Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta Ademar da Silva Siqueira – Síntese biográfica

Poeta amazonense da capital, Ademar da Silva Siqueira nasceu no dia 27 de novembro de 1967. Filho de Severino Alves Siqueira e Odete Rabelo da Silva, ele deixou a Capital da Borracha para residir na Capital do Carnaval, posteriormente na Capital das Mangueiras, cidade de paisagem repleta de belezas naturais, radicando-se, em seguida, na capital por ele alcunhada de “Capital do Queijo”, como narra: “[…] Além de Manaus, já morei no Rio de Janeiro, Belém do Pará e atualmente resido em Belo Horizonte, capital do queijo, como costumo brincar” (FORMULÁRIO, 2016; SIQUEIRA, [20–]).

Amante das coisas simples e boa prosa, é como se autodescreve o poeta popular Ademar da Silva Siqueira, que adotou como sua a cidade de Belo Horizonte (MG) e com carinho se designa filho da Amazônia e de Minas Gerais, por isso “amazoneiro”. Ademar Siqueira, como é mais conhecido, é casado com Shirley Cristina, descrita por ele como “mineirinha maravilhosa”, com quem teve dois filhos (SIQUEIRA, [20–]; FORMULÁRIO, 2016).
Causas e prosas, assim como as coisas simples da vida, são elementos culturais apreciados por Ademar Siqueira, que assim se define:

Meu hobby é a leitura e escrita, não sou poeta, mas tenho um coração aberto para os sentimentos. E sinto prazer em escrever. Tenho sido agraciado com a simpatia de alguns leitores que também amam poesia. Espero que os amigos leitores que visitam o meu recanto encontrem encanto e beleza nos versos que publico. Ademais, espero atrair amigos amantes das coisas simples, para que possamos compartilhar das coisas da alma e do coração (SIQUEIRA, [20–]).

O poeta foi marcado pelo destino do sangue nordestino, como afirmou em resposta a um post do blog de Luiz Berto, Jornal da Besta Fubana: “Filho do norte num mote de nascença, trago na veia a saga sertaneja, sou filho de um pernambucano, não encontro outra razão para minha herança que não seja essa, de ser filho de pernambucano […]” (SIQUEIRA, 2016). A herança nordestina aliada à inspiração obtida pela obra do poeta campinense Jessier Quirino, a quem considera estímulo para sua produção o fez compor o Cordel Desesperado, publicado no Recanto das Letras, um espaço virtual, com esperança de que seus leitores “encontrem encanto e beleza […] das coisas da alma e do coração” (SIQUEIRA, [20–]).

Cordel Desesperado

Vige tu num sabe da acontecença
Que deixou o véio Zé Tino zuruó
Um desatino pra Dona Florença
Pois nada podia ter sido pió
Embucharam sua fia Hortença
Valei-me minha santa paciença
Foi Tião o Tiãozinho Fogoió.

A peste bateu asa do sertão
O véio tinha planos pra famía
De tristeza se encheu seu coração
Tiraram a honra da única fia
Vige Maria! Tá armada a confusão
Eu é que não queria tá na pele do Tião
Florença chorava lavando as vasía.

Zé Tino apoiado na lei do rapapé
Contratou um cabra bem marvado
Que acudia pelo nome Barnabé
Valentão no sertão era arrochado
Fogoió quis dá uma de xeleléu
Enfrentando toda a fúria do Pitéu
Bajulou mas num teve resultado.

Hortença que já beirava os quarenta
Moça véia destinada ao caritó
Zambêta com belo palmo de venta
Se viu favorecida pelo peste Fogoió
Mexeste na carne agora tu aguenta
Rói o osso e mastiga a pimenta
E sapeca o beiço no jiló.

Fogoió sem destino deu no pinote
Caiu nas brenhas na caixa bozó
Dizem que ele foi pro norte
Errante sem rota no cafundó
Pra outros encontrou a morte
Pro Zé foi uma questão de sorte
Um dia ele ainda fecha seu paletó.

Mas a vida marvada num dá trégua
O mês nono também já se passou
Fogoió ficou na baixa-da-égua
Feliz Zé Tino agora é vovô
Florença ganhou foi um xodó
O neto ruivinho puxou ao Fogoió
No fim o ódio deu lugar pro amor.

(SIQUEIRA, 2014)

Ademar Siqueira escreveu seu primeiro cordel em 2013, aos 46 anos de idade, intitulado Cordel Sem Nome.

Calango corre no muro
Eu juro corro no vento
Pirulito cabe no furo
E o mote no pensamento
A gente só faz no escuro
O que no claro é um tormento

Aranha sobe na parede
E a formiga no chão passeia
No gancho eu armo uma rede
E no solo ninguém me aperreia
Levanto e mato minha sede
E a fome eu mato na ceia

[…]

(SIQUEIRA, 2013)

FONTES CONSULTADAS

SIQUEIRA, Ademar. Formulário respondido online no blog Memórias da Poesia Popular em 15/09/2016. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br>.

