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Poeta Firmino Teixeira do Amaral – Síntese biográfica

Firmino Teixeira do Amaral (1896-1926)

Poeta popular e jornalista piauiense, Firmino Teixeira do Amaral nasceu na localidade de Bezerro Morto, então pertencente à Amarração, hoje Luís Correia, Piauí, em 1896 e faleceu jovem, aos 30 anos (1926), em Parnaíba, Piauí.

Residiu em Belém, Pará e foi um dos principais autores da Editora Guajarina, fundada pelo pernambucano Francisco Lopes e funcionou por 14 anos (1914-1942), considerada a maior editora de cordel da região Norte, chegando a publicar cerca de 846 folhetos neste período. (SALLES, 1971, apud MEMÓRIAS DO CORDEL).

Autor da célebre Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum (1916), que muitos consideram real, tudo indica que foi ficção; chegou a ser gravada por Nara Leão e João do Vale no disco OPINIÃO (Philips, novembro de 1964). Nesta obra Firmino criou o trava-língua, novo gênero na cantoria.

Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho dos Tucuns

“Apreciem, meus leitores,
Uma forte discussão,
Que tive com Zé Pretinho,
Um cantador do sertão,
O qual, no tanger do verso,
Vencia qualquer questão.
Um dia, determinei
A sair do Quixadá
Uma das belas cidades
Do estado do Ceará.
Fui até o Piauí,
Ver os cantores de lá.
Me hospedei na Pimenteira
Depois em Alagoinha;
Cantei no Campo Maior,
No Angico e na Baixinha.
De lá eu tive um convite
Para cantar na Varzinha.
[…]”

FONTES CONSULTADAS

AMARAL, F. T.. A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho. In: JANGADA Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: http://jangadabrasil.com.br/dezembro/cn41200c.htm&gt.>. Acesso em: 12 nov. 2012.

MEMÓRIAS do Cordel. Editoras do Cordel #2 – Guajarina. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://memoriasdocordel. blogspot.com/2013/02/editoras-do-cordel-2-guajarina.html&gt;>. Acesso em: 12 nov. 2012.

Poeta Fábio Sombra – Síntese biográfica

Fábio Sombra (1965)

O poeta, cordelista, repentista, violeiro, músico, ilustrador e pesquisador de cultura popular, Fábio Sombra, nasceu no Rio de Janeiro em 1965 e assim se apresenta em seu blog: “Eu adoro escrever, pintar, desenhar, tocar viola e contar histórias. Gostaria que o dia tivesse umas 36 horas só para dar tempo de fazer todas essas coisas ao mesmo tempo…rs.”

Sombra é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) e ocupa a cadeira 03, dedicada ao poeta Firmino Teixeira do Amaral.

Em suas obras infantojuvenis, aborda temas da cultura popular, tais como as folias de reis, desafios em versos e cantorias de viola. Seus livros A lenda do violeiro invejoso (2005) e Vladimir e o navio voador (2014) foram premiados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), com os selos de Altamente recomendável para o jovem. Seu primeiro romance foi intitulado A lenda do violeiro invejoso (ROCCO, 2005) e o primeiro CD foi Manheceu (KUARUP, 2007), onde apresentou suas composições em ritmos tradicionais: catiras, cirandas, batuques, pagodes e modas de viola.

Conheceu a vida da roça na infância, quando passava férias na fazenda de uma tia-avó no interior de Minas Gerais, local onde saboreou famosas histórias e causos contados à noite, ao pé de um fogão de lenha. Certamente este foi um dos principais temperos para os causos do Sombra.

Seduzido pela literatura infantojuvenil a partir de um convite para ilustrar a adaptação, de Patativa do Assaré, de Aladim e a lâmpada maravilhosa. Das recordações de infância, das várias disputas de violeiros assistidas, nascem suas histórias, muitas publicadas e premiadas.

FONTES CONSULTADAS

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Fábio Sombra.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A 1bio_Sombra>. Acesso em: 12 nov. 2014.

______. Blog do Fábio Sombra. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.violeiro.blogspot.com.br/>. Acesso em: 12 nov. 2014.

SOMBRA, F. Apresentamos Fábio Sombra. In: Escrevendo com escritor 2013. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://escrevendocomescritor.blogspot.com.br/2008/08/apresentamos-fbio-sombra.html>. Acesso em: 12 nov. 2014.

______. Dicionário básico de autores de cordel. In: Cordel atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;. Acesso em: 12 nov. 2014.

Poetisa Arlene Holanda – Síntese biográfica

Arlene Holanda

A cearense Arlene Holanda é cordelista, arte-educadora, designer, historiadora, ilustradora e produtora cultural. Nasceu no Vale do Jaguaribe, precisamente na comunidade rural Córrego da Areia de Limoeiro no Norte, Ceará.

