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Poeta José Anchieta Dantas Araujo – Síntese biográfica

O poeta, cordelista e humorista cearense, de Jati (CE), José Anchieta Dantas Araújo, para comemorar 13 anos de estrada na seara da poesia popular, publicou coletânea com dez dos seus sucessos em folhetos de cordel, intitulado Seu Lunga: o campeão do mau humor e outras histórias (2012). (POETA …, 2012).

José Anchieta ao participar do programa televisivo Nas Garras da Patrulha, na TV Diária em Fortaleza (CE), criou um personagem que deu origem ao seu pseudônimo – Zé do Jati (PAIO, 2013).

O desejo de dedicar-se à literatura surgiu em Zé do Jati, ainda na infância, e foi na literatura de cordel que realizou seu sonho. Em entrevista a Paio (2013), o cordelista contou:

Desde pequeno lia e escrevia bastante. Com 14 anos de idade eu já gostava de ler os poemas de Castro Alves. Desde essa época, eu tinha vontade de publicar meus pensamentos e percebi que no cordel podia fazer minhas críticas, mas sempre com humor.

Cordelista desde o ano de 1999, Zé do Jati aponta o silêncio e a tranquilidade noturnos como geradores do processo criativo, o que não impede os momentos de inspiração repentina, como relatou: “Já aconteceu de eu ter umas ideias durante minhas viagens e até quando estou dirigindo” (PAIO, 2013).

Aos 20 anos, quando foi residir em São Paulo (1976), Zé do Jati escreveu poemas e um ano depois de retornar às origens publicou seu primeiro livro – Nós e a Metrópole (1981) (PAIO, 2013).

José Anchieta aponta os poetas Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa como leituras prazerosas para seus estros poéticos (PAIO, 2013).

Este grande poeta popular mostra toda a sua irreverência no cordel Seu Lunga, o campeão do mau humor, cujas estrofes são transcritas.

A vida tem regras claras
E quem quiser viver bem
Nunca a um amigo conta
Algum segredo que tem
Pois pra não correr perigo
É bom saber que o amigo
Tem outro amigo também
 
Seu Lunga tava gripado
Lhe deram limão com mel
Três doses de aguardente
Um chá amargo igual fel
Lunga dormiu de repente
Quando acordou sorridente
Disse: - Eu estive no céu.
 
Mas só para a mulher
Essa estória contou
Ordenou: - guarde segredo
Ela jura que guardou
Mas, isso virou futrica
E em casa ninguém explica
como a estória vazou
 
Pois logo no mesmo dia
A vizinha cochichava
Sobre o sonho de Lunga
A amiga que passava
E de cochicho em cochicho
"Igualsin" fogo no lixo
A estória se espalhava
 
Contaram o sonho no Crato
E depois lá em Sobral
Em São João da Perna Fina
E Riacho Marechal
De boca em boca contando
A estória se espalhando
Chegou lá em Bacabal
 
Um caminhoneiro ouviu
Contou lá em Laço Froxo
Se espalhou por Londrina
Por Várzea de Sete-Coxo
Depois contaram em Salgueiro
No Icó e Limoeiro
E em São Miguel do Pau-Roxo
 
[...]
 
(ARAÚJO, 2008)

FONTES CONSULTADAS

ARAÚJO, José Anchieta Dantas. O segredo de seu Lunga: campeão do mau humor. Fortaleza: [s.n.], 2008. V. 5, 18 p.

PAIO, Ícaro. Conheça a história de vida do cordelista José Anchieta Dantas Araújo, assistido da FAELCE. [S.l. : s.n.]. In: FAELCE. 5 jul. 2013. Disponível em: <http://www.faelce.com.br/site2013/?tp=nt&cod=636&gt;. Acesso em: 23 ago. 2017.

POETA reúne cordéis em livros. [S.l. : s.n.]. In: Diário do Nordeste. 6 out. 2012. Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/poeta-reune-cordeis-em-livro-1.643921&gt;. Acesso em: 23 ago. 2017.

ZÉ DO JATI lança coletânea de cordéis em livro. [S.l. : s.n.]. In: Diário do Nordeste. 9 out. 2012. Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/ze-do-jati-lanca-coletanea-de-cordeis-em-livro-1.647230&gt;. Acesso em: 23 ago. 2017.

Poeta João Siqueira de Amorim – Síntese biográfica

O poeta cantador João Siqueira de Amorim nasceu em Barbalha (CE) em 16 de junho de 1913 e faleceu aos 82 anos, no dia 16 de novembro de 1995.  O esposo de Dona Raimundinha era filho de pais humildes e não teve acesso à educação formal, mas ouvindo o repentista alagoano Zé Félix, ainda criança, decidiu ser cantador (PAULINO, 2011; VIEIRA, 2013a; VIEIRA, 2013b).

Vieira (2013b) conta que o repentista dedicou-se ao cordel após perder a voz por problemas na laringe, consequência de uma cirurgia para retirada de uma espinha de peixe, mas Viana (2011) diz que o cantador “[…] perdeu a voz após uma exaustiva maratona de apresentações Nordeste afora”. Ambos mencionam várias homenagens feitas para Siqueira, de poemas historiando o incidente à canção intitulada Voz do Siqueira, de Alberto Porfírio.

Fundou o jornalzinho A Voz do Cantador (Fortaleza, 1956), veículo de comunicação da Associação dos Cantadores do Nordeste, com primeiro número datado de 1 de janeiro de 1956 (PAULINO, 2011).

Paulino (2011) relata que Siqueira não se deixou vencer, apesar da tristeza pelo incidente sofrido, e por meio de sua verve poética assim se expressou:

Passarinho lavandeira,
Canta e diz para a cidade
Que a viola do Siqueira
Emudeceu de saudade!...
 
