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Poeta Expedito Sebastião da Silva – Síntese biográfica

Expedito Sebastião da Silva (20/01/1928 – 08/08/1997)

Expedito Sebastião da Silva nasceu na terra de Padre Cícero, Juazeiro do Norte, Ceará, em 20 de janeiro de 1928, no dia de São Sebastião. Nesta terra tão devota, o poeta nasceu e viveu, até falecer no dia 8 de agosto de 1997. Carvalho (2008, p.70) relata que Expedito ficou órfão muito cedo e foi morar com uma tia que o registrou como filho. Começou a trabalhar, na década de 40, na Tipografia São Francisco de José Bernardo da Silva.

Nesse sentido, além de poeta, foi tipógrafo e revisor da gráfica, tendo assumido, com a morte do seu proprietário, José Bernardo da Silva, a gerência da Tipografia São Francisco, reinaugurada na década de 70 como Literatura de Cordel José Bernardo da Silva e, posteriormente, como Lira Nordestina, permanecendo com esta denominação até os dias atuais.

Viana [20–] descreve que o poeta tem origem camponesa, frequentando escola na qual concluiu a quarta série ginasial, sendo justamente nesse período escolar que Expedito deu os seus primeiros passos na literatura, escrevendo os seus primeiros poemas. Sua escrita despertou o interesse de José Bernardo da Silva, o grande editor de Juazeiro, possibilitando, assim, o seu ingresso na tipografia a convite do proprietário, que estava encantado com ele.

De acordo com Carvalho (2008, p. 70), o fazer poético de Expedito, “surgia da inspiração natural e de uma vontade própria e autodidática na sua forma de escrever. Expedito usa da criatividade, transformando a poesia numa brincadeira de criança através de elementos da comédia e da sátira”.

Seu primeiro folheto, intitulado “A moça que depois de morta dançou em São Paulo”, data de 1948. Nesse período, o poeta e xilógrafo Damásio Paulo da Silva incentivou o jovem Expedito a continuar produzindo (VIANA, [20—]).  Com relação aos apoios e incentivos que Expedito obteve no início de sua carreira poética, Carvalho (2008, p. 70-71) acrescenta, relatando que:

Segundo Expedito no início de sua formação ele teve um grande apoio do poeta Antonio Caetano de Palhares, que segundo ele foi um dos principais incentivadores na produção de uma verve poética na sua vida. Para Expedito, sua inserção no contexto da produção gráfica dos cordéis se deu pelo conhecimento que Antonio de Palhares tinha com José Bernardo da Silva que sempre encomendava e comprava os direitos autorais das histórias produzidas pelo poeta e que foi o responsável por apresentar o jovem poeta ao proprietário da Tipografia São Francisco.

Cuidadoso com a rima e, principalmente, com a métrica, Expedito costumava revisar a obra de outros poetas que imprimiam seus folhetos na “Lira”. Chegou a receber elogios de Patativa do Assaré, que o comparou ao lendário João Martins de Athayde.

Nas suas obras, Expedito expressa um universo social dividido entre o bem e o mal e, no contexto dessa dualidade, o poeta finca seus escritos no imaginário popular característico de uma memória de vida (CARVALHO, 2008).

Viana [20–] menciona que, nos últimos anos de vida, o poeta mostrava-se triste com a decadência da literatura de cordel e da Lira Nordestina, empresa pela qual Expedito dedicou a sua vida. Ele foi parte dela, fez a sua história, contribuiu para erguer ainda mais os seus pilares desde a década de 40. Dentre as obras de sua autoria, destacamos entre elas: A bruxa da meia-noite ou o reino da maldiçãoEstória de Paulino e MadalenaA marcha dos cabeludos e os usos de hoje em diaCalvário de uma mãe (ou o amor de Albertina); A opinião dos romeiros sobre a canonização do Pe. CíceroAs diabruras de Pedro MalazartesEm defesa do Pe. Cícero – o apóstolo do Nordeste; História de São Pedro e o homem orgulhoso, entre outras.

FONTES CONSULTADAS

CARVALHO, R. F. “Cordel, Almanaques e Horóscopos”: e(ru)dição dos folhetos populares em Juazeiro do Norte-CE. (1940 – 1960). 2008. 136 f. Dissertação. (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em História, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2008.

VIANA, A. Grandes cordelistas do passado. Expedito Sebastião da Silva. [Juazeiro do Norte/CE: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel18 .htm>. Acesso em: 13 nov. 2014.

Poeta Evaristo Geraldo da Silva – Síntese biográfica

Evaristo Geraldo da Silva (28/09/1968)

Evaristo Geraldo da Silva nasceu no dia 28 de setembro de 1968, na cidade de Quixadá, interior cearense, filho de uma família de 11 irmãos, em que cinco são poetas. Com Evaristo não poderia ser diferente (HAURÉLIO, 2011).

No ano de 2006, teve o cordel A incrível história da imperatriz Porcina selecionado pela Secretaria da Educação do Estado do Ceará para a biblioteca da EJA – Educação de Jovens e Adultos. Em 2008, o livro João e Maria (Editora IMEPH) foi selecionado pelo PAIC – Programa de Alfabetização na Idade Certa para compor o acervo das bibliotecas escolares.

