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Poeta Elói Teles de Morais – Síntese biográfica

Poeta popular, folclorista, locutor, escritor, advogado (Faculdade de Direito do Crato, 1980), jornalista e servidor do Ministério da Agricultura, homem plural, Elói Teles de Morais nasceu em 19 de abril de 1936.

Em entrevista concedida a Gilmar de Carvalho nos estúdios da Rádio Educadora do Crato no estado do Ceará, em 2/12/1989, publicada no Diário do Nordeste (CARVALHO, 2016), Elói afirma que nasceu no Crato. Ele se contradiz durante a entrevista quando fala da infância, conta que os pais eram naturais de Santana do Cariri, trabalhadores da roça, com dez filhos. O pai, um autodidata, percebeu que deveria levar a família para o Crato, disse ele:”Até que chegou ao ponto que ele sentiu que podia trazer a gente pro Crato e trouxe”. Mendonça (2016), no Blog do Crato, assegura que Elói Teles nasceu no sítio Baraúnas, município de Várzea-Alegre, e foi registrado no Crato (CE). Na mesma postagem, conta que o cordelista foi preso (1964) acusado de ato subversivo durante o governo militar e na prisão versou:

Cadeia, estas tuas grades
Prendem o meu corpo revolto
Porém tu não sabes cadeia,
Que o meu ideal está solto!

O cordelista locutor consagrou-se apresentando, diariamente, das cinco às seis horas da manhã, por mais de 30 anos, o programa matuto Coisas do Meu Sertão (1965), divulgando música e poesia popular, tocando forró e declamando poesias de autores nordestinos, especialmente da região do Cariri. Elói Teles iniciou sua vida radiofônica em 1958 apresentando o programa na Rádio Araripe do Crato, onde, em 1964, era comentarista esportivo e foi diretor por 13 anos. Posteriormente, foi para a Rádio Educadora do Cariri (CARVALHO, 2016; MENDONÇA, 2016).

Em seu blog, Antônio Moraes (2011) afirma que o programa Coisas do Meu Sertão era encerrado com poesia do Zé Praxedi.

Doto intéôto dia
Basta mercê percisá
Um criado as suas orde
Na serra do jatobá
 
Prusarmoço tem galinha
Tem quaiada pra jantá
Agua cherosa no tanque
Pra vasmincê se banhá
 
Leite quente au pé da vaca
Quando o dia amanhecê
Café torrado no caco
De quando in vez pra mecê
 
Aguardente potiguá
Causo goste de bebê
Capim mimoso verdin
Pro seu cavalo cumê
 
Pra o doto fazê lanche
Mé de abêia cum farinha
Tem da fonte milagrosa
Agua fria da quartinha
 
Pra vasmincê se deitá
Uma rêde bem arvinha
Leve tambem sua muié
Proquê lá só tem a minha

Elói Teles conta que realizava, diariamente, diversificados programas radiofônicos, do jornalístico que ia ao ar ao meio-dia, outro vespertino de forró, o de mesa de debates de assuntos comunitários que ia ao ar aos sábados e, no mesmo dia, um noturno – A Festa da Casa Grande, que tocava música regional, e o matutino dominical de músicas antigas Baú das Velhas Recordações (CARVALHO, 2016).

Elói Teles deixou legado na promoção da cultura do Crato e região, tornando-se a partir de seu legado literocultural um folclorista de destaque, sendo grande animador de folguedos, incentivador de bandas cabaçais (banda de couro), reisados,maneiro-pau e literatura popular, especialmente o cordel (MENDONÇA, 2016).

Desse modo, ele sempre impulsionou a cultura como cordelista e promotor cultural, valorizando e divulgando diversas manifestações culturais. Presidiu a Fundação Casa do Folclore Cego Aderaldo, passando a ser a Fundação Mestre Elói. Dirigiu, também,a banda de música municipal. Fundou e foi o primeiro presidente da Academia de Cordelistas do Crato, ocupando a cadeira de nº 7 (CABRAL, 1992; MENDONÇA,2016).

O cordelista realizou o sonho de publicar uma série de folhetos sobre a história do Crato. Reconhecer a história local significa resgatar e preservar a sua tradição, por isso terá firmado: “O nosso homem do campo não conhece [a história], o cratense da periferia também não. Temos que contar a história na linguagem dele. A única saída seria o cordel, e procurei fazer, dentro das minhas limitações”(CARVALHO, 2016).

Além dos 6 volumes de A História do Crato em Versos, Elói escreveu uma série de cordéis sobre as lendas do Crato, dentre eles: A Lagoa Encantada e A Pedra da Batedeira (CARVALHO, 2016). O poeta foi pai de quatro filhos com a professora Elionai Grangeiro. Faleceu aos 64 anos na cidade do Crato, terra por ele versada em rima, cordel que compõe a coleção que homenageia os 250 anos da cidade (CABRAL, 1992).

A Confederação dos Cariris
 
Quero usar o dom do verso
Que Deus me deu com fartura
Pra no meu grande universo
Com minha verve segura
Contar uma bela estória
Coberta de muita glória
De gente muito feliz
Que viveu na nossa terra
Nestes nossos pés de serra
Nossos índios Cariris.
 
Como é bom falar dum povo
Que viveu bem natural
Tanto o velho como o novo
Tinham vida colossal
Os Cariris nestas matas
Nos rios e nas cascatas
A caçar e a pescar
Tinham nas tocas fartura
Sobrevivência segura
Sem nada os incomodar
 
Mas esse é o lado belo
É o lado colorido
A parte sem ter flagelo
Sem ninguém ser perseguido
Há porém dos Cariris
Que mostrar os seus perfis
De sofrimento e de dor
De lutas, guerras e mortes
Daqueles guerreiros fortes
Índio bravo, sofredor.
[...]

O jornalista Humberto Cabral (1992) biografou Elói Teles no cordel, A Confederação dos Cariris, classificando-o como “patrimônio cultural da nossa região”.

