Todos os posts de Memórias da Poesia Popular

Avatar de Desconhecido

Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poeta Francisco de Salles Araújo – Síntese biográfica

Francisco de Salles Araújo (1951)

Carioca Nordestino Francisco de Salles Araújo, conhecido como Chico Salles, nasceu no sertão paraibano, em São Francisco do Chabocão, naquela época município de Sousa, no ano de 1951. Este cantor e compositor de forró e samba, além de poeta e cordelista, radicou-se no Rio de Janeiro aos dezoito anos de idade (1970), onde inicialmente trabalhou na construção civil. Para legitimar a carioquice deste paraibano, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário de Rio de Janeiro, dando-lhe, oficialmente, a condição de carioca (RIO DE JANEIRO, 2008). Nos escritos biográficos em sua página pessoal, assim declarou-se carioca: “Sou carioca da clara, porque o carioca da gema é o que nasce no Rio. Sou da clara, mas estou dentro do ovo” (SALLES, 2010).

As influências musicais nordestinas, misturadas aos sambas de Paulinho da Viola, Chico Buarque e Martinho da Vila, faziam parte das trilhas sonoras da época em que cursava Engenharia Civil. Ao conhecer o trapalhão Mussum, eles compõem músicas carnavalescas e fundam o bloco Elas e Elas (1985) em Jacarepaguá, bairro do Rio, onde residem e são vizinhos.

Incentivado pelo maestro Anselmo Mazzoni (1997), inicia carreira de cantor, vindo a gravar, ao vivo, seu primeiro trabalho – Confissões (1999), lançado no ano subsequente; o segundo disco foi intitulado Nordestino Carioca (2002), produção ditada nas origens do seu acervo cultural, nos xotes, xaxados, baiões e forrós, homenageando a Cidade Maravilhosa e o amigo Mussum, ao cantar o xote composto pela dupla – Pinto no Xerém.

Na bagagem cultural também trouxe o cordel. Reconhecido, torna-se membro (2007) e Diretor Cultural (2009) da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupando a cadeira número 10, cujo patrono é Catulo da Paixão Cearense.

Sua visibilidade na esfera literária ocorreu quando publicou o livro infantojuvenil cordelizado, CORDELinho (EDITORA ROVELLE, 2009), premiado como melhor livro infantojuvenil pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

A sua cordelteca disponível em http://www.chicosalles.com.br/ consta de 21 títulos, tais como: Salim, Jacó, JoaquimOs caminhos do BrasilO tigre que virou doutorO pai do vento;O maior inimigo do cachorroSivuca, entre outros.

Ao biografar Severino Dias de Oliveira (1930-2006), nosso Mestre Sivuca, escreveu:

 

Vou pedir ao Criador

Que me dê inspiração

Também quero a alegria

De ter sua proteção

Pra colocar no papel

Este meu novo cordel

Com prazer e correção.

 

Vou falar de um Severino

Origem paraibana

Sujeito de muita fé

Nascido em Itabaiana

Orgulho da nossa arte

Da sanfona um estandarte

Um camarda bacana

 

Mil novecentose trinat

Nasceu este brasileiro

Homem de familia simples

Um talento pioneiro

Com nove anos, menino.

Os pais e o destino

Fizeram-lhe sanfoneiro.

[…]

 

Parece que o substantivo preferido desse poeta é homenagem, pois Chico está sempre evidenciando alguém por meio de seus versos, suspeita confirmada em As dedicatórias de Chico Salles, sextilhas produzidas por ele ao longo da sua carreira de cordelista, onde homenageia pessoas significativas, da esposa Lúcia Helena a personalidades: Mestre Azulão, Rachel de Queiroz, Rouxinol do Rinaré, Patativa do Assaré, Jessier Quirino, e outros. Disponível no site Cordel de Saia (http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2013/04/as-dedicatorias-de-chico-salles.html).

FONTES CONSULTADAS

CHICO SALLES TV Câmara – 1. Parte. 2010. In: YouTube. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=gGohc8UEb8w&gt;>. Acesso em: 18 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Chico Salles. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Salles&gt;>. Acesso em: 19 nov. 2014.

RIO DE JANEIRO (Estado). Decreto no 720, de 26 de junho de 2008. Disponível em: <OpenDocument>. Acesso em: 19 nov. 2014.

