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Poeta Manoel Messias Belizário Neto – Síntese biográfica

Manoel Messias Belizário Neto (10/10/1981)

Manoel Messias Belizário Neto adota artisticamente o nome de Manoel Belizário. Nasceu em 10 de outubro de 1981 no Sítio Lages, zona rural do município de Aguiar, Paraíba. Mudou-se para a cidade aos 10 anos, com o objetivo de estudar, morando com o póstumo avô José Parente. Lá, Manoel Messias estudou do primário ao ensino médio e, em 2004, partiu rumo à capital paraibana após passar no vestibular para Letras, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Seus primeiros contatos com a literatura de cordel foram ainda quando criança, através de seus irmãos mais velhos, que liam e reliam à luz do candeeiro as histórias rimadas, para o deleite da família.

Com relação à composição dos cordéis, Manoel Messias só inicia quando, trabalhando em sala de aula com textos poéticos e munido por uma necessidade de incentivar os seus alunos para o estudo, compôs seus primeiros folhetos intitulados: Peleja do Aluno Preguiçoso com o Estudioso e Conselhos de Mãe.

Esses foram os primeiros, de muitos outros folhetos, que seriam produzidos e continuam sendo ao longo de sua vida. Entre eles: “Satan Processa Bin Laden e Bush Por Plágio e Difamação, que, em 2007, foi vencedor: A Peleja da IntegraçãoCordel do Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros.

Ao longo de sua trajetória poética, Manoel Belizário já compôs mais de trinta folhetos e, no ano de 2010, resolveu disseminar sua poesia no mundo virtual passando a publicar pequenos poemas em cordel com o intuito não apenas de divulgar o seu trabalho especificamente, mas seu maior objetivo era, acima de tudo, divulgar o cordel, a cultura popular, derrubando as fronteiras físicas e geográficas, dissipando-os pelo mundo, através do meio digital. Dessa forma, Manoel Messias Belizário Neto passa a lançar seus poemas na Biblioteca Virtual dos escritores, criando, também, um blog denominado: Cordel Paraíba.

Em 2011, o professor e poeta popular Manoel Messias Belizário Neto lançou, em João Pessoa, o projeto Semeando Cordel na Escola e na Sociedade, que foi patrocinado pelo Fundo Municipal de Cultura. Sua proposta ancorou-se na difusão da literatura de cordel nas escolas, dando acessibilidade à população deste fazer poético, além de incentivar a descoberta de novos poetas, ora adormecidos pelo anonimato (BERTO, 2011).

Para tanto, fora produzido um livro, de autoria do próprio proponente do projeto, intitulado: Agruras de um Poeta Popular ou Congresso dos Poetas Populares no Paraíso. De sua produção, metade foi doada para as cem escolas do município de João Pessoa que participaram do projeto e a outra metade foi cedida ao autor.

Seus cordéis  versam sobre temas atuais, muitas vezes ecoam como um apelo da própria população, como é o caso de um de seus poemas, intitulado: O Assassinato da Juíza Patrícia Acioli, que ocorreu em São Gonçalo, Rio de janeiro, no ano de 2011. Neste poema, o poeta clama para que a justiça seja feita, remontando um tom de descrença com a própria justiça. Diante disso, ele escreve:

 

O Assassinato da Juíza Patrícia Acioli

 

 Peço a justiça divina

Para vir me abençoar

Me trazendo inspiração

No que me ponho narrar

Já que a justiça da terra

Estou ciente não há.

 

Porque, leitor meu, enquanto

Existir corrupção,

Má vontade, indiferença,

Falsidade, omissão

Será o fundo do poço

O futuro da nação.

 

Leitor amigo confesso

Que estou indignado

Vendo esta situação

A qual chegou nosso Estado

A morte dessa juíza

Deixa o Brasil revoltado.

 

Patrícia Acioli era

Magistrada destemida.

Honrava o cargo que tinha

Tendo o certo por medida.

Nem que pra isso pusesse

Em risco a própria vida.

 

[…]

 

A juíza então andava

De forma desprotegida

Esperando que um dia

Pudesse ser atendida

Pelo injusto tribunal

Que não lhe dava saída.