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, Humberto. Elói Teles. In: TELES, Elói. A confederação dos Cariris. Crato: Academia dos Cordelistas do Crato. Junho de 1992. 

CARVALHO, Gilmar de. O legado de Elói Teles. Diário do nordeste.  [S.l. : s.n.], 19 abr. 2016. Caderno 3. Disponível em:<https://bit.ly/2zktlOj>. Acesso 29 mar. 2017.

MENDONÇA, Dihelson. Blog do Crato homenageia o radialista Elói Teles de Morais: 10 anos de falecimento. In: BLOG do Crato. [S.l. : s.n.]. 11 out. 2016. Disponível em:<https://bit.ly/2QdRcZx>. Acesso em:28 mar. 2017.

MORAIS, Antônio. Coisas do meu Sertão: seu Elói. In: BLOG do Antônio Morais. [S.l. : s.n.]. 6 ago. 2011. Disponível em:<https://bit.ly/2OYgRRc>.Acesso em: 28 mar. 2017.

Poeta Edgar Ramos de Alencar – Síntese biográfica

O filho de João de Alencar Araripe e Antônia de Faria Ramos (Dona Nenê Ramos), Edgar Ramos de Alencar, que adotou o nome artístico de Edigar de Alencar, foi um homem múltiplo – contador, cordelista, crítico, ensaísta, jornalista, memorialista,musicólogo, pesquisador da música popular brasileira, poeta, teatrólogo e trovador. Natural de Fortaleza (CE), nasceu no dia 6 de novembro de 1901 ou 1908,e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) no dia 24 de abril de 1993 (EDIGAR …, [20–], HORTENCIO, 2014, MORAES, 2011).

Sua mãe era professora primária e foi com ela que obteve os primeiros conhecimentos gramaticais e matemáticos, e desde criança demonstrou disposição para as letras. Em seu livro, A Modinha Cearense (1967),escreveu a seguinte dedicação: “À memória de Nenen Ramos, minha mãe, que me ensinou a ler, sofrer e cantar”.

Aos 24 anos, publicou seu primeiro livro de poesias intitulado Carnaúba (1932). As demais obras poéticas são: Mocorocó (1942); Cantigas de Enleio e Desencanto (trovas, 1954); Galé Fugido (1957); Poesia Quase Perdida (1973) e Claridade e Sombra de Poesia (1984) (EDIGAR …, [20–], HORTENCIO, 2014).

Ainda jovem foi para o Rio de Janeiro (1926) com o objetivo de completar os estudos. Tendo frequentado a Escola de Comércio Fênix Caixeiral (Fortaleza – CE), foi diplomado contador.No Rio, estudou Administração e Finanças, curso concluído na Faculdade de Ciências Econômicas na primeira universidade federal do Brasil, denominada Universidade do Brasil (1929) (EDIGAR …, [20–], HORTENCIO, 2014).

Para Moraes (2011), o jornalista e cronista Edigar de Alencar ergueu a historiográfica e memória da música popular, pois escrevia especialmente sobre música e carnaval. A obra O Carnaval Carioca através da Música “atingiu cinco edições, esgotadas rapidamente” (HORTENCIO, 2014).

Na obra Claridade e Sombra na Música do Povo(1984), Edigar registrou a embolada nordestina no Rio:

A primeira embolada ouvida no Rio, - “Cabocla de Caxangá” -, com
melodia de João Pernambuco e versos de Catulo, foi sucesso
verdadeiro em 1913 a 1914. Depois, devido talvez ao êxito da
composição nordestina a que os versos catulanos deram grande
notoriedade,em 1916-1917, o trio Foca-Abigail-Moreira então em
destaque começou a explorar a música do Nordeste […]
(ALENCAR, 1984, p. 161)

Na obra citada acima, Edigar explica que o conjunto vocal e instrumental formado no Recife (PE), Turunas da Mauricéia, trouxe para o Rio de Janeiro reforço do ritmo nordestino, em 1927, quando várias emboladas foram cantadas e uma delas, Pinião, Pinião, foi um grande sucesso do carnaval de 1928, quando alteraram seu ritmo e foi considerada samba.

A paixão pela música é extensiva aos versos, pois Edigar entende que estes se eternizaram por meio da música (modinha).

Nunca me saíram da memória as modinhas que ouvi na minha
meninice. Minha mãe, talvez para afugentar as dificuldades e os
transtornos de uma existência pobre e duríssima, cantava todos os
dias.  […]Era, assim, uma serenata doméstica. Ainda guardo nos
ouvidos sons dolentes e palavras quentes das modinhas que entoava,
muitas vezes buscando enganar-me a fome […] (ALENCAR, 1967, p. 11-12)

Outra paixão nacional,o futebol, também foi foco da veia literária de Edigar que escreveu Flamengo: força e alegria do povo(1970). Ainda escreveu para o teatro de revista o espetáculo Doce de Coco, representado no Teatro São José pela companhia Alda Palm Garrido e Pinto Filho. Crítico de teatro,presidiu o Ciclo Independente dos Críticos Teatrais (HORTENCIO, 2014, MONTEIRO, 2011, MORAES, 2011).

Edigar de Alencar,Carioca Honorário, foi um dos fundadores da Academia Cearense de Ciências,Letras e Artes do Rio de Janeiro, ocupando a cadeira n° 4, cujo patrono é Américo de Queirós Facó, poeta e jornalista cearense que viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro (HORTENCIO, 2014).