O poeta fez uma adaptação do clássico A dama das camélias para a linguagem do cordel, pela Editora Nova Alexandria.

Em 2010, obteve novamente o reconhecimento de suas obras com O fogo de Minarã e Rachel de Queiroz – a dama do romance  que foram premiadas no Edital para autores cearenses, na categoria Prêmio Rachel de Queiroz de Literatura Infantil, evento promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

Em 17 de novembro de 2012, ocorreu a X Bienal Internacional do Livro do Ceará, em Fortaleza, na Praça do Cordel, onde foi lançada a Coleção Reinos do Cordel. Entre os cinco livros editados pela Editora Armazém da Cultura, estava o livro intitulado: O Conde Mendigo e a Princesa Orgulhosa, do poeta Evaristo Geraldo da Silva, que remonta um cenário de magia e encantamento, realizando um cruzamento com assuntos da atualidade, da vida real. Esta obra tecida com fios de humor e diversão traz, paralelamente, uma reflexão sobre a maneira como as pessoas lidam com o dinheiro, e sobre quais são as nossas prioridades na vida.

O CONDE MENDIGO E A PRINCESA ORGULHOSA

Que a musa mãe dos poetas

Me cubra de amor e paz

Para narrar uma história

Dos tempos medievais

Recheada de mistérios

Drama e conceitos morais.

 

Já li histórias estranhas

Cheia de gente ruim

De cavaleiro afamado,

Fada, príncipe e Serafim

E aqui transcrevo ao leitor

Um conto dos Irmãos Grimm.

 

Deus não faz acepção

Pois vê todo mundo igual

Rico, pobre, índio ou negro,

Sem distinção social

Quando morrem todos vão

Enfim pro mesmo local.

(p. 1)

[…]

Este cordel, por sua vez, já havia sido publicado no ano de 2006, como segue esta versão acima, foi reeditado e lançado em 2012, compondo assim, a coleção Reinos do Cordel.

Em seus textos e contextos, o poeta cordelista contemporâneo Evaristo Geraldo da Silva escreve em um clima de humor e encantamento, remontando em seus trabalhos possibilidades de reflexões próprias do leitor.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL baiano na X Bienal Internacional do Livro do Ceará. In: Oficina de Cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://oficinadecordel.blogspot.com.br/2012/11/cordel-baiano-da-x-bienal-internacional.html>. Acesso em: 05 nov. 2014.

EVARISTO Geral. In: Giramundo Editora. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoragiramundo.com .br/pag_col_evaristo_geraldo.html>. Acesso em: 20 nov. 2014.

HAURÉLIO, M. Dicionário básico de autores.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 20 out. 2014.

SILVA, E. G. O conde mendigo e a princesa orgulhosa.  Fortaleza: Tupynanquim Editora, 2006.

Poeta Elias Alves de Carvalho – Síntese biográfica

Elias Alves de Carvalho (26/03/1918)

Elias Alves de Carvalho, poeta nascido em 26 de março de 1918 na cidade de Timbaúba, estado de Pernambuco. Nas criações de suas obras literárias, ele foi bastante entusiasta ao contar e encantar apresentando o seu Estado, o seu País. Considerado um artista de múltiplas facetas, além de poeta, era também sanfoneiro emérito, versejador e repentista, envolvendo-nos igualmente com a arte de cantar o repente.

Cantava coco de embolada, mas por problemas na voz foi obrigado a deixar suas canções, passando a dedicar-se aos folhetos, dentre os quais, os mais vendidos foram “O Brasil de Ponta a Ponta” e “Desafio de Mulher” em 1982 (CURRAN, 2014, p. 307).

Além de artista, era também enfermeiro, o que contribuiu diretamente para a criação de uma de suas obras: “O ABC do Corpo Humano – pequeno tratado da anatomia humana”.  Conforme vemos em um de seus trechos a seguir:

 

ABC DO CORPO HUMANO

Pequeno Tratado de Anatomia Humana

 Caro leitor, nesses versos

Farei uma descrição

Referente ao corpo humano,

Sobre aspectos e formação,

Cujo ser é semelhança

Do Autor da Criação

 

Quero descrever do mesmo

As partes mais conhecidas.

Falar das várias matérias

Que estão nele contidas.

E mostrar a estrutura

Sobre as partes divididas.

 

Em cabeça, tronco e membros

É o corpo dividido.

Na cabeça: crânio e face, um ponto bem conhecido.

O crânio tem oito ossos, pelos quais é construído.

 

Temos na frente o frontal,

Parietais e etmóide.

Atrás o occipital.

Temporais e esfenóides.

A ponta do temporal

Chama-se  apófise mastóide.

(p.1)

[…]

A sua atividade como enfermeiro foi desenvolvida no Sanatório Alcides Carneiro, em Correias, na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte de sua vida.

Em sua trajetória poética, desenvolveu também o interesse por questões relacionadas ao cordel, externadas em títulos como “Casa de Cultura São Saruê”, direcionada ao espaço onde funciona a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e “Memória de poetas inesquecíveis”. Em 1948, escreveu o romance “Farrapo do Destino” e só em 1978 publicou “O Congresso dos Poetas e os Atos de um Príncipe”, folheto sobre o 1º Congresso dos Poetas da Literatura de Cordel.