Qual a razão, quais os males
Que fiz aos meus semelhantes
Para perder minha voz
No curso de alguns instantes?
Às vezes, sonho cantando,
Mas é o sonho enganando
As minhas cordas vocais;
De alegria me transbordo,
Porém depois quando acordo
Tudo é mudez… nada mais.
 
Quanta tristeza me invade
Quando a manhã vem raiando:
Eu ouço o concerto alegre
Da passarada cantando…
Acordes da melodia
Trazem aquela alegria
Da aurora que surge além,
Enquanto eu, mudo, enlutado,
Me lembro que no passado
Já fui cantador também.
 
Em certas horas soluço
Qual um órfão pela rua;
Chora comigo a saudade
Nas noites claras de lua…
Meus tempos de cantorias,
Meus “quadrões”, minhas porfias,
No litoral, nos sertões.
O sabiá sem gaiola
Perdeu a voz, a viola,
O sonho, a rima, as canções…
 
Nesses momentos divinos
Sob estranhos pesadelos,
Chegam-me versos e rimas,
Mas eu não posso dizê-los:
Minha viola querida
Lá num canto emudecida,
Como quem tudo perdeu.
Quero cantar, como outrora,
Procuro a voz, foi embora,
Minhalma também morreu!...

O extraordinário cantador Siqueira de Amorim começou a cantar em 1928. Na trajetória, fez dupla com o violeiro Domingos Fonseca e outros repentistas, como Rogaciano Leite, Cego Aderaldo e Granjeiro. Foi funcionário público e jornalista, tendo chegado a Fortaleza (CE) no ano de 1935, passando a contribuir nos jornais Gazeta de Notícias, O Povo, O Estado e Correio do Ceará; neste último, manteve a secção Poesia Popular. Foi sócio efetivo da Associação Cearense de Imprensa (ACI) desde 1950 (PAULINO, 2011; VIEIRA, 2013b).

Vieira (2013b; 2013a) conta que entrevistou Siqueira para o programa Canto Sertanejo da Rádio Pitaguary, na década de 90. Nesse momento, expressou manter sua existência ao rimar cordéis, além de divulgar possuir material inédito para publicação, e apesar de não possuir condições financeiras, nem apoio de instituições culturais, tinha esperança de vir a lançar. Vieira (2013a) conta que alguns anos após o falecimento de Siqueira, “os originais guardados em ambiente insalubre, na velha residência, foram destruídos”.

O autor de Ecos da Juventude (1949) publicou cordéis, como Os Estrupícios da Cachaça (1986).  (VIEIRA, 2013b)

Depois de falar um pouco
Da vida do macumbeiro,
Palavra que representa
O mesmo catimbozeiro,
Vou tirar algumas lapas
Do couro do cachaceiro.
 
Vejam bem, caros leitores,
O que é que a cachaça faz:
Desce queimando a garganta
Numa fusão de água e gás,
Depois sobe pra cabeça
Transformando em satanás!
 
O viciado em bebidas
Sempre dela se socorre,
Para o calor, para o frio,
Toma todo dia um porre,
Só vive matando o “bicho”
E esse bicho nunca morre...
(AMORIM, 1986)

Vieira (2013a) lançou Nos caminhos da Vida de Siqueira de Amorim, reprodução das crônicas de Siqueira publicadas em jornais de Fortaleza, entre as décadas de 40 e 60. O pesquisador assim descreve o cantador cordelista: “[…] não foi somente um poeta repentista ao som da viola, mas um formador de opinião, admirado por colegas do repente e intelectuais. Compunha a elite de cantadores de sua época […]”.

FONTES CONSULTADAS

AMORIM, Siqueira de. Os estrupícios da cachaça. [s.n.]: Ceres, 1986. 8 p.

VIANA, Arievaldo. Alberto Porfírio: um mestre da poesia popular. [S.l. : s.n.]. In: Acorda Cordel. 22 jun. 2011. Disponível em: <http://acordacordel.blogspot.com.br/2011/06/alberto-porfirio_22.html&gt;. Acesso em: 30 ago. 2017.

VIEIRA, Guaipuan. Livro narra história de Siqueira de Amorim. [S.l. : s.n.]. In: Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará (AMLECE). 24 maio 2013a. Disponível em: <http://amlece.blogspot.com.br/&gt;. Acesso em 30 ago. 2017.

VIEIRA, Guaipuan. Siqueira de Amorim. [S.l. : s.n.]. In: Centro Cultural de Cordelistas do Nordeste (CECORDEL). 25 jan. 2013b. Disponível em: <http://cecordel.blogspot.com.br/2013/01/siqueira-de-amorim-por-guaipuan-vieira.html&gt;. Acesso em: 30 ago. 2017.

PAULINO, Pedro Paulo. Lamento de um cantador. Canindé: [s.n.]. In: Vila Campos Online. 8 jul. 2011. Disponível em: <http://vilacamposonline.blogspot.com.br/2011/07/poesia.html&gt;. Acesso em: 01 set. 2017

Poeta João Rodrigues Amaro – Síntese biográfica

Apontado como uma dos grandes cordelistas pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), João Rodrigues Amaro, mais conhecido como João Amaro, adotava os pseudônimos de Jotamaro e Mr. Karyakyni (AMARO, 1982).

Segundo informações contidas em texto reproduzido no blog Soldados da Borracha: denúncia, João Rodrigues Amaro é autor do livro Retalhos da Minha Vida e Poesias Populares, onde narra toda dificuldade sofrida na floresta amazônica quando foi recrutado para o exército da borracha.