 

Até que num certo dia

Ocorreu o esperado

Patrícia ao chegar em casa

Teve o carro rodeado

Por um grupo de bandidos

Muito bem municiados.

 

Foi então covardemente

Que ela foi assassinada

Por omissão da justiça

Que mesmo sendo avisada

Botou a venda no rosto

E preferiu fazer nada.

[…]

 

Com a alma de poeta, Manoel Belizário é professor de língua portuguesa e cordelista, segue semeando a arte do cordel, produzindo as reflexões dos seus leitores e difundindo cultura.

 

FONTES CONSULTADAS

BERTO, Luiz.  Manuel Messias Belizário Neto. In: JORNAL da Besta Fubana. Uma Gazeta Da Bexiga Lixa. Publicado em: 14 maio 2011. Disponível em: <http://www.luizberto.com/ correspondencia-recebida/manoel-messias-belizario-neto-joao-pessoa-pb-8P>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDEL de Manoel Messias Belizário Neto. In: MUNDO do cordel. Disponível em: <http://mundocordel. blogspot.com.br/2011/08/cordel-de-manoel-messias-belizario-neto.html>. Acesso em: 23 out. 2014.

MANOEL MESSIAS BELIZÁRIO NETO In: O NORDESTE. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enci clopediaNordeste/index.php?titulo=Manoel+Messias+Belizario+Neto>.  Acesso em: 14 nov. 2014.

SOBRE Manoel Belizario. In: CORDEL Paraíba: espaço destinado à publicação de poemas e informações diversas relacionadas com a literatura de cordel. Disponível em: <http://cordelparaiba.blogspot.com.br/2010/03/quem-e-manoel-messias-belizario-neto.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Manoel Cândido da Silva – Síntese biográfica

Manoel Cândido da Silva (10/09/1922 – 22/08/2005)

Manoel Cândido da Silva nasceu no dia 10 de setembro de 1922, na cidade de Piancó, Paraíba e faleceu no dia 22 de agosto de 2005.

Haurélio (2011) relata que a biografia de Manoel Cândido Silva foi publicada no romance Manassés e Marili, pela Editora Luzeiro, revelando que o mesmo foi poeta popular, vendedor de folhetos e ourives abandonando a arte do cordel ao tornar-se pastor evangélico.

Quando vendia os seus folhetos pelas feiras, Manoel Cândido era muito querido pelos colegas e pelo próprio público leitor. Tendo como seu forte o romantismo, publicou alguns romances. Suas obras mais famosas são: Jônatas e Mauriceia, Edgar e Estelita, Risoleta e Juvino, Manassés e Marili entre a luta e o amor. Podemos perceber que sua verve poética direciona-se para o romantismo em uma estrofe do seu cordel:

Manassés e Marili entre a luta e o amor

 É sobre a palavra amor

que com forças Divinas

eu vou escrever um drama

que se passou em Goiás

com um velhote orgulhoso

e um destemido rapaz

 

No estado de Goiás

Em Porto Nacional

Junto a serra das Carrixas

Na fazenda Litoral

Foi ali que deu-se este

drama sensacional

 

Era o chefe dessa terra

o doutor Pedro Moisés

do serrote das Carrixas

a serra do Javaés

era ele o manda-chuva

 brigava por bem uns dez

Doutor Moisés era rico

usuário e poderoso

dez vezes bilionário

egoísta e orgulhoso

só dava valor a ouro

bandoleiro ou criminoso

 (p. 2)

[…]

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014.

MANOEL Cândido da Silva. In: Paraíba criativa. Disponível em: http://www.paraibacriativa.com.br/526/manoel-candido-da-silva.html. Acesso em: 26 nov. 2014.

______. In: CORDELIZANDO na NET. O seu cordel virtual. Disponível em: <http://cordelizandonanet .blogspot.com.br/p/ grandes-autores.html>.  Acesso em: 23 nov. 2014.

SILVA, Manoel Cândido da. Manasses e Marli entre a luta e o amor. Recife: Ed. Prop. João José da Silva: Luzeiro do Norte, [19- -].