SALLES, C. Biografia. In: Chico Salles. 2010. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.chicosalles.com.br/biografia.php&gt;. Acesso em: 19 nov. 2014.

______. As dedicatórias de Chico Salles. In: Cordel de saia. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2013/04/as-dedicatorias-de-chico-salles.html&gt;. Acesso em: 19 nov. 2014.

______. Sivuca: zabumba & triângulo. In: Chico Salles. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.chicosalles.com.br/&gt;. Acesso em: 19 nov. 2014.

Poetisa Erotildes Miranda dos Santos – Síntese biográfica

Erotildes Miranda dos Santos

Erotildes Miranda dos Santos foi um cordelista baiano que usava o pseudônimo de Trovador Nordestino. Nasceu em Candeal, Bahia, município pertence à área de expansão metropolitana de Feira de Santana, Bahia, onde veio a se estabelecer e escrever inúmeros folhetos da literatura de cordel.

Foi motorneiro de bonde em Salvador, Bahia, depois se radicou em Feira de Santana onde residia na Rua 18 do Forte, bairro da Rua Nova. Introduziu-se na área de literatura popular cordelista por incentivo do cordelista e editor de folhetos populares, Rodolfo Coelho Cavalcante, que era alagoano, mas radicado em Salvador, Bahia. O primeiro folheto escrito pelo Trovador Nordestino foi ABC da Dança (1953), que foi comprado por Rodolfo, que o aperfeiçoou e lançou com seu nome (MAXADO, 2005; CURRAN, 2014).

Este poeta de bancada que versava sobre diversos temas, com sagacidade e humor, assim versou sobre as façanhas de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

 Nordeste sangrento

Baseado no cangaço

Do famoso Lampião

O capitão Virgulino

Que assombrou o sertão

Pra matar o meu intento

Deste nordeste sangrento

Vou dar sua descrição

Mas não só de Lampeão

Eu aqui quero falar

Me refiro a outros mais

Que vivam pra matar

Como Horácio de Matos

Que no decorrer dos fatos

Fez muita gente chorar

[…]

FONTES CONSULTADAS

CURRAN, M. J. Relembrando a velha literatura de cordel e a voz dos poetas. Estados Unidos da América: Desktop-OSX, Desktop-Windows, Ereader. 2014. Disponível em: <isbn=1490745807 >. Acesso em: 17 nov. 2014.

EROTILDES Miranda dos Santos. In: O Nordeste: enciclopédia nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Erotildes+Miranda+dos+Santos<r=e&id_perso=1043&gt;. Acesso em: 18 nov. 2015.

MAXADO, F. Maxado nordestino e o cordel em Feira de Santana. Légua & Meia: Revista de Literatura e Diversidade Cultural, v. 4, n. 3, p. 231-252, 2005. Disponível em: <http://leguaemeia.uefs.br/3/3_231-254_cordel.pdf.&gt;>. Acesso em: 18 nov. 2015.

SANTOS, E. M. [Trovador Nordestino]. Nordeste sangrento.. In: CORDELTECA. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://leguaemeia.uefs.br/3/3_231-254_cordel.pdf.&gt;>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Manoel Apolinário Pereira – Síntese biográfica

Manoel Apolinário Pereira

O poeta Manoel Apolinário Pereira, cujo acróstico é Manuel Apolinário, nasceu no estado de Pernambuco e faleceu no ano de 1955, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará onde passou grande parte de sua vida.

De acordo com Sousa (2009), Manoel Apolinário foi um poeta popular de boa inspiração, que embora tenha se dedicado a gêneros variados, sobressaiu-se nos romances.

Destacam-se entre eles dois, os quais foram relançados pela Editora Luzeiro: Horácio e Enedina entre o amor e o orgulho e O filho de Evangelista do Pavão Misterioso.  Julita e Galdino foi também um dos cordéis, cuja temática é o romance, publicados por Manoel Apolinário, sendo editado por João José Silva, conforme percebemos em uma de suas estrofes, demonstrando assim porque o poeta se sobressaiu no gênero romantismo.