SIQUEIRA, Ademar. Cordel desesperado. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. 15 set. 2014. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/4963321>. Acesso em: 24 jul. 2017.

SIQUEIRA, Ademar. Cordel sem nome. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. 21 set. 2013. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/4492247>. Acesso em: 24 jul. 2017.

SIQUEIRA, Ademar. In: Cinco poemas de Jessier Quirino. Jornal da Besta Fubana. [S.l : s.n.]. 12 maio 2016. Disponível em: <http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/cinco-poemas-de-jessier-quirino>. Acesso em: 24 jul. 2017. [Disse: comentário em post de blog].

SIQUEIRA, Ademar. Perfil. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. [20–]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=115813>. Acesso em: 24 jul. 2017.

Poetisa Aline Dremir – Síntese biográfica

Aline Dremir, cordelista goianiense, reside em Palmas (TO). Utiliza sua verve poética para autobiografar-se por meio de versos:

Meu nome é Aline Dremir, moro em Palmas Tocantins.

Meu nome é Aline Dremir
Não é um nome clonado
Quem pensar desse jeito
Vai estar enganado
Parem de me confundir
Com outra que é daqui
De verso já consagrado.

O meu cordel é amador
Estou na aprendizagem
Lendo todos os mestres
Vestindo sua roupagem
Sou outra naturalmente
Poeta independente
Fazendo minha imagem.

Tô morando em Palmas
Capital do Tocantins
Mas nasci em Goiânia
Cidade desses confins
Escrevo por diversão
Eu detesto confusão
Não justifico meus fins.

Recebo muitos e-mails
De pessoas educadas
Me dando aquela força
Umas críticas delicadas
Sou mulher e vou à luta
Não sou uma prostituta
Por falar coisas safadas.

Recebo muitas cantadas
Até me sinto rainha
Por ser assim desejada
Fico sempre na minha
Eu levo na esportiva
Respondo toda missiva
Não sou assim tão certinha.

Eu sou Aline Dremir
Sou do amor e da paz
Só quero a felicidade
Um amor e nada mais
Eu vivo intensamente
Nada quero diferente
Nunca desisto, jamais.

Sou mulher decidida
Adoro fazer amizade
Nunca fujo da luta
E tenho muita coragem
Mato um leão por dia
Levo a vida com alegria
E tenho Deus na bagagem.

(DREMIR, [20–]).

FONTES CONSULTADAS

DREMIR, Aline. Meu nome é Aline Dremir, moro em Palmas Tocantins.  In: USINA das letras. [S.l : s.n.]. [20–]. Disponível em: <http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=4121&cat=Cordel&gt;. Acesso em: 25 jul. 2017.

Poeta Luiz da Costa Pinheiro – Síntese biográfica

Luiz da Costa Pinheiro

Potiguar, o poeta-editor Luiz da Costa Pinheiro nasceu no município de Goianinha, Rio Grande do Norte e radicou-se em Fortaleza, Ceará. Patrono da cadeira 9 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupada por Olegário Alfredo, é autor de grandes romances, com ricos enredos onde sobressaem elementos culturais indígenas, européias a africanas no Ceará (SOUSA, 2009).

Sua obra-prima, Boi Mandigueiro e o Cavalo Misterioso, foi escrito em dois volumes de 32 páginas, do qual extraímos a primeira página:

No Rio Grande do Norte

[…] havia um fazendeiro
era muito respeitado
pela fama do dinheiro
criava numa fazenda
para qualquer encomenda
um grande Boi Mandigueiro

Esse boi quando corria
segundo diz o boato
tinha equilibrio no corpo
com ligeireza de gato
por meio de forte mandinga
corria mais na caatinga
do que veado no mato

Na carreira ele arrancava
jucá velho de miôlo
sabiá e mororó
levava tudo no rôlo
quebrava paus com as pontas
espedaçando as vergônteas
caindo lone o rebôlo.

Poeta inspirado, é autor de várias obras.

FONTES CONSULTADAS

PINHEIRO, Luiz da Costa. Grandes autores da Literatura de Cordel. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 01 set. 2016.

QUINTELA, Vilma Mota. Literatura de cordel: ensaios. 1996. 124 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1996.

SOUSA, José Josberto Montenegro. Argumentos/enunciados da poética popular: um mosaico de signos. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 25., 2009, Fortaleza. Anais … Fortaleza, 2009.

