Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta José Maria do Nascimento – Síntese biográfica

José Maria do Nascimento

José Maria do Nascimento, também conhecido como Zé Maria de Fortaleza, é natural de Araçoiaba, Ceará. Aos 13 anos, ele veio para Fortaleza, onde iniciou sua carreira como violeiro, tornando-se conhecido pelo seu talento poético e sua maneira de cantar. Já representou o Ceará em diversos festivais realizados em vários estados do Brasil, destacando-se duas viagens que marcaram época em sua carreira: quando esteve no Rio Grande do Sul, por ocasião do 2º Congresso Nacional de Turismo, e quando esteve em Brasília, cantando para as maiores autoridades do país. Lançou, juntamente com Benoni Conrado, um dos primeiros discos de violeiros que se tem notícia no Brasil. Tem um livro inédito intitulado Fagulhas do Estro. Publicou vários folhetos de cordel, destacando-se Folclore também é cultura e Miscelânea de motes e glosas.

FONTES CONSULTADAS

ANDRADE, Solange Gusmão de. Nas trilhas do cordel baiano: conteúdos simbólicos e efeitos de sentidos. 2012. 181 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em Estudo de Linguagens, Salvador, 2012.

SILVA, Joseilton José de Araújo. A utilização da literatura de cordel como instrumento didático-metodológico no ensino de geografia. 2012. 158f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Programa de Pós-graduação em Geografia, João Pessoa, 2012.

Poeta José João dos Santos – Síntese biográfica

José João dos Santos (08/01/1932)

Azulão, alcunha de José João dos Santos, nasceu em Sapé, Paraíba, a 08 de janeiro de 1932. Filho de João Joaquim dos Santos e de Severina Ana dos Santos, aos 17 anos na carroceria de um pau-de-arara, embarcou para o Rio de Janeiro, onde foi um dos fundadores da Feira de São Cristóvão. Cantador e poeta popular dos melhores, começou a ser conhecido após uma apresentação no programa de rádio de Almirante, no início da década de 1950.

Seus folhetos mais famosos são O trem da madrugada, como se pode constatar no verso que segue:

Leitores trago mais uma

Criação muito engraçada

Da minha lira poética

Que sempre vive afinada

Desta vez descrevo bem

O movimento do trem

Que desce da madrugada.

 

Seja de Paracambi

São Mateus ou Santa Cruz

A turma da fuleragem

Que só bagunça produz

De madrugada só quer

Carro que tem mais mulher,

Porta enguiçada e sem luz.

(SANTOS, AZULÃO, O trem…, s/d, p. 1)

 

Outro folheto que ganhou fama foi O poder que a bunda tem. A obra desse cordelista, que contabiliza ter publicado mais de trezentos folhetos, se destaca principalmente pelo humor, abordando temas como a história da minissaia ou uma genealogia dos chifrudos.

Não deixa de enveredar, também, pelas histórias de animais, pelos contos de castigo e recompensa e por pelejas, fatos políticos e históricos maravilhosos, aspectos da religião (milagres e romarias em Aparecida do Norte), além do romance, como por exemplo, História de Renato e Mariana no Reino de Macabul.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

GOMES, Marisa Nunes. A inculturação nas salas de aula através do estudo da literatura de cordel. 2013. 37f. Monografia (Graduação) – Faculdade de Pará de Minas, Curso de Letras, 2013.

MENDES, Simone de Paula dos Santos. Um estudo da argumentação em cordéis midiatizados: da enunciação performática à construção discursiva da opinião. 2011. 277 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras, Programa de Pós-graduação em Estudos Lingüísticos, Belo Horizonte, 2011.

NEMER, Sylvia Regina Bastos. Governando as memórias: a feira de São Cristóvão e os novos olhares da governança memoriaL. IN: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS CULTURAIS, 4., 2013, Rio de Janeiro. Anais… Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 2013.

NEMER, Sylvia Regina Bastos. Feira de São Cristovão: foi assim que começou. In: ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUH, 15., 2012, Rio de Janeiro. Anais… Rio de Janeiro: ANPUH. Disponível em: <http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338341567_ARQUIVO_FeiradeSaoCristovaofoiassimquecomecou.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2014.