O musicólogo Edigar de Alencar, em 1982, publicou o cordel biográfico em tributo a Pixinguinha,intitulado: Vida e Morte Gloriosa do Grande Músico Negro Pixinguinha (MORAES, 2011). Neste folheto, Edigar apresenta uma nota essencial:

Este folheto representa dupla homenagem de um autor que sempre se
mostrou amigo entusiasta da literatura de cordel e da sua pureza
original. Homenagem a Pixinguinha, negro genial, cuja fama parece
não haver chegado aos menestréis dos sertões nordestinos, à admirável
e tão sacrificada quão heroica poesia popular dos sertões.
Adotando não só seu feitio básico e imune das influências citadas,
como até sua estrutura material tão rudimentar quanto autêntica,
não quis como escritor invadir uma seara que sempre desejei não sofresse
os agravos de participação chamada (impropriamente, aliás) de
eruditas. Assim o demonstrei em dezenas de artigos de imprensa a
respeito da matéria. Pode parecer, agora, que sou incoerente. Não sou.
Não pretendo figurar como poeta popular, pois este nasce feito,
não se faz. Na eventualidade, repito, este trabalho é mais um preito
sincero à estoica e brava literatura em verso, que eu estimo para
sempre invulnerável aos assaltos dos espertalhões que tentam deturpar
em beneficio próprio. É assim. (ALENCAR, 1981)

Do cordel Vida e Morte Gloriosa do Grande Músico Negro Pixinguinha (1982), extraímos algumas estrofes, em que nas últimas podemos verificar a assinatura do poeta por meio de acróstico, declaração de autoria.Vejam:

A 27 de abril
do ano noventa e oito
nascia na Piedade
um menino vivo e afoito,
que logo que sentiu fome
chorou pedindo biscoito.
 
Negrinho de venta chata,
não vou dizer que era feio,
também bonito é bravata
e aqui não faço arrodeio,
o menino era levado,
vidrado da mãe no seio.
 
Seu pai, um homem de bem:
Alfredo Rocha Viana,
que gostava mais de música
que macaco de banana;
sua mãe, Dona Raimunda
na cozinha era bacana.
 
As avós do molequinho:
Pacífica era a materna,
Ilduviges, africana
vinha da linha paterna,
era mulher dedicada,
pelos netos a mais terna.
 
O casal cheio de filhos,
de prole não tinha medo,
chegaria a uma dezena
que o pai não dormia cedo ...
E foi ele que exclamou:
- Esse aí vai ser Alfredo!
 
- Poderia ser Alfredinho -
disse a mãe, mas dando o sim,
Ilduviges não vacila
e o chama de Pizindim,
que era mesmo que chamar
anjo do céu, serafim.
 
Pizindim, menino bom,
confirmaria o apelido,
e logo pela família
ficou sendo o mais querido,
caçula nem no outro mundo
mais amado terá sido.
 
A casa do pai Alfredo
era um templo musical,
toda noite havia toque
pela "FamíliaOrquestral",
e o menino Pizindim
achava aquilo legal.
 
Aos nove anos de idade
Pizindim já suspirava
de olho no bombardino,
e o cavaquinho arranhava,
enquanto a mana Lulunga
no piano se mostrava.
 
[...]
 
Todo mundo idolatrava
Pinxinguinha – obra-prima
Jusça, Cratô, Chagas Freitas,
Lacerda e Negrão de Lima.
Bittencourt, Arnaldo Guinle,
Sobra amiga a sobra rima.
 
Pixinguinha, o negro amado
morreu sem soltar um grito,
no Céu deve estar regendo
o "Carinhoso" - um bendito -
e talvez até causando
ciúme a São Benedito.
 
Encerro aqui meu trabalho
Dedico a Pixinguinha
Imortal como maestro
Glória que o Céu apadrinha
Artista que se fez santo
Rei do choro e da modinha
 
Deixa canções luminares
morre à luz dos altares
 
Até no fim foi batuta
Líder de notas e sons
Expiando como um justo
Nomeio das orações
Cantor de "Rosa" e "Lamento"
Autor de enorme talento
Rei do choro e das canções.

(ALENCAR, 1982, grifo nosso)

FONTES CONSULTADAS

ALENCAR, Edigar de. Claridade e sombra na música do povo. Rio de Janeiro: F. Alves; Brasília: INL, 1984.

ALENCAR, Edigar de. Vida e morte gloriosa do grande músico negro Pixinguinha. Juazeiro do Norte: Gráfica Mascote, 1982. 18 p.

ALENCAR, Edigar de. A modinha cearense. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1967. 

EDIGAR Alencar. In: DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira, [20–]. Disponível em: <https://bit.ly/2DQCsKb>.Acesso em: 21 ago. 2017.

HORTENCIO, Luciano. O cearense Edigar de Alencar e a entrevista histórica feita por Miguel Nirez. [S.l. : s.n.]. In: Jornal GGN. 3 set. 2014. Disponível em:<https://bit.ly/2DNBAGx>. Acesso em: 21 ago. 2017.

MONTEIRO, Bianca Mucha Cruz. Edigar de Alencar e o conhecimento histórico: a construção de uma memória sobre o samba, a vida e a obra de Sinhô. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 26., 2011, São Paulo. Anais… São Paulo: ANPUH, 2011.

MORAES, José Geraldo Vinci de. Edigar de Alencar e a escrita histórica da músicapopular. Cadernos de Pesquisa do CDHIS, v. 24, n. 2, 2011.

Poeta Cárlisson Borges Tenório Galdino – Síntese biográfica

No dia 24 de abril de 1981 nascia o poeta alagoano Cárlisson Borges Tenório Galdino. Natural de Arapiraca, ele é membro efetivo da Academia Arapiraquense de Letras e Artes (ACALA), ocupando a cadeira 36, cujo patrono é João Ribeiro Lima (CADEIRAS, 2015; CÁRLISSON [2009?]; CÁRLISSON [20–]).

Filho do casal deprofessores Cícero Galdino dos Santos e Eunice Maria Borges Tenório Galdino,Cárlisson iniciou no universo cordelista com o trabalho Cordel do SoftwareLivre (CADEIRAS, 2015; CÁRLISSON [2009?]; CÁRLISSON [20–]).