Poeta Rodolfo Coelho Cavalcante – Síntese biográfica

Rodolfo Coelho Cavalcante (12/03/1919 – 7/10/1986)

Natural da cidade de Rio Largo, Alagoas, o poeta cordelista Rodolfo Coelho Cavalcante nasceu no dia 12 de março de 1919, filho de Artur de Holanda Cavalcante e Maria Coelho Cavalcante. Ainda na adolescência deixou a casa dos pais e percorreu todo o interior do estado de Alagoas, Sergipe, Aos 13 anos de idade, deixou a casa paterna. Percorreu parte do norte e do nordeste especificamente os estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Maranhão e Piauí, exercendo atividades circense como palhaço, propagandista e camelô com o objetivo de auxiliar as finanças familiares entre outras atividades. Fase esta em que já era possível vislumbrar um exímio versejador participando de pastoris, cheganças e reisados.

Todavia foi em Parnaíba no Piauí que mantem seu primeiro investimento no cordel adquirindo para revenda os folhetos do poeta e editor João Martins de Ataíde, dando inicio a atividade de folheteiro.

Em 1945 instala-se em Salvador, Bahia, inicia o movimento em defesa da classe poetas, publicando um folheto dedicado ao Governador da época Otávio Mangabeira, que acabou por liberar os poetas, cantadores e folheteiros da proibição de comercializarem seus produtos em praças públicas. Sua carreira de cordelista e defensor da cultura popular se firma e promove em 1955, juntamente com Manoel D’Almeida Filho e outros expoentes da poesia popular o I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros ocasião em que foi fundada a Associação Nacional de Trovadores e Violeiros, hoje Grêmio Brasileiro de Trovadores, com sede em Salvador, BA. Como jornalista, fundou alguns periódicos, como A Voz do Trovador, O Trovador e Brasil Poético. Tornando-se ainda autor do Hino dos Trovadores.

Seu envolvimento o conduziu a militar também no jornalismo e posteriormente auxilia na fundação da Associação de Imprensa Periódica da Bahia, e filia-se à Associação Baiana de Imprensa. Trovador entusiasta, fundou A voz do trovador, O trovador e Brasil poético, órgãos do movimento trovadoresco. Tem idealizado e realizado muitos movimentos, visando à união dos cantadores.

Brito (2014, p. 39) ao referir-se a Rodolfo Coelho Cavalcante afirma: “O poeta transforma sua experiência de ler, ouvir, imaginar e perceber em narrativas poéticas que imprime e formata em folhetos como meio de comunicação para transmitir informações e notícias originárias de várias fontes, para serem lidas, ouvidas e adquiridas por outros grupos de consumidores”.

Nesse caminhar o poeta também vai atuar como editor promovendo uma significativa rede de distribuidores em todo o nordeste, divulgando sua própria obra e de outros poetas. Sua obra percorria vários temas sendo os mais recorrentes os abecês, biografias, cantorias e fatos do cotidiano. Foi também tema de vários poetas e pesquisadores da literatura de cordel.

O início de sua carreira não foi nada fácil. Imprimia seus folhetos de maneira muito artesanal, no geral composto de 8 páginas, com capas em xilogravuras ou clichês, confeccionados artesanalmente, com a ajuda dos filhos. Somente a impressão era feita em tipografias.

O poeta após uma vasta produção e luta permanente em defesa da cultura popular morre em 7 de outubro de 1986, vitima de atropelamento em frente a sua residência na cidade de salvador, Bahia. Morte que causou repercussão no Brasil e no exterior levando outros poetas a publicar sobre ele. Provavelmente o que mais toca os corações poéticos seja o fato do poeta e trovadorista ter enviado pouco antes de seu falecimento uma trova para o II Concurso de Trovas de Belém do Pará, com o seguinte texto:

Quando este mundo eu deixar

A ninguém direi adeua.

Dos poetas quero levar

Suas trovas para Deus.

Com esta trova Rodolfo Coelho Cavalcante encantou-se deixando seu legado lítero poético, e um território firme para a cultura popular.

FONTES CONSULTADAS

BRITO, Gilmário Moreira. Produção e circulação de folhetos políticos e religiosos de Rodolfo Coelho Cavalcante. Revista Educação e Políticas em Debate, Uberlândia, MG, v. 3, n. 1, p. 38-52, jan./jul. 2014. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/revistaeducaopoliticas/article/view/27681/15160>. Acesso em: 11 nov. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot .com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

MEMÓRIAS DO CORDEL. Grandes nomes do cordel – Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. 

MIRANDA, Antonio. Poesia dos brasis: Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/bahia/rodolfo_coelho_cavalcante.html>. Acesso em: 11 out. 2014.

PINTO, Maria do Rosário. Rodolfo Coelho Cavalcanti. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/RodolfoCoelho/rodolfoCoelho_biografia.html>. Acesso em: 11/11/2014.

WIKIPEDIA. Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_ Coelho_Cavalcante>. Acesso em: 11/11/2014.