O cordelista de Sobral, João Amaro, 68, puxou, sem querer, a ponta de um novelo. No começo, o assunto nem era esse. O aposentado mostrava material, dezenas de folhetos de cordéis de sua autoria, para uma matéria sobre os versos fesceninos, veiculada pelo suplemento Sábado.No decorrer da entrevista, no entanto, uma surpresa: a vida de João Amaro se confundia com a de 55 mil nordestinos que formaram, durante a II Guerra Mundial, o Exército da Borracha. (SAGA …, 2014, destaque nosso)

Sabendo que o Ceará foi o centro do recrutamento e transporte dos nordestinos para os seringais, isso reforça a possibilidade de tratar-se do cordelista Jotamaro, que era cearense. Com relação à sua naturalidade, há diferentes fontes com diversificada informação. Na contracapa do folheto As Preces da Velha Vitalina, publicado em 1982, consta que Jotamaro é concidadão de Guajará Cialdini, natural de Sobral, a Princesa do Norte. Na página 52 da tese de Francinete Fernandes de Sousa (2009), consta a informação que João Amaro (Jotamaro) nasceu e morreu em Fortaleza (CE) 1926-1993 (AMARO, 1982; SOUSA, 2009).

As Preces de uma Velha Vitalina
 
Caro amigo Guajará
Certo dia fui passando
Defronte a uma igreja
Vi uma velha rezando
E entrei sem ela vê
De perto fiquei brexando
 
Talvez uns 60 anos
Eu acho que a velha tinha
Sua venta era bicuda
Modo o bico da galinha
Estava usando um colan
E uma saia curtinha
(AMARO, 1982)

O cordel O Babão, com 8 páginas e 38 estrofes em sextilha, na primeira página podemos ler:

Meu caro e amigo leitor
eu vou falar de um ente
cujo dito eu considero
pior do que uma serpente
pois só vive neste mundo
para fazer mal a gente.
 
O que induz a mim
a fazer este livrinho
é a raiva que eu tenho
deste sujeito mesquinho
que temos como um amigo
e o tratamos com carinho.
 
Mas ele não corresponde
e trai a nossa amizade
pois é um cabra safado
que vive só de maldade
e só se sente feliz
cometendo falsidade
 
Eu estou me referindo
ao indivíduo babão
o sujeito caboeta
bajulador de patrão
um cretino que só paga
o bem com a ingratidão.
 
(AMARO …, 2013; AMARO; [s;d;])

FONTES CONSULTADAS

AMARO, João. As preces de uma velha vitalina. Fortaleza: [s.n.], 1982. In: Cordelteca. Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cordel&pagfis=64616 >. Acesso em: 7 set. 2017.

AMARO, João. O babão. [S.l. : s.n.], [s.d.].

MESTRES do Cordel. [S.l. : s.n.]. In: CECORDEL. 6 jan. 2013. Disponível em: <http://cecordel.blogspot.com.br/2013/01/os-mestres-do-cordel-serie-os-mestres.html&gt;. Acesso em 8 set. 2017.

SAGA dos Arigós: história dos Soldados da Borracha. [S.l. : s.n.]. In: Soldados da borracha: denúncia. 24 jan. 2014. Disponível em: <http://soldadodaborrachadenuncia.blogspot.com.br/2014/01/a-saga-dos-arigos-historia-dos-soldados.html&gt;.  Acesso em: 7 set. 2017.

SOUSA, Francinete Fernandes de. A mulher negra mapeada: trajeto do imaginário popular nos folhetos de cordel. 2009. 254 f. Tese (Doutorado em Letras)- Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.

Poeta João Quinto Sobrinho – Síntese biográfica

Há controvérsia sobre o local de nascimento do poeta popular paraibano João Quinto Sobrinho, pois na página 569 da obra Literatura Popular em Verso: antologia (1986), encontramos a informação que “[…] nasceu no Município de Cuité ou Cajazeiras, Estado da Paraíba”. Já no verbete da Enciclopédia Itaú Cultural, encontramos registro de que nasceu no município de Areia, onde consta como data de nascimento 24 de junho de 1900 e a de falecimento o ano de 1983, na cidade de Juazeiro do Norte (CE).

João Quinto Sobrinho “Mudou o nome para João de Cristo Rei, por ter alcançado graças numa promessa que fez ao Cristo Redentor” (LITERATURA …, 1986, p. 569).

O nome adotado por João Quinto Sobrinho, os nomes de santos que deu aos seus quatro filhos: Francisco de Assis, João Bosco, José Maria e Maria das Virgens e a sua verve poética demonstram sua religiosidade e devoção a julgar pelo número de cordéis dedicados a santos católicos, como afirma Lopes (1994), citado por Stinghen (2000, p. 66-67)

Falar em João de Cristo Rei é, de certa forma, falar sobre o ‘Movimento Religioso de Juazeiro’. Por intermédio de vários cordéis, esse talentoso poeta popular assumiu, em certo sentido, o papel de “porta-voz” das idéias e dos ideais que circula(va)m no imaginário dos fiéis devotos do Pe. Cícero. Dessa forma, estudar sua vida, sua poesia, significa, inevitavelmente, penetrar numa complexa rede de crenças do imaginário popular do Sertão. Há um sabor de coletividade quando falamos em João de Cristo Rei. O seu “perfil” confunde-se com o rosto dos peregrinos.

Viveu 52 anos em Juazeiro do Norte, entre os anos 1931 e 1983, mas antes de ir para o Ceará, ele foi professor de poesia do poeta paraibano José Clementino de Souto (LITERATURA …, 1986; OLIVEIRA; NICOLAU, 2007). De suas obras poéticas, apresentamos trecho do folheto História da Guerra de Juazeiro em 1914.

Vou descrever a batalha
Da guerra de Juazeiro,
Para se vê entre a luta
De metralha e Fuzileiro
O poder de meu Padrinho
A vitória do romeiro.
 
Antes de travarem a luta
Meu Padrinho disse assim:
— O governo do Estado
Se revoltou contra mim,
Para tomar Juazeiro
Prender tudo e me dar fim
 
Mas ele está enganado
Aqui não entra ninguém
Juazeiro é todo meu
E da mãe de Deus também
Parte aqui na minha terra
O cão, não teve e nem tem.
 
