Poeta José Francisco Soares – Síntese biográfica

José Francisco Soares (05/01/1914 – 09/01/1981)

José Francisco Soares ou como ele preferia ser chamado – Zé Soares – nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, em 5 de janeiro de 1914, e faleceu em 9 de janeiro de 1981, em Timbaúba, Pernambuco.

Ainda menino se encantara com os desafios entre violeiros-repentistas, emboladores de coco e com os folhetos de feira que os poetas declamavam. Em 1928, publicou seu primeiro folheto Descrição do Brasil por estados. Fez biscates como agricultor e almocreve e, em 1934, foi para o Rio de Janeiro trabalhar como pedreiro, sem jamais deixar de publicar suas obras. Voltou ao Recife em 1940, quando montou uma banca de folhetos no oitão do Mercado de São José, onde vendia suas obras e as de outros poetas. Nas décadas de 1940 e 1950, publicou grande parte de seus folhetos na Gráfica Medeiros.

Especializou-se no viés jornalístico da literatura de cordel e, podemos afirmar que foi o maior poeta desse gênero no Brasil, daí ter recebido a alcunha de o poeta repórter. Suas obras foram centradas na notícia, pois lia vários jornais diariamente, além de ouvir programas de rádio para manter-se no foco dos principais acontecimentos do município, cidade, estado, país e do mundo, sendo reconhecido como poeta de bancada.

Era perito em identificar notícias que despertavam o interesse de seus leitores e recriá-las na forma poética, produzindo folhetos com uma rapidez nunca vista, para vendê-los enquanto a notícia não caía no esquecimento. Mas José Soares não foi apenas o poeta da notícia. Escreveu folhetos sob a temática do gracejo, histórias de milagres, relatos da vida dos sertanejos e teve uma vasta produção sobre uma de suas grandes paixões – o futebol.

Como torcedor convicto do Santa Cruz Esporte Clube, ele foi testemunha ocular da boa fase vivida pelo clube pernambucano nos anos 60 e 70, registrando com versos os feitos do Mais Querido, como no folheto Chegou o Santa Cruz, a máquina de fazer gols, escrito para comemorar a vitoriosa excursão do Santinha ao Oriente Médio e Europa, em 1979, e que abaixo transcrevemos.

 

 O Santa Cruz no Oriente

bancava e pintava o sete

quem joga a bola quadrada

não entra que se derrete

em todo Oriente Médio

o Santa virou vedete.

Joel sacudia a bola

na cabeça de Pedrinho

Pedrinho deitava a pelota

morta nos pés de Betinho

que jogava na esquerda

para o olé de Joãozinho.

Uma de suas características poéticas era a exímia qualidade de seus textos fosse pelas rimas, métricas e orações. Adotava metáforas que tocavam o coração. Nos últimos anos de sua vida, tinha a saúde bastante abalada, mas não esmorecia na produção de folhetos. O último título publicado foi O incêndio das barracas de fogos em Garanhuns, concluído duas semanas antes de sua morte.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoseSoares/joseSoares_biografia.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

CORDEL de Saia.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2011/05/jose-soares-patrono-ablc.html&gt;>. Acesso em: 25 out. 2014.

SOARES, José Francisco. Introdução e seleção Mark Dinneen. São Paulo: Hedra, 2007.

SOUSA, Manoel Matusalém. Cordel grito do oprimido: uma escola de resistência à Ditadura Militar. 2007. 283 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal da Paraíba, Centro de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, João Pessoa, 2007.

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