Com a obra Abismos, saudades e delícias (1995), principiou nas trilhas da literatura. Em 2006, publicou o primeiro livro infantojuvenil, intitulado O fantástico mundo do cordel, que recebeu o selo “Altamente Recomendável” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Do convívio, na infância, com a fauna e flora sertaneja, a cultura local, apreciando duelos de repentes, infundiu suas produções poéticas, como por exemplo, Aves do Sertão que retrata os pássaros sertanejos: canário, currupião, anum, tetéu, sabiá, graúna, alma-de-gato, cabeça-de-fita, etc. publicada pela Fundação Demócrito Rocha (FDR). Rememorando aspectos da cultura, com a tradição oral, lendas litorâneas e do folclore, publicou Ciranda (2011). O bode, majestade do sertão nordestino, por sua resistência à seca e adequação à caatinga, é o personagem do seu livro Yoiô: o bode celebridade, personalidade famosa e pitoresca de Fortaleza, que chegou a ser candidato a vereador em consequência da irreverência do povo cearense, figura tão querida que depois de morto foi empalhado e está no Museu do Ceará. Também biografou um dos precursores do repente no sertão paraibano em Inácio: o cantador-rei da catingueira. Nesta recente publicação (2014), ela apresenta biografia romanceada de Inácio de Catingueira, menino escravo, que deixou sua história na boca do povo, como memória cultural coletiva, conectando tradições orais, eventos documentados e informações oficiais, trazendo traços da cultura de um povo renegado pelo racismo e pelo preconceito. Saco de Mentiras, paixão de verdade resgata conto da oralidade popular recolhido por Câmara Cascudo, O couro do piolho.

Transitando em diversos gêneros (poesia, cordel, conto, romance) e oferecendo múltiplas possibilidades de temas transversais, apresentamos parte de sua.

FONTES CONSULTADAS

ARLETE Holanda. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://edicoesdemocritorocha.com.br/autores/arlene-holanda/&gt;. Acesso em: 06 nov. 2014.

______. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editora gaivota.com.br/autor/arlene-holanda/>. Acesso em: 06 nov. 2014.

______. Biografias de poetas. [S.l.]: Ed. Luzeiro, [20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 06 nov. 2014.

______. [S.l.]: Fundação Demócrito Rocha, [20?]. Disponível em: <http://www.fdr.com.br/edr/autores/arlene-holanda>. Acesso em: 06 nov. 2014.

SACO de mentiras. Portal Fator Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_ noticia.php?not=113706>. Acesso em 06 nov. 2014.

Poeta Arievaldo Viana Lima – Síntese biográfica

Arievaldo Viana Lima (18/09/1967)

Arievaldo Viana Lima é a prova inconteste da importância e benefícios da contação de histórias, que ajuda a criança a criar asas e voar através da fantasia, despertando sua criatividade e imaginação, além da aquisição da cultura, conhecimentos e valores. Em sua autobiografia, ele narra que por volta dos 4 ou 5 anos se deleitava em ouvir sua avó Alzira Sousa, que era colecionadora de folhetos, lendo versos da literatura popular para uma plateia atenta e embevecida. Foi ouvindo A Vida de Cancão de Fogo e o seu TestamentoAs proezas de João GriloTravessuras de Pedro Malazartes e outros folhetos, e por meio de uma Carta de ABC foi alfabetizado por D. Alzira, e logo surpreendeu a todos ao ser encontrado lendo, em voz alta, A chegada de Lampião no inferno.

As contações de histórias eram estendidas para outros momentos, tais como o trajeto entre a Fazenda Ouro Preto, onde nasceu e criou-se, e Olho d´água das Coronhas, localizado no sopé do serrote dos Três Irmãos, quando ao ir buscar água, o pai ia cantando seu romance preferido – A batalha de Oliveiros com Ferrabrás. Também foi seduzido pelas narrativas de uma velha rezadeira D. Bastiana, cuja neta, Rita Maria, enfeitiçava com suas histórias de trancoso. Entre feitiços e encantos, foi tomado pela paixão por folhetos, e aos 6 ou 7 anos, após juntar moedas, comprou alguns para sua coleção a um folheteiro na Praça Thomaz Barbosa, centro de Canindé – CE. Momento único assim descrito pelo poeta:

Um espetáculo magnífico, que ainda hoje trago retido nas dobras da memória. Havia folhetos editados na Tipografia das Filhas de José Bernardo, de Manoel Caboclo e Silva, de João José da Silva e de Manoel Camilo dos Santos. Lembro-me bem de haver comprado “Roberto do Diabo”, “Intriga do Cachorro com o Gato”, “Roldão no Leão de Ouro” e “O príncipe do Barro Branco no Reino do Vai-não-torna” (AUTOBIOGRAFIA ARIEVALDO, 2014).

O filho primogênito do poeta de improviso Francisco Evaldo de Sousa Lima, e Hathane Maria Viana Lima, acreditando que a alfabetização é fundamental, criou em 2002 o projetoAcorda Cordel na Sala de Aula, para alfabetização de jovens e adultos por meio da poesia popular, que foi adotado em diversos municípios brasileiros, dentre eles Quixeramobim, Ceará, sua terra natal.

Este poeta popular, radialista, ilustrador e publicitário, em 2000 passou a ser membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), onde ocupa a cadeira de nº 40 da, cujo patrono é João Melchíades Ferreira da Silva.

Apresenta uma vasta produção literária e publicou em parceria com os poetas Pedro Paulo Paulino, Jota Batista, Klévisson Viana, Gonzaga Vieira, Zé Maria de Fortaleza, Manoel Monteiro da Silva, Rouxinol do Rinaré e Marco Haurélio.

