Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta Luiz da Costa Pinheiro – Síntese biográfica

Luiz da Costa Pinheiro

Potiguar, o poeta-editor Luiz da Costa Pinheiro nasceu no município de Goianinha, Rio Grande do Norte e radicou-se em Fortaleza, Ceará. Patrono da cadeira 9 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupada por Olegário Alfredo, é autor de grandes romances, com ricos enredos onde sobressaem elementos culturais indígenas, européias a africanas no Ceará (SOUSA, 2009).

Sua obra-prima, Boi Mandigueiro e o Cavalo Misterioso, foi escrito em dois volumes de 32 páginas, do qual extraímos a primeira página:

No Rio Grande do Norte

[…] havia um fazendeiro
era muito respeitado
pela fama do dinheiro
criava numa fazenda
para qualquer encomenda
um grande Boi Mandigueiro

Esse boi quando corria
segundo diz o boato
tinha equilibrio no corpo
com ligeireza de gato
por meio de forte mandinga
corria mais na caatinga
do que veado no mato

Na carreira ele arrancava
jucá velho de miôlo
sabiá e mororó
levava tudo no rôlo
quebrava paus com as pontas
espedaçando as vergônteas
caindo lone o rebôlo.

Poeta inspirado, é autor de várias obras.

FONTES CONSULTADAS

PINHEIRO, Luiz da Costa. Grandes autores da Literatura de Cordel. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 01 set. 2016.

QUINTELA, Vilma Mota. Literatura de cordel: ensaios. 1996. 124 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1996.

SOUSA, José Josberto Montenegro. Argumentos/enunciados da poética popular: um mosaico de signos. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 25., 2009, Fortaleza. Anais … Fortaleza, 2009.

Poeta Rodolfo Coelho Cavalcante – Síntese biográfica

Rodolfo Coelho Cavalcante (12/03/1919 – 7/10/1986)

Natural da cidade de Rio Largo, Alagoas, o poeta cordelista Rodolfo Coelho Cavalcante nasceu no dia 12 de março de 1919, filho de Artur de Holanda Cavalcante e Maria Coelho Cavalcante. Ainda na adolescência deixou a casa dos pais e percorreu todo o interior do estado de Alagoas, Sergipe, Aos 13 anos de idade, deixou a casa paterna. Percorreu parte do norte e do nordeste especificamente os estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Maranhão e Piauí, exercendo atividades circense como palhaço, propagandista e camelô com o objetivo de auxiliar as finanças familiares entre outras atividades. Fase esta em que já era possível vislumbrar um exímio versejador participando de pastoris, cheganças e reisados.

Todavia foi em Parnaíba no Piauí que mantem seu primeiro investimento no cordel adquirindo para revenda os folhetos do poeta e editor João Martins de Ataíde, dando inicio a atividade de folheteiro.

Em 1945 instala-se em Salvador, Bahia, inicia o movimento em defesa da classe poetas, publicando um folheto dedicado ao Governador da época Otávio Mangabeira, que acabou por liberar os poetas, cantadores e folheteiros da proibição de comercializarem seus produtos em praças públicas. Sua carreira de cordelista e defensor da cultura popular se firma e promove em 1955, juntamente com Manoel D’Almeida Filho e outros expoentes da poesia popular o I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros ocasião em que foi fundada a Associação Nacional de Trovadores e Violeiros, hoje Grêmio Brasileiro de Trovadores, com sede em Salvador, BA. Como jornalista, fundou alguns periódicos, como A Voz do Trovador, O Trovador e Brasil Poético. Tornando-se ainda autor do Hino dos Trovadores.

Seu envolvimento o conduziu a militar também no jornalismo e posteriormente auxilia na fundação da Associação de Imprensa Periódica da Bahia, e filia-se à Associação Baiana de Imprensa. Trovador entusiasta, fundou A voz do trovador, O trovador e Brasil poético, órgãos do movimento trovadoresco. Tem idealizado e realizado muitos movimentos, visando à união dos cantadores.

Brito (2014, p. 39) ao referir-se a Rodolfo Coelho Cavalcante afirma: “O poeta transforma sua experiência de ler, ouvir, imaginar e perceber em narrativas poéticas que imprime e formata em folhetos como meio de comunicação para transmitir informações e notícias originárias de várias fontes, para serem lidas, ouvidas e adquiridas por outros grupos de consumidores”.

Nesse caminhar o poeta também vai atuar como editor promovendo uma significativa rede de distribuidores em todo o nordeste, divulgando sua própria obra e de outros poetas. Sua obra percorria vários temas sendo os mais recorrentes os abecês, biografias, cantorias e fatos do cotidiano. Foi também tema de vários poetas e pesquisadores da literatura de cordel.

O início de sua carreira não foi nada fácil. Imprimia seus folhetos de maneira muito artesanal, no geral composto de 8 páginas, com capas em xilogravuras ou clichês, confeccionados artesanalmente, com a ajuda dos filhos. Somente a impressão era feita em tipografias.

