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Poeta José Camelo de Melo Resende – Síntese biográfica

José Camelo de Melo Resende (20/04/1885 – 28/10/1964)

Natural do povoado de Pilõezinhos, município de Guarabira, Paraíba, José Camelo de Melo Resende nasceu em 20 de abril de 1885 e faleceu na cidade de Rio Tinto, Paraíba, aos 28 de outubro de 1964. Poeta popular, cantador, carpinteiro e xilógrafo, era, segundo Átila Almeida e José Alves Sobrinho, homem imaginoso e brilhante. Começou a versar romances por volta de 1923, mas não escrevia suas composições: guardava-as na memória para cantá-las onde se apresentasse.

No fim dos anos 1920, mete-se em complicações e foge para Rio Grande do Norte, onde se esconde por uns tempos. É nessa época que João Melquíades Ferreira da Silva publica na Paraíba, em seu nome, o romance Pavão misterioso, obra criada por José Camelo. Este denuncia o golpe, mas o romance continuara a ser atribuído a João Melquíades (o caso gerou polêmica que perdura até os dias atuais, apesar de já estar provada e documentada a verdadeira autoria).

Pavão misterioso torna-se um dos maiores sucessos da literatura de cordel, sendo reeditado inúmeras vezes, além de inspirar peças de teatro, canção, novela de televisão e filme de animação. Segundo Vicente Barbosa (2013)

De todos os Cordéis até hoje impressos, um deles teve destaque, e tornou-se um grande best-seller do gênero. Trata-se do Romance do Pavão Misterioso, obra do cordelista guarabirense José Camelo de Melo Rezende (1885-1964) que ganhou fama no Brasil e no mundo. O Romance do Pavão Misterioso já foi adaptado para o teatro, cinema, literatura, música e televisão, com seu texto simples, aliado à fluência dos versos e às referências aos contos das Mil e Uma Noites alcançou a espantosa tiragem de mais de dez milhões de cópias, vendidas em todo o País.

 De acordo com Marcu Haurélio, em 2013, para celebrar os 90 anos de encantos do Pavão Misterioso, o poeta Paulo Gracino, natural de Guarabira, fez uma homenagem a essa obra inesquecível com o poema 90 anos de encantos de um Pavão Misterioso, como revelam as primeiras estrofes da poética:

 Quem é que nunca ouviu

Um dia alguém contar

A história de um pavão,

 Que começou a voar

Há mais de noventa anos

E que nem pensa em parar.

Ele é misterioso,

 Mas nunca foi encantado.

 Passeou no mundo todo

E sempre foi bem lembrado,

 Por tudo que fez e faz

E por onde tem passado.

Ele é o grande astro

De um romance acontecido.

Um romance de verdade,

Daqueles bem aguerrido,

Que já tem quase cem anos,

E jamais foi esquecido.

No fim da vida, porém, quase octogenário, o poeta se deixa ganhar pela frustração e amargura, destruindo – segundo seus contemporâneos – umas cinquenta obras de sua autoria.

FONTES CONSULTADAS

BARBOSA, Vicente. 90 anos do romance o pavão misterioso. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.vermelho.org.br/noticia/215584-11>. Acesso em: 12 jun. 2014.

BIOGRAFIA. José Camelo de Melo Resende.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/JoseCamelo/joseCamelo_biografia.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SANTOS, Elisa Duque Neves dos; CARREIRÃO, Paula Carreirão;  VIANNA, Sabrina. O corpo e a voz na contação de O Pavão Misterioso. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/IIICILLIJ/Trabalhos/Trabalhos/S3/elisasantos.pdf.>. Acesso em: 06 ago. 2014.

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