FONTES CONSULTADAS

CURRAN, M. J. Relembrando a velha literatura de cordel e a voz dos poetas. Estados Unidos: Trafford Publishing, 2014.

CARVALHO, E. A. ABC do corpo humano: pequeno tratado de anatomia humana. [S.l.: s.n], 1981.

ELIAS A. de Carvalho. In: Lápis e papel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://cstalapisepapel.blogspot.com.br/ 2011/05/cordelistas.html>. Acesso em: 23 out. 2014.

ELIAS de Carvalho. In: Perfis biográficos.  [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html>.  Acesso em: 23 out. 2014.


Poeta Francisco das Chagas Batista – Síntese biográfica

Francisco das Chagas Batista (05/05/1882 – 26/01/1930)

Pioneiro, membro da primeira geração de poetas populares, o paraibano Francisco das Chagas Batista nasceu na Vila do Teixeira no dia 05 de maio de 1882. Aos 18 anos, comercializava água e lenha, e era estudante na cidade paraibana de Campina Grande; aos 20 anos, produziu seu primeiro folheto intitulado Saudades do sertão (1902). Nos idos de 1905, ele passou a vender folhetos no Recife, além de passar um curto período de tempo no seminário da cidade de Olinda; em seguida, foi trabalhar na ferrovia de Alagoa Grande, Paraíba.

Foi poeta popular, escritor e editor. No ano de 1907, Francisco das Chagas inovou ao rimar o romance polonês Quo Vadis: Powieść z czasów Nerona (1895), escrito por Henryk Sienkiewicz, cujo tema é a perseguição aos cristãos, após o grande incêndio de Roma. Sua passagem no universo literário também incluiu atividades na seara editorial, ocasião em que residia em Guarabira, Paraíba, trabalhando com o editor e irmão Pedro Batista (1909), em Guarabira, Paraíba.

Chagas Batista casou-se com a prima Hugolina Nunes da Costa (1909), que era filha do cantador Ugolino Nunes da Costa. O casal teve 11 filhos. Alguns herdaram a veia artística do pai, como os poetas populares: Paulo, Pedro, Maria das Neves e o folclorista Sebastião Nunes Batista, produtor de obras referenciais do cordel.

Intelectual reconhecido, sua paixão pelos livros o fez adentrar no mercado livreiro em 1911, em João Pessoa (ainda chamada de Paraíba). Dois anos depois, em 1913, fundou a sua Livraria Popular Editora, localizada na Rua da República, n. 65 (depois n. 584).

Ativo e empreendedor, ele foi um dos primeiros editores de cordel e imprimiu produções de muitos poetas populares da época.

Francisco das Chagas Batista morreu jovem, aos 48 anos, em João Pessoa, no dia 26 de janeiro de 1930.

FONTES CONSULTADAS

CHAGAS Batista. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./index.php>. Acesso em: 07 nov. 2014.

CHAGAS Batista. In: O NORDESTE: Enciclopédia Nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste .com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Chagas+Batista>. Acesso em: 07 nov. 2014.

BATISTA, F. C. Biografia. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/FranciscoChagas/franciscoChagas_biografia.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

GASPAR, L. Chagas Batista. [Fundação Joaquim Nabuco s.n., 20?]. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/ pesquisaescolar./index.php?option=com_content&view=article&id=928:chagas-batista&catid=38:letra-c&Itemid=1>. Acesso em: 07 nov. 2014.

Poeta Cícero Vieira da Silva – Síntese biográfica

Cícero Vieira da Silva (31/05/1936  – 11/02/2008)

Nasceu no agreste paraibano, na cidade de Alagoa Nova, aos 31 de maio de 1936 e faleceu aos 72 anos em 11 de fevereiro de 2008, na cidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Iniciou suas aventuras literárias aos 16 anos, no ano de 1952, produzindo, aproximadamente, 30 romances para a Folhetaria Santos, de propriedade de Manoel Camilo, sediada em Campina Grande, Paraíba.

Mocó, como era conhecido Cícero Vieira da Silva, teve trabalhos reconhecidos e premiados.  Aos 22 anos, ele participou do Festival de Poetas Populares de Salvador, Bahia (1958) e ganhou medalha de ouro como o melhor glosador; e aos 48 anos ganhou prêmio no Concurso Leandro Gomes de Barros (1984).

Cícero escreveu O Sabiá da Jurema (2005).

Caros leitores e ouvintes
Vejam aqui este senhor.
Eu me chamo Sabiá,
O poeta sonhador
E ainda acredito
No homem que Deus criou.
Por estar acreditando
Venho a sua moradia
Também lhe peço atenção
Nesta minha poesia
E logo, logo saberão
De muitas coisas de valia.

[…]

Porque, como todos sabem,
Respeitar é uma missão
E o homem pra crescer
Precisa ser cidadão
Construindo e respeitando
Do pequeno ao grandalhão.
[…]

FONTES CONSULTADAS

CÍCERO Vieira da Silva. In: EDITORA Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: . Acesso em: 07 nov. 2014.