O poeta após uma vasta produção e luta permanente em defesa da cultura popular morre em 7 de outubro de 1986, vitima de atropelamento em frente a sua residência na cidade de salvador, Bahia. Morte que causou repercussão no Brasil e no exterior levando outros poetas a publicar sobre ele. Provavelmente o que mais toca os corações poéticos seja o fato do poeta e trovadorista ter enviado pouco antes de seu falecimento uma trova para o II Concurso de Trovas de Belém do Pará, com o seguinte texto:

Quando este mundo eu deixar

A ninguém direi adeua.

Dos poetas quero levar

Suas trovas para Deus.

Com esta trova Rodolfo Coelho Cavalcante encantou-se deixando seu legado lítero poético, e um território firme para a cultura popular.

FONTES CONSULTADAS

BRITO, Gilmário Moreira. Produção e circulação de folhetos políticos e religiosos de Rodolfo Coelho Cavalcante. Revista Educação e Políticas em Debate, Uberlândia, MG, v. 3, n. 1, p. 38-52, jan./jul. 2014. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/revistaeducaopoliticas/article/view/27681/15160>. Acesso em: 11 nov. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot .com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

MEMÓRIAS DO CORDEL. Grandes nomes do cordel – Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. 

MIRANDA, Antonio. Poesia dos brasis: Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/bahia/rodolfo_coelho_cavalcante.html>. Acesso em: 11 out. 2014.

PINTO, Maria do Rosário. Rodolfo Coelho Cavalcanti. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/RodolfoCoelho/rodolfoCoelho_biografia.html>. Acesso em: 11/11/2014.

WIKIPEDIA. Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_ Coelho_Cavalcante>. Acesso em: 11/11/2014.

Poeta Raimundo Luiz do Nascimento – Síntese biográfica

Raimundo Luiz do Nascimento (06/04/1926)

Raimundo Luiz do Nascimento, poeta popular mais conhecido como Raimundo Santa Helena ou apenas Santa Helena nasceu no município de Santa Helena localizado no extremo Oeste da Paraíba, limita-se ao Norte com a cidade de Triunfo, ao Sul com Bom Jesus e Cajazeiras, ao Leste com São João do Rio do Peixe e a Oeste com o Baixio e Umarí no Estado do Ceará. Razão pela qual levou o poeta a intitular-se de paraibense.

De acordo com a Simone Mendes (Fundação Casa de Rui Barbosa) seus folhetos retratam uma face autobiográfica, reforçando a construção de uma escrita de si, que tem como ponto de partida o assassinato de seu pai pelos cangaceiros de Lampião quando invadiram o sertão cajazeirense, Paraíba, em 09 de junho de 1927.

Em razão do fatídico episódio Santa Helena foi forçado a fugir de casa com apenas 11 anos de idade rumo a Fortaleza local em que fora acolhido por uma professora que o incentivou a estudar e trabalhar, atuando como cobrador de ônibus, garçom, engraxate entre outras atividades convergindo para seu ingresso em 1943 na Escola de Aprendizes de Marinheiro do Ceará. Na Marinha participou da Segunda Guerra Mundial, vindo a ser condecorado pelo Presidente da República.

Seu primeiro cordel foi declamado em 1945, a bordo do navio Bracuí, após o fim da segunda grande guerra, intitulando-o de “Fim da Guerra”. Para alguns de seus biógrafos esta data é reiterada como sendo a data de publicação de seu primeiro cordel.

Do ponto de vista de sua narrativa o poeta possui uma variedade temática em sua poética que vai desde o cangaço, meio ambiente, educação sexual, saúde, biografias de personalidades, a exemplo de Tancredo Neves, Getúlio Vargas, Chico Buarque de Holanda entre outros, conforme revela a sextilha transcrita em homenagem aos cinquenta anos do cantor e poeta:

 

Em 71 o Chico

Mesmo na ‘revolução’

Lança outro LP

Chamado de ‘Construção!

LP de filme lança

(72) – Aliança

Bethania e Nara Leão

Por outro lado, o poeta também se vincula a temas da atualidade, especificamente os que estão na predileção da mídia. Por outro lado ao produzir seu texto o poeta busca várias fontes que tratam da mesma temática, para, a partir, de então, construir seu poema, imprimindo sua opinião pessoal acerca da temática em pauta.

Outra inovação na obra do poeta é construção de cordéis bilíngues, facilidade adquirida pelo fato de ter ele estudado nos Estados Unidos da América, tanto que publicou durante a ECO 92 o cordel intitulado “Brazilian Amazônia”.

Em 1983 recebeu juntamente com Gilberto Freyre, Augusto Ruschi e Jorge Amado o Prêmio Porto de São Mateus de Resistência cultural. Tem cerca de 2 milhões de exemplares de mais de 300 títulos em circulação. Foi criador da Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro, RJ, local onde auxiliou a divulgação da culinária tipicamente nordestina, artesanato, trios e bandas de forró, dança, cantores e poetas populares, repente e literatura de cordel.

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://academiaportocalvenseaphla.blogspot. com.br/2013/09/ablc-academia-brasileira-de-literatura.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

BRASILIANA a divulgação científica no Brasil. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11&sid=5>. Acesso em: 29 nov. 2014.