[...]
 Começaram a escrever
Programas de um novo jeito
E aquele código-fonte
De novo é nosso direito
Permitindo qualquer uso
E toda forma de estudo
Tudo que queira ser feito
 
Mais e mais programadores
Essa idéia apoiaram
E o resultado disso
É maior do que esperavam
Tantos programas perfeitos
São por tanta gente feitos
De todo canto ajudaram
 
Programas feitos assim
Que nos deixam os mudar
Se chamam Softwares Livres
Mas há algo a acrescentar
Eles deixam ter mudança
Mas exigem por herança
Tais direitos repassar
 
Assim se eu uso um programa
Que me é interessante
Posso copiar pra você
Eles deixam, não se espante!
Eu posso modificar
E você,se desejar.
Podemos passar adiante
 
Pra nossa felicidade,
Há tanto programa assim
Que nem dá pra ver direito
Onde é o começo e o fim
Da lista de Softwares Livres
E há muita gente que vive
Com Software Livre sim
 
É Firefox, é Linux
É OpenOffice, é Apache
Pra programação, pra rede
Pra o que se procure, ache
Pra desenho, escritório
Para jogos, relatório
Pro que for, há um que se encaixe
 
E você,se não conhece
Não sabe o que tá perdendo
A chance de viver livre
Ouça oque estou lhe dizendo
Software Livre é forte
No Brasil, já é um Norte
Basta olhar, já estamos vendo
 [...]

(GALDINO, 2006)

O irmão mais velho de Cleberson, Evelyn e Ellen, foi um leitor precoce, pois aos 8 anos leu a coleção de Monteiro Lobato. Se há relação entre leitura e produção textual, o leitor ávido passou a escritor. Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Alagoas (1998) e pós-graduado em Produção de Software com Ênfase em Software Livre pela Universidade Federal de Lavras, desde que conheceu o movimento social do software livre, passou a defendê-lo e divulgá-lo (CADEIRAS, 2015; CÁRLISSON [2009?]; CÁRLISSON [20–]). Conectado com o espaço virtual, o poeta disponibiliza sua produção em seu site: www.carlissongaldino.com.br, onde é possível encontrar 33 cordéis. A sua produção digital de diversos gêneros está disponível gratuitamente na livraria virtual (LIVROS …, 2006).

Em 2011, concedeu entrevista ao site de notícias da Universidade Federal de Alagoas, onde se graduou e hoje é servidor. Ao conversar com o jornalista Jhonathan Pino, sintetizou seus interesses e produção artística, citando Antônio Francisco como cordelista inspirador. Disse ele:

Minhas obras abordam vários mundos. Sempre gostei de criar e
terminei criando vários mundos. Em alguns, iniciei uma formalização
como ambientação para RPG. É o caso de Ases, que é uma
ambientação contemporânea, mas com a volta da magia e dos deuses à
Terra. Na poesia, gosto muito da forma: métrica e ritmo,
principalmente. Por isso gostava tanto de clássicos (principalmente os
sonetos de Camões), de Castro Alves... Agora voltado para o cordel,
terminei me tornando fã do potiguar Antônio Francisco, que tive
oportunidade de conhecer ano passado.

FONTES CONSULTADAS

CADEIRAS.In: ACALA. [S.l. : s.n.], 2015. Disponível em:<http://www.acala.org.br/stories/cadeiras.html>. Acesso em: 14 abri.2017.

CÁRLISSON Galdino. In: Arapiraca legal. [S.l. : s.n.], [2009?]. Disponível em: <https://arapiracalegal.wordpress.com/artistas-arapiraquenses/carlisson-galdino>.Acesso em: 13 abr. 2017.

CÁRLISSON Galdino. In: O nordeste. [S.l. : s.n.], [20–]. Disponível em:<http://www.onordeste.com/portal/carlisson-galdino>. Acesso em: 13 abr.2017.

GALDINO,Cárlisson. Cordel do software livre.In: Cordeis.com. [S.l. : s.n.], 21 maio 2006. Disponível em:<http://www.carlissongaldino.com.br/cordel/cordel-do-software-livre>.Acesso em: 13 abr. 2017.

LIVROS Digitais. In: Cordeis.com. [S.l. : s.n.], 21 maio 2006. Disponível em:<http://www.carlissongaldino.com.br/livros>. Acesso em: 13 abr. 2017.

PINO, Jhonathan. Entre o romance, a poesia e o cordel: servidor se aventura na produção literária. In: Universidade Federal de Alagoas. [S.l. : s.n.], 11 jan. 2011. Disponível em:<http://www.ufal.edu.br/servidor/noticias/2011/01/entre-o-romance-a-poesia-e-o-cordel-servidor-se-aventura-na-producao-literaria>.Acesso em: 14 abr. 2017.

SOBRE Mim: informática e software livre. In: Cordeis.com. [S.l. : s.n.], [20–]. Disponível em: http://www.carlissongaldino.com.br/pagina/sobre-mim. Acesso em: 13 abr. 2017.

Poeta Cândido Simões Canela – Síntese biográfica

Poeta trovador, “cantor da rua”, cordelista e compositor de música popular brasileira, Cândido Simões Canela, que usou o pseudônimo de Espiridião Santa Cruz, é natural de Montes Claros (MG), onde nasceu em 22 de agosto de 1910 e faleceu aos 82 anos, em 7 de março de 1993.  O filho de Antonio Canela e de Luzia Simões Canela viveu toda a infância na fazenda Vargem Grande. O escoteiro e seresteiro participou do movimento revolucionário de 1930 (AZEVEDO, 1978; CENTENÁRIO …,2010).

Membro fundador da Academia Montes-clarense de Letras, ele é citado na obra Literatura Popular do Norte de Minas, de Teófilo de Azevedo, a qual apresenta Cândido Canela como um dos “[…] nomes mais expressivos da genuína literatura informativa, de cordel de Minas Gerais” (1978, p. 17).