Poeta Raimundo Luiz do Nascimento – Síntese biográfica

Raimundo Luiz do Nascimento (06/04/1926)

Raimundo Luiz do Nascimento, poeta popular mais conhecido como Raimundo Santa Helena ou apenas Santa Helena nasceu no município de Santa Helena localizado no extremo Oeste da Paraíba, limita-se ao Norte com a cidade de Triunfo, ao Sul com Bom Jesus e Cajazeiras, ao Leste com São João do Rio do Peixe e a Oeste com o Baixio e Umarí no Estado do Ceará. Razão pela qual levou o poeta a intitular-se de paraibense.

De acordo com a Simone Mendes (Fundação Casa de Rui Barbosa) seus folhetos retratam uma face autobiográfica, reforçando a construção de uma escrita de si, que tem como ponto de partida o assassinato de seu pai pelos cangaceiros de Lampião quando invadiram o sertão cajazeirense, Paraíba, em 09 de junho de 1927.

Em razão do fatídico episódio Santa Helena foi forçado a fugir de casa com apenas 11 anos de idade rumo a Fortaleza local em que fora acolhido por uma professora que o incentivou a estudar e trabalhar, atuando como cobrador de ônibus, garçom, engraxate entre outras atividades convergindo para seu ingresso em 1943 na Escola de Aprendizes de Marinheiro do Ceará. Na Marinha participou da Segunda Guerra Mundial, vindo a ser condecorado pelo Presidente da República.

Seu primeiro cordel foi declamado em 1945, a bordo do navio Bracuí, após o fim da segunda grande guerra, intitulando-o de “Fim da Guerra”. Para alguns de seus biógrafos esta data é reiterada como sendo a data de publicação de seu primeiro cordel.

Do ponto de vista de sua narrativa o poeta possui uma variedade temática em sua poética que vai desde o cangaço, meio ambiente, educação sexual, saúde, biografias de personalidades, a exemplo de Tancredo Neves, Getúlio Vargas, Chico Buarque de Holanda entre outros, conforme revela a sextilha transcrita em homenagem aos cinquenta anos do cantor e poeta:

 

Em 71 o Chico

Mesmo na ‘revolução’

Lança outro LP

Chamado de ‘Construção!

LP de filme lança

(72) – Aliança

Bethania e Nara Leão

Por outro lado, o poeta também se vincula a temas da atualidade, especificamente os que estão na predileção da mídia. Por outro lado ao produzir seu texto o poeta busca várias fontes que tratam da mesma temática, para, a partir, de então, construir seu poema, imprimindo sua opinião pessoal acerca da temática em pauta.

Outra inovação na obra do poeta é construção de cordéis bilíngues, facilidade adquirida pelo fato de ter ele estudado nos Estados Unidos da América, tanto que publicou durante a ECO 92 o cordel intitulado “Brazilian Amazônia”.

Em 1983 recebeu juntamente com Gilberto Freyre, Augusto Ruschi e Jorge Amado o Prêmio Porto de São Mateus de Resistência cultural. Tem cerca de 2 milhões de exemplares de mais de 300 títulos em circulação. Foi criador da Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro, RJ, local onde auxiliou a divulgação da culinária tipicamente nordestina, artesanato, trios e bandas de forró, dança, cantores e poetas populares, repente e literatura de cordel.

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://academiaportocalvenseaphla.blogspot. com.br/2013/09/ablc-academia-brasileira-de-literatura.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

BRASILIANA a divulgação científica no Brasil. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11&sid=5>. Acesso em: 29 nov. 2014.

DICIONÁRIO Cravo Albin da Música popular brasileira. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/raimundo-santa-helena/biografia>: Acesso em: 11 nov. 2014.

MENDES, Simone. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ RaimundoSantaHelena/raimundoSantaHelena_biografia.html>. Acesso em: 29 ago. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonardi Dantas de; HOLANDA, Virginia Célia Cavalcante de. Elos possíveis entre o ensino de geografia e a literatura de cordel. Revista Homem, Espaço e Tempo, set., 2008. Disponível em:  <http://www.uvanet.br/ rhet/artigos_setembro_2008/elos_possiveis.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2014.

O NORDESTE. Enciclopédia Nordeste: Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Raimundo+Santa+Helena>. Acesso em: 11 out. 2014.

WIKIPEDIA. Santa Helena (Paraíba). [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Helena_ %28Para%C3%ADba%29>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta Pedro Monteiro de Carvalho – Síntese biográfica

Pedro Monteiro de Carvalho (25/03/1956)

Pedro Monteiro de Carvalho, funcionário público, poeta cordelista é natural da Cidade de Campo Maior no Piauí. Filho dos lavradores Raimundo Monteiro de Carvalho e Maria Verônica de Carvalho, nasceu aos 25 de Março de 1956. Sua infância tipicamente roceira deu-se entremeada por histórias contadas à luz de lamparinas e terreiros enluarados ouvindo contos e tradições nordestinas.

Aos dezessete anos rumou para terras paulistanas e na periferia da Capital se instalou adquirindo experiências pautadas nas lutas por justiça social cidadania. Seu espirito de leitor voraz foi sendo alimentado por seu próprio autodidatismo e a busca por desvendar o novo, compreensão e observação da realidade.