DICIONÁRIO Cravo Albin da Música popular brasileira. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/raimundo-santa-helena/biografia>: Acesso em: 11 nov. 2014.

MENDES, Simone. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ RaimundoSantaHelena/raimundoSantaHelena_biografia.html>. Acesso em: 29 ago. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonardi Dantas de; HOLANDA, Virginia Célia Cavalcante de. Elos possíveis entre o ensino de geografia e a literatura de cordel. Revista Homem, Espaço e Tempo, set., 2008. Disponível em:  <http://www.uvanet.br/ rhet/artigos_setembro_2008/elos_possiveis.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2014.

O NORDESTE. Enciclopédia Nordeste: Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Raimundo+Santa+Helena>. Acesso em: 11 out. 2014.

WIKIPEDIA. Santa Helena (Paraíba). [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Helena_ %28Para%C3%ADba%29>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta Pedro Monteiro de Carvalho – Síntese biográfica

Pedro Monteiro de Carvalho (25/03/1956)

Pedro Monteiro de Carvalho, funcionário público, poeta cordelista é natural da Cidade de Campo Maior no Piauí. Filho dos lavradores Raimundo Monteiro de Carvalho e Maria Verônica de Carvalho, nasceu aos 25 de Março de 1956. Sua infância tipicamente roceira deu-se entremeada por histórias contadas à luz de lamparinas e terreiros enluarados ouvindo contos e tradições nordestinas.

Aos dezessete anos rumou para terras paulistanas e na periferia da Capital se instalou adquirindo experiências pautadas nas lutas por justiça social cidadania. Seu espirito de leitor voraz foi sendo alimentado por seu próprio autodidatismo e a busca por desvendar o novo, compreensão e observação da realidade.

De acordo com o poeta ao ser entrevistado por Juliana Gobbe para o site “Tecendo em Reverso”, assinalou:

Sou poeta cordelista
Me chamo Pedro Monteiro,
Amasso o barro da rima
No metro do bom oleiro,
Sou um campo-maiorense,
Das terras Piauiense,
Nosso sertão brasileiro.

Pode-se inferir ainda que o poeta Pedro Monteiro para além de cordelista é forte apreciador do teatro, tanto que atuou em peças teatrais, a exemplo: Saúde! Salve-se quem puder e em Danação. Isto revela a aproximação do poeta com outras formas de expressão artística e da cultura popular. Sua verve artística aliada ao espirito empreendedor colaborou com a criação da Caravana do Cordel, projeto coletivo que aglutina poetas populares nordestinos como cordelistas, repentistas, contadores de histórias, músicos, xilógrafos e interessados na cultura popular, residentes no estado de São Paulo com o objetivo de juntos difundirem a arte popular.

O poeta Pedro Monteiro descobre sua verve poética após um encontro inesperado com os poetas Marco Haurélio, Varneci Nascimento e João Gomes de Sá, que participavam de uma feira de Cultura Nordestina no Anhembi. Ocasião em que foi encorajado por Marco Haurélio a escrever Chicó, o Menino das Cem Mentiras, obra que conduziu o poeta a sua estreia no mundo do Cordel, fato que despertou a vocação que, até então, adormecida.

Tanto que o poeta não para de produzir, lançando, pela Luzeiro, sua mais nova obra “O Triunfo do Poeta no Reino do Cafundó”. De acordo com Marco Haurélio As estrofes do introito demonstram que a literatura é a soma do talento individual à capacidade de garimpar no inconsciente coletivo:

Certa vez imaginando
A nossa ancestralidade,
Joguei luz no pensamento,
E busquei na oralidade
Histórias que se perderam
No vão da modernidade.

Peguei caneta e papel,
Remexi nos meus lembrados,
Invoquei sabedoria
Dos nossos antepassados,
Lembrei-me da minha avó
Fazendo seus proseados.

Ela falava que um reino
Chamado de Cafundó
Tinha um monarca viúvo
De nome Halabadjó,
Que dizia descender
Do patriarca Jacó.

Este Rei tinha uma filha
Pronta para se casar.
Por ela ser unigênita,
Era preciso arranjar
Um pretendente que fosse
Apto para governar.

Maristela era o seu nome
Uma formosa donzela,
O Rei invocou a Vênus
Para ser tutora dela.
Nos encantos, esta deusa
Foi generosa com ela.

Sua feição parecia
O brilho celestial,
Um primor de formosura,
Uma arte escultural,
Como o fulgor da aurora
No rebento matinal.

Foi assim que certo dia
Halabadjó publicou
Um edital informando
Que sua corte aprovou
E aquela sucessão
Ele assim normatizou.

A regra daquele edito
Foi por um sábio proposta:
Seria feito a disputa
Entre pergunta e resposta,
Somente o sábio dos sábios
Venceria aquela aposta.

FONTES CONSULTADAS

ACORDA. Caravana do Cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://acorda.net.br/?gallery=caravanadocordel>. Acesso em: 27 set. 2014.