Não tenho medo de homem
Por mais que seja graúdo,
Acima de mim só Deus
Homem rico e casacudo
Querendo me dominar
Se derrota e perde tudo.
 
E disse ao Doutor Floro
Vamos cavar os valados
Que Franco Rabelo vem
Com seus batalhões armados
E nós não temos trincheiras
Para enfrentar os malvados.
(REI, 2014)

FONTES CONSULTADAS

JOÃO de Cristo Rei. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5869/joao-de-cristo-rei&gt;. Acesso em: 01 Out. 2017. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

OLIVEIRA, Diana Reis de; NICOLAU, Marcos. José Alves Sobrinho sob o olhar da câmera: o processo de construção de um vídeo documentário sobre um mestre de cultura popular. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 30., 2007, Santos: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0190-2.pdf&gt;. Acesso em: 2 out. 2017.

REI, João de Cristo. História da guerra de Juazeiro em 1914. [S.l. : s.n.]. In: O BERRO NET. 20 mar. 2014. Disponível em: <http://oberronet.blogspot.com.br/2014/03/historia-da-guerra-de-juazeiro-em-1914.html&gt;. Acesso em: 2 out. 2017.

STINGHEN, Marcela Guasque. Padre Cícero: a canonização popular. 2000. 171 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, 2000.

Poeta João Chaves – Síntese biográfica

Exímio cordelista, trovador, compositor, intérprete, seresteiro e músico que tocava flauta, pistom e viola, tendo sido também jornalista, advogado e político. Autodidata eclético das artes às leis, João Chaves, filho de ilustre família montes-clarense, do prof. João Antônio Gonçalves Chaves e Dona Júlia Prates Chaves, nasceu em Montes Claros (MG) em 22 de maio de 1885 e morreu faltando 11 dias para completar 85 anos, ao 11º dia do mês de maio de 1970, na sua cidade natal (AZEVEDO, 1978; COTRIM, 2011; JOÃO…, [20–]).

Azevedo apresenta João Chaves como um dos “nomes mais expressivos da genuína literatura informativa, de cordel de Minas Gerais” (AZEVEDO, 1978, p. 17).

Joãozinho, como era chamado por familiares e amigos, desde cedo apresentava suscetibilidade para as letras, pois gostava de ler e escrever, tendo escrito seu primeiro poema aos oito anos de idade, intitulado Triste Recordação, onde narra o incidente ocorrido aos três anos, quando se perdeu na fazenda do tio (JOÃO…, [1985?]).

Triste Recordação
 
Eu tinha apenas três anos,
Estava na flor da vida,
Precisava dos carinhos
Da minha mãe tão querida.
 
Eu era muito criança,
Não me sentia inda forte,
Arrastado pelo fado,
Eu fui cumprir minha sorte.
 
Fiquei perdido no mato,
Ouvindo feras bravias,
Dormi nas trevas da noite
Ao canto d’aves ímpias.
 
Fiz da camisa lençol,
Da calça fiz meu calção;
Do casaco, travesseiro,
Fiz minha cama no chão.
 
Assim a noite passei;
N’outro dia me encontraram.
Papai e mamãe vieram
E todos os dias me abraçaram.
 
Fui encontrado roído
De formiga e de cupim.
Todos choraram deveras,
Todos choraram por mim.
 
(AZEVEDO, 1978, p. 103)

Com os padres da Congregação Premonstratense da Bélgica, aos 19 anos, estudou história, francês, literatura, poesia, música e teatro. Devoto da Virgem Santíssima o levou a compor o Hino a Nossa Senhora, também conhecido como Pelas Horas Matutinas (JOÃO…, [1985?]).

A fértil imaginação do cordelista foi propagada nos poemas História de uma Exilada, Separação de Noivos, A Filha do Czar e A Religiosa Prisioneira (JOÃO…, [1985?]).

Aos 30 anos, casou-se com Maria das Mercês de Figueiredo, no dia 21 de junho de 1915, tendo-a como companheira de toda a vida e com quem teve onze filhos: Ulpiano, José, Raimundo, Sidney, Henrique, Maria de Lourdes, Lígia, Risoleta, Maria Aparecida, e duas Marias do Rosário (JOÃO…, [1985?]).

Autor de inúmeras poesias, homenageado por Jackson Antunes com o Cordel de João Chaves, esse artista ímpar compôs modinhas, muitas em parceria com Teófilo de Azevedo Filho, ou simplesmente Téo Azevedo. A modinha Amo-te Muito (1910), sucesso internacional, é uma de suas composições, considerada obra-prima do cancioneiro mineiro (AZEVEDO, 1978).

Amo-te Muito
 
Amo-te muito, como as flores amam
O frio orvalho que o infinito chora.
 Amo-te como o sabiá-da-praia
Ama a sangüínea e deslumbrante aurora.
 Oh! Não te esqueças que te amo assim.
Oh! Não te esqueças nunca mais de mim.
 
Amo-te muito como a onda à praia
e a praia à onda, que a vem beijar...
 Amo-te tanto como a branca pérola
Ama as entranhas do infinito mar.
Oh! Não te esqueças que te amo assim.
 Oh! Não te esqueças nunca mais de mim
 
Amo-te muito, como a brisa aos campos
e o bardo à lua derramando luz.
 Amo-te tanto quanto amo o gozo
e Cristo amou ardentemente a cruz.
Oh! Não te esqueças que te amo assim.
Oh! Não te esqueças nunca mais de mim

Vencedor do I Concurso de Seresta de Minas Gerais, realizado na cidade mineira de Ouro Preto em 20 de abril de 1967, por isso patrono da seresta de sua cidade natal. Também compôs Adeus, canção que ficou conhecida como O Bardo, serenata em tributo ao amigo Manoel Silva Reis, falecido em 1908 (AZEVEDO, 1978; COTRIM, 2011; JOÃO…, [20–]).