Poeta José Honório da Silva – Síntese biográfica

José Honório da Silva (23/01/1963)

Cordelista nascido no Recife, Pernambuco, em 23 de janeiro de 1963. Publica folhetos de cordel desde 1984. Articulador da União dos Cordelistas de Pernambuco – UNICORDEL, através da qual promove recitais, palestras e oficinas. Pertence à nova geração de poetas populares que veem a tecnologia como aliada da tradição. Foi um dos primeiros a usar a internet como espaço de peleja virtual, com o ontológico: O marco cibernético construído em Timbaúba – a peleja virtual entre Américo Gomes (Paraíba) e José Honório (Pernambuco), chegando a ser denominado de o tímido rei do repente em reportagem de Maria Alice Amorim para o Jornal do Commercio.

Honório é uma figura emblemática da arte de recitação na capital pernambucana, tanto pelo seu texto como pela sua performance em palco. Vem realizando palestras e oficinas de cordel (inclusive no exterior), além de levar sua poesia para escolas, feiras e eventos culturais. O seu livro Indecências em parceria com o xilogravurista Marcelo Soares é uma referência no gênero e encontra-se publicado no Interpoética.

FONTES CONSULTADAS

AMORIM, Maria Alice. [S.l.: s.n., 20?]. O tímido rei do repente. Disponível em: <http://hp.br.inter.net/jhonorio/ otimidorei.htm>. Acesso em: 24/03/2014.

PERFIS. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=232&catid=48>. Acesso em: 22 nov. 2014.

Poeta José Galdino da Silva Duda – Síntese biográfica

José Galdino da Silva Duda (1866 – 1931)

Nasceu em 1866 no município de Itabaiana na Paraíba, mas foi em Recife que ganhou fama como violeiro e repentista. Morreu em 1931, consagrado como mestre dos cantadores. Gostava de ser chamado de Zé Duda e, no seu folheto de cordel Encontro de Antonio Marinho com Zé Duda no Recife em 1915 registra uma de suas pelejas mais notáveis.

Foi almocreve e comboieiro, tendo se tornado depois cantador famoso. É o autor da História de D. Genevra, versada de um trecho do Decameron de Giovanni Boccacio, com uma fidelidade que surpreendeu o folclorista Luís da Câmara Cascudo.

FONTES CONSULTADAS

BARROSO, Maria Helenice Barroso. No palco das reminiscências: as cores do cordel no Brasil e em Portugal. 2013. 260f. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Programa de Pós-graduação em Linguística, Brasília, 2013.

CABRAL, Geovanni Gomes. As representações de poder no corpus de folhetos de 1945 a 1954: leituras da “Era Vargas”. 2008. 171 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em História, Recife, 2008.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Ler/ouvir folhetos de cordel em Pernambuco (1930-1950). 2000. 537f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais,  Faculdade de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, Belo Horizonte, 2000.

GAUDÊNCIO, Sale Mário; BORBA, Maria do Socorro de Azevedo. O cordel como fonte de informação: a vivacidade dos folhetos de cordéis no Rio Grande do Norte. Biblionline, João Pessoa, v. 6, n. 1, p. 82-92, 2010.

Poeta José Francisco Soares – Síntese biográfica

José Francisco Soares (05/01/1914 – 09/01/1981)

José Francisco Soares ou como ele preferia ser chamado – Zé Soares – nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, em 5 de janeiro de 1914, e faleceu em 9 de janeiro de 1981, em Timbaúba, Pernambuco.

Ainda menino se encantara com os desafios entre violeiros-repentistas, emboladores de coco e com os folhetos de feira que os poetas declamavam. Em 1928, publicou seu primeiro folheto Descrição do Brasil por estados. Fez biscates como agricultor e almocreve e, em 1934, foi para o Rio de Janeiro trabalhar como pedreiro, sem jamais deixar de publicar suas obras. Voltou ao Recife em 1940, quando montou uma banca de folhetos no oitão do Mercado de São José, onde vendia suas obras e as de outros poetas. Nas décadas de 1940 e 1950, publicou grande parte de seus folhetos na Gráfica Medeiros.