À Praça Honorato Alves, mais conhecida como Praça da Santa Casa, Cândido Canela residiu com sua esposa Laurinda Prates de Souza Canela, com quem teve o filho, também poeta, Reivaldo Simões Canela (CÂNDIDO…, 2010; CENTENÁRIO…, 2010).

Frequentou a escola normal sendo o único homem da turma. O pedagogo não realizou o sonho do senhor Antônio Canela que desejava que o filho fosse médico. Mas Cândido foi um comunicador diversificado: radialista, jornalista e editor. Na década de 40, editou o jornal humorístico O Gangorra. Nos anos 50, dirigia e apresentava o programa Alma Cabocla, na ZYD-7, onde também se apresentou com Antônio Rodrigues, com quem formou a dupla caipira Chico Pitomba e Mané Juca. Foi jornalista colaborando por muitos anos na Gazeta do Norte e no Jornal Montes Claros (CENTENÁRIO…, 2010).

Espiridião Santa Cruz escreveu cartas publicadas na Gazeta do Norte, cuja prosa epistolar de um suposto montes-clarense, residente de São Paulo há mais de 30 anos, fez tanto sucesso, que muitos leitores afirmavam ter conhecido Esperidião (CENTENÁRIO…, 2010).

Cândido Canela foi tabelião do Cartório do 1º Ofício por quase 50 anos e vereador por dois mandatos de Montes Claros (CÂNDIDO …, [20–]; CENTENÁRIO …, 2010).

Humanista, representou as virtudes, como a honestidade, por meio da vida simples do homem do campo. Seus muitos poemas foram musicados pelo amigo e admirador Teófilo de Azevedo Filho, a exemplo de Saracurinha Três Potes e Ternos Pingos de Saudade. Com este último, foi vencedor, em primeiro lugar geral por melhor melodia, letra e interpretação, no I Festival de Música Sertaneja (1978) promovido pela Rádio Record de São Paulo. A primeira composição foi gravada pelas duplas caipiras Tonico e Tinoco e Pena Branca e Xavantinho (CÂNDIDO …, [20–]; CENTENÁRIO …, 2010).

Azevedo cita o escritor Nelson Viana que assim qualificou Cândido Canela: “É notável contista, cronista e poeta, filiado à escola de Catulo da Paixão Cearense” (AZEVEDO, 1978, p. 18). Aborda a cultura popular em seus contos, causos e versos. Registrou escassez da energia elétrica em Montes Claros, agravada pela falta de chuvas em 1953, quando no mês de julho as águas do Rio Santa Marte baixaram:

E pode quem quiser chamar-me louco,
Mas a falta de luz me faz contente.
De que serve outra luz senão alua,
Se vivo meu passado no presente?
 
De que serve outro céu senão aquele
Que cantei, quando moço,apaixonado?
De que serve outro céu senão aquele
De estrelas loiras todo pontilhado?
[…]
(AZEVEDO, 1978, p. 107)

Autor de Lírica e Humor do Sertão (1952) e Rebenta Boi (1958)

LÍRICA E HUMOR DO SERTÃO

Morena, bela, iscuta estes meus versos,
ouve, Cabocla, esta triste canção,
qu'eu iscrivi com a pena da sodade
e com a tinta roxa da paixão.

Inda se alembro da premera vez
qu'eu te incontrei na Igreja da Maiada,
inté pensei qui fosse a Virge Santa
quitava cá imbaxo ajueiada.

E foi ali, Caboca feiticera,
eu ti oiei, vancê tomém me oiou.
E nest'ora ganhei seu coração,
meu coração vancê tomem ganhou.

Nós dois se amemo quatro ano afio,
nesta fazenda, aqui neste Sertão,
inté que um dia de infilicidade
trouxe pra nós triste disilusão.

E como a Pomba Juriti sodosa,
qui o caçadô matou s cumpanhera
varei o mundo a fora sem distino,
quage trint'ano quage a vida intera.

Sufri na Terra grandes disventura,
ai sempre percurando sempre tiisquecê,
mais cada dia e noite qui passava
mais eu quiria vortá pra vancê.

Aqui cheguei, Morena, nesta Terra,
Já tô de vorta, aqui neste Sertão,
véio acabado, fraco e sem dinhêro,
mais tenho novo ainda o coração.

Mais se vancê, Morena, inda quisé,
este caboco véio e sem valia,
abre esta porta e vem me abraçá,
pois eu ti quero mais do quiria.

E ela uviu estes meus versos triste
Esta viola, esta triste canção.
Abriu a porta e veio me abraçá,
e junto ao meu botou seu coração.

(CÂNDIDO..., 2010)
 
 REBENTA BOI

O amor qui a gente teve
de moço fica guardado
pra toda vida no peito,
cum sete chaves trancado.

Sodade, frô da lembrança
matrera recordação,
qui todo mundo curtiva,
no vaso do coração.

O amor é qui nem pinga
que a gente mesmo lambica
quanto mais o tempo passa,
mais gostosa a pinga fica.

Não chore as ruga da face
o tempo é justo, ele é franco
consola com meu cabelo
todo pintado de branco.

(CÂNDIDO..., 2010)

FONTES CONSULTADAS

AZEVEDO, Téo. Literatura popular do norte de minas: a arte de jogar versos. São Paulo, SP: Globo, 1978. 128 p.

CÂNDIDO Canela – Poemas. [S.l. : s.n.]. In: Descortinando as letras. 28 jul. 2010.Disponível em: <http://descortinandoasletras.blogspot.com.br/2010/07/candido-canela-poemas.html>.Acesso em: 27 set. 2017.

CÂNDIDO Canela. [S.l. : s.n.]. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.  [20–]. Disponível em:<http://dicionariompb.com.br/candido-canela>. Acesso em: 27 set. 2017.