Galdino avistou Julieta

ficou impressionado

Julieta do mesmo jeito

ficou com o ar mudado

ninguém sabia dos dois

qual o mais apaixonado

 

O velho viu o namoro

porém agüentou a mão

quando foi no outro dia

chamou Julieta atenção

dizendo: não casarás

com um sujeito vilão

 

E tu não podes negar

Porque eu vi o namoro

Se ele vier aqui

Eu o derreto no couro

Parece que esta festa

Se terminara em choro

 

Teu namoro com Galdino

Por mim já foi descoberto

Mas eu te corto a carreira

Teu casamento eu acerto

Eu vou te casar apulso

Com o meu sobrinho Berto

 

Mandou logo chamar Berto

E a ele disse assim:

Vou lhe casar com Julieta

Isto é feito por mim

E  nem você e nem ela

Não me diz que está ruim

(p. 2)

[…]

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 17 out. 2014.

PEREIRA, Manoel Apolinario. Julita e Galdino. [S.l.]: João José Silva, [19–?].  

SOUSA, Francinete Fernandes de. A mulher negra mapeada: trajeto do imaginário popular nos folhetos de cordel. Tese. (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.

Poeta Expedito Sebastião da Silva – Síntese biográfica

Expedito Sebastião da Silva (20/01/1928 – 08/08/1997)

Expedito Sebastião da Silva nasceu na terra de Padre Cícero, Juazeiro do Norte, Ceará, em 20 de janeiro de 1928, no dia de São Sebastião. Nesta terra tão devota, o poeta nasceu e viveu, até falecer no dia 8 de agosto de 1997. Carvalho (2008, p.70) relata que Expedito ficou órfão muito cedo e foi morar com uma tia que o registrou como filho. Começou a trabalhar, na década de 40, na Tipografia São Francisco de José Bernardo da Silva.

Nesse sentido, além de poeta, foi tipógrafo e revisor da gráfica, tendo assumido, com a morte do seu proprietário, José Bernardo da Silva, a gerência da Tipografia São Francisco, reinaugurada na década de 70 como Literatura de Cordel José Bernardo da Silva e, posteriormente, como Lira Nordestina, permanecendo com esta denominação até os dias atuais.

Viana [20–] descreve que o poeta tem origem camponesa, frequentando escola na qual concluiu a quarta série ginasial, sendo justamente nesse período escolar que Expedito deu os seus primeiros passos na literatura, escrevendo os seus primeiros poemas. Sua escrita despertou o interesse de José Bernardo da Silva, o grande editor de Juazeiro, possibilitando, assim, o seu ingresso na tipografia a convite do proprietário, que estava encantado com ele.

De acordo com Carvalho (2008, p. 70), o fazer poético de Expedito, “surgia da inspiração natural e de uma vontade própria e autodidática na sua forma de escrever. Expedito usa da criatividade, transformando a poesia numa brincadeira de criança através de elementos da comédia e da sátira”.

Seu primeiro folheto, intitulado “A moça que depois de morta dançou em São Paulo”, data de 1948. Nesse período, o poeta e xilógrafo Damásio Paulo da Silva incentivou o jovem Expedito a continuar produzindo (VIANA, [20—]).  Com relação aos apoios e incentivos que Expedito obteve no início de sua carreira poética, Carvalho (2008, p. 70-71) acrescenta, relatando que:

Segundo Expedito no início de sua formação ele teve um grande apoio do poeta Antonio Caetano de Palhares, que segundo ele foi um dos principais incentivadores na produção de uma verve poética na sua vida. Para Expedito, sua inserção no contexto da produção gráfica dos cordéis se deu pelo conhecimento que Antonio de Palhares tinha com José Bernardo da Silva que sempre encomendava e comprava os direitos autorais das histórias produzidas pelo poeta e que foi o responsável por apresentar o jovem poeta ao proprietário da Tipografia São Francisco.

Cuidadoso com a rima e, principalmente, com a métrica, Expedito costumava revisar a obra de outros poetas que imprimiam seus folhetos na “Lira”. Chegou a receber elogios de Patativa do Assaré, que o comparou ao lendário João Martins de Athayde.

Nas suas obras, Expedito expressa um universo social dividido entre o bem e o mal e, no contexto dessa dualidade, o poeta finca seus escritos no imaginário popular característico de uma memória de vida (CARVALHO, 2008).