Poeta José Evangelista Rodrigues Cavalcanti – Síntese biográfica

José Evangelista Rodrigues Cavalcanti (1953)

Poeta cordelista e compositor, membro fundador da União dos Cordelistas de Pernambuco (Unicordel), nasceu em Pesqueira, Pernambuco em 1953 e foi radicado em Recife desde 1966.

Além de escrever, Evangelista edita seus próprios folhetos, bem como os de vários companheiros de poesia. Escreve desde os 22 anos, mas demorou a publicar, seja pela falta de meios, seja pela falta de entendimento da importância deste gênero literário ainda na contemporaneidade. Sendo um poeta cronista do seu tempo, escreve regularmente  acerca de temas afinados com os acontecimentos nacionais.  Participa dos movimentos ligados à poesia de tradição e tem mais de 20 títulos publicados; alia ao aspecto da tradição a tecnologia como meio de divulgação de sua obra. Publicou em CD Cordas e Cordéis, em 2006, uma coletânea de poemas. Participou, também, do filme o Visgo do improviso de Maria Alice Amorim em 2007.

FONTE CONSULTADA

PERFIS. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=231&catid=48>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta José de Souza Campos – Síntese biográfica

José de Souza Campos (1924)

José de Souza Campos nasceu em Timbaúba, a 02 de abril de 1924. Começou aos 12 anos, vendendo folhetos em feiras livres e depois se tornou autor. Publicou, entre outros, os folhetos A arca de Noé no Monte Ararat e A história da novilha de ouro.

FONTE CONSULTADA

MEMÓRIA da Poesia  Popular: informação sobre vida e obra de poetaspopulares brasileiros. Poeta José Campos – síntese bibliográfica. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.wordpress.com/2014/12/03/poeta-jose-de-souza-campos-sintese-biografica/&gt;. Acesso em: 15 nov. 2014.

 

Poeta José Costa Leite – Síntese biográfica

José Costa Leite (27/07/1927)

Natural da cidade de Sapé na Paraíba, José Costa Leite nasceu em 27 de julho de 1927. Filho de Paulino Costa Leite e Maria Rodrigues dos Santos, o poeta popular e xilógrafo vive em Condado, Pernambuco. Diz que nunca frequentou a escola, tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel. Em relação à cidade escolhida para residir, o poeta revela em seu cordel intitulado Quem gostar de Terra boa só quer morar em Condado e justifica o porquê da escolha da referida cidade como se pode testemunhar nas estrofes que seguem:

 A antiga Goianinha

Que é Condado hoje em dia

É a terra da magia

Que o povo sempre acarinha

Tem a cidade vizinha

Goiana no mesmo estado

 

Condado

É um lugar amado

A notícia sempre voa

Só quer morar em Condado.

 

É estrela da zona da Mata Norte

Da zona pernambucana

É a cidade da cana

Seu terreno é muito forte

Bom pra se pegar transporte

Tem carro pra todo lado

É o lugar apropriado

Onde não tem gente a-toa

Quem gosta de terra boa

Só quer morar em Condado.

Condado é terra da jaca

Manga, mamão, macaxeira

Pra população inteira

Até mesmo em Jararaca

A produção não é fraca

Dar cada inhame aloprado

Só vive contando loa

Quem gostar de terra boa

Só quer morar em Condado.

 

O Condado é bom demais

Pra quem planta agricultura

Pois é terra da fartura

E muita gente, aliás

Na lavoura vive em paz

Planta muito e tem lucrado

Lavoura no seu roçado

E canta dizendo loa

Quem gostar de terá (terra?) boa

Só quer morar em Condado.

Em 1947, ele começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Logo em seguida, improvisa-se xilógrafo, gravando na madeira a imagem que ilustra seu terceiro título: O rapaz que virou bode. Torna-se, assim, um profissional polivalente, exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta, editor, ilustrador e continua a vender folhetos, de feira em feira. Todavia, ele alerta:

 O cordel já vem do sangue

Tinha recebido a seta

Da deusa da poesia

Numa paisagem direta

Olhando um dicionário

Pois não há Educandário

Que ensine a ser poeta.

 

Pois a pessoa já nasce

Trazendo a poesia

No dia que ele morrer

Ela vai em companhia

Pois a poesia é bela

O vivente nasce com ela

E no juízo ela se cria.