Com mais de 100 cordéis e vários livros publicados, escreveu sua primeira obra por volta dos 8 ou 9 anos de idade, quando escrevinhou suas primeiras sextilhas, contando evento ocorrido com os primos Totonho, Osvaldo e Marquinhos, que colocaram os frutos verdes de um pé de cabaceira, que havia no quintal do avô, na fogueira de São João, vindo a serem sovados pelo avô que queria as cabaças para outros fins. Assim, ele rememora suas habilidades editorias na confecção desse folheto:

Eu pegava um papel que vinha no miolo de uma caixa de Maisena, dobrava ao meio e fazia o miolo de um libreto do mesmo formato de um cordel. Depois pegava aquele papel de embrulho verde ou rosa que havia no balcão da bodega do meu avô e fazia a capa do verso. Pra completar, escrevia em letra de forma e fazia uma capa com caneta preta, imitando uma xilogravura (AUTOBIOGRAFIA ARIEVALDO, 2014).

Recebeu influências dos seus poetas populares preferidos Leandro Gomes de Barros e José Pacheco da Rocha, além dos versos dos ilustres Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e Gregório de Matos Guerra (Boca do Inferno), este último com uma produção satírica que pode se equiparar aos fundamentos do cordel.

Em janeiro de 1978, foi residir em casa de parentes em Maracanaú, município da região metropolitana de Fortaleza, para dar sequência aos estudos, época em que economizava o dinheiro enviado pela avó para o lanche e comprava cordéis vendidos por José Flor. As férias eram passadas na casa dos avós, ocasiões de reencontro com os primos, que vinham de Canindé, e à noite, sob a lâmpada de gás butano da sala de jantar lia não só os folhetos levados na mala, como também sua produção, como por exemplo, As proezas de Jota Severo numa paga do Bolsão, escrito aos 13 anos.

Em 1980, foi residir com os pais na cidade de Canindé. Tempos depois passou a colaborar no jornal O POVO de domingo com uma “tira” do cangaceiro “Nonato Lamparina”, personagem inventado em 1982.

Na década seguinte, passou a trabalhar em agências de propaganda de Fortaleza, tempos difíceis para o cordel, quando sentia dificuldade em encontrar folheteiros nas visitas a Canindé, onde só encontrava material da Editora Luzeiro, São Paulo. Preocupado com a decadência do folheto de feira, voltou a produzir, inclusive em parceria com Pedro Paulo Paulino e Gonzaga Vieira, ocasião em que publicaram a Coleção Cancão de Fogo.

Ao adaptar Luzia Homem para cordel, Viana obteve o primeiro lugar do prêmio Domingos Olympio de Literatura (2002), promovido pela Prefeitura de Sobral, Ceará e ficou entre os dez primeiros colocados do Concurso de Literatura de Cordel promovido pelo Metrô de São Paulo.

FONTES CONSULTADAS

AUTO-BIOGRAFIA Arievaldo. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.flogao.com.br/arievaldo cordel/71441038>. Acesso em: 06 nov. 2014.

PROJETO Acorda Cordel na Sala de Aula comemora 10 anos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.vermelho. org.br/ce/noticia.php?id_secao=61&id_noticia=134220>. Acesso em: 06 nov. 2014.

VIANA, A. O Nordeste: enciclopédia Nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Arievaldo+Viana>. Acesso em: 06 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Arievaldo_ Viana>. Acesso em: 05 nov. 2014.

______. Centenário de Manoel Barbosa Lima, meu “avôhai”. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.luizberto.com/mala-da-cobra-arievaldo-vianna/centenario-de-manoel-barbosa-lima-meu-%E2%80%9Cavohai%E2%80%9D&gt;. Acesso em: 06 nov. 2014.

 

Poeta Apolônio Alves dos Santos – Síntese biográfica

Apolônio Alves dos Santos (20/09/1926 –/1998)

Cordelista paraibano, nascido aos 20 de setembro de 1926, em Serraria, município caracterizado pela paisagem serrana e clima agradável, por isso é reconhecida como Princesa do Brejo ou Suíça paraibana. Algumas fontes afirmam que Apolônio nasceu em Guarabira, Paraíba, mas na realidade esta foi a cidade onde os pais, Francisco Alves dos Santos e Antônia Maria da Conceição, criaram o poeta. Faleceu aos 72 anos, na cidade de Campina Grande, Paraíba, no ano de 1998.

Iniciou a vida literária aos 20 anos. Escreveu e não pôde publicar seu primeiro romance: Maria Cara de Pau e o Príncipe Gregoriano, o qual foi vendido, em 1948, para José Alves Pontes, sendo publicado no ano seguinte, em Guarabira, Paraíba.