Foi jornalista em Montes Claros onde fundou A Palavra (1909) e O Sol (1913). Este último com primeiro número publicado em 27 de agosto de 1914, sendo que os dois jornais eram publicados semanalmente. Em Bocaiúva, fundou o jornal A Defesa. Em todos os jornais, registrou e difundiu seu talento literário poético de compositor (JOÃO…, [1985?]; JOÃO…, [20–]).

Em 1917, venceu as eleições para vereador de Montes Claros, exercendo o mandato por apenas dois anos (1917-1919). (JOÃO…, [1985?]).

Como patrono da cadeira de número 31 da Academia Montes-clarense de Letras, o nome do poeta João Chaves foi imortalizado.

FONTES CONSULTADAS

AZEVEDO, Teófilo de. Literatura popular do norte de minas: a arte de fazer versos. São Paulo, 1978.

COTRIM, Dário. Vitrine literária. O Norte de Minas, Montes Claros, out. 2011. Caderno de Modinhas. Disponível em: <http://cms.hojeemdia.com.br/preview/www/2.917/2.925/1.468517/1.474565&gt;. Acesso em: 28 set. 2017.

JOÃO Chaves. [S.l.: s.n.]. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. [20–]. Disponível em: <http://dicionariompb.com.br/joao-chaves&gt;. Acesso em: 28 set. 2017.

JOÃO Chaves: o último bardo, sua vida e sua obra. . [S.l. : s.n.]. In: João Carlos: eternas lembranças. [1985?]. Disponível em: <http://montesclaros.com/joaochaves/img/livr/chaves.htm&gt;. Acesso em: 29 set. 2017.

Poetisa Izabel Cristina Santana do Nascimento – Síntese biográfica

Sergipana de Aracaju, a pedagoga, poetisa e cordelista Izabel Cristina Santana do Nascimento é filha do casal de poetas populares pernambucanos, Pedro Amaro do Nascimento e Ana Santana do Nascimento, radicados em Aracaju (NASCIMENTO, 2004; NASCIMENTO, 2017; NASCIMENTO [2017?]).

Izabel Nascimento nasceu no dia 22 de agosto de 1979 e provou que herdou a veia poética dos pais, com apenas 7 anos começou a escrever seus primeiros versos e com 13 anos o primeiro folheto, Um falso amor (1993), que foi publicado em 2004 (NASCIMENTO, 2004; NASCIMENTO, 2017; NASCIMENTO [2017?]).

Um falso amor
 
Vou falar do que senti
Por alguém que encontrei
Que mudou a minha vida
Outro igual, jamais amei
Transformou tudo em mim
Hoje sei que até o fim
Desse amor, dependerei
 
O fato que contarei
Lhe será surpreendente
Envolve a minha vida
E a vida de muita gente
A história desse alguém
A que eu queria bem
Me mudou completamente
 
Eu ainda era inocente
Quando, minha mãe, perdi
Só Deus sabe o que passei
O quanto chorei e sofri
Mas depois de tanta dor
Encontrei Um Grande Amor
Compensou o que senti
 
Ao levarem mamãe dali
O meu pai sofreu demais
Quase que enlouqueceu
Não se conformou jamais
De tanto que se amavam
Todos os consideravam
O mais Feliz dos Casais
 
Nos instantes funerais
Eu, então, sofri também
Entre amigos e família
Não compareceu ninguém
Tendo que me confortar
Precisava encontrar
O Carimho de alguém
 
Não revelei a ninguém
A tristeza que sentia
Tudo o que mais desejava:
Esquecer aquele dia
Livrar-me daquela dor
Encontrar Um Grande Amor
Que me trouxesse Alegria
 
[...]
(NASCIMENTO, 2004, grifo do autor)

Premida no Concurso de Poesias do Jornal da Cidade de Aracaju (2009) com o cordel São João em Sergipe: danado de bom, Izabel Nascimento sempre foi motivada no ambiente familiar, com os pais poetas (NASCIMENTO, 2004; NASCIMENTO, 2017).

Cordel de Pai e Filha
 
I - Pedro Amaro, eu admiro
A pessoa que tu és
Teu talento, tua força
Tua vida, sem revés
Que Deus, com sabedoria
Permita que eu chegue, um dia
Ao alcance dos teus pés
 
P - Teus versos são pura Arte
A Constelação que brilha
Neste teu jardim poético
És a Nona Maravilha
Eu me sinto uma fagulha
Pois teu Pai muito se orgulha
Em ter você como filha
 
I - Tua forma de escrver
Eu herdei a mesma trilha
Tua personalidade
É Astro que sempre brilha
Em Prosa, Verso ou Repente
Orgulho-me imensamente
Porque sou a tua filha
 
P - Os teus Talentos são dons
Virtudes que ninguém tira
Nos campos da Poesia
Uma Musa te inspira
Se o mundo rejeitar-te
Se ninguém admirar-te
O teu Pai te admira
 
I - Exemplo de Honestidade
Por Jesus abençoado
Coerente, tolerente
Genoroso e humorado
És um sábio destemido
Pelos amigos, querido
E por todos nós amado
 
P - Admiro porque és
Poetisa, filha e amiga
Pois no decorrer dos anos
Pode aparecer quem diga
Que teu sucesso é brilhante
Teus versos como um gigante
Os meus como uma formiga
 
(AMARO; NASCIMENTO, 2008)

Izabel Nascimento afirma que também foi inspirada pelos poetas João Firmino Cabral, Manoel D’Almeida Filho e Leandro Gomes de Barros (NASCIMENTO, 2004; NASCIMENTO, 2017).