José Costa Leite, com sua poética peculiar, seduz pela forma como transita entre a poesia, a história e a ficção, fabulando em versos que representam e imprimem por meio da palavra sua cosmovisão de mundo (CABRAL, 2013). Deixa fluir uma sensibilidade que o faz caminhar por entre mundos reais e fantásticos. Seu olhar poético o faz se apropriar das coisas que estão à sua volta, retratando o Brasil e seu povo, ou seja, toda sua arte origina-se na realidade social relacionada sempre às condições de espaço, tempo, cultura e relações sociais. Com estes elementos, o poeta explora, inventa e transmite, por meio da linguagem, seus sonhos, utopias e desejos.

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, Geovanni Gomes. Biografia, trajetórias e memória: histórias do poeta José Costa Leite. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 17., 2013, Natal. Anais… Natal, 2013.

CABRAL, Geovanni Gomes. Relatos orais, memória e narrativa: histórias do poeta José Costa Leite 1950-1960. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.encontro 2012.historiaoral.org.br/resources/anais/3/1340373289_ARQUIVO_ArtigoGeovanni-XIEncontroHistoriaOral.pdf>. Acesso em: 09 set. 2014.

CARVALHO, Márcia Ferreira de. A representação da mulher e de satanás em José Costa Leite. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ actas/article/viewFile/15862/9075>. Acesso em: 09 set. 2014.

MONTEIRO, Ênio Chaves; PIRES, Vera. Tautologia da xilogravura de cordel: oralidade, texto e imagem. Nau Literária, v. 1, n. 9, jan./jun. 2013.

OLIVEIRA JUNIOR, Rômulo José Francisco de. Como se consagra um mito?: representações do cangaceiro Antonio Silvino nos cordéis de José Costa Leite. Revista Tempo Histórico, v. 5, n. 1, p. 1-15, 2013.

Poeta José Camelo de Melo Resende – Síntese biográfica

José Camelo de Melo Resende (20/04/1885 – 28/10/1964)

Natural do povoado de Pilõezinhos, município de Guarabira, Paraíba, José Camelo de Melo Resende nasceu em 20 de abril de 1885 e faleceu na cidade de Rio Tinto, Paraíba, aos 28 de outubro de 1964. Poeta popular, cantador, carpinteiro e xilógrafo, era, segundo Átila Almeida e José Alves Sobrinho, homem imaginoso e brilhante. Começou a versar romances por volta de 1923, mas não escrevia suas composições: guardava-as na memória para cantá-las onde se apresentasse.

No fim dos anos 1920, mete-se em complicações e foge para Rio Grande do Norte, onde se esconde por uns tempos. É nessa época que João Melquíades Ferreira da Silva publica na Paraíba, em seu nome, o romance Pavão misterioso, obra criada por José Camelo. Este denuncia o golpe, mas o romance continuara a ser atribuído a João Melquíades (o caso gerou polêmica que perdura até os dias atuais, apesar de já estar provada e documentada a verdadeira autoria).

Pavão misterioso torna-se um dos maiores sucessos da literatura de cordel, sendo reeditado inúmeras vezes, além de inspirar peças de teatro, canção, novela de televisão e filme de animação. Segundo Vicente Barbosa (2013)

De todos os Cordéis até hoje impressos, um deles teve destaque, e tornou-se um grande best-seller do gênero. Trata-se do Romance do Pavão Misterioso, obra do cordelista guarabirense José Camelo de Melo Rezende (1885-1964) que ganhou fama no Brasil e no mundo. O Romance do Pavão Misterioso já foi adaptado para o teatro, cinema, literatura, música e televisão, com seu texto simples, aliado à fluência dos versos e às referências aos contos das Mil e Uma Noites alcançou a espantosa tiragem de mais de dez milhões de cópias, vendidas em todo o País.

 De acordo com Marcu Haurélio, em 2013, para celebrar os 90 anos de encantos do Pavão Misterioso, o poeta Paulo Gracino, natural de Guarabira, fez uma homenagem a essa obra inesquecível com o poema 90 anos de encantos de um Pavão Misterioso, como revelam as primeiras estrofes da poética:

 Quem é que nunca ouviu

Um dia alguém contar

A história de um pavão,

 Que começou a voar

Há mais de noventa anos

E que nem pensa em parar.