Viana [20–] menciona que, nos últimos anos de vida, o poeta mostrava-se triste com a decadência da literatura de cordel e da Lira Nordestina, empresa pela qual Expedito dedicou a sua vida. Ele foi parte dela, fez a sua história, contribuiu para erguer ainda mais os seus pilares desde a década de 40. Dentre as obras de sua autoria, destacamos entre elas: A bruxa da meia-noite ou o reino da maldiçãoEstória de Paulino e MadalenaA marcha dos cabeludos e os usos de hoje em diaCalvário de uma mãe (ou o amor de Albertina); A opinião dos romeiros sobre a canonização do Pe. CíceroAs diabruras de Pedro MalazartesEm defesa do Pe. Cícero – o apóstolo do Nordeste; História de São Pedro e o homem orgulhoso, entre outras.

FONTES CONSULTADAS

CARVALHO, R. F. “Cordel, Almanaques e Horóscopos”: e(ru)dição dos folhetos populares em Juazeiro do Norte-CE. (1940 – 1960). 2008. 136 f. Dissertação. (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em História, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2008.

VIANA, A. Grandes cordelistas do passado. Expedito Sebastião da Silva. [Juazeiro do Norte/CE: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel18 .htm>. Acesso em: 13 nov. 2014.

Poeta Evaristo Geraldo da Silva – Síntese biográfica

Evaristo Geraldo da Silva (28/09/1968)

Evaristo Geraldo da Silva nasceu no dia 28 de setembro de 1968, na cidade de Quixadá, interior cearense, filho de uma família de 11 irmãos, em que cinco são poetas. Com Evaristo não poderia ser diferente (HAURÉLIO, 2011).

No ano de 2006, teve o cordel A incrível história da imperatriz Porcina selecionado pela Secretaria da Educação do Estado do Ceará para a biblioteca da EJA – Educação de Jovens e Adultos. Em 2008, o livro João e Maria (Editora IMEPH) foi selecionado pelo PAIC – Programa de Alfabetização na Idade Certa para compor o acervo das bibliotecas escolares.

O poeta fez uma adaptação do clássico A dama das camélias para a linguagem do cordel, pela Editora Nova Alexandria.

Em 2010, obteve novamente o reconhecimento de suas obras com O fogo de Minarã e Rachel de Queiroz – a dama do romance  que foram premiadas no Edital para autores cearenses, na categoria Prêmio Rachel de Queiroz de Literatura Infantil, evento promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

Em 17 de novembro de 2012, ocorreu a X Bienal Internacional do Livro do Ceará, em Fortaleza, na Praça do Cordel, onde foi lançada a Coleção Reinos do Cordel. Entre os cinco livros editados pela Editora Armazém da Cultura, estava o livro intitulado: O Conde Mendigo e a Princesa Orgulhosa, do poeta Evaristo Geraldo da Silva, que remonta um cenário de magia e encantamento, realizando um cruzamento com assuntos da atualidade, da vida real. Esta obra tecida com fios de humor e diversão traz, paralelamente, uma reflexão sobre a maneira como as pessoas lidam com o dinheiro, e sobre quais são as nossas prioridades na vida.

O CONDE MENDIGO E A PRINCESA ORGULHOSA

Que a musa mãe dos poetas

Me cubra de amor e paz

Para narrar uma história

Dos tempos medievais

Recheada de mistérios

Drama e conceitos morais.

 

Já li histórias estranhas

Cheia de gente ruim

De cavaleiro afamado,

Fada, príncipe e Serafim

E aqui transcrevo ao leitor

Um conto dos Irmãos Grimm.

 

Deus não faz acepção

Pois vê todo mundo igual

Rico, pobre, índio ou negro,

Sem distinção social

Quando morrem todos vão

Enfim pro mesmo local.

(p. 1)

[…]

Este cordel, por sua vez, já havia sido publicado no ano de 2006, como segue esta versão acima, foi reeditado e lançado em 2012, compondo assim, a coleção Reinos do Cordel.

Em seus textos e contextos, o poeta cordelista contemporâneo Evaristo Geraldo da Silva escreve em um clima de humor e encantamento, remontando em seus trabalhos possibilidades de reflexões próprias do leitor.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL baiano na X Bienal Internacional do Livro do Ceará. In: Oficina de Cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://oficinadecordel.blogspot.com.br/2012/11/cordel-baiano-da-x-bienal-internacional.html>. Acesso em: 05 nov. 2014.