______. In: HAURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

SILVA, C. V. O sabiá da jurema. Baixio – CE: [s.n.], 2005. Disponível em: <http://www.projetocordel.com.br/autores/ sabiah.htm>. Acesso em: 07 nov. 2014.

Poeta Caetano Cosme da Silva – Síntese biográfica

Caetano Cosme da Silva (25/11/1927 –)

Nasceu no dia 25 de novembro de 1927, em Nazaré da Mata, Pernambuco, capital estadual dos Maracatus, que é mais que uma música e/ou dança folclórica pernambucana afro-brasileira, mas uma tradição transmitida de geração em geração, onde os “passos e as cores perpassam uma aculturação milenar da história da região” (WIKIPÉDIA, 2014).

Foi poeta e editor e exerceu a atividade de mangaieiro em Campina Grande, Paraíba, onde mantinha uma banca de raízes e ervas medicinal.

Nos perfis biográficos disponibilizados em sites, como da Editora Luzeiro, Casa de Rui Barbosa e Cordel Atemporal, localizamos a informação de que este pernambucano residiu em Paudalho, Pernambuco e Itabaiana, Sergipe, antes de se fixar na cidade que sedia o Maior São João do Mundo (Campina Grande) em 1976, porém Oliveira afirma que residiu na Itabaiana da Paraíba, onde “havia também duas outras tipografias, […] outra, destinada exclusivamente à produção de folhetos, que era de propriedade do cordelista Caetano Cosme da Silva, situada no alto da Rua Treze de Maio, a popular Rua do Carretel” (2008, p. 5). A Folheteria São Caetano foi fundada em 1966.

As histórias dramáticas de Caetano podem ser apreciadas nas suas histórias inventivas, como O assassino da honra ou a louca do jardim.

 

Vinde musa mensageira

Do reino de Eloim

Traz a pena de Apolo

E escreve aqui por mim

O Assassino da Honra

Ou a Louca do Jardim

Esta história é um exemplo

Pra qualquer mulher casada

Que respeita seu marido

E deseja ser honrada

Que para quem não tem honra

A honra não vale nada. […]

 

Sendo um dos cordéis mais reeditados junto com O pavão misterioso (1920) de autoria de José Camelo de Melo, O assassino da honra ou a louca do jardim foi a primeira adaptação de textos literários para o projeto A presa da serpente, realizado em São Paulo. O poeta passou a apresentar montagens de textos representativos de uma época e lugar (CORDEL chega …, 2011).

FONTES CONSULTADAS

CAETANO Cosme da Silva: biografias de poetas. [S.l.]: Ed. Luzeiro, [20?]. Disponível em: <http://www.editora luzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 06 nov. 2014.

CAETANO Cosme da Silva. In: HAURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

CAETANO Cosme da Silva: perfis biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/ janela_perfis.html>. Acesso em: 06 nov. 2014.

CORDEL chega ao palco para estudantes. São Paulo: O Estadão, 2011. Disponível em: <http://cultura.estadao. com.br/noticias/geral,cordel-chega-ao-palco-para-os-estudantes,20010202p6786>. Acesso em: 07 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Nazaré da Mata. In:  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/ wiki/Nazar%C3%A9_da_Mata>. Acesso em: 07 nov. 2014.

OLIVEIRA, G. X. A feira de Itabaiana e o cordel. In: ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA, 4., 2008, Vitória da Conquista. Anais… Vitória da Conquista, BA: [S.n.], 2008.

SILVA, C. C. O assassino da hora ou A louca do jardim. In: TATARITARITATÁ: literatura de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogdotataritaritata.blogspot.com. br/2008/08/literatura-de-cordel.html>. Acesso em: 07 nov. 2014.

 

Poeta Antônio Gonçalves da Silva – Síntese biográfica

Antônio Gonçalves da Silva (05/03/1909 – 08/07/2002)

PATATIVA DO ASSARÉ, pseudônimo de Antônio Gonçalves da Silva, poeta popular e cantador repentista de viola nordestino, nascido em Serra de Santana, pequena propriedade rural, a três léguas da cidade de Assaré, no sul do Ceará, considerado um dos mais significativos poetas populares brasileiros, cuja característica era a forma fluida de versificação límpida sobre temas que retratavam o homem sertanejo e a luta pela vida no árido universo da caatinga nordestina. A política também era tema de seus versos. Durante o regime militar, criticou as ações militares sendo perseguido. Participou da campanha das Diretas Já, publicando em 1984 o poema “Inleição Direta 84”. Sua produção foi registrada em cordel, discos e livros.

Sua literatura, especialmente as produzidas no formato de livros, foi traduzida para vários idiomas tornando-se tema de estudo na Universidade de Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal sob a maestria do Professor Raymond Candel.

Cego do olho direito em razão de uma doença ainda na infância, Patativa frequentou a escola pela primeira vez aos doze anos, durante apenas quatro meses. Autodidata, aprendeu a ler e a escrever despertando sua paixão pela poesia. Seus primeiros escritos surgem por diversão nas brincadeiras das festas juninas para alegria dos vizinhos, com temáticas que abordavam o testamento de Judas, gozação aos preguiçosos, entre outros temas; todos voltados à realidade local.