CENTENÁRIO de Cândido Canela. [S.l.: s.n.]. In: Descortinando as letras. 28 jul. 2010.Disponível em:<http://descortinandoasletras.blogspot.com.br/2010/07/centenario-de-candido-canela.html>.Acesso em: 27 set. 2017.

Poeta Cairo Pereira – Síntese biográfica

Poeta paulistano, do bairro do Ipiranga, nasceu no dia 20 de junho 1980. Artista de talento plural vive em Poá no estado de São Paulo. Possui nove livros inéditos de poesia e dois romances eróticos. Não só já publicou seus poemas (Antologia Poética e no Boletim Salesiano, 2005), como foi premiado em terceira colocação no concurso de Ferraz de Vasconcelos (SP), realizado em 2003 (CAIRO …, 2009). Cairo Pereira navega na realidade virtual razão pela qual mantém seu próprio blog intitulado Com Sabor de Trufas, espaço onde expressa sua verve poética. Lá podemos ler Trova sobre Cachaça:

Se me der uma cachaça
tem que ser pinga da boa
que me faz sentir o massa,
que alegra toda pessoa.

(PEREIRA, 2016)

Cairo aponta uma amiga como incentivadora para produções poéticas, pois começou a escrever poemas ainda na adolescência, com 15 anos, quando a amiga leitora afirmou que deveria produzir mais poemas, pois havia gostado do que ele havia escrito (PEREIRA, [20–]). O artista heterônimo adotou mais duas personalidades, Mênfis Silva e Zé Roliço. Mênfis é o poeta erótico, crítico dos relacionamentos e poetizando sobre os vários tipos de amor: pérfido, puro, dionisíaco insano, etc. Impassível diante de traições e uma figura dramática dos romances eróticos: Mênfis e Mênfis entre a Utopia e a Realidade.

A verve poética popular de Cairo está presente na segunda personagem, Zé Roliço, poeta popular nordestino, crítico dos dispoetas, caçoando desses por meio do cordel (PEREIRA, [20–]).

O cordelista Cairo Pereiradisponibiliza muitas das suas produções populares no site Recanto das Letras, ondemos podemos apreciar sua Homenagem aos Cordelistas e ao Cordel e De Cordelista para Trovadora.

Homenagem aos Cordelistas e ao Cordel
 
O texto sobre o matuto
que escreve como se fala
é o cordel: valia opala!
Será sempre o meu reduto.
É por isso que o fajuto
nunca vai ser como nós
cordelista que na voz
faz tal arte popular
para muitos agradar
e voar como albatroz.

(PEREIRA,2010)
  
De Cordelista para Trovadora
 
No momento minha mana
eu virei um repentista:
tô contando a minha vida
mesmo sem ser colunista
e não ser nem afamado
em jornal ou em revista.
 
Eu não sei se é compromisso,
se é esta dor que aperta o peito,
ou sou eu que  sou poeta
por falar, pois, deste jeito
eu espero, juro, mana
que o porvir seja perfeito.
[…]

(PEREIRA, 2011)

FONTES CONSULTADAS

CAIRO Pereira. In: Balcão d’Arte. [S.l. : s.n.],[20–]. Disponível em: <http://www.balcaodarte.com.br/p/o-que-e.html>. Acesso em: 23 abr.2017.

PEREIRA, Cairo. De cordelista para trovadora.In: Recanto das letras. [S.l. : s.n.], 28 jan. 2011. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br/cordel/2758475>. Acesso em: 23 abr.2017.

PEREIRA, Cairo. Homenagem aos cordelistas e ao cordel. In: Recanto das letras. [S.l. : s.n.], 07 fev. 2010. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br/cordel>. Acesso em: 23 abr.2017.

PEREIRA, Cairo. Soneto braços e aletas. In: Balcão d’Arte. [S.l. :s.n.], 7 jan. 2009. Disponível em:<http://www.balcaodarte.com.br/2015/07/soneto-bracos-e-aletas-por-cairo-pereira.html?m=0>.Acesso em: 23 abr. 2017.

PEREIRA,Cairo. Trova sobre cachaça. In:______. Com sabor de frutas. [S.l. : s.n.], 6 jun. 2016. Disponível em:<http://comsabordetrufas.blogspot.com.br/2016/06/trova-sobre-cachaca.html>.Acesso em: 23 abr. 2017.

PEREIRA, Ciro. Cairo Pereira: perfil. In: Recanto das letras. [S.l. : s.n.], [20–]. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=53126>. Acesso em: 23abr. 2017.

Poeta Bráulio Bessa Uchoa – Síntese biográfica

Bráulio Bessa Uchoa, o embaixador do Nordeste, nasceu em Alto Santo (CE). Cordelista que ficou popular após postagens na web declamando seus versos (BRÁULIO…, [21–]).

Bráulio Bessa, como é mais conhecido, é um analista de sistema e poeta declamador, que lançou, em 2012, a fanpage Nação Nordestina para divulgar a cultura nordestina, alcançando um grande sucesso a julgar pelo número de seguidores que ultrapassou um milhão. Seu trabalho fortalece a identidade cultural nordestina e a auto identidade do seu povo ao manifestar contexto e traços regionais presentes em cada nordestino(BRÁULIO…, [21–]).

Com tanto sucesso, passou a apresentar o quadro Poesia com Rapadura no programa televisivo Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, empresa a que presta consultoria de cultura nordestina. Seu quadro deu nome ao livro lançado em 2017 pela editora CENE (BESSA, [21–]; BRÁULIO…, [21–]).

Na entrevista publicada no portal G1, pela TV Gazeta de Alagoas, por ocasião da realização da Bienal do Livro de Alagoas, quando Bessa conversava com o poeta alagoano Hugo Novaes, afirmou “Não escrevo para impressionar. A literatura de cordel me permite escrever para emocionar” (SANCHES, 2017).