Ele é misterioso,

 Mas nunca foi encantado.

 Passeou no mundo todo

E sempre foi bem lembrado,

 Por tudo que fez e faz

E por onde tem passado.

Ele é o grande astro

De um romance acontecido.

Um romance de verdade,

Daqueles bem aguerrido,

Que já tem quase cem anos,

E jamais foi esquecido.

No fim da vida, porém, quase octogenário, o poeta se deixa ganhar pela frustração e amargura, destruindo – segundo seus contemporâneos – umas cinquenta obras de sua autoria.

FONTES CONSULTADAS

BARBOSA, Vicente. 90 anos do romance o pavão misterioso. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.vermelho.org.br/noticia/215584-11>. Acesso em: 12 jun. 2014.

BIOGRAFIA. José Camelo de Melo Resende.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/JoseCamelo/joseCamelo_biografia.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SANTOS, Elisa Duque Neves dos; CARREIRÃO, Paula Carreirão;  VIANNA, Sabrina. O corpo e a voz na contação de O Pavão Misterioso. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/IIICILLIJ/Trabalhos/Trabalhos/S3/elisasantos.pdf.>. Acesso em: 06 ago. 2014.

Poeta José Bernardo da Silva – Síntese biográfica

José Bernardo da Silva (02/11/1901 – 1971)

Considerado um dos mais expressivos editores de literatura de cordel durante as décadas de 40, 50 e 60. Mesmo com o seu falecimento em 1971, a Lira Nordestina (nome que ganhou a sua casa editorial – a Tipografia São Francisco – por sugestão do poeta Patativa do Assaré) continuou esse trabalho até meados da década de 80.

José Bernardo da Silva nasceu em Alagoas no dia 2 de novembro de 1901. Filho de pequeno sitiante, segundo apuraram os mais acreditados pesquisadores da literatura de cordel, emigrou com seu pai na seca de 1915 para Pernambuco, instalando-se inicialmente na cidade de Vitória do Santo Antão, onde trabalhava na lavoura. Em 1924, casa-se com Ana Vicência de Arruda e Silva. Veio pela primeira vez ao Juazeiro do Norte em 1926, numa romaria, percorrendo todo o trajeto a pé em companhia da mulher e da filha mais velha. Chegando à Meca do Cariri, travou conhecimento com o grande Patriarca do Juazeiro – Padre Cícero e resolveu fixar-se na cidade, onde começou a trabalhar como vendedor ambulante de raízes e outros produtos medicinais usados pelo povo e, também a vender os primeiros folhetos, seus e de outros autores.

Em 1936, fundou a mais renomada editora popular de todos os tempos. Inicialmente, voltada à impressão dos folhetos do próprio José Bernardo e de outros poetas da região. A Tipografia São Francisco ganhou impulso extraordinário com a aquisição dos direitos autorais das obras editadas por João Martins Ataíde, entre as quais as de Leandro Gomes de Barros. Devido a essa prática, antigamente comum na literatura de cordel, de transferência de direitos autorais de um autor para um editor, o nome de José Bernardo aparece em inúmeros folhetos de autoria alheia, o que torna difícil precisar os que foram efetivamente escritos por ele. O seu acervo de mais de 200 obras passou, com o fim da Tipografia São Francisco, para a Lira Nordestina e, mesmo com o seu falecimento em 1971, a Lira Nordestina continuou esse trabalho até meados da década de 80.

Em relação à sua função de tipógrafo registrou em verso o poeta:

 Não sou poeta vos digo

Mas com rima arranjo o pão.

Sou chapista e impressor

Sou bom na composição.

O meu saber se irradia

Conheço com perfeição

Agradeço esta opulência

À Divina Providência

E ao Padre Cícero Romão

FONTES CONSULTADAS

FLOGÃO. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.flogao.com.br/arievaldocordel/29191043>. Acesso em: 20 nov. 2014.