Nos idos de 1950, foi trabalhar na construção civil na Cidade Maravilhosa, como pedreiro e ladrilheiro; em 1960 trabalhou em Brasília, e inspirado escreveu A construção de Brasília e sua inauguração e, no ano seguinte, retornou para o Rio de Janeiro. Sua estada no Rio contextualizou o cordel Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara:

“[…]
Disse o nortista é por isso
que o nordestino é forçoso
porque no meu velho norte
se come pirão gostoso
com farinha de mandioca
aqui só dá carioca
doente tuberculoso
C – “Respondeu o carioca
no queira tanto agravar
seu nordeste é muito bom
mas lá ninguém quer ficar
deixou lá seu pé de serra
e veio pra minha terra
para poder escapar”.
N – ” Aqui também me pertence
o nortista respondeu
eu sou nato brasileiro
o Brasil é todo meu
o homem precisa andar
para poder desfrutar
do país onde nasceu”.
C – “O carioca rompeu
nordestino é curioso
além de ter olho grande
é demais ambicioso
chega aqui se amaloca
na terra do carioca
doente tuberculoso”.
N – “Disse o nortista é porque
nosso Rio de Janeiro
precisa do nordestino
pois é um povo ordeiro
pra quem derrama suor
aqui no Rio é melhor
para se ganhar dinheiro
[…]”.

 FONTES CONSULTADAS

SANTOS, A. A. In: EDITORA Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com. br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

 APOLÔNIO Alves dos Santos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Apol%C3%B4nio+Alves+dos+Santos>.  Acesso em: 06 nov. 2014.

CORDELISTA paraibano póstumo Apolônio Alves dos Santos. In: CORDEL Paraíba: espaço destinado à publicação de poemas e informações diversas relacionadas com a literatura de cordel. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: cordelparaiba. blogspot.com.br/2010/06/cordelista-paraibano-postumo-apolonio.html>. Acesso em: 06 nov. 2014.

 

Poeta Antônio Teodoro dos Santos – Síntese biográfica

Antônio Teodoro dos Santos (24/03/1916 – 23/10/1981)

Antônio Teodoro dos Santos teve o início e o fim da sua trajetória terrena acontecida em um dia especial, pois nasceu e morreu em uma sexta-feira, que no dito popular é assinalado como o melhor dia da semana, por ser o último dia de trabalho e véspera de muitas promessas, pois no fim de semana todos querem diversão. O imaginário se estendeu ao seu apelido, da experiência na aventura e a proeza na busca por substâncias minerais valiosas, quando jovem ao exercer a função de garimpeiro, o que deu origem à alcunha de Poeta Garimpeiro. Referência presente no cordel intitulado Antônio Teodoro dos Santos, o Poeta Garimpeiro de autoria do poeta das biografias, o norte-rio-grandense Marciano Medeiros, que assim homenageou Antônio Teodoro:

 Foi Antônio Teodoro
Dos Santos, nobre poeta,
Fazendo muitos folhetos,
Produziu obra seleta,
Que permanece atual,
Diversa, rica e completa.
Natural de Jaguarari
No belo Estado baiano,
Quando chegou dezesseis,
Nasceu naquele bom ano,
Para enfrentar desafios,
Conforme o divino plano.
Vendeu diversos folhetos,
Sendo um grande pioneiro,
Também quis ter profissão
Na arte de garimpeiro,
Andando em muitos lugares,
Do nosso chão brasileiro
[…].

A qualidade de explorador também foi um traço marcante desse poeta no espaço literário paulista, pois Antônio transpôs desafios e a ele devemos a abertura cordel em outros espaços. Desbravou São Paulo e em 1950 procurou a recém-fundada Editora Prelúdio onde publicou centenas de folhetos, dos quais Vida e tragédia do presidente Getúlio Vargas, que vendeu 280 mil exemplares em um mês chamando atenção dos pesquisadores Raymond Cantel e Orígenes Lessa.

Antônio nasceu no Centro-Norte baiano, no município de Jaguarari, aos 24 de março de 1916 e veio a falecer aos 65 anos, no dia 23 de outubro de 1981, na cidade fronteiriça à terra natal, na capital baiana do forró, Senhor do Bonfim.

A homenagem de Marciano Medeiros esclarece o progresso e declínio de Teodoro. Na fase áurea, também teve poema musicado por Tonico e Tinoco. No entanto, sua dependência do álcool o afastou da Editora Prelúdio, para onde tentou retornar em 1972, não sendo, pois, recebido pelo diretor Arlindo Pinto de Souza. Logo, seu poema Os gafanhotos do fim do mundo não foi avaliado. Sentindo-se humilhado, ficou depressivo e passou a beber cada vez mais.

Lágrimas de palhaço foi relançado em 2011, pela Editora Luzeiro:

  

Neste livro eu vou fazer
Rimas, oração e traço
Não quero que meu leitor
Na letra tenha embaraço
Saiba que agora vai ler
As “Lágrimas de um Palhaço”.
Nossa vida passo a passo
É submersa num véu
Quem triunfa dá um riso
Se julga quase no céu
Quem sofre tem alma presa
Como a caça no mundéu.
O mundo tem por um réu.
Um coitado sofredor.
Que às vezes é bom cristão
Justo pra Nosso Senhor,
Quando se diz: Coitadinho
Ele já sofreu a dor.
Eu como sou trovador
Quero contar o romance
De quem se viu desprezado
No mais grandioso lance
Quem tiver a mesma sorte
Não tem leito que o descanse.

  

FONTES CONSULTADAS

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Antônio Teodoro dos Santos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant% C3%B4nio_Teodoro_dos_Santos >. Acesso em: 05 nov. 2014.