Ainda sobre a literatura de cordel, Bráulio Bessa chamou atenção sobre apercepção equivocada de que o cordel “[…] é poesia muito simples. Pelo contrário, é a modalidade poética mais complexa de se construir, cheia de regras na rima e métrica. E ao mesmo tempo é muito simples na comunicação”(SANCHES, 2017).

FONTES CONSULTADAS

BESSA, Bráulio. Sobre mim. [S.l. :s.n.]. In: BRÁULIO BESSA. [21–]. Disponívelem:<https://www.brauliobessa.com/sobre-mim>. Acesso em: 11 out. 2017.

BRÁULIO BESSA. In: WIKIPÉDIA, aenciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2017. [21–]. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%A1ulio_Bessa>.Acesso em: 15 set. 2017.

SANCHES, Carolina. Literatura de Cordel me permite escrever para emocionar’, destaca Bráulio Bessa na Bienal de Alagoas. G1, 2 out. 2017. Disponível em:<https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/literatura-de-cordel-me-permite-escrever-para-emocionar-destaca-braulio-bessa-na-bienal-de-alagoas.ghtm>.Acesso em: 11 out. 2017.

Poeta Bosquim Martins – Síntese biográfica

O poeta Bosquim Martinsnasceu no estado do Rio Grande do Norte.

Em sua obra, “Política e mortadela só dão desgosto e azia”, ele observa que:

Política é um caso sério
Na verdade um caso hilário
É um conto do vigário
Salpicado de mistério
Mas termina em adultério
Sob a luz clara do dia
Se fosse boa eu diria
Mas não se engane com ela
Política e mortadela
Só dão desgosto e azia.

FONTES CONSULTADAS

MARTINS, Bosquim. Cordel. In: RECANTO das letras. [S.l. : s.n.], [2011]. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br>.Acesso em: Acesso em: 9 mar. 2017.

MARTINS, Bosquim. Perfil. In: RECANTO das letras. [S.l. : s.n.], [2011]. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br>. Acesso em: 9 mar. 2017.

MARTINS, Bosquim. Política e mortadela só dão desgosto e azia. In: RECANTO das letras.[S.l. : s.n.], [2015]. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br/cordel>. Acesso em: 9 mar.2017.

Poetisa Benedita Silva de Azevedo – Síntese biográfica

Escritora, poetisa, cordelista, haicaísta e ativista cultural, Benedita Silva de Azevedo é natural do município de Itapecuru-Mirim(MA) que possui a Praça da Biblioteca, próxima à Igreja Matriz.  Nasceu no mês mariano, precisamente no dia 10 do ano de 1944 (AZEVEDO, [20–], BENEDITA … [2014?]).

Benedita Azevedo é filha do dono de engenho Euzébio Alberto da Silva e Rosenda Matos da Silva. Formada em Letras, especialista em Educação e pós-graduada em Linguística. Residiu nas cidades de São Paulo (SP), Blumenau (SC), Itajaí (SC), indo para o Rio de Janeiro em 1987 e fixando-se na Praia do Anil, Magé (RJ) desde 1989.  Em 2003, recebeu o título de cidadã mageense (AZEVEDO, [20–], BENEDITA … [2014?]).

Em razão de sua produção literária e de seu reconhecimento como poeta, Benedita Azevedo tornou-se membro de diversas Academias, demarcando seu nome na imortalidade literária. Tem assento nas Academias: Pan-Americana de Letras e Artes (APALA), Ciências, Letras e Artes de Magé (ACLAM), Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), Ciências, Letras e Artes Lusófonas (ACLAL), Mageense de Letras (AML), Academia de Letras e Artes de Castro (ALAC), Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE), Academia Internacional de Heráldica (AIH), Letras, Artes e Ciências Brasil (ALACIB), Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias (ABEPL), (AZEVEDO, [20–];BENEDITA … [2014?]), entre outras instituições de características e finalidades semelhantes.

Como haicaísta, ganhou diversos prêmios, sendo um em primeiro lugar, da V Edição do Concurso Nacional de Haicai Caminho das Águas, em Santos (SP), no ano de 2011 e outras premiações no campo literário (AZEVEDO, [20–], BENEDITA … [2014?]).

Envolvidacom várias publicações, sendo que das 51 publicações, 26 são individuais, 2 emparceria com escritores, além das 23 antologias organizadas (AZEVEDO, [20–],BENEDITA … [2014?]).

FONTES CONSULTADAS

AZEVEDO, Benedita. Perfil.[S.l. : s.n.]. In: Recanto das Letras. [20–]. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br>. Acesso em: 19ago. 2017.

BENEDITA Silva deAzevedo. [S.l. : s.n.]. In: Falando de trova. [2014?]. Disponível em:<http://www.falandodetrova.com.br/beneditaazevedo>. Acesso em: 19 ago.2017.

Poeta Augusto Laurindo Alves – Síntese biográfica

Augusto Laurindo Alves usava o codinome de Trovador Cotinguiba ou apenas Cotinguiba. Natural de Propriá (SE), nasceu a 5 de fevereiro de 1903 e seus pais se chamavam Manuel Laurindo Alves e Galdina Pinheiro Alves e residiam à Praça da Bandeira, 47 (LITERATURA …, 1986).

O Trovador Cotinguibaobteve o 98º lugar, com menção especial, no concurso realizado para homenagearo poeta, músico e compositor Catulo da Paixão Cearense, que compôs em parceriacom João Pernambuco (1914) a famosa canção Luardo Sertão. O resultado do concurso foi publicado em 12 de março de 1973, emSalvador, com responsabilidade editorial de Rodolfo Coelho Cavalcante,publicado com 100 glosas dos poetas concorrentes, com o mote:

Catullo nasceu brilhando
Como o "Luar do Sertão".

Assim glosouCotinguiba:

Arranquei no meu roçado
Do bisaco de repente
Uma rima consciente,
Alegria do meu fado ...
Do mote cadenciado
Para enaltecer PAIXÃO
Com a melhor convicção
Vou sair assim cantando:
Catullo nasceu brilhando
Como o "Luar do Sertão".