EVARISTO Geral. In: Giramundo Editora. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoragiramundo.com .br/pag_col_evaristo_geraldo.html>. Acesso em: 20 nov. 2014.

HAURÉLIO, M. Dicionário básico de autores.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 20 out. 2014.

SILVA, E. G. O conde mendigo e a princesa orgulhosa.  Fortaleza: Tupynanquim Editora, 2006.

Poeta Elias Alves de Carvalho – Síntese biográfica

Elias Alves de Carvalho (26/03/1918)

Elias Alves de Carvalho, poeta nascido em 26 de março de 1918 na cidade de Timbaúba, estado de Pernambuco. Nas criações de suas obras literárias, ele foi bastante entusiasta ao contar e encantar apresentando o seu Estado, o seu País. Considerado um artista de múltiplas facetas, além de poeta, era também sanfoneiro emérito, versejador e repentista, envolvendo-nos igualmente com a arte de cantar o repente.

Cantava coco de embolada, mas por problemas na voz foi obrigado a deixar suas canções, passando a dedicar-se aos folhetos, dentre os quais, os mais vendidos foram “O Brasil de Ponta a Ponta” e “Desafio de Mulher” em 1982 (CURRAN, 2014, p. 307).

Além de artista, era também enfermeiro, o que contribuiu diretamente para a criação de uma de suas obras: “O ABC do Corpo Humano – pequeno tratado da anatomia humana”.  Conforme vemos em um de seus trechos a seguir:

 

ABC DO CORPO HUMANO

Pequeno Tratado de Anatomia Humana

 Caro leitor, nesses versos

Farei uma descrição

Referente ao corpo humano,

Sobre aspectos e formação,

Cujo ser é semelhança

Do Autor da Criação

 

Quero descrever do mesmo

As partes mais conhecidas.

Falar das várias matérias

Que estão nele contidas.

E mostrar a estrutura

Sobre as partes divididas.

 

Em cabeça, tronco e membros

É o corpo dividido.

Na cabeça: crânio e face, um ponto bem conhecido.

O crânio tem oito ossos, pelos quais é construído.

 

Temos na frente o frontal,

Parietais e etmóide.

Atrás o occipital.

Temporais e esfenóides.

A ponta do temporal

Chama-se  apófise mastóide.

(p.1)

[…]

A sua atividade como enfermeiro foi desenvolvida no Sanatório Alcides Carneiro, em Correias, na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte de sua vida.

Em sua trajetória poética, desenvolveu também o interesse por questões relacionadas ao cordel, externadas em títulos como “Casa de Cultura São Saruê”, direcionada ao espaço onde funciona a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e “Memória de poetas inesquecíveis”. Em 1948, escreveu o romance “Farrapo do Destino” e só em 1978 publicou “O Congresso dos Poetas e os Atos de um Príncipe”, folheto sobre o 1º Congresso dos Poetas da Literatura de Cordel.

FONTES CONSULTADAS

CURRAN, M. J. Relembrando a velha literatura de cordel e a voz dos poetas. Estados Unidos: Trafford Publishing, 2014.

CARVALHO, E. A. ABC do corpo humano: pequeno tratado de anatomia humana. [S.l.: s.n], 1981.

ELIAS A. de Carvalho. In: Lápis e papel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://cstalapisepapel.blogspot.com.br/ 2011/05/cordelistas.html>. Acesso em: 23 out. 2014.

ELIAS de Carvalho. In: Perfis biográficos.  [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html>.  Acesso em: 23 out. 2014.