De acordo com o poeta ao ser entrevistado por Juliana Gobbe para o site “Tecendo em Reverso”, assinalou:

Sou poeta cordelista
Me chamo Pedro Monteiro,
Amasso o barro da rima
No metro do bom oleiro,
Sou um campo-maiorense,
Das terras Piauiense,
Nosso sertão brasileiro.

Pode-se inferir ainda que o poeta Pedro Monteiro para além de cordelista é forte apreciador do teatro, tanto que atuou em peças teatrais, a exemplo: Saúde! Salve-se quem puder e em Danação. Isto revela a aproximação do poeta com outras formas de expressão artística e da cultura popular. Sua verve artística aliada ao espirito empreendedor colaborou com a criação da Caravana do Cordel, projeto coletivo que aglutina poetas populares nordestinos como cordelistas, repentistas, contadores de histórias, músicos, xilógrafos e interessados na cultura popular, residentes no estado de São Paulo com o objetivo de juntos difundirem a arte popular.

O poeta Pedro Monteiro descobre sua verve poética após um encontro inesperado com os poetas Marco Haurélio, Varneci Nascimento e João Gomes de Sá, que participavam de uma feira de Cultura Nordestina no Anhembi. Ocasião em que foi encorajado por Marco Haurélio a escrever Chicó, o Menino das Cem Mentiras, obra que conduziu o poeta a sua estreia no mundo do Cordel, fato que despertou a vocação que, até então, adormecida.

Tanto que o poeta não para de produzir, lançando, pela Luzeiro, sua mais nova obra “O Triunfo do Poeta no Reino do Cafundó”. De acordo com Marco Haurélio As estrofes do introito demonstram que a literatura é a soma do talento individual à capacidade de garimpar no inconsciente coletivo:

Certa vez imaginando
A nossa ancestralidade,
Joguei luz no pensamento,
E busquei na oralidade
Histórias que se perderam
No vão da modernidade.

Peguei caneta e papel,
Remexi nos meus lembrados,
Invoquei sabedoria
Dos nossos antepassados,
Lembrei-me da minha avó
Fazendo seus proseados.

Ela falava que um reino
Chamado de Cafundó
Tinha um monarca viúvo
De nome Halabadjó,
Que dizia descender
Do patriarca Jacó.

Este Rei tinha uma filha
Pronta para se casar.
Por ela ser unigênita,
Era preciso arranjar
Um pretendente que fosse
Apto para governar.

Maristela era o seu nome
Uma formosa donzela,
O Rei invocou a Vênus
Para ser tutora dela.
Nos encantos, esta deusa
Foi generosa com ela.

Sua feição parecia
O brilho celestial,
Um primor de formosura,
Uma arte escultural,
Como o fulgor da aurora
No rebento matinal.

Foi assim que certo dia
Halabadjó publicou
Um edital informando
Que sua corte aprovou
E aquela sucessão
Ele assim normatizou.

A regra daquele edito
Foi por um sábio proposta:
Seria feito a disputa
Entre pergunta e resposta,
Somente o sábio dos sábios
Venceria aquela aposta.

FONTES CONSULTADAS

ACORDA. Caravana do Cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://acorda.net.br/?gallery=caravanadocordel>. Acesso em: 27 set. 2014.

GOBBE, Juliana. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://tecendoemreverso.blogspot.com.br/2014/08/pedro-monteiro.html>. Acesso em: 29 set. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/ 2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Mais um triunfo do poeta Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marco haurelio.blogspot.com.br/2011/09/mais-um-triunfo-do-poeta-pedro-monteiro.html>. Acesso em: 23 nov. 2014.

INSTITUTO LEANDRO GOMES DE BARROS. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://ilgbsp.blogspot.com.br/>. Acesso em: 12 maio 2014.

NASCIMENTO, Varneci. Pedro Monteiro lança novo folheto. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://varnecicordel. blogspot.com.br/2010/06/pedro-monteiro-lanca-novo-folheto.html>. Acesso em: 29 set. 2014.

SANTOS, Cleusa. Cascordel: Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cascordel.com/products/pedro-monteiro-http-meuscontoseversos-blog-terra-com-br-/>. Acesso em: 11 nov. 2014.

WIKIPEDIA. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Monteiro>. Acesso em: 11 out. 2014.

Poeta Paulo Roxo Barja – Síntese biográfica

Paulo Roxo Barja

Natural da Cidade de Santos, São Paulo, o poeta declara-se Santista “de cidade e de time”. Confessa ainda ter herdado do pai Antonio Barja Filho o gosto pela música e da mãe Ila Maria Roxo Barja o amor pela Literatura, junção que culminou com sua formação eclética.