Em entrevista a Oliveira Caruso, publicada no site Reino dos concursos, ao ser questionada sobre frequência e gênero que lê, respondeu: Gosto de ler Cordel. Recentemente, tenho me dedicado às leituras teóricas sobre a Literatura de Cordel e mergulhado no campo da pesquisa. Como passei a conhecer muitos poetas cordelistas através das redes sociais, tenho lido os cordéis que recebo de presente destes amigos. Além de meu pai, Pedro Amaro, leio e releio os folhetos do saudoso sergipano João Firmino Cabral, me encanto com a alegria dos versos do meu conterrâneo e amigo, o Poeta João Batista Melo, me impressiono com a grandeza dos versos do paraibano Zé de França, aprecio a coesão dos versos do grande Moreira de Acopiara e pesquiso na fonte inesgotável que deixou o grande Patativa do Assaré (NASCIMENTO, [2017?]). 

FONTES CONSULTADAS

AMARO, Pedro; NASCIMENTO, Izabel. Cordel de pai e filha. Aracaju, [S.l. : s.n.], 2008. In: Cordelteca do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=cordel&pasta=&pesq=IZABEL%20NASCIMENTO&gt;. Acesso em: 20 ago. 2017.

NASCIMENTO, Izabel Cristina Santana do. Formulário. [S.l. : s.n.]. In: Memórias da poesia popular. 15 abr. 2017. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br/poeta-conte-sua-historia/&gt;. Acesso em: 20 ago. 2017.

NASCIMENTO, Izabel. Entrevista com Izabel Nascimento. Entrevistador: Oliveira [S.l. : s.n]. In: Reino dos concursos. [2017?]. Disponível em: <http://www.reinodosconcursos.com.br/entrevista-com-izabel-nascimento&gt;. Acesso em: 20 ago. 2017.

NASCIMENTO, Izabel. Um falso amor. Aracaju, [S.l. : s.n.], 2004. In: Cordelteca do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cordel&pagfis=84266&gt;.  Acesso em: 20 ago. 2017.

  

Poetisa Gilmara Cláudia Silva – Síntese biográfica

A bonfinense Gilmara Cláudia Silva é cordelista que usa o pseudônimo Anastácia. Natural do município baiano Senhor do Bonfim, amante de cordel, em 2003 começou a versar as histórias da própria vida, e esse verbo próprio a fez adentrar o universo da poesia popular (A VIDA …, [2007?]).

Desfile Quase Afro!
 
Falo de desfile afro
Uma ideia até legal
Pensando em combater
O preconceito racial
Mas é preciso atenção
Pois a discriminação
Se tornou algo normal

É um tal de dança afro
Como auge musical
Concurso até de receitas
De comida cultural
Mas a tal sociedade
Não abandona a maldade
Na maior cara de pau
 
O ‘Afro’ virou esporte
Programa de televisão
Virou até fantasia
Para a discriminação
Que encarnou no brasileiro
Lobo em pele de carneiro
Deixe disso meu irmão
 
Minha mãe já me dizia
Um provérbio popular
Quebra a cara quem não quer
A verdade enxergar
Tapar o sol com a peneira
Pra encobrir a sujeira
Para o negro tapear
 
Ninguém mais quer relembrar
Do tempo da escravidão
De escravo e de senhor
De senzala ou capitão
Que o negro oprimia
De noite e também de dia
Naquele velho porão
 
Isso é rixa do passado
Dizem os grandes escritores
Falemos da beleza afro
Ao negro demos louvores
Mesmo que hoje em dia
Vivam nas periferias
Sofrendo os mesmos horrores
 
O Brasil olhando o negro
E dizendo: muito bem!
 Conseguiram apanhar
E ficar dizendo amém
Hoje ainda explorado
Repetindo seu passado
Da vida ficando aquém
 
Quero só que fique claro
Nos eventos culturais
Que afro não é enfeite
Para grupos teatrais
O negro com atitude
Com desfile não se ilude
Precisa de muito mais
 
(ANASTÁCIA, 2007)

FONTES CONSULTADAS

A VIDA em cordel. [S.l.: s.n.]. In: Blog a vida em cordel. [2007?]. Disponível em: <http://avidaemcordel.blogspot.com.br/2007/11/contra-o-preconceito.html&gt;. Acesso em: 8 ago. 2017.

ANASTÁCIA. Desfile quase afro. [S.l.: s.n.]. In: Recanto das letras.7 ago. 2007. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/597421&gt;. Acesso em: 8 ago. 2017.

Poeta Galdino Silva – Síntese biográfica

O cordelista e embolador Galdino Silva nasceu na cidade de Salvador no estado da Bahia, em 1878, onde viveu até o seu falecimento em 1958, aos 80 anos (LITERATURA…, 1986). Utilizando recurso estilístico de linguagem comum ao cordel, o apóstrofe, para invocar um interlocutor, Galdino Silva fazia seus poemas, a exemplo do cordel intitulado:

A Mulher que Pediu um Filho ao Diabo
 
Leitores eu vou contar
Uma história verdadeira
De uma infeliz mulher
Que um dia fez uma asneira
Pediu um filho ao Diabo
E o filho nasceu de rabo
E mordeu a mão da parteira.
 
Esta mulher se chamava
Felismina do Orobó
Casada com Chico Inaço
No sertão do Chorrochó
Ela vivia zangada,
Pois tanto tempo casada
Nunca teve um filho só.
 
Quem pede a Deus e tem fé
Será dado, tarde ou cedo
Quem pede a Deus há de ter
Quem tem fé move rochedo
E quem pede a Satanás
Só tem de cair pra trás
Pois tudo dele faz medo.
[…]
(LITERATURA…, 1986, p. 266)

FONTE CONSULTADA

LITERATURA popular em verso: antologia. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. Coleção reconquiste o Brasil. Nova série; v. 95.