ANTÔNIO Teodoro dos Santos: uma história para ser contada. In: AURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel.  S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio. blogspot.com.br/2009/07/antonio-teodoro-dos-santos-uma-historia.html>. Acesso em: 05 de nov. 2014.

EDITORA Luzeiro relança cordel de Antônio Teodoro dos Santos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://varnecicordel. blogspot.com. br/2011/02/editora-luzeiro-relanca-cordel-de.html>. Acesso em: 05 nov. 2014.

MEDEIROS, M. Antônio Teodoro dos Santos, O Poeta Garimpeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www. recantodasletras.com.br/cordel/4250455>. Acesso em: 05 de nov. 2014.

 

Poeta Antônio Ribeiro da Conceição – Síntese biográfica

Antônio Ribeiro da Conceição (22/10/1947)

O Antônio-cardosense Bule-Bule (pseudônimo de Antônio Ribeiro da Conceição) nasceu aos 22 de outubro de 1947. De ascendência africana, nato da região de Expansão Metropolitana de Feira de Santana na Bahia, é um ator, cantador, compositor, cordelista, escritor, poeta, repentista e músico, respeitado não só por seus múltiplos talentos, mas por manter as tradições musicais sertanejas baianas: samba rural baiano (samba sertanejo) e coco.

Antônio Ribeiro da Conceição teve sua trajetória retratada no primeiro episódio do documentário Visceral Brasil – as veias abertas da música. Dirigido pela cineasta Márcia Paraíso e codirigido por Carla Joner, o capítulo intitulado O trovador, o cabra e os mundos apresentou formação artística de Bule-Bule, que “sem romper com as origens, extrapolara a visibilidade regional e torna-se referência para a MPB” (O TROVADOR, 2014).

Antônio gravou seis CDs:

  • Cantadores da terra do sol,
  • Série grandes repentistas do Nordeste,
  • A fome e a vontade de comer,
  • Só não deixei de sambar,
  • Repente não tem fronteiras e
  • Licutixo.

Publicou quatro livros:

  • Bule-Bule em Quatro Estações,
  • Gotas de Sentimento,
  • Um Punhado de Cultura popular e
  • Só Não Deixei de Sambar

Produção artística incrementada por mais de oitenta cordéis e participação em peças teatrais e publicitárias, agraciadas pelo Prêmio Colunista. Bule-Bule foi recompensado com o Prêmio Hangar de Música no Rio Grande do Norte junto com Margareth Menezes e Ivete Sangalo.

Utilizando o poema, cantou a vida, homenageando o Rei do Baião, nosso saudoso Luiz Gonzaga, por meio da poesia intitulada O Nordeste Ainda Chora a Morte de Gonzagão.

“Quando a sirene da morte
Deu seu toque inicial
A luz do palco da vida
Mostrou seu clarão final
E Gonzagão deu início
Ao show celestial


Quem pouco conhece a vida
Não sabe o valor da morte
Saber viver é um dom
Ser feliz é muita sorte
Para o espírito ser livre
Precisa a vida ter corte


Gênio não morre, se afasta
Das vistas da multidão
Foi isso que aconteceu
Com o nosso Gonzagão


Que o mundo guarda com zelo
Na pasta do coração
Citarei outros valores
Que engrandece a nação
Castro Alves, Frei Caneca
E Catulo da Paixão


Zumbi, Tancredo e Getúlio
E padre Cícero Romão
Maria Felipa é
Símbolo de libertação
Joana Angélica é lembrada
Pela coragem e ação
Ninguém esquece Ana Neri
Quitéria e Nara Leão
No dia dois de agosto
Voou da serra um xexéu
O baião ficou sem rei
Entrou um anjo no céu


O Brasil perdeu um músico
Jesus ganhou um troféu
Aquela sanfona branca
Seu Luis deu de presente
A Jesus dizendo assim
Coloque-a na sua frente
E nas suas horas de folga
Toque um forró pra gente


Jesus disse, seu Luis eu vivo muito ocupado
Pouca gente vem aqui
Mas, muitos mandaram recado
Por esta razão meu tempo
Tem sido todo tomado
Vou chamar seu Januário
E Catulo da Paixão
Noel, Pixinguinha
Clara e Nara Leão


Lindu, Jakson do Pandeiro
Pra darem início a função
Zé Marcolino, Zé Dantas
Também já está chegando
Fale aí pra Glauber Rocha
Passar a noite filmando


Que quando acabar na terra
Assalto, sequestro e guerra
Eu projeto e fico olhando”.

FONTES CONSULTADAS:

AMORIM, M. Antônio Francisco diz ter sido imortalizado mais uma vez. [S.l.]: O Mossoroense, [2006?]. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/omossoroense/280506/conteudo/cotidiano1.htm>. Acesso em: 4 nov. 2014.

ANTÔNIO RIBEIRO DA CONCEIÇÃO. Editora Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Bule-Bule. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Bule-Bule#cite_note-bio1-1>. Acesso em: 04 nov. 2014.