Paulo Roxo Barja é o que se pode caracterizar como um profissional eclético. Possui toda formação acadêmica em Física desde a graduação ao pós-doutoramento, sem descurar da pesquisa cientifica, ao mesmo tempo transita livre e criativamente pela música e pela literatura, especificamente a literatura popular, considerando que já publicou mais de 50 folhetos de cordel que tratam de temáticas diversas, como educação ambiental, política e saúde, incluindo adivinhas e fábulas para crianças de todas as idades, além de atuar no campo musical também profissionalmente. Nesse sentido, o poeta-música alia em sua caminhada artística música e literatura com espetáculos, ministrando cursos e oficinas, atuando em teatro com composições musicais que inclui apresentações em praças públicas, parques escolas, colégios, bibliotecas tanto no Brasil como em países da América Latina e Europa. No campo musical atuou ainda em vários grupos destacando-se o Lunatus Ensemble Medieval.

Em face de sua competência literária o artista foi um dos ganhadores da Bolsa Funarte de Circulação Literária no ano de 2010. Sua produção decorre da paixão do poeta pela cultura popular, o músico e professor coleciona cordéis desde a década de 80.

Em 2000, começou a criar trilhas sonoras para o teatro e a trabalhar com direção musical. Logo depois, passou a se dedicar também aos fotopoemas. Em 2008, a produzir os folhetos intitulados “Cordéis Joseenses”, tornando-se membro da Academia Joseense de Letras.

Sua produção trata ainda de tema atuais a exemplo, do transcrito abaixo:

Ministério em contraponto

 

Reeleita, Dona Dilma

já merece reprimenda:

a ministra Kátia Abreu

mostrou que nunca se emenda.

Disse agora, em entrevista,

que latifúndio é uma lenda!

Ministra, fale a verdade,

o bom senso recomenda…

Espero que a presidenta

prontamente a repreenda

e exija reforma agrária:

latifúndio não é lenda!

 

Para fazer contraponto

ao pensamento precário

de Kátia na Agricultura,

do outro lado do cenário

surge Patrus Ananias

(Desenvolvimento Agrário):

 

“Direito de propriedade

precisa ser adequado

à necessidade humana;

não pode ser aplicado

acima de outros direitos,

pois isso seria errado.”

 

“Sei que a polêmica existe:

vou debater no plenário

e chamar pra discussão

também o Judiciário.

Não pode haver injustiça

escondida nesse armário.”

 

Por isso tudo, meu povo,

movimentos sociais

devem, sim, organizar-se

e lutar cada vez mais

pra garantir inclusão

e aproximar desiguais.

 

Somente o debate aberto

(junto ao reconhecimento

de que existem latifúndios)

dará fim ao sofrimento.

Pressão justa, popular:

Reforma já, cem por cento!

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA JOSEENSE DE LETRAS. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <https://academiajoseensedeletras. wordpress.com/paulo-roxo-barja/>. Acesso em: 10 out. 2014.

BARJA, Paulo Roxo. Cordéis joseenses. Disponível em: <http://cordeisjoseenses.blogspot.com.br/>. Acesso em: 10 nov. 2014.

BRASIL. Prefeitura Municipal de Ilha Bela. Feira literária de Ilha Bela: Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://www.ilhabela.sp.gov.br/noticias/arte-dos-contadores-de-historia-e-destaque-na-feira-literaria-de-ilhabela#.VL0gj9LF-VN>. Acesso em: 10 out. 2014.

BRASIL. Fundação Nacional de Arte. Palestra sobre o cordel no território da cidadania: Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://www.funarte.gov.br/literatura/palestras-sobre-cordel-nos-territorios-da-cidadania/#ixzz3OnvVQcjy>. Acesso em: 11 out. 2014.

PORTAL MACUNAIMA. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://portalmacunaima.ning.com/profile/PauloRoxoBarja>. Acesso em: 11 out. 2014.

VOA VIOLA. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://voaviola.com.br/main.php?g_profile=261&g_ct=trajetoria>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta Francisco de Souza Campos – Síntese biográfica

Francisco de Souza Campos (26/09/1926 -)

Natural da cidade de Timbaúba, localizada na Zona da Mata Norte do estado de Pernambuco, Francisco de Souza Campos, poeta popular, nasceu em 26 de setembro de 1926. Integrante de uma família cuja verve poética parece estar na genética. Irmão dos poetas Manoel de Souza Campos e José de Souza Campos, Francisco traz em seus escritos temáticas tradicionais, em sua maioria em folhetos de 8 páginas, tendo sido considerado como uma de suas mais significativas obras o Cordel lançado pela Editora Luzeiro intitulado “Enfrentando a Morte”. Como exemplo de seus escritos, registramos As Bravuras de Maria Jararaca, extraído da Revista Jangada do Brasil:

Pra quem gosta de história

de cacete, foice ou faca

surgiu agora as bravuras

de Maria Jararaca

leiam e depois me digam

se mulher é parte fraca

 