Especializou-se no viés jornalístico da literatura de cordel e, podemos afirmar que foi o maior poeta desse gênero no Brasil, daí ter recebido a alcunha de o poeta repórter. Suas obras foram centradas na notícia, pois lia vários jornais diariamente, além de ouvir programas de rádio para manter-se no foco dos principais acontecimentos do município, cidade, estado, país e do mundo, sendo reconhecido como poeta de bancada.

Era perito em identificar notícias que despertavam o interesse de seus leitores e recriá-las na forma poética, produzindo folhetos com uma rapidez nunca vista, para vendê-los enquanto a notícia não caía no esquecimento. Mas José Soares não foi apenas o poeta da notícia. Escreveu folhetos sob a temática do gracejo, histórias de milagres, relatos da vida dos sertanejos e teve uma vasta produção sobre uma de suas grandes paixões – o futebol.

Como torcedor convicto do Santa Cruz Esporte Clube, ele foi testemunha ocular da boa fase vivida pelo clube pernambucano nos anos 60 e 70, registrando com versos os feitos do Mais Querido, como no folheto Chegou o Santa Cruz, a máquina de fazer gols, escrito para comemorar a vitoriosa excursão do Santinha ao Oriente Médio e Europa, em 1979, e que abaixo transcrevemos.

 

 O Santa Cruz no Oriente

bancava e pintava o sete

quem joga a bola quadrada

não entra que se derrete

em todo Oriente Médio

o Santa virou vedete.

Joel sacudia a bola

na cabeça de Pedrinho

Pedrinho deitava a pelota

morta nos pés de Betinho

que jogava na esquerda

para o olé de Joãozinho.

Uma de suas características poéticas era a exímia qualidade de seus textos fosse pelas rimas, métricas e orações. Adotava metáforas que tocavam o coração. Nos últimos anos de sua vida, tinha a saúde bastante abalada, mas não esmorecia na produção de folhetos. O último título publicado foi O incêndio das barracas de fogos em Garanhuns, concluído duas semanas antes de sua morte.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoseSoares/joseSoares_biografia.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

CORDEL de Saia.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2011/05/jose-soares-patrono-ablc.html&gt;>. Acesso em: 25 out. 2014.

SOARES, José Francisco. Introdução e seleção Mark Dinneen. São Paulo: Hedra, 2007.

SOUSA, Manoel Matusalém. Cordel grito do oprimido: uma escola de resistência à Ditadura Militar. 2007. 283 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal da Paraíba, Centro de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, João Pessoa, 2007.

Poeta José Francisco Borges – Síntese biográfica

José Francisco Borges (20/12/1935)

Mais conhecido como J. Borges.  Ele é um dos mestres do cordel, um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina e o xilogravurista brasileiro mais reconhecido no mundo. Nasceu em 20 de dezembro de 1935 em Bezerros, cidade do Agreste de Pernambuco. Na infância ainda, trabalhava na lavoura e fazia cestos e balaios para vender na feira. Na adolescência, atuou no jogo do bicho, fabricou lajes e tijolos e confeccionou brinquedos, além de vender folhetos nas feiras do interior.

Autodidata, o gosto pela poesia fez encontrar nos folhetos de cordel um substituto para os livros escolares. Em 1964, começou a escrever folhetos de cordel, quando produziu O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, xilogravado por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses. Animado com o resultado, escreveu o segundo chamado O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm, que o conduziu pela primeira vez à xilogravura. Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo, começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, que usou no seu segundo folheto de cordel. Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida. Hoje essas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte.

Seu reconhecimento o conduz a ministrar cursos e oficinas no Brasil e no exterior. Suas temáticas abordam o cotidiano popular, histórias do cangaço, da religiosidade, crimes e corrupções. Dotado de uma postura eclética, ele discorre sobre o seu tempo quanto viaja no universo do imaginário popular e coletivo, e folguedos populares que revelam o universo cultural e religioso do povo nordestino. Dada à sua importância e qualidade artística, J. Borges foi considerado, desde 2006, Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, título que lhe foi outorgado pelo Governo do Estado.