GOBBE, Juliana. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://tecendoemreverso.blogspot.com.br/2014/08/pedro-monteiro.html>. Acesso em: 29 set. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/ 2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Mais um triunfo do poeta Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marco haurelio.blogspot.com.br/2011/09/mais-um-triunfo-do-poeta-pedro-monteiro.html>. Acesso em: 23 nov. 2014.

INSTITUTO LEANDRO GOMES DE BARROS. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://ilgbsp.blogspot.com.br/>. Acesso em: 12 maio 2014.

NASCIMENTO, Varneci. Pedro Monteiro lança novo folheto. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://varnecicordel. blogspot.com.br/2010/06/pedro-monteiro-lanca-novo-folheto.html>. Acesso em: 29 set. 2014.

SANTOS, Cleusa. Cascordel: Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cascordel.com/products/pedro-monteiro-http-meuscontoseversos-blog-terra-com-br-/>. Acesso em: 11 nov. 2014.

WIKIPEDIA. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Monteiro>. Acesso em: 11 out. 2014.

Poeta Paulo Roxo Barja – Síntese biográfica

Paulo Roxo Barja

Natural da Cidade de Santos, São Paulo, o poeta declara-se Santista “de cidade e de time”. Confessa ainda ter herdado do pai Antonio Barja Filho o gosto pela música e da mãe Ila Maria Roxo Barja o amor pela Literatura, junção que culminou com sua formação eclética.

Paulo Roxo Barja é o que se pode caracterizar como um profissional eclético. Possui toda formação acadêmica em Física desde a graduação ao pós-doutoramento, sem descurar da pesquisa cientifica, ao mesmo tempo transita livre e criativamente pela música e pela literatura, especificamente a literatura popular, considerando que já publicou mais de 50 folhetos de cordel que tratam de temáticas diversas, como educação ambiental, política e saúde, incluindo adivinhas e fábulas para crianças de todas as idades, além de atuar no campo musical também profissionalmente. Nesse sentido, o poeta-música alia em sua caminhada artística música e literatura com espetáculos, ministrando cursos e oficinas, atuando em teatro com composições musicais que inclui apresentações em praças públicas, parques escolas, colégios, bibliotecas tanto no Brasil como em países da América Latina e Europa. No campo musical atuou ainda em vários grupos destacando-se o Lunatus Ensemble Medieval.

Em face de sua competência literária o artista foi um dos ganhadores da Bolsa Funarte de Circulação Literária no ano de 2010. Sua produção decorre da paixão do poeta pela cultura popular, o músico e professor coleciona cordéis desde a década de 80.

Em 2000, começou a criar trilhas sonoras para o teatro e a trabalhar com direção musical. Logo depois, passou a se dedicar também aos fotopoemas. Em 2008, a produzir os folhetos intitulados “Cordéis Joseenses”, tornando-se membro da Academia Joseense de Letras.

Sua produção trata ainda de tema atuais a exemplo, do transcrito abaixo:

Ministério em contraponto

 

Reeleita, Dona Dilma

já merece reprimenda:

a ministra Kátia Abreu

mostrou que nunca se emenda.

Disse agora, em entrevista,

que latifúndio é uma lenda!

Ministra, fale a verdade,

o bom senso recomenda…

Espero que a presidenta

prontamente a repreenda

e exija reforma agrária:

latifúndio não é lenda!

 

Para fazer contraponto

ao pensamento precário

de Kátia na Agricultura,

do outro lado do cenário

surge Patrus Ananias

(Desenvolvimento Agrário):

 

“Direito de propriedade

precisa ser adequado

à necessidade humana;

não pode ser aplicado

acima de outros direitos,

pois isso seria errado.”

 

“Sei que a polêmica existe:

vou debater no plenário

e chamar pra discussão

também o Judiciário.

Não pode haver injustiça

escondida nesse armário.”

 

Por isso tudo, meu povo,

movimentos sociais

devem, sim, organizar-se

e lutar cada vez mais

pra garantir inclusão

e aproximar desiguais.

 

Somente o debate aberto

(junto ao reconhecimento

de que existem latifúndios)

dará fim ao sofrimento.

Pressão justa, popular:

Reforma já, cem por cento!

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA JOSEENSE DE LETRAS. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <https://academiajoseensedeletras. wordpress.com/paulo-roxo-barja/>. Acesso em: 10 out. 2014.

BARJA, Paulo Roxo. Cordéis joseenses. Disponível em: <http://cordeisjoseenses.blogspot.com.br/>. Acesso em: 10 nov. 2014.

BRASIL. Prefeitura Municipal de Ilha Bela. Feira literária de Ilha Bela: Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://www.ilhabela.sp.gov.br/noticias/arte-dos-contadores-de-historia-e-destaque-na-feira-literaria-de-ilhabela#.VL0gj9LF-VN>. Acesso em: 10 out. 2014.

BRASIL. Fundação Nacional de Arte. Palestra sobre o cordel no território da cidadania: Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://www.funarte.gov.br/literatura/palestras-sobre-cordel-nos-territorios-da-cidadania/#ixzz3OnvVQcjy>. Acesso em: 11 out. 2014.