Aos 16 anos, com recursos oriundos de seu trabalho como agricultor, ele adquiriu a primeira viola e começou a cantar de improviso. Rumou para o Pará em companhia de um parente José Alexandre Montoril, que lá morava, aos 20 anos de idade onde passou cinco meses de sucesso como cantador. De volta ao Ceará, regressou à sua terra natal voltando à vida de pobre agricultor alentada por sua verve de cantador. Casou-se com uma parenta, D. Belinha, com quem teve nove filhos. Sua projeção no Brasil teve início a partir da gravação de Triste Partida (1964), toada de retirante de sua autoria gravada por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

Antes, porém, teve folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais e publicou “Inspiração Nordestina” (1956) e “Cantos de Patativa” (1966).

Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados em Patativa do Assaré (1970). Gravou seu primeiro LP “Poemas e Canções” (1979): uma produção do cantor e compositor cearense Fagner. Apresentou-se com o cantor Fagner no Festival de Verão do Guarujá (1981), período em que gravou seu segundo LP “A Terra é Naturá”, lançado também pela CBS. A política também foi tema da obra e de sua vida. Durante o regime militar, ele condenava os militares e chegou a ser perseguido.

Ao completar 85 anos foi homenageado com o “LP Patativa do Assaré – 85 Anos de Poesia” (1994), com a participação das duplas de repentistas Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio e Otacílio Batista e Oliveira de Panelas, os dois últimos paraibanos.

Quase sem audição e cego desde o final dos anos 90, o grande e modesto poeta brasileiro, com apenas um metro e meio de altura, faleceu em sua casa no dia 08 de julho de 2002, em Assaré, interior do Ceará, aos 93 anos, após falência múltipla dos órgãos.

Seus poemas continuam vivos na realidade nordestina, como se pode ver nos versos que seguem:

Arte Matuta

 Eu nasci ouvindo os cantos

das aves de minha serra

e vendo os belos encantos

que a mata bonita encerra

foi ali que eu fui crescendo

fui vendo e fui aprendendo

no livro da natureza

onde Deus é mais visível

o coração mais sensível

e a vida tem mais pureza.

 

Sem poder fazer escolhas

de livro artificial

estudei nas lindas folhas

do meu livro natural

e, assim, longe da cidade

lendo nessa faculdade

que tem todos os sinais

com esses estudos meus

aprendi amar a Deus

na vida dos animais.

Quando canta o sabiá

Sem nunca ter tido estudo

eu vejo que Deus está

por dentro daquilo tudo

aquele pássaro amado

no seu gorgeio sagrado

nunca uma nota falhou

na sua canção amena

só canta o que Deus ordena

só diz o que Deus mandou.

___________________________

 

O que mais dói

O que mais dói não é sofrer saudade

Do amor querido que se encontra ausente

Nem a lembrança que o coração sente

Dos belos sonhos da primeira idade.

 Não é também a dura crueldade

Do falso amigo, quando engana a gente,

Nem os martírios de uma dor latente,

Quando a moléstia o nosso corpo invade.

O que mais dói e o peito nos oprime,

E nos revolta mais que o próprio crime,

Não é perder da posição um grau.

É ver os votos de um país inteiro,

Desde o praciano ao camponês roceiro,

Pra eleger um presidente mau.

____________________________________________

Vaca Estrela e Boi Fubá (poema musicado por Fagner)

 

Seu dotô me dê licença

Pra minha história conta

Hoje eu tô na terra estranha

E é bem triste o meu pená

Mas já fui muito feliz

Vvendo no meiu lugá

Eu tinha cavalo bom

Gostava de campeã

E todo dia aboiava

Na porteira do currá.

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Eu sou fio do nordeste

Não nego o meu naturá

Mas uma seca medonha

Me tangeu de lápra cá

Lá eu tinha o meu gadinho

Não é bom nem imaginá

Minha linda vaca Estrela

E o meu belo boi Fubá

Quando era de tardezinha

Eu começava a aboiá

 

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Aquela seca medonha

Fez tudo se trapaiá

Não nasceu capim no campo

Para o gado sustenta

O sertão esturricô, fez os açude secá

Morreu minha vaca Estrela

Se acabou meu boi Fubá

Perdi tudo quanto eu tinha

Nunca mais pude aboiá

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Hoje nas terra do sul

Longe do torrão natá

Quando eu vejo em minha frente

Uma boiada passa

As água corre dos oios

Começo logo a chorá

Lembro minha vaca Estrela

E o meu lindo boi Fubá

Com sodade do nordeste

Dá vontade de aboiá

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

 

 

 

FILMOGRAFIA

Patativa de Assaré: um poeta camponês, curta-metragem documentário, Fortaleza, Brasil (1979).

Patativa do Assaré, um poeta do povo, curta-metragem documentário, Fortaleza, Brasil (1984).

DISCOGRAFIA

Luiz Gonzaga– Triste Partida – 1964.