A primeira de suas obras a alcançar sucesso e visibilidade foi a Chegada da Prostituta no Céu, do qual extraímos as duas primeiras páginas:

 Do rosto da poesia

eu tirei o santo véu

e pedi licença a ela

e escrever a chegada

para tirar o chapéu

da prostituta no céu

Sabemos que a prostituta

é também um ser humano

que por uma iludição

fraqueza ou desengano

o seu viver é volúvel

sempre abraça a o engano

 

Vive metida em orgia

e cheia de vaidade

é raro uma que trabalha

e usa honestidade

por isso fica odiada

perante a sociedade

 

Todas as religiões

pra ela escala uma pena

se o homem lhe abraça

a mulher casada condena

mas sabemos que Jesus

perdoou a Madalena

 

Falar sobre prostituta

é um caso muito sério

que é um ser sofredor

sua vida é de mistério

e para sobreviver

sempre usa o adultério

 

Perante a sociedade

ela é marginalizada

existe umas mais calmas

e outras mais depravadas

e quem tem mais ódio delas

é a própria mulher casada

 

Ela vive aqui na terra

enfrentando um sacrifício

se vende para os homens

muitas se entrega a o vício

enquanto nova se estraga

e faz da miséria ofício

FONTES CONSULTADAS

ALMANAQUE Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <www.almanaquebrasil.com.br>. Acesso em: 18 nov. 2014.

ARTE Popular do Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://artepopularbrasil.blogspot.com.br/2011/01/j-borges.html>. Acesso em: 27 nov. 2014.

BORGES, J. Memórias e contos de J. Borges. [S.l]: Hedra, 2007.

MACHADO, Regina Coeli Vieira. J. Borges. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php? option=com_content&view=article&id=394%3Aj-borges&catid=45%3Aletra-j&Itemid=1>. Acesso em: 10 nov. 2014.

O NORDESTE. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=J.+Borges>. Acesso em: 22 nov. 2014.

PERFIS Biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 20 nov. 2014.

WIKIPEDIA. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://pt. wikipedia.org/wiki/J._Borges>. Acesso em: 21 nov. 2014.

LITERATURA de cordel acervo Fundação Joaquim Nabuco. [S.l.: s.n.], 2008.  Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br/ images/meca/documentacao/CordelAcervoFundaj2008.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2014.

Poeta Erivaldo Leite de Lima – Síntese biográfica

Erivaldo Leite de Lima (19/12/1960)

Nasceu no município pernambucano de Sertânia, antiga Lagoa de Baixo, cidade de Moxotó. Em sua adolescência residiu em Caruaru, Pernambuco e radicou-se em Natal, Rio Grande do Norte. Por este motivo, Erivaldo Leite de Lima se autonomeia pernampo, ou seja, pernambucano potiguar.

Detentor de um íntimo e rico acervo cultural oriundo da tradição nordestina, pois vivenciou múltiplas manifestações populares, das novenas e ritos domésticos ao teatro de fantoche, folia de reis, além dos ritmos e sons das bandas de pífano, repentistas, cirandas, maracatus, cantadores de coco, aboiadores, frevo e forró pé de serra (SOARES; DANTAS, 2009).

O filho de Nilda Leite de Lima e de Manoel Romão de Lima nasceu aos 19 de dezembro de 1960 e, criança, passou a ser chamado, pelos amigos, de Abaeté. Começou a aventurar-se nas letras ainda menino, tornando-se escritor profícuo. Autor de mais de 500 títulos de literatura de cordel, cujo primeiro trabalho foi o verso malicioso O casal que engatou no Parque Industrial e indica como produção preferida O pescador de Sonhos (SOARES; DANTAS, 2009).