BULE-BULE: cantor, compositor e repentista. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.bulebule.com.br/? conteudo=9>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

BULE-BULE: o cantador do samba rural baiano. In: Cantaiada e poemia: cultura-folclore-Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://poemia.wordpress.com/2009 /01/28/bule-bule-o-cantador-do-samba-rural-baiano/>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

DANTAS, F. M. Biografia de Antônio Ribeiro Falcão. In: Memórias de Conceição do Almeida. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://conceicaodoalmeida.wordpress .com/2012/01/31/biografia-de-antonio-ribeiro-falcao-por-frederico-m-dantas/>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

DOCUMENTÁRIO fará gravações sobre vida e obra do repentista feirense Bule Bule. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.acordacidade.com.br/noticias/105984/documentario-fara-gravacoes-sobre-vida-e-obra-do-repentista-feirense-bule-bule.html>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

Poeta Antônio Francisco Teixeira de Melo – Síntese biográfica

Antônio Francisco Teixeira de Melo (21/10/1949)

Cordelista norte-rio-grandense nascido aos 21 de outubro de 1949, em Mossoró, Rio Grande do Norte, filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo, cresceu no bairro da zona sul, Lagoa do Mato, ao qual dedicou um poema antológico.

Antônio Francisco, aventureiro e esportista, dedicou-se ao ciclismo, realizando turismo de bicicleta pela região Nordeste do nosso país continental, por isso só voltou-se para a literatura popular aos 46 anos, com sua primeira poesia Meu Sonho, obra que apresenta traços impressionistas e surrealistas, onde o autor recorre ao sonho para demonstrar sua inquietação com a interação entre homem e o meio. Poema composto de 37 estrofes de 6 versos, utilizando a redondilha maior (heptassílabo) e rimas alternadas (WIKIPÉDIA, 2014).

Como ser múltiplo, exerceu funções como: historiador (Bacharel em História, pela UERN), xilógrafo, compositor e confeccionador de placas de carro.

Apesar da carreira literária tardia, é reconhecido publicamente pela musicalidade de seus poemas, passando a ser alvo de estudo de vários compositores brasileiros. O reconhecimento da qualidade da sua produção levou-o a ser eleito para a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) em 15 de maio de 2006, onde ocupa a cadeira de número 15, cujo patrono é o poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré.

Antônio Francisco passou a ser considerado o “novo Patativa do Assaré”, não só pela cadeira que passou a ocupar na ABLC, mas principalmente pela  relevância da sua produção literária. Por tal razão, durante as comemorações do Ano da França no Brasil (2009), a Aliança Francesa de Natal promoveu um sarau em homenagem a este cordelista potiguar.

Costa (2004), ao verbetar Antônio Francisco no Dicionário de poetas cordelistas do Rio Grande do Norte, pormenorizou a avaliação das qualidades deste cordelista ao afirmar que não se discute sua monumental competência poética na nova geração da Literatura de Cordel potiguar e cita estudiosos e críticos, como Celso da Silveira, Cid Augusto, Crispiniano Neto, Luiz Antônio, Rubens Coelho, Clotilde Tavares, Caio César Muniz, Geraldo Maia, Marcos Ferreira e Kyldelmir Dantas, para fundamentar sua afirmação.

Sua produção poética cordelista foi reunida em duas antologias: Dez Cordéis num Cordel Só, título que exemplifica sua habilidade em trabalhar com sílabas de uma redondilha maior, e Por Motivos de Versos, este último apresenta um nordestino agradecido pela sua origem, com histórias que remetem à terra natal, onde no poema Um bairro chamado Lagoa do Mato, ele faz uma narrativa memorialística apresentando as transformações ocorridas:

“Nasci numa casa de frente pra linha,
Num bairro chamado Lagoa do Mato.
Cresci vendo a garça, a marreca e o pato,
Brincando por trás da nossa cozinha.
A tarde chamava o vento que vinha
Das bandas da praia pra nos abanar.
Titia gritava: está pronto o jantar!
O Sol se deitava, a Lua saía,
O trem apitava, a máquina gemia,
Soltando faísca de fogo no ar.

O galo cantava, peru respondia,
Carão dava um grito quebrando aruá,
A cobra piava caçando preá,
Cantava em dueto o sapo e a jia,
Aguapé se deitava e depois se abria,
Soltava seu cheiro nos braços do ar
O vento trazia pro nosso pomar,
Vovô se sentava no meio da gente
Contando história de cabra valente
Ouvindo lá fora o vento cantar.
Mas hoje nosso bairro está diferente.

Calou-se o carão que cantava na croa,
A boca do tempo comeu a lagoa
E com ela se foi o sossego da gente.
O vento que sopra agora é mais quente
E sem energia não sabe soprar.

A máquina do trem deixou de passar,
Ninguém olha mais pros raios da Lua
Que vivem perdidos no meio da rua
Por trás dos neóns sem poder brilhar.

Perdeu-se traíra debaixo do barro,
O sapo e a jia também foram embora.
Aguapé criou pé, deu no pé e agora?
Só rosas de plástico tristonhas num jarro,
Fumaça de lixo, descarga de carro,
Suor de esgoto pra gente cheirar,
Telefone gritando pra gente pagar,
Um louco na rua rasgando uma moto,
Um besta na porta pedindo o meu voto
E outro lá fora querendo comprar.