PINTO, Rosário. José Bernardo da Silva. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2011/05/ cordel-de-saia-homenageia-jose-bernardo.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

RAMOS, Everardo. Escritores-illustradores de folhetos de cordel: processos de criação popular. IN: ENCONTRO REGIONAL DA ABRALIC, 2007, São Paulo. Anais… São Paulo: [s.n], 2007.

Poeta José Clementino de Souto – Síntese biográfica

José Clementino de Souto (1921 – 2011)

“José Alves Sobrinho” foi o nome adotado por José Clementino de Souto na sua vida profissional. Nascido em Pedra Lavrada, Paraíba, em julho de 1921, foi um dos grandes cantadores de sua época, tendo se tornado um pesquisador atento e dedicado à cultura popular.

Ainda na infância, ele aprendeu na escola a escrever uma quadra na poesia popular, ao ser solicitado para escrevê-la, como exercício, cabendo a José Clementino, órfão de mãe, a tarefa de versejar sobre o tema: mãe, e assim o fez:

Como eu não tenho mãe
Como todo mundo tem
Minha mãe é mãe Dionísia
Que me beija e me quer bem.

Com sua primeira produção, encantou de pronto o professor que afirmou ter o aluno verve para a rima. Ex-cantador de viola, chegou a perder a voz devido a um trauma nas cordas vocais, mas, para não se divorciar daquilo que mais amava, que era cantar, começou a pesquisar e se dedicar a escrever o folhetinho e vender na feira. Como não tinha mais mercado na sua região, ele foi acumulando conhecimentos acerca do assunto de folclore.

Funcionário aposentado da Universidade Federal da Paraíba (campus II, em Campina Grande), lá organizou juntamente com o professor Átila Almeida um arquivo por volta de 5 mil folhetos de cordel. Ministrou, inclusive, cursos rápidos (de extensão) de literatura popular na universidade, no antigo Nell. Tem dezesseis obras publicadas no campo da Literatura de Cordel, entre pelejas, folhetos de oito a dezesseis páginas e romances de vinte e quatro a sessenta e oito páginas.

Faleceu na cidade de Campina Grande, Paraíba, em 21 de setembro de 2011, aos 90 anos, vítima de complicações de um câncer.

FONTES CONSULTADAS

DINIZ, Joseilda de Sousa. Recriar o espaço de voz do poeta: a memória entre dois mundos. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 35, 2010. Disponível em: <http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/view/1647/1266>. Acesso em: 10 nov. 2014.

FERREIRA, Rau. João Benedito: o cantador de esperança. Esperança: [s.n], 2011.

LUCENA, Bruna Paiva de. Cante lá que eu canto cá: poéticas populares dentro e fora das molduras. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 35. p. 51-76, jan./jun. 2010.

MORAIS, Alexandre. Cultural e coisa e tal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://culturaecoisaetal.blogspot.com. br/2011/09/jose-alves-sobrinho.html>. Acesso em: 12 nov. 2014.

OLIVEIRA, Bernardina Maria Juvenal Freire de; ALBUQUERQUE, Maria Elizabeth Baltar Carneiro de. Na memória da tradição: informação sobre vida e obra de poetas populares brasileiros. IN: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14., 2013, Florianópolis. Anais… Florianópolis, 2013.

OLIVEIRA, Diana Reis de; NICOLAU, Marcos. José Alves Sobrinho sob o olhar da Câmera: o processo de construção de um vídeo documentário sobre um mestre de Cultura Popular. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO, 30., 2007, Santos. Anais… Santos: Intercom, 2007.

PLURAL Pluriel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.pluralpluriel.org/index.php?option=com_content&view=article&id=413:numero-10-textes-et-documents&catid=36:contes-croniques-poesie&Itemid=57>. Acesso em: 15 nov. 2014.

SANTOS, Luciany Aparecida Alves; MARINHO, Ana Cristina. Narrativas culturais da literatura de cordel brasileira. Cultura & Tradução, João Pessoa, v. 1, n. 1, 2011.