PORTAL MACUNAIMA. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://portalmacunaima.ning.com/profile/PauloRoxoBarja>. Acesso em: 11 out. 2014.

VOA VIOLA. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://voaviola.com.br/main.php?g_profile=261&g_ct=trajetoria>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta Francisco de Souza Campos – Síntese biográfica

Francisco de Souza Campos (26/09/1926 -)

Natural da cidade de Timbaúba, localizada na Zona da Mata Norte do estado de Pernambuco, Francisco de Souza Campos, poeta popular, nasceu em 26 de setembro de 1926. Integrante de uma família cuja verve poética parece estar na genética. Irmão dos poetas Manoel de Souza Campos e José de Souza Campos, Francisco traz em seus escritos temáticas tradicionais, em sua maioria em folhetos de 8 páginas, tendo sido considerado como uma de suas mais significativas obras o Cordel lançado pela Editora Luzeiro intitulado “Enfrentando a Morte”. Como exemplo de seus escritos, registramos As Bravuras de Maria Jararaca, extraído da Revista Jangada do Brasil:

Pra quem gosta de história

de cacete, foice ou faca

surgiu agora as bravuras

de Maria Jararaca

leiam e depois me digam

se mulher é parte fraca

 

Para provar que mulher

não é como o povo pensa

leia leitor esta história

embora não se convença

não quero dizer com isto

que o leitor vá dar crença

Mulher faz cousas na vida

que o homem morre e não faz

briga, mata dá pancada

conquista até satanás

e faz cousa que eu acho

que ela é forte demais

 

Mas, vamos deixar pra lá

que seja forte ou fraca

que seja calma ou não

que goste ou não de fuzarca

vamos contar a história

de Maria Jararaca

 

Habitava antigamente

nos sertões de Mato Grosso

um casal numa fazenda

um verdadeiro colosso

tinha dois filhos somente

sendo uma moça e um moço

 

A moça era Maria

de gênio e instinto forte

perversa e muito briguenta

punha em jogo sua sorte

brincava com a desgraça

e desafiava a morte

 

Quando ainda meninota

frequentava a escola

menino que lhe insultasse

ia ligeiro pra sola

não comia desaforo

nem engolia parola

 

Os seus pais por muito tempo

davam conselhos demais

porém ela não seguia

as instruções de seus pais

e assim enveredou-se

no caminho do satanás

 

Seus pais vendo que não davam

deixou-a a cargo do mundo

seguindo a vida ilegal

braba assanhada e afoita

um verdadeiro animal

 

Maria em casa gritava

eu não guardo desaforo

comigo é na cacetada

brincou comigo é no couro

até minha professora

tem que me guardar decoro

 

Muito perto da escola

havia uma barraca

onde uns desocupados

ali tomavam “truaca”

insultando todo mundo

fazendo a maior fuzarca

 

Um certo dia ela vinha

sozinha pelo caminho

sem se importar com a vida

nem pensava em desalinho

quando naquele momento

se deu tanto burburinho

 

Lá da barraca que eu

falei inda agora a pouco

surgiu um preto vadio

e como quem está louco

chegou perto de Maria

e deu um tremendo soco

Aí os outros caíram

numa grande gargalhada

porque Maria estava

caída ensanguentada

fazendo cara de choro

também muito encabulada

 

Maria que só andava

com uma faca afiada

guardada dentro da bolsa

ficou com ela empunhada

se fez na faca e entrou

como uma alucinada

Caíram na gargalhada

da calçada da barraca

dizendo uns aos outros

olhem uma Jararaca

que quer ganhar uma pisa

com um cipó de piaca

 

Neste momento avançaram

para bater em Maria

ela se fez no trinxete

que na bolsa conduzia

e danou-se a cortar gente

só se ouvia a gritaria

 

Cortou cinco e correu um

dos que estavam na barraca

Maria dava pesada

mordia e danava a faca

desta vez ficou conhecida

por Maria Jararaca

 

O nome de Jararaca

se espalhou neste dia

e assim numa semana

todo mundo já sabia

que a moça jararaca

com certeza era Maria

 

Jararaca foi crescendo

até que moça ficou

não enjeitava parada

e assim se acostumou

não quis viver com os pais

de sua casa arribou

 

Sua fama se estendeu

nos sertões de Mato Grosso

não corria de barulho

punha o povo em alvoroço

gostava de comprar briga

não enjeitava destroço

 

Agora vamos falar

num vigia viciado

atacar mocinhas pobres

cumprindo o seu triste fado

de cabra afoito e vadio

um verdadeiro tarado

 

O vigia era um sujeito

metido a brabo e ruim

dizia abertamente

eu gosto de ser assim

gozo carinho de moças

todas se passam pra mim

 

Certa vez este vigia

viu Maria numa feira

disse agora estou com tudo

oh! menina de primeira

aquela ali vai comigo

pra dentro da capoeira

 

Não sabia que Maria

tinha aprendido dar murro

mãosada em cara de macho

que o cara dava urro

mordia que só cachorro

dava coice que só burro

 