Poeta Francisco das Chagas Batista – Produção Literária

A caravana democrática em ação

A descrição do Amazonas

A hecatombe de Piancó e a morte do Padre Aristides

A maldição da nova seita

A morte de Cocada e a prisão de sua orelhas

A morte do inspetor de Santa inês

A vida de Antônio Silvino

Antônio Silvino, vida, crimes e julgamento

Cantadores e poetas populares

Conselheiros do padre Cícero a lampião

Escrava Isaura (Escrava heroica)

História completa do celebre cangaceiro Antônio Silvino: sua vida de crimes e seu julgamento

História da Imperatriz Porcina

História de Dimas, o Bom Ladrão

História de Esmeraldina

História de Guimar

História de Maria Rita

História do capitão Lampião

Novos crimes de Lampião

O marco de Lampião

O mundo às avessas

O povo na cruz

O valente Vilela

Os decretos de Lampião

Os revoltosos no Nordeste

Quo Vadis? O amor e a virtude

Poeta Francisco das Chagas Batista – Síntese biográfica

Francisco das Chagas Batista (05/05/1882 – 26/01/1930)

Pioneiro, membro da primeira geração de poetas populares, o paraibano Francisco das Chagas Batista nasceu na Vila do Teixeira no dia 05 de maio de 1882. Aos 18 anos, comercializava água e lenha, e era estudante na cidade paraibana de Campina Grande; aos 20 anos, produziu seu primeiro folheto intitulado Saudades do sertão (1902). Nos idos de 1905, ele passou a vender folhetos no Recife, além de passar um curto período de tempo no seminário da cidade de Olinda; em seguida, foi trabalhar na ferrovia de Alagoa Grande, Paraíba.

Foi poeta popular, escritor e editor. No ano de 1907, Francisco das Chagas inovou ao rimar o romance polonês Quo Vadis: Powieść z czasów Nerona (1895), escrito por Henryk Sienkiewicz, cujo tema é a perseguição aos cristãos, após o grande incêndio de Roma. Sua passagem no universo literário também incluiu atividades na seara editorial, ocasião em que residia em Guarabira, Paraíba, trabalhando com o editor e irmão Pedro Batista (1909), em Guarabira, Paraíba.

Chagas Batista casou-se com a prima Hugolina Nunes da Costa (1909), que era filha do cantador Ugolino Nunes da Costa. O casal teve 11 filhos. Alguns herdaram a veia artística do pai, como os poetas populares: Paulo, Pedro, Maria das Neves e o folclorista Sebastião Nunes Batista, produtor de obras referenciais do cordel.

Intelectual reconhecido, sua paixão pelos livros o fez adentrar no mercado livreiro em 1911, em João Pessoa (ainda chamada de Paraíba). Dois anos depois, em 1913, fundou a sua Livraria Popular Editora, localizada na Rua da República, n. 65 (depois n. 584).

Ativo e empreendedor, ele foi um dos primeiros editores de cordel e imprimiu produções de muitos poetas populares da época.

Francisco das Chagas Batista morreu jovem, aos 48 anos, em João Pessoa, no dia 26 de janeiro de 1930.

FONTES CONSULTADAS

CHAGAS Batista. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./index.php>. Acesso em: 07 nov. 2014.

CHAGAS Batista. In: O NORDESTE: Enciclopédia Nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste .com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Chagas+Batista>. Acesso em: 07 nov. 2014.

BATISTA, F. C. Biografia. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/FranciscoChagas/franciscoChagas_biografia.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

GASPAR, L. Chagas Batista. [Fundação Joaquim Nabuco s.n., 20?]. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/ pesquisaescolar./index.php?option=com_content&view=article&id=928:chagas-batista&catid=38:letra-c&Itemid=1>. Acesso em: 07 nov. 2014.

Poeta Cícero Vieira da Silva – Síntese biográfica

Cícero Vieira da Silva (31/05/1936  – 11/02/2008)

Nasceu no agreste paraibano, na cidade de Alagoa Nova, aos 31 de maio de 1936 e faleceu aos 72 anos em 11 de fevereiro de 2008, na cidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Iniciou suas aventuras literárias aos 16 anos, no ano de 1952, produzindo, aproximadamente, 30 romances para a Folhetaria Santos, de propriedade de Manoel Camilo, sediada em Campina Grande, Paraíba.

Mocó, como era conhecido Cícero Vieira da Silva, teve trabalhos reconhecidos e premiados.  Aos 22 anos, ele participou do Festival de Poetas Populares de Salvador, Bahia (1958) e ganhou medalha de ouro como o melhor glosador; e aos 48 anos ganhou prêmio no Concurso Leandro Gomes de Barros (1984).

Cícero escreveu O Sabiá da Jurema (2005).