Poeta José Alves Pontes – Síntese biográfica

José Alves Pontes (08/02/1920 – 11/11/2009)

 

Filho de João Alves Pontes e Cândida Alves Pontes, nasce em 8 de fevereiro de 1920 o poeta cordelista José Alves Pontes, no município de Pilar, Paraíba. Ajudou seu pai na agricultura até os 23 anos de idade, mas sempre teve vocação para a poesia popular. Com o falecimento do pai em 1948, começou a vender folhetos de cordel nas feiras vizinhas e empregou-se na tipografia  A Folha, em Itabaiana, PB, depois em outra gráfica situada em Timbaúba, Pernambuco, das quais saiu como gráfico profissional. Em 1951, ele foi morar em Guarabira, Paraíba, passando a trabalhar na tipografia de Manoel Camilo dos Santos até 1957; em seguida, passou a trabalhar por conta própria com uma máquina manual que ele mesmo construiu, de ferro e madeira, e em 1962, ele instalou sua tipografia chamada “Tipografia e Folhetaria Pontes”. Especializou-se em publicar seus próprios folhetos, e também trabalhos de encomenda para todo o Nordeste e demais regiões do país. Em 1985, por questões financeiras, vendeu sua tipografia, vindo a trabalhar como empregado e revisor na tipografia de um amigo seu, lá mesmo em Guarabira, Paraíba, onde faleceu aos 11 de novembro de 2009.

Seu estilo literário trazia questões de caráter religioso em paralelo com a riqueza, como se pode verificar na estrofe do cordel intitulado História de Geraldo e Silvina:

 

No sertão da Paraíba

Em certo tempo passado

Existiu um fazendeiro

Muito rico em terra e gado,

Porém um ruim como ele

No mundo não foi criado.

Não acreditava em santo

E nem a Deus dava crença

Pegava um pobre indefeso

Com barbaridade imensa

Dava uma surra e botava-o

Mais uma noite na prensa.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

RAMOS, Felipe Aires; DANTAS, Priscila Mayara Santos; CIPRIANO, Maria do Socorro. Literatura de cordel: operações midiáticas e práticas de leituras. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/ Literatura%20de%20Cordel%20Operacoes%20Midiaticas%20e%20Praticas%20de%20Leituras.pdf>. Acesso em: 05 ago. 2014.

HISTORIA de Geraldo e Silvina – Luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/ 232-historia-de-geraldo-e-silvina-luzeiro.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta José Adão Filho – Síntese biográfica

José Adão Filho

Natural do município de Fagundes localizado na região metropolitana de Campina Grandeestado da Paraíba. José Adão Filho traz em sua poética o senso de humor e a vivacidade atribuída a Leandro Gomes de Barros. Lamentavelmente, pouco se tem registrado sobre sua biografia e em relação à sua produção literária também resta pequena amostragem, a exemplo dos fragmentos extraídos do cordel Marco parahybano, em que o poeta demonstra desafiar outro cantador ao afirmar categoricamente que quem quiser atacar seu marco, seria necessário levantar os pontos citados por ele:

 Para derrubar meu marco

O cantador arranjaria

Material que não fosse

Conhecido hoje em dia

Nem que no meu já houvesse

Descripto em cantoria.

[…]

Vindo com fogo eu apago

Com água, toda derramo

Com vinho não me embriago

Com veneno bebo e chamo

Licor também tenho

Chumbo, espada muito amo

[…]

 

Geographia, botânica

Chimica, geologia

Mecânica, fundição

Aviação, zoologia

Nada disso se ignora

Nesta minha poesia.

FONTES CONSULTADAS

ALMEIDA, Átila Augusto F. de; ALVES SOBRINHO, José. Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada. João Pessoa: Editora Universitária, 1978.

CORDEL: terceiro ato – moral da peça: a tradição se refaz. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://bdtd.biblioteca.ufpb.br/tde_arquivos/9/TDE-2011-05-25T092511Z-1050/Publico/parte2.pdf>. Acesso em: 25 out. 2014.

COSTA, Rangel Alves da. Estudo para o cordel: o que é esse folheto pendurado no barbante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2740269>. Acesso em: 04 jul. 2014.

 DOURADO, Gustavo. A presença do cordel.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.overmundo.com.br/overblog/a-presenca-do-cordel>. Acesso: 04 jul. 2014.

LEMOS, Wagner. História da literatura de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.wagnerlemos.com.br/ literaturadecordel.htm>. Acesso em: 04 jul. 2014.