Maria que conhecia

do vigia sua fama

dizia consigo eu hoje

irei forrar tua cama

é hoje que vou encher

a boca dele de lama

 

O cabra naquele instante

deu com a vista em Maria

ela naquele momento

fez um sinal pro vigia

dando impressão para ele

que ela lhe aceitaria

 

E assim saiu na frente

e o vigia atrasado

saíram logo da feira

para um certo reservado

o vigia todo fofo

de gogó levantado

 

O vigia conhecendo

que ali não ia gente

deu um pulo adiantou-se

e tomou logo a frente

sem esperar que iria

enfrentar uma serpente

 

E disse para Maria

pode tirar a casaca

porém Maria puxou

de sua cinta uma faca

e disse para o vigia

se quer morrer emburaca

 

O vigia que bancava

a fama de valentão

conseguiu tomar a faca

caíram ambos agarrados

enrolando pelo chão

 

A luta era temerosa

nem um dos dois se rendia

Jararaca deu um golpe

na garganta do vigia

o bruto naquela hora

reconheceu que perdia

Maria naquele instante

retomou a sua faca

soltou o vigia e disse

vem agora e me ataca

se não conheces a fama

de Maria Jararaca

 

O vigia arrependido

dizia assim: me perdoe

tremia, urinou na calça

obrou em pé feito boi

mas junto de Jararaca

deu a gangrena e não foi

 

Jararaca o pegou

e torceu um cipó forte

abriu as pernas do cabra

para o sul e para o norte

amarrou cada, num pau

pra poder dar-lhe um surrote

 

Com a ira que estava

deu-lhe um tremendo castigo

só dava dentro das pernas

do seu rival inimigo

num lugar que sei o nome

porém eu morro e não digo

 

O vigia nunca mais

quis fazer papel de louco

tornou-se calmo e bisonho

muito retraído e choco

porque onde o pau bateu

inchou mais do que um coco

 

E depois de cinco anos

Maria regenerou-se

pra tirar o apelido

daquele lugar mudou-se

foi uma mulher de bem

com pouco tempo casou-se

 

Feliz do homem que tem

Seu coração amoroso

O vigia desgraçou-se

Um tipo vil criminoso

Zombou da mulher mas teve

A morte por seu repouso

FONTES CONSULTADAS

CAMPOS, F. S. As bravuras de Maria Jararaca. Jangada do Brasil, a. 11, n. 121, Fev. 2009. Disponível em: <http://www.jangadabrasil.com.br/revista/fevereiro121/cn12102.asp>. Acesso em: 10 nov. 2014.

GRANDES autores da Literatura de Cordel. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 10 nov. 2014.

HAURÉLIO, M. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com .br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso: 11 nov. 2014.

ÍNDICE de Autores. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cibertecadecordel.com.br/ indice_autor_result_cordel.php?idautor=2311>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poetisa Maria Godelivie Cavalcanti de Oliveira – Síntese biográfica

Maria Godelivie Cavalcanti de Oliveira

Natural da cidade de Campina Granda, Paraíba, Maria Godelivie nasceu em 14 outubro de 1959. Seu envolvimento com a literatura popular se deu por intermédio de seu pai que frequentemente adquiria folhetos de Cordel e os lia para ela. Ao ser alfabetizada, Maria acompanhava o pai a feira central da Cidade onde encontrara um vasto número de violeiros, cantadores, cordelistas, poetas que lhes atraia sua atenção e admiração.

Curso Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) onde cursou a disciplina de Literatura Popular, reacendendo a paixão pela antiga poesia, bem como lhe despertou a vontade de produzir o mesmo gênero literário transformando-a em poetisa, cordelista e educadora. Nessa última de suas funções sempre atrela o ensino a presença do cordel em sala de aula. De acordo com Queiroz (2006) a cordelista se utiliza do cordel na sala de aula tanto os de sua autoria como de outros autores, momento em que adentra na estrutura narrativa do texto, dos personagens, bem como inclui um certo tom humorístico na relação com o pedagógico em seus escritos, a poetisa cumpre o papel de transmissão de valores no processo de modernização da sociedade contemporânea, para tanto adota títulos jocosos como forma de atrair o interesse do leitor, nesse sentido temos como exemplo: O Doidinho bem dotado, de 2003 e O gostosão, de 2002. Este último refere-se ao triangulo amoroso

 

Minha nossa! Meu Senhor!

Onde fui eu me meter,

Arranjar duas mulheres?

Eu não tinha o que fazer?

Agora já não sei mais

Como o caso resolver

Sou casado de aliança

Perante padre e juiz

A mulher legítima é braba,

Prometeu? Faz o que diz,

E eu, o que vou fazer

Com esse impasse infeliz.

 

Outra característica de seus escritos revela-se na sensibilidade em retratar a mulher representada por sua integridade de caráter, firmeza e perspicácia com que enfrenta fatos do cotidiano. Por outro lado esta mesma mulher é também denunciadora de preconceitos sedimentados na memória e tradição popular. O equilíbrio manifesta-se no percurso da ação, entre o comportamento individual e o coletivo. Para Queiroz (2006, p. 80) Maria Godelivie “Vale-se da maneira mais conservadora para metrificar seus versos e tratando de temas do cotidiano, da oralidade que lhe foi passada através de diversas fontes e resgatando mitos e lendas, a poetisa busca a transformação de atitudes, crenças e valores, construindo socialmente, uma outra representação ideológica. É a voz insurgente da mulher no contexto da literatura de cordel”.