Este poeta popular, cordelista, compositor e repentista é defensor da cultura ao fomentar a arte cordelista, não só por meio da sua produção, mas também pela implantação da Casa do Cordel, em Natal, Rio Grande do Norte fundada em 17 de agosto de 2007, e é presidente da Associação dos Cordelistas de Natal (Unicodern).

Seu filho, Erick Lima, é o responsável pelo ateliê de xilogravura da Casa do Cordel desde a sua inauguração, momento que começou a trabalhar oficialmente com a arte. Anteriormente, ele ilustrava apenas os cordéis do pai e seus amigos.

A Casa do Cordel funciona na Rua Vigário Bartolomeu, no Centro de Natal e é ponto de encontro da cultura popular, promovendo encontros de artistas populares, além de feiras, exposições, palestras, lançamentos de livros e saraus culturais. Erivaldo Lima gosta de ser considerado um pernambucano potiguar, em seus versos a natureza e suas nuances estão presentes:

 

Verão

 

Se as pedras rolarem

do penhasco

Em sua direção

Grite

arrependidamente

paixão

Eu não amei

tú não amaste

ninguém

volta

No inverno as pedras

rolam

para se encontrar

no verão

FONTES CONSULTADAS

ABAETÉ do Cordel. Tributo ao cordel. [S.l.: s.n.: 2014]. Disponível em: <http://foque.com.br/tributoaocordel/index. php/abaete-do-cordel/&gt.>. Acesso em: 19 nov. 2014.

ABAETÉ. O Nordeste: enciclopédia nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http:enciclopediaNordeste/index.php?titulo= Abaet%C3%A9<r=a&id_perso=1368>. Acesso em: 19 nov. 2014.

CASA do cordel em NATAL/RN: onde a arte e a cultura popular falam mais alto! Vento Nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://papjerimum.blogspot.com.br/&gt;.>. Acesso em: 19 nov. 2014.

CASA do Cordel. O Nordeste: enciclopédia nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http:enciclopediaNordeste/ index.php?titulo=Casa+do+Cordel<r=c&id_perso=1367>. Acesso em: 19 nov. 2014.

CORDELISTAS, Repentistas: Erivaldo Leite de Lima, o poeta Abaeté. In: Casa do cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://casadocordel.blogspot.com.br/p/cordelistas.html&gt;.>. Acesso em: 19 nov. 2014.

ERIVALDO Leite di Lima. Biografia. Poetas del mundo. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http:id=2943>. Acesso em: 19 nov. 2014.

SOARES, K.; DANTAS, L. Um incentivador da arte do cordel. O Periódico: jornal dos estudantes de comunicação social, Natal. 30 nov., 2009. Disponível em: <http://www.operiodico.com.br/internas,um-incentivador-da-arte-do-cordel,184&gt;.>. Acesso em: 19 nov. 2014.

Poeta Francisco de Salles Araújo – Síntese biográfica

Francisco de Salles Araújo (1951)

Carioca Nordestino Francisco de Salles Araújo, conhecido como Chico Salles, nasceu no sertão paraibano, em São Francisco do Chabocão, naquela época município de Sousa, no ano de 1951. Este cantor e compositor de forró e samba, além de poeta e cordelista, radicou-se no Rio de Janeiro aos dezoito anos de idade (1970), onde inicialmente trabalhou na construção civil. Para legitimar a carioquice deste paraibano, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário de Rio de Janeiro, dando-lhe, oficialmente, a condição de carioca (RIO DE JANEIRO, 2008). Nos escritos biográficos em sua página pessoal, assim declarou-se carioca: “Sou carioca da clara, porque o carioca da gema é o que nasce no Rio. Sou da clara, mas estou dentro do ovo” (SALLES, 2010).

As influências musicais nordestinas, misturadas aos sambas de Paulinho da Viola, Chico Buarque e Martinho da Vila, faziam parte das trilhas sonoras da época em que cursava Engenharia Civil. Ao conhecer o trapalhão Mussum, eles compõem músicas carnavalescas e fundam o bloco Elas e Elas (1985) em Jacarepaguá, bairro do Rio, onde residem e são vizinhos.