Raimundo Fagner – “Manera Fru-Fru”, 1972 (faixa Sina), parceria com Fagner e Ricardo Bezerra.

Patativa do Assaré – Poemas e Canções, 1979.

Raimundo Fagner – “Raimundo Fagner” 1980 (faixa Vaca Estrela e Boi Fubá).

Quinteto Agreste – (Seu dotô me conhece) – Compacto em vinil com a música vencedora do 1 Festival Credimus da Canção, parceria de Patativa do Assaré com Mário Mesquita, 1980.

Massafeira Livre. Patativa do Assaré, disco 1, lado B (faixa “Senhor Doutor”), gravado ao vivo no Theatro José de Alencar, em 1979. lançado pela CBS, 1980.

Patativa do Assaré – “A Terra é Naturá”, produção de Raimundo Fagner. Gravadora CBS, 1981.

Som Brasil – Participação de Patativa do Assaré, gravada ao vivo no Programa Som Brasil, dia 30 de novembro de 1981.

Quinteto Agreste – “Quinteto Agreste” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).

 Patativa do Assaré – “Patativa do Assaré”, 1985 (Projeto Cultural do BEC).

Criação coletiva – “Seca D’Água”, 1985, a partir de poema de Patativa, interpetada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção de Fagner.

Alcymar Monteiro – “Rosa dos Ventos”, 1987 (faixa “Sofreu”).

Patativa do Assaré – “Canto Nordestino”, Produzido por Rosemberg Cariry, 1989.

Patativa do Assaré – “80 anos de Luz”, 1989.

Joãozinho do Exu – “Lembrando você”, 1983 (faixa – “A natureza chora”).

 Patativa do Assaré – “85 anos de poesia”, 1994.

José Fábio – “José Fábio”, 1994 (faixas “Vaca Estrela e Boi Fubá”, “Menino de Rua”, “Lamento de um nordestino” e “Estrada da minha vida”).

Mastruz com Leite – “O Boi Zebu e as Formigas” 1995 (faixa título).

Sérgio Reis – “Marcando Estrada”, 1995 (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).

Cícero do Assaré – “Meu passarinho meu amor”, 1996 (faixas “Meu passarinho meu amor” e “Lamento de um nordestino”).

Mastruz com Leite – “Em todo canto tem cearense, inclusive neste cd” (faixa “Sem Terra”). Fortaleza.

Fagner – “20 Super Sucessos II” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).

Pena Branca e Xavantinho – “Cio da Terra”, 1996 (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).

Gildário – “Sou Nordestino” (faixas “Saudade”, “Tenha pena de quem tem pena”, “Assaré Querido” e “Sou Nordestino”).

Cláudio Nucci e Nós & Voz – “É boi” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).

Alcymar Monteiro – “3º Circuito de Vaquejadas”, 1997 (faixas “Ingém de Ferro” e “Nordestino sim, nordestino não”).

Renato Texeira e Pena Branca e Xavantinho – “Ao Vivo em Tatuí” (faixa “vaca Estrela e Boi Fubá”).

Gildário – “Agora” (faixas “A tristeza”, “Saudação a Juazeiro”, “Morena e Mastruz com Leite”).

Baby Som – “Quente e Arrochado – volume 2” (faixa “Ao rei do baião”).

Alcymar Monteiro – “Eterno Moleque” (faixa “Minha Viola”).

Daúde – “Daúde”( faixa “Vida Sertaneja”).

Abidoral Jamacaru – “O Peixe”, 1997 (faixa título).

Simone Guimarães – “Cirandeiro”, 1997 (faixa “Sina”).

Cantorias e Cantadores 2 – Pena Branca e Xavantinho (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”). Kuarup Discos, s/d.

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Poeta Antônio Carlos da Silva – Síntese biográfica

Antônio Carlos da Silva (28/09/1966)

Rouxinol do Rinaré é, artisticamente, o nome do cordelista cearense Antônio Carlos da Silva, nascido em Rinaré, Quixadá, Ceará. Poeta cordelista e afeito ao tempo, Rouxinol é capaz de travar uma peleja por meio virtual, construído pela Internet, via correio eletrônico tal como protagonizaram ele e Klevisson Viana.

 

R – Um amigo cartunista

E poeta popular –

(Antonio Klévisson Viana)

Ousou me desafiar…

Navego na Internet

Pra lhe bater de bofete

E ensiná-lo a pelejar!…

 

K – Você quer se pabular,

Pois pensa que é sabido…

Rouxinol do Rinaré

 

R – É pequeno e atrevido,

Teima do começo ao fim:

É igual mulher ruim,

Que não respeita o marido

[…] Fica difícil julgar

 

Quem causou mais sensações

Pois, na arte do Cordel,

Todos dois são campeões…

A análise dos cantores

Ficará para os leitores

Tirem suas conclusões!

Nesse sentido, Rinaré, em depoimento a Resende, (2006, p. 55), explica:

É um cordel de peleja, uma peleja recriada. […] eu fiz com o Klévisson mesmo pela Internet. […] Aí, o Klévisson estando lá na editora [Tupynanquim], a gente começou a mandar o e-mail de um para o outro, uma estrofezinha.

