/RN: onde a arte e a cultura popular falam mais alto! Vento Nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://papjerimum.blogspot.com.br/&gt;.>. Acesso em: 19 nov. 2014.

CASA do Cordel. O Nordeste: enciclopédia nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http:enciclopediaNordeste/ index.php?titulo=Casa+do+Cordel<r=c&id_perso=1367>. Acesso em: 19 nov. 2014.

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