Um carro de som fanhoso bodeja:
Tem água de coco, tem caldo de cana,
Cocada de leite, gelé de banana,
Remédio pra caspa, tem copo, bandeja.
Uns quatro vizinhos brincando de igreja
Vão pra calçada depois do jantar.
O mais exaltado começa a pregar:
Jesus é fiel, castiga, mas ama!
E eu sem dormir rolando na cama
Pedindo a Jesus pro culto acabar.

E pegue zoada por trás do quintal:
Salada, paul, pomada, paçoca,
Pamonha, canjica, bejú, tapioca,
A do Zé tem mais coco, a do Pepe é legal!
Dez bola, dez bola, só custa um real!
Mas traga a vasilha pra não derramar!

Apuveite! Apuveite!
Que vai se acabar!
E alguém grita: gol!
Minha casa estremece
E eu digo baixinho: meu Deus se eu pudesse
Armar minha rede no fundo do mar!”

Este e outros poemas de Antônio Francisco compõem o projeto “nas ondas da leitura” da editora IMEPH (Fortaleza, Ceará), com publicações que trabalham a identidade, com o intuito de fortalecer, valorizar e valorar a cultura.

FONTES CONSULTADAS

AMORIM, M. Antônio Francisco diz ter sido imortalizado mais uma vez. O Mossoroense. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/omossoroense/280506/conteudo/cotidiano1.htm>. Acesso em: 04 nov. 2014.

MELO, A. F. T. Editora Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/ content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

CATÁLOGO. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http:// www.imepheditora.com.br/catalogo_busca.php?busca=Antonio+Francisco&button=Buscar+autor>. Acesso em: 04 nov. 2014.

COSTA, G. Dicionário de poetas cordelistas do Rio Grande do Norte: a memória da literatura de cordel no Rio Grande do Norte. Natal: Queima Bucha, 2004.

DEZ CORDÉIS num cordel só, de Antônio Francisco Teixeira de Melo. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.passei web.com/estudos/livros/dez_cordeis_num_cordel_so>.  Acesso em: 22 out. 2014.

HAURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

MELO, A. F. T. Um bairro chamado Lagoa do Mato. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogcarlossantos.com.br/um-bairro-chamado-lagoa-do-mato/>. Acesso em: 04 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Meu sonho. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_ Sonho>.  Acesso em: 04 nov. 2014.

 

Poeta Antônio Américo de Medeiros – Síntese biográfica

Antônio Américo de Medeiros (07/02/1930 – 21/01/2014)

Cantador, cordelista, editor, folhetista, vendedor e precursor de programa radiofônico, o norte-rio-grandense Antônio Américo de Medeiros nasceu no município de São João do Sabugi, Rio Grande do Norte, no dia 7 de fevereiro de 1930, vindo a falecer aos 84 anos, em uma terça-feira, 21 de janeiro de 2014, na cidade de Patos, Paraíba.

Poeta, cantando seus próprios versos ao som da viola, ainda adolescente (15 anos), começou a viajar pelo Nordeste como cantador profissional. Radicou-se em Patos, município da mesorregião do sertão paraibano, onde criou o programa radiofônico Violas e Repentes (1960), que ficou no ar por 23 anos, na Rádio Espinharas, onde trabalhou com José Batista.

História completa da Cruz da Menina (1977) foi seu primeiro romance. Possuindo a arte de criar, também passou a transferir emoções ao dedicar-se a outras artes, como editor e vendedor de cordel, para divulgar produto cultural pouco apreciado pela mídia de massa.  Na sua afamada banca de folhetos, localizada no Box 2 do antigo Mercado Público de Patos, disponibilizou trabalhos poéticos de outros consagrados artistas populares, como: Leandro Gomes de Barros, José Pacheco e José Camelo de Melo Resende.

Teve cordéis publicados pela Tipografia Pontes (Guarabira, Paraíba), pelas Editoras Coqueiro (Recife, Pernambuco) e Luzeiro (São Paulo, São Paulo) e pela Fundação Ernany Sátiro teve sua coletânea Vida, Verso e Viola na qual se encontra seu primeiro folheto romance, que faz referência ao Santuário da Cruz da Menina, construído para a Santa do Povo, a menina Francisca, que foi assassinada (1923) por seus pais adotivos.

Antônio parou de cantar aos 58 anos, mas comercializou cordéis até os 75 anos de idade.  A Paraíba reconheceu a dedicação deste potiguar em prol da cultura popular local e, no ano de 2003, Américo foi agraciado com a Medalha Ednaldo do Egypto, da Assembleia Legislativa do Estado.

Luciano (2014) nos lembra de que o poeta utilizava acrósticos, dentro do poema, para assinar suas obras, e cita esta composição poética retirada da História Completa da Cruz da Menina:

“A história verdadeira
Não me canso de contar
Toda certa e pesquisada
O melhor pude arranjar
Nesta pesquisa que fiz
Isto me fez tão feliz
O poeta é pra lutar.
A Cruz da Menina agora
Me inspirou este tanto
Eu nunca pensei fazer
Rica história leio e canto
Inspiração nordestina
Contei da Cruz da Menina
O fato verídico e santo”.