(ALVES, 1976)

Nos dados biográficosregistrados na contracapa de Alves (1976), podemos ler:

Possuidor de físico avantajado, jamais se furtou a trabalhos pesados;
dedicou-se também a vários ramos de comércio e atualmente, em sua
cidade natal, fabrica doces e exerce outras atividades. Poeta lírico e é
autor de inúmeros sonetos e de poemas sobre vários assuntos, entre os
quais se destaca O Rio São Francisco. Em prosa, escreveu Átomos de
minha vida, além de muitos cordéis.

O autor de Ímpetos do realismo (1962) escreveu ocordel Tubiba, o desordeiro e A mulher de Tubiba, o desordeiro:

TUBIBA, O DESORDEIRO
 
Tubiba nasceu falando,
Num dia de sexta-feira,
Com dez dias caminhou -
Assim me disse a parteira.
Com sete anos de idade,
Chegava em qualquer cidade,
Desmanchava qualquer feira.
 
O seu pai era um ferreiro,
Chamado Manoel Simão,
A mãe dele se chamava
Dona Francisca Gibão.
Por causa de uma panela,
O Tubiba foi a ela
Pra cortá-la de facão.
 
O pai de Tubiba disse:
- Não posso mais suportar
O destino desse monstro -
Já quis até me matar!
É favor sair de casa,
Se não eu toco-lhe a brasa!
Você tem que se acabar!
(ALVES, 1976, p. 3)
 
A MULHER DE TUBIBA, O DESORDEIRO
 
Na história de Tubiba,
Por um engano qualquer,
O escritor se esqueceu
De contar no seu mister
Como, em batalha medonha,
Tubiba encontrou Pitonha,
Para ser sua mulher.
 
Tubiba sempre dizia,
Que mulher era um enguiço -
Assim, tantas encontrasse,
Como ia dando sumiço.
Um dia caiu na vaia,
Porque encontrou a saia
Que quebrou o seu feitiço.
 
A mulher sempre aparece
Na vida do cangaceiro,
Como Pitonha, que veio
Acompanhando o roteiro
De uma existência sofrida,
Para figurar na vida
De Tubiba, o desordeiro.
 
Das mulheres que já vi,
Essa foi a mais danada!
Um dia, pegou a mãe
Para matá-la enforcada.
Como nada conseguiu,
Deixou a velha e fugiu
Pelo mundo, esfarrapada.
 
(ALVES, 1976, p. 3)

FONTES CONSULTADAS

ALVES, Augusto Laurindo, 1903. Átomos de minha vida. Propriá: Imp. Guarani, 1956.

ALVES, Augusto Laurindo. Ímpetos do realismo. Propriá: [s.n.], 1962.

ALVES, Augusto Laurindo. Lampião, o maior dos bandoleiros = Lampião, o maior dos bandoleiros.Propriá: Augusto Laurindo, [196-?].

ALVES, Augusto Laurindo. Tubiba, o desordeiro: A mulher de Tubiba, o desordeiro: A rainha que quis desfazer no que Deus fez. São Paulo: Luzeiro, 1976. 32 p. : 141 estrofes : sextilhas : 7 sílabas. (Coleção Luzeiro).

LITERATURApopular em verso: antologia. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed.Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. (Coleção reconquiste o Brasil. Nova série; v. 95).

Poeta Antônio Sena Alencar – Síntese biográfica

Natural de Assaré (CE), Antônio Sena Alencar nasceu em 28 de outubro de 1928. Filho de poeta, José Sena Alencar e de Dona Ana Maria Alencar, o cordelista Antônio Sena Alencar deixou a terra natal aos 10 anos, mudando-se para Balsas (MA) onde viveu até os 24 anos. Em 1952, mudou para outro município maranhense – Carolina e no mesmo ano seguiu para o estado de Goiás, onde se radicou. Foi no município de Filadélfia (GO) que Antônio Sena Alencar ingressou no Fisco Estadual. Casou-se com Desirée Souza Sena e teve sete filhos (BATISTA, 1976).

Repentista e cordelista, ele escreveu vários folhetos, todos em Goiás e publicados em São Paulo, pela Editora Prelúdio, a quem vendeu os direitos autorais (de 1959 a 1964) (BATISTA, 1976).

São doseu folheto O casamento do matuto solteirão estas estrofes:

Se o leitor nunca viu
Um palhaço do sertão
Analise este livrinho
Veja bem a sensação
Até é divertido
A vida e o casamento
Do matuto solteirão
 
Num recanto do sertão
Nasceu esse mandioqueiro
Onde criou-se isolado
Muito atrasado e grosseiro
Com vinte anos de idade
Nem tinha ido à cidade
Nem conhecia dinheiro
 
Chama-se Manoel
Nome que o fez cristão
Mas que pouco lhe servia
Este símbolo de ablução
Pois no meio onde vivia
Todo mundo o conhecia
Por matuto solteirão
 
Vivia o pobre matuto
Num casebre solitário
Em companhia da mãe
Sem recurso e sem salário
Ninguém ligava p'raêle
Fazia era troça dêle
No seu papel de otário
[...]
(ALENCAR, [19--?]b)

FONTES CONSULTADAS

ALENCAR, Antônio Sena. João das questões. São Paulo: Prelúdio, [19–?]a. 32 p.

ALENCAR, Antônio Sena. O casamento do matuto solteirão. São Paulo: Prelúdio, [19–?]b. 30 p.

ALENCAR, Antônio Sena. O preguiçoso que fêz pacto com o cão. São Paulo: Prelúdio, c1965. 31 p.

BATISTA, Paulo Nunes. Cordel em Goiás: Terceiro de uma série. Jornal O Popular, Goiânia, 15 fev. 1976. In: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cdu&pagfis=11246>. Acesso em: 21 ago. 2017.