 

FONTES CONSULTADAS

QUEIROZ, Doralice Alves de. Mulheres cordelistas: percepções do universo feminino na literatura de cordel. 2006. 121 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Programa de Pós-graduação Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

O NORDESTE. Maria Godelivie. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Maria+Godelivie>. Acesso em: 12 nov. 2014.

Paraiba CRIATIVA. Maria Godelivie. Disponível em: <http://www.paraibacriativa.com.br/539/maria-godelivie.html.>. Acesso em: 10 set. 2014.

Poeta Luís Carlos Rolim de Castro – Síntese biográfica

Luís Carlos Rolim de Castro

Lucarocas pseudônimo de LuÍs Carlos Rolim de Castro nasceu na cidade de Fortaleza, CE, escritor, poeta, pintor, xilógrafo, escultor e serigrafista, tem em seu currículo uma vasta produção literária de quantidade e qualidade eclética, herança herdada de seu pai artista circense.

Graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) com habilitação em literatura e língua português, além de possuir especialização em Metodologia do Ensino Fundamental e Médio e Administração Escolar.

Sua produção literária se materializa em formato de cordel obedecendo as rimas, e as métricas necessárias aos grandes escritores desse gênero entre outros como crônicas, contos, teatro e poesia de forte lirismo e sensualidade, todavia é nas raízes nordestinas e sertanejas que debruça-se de forma mais frequente, adotando inclusive em sala de aula o cordel como ferramenta de ensino aprendizagem, mantendo viva    a tradição popular.

O poeta múltiplo é membro do Centro de Cordelista do Nordeste (CECORDEL); da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), onde ocupa a cadeira de n11 e tem como patrono Patativa do Assaré; da Associação Cearense de Escritores (ACE) e Membro coordenador do Pró-cordel, o Cordel em movimento. Reconhecido na arte do cordel, Lucasrocas recebeu vários reconhecimentos dentre os quais destacamos:

1994 – 1° Lugar – Literatura de Cordel – Crateús, Ceará.

1997 – 4º Lugar – Literatura de Cordel, Rio de Janeiro.

2000 – 1º Lugar – Literatura de Cordel, Rio de Janeiro.

2000 – 3º Lugar – Soneto – Portugal.

2001 – Menção Honrosa – Cordel, Rio de Janeiro.

2001 – Destaque Especial – Poesia – Cruz Alta, Rio Grande do Sul.

FONTES CONSULTADAS

LUCAROCAS. Disponível em: <http://www.onordeste.com/ onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Lucarocas>. Acesso em: 10 nov. 2014.

LUCAROCAS, o poeta: semeando cultura e colhendo saberes. Disponível em: <http://www.lucarocas.com.br/lucarocas _62.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta José Carlos de Freitas – Síntese biográfica

José Carlos de Freitas (06/03/1964)

Natural do município de Senhor do Bom Fim, interior baiano, José Carlos de Freitas muda-se para Salvador em 1997, onde ocupara o cargo de fiscal da Prefeitura na Feira de São Joaquim. Ainda nos idos de sua infância Jotacê Freitas, como ficou artisticamente conhecido, iniciou-se pelos caminhos da Literatura popular por intermédio de sua mãe que devota do Padre Cícero Romão Batista e de Lampião costumava adquirir na feira os cordéis que retratassem esses personagens, instigado ainda pela cantoria livre embalada por deficiente visual enquanto transitava na feira livre.

Influenciado pela literatura popular aos 10 anos de idade, Jotacê dá seus primeiros passos na convivência com esse gênero literário.

Já em Salvador ingressa no Curso de Letra na UFBA torna-se bolsista de Literatura sob a orientação Doralice Alcoforado e começa a pesquisar a literatura popular  dando continuidade a sua produção com versos livres escritos em cordel. Nessa convivência e aprofundamento teórico Jotacê passa a valorizar a literatura popular em especial arte do cordel passando a dedicar-se a sua própria produção, mesmo sem considerar o rigor da métrica. Proposta que na contemporaneidade pode ser vista como processo de inovação com  rimas toantes.

Sua produção abarca temas transita por temáticas educativas, bem como direciona também sua produção para o público infantil. Poeta, professor e palestrante atua em todas as idades e públicos por meio da versatilidade da literatura de cordel.

O poeta tem sua produção mais de oitenta cordéis publicados que ele mesmo edita de maneira artesanal. O poeta-professor revela em seus escritos um senso lírico provavelmente influenciado pela literatura de Leminski, Oswald e Mário de Andrade. Entretanto, o que se pode afirmar que Jotacê traz em seus escritos um certo humor critico, a exemplo registramos os poemas extraídos do livreto Entrelinhas.