E isso virou um desafio, não é? Depois juntamos tudo e fizemos a peleja, imprimimos a peleja. Foi feita totalmente virtual, mas depois impressa no folheto. E a gente diz aqui no final de uma nota que a gente casou a modernidade com a tradição, mantemos a tradição da poesia do cantador. Usamos os seus estilos como os cantadores usam na realidade, no repente mesmo, mas usamos de forma virtual. Mas a estrutura é a da poesia de cordel, não tem jeito. Então é isso. Eu acho assim é uma forma, se nós quisermos que a nossa cultura seja perpetuada, que outras gerações possam conhecê-la, nós temos que viver o nosso momento, mantendo a tradição do formato da poesia e da estrutura da poesia.

Com mais de 80 títulos publicados em cordel, a maioria pela Tupynanquim Editora. Já reconhecido, Rouxinol conquistou dois prêmios nacionais em concursos de literatura de cordel e o “Prêmio Alberto Porfírio de Literatura de Cordel Inédita” (CE). Tem sua produção presente em várias antologias, dentre elas, Cordel Canta Patativa e CAOS Portátil: um almanaque de contos.

Sua obra foi citada ainda nos principais jornais e revistas do Brasil, e também na França nas revistas LatitudesQuadrant e Infos Brésil. Seu cordel Antonio Conselheiro e a guerra de Canudos, escrito em parceria com Queiroz de França, foi adotado em uma prova de história do vestibular da Universidade Federal do Ceará.

O jovem poeta, além de escrever, ministra oficinas de literatura de cordel. No entanto, defende que o modo de fazer a estrutura narrativa é a mesma, mas o poeta tem que viver o seu tempo, tanto que também atua produzindo adaptações dos clássicos para a linguagem de cordel, a exemplo da adaptação feita da obra o Alienista de autoria do escritor brasileiro Machado de Assis. O Alienista em Cordel foi selecionado para as escolas de Belo Horizonte, Minas Gerais e, duas vezes, adotado em projetos da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. A obra de Rouxinol do Rinaré desperta olhares da academia e passa a ser estudada no meio universitário, tornando-se objeto de pesquisa, ampliando deste modo sua fortuna crítica.

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CARVALHO, G. Seu Lunga em cordel: o imaginário e os campos finitos de significação no folheto de Rouxinol do Rinaré. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://congreso.pucp.edu.pe/alaic2014/wp-content/uploads/2013/09/GT1-Gislene-Carvalho.pdf>. Acesso em: 10 out. 2014.

FERREIRA, E. A. G. R.; BULHÕES, R. M. A produção contemporânea: uma análise da obra o alienista em cordel, de Rouxinol do Rinaré. In: SEMINÁRIO DE ESTUDOS LITERÁRIOS. 10., 2010, Assis. Anais… Assis: UNESP, 2010. Disponível em: <http://sgcd.assis.unesp.br/Home/ PosGraduacao/Letras/SEL/anais_2010/elianeaparecida.pdf>. Acesso em: 10 out. 2014.

LUCENA, B. P. Cante lá que eu canto cá: poéticas populares dentro e fora da moldura[S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <file:///C:/Users/Joao/Downloads/Dialnet-CanteLaQueEuCantoCa-4846206.pdf>. Acesso em: 09 out. 2014.

RICARTE, A. B. F. V. O folheto na história e a história no folheto: práticas e discursos culturais do cordel de circunstância em Fortaleza (1987-2007). 2009. 230 f. Dissertação (Mestrado) – Mestrado em História e Culturas da Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2009. Disponível em: Users/Joao/Desktop/ BETH/ROUXINOL%20DO%20RINAR%C3%89/dissertacaofolheto_na_historia_alyne_virino_ricarte.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014.

ROUXINOU DO RINARÉ. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Rouxinol_do_Rinar%C3%A9>. Acesso em: 10 set. 2014.

VIANA, A. Rouxinol do Rinaré: Antônio Carlos da Silva. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira. com/cordel30.htm>.  Acesso: 10 set. 2014.

______. Rouxinol do Rinaré: a grande peleja virtual de Klévisson Viana e Rouxinol do Rinaré. Fortaleza: Tupynanquim, 2003

Poeta Severino Milanês Silva – Síntese biográfica

Severino Milanês Silva (1906 -1956 ou 1967)

Severino Milanês da Silva é natural de Bezerros, Pernambuco. Ficou conhecido como poeta popular, cantador, repentista e romancista. Da sua morte, sabe-se que faleceu no município de Vitória de Santo Antão, entretanto, há controvérsia quanto ao ano chegando a ser uma diferença de 11 anos: 1956 ou 1967.

De acordo com Benjamim, no site Casa de Rui Barbosa, “….produção  é bastante diversificada. É autor do Forte Pernambucano, escrito na década de 40, um marco, gênero de poema mais longo realizado pelos poetas de gabinete, aqueles  que só escreviam e em geral, não eram cantadores, ampliando ainda  mais seu campo de ação, já  que possuía fama  de grande repentista e glosador”.

Como romancista, ele imortalizou alguns na memória dos seus admiradores especialmente os que escolhiam as histórias de amor, de príncipe e princesa e reinados fictícios.