Para provar que mulher

não é como o povo pensa

leia leitor esta história

embora não se convença

não quero dizer com isto

que o leitor vá dar crença

Mulher faz cousas na vida

que o homem morre e não faz

briga, mata dá pancada

conquista até satanás

e faz cousa que eu acho

que ela é forte demais

 

Mas, vamos deixar pra lá

que seja forte ou fraca

que seja calma ou não

que goste ou não de fuzarca

vamos contar a história

de Maria Jararaca

 

Habitava antigamente

nos sertões de Mato Grosso

um casal numa fazenda

um verdadeiro colosso

tinha dois filhos somente

sendo uma moça e um moço

 

A moça era Maria

de gênio e instinto forte

perversa e muito briguenta

punha em jogo sua sorte

brincava com a desgraça

e desafiava a morte

 

Quando ainda meninota

frequentava a escola

menino que lhe insultasse

ia ligeiro pra sola

não comia desaforo

nem engolia parola

 

Os seus pais por muito tempo

davam conselhos demais

porém ela não seguia

as instruções de seus pais

e assim enveredou-se

no caminho do satanás

 

Seus pais vendo que não davam

deixou-a a cargo do mundo

seguindo a vida ilegal

braba assanhada e afoita

um verdadeiro animal

 

Maria em casa gritava

eu não guardo desaforo

comigo é na cacetada

brincou comigo é no couro

até minha professora

tem que me guardar decoro

 

Muito perto da escola

havia uma barraca

onde uns desocupados

ali tomavam “truaca”

insultando todo mundo

fazendo a maior fuzarca

 

Um certo dia ela vinha

sozinha pelo caminho

sem se importar com a vida

nem pensava em desalinho

quando naquele momento

se deu tanto burburinho

 

Lá da barraca que eu

falei inda agora a pouco

surgiu um preto vadio

e como quem está louco

chegou perto de Maria

e deu um tremendo soco

Aí os outros caíram

numa grande gargalhada

porque Maria estava

caída ensanguentada

fazendo cara de choro

também muito encabulada

 

Maria que só andava

com uma faca afiada

guardada dentro da bolsa

ficou com ela empunhada

se fez na faca e entrou

como uma alucinada

Caíram na gargalhada

da calçada da barraca

dizendo uns aos outros

olhem uma Jararaca

que quer ganhar uma pisa

com um cipó de piaca

 

Neste momento avançaram

para bater em Maria

ela se fez no trinxete

que na bolsa conduzia

e danou-se a cortar gente

só se ouvia a gritaria

 

Cortou cinco e correu um

dos que estavam na barraca

Maria dava pesada

mordia e danava a faca

desta vez ficou conhecida

por Maria Jararaca

 

O nome de Jararaca

se espalhou neste dia

e assim numa semana

todo mundo já sabia

que a moça jararaca

com certeza era Maria

 

Jararaca foi crescendo

até que moça ficou

não enjeitava parada

e assim se acostumou

não quis viver com os pais

de sua casa arribou

 

Sua fama se estendeu

nos sertões de Mato Grosso

não corria de barulho

punha o povo em alvoroço

gostava de comprar briga

não enjeitava destroço

 

Agora vamos falar

num vigia viciado

atacar mocinhas pobres

cumprindo o seu triste fado

de cabra afoito e vadio

um verdadeiro tarado

 

O vigia era um sujeito

metido a brabo e ruim

dizia abertamente

eu gosto de ser assim

gozo carinho de moças

todas se passam pra mim

 

Certa vez este vigia

viu Maria numa feira

disse agora estou com tudo

oh! menina de primeira

aquela ali vai comigo

pra dentro da capoeira

 

Não sabia que Maria

tinha aprendido dar murro

mãosada em cara de macho

que o cara dava urro

mordia que só cachorro

dava coice que só burro

 

Maria que conhecia

do vigia sua fama

dizia consigo eu hoje

irei forrar tua cama

é hoje que vou encher

a boca dele de lama

 

O cabra naquele instante

deu com a vista em Maria

ela naquele momento

fez um sinal pro vigia

dando impressão para ele

que ela lhe aceitaria

 

E assim saiu na frente

e o vigia atrasado

saíram logo da feira

para um certo reservado

o vigia todo fofo

de gogó levantado

 

O vigia conhecendo

que ali não ia gente

deu um pulo adiantou-se

e tomou logo a frente

sem esperar que iria

enfrentar uma serpente

 

E disse para Maria

pode tirar a casaca

porém Maria puxou

de sua cinta uma faca

e disse para o vigia

se quer morrer emburaca

 

O vigia que bancava

a fama de valentão

conseguiu tomar a faca

caíram ambos agarrados

enrolando pelo chão

 

A luta era temerosa

nem um dos dois se rendia

Jararaca deu um golpe

na garganta do vigia

o bruto naquela hora

reconheceu que perdia

Maria naquele instante

retomou a sua faca

soltou o vigia e disse

vem agora e me ataca

se não conheces a fama

de Maria Jararaca

 