Incentivado pelo maestro Anselmo Mazzoni (1997), inicia carreira de cantor, vindo a gravar, ao vivo, seu primeiro trabalho – Confissões (1999), lançado no ano subsequente; o segundo disco foi intitulado Nordestino Carioca (2002), produção ditada nas origens do seu acervo cultural, nos xotes, xaxados, baiões e forrós, homenageando a Cidade Maravilhosa e o amigo Mussum, ao cantar o xote composto pela dupla – Pinto no Xerém.

Na bagagem cultural também trouxe o cordel. Reconhecido, torna-se membro (2007) e Diretor Cultural (2009) da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupando a cadeira número 10, cujo patrono é Catulo da Paixão Cearense.

Sua visibilidade na esfera literária ocorreu quando publicou o livro infantojuvenil cordelizado, CORDELinho (EDITORA ROVELLE, 2009), premiado como melhor livro infantojuvenil pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

A sua cordelteca disponível em http://www.chicosalles.com.br/ consta de 21 títulos, tais como: Salim, Jacó, JoaquimOs caminhos do BrasilO tigre que virou doutorO pai do vento;O maior inimigo do cachorroSivuca, entre outros.

Ao biografar Severino Dias de Oliveira (1930-2006), nosso Mestre Sivuca, escreveu:

 

Vou pedir ao Criador

Que me dê inspiração

Também quero a alegria

De ter sua proteção

Pra colocar no papel

Este meu novo cordel

Com prazer e correção.

 

Vou falar de um Severino

Origem paraibana

Sujeito de muita fé

Nascido em Itabaiana

Orgulho da nossa arte

Da sanfona um estandarte

Um camarda bacana

 

Mil novecentose trinat

Nasceu este brasileiro

Homem de familia simples

Um talento pioneiro

Com nove anos, menino.

Os pais e o destino

Fizeram-lhe sanfoneiro.

[…]

 

Parece que o substantivo preferido desse poeta é homenagem, pois Chico está sempre evidenciando alguém por meio de seus versos, suspeita confirmada em As dedicatórias de Chico Salles, sextilhas produzidas por ele ao longo da sua carreira de cordelista, onde homenageia pessoas significativas, da esposa Lúcia Helena a personalidades: Mestre Azulão, Rachel de Queiroz, Rouxinol do Rinaré, Patativa do Assaré, Jessier Quirino, e outros. Disponível no site Cordel de Saia (http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2013/04/as-dedicatorias-de-chico-salles.html).

FONTES CONSULTADAS

CHICO SALLES TV Câmara – 1. Parte. 2010. In: YouTube. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=gGohc8UEb8w&gt;>. Acesso em: 18 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Chico Salles. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Salles&gt;>. Acesso em: 19 nov. 2014.

RIO DE JANEIRO (Estado). Decreto no 720, de 26 de junho de 2008. Disponível em: <OpenDocument>. Acesso em: 19 nov. 2014.

SALLES, C. Biografia. In: Chico Salles. 2010. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.chicosalles.com.br/biografia.php&gt;. Acesso em: 19 nov. 2014.

______. As dedicatórias de Chico Salles. In: Cordel de saia. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2013/04/as-dedicatorias-de-chico-salles.html&gt;. Acesso em: 19 nov. 2014.

______. Sivuca: zabumba & triângulo. In: Chico Salles. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.chicosalles.com.br/&gt;. Acesso em: 19 nov. 2014.

Poetisa Erotildes Miranda dos Santos – Síntese biográfica

Erotildes Miranda dos Santos

Erotildes Miranda dos Santos foi um cordelista baiano que usava o pseudônimo de Trovador Nordestino. Nasceu em Candeal, Bahia, município pertence à área de expansão metropolitana de Feira de Santana, Bahia, onde veio a se estabelecer e escrever inúmeros folhetos da literatura de cordel.