Poeta Franklin de Cerqueira Machado – Síntese biográfica

O poeta baiano Franklin de Cerqueira Machado nasceu em Feira de Santana em 15 de março de 1943. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos (1960), mas só ficou por poucos meses. Foi para Salvador, onde concluiu o curso secundário no Colégio da Bahia. Ficou um ano sem estudar, vindo a graduar-se em Direito, pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e escolheu dedicar-se tão-somente à literatura de cordel a partir de 1975(CORDEL …, 2007; LEITE, 2014; SANTOS; QUEIROZ, 2012).

Retorna para a terra natal em 1966, já bacharel em Direito, quando também publicou seu primeiro livro intitulado Álbum de Feira de Santana (SANTOS; QUEIROZ, 2015).

O autor de A Volta do Pavão Misterioso é assim descrito por Santos e Queiroz: “[…] poeta, dramaturgo, xilógrafo, ator, estudioso de cordel, dentre outras artes, sendo considerado um divisor de águas na literatura de cordel, pois seus folhetos e xilogravuras foram vendidos em todo o Brasil (2012, p. 94)”. Franklin Maxado (ou Maxado Nordestino) teve sua produção estudada pelo especialista em cangaço, Antônio Amaury Corrêa de Araújo (CORDEL …, 2007).

Maxado Nordestino também escreveu sobre o gênero literário popular em três obras, consideradas referências no gênero: O Que É Literatura de Cordel (1980), Cordel, Xilogravura e Ilustrações (1982) e O Cordel Televivo: futuro, presente e passado da literatura de cordel (1984) (SANTOS; QUEIROZ, 2012; TEIXEIRA, 2009).

A convite do jornalista Juarez Bahia, Franklin Machado foi para São Paulo (1971), onde passou quinze anos. Na antiga terra da garoa, trabalhou na redação dos jornais: “Folha de São Paulo, Diário Popular, sucursal de A Tribuna, de Santos, e no Diário do Grande ABC […]” (LEITE, 2014; SANTOS; QUEIROZ, 2012).

Anteriormente, em Salvador, fez parte do Jornal da Bahia (1967), onde foi responsável pela criação da primeira sucursal desse jornal no interior da Bahia e colaborou com o jornal O Pasquim. Em Feira de Santana, fundou a sucursal das Emissoras e Diários Associados (LEITE, 2014; SANTOS; QUEIROZ, 2012).

Ao retornar para a Bahia (1985), Edvaldo Boaventura (secretário de governo) convidou Maxado para trabalhar na TV Educativa, vindo a criar o comentário em cordel, no jornal diário (SANTOS; QUEIROZ, 2012).

Mas o que é o cordel para esse poeta e estudioso da poesia popular? “[…] é poesia; é gráfica; é canto; são as artes plásticas; é música, é teatro; é jornalismo; e é comércio. E ainda é até esporte, pois o poeta carrega sua mala para a feira, e em viagens exercita os músculos” (SANTOS; QUEIROZ, 2012, p. 95 apud MAXADO, 1980, p.124).

De acordo com as pesquisadoras Santos e Queiroz (2015, p. 306), ainda na década de 60, Maxado uniu-se a artistas e intelectuais de Feira de Santana onde atuou no teatro, encenando e escrevendo, e em

[…] 1971 apresentou o espetáculo músico-teatral “Terra de Lucas”, como uma maneira de se despedir de sua cidade, pois havia decidido partir para São Paulo. […].

Na capital paulista, o escritor também se dedicou às questões artísticas, participando de apresentações e recitais, conheceu inúmeros outros artistas em início de carreira, como, por exemplo, Torquato Neto, Belchior, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Mas foi em seu estado de origem que encontrou um artista, o poeta Rodolfo Cavalcante, que, segundo o próprio autor, foi quem o fez ver a possibilidade de se tornar um poeta de cordel. […].

Maxado é autor de inúmeras obras cordelísticas, com centenas de publicações, além de participar de antologias de poetas e publicar livros de poemas eruditos, como Protesto à Desuman-idade (1970), Profissão de Poeta (1988) e Negramafricamente (1995) (SANTOS; QUEIROZ, 2012).

Franklin Maxado usa o próprio nome como mote, como nos mostram Santos e Queiroz (2012, p. 97).

M – aneirei até demais
A sua vida de verdade.
X – amo atenção para a letra
A, de arte, artesidade.
D – o criador, esperamos
O poder da eternidade

Geraldo Leite, em seu blog Filhos Ilustres da Bahia, descreve o poeta por ele mesmo.

Maxado Nordestino, diz ele, foi meu nome quando me lancei profissionalmente no cordel. Franklin Maxado é meu nome artístico e literário, daí Franklin Machado Nordestino. Em xilogravura assino F. Maxado ou somente F.M. pois diminui o número de  letras para cortar na madeira. Maxado para fixar uma marca e Nordestino porque no sul me identificaram como “o nordestino” e isso reafirma minhas origens e cultura (LEITE, 2014).

Referência no gênero, a Editora Hedra organizou uma antologia com cinco de seus trabalhos mais significativos.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL – Franklin Maxado. In: HEDRA. [S.l. : s. n.]. [2007?]. Disponível em: <https://www.hedra.com.br/livros/cordel-franklin-maxado&gt;. Acesso em: 10 mar. 2017.