O vigia arrependido

dizia assim: me perdoe

tremia, urinou na calça

obrou em pé feito boi

mas junto de Jararaca

deu a gangrena e não foi

 

Jararaca o pegou

e torceu um cipó forte

abriu as pernas do cabra

para o sul e para o norte

amarrou cada, num pau

pra poder dar-lhe um surrote

 

Com a ira que estava

deu-lhe um tremendo castigo

só dava dentro das pernas

do seu rival inimigo

num lugar que sei o nome

porém eu morro e não digo

 

O vigia nunca mais

quis fazer papel de louco

tornou-se calmo e bisonho

muito retraído e choco

porque onde o pau bateu

inchou mais do que um coco

 

E depois de cinco anos

Maria regenerou-se

pra tirar o apelido

daquele lugar mudou-se

foi uma mulher de bem

com pouco tempo casou-se

 

Feliz do homem que tem

Seu coração amoroso

O vigia desgraçou-se

Um tipo vil criminoso

Zombou da mulher mas teve

A morte por seu repouso

FONTES CONSULTADAS

CAMPOS, F. S. As bravuras de Maria Jararaca. Jangada do Brasil, a. 11, n. 121, Fev. 2009. Disponível em: <http://www.jangadabrasil.com.br/revista/fevereiro121/cn12102.asp>. Acesso em: 10 nov. 2014.

GRANDES autores da Literatura de Cordel. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 10 nov. 2014.

HAURÉLIO, M. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com .br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso: 11 nov. 2014.

ÍNDICE de Autores. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cibertecadecordel.com.br/ indice_autor_result_cordel.php?idautor=2311>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poetisa Maria Godelivie Cavalcanti de Oliveira – Síntese biográfica

Maria Godelivie Cavalcanti de Oliveira

Natural da cidade de Campina Granda, Paraíba, Maria Godelivie nasceu em 14 outubro de 1959. Seu envolvimento com a literatura popular se deu por intermédio de seu pai que frequentemente adquiria folhetos de Cordel e os lia para ela. Ao ser alfabetizada, Maria acompanhava o pai a feira central da Cidade onde encontrara um vasto número de violeiros, cantadores, cordelistas, poetas que lhes atraia sua atenção e admiração.

Curso Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) onde cursou a disciplina de Literatura Popular, reacendendo a paixão pela antiga poesia, bem como lhe despertou a vontade de produzir o mesmo gênero literário transformando-a em poetisa, cordelista e educadora. Nessa última de suas funções sempre atrela o ensino a presença do cordel em sala de aula. De acordo com Queiroz (2006) a cordelista se utiliza do cordel na sala de aula tanto os de sua autoria como de outros autores, momento em que adentra na estrutura narrativa do texto, dos personagens, bem como inclui um certo tom humorístico na relação com o pedagógico em seus escritos, a poetisa cumpre o papel de transmissão de valores no processo de modernização da sociedade contemporânea, para tanto adota títulos jocosos como forma de atrair o interesse do leitor, nesse sentido temos como exemplo: O Doidinho bem dotado, de 2003 e O gostosão, de 2002. Este último refere-se ao triangulo amoroso

 

Minha nossa! Meu Senhor!

Onde fui eu me meter,

Arranjar duas mulheres?

Eu não tinha o que fazer?

Agora já não sei mais

Como o caso resolver

Sou casado de aliança

Perante padre e juiz

A mulher legítima é braba,

Prometeu? Faz o que diz,

E eu, o que vou fazer

Com esse impasse infeliz.

 

Outra característica de seus escritos revela-se na sensibilidade em retratar a mulher representada por sua integridade de caráter, firmeza e perspicácia com que enfrenta fatos do cotidiano. Por outro lado esta mesma mulher é também denunciadora de preconceitos sedimentados na memória e tradição popular. O equilíbrio manifesta-se no percurso da ação, entre o comportamento individual e o coletivo. Para Queiroz (2006, p. 80) Maria Godelivie “Vale-se da maneira mais conservadora para metrificar seus versos e tratando de temas do cotidiano, da oralidade que lhe foi passada através de diversas fontes e resgatando mitos e lendas, a poetisa busca a transformação de atitudes, crenças e valores, construindo socialmente, uma outra representação ideológica. É a voz insurgente da mulher no contexto da literatura de cordel”.

 

FONTES CONSULTADAS

QUEIROZ, Doralice Alves de. Mulheres cordelistas: percepções do universo feminino na literatura de cordel. 2006. 121 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Programa de Pós-graduação Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

O NORDESTE. Maria Godelivie. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Maria+Godelivie>. Acesso em: 12 nov. 2014.

Paraiba CRIATIVA. Maria Godelivie. Disponível em: <http://www.paraibacriativa.com.br/539/maria-godelivie.html.>. Acesso em: 10 set. 2014.