Caros leitores e ouvintes
Vejam aqui este senhor.
Eu me chamo Sabiá,
O poeta sonhador
E ainda acredito
No homem que Deus criou.
Por estar acreditando
Venho a sua moradia
Também lhe peço atenção
Nesta minha poesia
E logo, logo saberão
De muitas coisas de valia.

[…]

Porque, como todos sabem,
Respeitar é uma missão
E o homem pra crescer
Precisa ser cidadão
Construindo e respeitando
Do pequeno ao grandalhão.
[…]

FONTES CONSULTADAS

CÍCERO Vieira da Silva. In: EDITORA Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: . Acesso em: 07 nov. 2014.

______. In: HAURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

SILVA, C. V. O sabiá da jurema. Baixio – CE: [s.n.], 2005. Disponível em: <http://www.projetocordel.com.br/autores/ sabiah.htm>. Acesso em: 07 nov. 2014.

Poeta Caetano Cosme da Silva – Síntese biográfica

Caetano Cosme da Silva (25/11/1927 –)

Nasceu no dia 25 de novembro de 1927, em Nazaré da Mata, Pernambuco, capital estadual dos Maracatus, que é mais que uma música e/ou dança folclórica pernambucana afro-brasileira, mas uma tradição transmitida de geração em geração, onde os “passos e as cores perpassam uma aculturação milenar da história da região” (WIKIPÉDIA, 2014).

Foi poeta e editor e exerceu a atividade de mangaieiro em Campina Grande, Paraíba, onde mantinha uma banca de raízes e ervas medicinal.

Nos perfis biográficos disponibilizados em sites, como da Editora Luzeiro, Casa de Rui Barbosa e Cordel Atemporal, localizamos a informação de que este pernambucano residiu em Paudalho, Pernambuco e Itabaiana, Sergipe, antes de se fixar na cidade que sedia o Maior São João do Mundo (Campina Grande) em 1976, porém Oliveira afirma que residiu na Itabaiana da Paraíba, onde “havia também duas outras tipografias, […] outra, destinada exclusivamente à produção de folhetos, que era de propriedade do cordelista Caetano Cosme da Silva, situada no alto da Rua Treze de Maio, a popular Rua do Carretel” (2008, p. 5). A Folheteria São Caetano foi fundada em 1966.

As histórias dramáticas de Caetano podem ser apreciadas nas suas histórias inventivas, como O assassino da honra ou a louca do jardim.

 

Vinde musa mensageira

Do reino de Eloim

Traz a pena de Apolo

E escreve aqui por mim

O Assassino da Honra

Ou a Louca do Jardim

Esta história é um exemplo

Pra qualquer mulher casada

Que respeita seu marido

E deseja ser honrada

Que para quem não tem honra

A honra não vale nada. […]

 

Sendo um dos cordéis mais reeditados junto com O pavão misterioso (1920) de autoria de José Camelo de Melo, O assassino da honra ou a louca do jardim foi a primeira adaptação de textos literários para o projeto A presa da serpente, realizado em São Paulo. O poeta passou a apresentar montagens de textos representativos de uma época e lugar (CORDEL chega …, 2011).

FONTES CONSULTADAS

CAETANO Cosme da Silva: biografias de poetas. [S.l.]: Ed. Luzeiro, [20?]. Disponível em: <http://www.editora luzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 06 nov. 2014.

CAETANO Cosme da Silva. In: HAURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

CAETANO Cosme da Silva: perfis biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/ janela_perfis.html>. Acesso em: 06 nov. 2014.

CORDEL chega ao palco para estudantes. São Paulo: O Estadão, 2011. Disponível em: <http://cultura.estadao. com.br/noticias/geral,cordel-chega-ao-palco-para-os-estudantes,20010202p6786>. Acesso em: 07 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Nazaré da Mata. In:  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/ wiki/Nazar%C3%A9_da_Mata>. Acesso em: 07 nov. 2014.

OLIVEIRA, G. X. A feira de Itabaiana e o cordel. In: ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA, 4., 2008, Vitória da Conquista. Anais… Vitória da Conquista, BA: [S.n.], 2008.

SILVA, C. C. O assassino da hora ou A louca do jardim. In: TATARITARITATÁ: literatura de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogdotataritaritata.blogspot.com. br/2008/08/literatura-de-cordel.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.