Poeta Francisco Severino da Silva – Síntese biográfica

Chico Mulungu é o pseudônimo do poeta popular paraibano Francisco Severino da Silva, que faz jus à sua cidade natal, pois Chico nasceu em um município da microrregião de Guarabira, Mulungu, distante 100,2 km da capital paraibana. Quando jovem, ele foi trabalhar e estudar na capital paraibana (João Pessoa), onde residiu em uma república estudantil com um amigo. O poeta Chico Mulungu recorda:

[…] comi o pão que o diabo amassou, mas felizmente consegui trilhar pelo caminho do bem na vida. Em 1982, cheguei a São Paulo, cidade onde vivi por vários anos, até ser acometido por um câncer maldito em 1986. Casei-me em 1988 no Rio de Janeiro e um ano depois voltei definitivamente para minha Paraíba para fixar residência em Guarabira, cidade onde vivo até hoje. Tenho como estímulo para minha vida, filhos, neto e a poesia! (FORMULÁRIO 15, 2017)

O poeta nasceu no dia 24 de agosto de 1965 e iniciou a sua produção cordelística tardiamente, aos 50 anos (2015), mas já publicou, de forma independente, mais de dez títulos, porém começou a escrever poesia ainda adolescente, com catorze anos (1979) (FORMULÁRIOS 8 (2017); FORMULÁRIO 9 (2017); FORMULÁRIO 15 (2017).

Seu primeiro cordel é intitulado O Bêbado e a Mercearia Cultural, que faz parte da série cordel encarnado, composta de 13 cordéis: 2 – Minha Vida é uma Viagem (09/2015); 3 – Guarabira da Feira ao Celeiro de Artistas (10/2015); 4 – Pela Décima Vida Severina (11/2015); 5 – AMECC 25 Anos Acolhendo Crianças e Adolescentes (11/2015); 6 – Toque de União no Natal (12/2015); 7 – Na Feira de Mangaio (em parceria com Severino Honorato – 03/2016); 8 – Guarabira Capital Nordestina do Cordel (04/2016); 9 – Flor de Mulungu (05/2016); 10 – Mamulengo Chico Tampa, Babau na Paraíba & Patrimônio Cultural do Brasil (06/2016); 11 – O Bêbado e a Mercearia Cultural – 2. ed. (07/2016); 12 – Cidade Luz da Paraíba (11/2016); 13 – Toque de União do Natal – 2. ed. (12/2016).

Além dos cordéis, Chico Mulungu lançou, em 2015, um livro infantojuvenil intitulado Fio-fio Cabelos de Sapo em a Multiplicação do Ovo (SANTOS, 2015).

Chico Mulungu afirma que sua verve poética popular é inspirada no conterrâneo Severino Honorato (Don Severo), além de grandes poetas populares, como Antônio Francisco, José Camelo de Melo Rezende, Leandro Gomes de Barros, Manoel Camelo dos Santos, Manoel Camilo dos Santos e Patativa do Assaré (FORMULÁRIOS 8 (2017); FORMULÁRIO 9 (2017); FORMULÁRIO 15).

Eis uma das poesias de Francisco Severino da Silva:

MAMULENGO CHICO TAMPA
 
Assim é o Chico Tampa
Um boneco popular,
Criação de bonequeiro,
Feito para encantar
E ao mundo da criança
Trazer boa esperança,
Ternura pra todo olhar.
 
É até muito comum
Pelos rincões nordestinos
A presença dos fantoches,
Mamulengos peregrinos,
Viajantes sim senhor
Com seu apresentador,
Ligados pelos destinos.
 
Conheci o Mestre Clébio
Nas ruas de Guarabira,
Importante bonequeiro
Que o babau admira,
Trazendo na sua mala
Personagens que embala
E encanta, sem mentira.
 
Em mala de bonequeiro
Deve ter bom figurino.
Saber vestir os bonecos,
Homem, mulher ou menino,
É dar vida a espetáculos
Nas praças, nos tabernáculos
Do interior nordestino.
(MAMULENGO, 2017)

O poeta rememora ainda que o pai também o estimulou para a literatura de cordel, por ser um amante incondicional dessa arte, pois tinha o hábito de adquirir os folhetos para ler para uma plateia em sua residência (FORMULÁRIO 15, 2017).

Membro da Academia Virtual de Letras António Aleixo (AVL), ele ocupa a cadeira 24, cujo patrono é José Lins do Rego (APOGEU …, 2017; FORMULÁRIO 9, 2017; ). O poeta é casado com Maria de Lourdes Pereira da Silva.

FONTES CONSULTADAS

APOGEU Poético: Homenagem Póstuma ao Patrono da AVL António Aleixo – Chico Mulungu. In: Academia Virtual de Letras António Aleixo. [S.l. : s.n.]. 26 nov. 2016. Disponível em: <http://academiavirtualdeletrasantonioaleixo.blogspot.com.br/2016/11/apogeu-poetico-homenagem-postuma-ao_86.html&gt;. Acesso em: 15 maio 2017.

MULUNGU, Chico. Mamulengo Chico Tampa. In: O Cordel Encarnado de Chico Mulungu. [S.l. : s. n.]. 29 jun. 2016. Disponível em: <http://martinhoalves.blogspot.com.br/2016/06/o-cordel-encarnado-de-chico-mulungu.html&gt;. Acesso em: 15 maio 2017.

SANTOS, Anderson. Escritor Chico Mulungu lança o livro “FIO-FIO CABELOS DE SAPO EM A MULTIPLICAÇÃO DO OVO. In: Portal mídia. [S.l. : s.n.]. 12 set. 2015. Disponível em: <http://portalmidia.net/escrito-chico-mulungu-lanca-o-livro-fio-fio-cabelos-de-sapo-em-a-multiplicacao-do-ovo/&gt;. Acesso em: 15 maio 2017.

SILVA, FRANCISCO SEVERINO DA. Formulário 08, respondido online no blog Memórias da Poesia Popular em 11/03/2017. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br/>.

SILVA, FRANCISCO SEVERINO DA. Formulário 09, respondido online no blog Memórias da Poesia Popular em 11/03/2017.Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br/>.

SILVA, FRANCISCO SEVERINO DA. Formulário 15, respondido online no blog Memórias da Poesia Popular em 16/04/2017.Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br/>.