Foi motorneiro de bonde em Salvador, Bahia, depois se radicou em Feira de Santana onde residia na Rua 18 do Forte, bairro da Rua Nova. Introduziu-se na área de literatura popular cordelista por incentivo do cordelista e editor de folhetos populares, Rodolfo Coelho Cavalcante, que era alagoano, mas radicado em Salvador, Bahia. O primeiro folheto escrito pelo Trovador Nordestino foi ABC da Dança (1953), que foi comprado por Rodolfo, que o aperfeiçoou e lançou com seu nome (MAXADO, 2005; CURRAN, 2014).

Este poeta de bancada que versava sobre diversos temas, com sagacidade e humor, assim versou sobre as façanhas de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

 Nordeste sangrento

Baseado no cangaço

Do famoso Lampião

O capitão Virgulino

Que assombrou o sertão

Pra matar o meu intento

Deste nordeste sangrento

Vou dar sua descrição

Mas não só de Lampeão

Eu aqui quero falar

Me refiro a outros mais

Que vivam pra matar

Como Horácio de Matos

Que no decorrer dos fatos

Fez muita gente chorar

[…]

FONTES CONSULTADAS

CURRAN, M. J. Relembrando a velha literatura de cordel e a voz dos poetas. Estados Unidos da América: Desktop-OSX, Desktop-Windows, Ereader. 2014. Disponível em: <isbn=1490745807 >. Acesso em: 17 nov. 2014.

EROTILDES Miranda dos Santos. In: O Nordeste: enciclopédia nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Erotildes+Miranda+dos+Santos<r=e&id_perso=1043&gt;. Acesso em: 18 nov. 2015.

MAXADO, F. Maxado nordestino e o cordel em Feira de Santana. Légua & Meia: Revista de Literatura e Diversidade Cultural, v. 4, n. 3, p. 231-252, 2005. Disponível em: <http://leguaemeia.uefs.br/3/3_231-254_cordel.pdf.&gt;>. Acesso em: 18 nov. 2015.

SANTOS, E. M. [Trovador Nordestino]. Nordeste sangrento.. In: CORDELTECA. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://leguaemeia.uefs.br/3/3_231-254_cordel.pdf.&gt;>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Manoel Apolinário Pereira – Síntese biográfica

Manoel Apolinário Pereira

O poeta Manoel Apolinário Pereira, cujo acróstico é Manuel Apolinário, nasceu no estado de Pernambuco e faleceu no ano de 1955, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará onde passou grande parte de sua vida.

De acordo com Sousa (2009), Manoel Apolinário foi um poeta popular de boa inspiração, que embora tenha se dedicado a gêneros variados, sobressaiu-se nos romances.

Destacam-se entre eles dois, os quais foram relançados pela Editora Luzeiro: Horácio e Enedina entre o amor e o orgulho e O filho de Evangelista do Pavão Misterioso.  Julita e Galdino foi também um dos cordéis, cuja temática é o romance, publicados por Manoel Apolinário, sendo editado por João José Silva, conforme percebemos em uma de suas estrofes, demonstrando assim porque o poeta se sobressaiu no gênero romantismo.

Galdino avistou Julieta

ficou impressionado

Julieta do mesmo jeito

ficou com o ar mudado

ninguém sabia dos dois

qual o mais apaixonado

 

O velho viu o namoro

porém agüentou a mão

quando foi no outro dia

chamou Julieta atenção

dizendo: não casarás

com um sujeito vilão

 

E tu não podes negar

Porque eu vi o namoro

Se ele vier aqui

Eu o derreto no couro

Parece que esta festa

Se terminara em choro

 

Teu namoro com Galdino

Por mim já foi descoberto

Mas eu te corto a carreira

Teu casamento eu acerto

Eu vou te casar apulso

Com o meu sobrinho Berto

 

Mandou logo chamar Berto

E a ele disse assim:

Vou lhe casar com Julieta

Isto é feito por mim

E  nem você e nem ela

Não me diz que está ruim

(p. 2)

[…]

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 17 out. 2014.

PEREIRA, Manoel Apolinario. Julita e Galdino. [S.l.]: João José Silva, [19–?].  

SOUSA, Francinete Fernandes de. A mulher negra mapeada: trajeto do imaginário popular nos folhetos de cordel. Tese. (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.