Conforme o texto do blog Jornal de Besta Fubana de Luiz Berto reiterado pelo de Carlito Lima:Milanês não era muito cuidadoso com a geografia nem com a história. Vez por outra abusava da “licença poética” na composição de seus romances, que às vezes beiram o surrealismo, mistura gênios e fadas com índios guerreiros e gigantes desaforados que chamam o herói de “cabrinha” e outros xingamentos tipicamente nordestinos no auge da luta”.

 A greve dos bichos

 Muito antes do dilúvio

Era o mundo diferente

Os bichos todos falavam

Melhor do que muita gente

E passavam boa vida

Vestido de Marinheiro

O cachorro era cantor

Gostava de serenata

Andava muito cintado

De colete e de gravata

Trabalhando honestamente.

O diretor dos Correios

Era o doutor Jaboby

O fiscal do litoral

Era o matreiro Siry

Que tinha como ajudante

O malandro do Siry.

O rato foi nomeado

Para chefe aduaneiro

Fazendo muita “moaba”

Ganhando muito dinheiro

Com o Camundango  ordenaça,

Passava a noite na rua

Mais o Besouro e a Barata

  O príncipe do Barro Branco

 O Reino do Barro Branco

É detrás de uma colina

Cercado por quatro rios 

De água potável e fina

Fica nos confins da Ásia

Bem perto da Palestina

História de Valentão do mundo;

Valentão do Mundo é

Conhecido na história

Venceu e não foi vencido

Teve consigo esta glória

Em toda luta trazia

O triunfo da vitória.

Nas caçadas enfrentava

As mais temerosas lutas

Subjugava nas serras

As feras absolutas

Pegava onça nas furnas

Matava dentro das grutas.

  O príncipe do Barro Branco

 O Reino do Barro Branco

É detrás de uma colina

Cercado por quatro rios 

De água potável e fina

Fica nos confins da Ásia

Bem perto da Palestina

 História de Valentão do mundo

 Valentão do Mundo é

Conhecido na história

Venceu e não foi vencido

Teve consigo esta glória

Em toda luta trazia

O triunfo da vitória.

Nas caçadas enfrentava

As mais temerosas lutas

Subjugava nas serras

As feras absolutas

Pegava onça nas furnas

Matava dentro das grutas.

FONTES CONSULTADAS

SEVERINO Milanês Silva. Peleja de Pinto e Milanês, um clássico do cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.luizberto.com/mala-da-cobra-arievaldo-vianna/peleja-de-pinto-e-milanes-um-classico-do-cordel>. Acesso em: 27 out. 2014.

BLOG do Carlito Lima. Severino Milanês Silva. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: . Acesso em: 27 out. 2014.

Poeta João José da Silva – Síntese biográfica

João José da Silva (24/06/1922 – 1997)

João José da Silva nasceu na cidade de Vitória de Santo Antão em 24 de junho de 1922. Filho de agricultores, ainda criança, a sua verve de poeta aflorou. No entanto, devido às minguadas posses dos seus genitores, teve que abandonar os estudos para só retornar na meia idade através dos próprios esforços. Nessa ocasião é que mostra a sua influência na literatura de cordel no que diz respeito à sua capacidade de  compor e editar.

O blog acordacordel descreve sua vocação infantojuvenil. “Aos 10 anos de idade já improvisava versos para seus amigos e conhecidos… em 1947 se tornou profissional da poesia, escrevendo então seu primeiro livro em versos, O macaco misterioso”.

Sua vida de poeta foi marcada pela produção de mais de 164 peças, dentre elas as mais procuradas são “O macaco misterioso” e “A fera de Petrolina”.

Durante o tempo que viveu em Recife /PE, aliou a chefia da família com o trabalho na área de literatura de cordel na tipografia de Luzeiro do Norte, editora que também publicou seus folhetos “A condessa Rosa Negra, A fera de Petrolina e O caçador sertanejo”. Ali se manteve até o início dos anos 1970.

 A fera de Petrolina

 

 Há certos anos atrás

Na cidade Petrolina

Existia um desordeiro

De uma força tão ferina

De ninguém poder topar

Sua munheca assassina.

 

Eram um sujeito gigante

De uma grossura estupenda

Tinha força em cada braço

De parar uma moenda,

Brigava todos os dias

Lá na porta  de uma venda

Faleceu em 1997 na cidade onde viveu a maior parte de sua vida, para ampliar, publicar sua obra e criar os seus filhos: Recife.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL atemporal.  Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

RECANTO das letras. Grandes autores da Literatura de Cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 22 out. 2014.

A FERA de Petrolina. [S.l.]: Editora Luzeiro, [20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/96-a-fera-de-petrolina-luzeiro.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

PERFIS biográficos. [S.l.]: Editora Luzeiro, [20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis. html>. Acesso em: 22 out. 2014.

MESTRES do cordel João José. [S.l.]: Editora Luzeiro, [20?]. Disponível em: <http://acordacordel.blogspot.com.br/2013/08 /mestres-do-cordel-joao-jose.html>. Acesso em: 22 out. 2014.