 

FONTES CONSULTADAS

ANTÔNIO AMÉRICO DE MEDEIROS. In: Editora Luzeiro: biografias de poetas. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

LUCIANO, Aderaldo. Cordel no sertão da Paraíba: o caso Antonio Américo de Medeiros. In: Luis Nassif Online, 2014. Disponível em: <http://jornalggn.com.br/blog/aderaldo-luciano/cordel-no-sertao-da-paraiba-o-caso-antonio-americo-de-medeiros>. Acesso em: 22 out. 2014.

VIANA, Arievaldo. Antônio Américo de Medeiros. In: HAURÉLIO, Marco. Cordel atemporal: dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: < http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Antônio Alves da Silva – Síntese Biográfica

Antônio Alves da Silva (07/06/1928 – 14/08/2013)

Veio ao mundo em um dia especial, Dia das Musas, entidades mitológicas inspiradoras dos artistas. Nascido em 7 de junho de 1928, Antônio Alves da Silva “extraordinário romancista, dominava todas as formas fixas do verso popular e tinha no humor seu traço mais marcante”. (HAURÉLIO, 2013). Natural do município de Mata de São João, no recôncavo baiano, nasceu de parto natural em uma casa de taipa, coberta de palha de pindoba, na Rua do Veludo, nos arredores do centro da cidade, tendo como genitores Ambrósio Prudêncio da Silva (motorneiro de bonde) e Leonor Ives do Nascimento (lavadeira).

Ficou órfão de mãe aos 5 anos e, aos 7, quase morreu afogado no rio Jacuípe, vindo a ser salvo por uma jovem veranista, da capital, evento esse que veio a ser tema do folheto intitulado: “O drama da minha vida”. Em meio a uma vida simples, Antônio só frequentou a escola até a 3ª série primária. Mudou-se para Salvador e, em consequência dos parcos recursos financeiros, não conseguiu prosseguir com os estudos, vindo a ser um autodidata.

Antônio residiu em Salvador – BA e no Rio de Janeiro – RJ, onde trabalhou ao lado do legendário Mestre Azulão, vindo a fixar-se em Feira de Santana – BA. Foi casado e teve seis filhos.

O estilo literário vindo de Portugal e acolhido na Bahia, unido às tradições populares oriundas do lugar onde nasceu, forjou o gosto do poeta, que aos 18 anos começou a escrever cordéis e tendo suas primeiras obras adquiridas pelo poeta alagoano radicado em Salvador – BA, Rodolfo Coelho Cavalcante.

Considerado expressivo cordelista baiano, visto como “mestre dos mestres na literatura de cordel” (SILVA, [s.d.]), ele escreveu mais de 100 títulos, muitos publicados pela Editora Luzeiro de São Paulo. Sua produção foi reconhecida e premiada, por cinco vezes em 1º lugar: três em Salvador – BA, um em Feira de Santana – BA, e em São Paulo – SP.

Com versos apresentando sátiras sociais e histórias de aventura, publicou: A princesa Jerusa e o gigante da ilha encantada, A crise na porta do pobre, João Terrível e o dragão vermelho, Maria Besta Sabida, João Azarento na corte da rainha Maravilha, As palhaçadas de João Errado, Últimos dias de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos.

Nas sextilhas de João Terrível e o dragão vermelho, cordel da Coleção Luzeiro,

“Leitores, meu pensamento
Penetra no feudalismo
Para contar um romance
De ação e de heroísmo,
No tempo em que neste mundo
Dominava o paganismo.
Este fato foi passado
Em terras orientais
De palácios encantados
E monstros descomunais,
Porque o povo só gosta
De romances colossais”.

Observamos um modelo de narrativa embasado em Leandro Gomes de Barros, do início do século XX, demostrando o arcabouço cultural do cordelista.

Após extensa e significativa produção literária, o poeta faleceu aos 85 anos, em 14 de agosto de 2013.

FONTES CONSULTADAS

AGOSTO e os poetas. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://acord acordel.blogspot.com.br/2013_08_11_archive.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

HAURÉLIO, M. Luto no mundo do cordel. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://zecacordel.blogspot.com.br/2013/08/luto-no-mundo-do-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

PERFIS biográficos. Casa Rui Barbosa. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SILVA, A. A. Editora Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

______. João Terrível e o Dragão Vermelho: Luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/ cordeis/167-joao-terrivel-e-o-dragao-vermelho-luzeiro.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SILVA, C. M. V. Antônio Alves da Silva, mestre dos mestres na literatura de cordel – parte I. In: GUERRA, D. Blog professor repórter. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível: <http://www.professorreporter. jornalfolhadoestado.com/noticias/255/antonio-alves-da-silva-mestre-dos-mestres-na-literatura-de-cordel–parte-i/>. Acesso em: 22 out. 2014.

______. Antônio Alves da Silva, mestre dos mestres na literatura de cordel – parte II. In: GUERRA, D. Blog professor repórter. [S.l. :s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.professor reporter.jornalfolhadoestado.com/noticias/256/antonio-alves-da-silva-mestre-dos-mestres-na-literatura-de-cordel–parte-ii>. Acesso em: 22 out. 2014.