De quando eu era pequeno

 

 O meu maior sonho

era usar calça comprida

para fazer pose

para as meninas crescidas.

 Caminhava muito

pela estação do trem

e de vez em quando batia a cabeça

nos postes dos telégrafos.

 Minha mãe bradava

que eu só podia

ter minhoca na cabeça.

 Meu pai amenizava:

 deixa o menino, mulher,

 quem sabe ele terá

mente fértil?

 

Da juventude

 

tudo imediato

pra já

tudo a jato

como se o tempo

não se acumulasse

passo a passo

 

Da preservação

 

saindo da toca

um lagarto

se abisma com a destruição

seu lar

seu ninho

sua casa

é canteiro de construção

com as unhas

na pedra cravadas

lamenta

a própria extinção.

FONTES CONSULTADAS

ARAÚJO, Roselí. Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopedia Nordeste/index.php?titulo=Jotac%C3%AA+Freitas>. Acesso em: 10 out. 2014.

CAVALEIRO DE FOGO.  Verônica de Vate – Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://jivmcavaleirodefogo.blogspot.com.br/2012/04/veronica-de-vate-jotace-freitas.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

FELICÍSSIMO, Gustavo. O poeta Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://sopadepoesia.blogspot.com.br/ 2009/06/o-poeta-jotace-freitas.html>. Acesso em: 12 out. 2014.

FREITAS, Jotacê. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=120077 >. Acesso em: 15 jun. 2014.

POESIA BAIANA. Perfil – Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <https://poesiabaiana.wordpress.com/catego ry/poesiapopular/cordel/>. Acesso em: 10 nov. 2014.

WIKIPÉDIA. Senhor do Bom Fim. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Senhor_do_ Bonfim_%28Bahia%29>. Acesso em: 10 out. 2014.

Poeta Altair Leal – Síntese biográfica

Altair Leal (1960 –  )

Nascido na cidade de Limoeiro localizado nMesorregião do Agreste e na Microrregião do Médio Capibaribe do Estado de Pernambuco, em 1960. O poeta radicou-se na cidade do Recife desde 1975 onde tornou-se funcionário público municipal, além de atuar na área de radicalismo. Sua poética de tradição eminentemente oral buscou no cordel sua forma de fixação,  manifestação e divulgação de sua produção literária, muito embora também escreva poesia de versos livres e sonetos.

O poeta possui envolvimento nos movimentos literários pernambucanos, é membro da Academia de Letras e Artes de Paulista, Pernambuco, Membro da União de Cordelistas de Pernambuco (Unicordel) e da União Brasileira de Escritores, seccional Pernambuco, além de compor o grupo de Invenção de Poesia de Recife. Eclético, sua produção literária se caracteriza por temáticas irreverentes e de alerta social, a exemplo dos que versam sobre Dengue, Água, Leite Materno entre tantos outros temas sociais.

Versátil Altair Leal desempenha em sua trajetória vários papeis o de poeta, cordelista, líder de movimentos culturais, tanto que integra o grupo de Intervenções da Poesia na cidade do Recife. Sua verve poética o destaca como recitador acumulando prêmios nessa arte a exemplo da conquista do 1º lugar na RECITATA (Concurso de Recital Poético do Festival Recifense de Literatura  em 2007) e 5º lugar no mesmo concurso no anos de 2006. Além destes prêmios alçou ainda o terceiro lugar  na Expo Saúde do Recife com o Cordel de Combate a Dengue.

Atua ainda como facilitador e multiplicador da arte popular ministrando oficinas de cordel, ativador cultural no estado de Pernambuco e recitador reconhecido. Em um de poemas Altair Leal, em sua versatilidade lírica, escreve:

 

Quando um dia eu partir pra outra vida

Vais chorar por não ter o meu calor

Mas te juro eu lutei por teu amor

Tantas vezes eu chamei de querida

E ao sentir que na minha despedida

 

Nada levo a não se triste caixão

Tantos anos, de você levei um não

E este não só me trouxe amargura

Quando tu for passar na sepultura

Vai sentir que ainda bate um coração

 

No final meus pecados vou apagar

Parto livre no dia que eu morrer

E bem sei quando isso acontecer

Ao saber que muito vais chorar

As maldades que eu fiz você passar

 

Foram tantas que tiraram teu apreço

E o chão frio que meu novo endereço

Vela o corpo de mais uma criatura

Ao passar cuspas a minha sepultura

De você é só isso que mereço

FONTES CONSULTADAS

LEAL, Altair. Disponível em: <http://ubepaulistape.blogspot.com.br/p/blog-page_10.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

LEAL, Altair. Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=181&catid=48>. Acesso em: 10 out. 2014.

LEAL, Altair. Disponível em: <http://www.panteracordelaria.blogspot.com.br/>. Acesso em: 10 out. 2014.

LEAL, Altair. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Altair+Leal>. Acesso em: 10 out.  2014.

LIMOEIRO. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Limoeiro_%28Pernambuco%29>. Acesso em: 09 dez. 2014.

MIRANDA, Antônio. Perfis: Altair Leal. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/altair_leal.html>. Acesso em: 09 dez. 2014.