Poeta Arievaldo Viana Lima – Síntese biográfica

Arievaldo Viana Lima (18/09/1967)

Arievaldo Viana Lima é a prova inconteste da importância e benefícios da contação de histórias, que ajuda a criança a criar asas e voar através da fantasia, despertando sua criatividade e imaginação, além da aquisição da cultura, conhecimentos e valores. Em sua autobiografia, ele narra que por volta dos 4 ou 5 anos se deleitava em ouvir sua avó Alzira Sousa, que era colecionadora de folhetos, lendo versos da literatura popular para uma plateia atenta e embevecida. Foi ouvindo A Vida de Cancão de Fogo e o seu TestamentoAs proezas de João GriloTravessuras de Pedro Malazartes e outros folhetos, e por meio de uma Carta de ABC foi alfabetizado por D. Alzira, e logo surpreendeu a todos ao ser encontrado lendo, em voz alta, A chegada de Lampião no inferno.

As contações de histórias eram estendidas para outros momentos, tais como o trajeto entre a Fazenda Ouro Preto, onde nasceu e criou-se, e Olho d´água das Coronhas, localizado no sopé do serrote dos Três Irmãos, quando ao ir buscar água, o pai ia cantando seu romance preferido – A batalha de Oliveiros com Ferrabrás. Também foi seduzido pelas narrativas de uma velha rezadeira D. Bastiana, cuja neta, Rita Maria, enfeitiçava com suas histórias de trancoso. Entre feitiços e encantos, foi tomado pela paixão por folhetos, e aos 6 ou 7 anos, após juntar moedas, comprou alguns para sua coleção a um folheteiro na Praça Thomaz Barbosa, centro de Canindé – CE. Momento único assim descrito pelo poeta:

Um espetáculo magnífico, que ainda hoje trago retido nas dobras da memória. Havia folhetos editados na Tipografia das Filhas de José Bernardo, de Manoel Caboclo e Silva, de João José da Silva e de Manoel Camilo dos Santos. Lembro-me bem de haver comprado “Roberto do Diabo”, “Intriga do Cachorro com o Gato”, “Roldão no Leão de Ouro” e “O príncipe do Barro Branco no Reino do Vai-não-torna” (AUTOBIOGRAFIA ARIEVALDO, 2014).

O filho primogênito do poeta de improviso Francisco Evaldo de Sousa Lima, e Hathane Maria Viana Lima, acreditando que a alfabetização é fundamental, criou em 2002 o projetoAcorda Cordel na Sala de Aula, para alfabetização de jovens e adultos por meio da poesia popular, que foi adotado em diversos municípios brasileiros, dentre eles Quixeramobim, Ceará, sua terra natal.

Este poeta popular, radialista, ilustrador e publicitário, em 2000 passou a ser membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), onde ocupa a cadeira de nº 40 da, cujo patrono é João Melchíades Ferreira da Silva.

Apresenta uma vasta produção literária e publicou em parceria com os poetas Pedro Paulo Paulino, Jota Batista, Klévisson Viana, Gonzaga Vieira, Zé Maria de Fortaleza, Manoel Monteiro da Silva, Rouxinol do Rinaré e Marco Haurélio.

Com mais de 100 cordéis e vários livros publicados, escreveu sua primeira obra por volta dos 8 ou 9 anos de idade, quando escrevinhou suas primeiras sextilhas, contando evento ocorrido com os primos Totonho, Osvaldo e Marquinhos, que colocaram os frutos verdes de um pé de cabaceira, que havia no quintal do avô, na fogueira de São João, vindo a serem sovados pelo avô que queria as cabaças para outros fins. Assim, ele rememora suas habilidades editorias na confecção desse folheto:

Eu pegava um papel que vinha no miolo de uma caixa de Maisena, dobrava ao meio e fazia o miolo de um libreto do mesmo formato de um cordel. Depois pegava aquele papel de embrulho verde ou rosa que havia no balcão da bodega do meu avô e fazia a capa do verso. Pra completar, escrevia em letra de forma e fazia uma capa com caneta preta, imitando uma xilogravura (AUTOBIOGRAFIA ARIEVALDO, 2014).

Recebeu influências dos seus poetas populares preferidos Leandro Gomes de Barros e José Pacheco da Rocha, além dos versos dos ilustres Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e Gregório de Matos Guerra (Boca do Inferno), este último com uma produção satírica que pode se equiparar aos fundamentos do cordel.

Em janeiro de 1978, foi residir em casa de parentes em Maracanaú, município da região metropolitana de Fortaleza, para dar sequência aos estudos, época em que economizava o dinheiro enviado pela avó para o lanche e comprava cordéis vendidos por José Flor. As férias eram passadas na casa dos avós, ocasiões de reencontro com os primos, que vinham de Canindé, e à noite, sob a lâmpada de gás butano da sala de jantar lia não só os folhetos levados na mala, como também sua produção, como por exemplo, As proezas de Jota Severo numa paga do Bolsão, escrito aos 13 anos.

Em 1980, foi residir com os pais na cidade de Canindé. Tempos depois passou a colaborar no jornal O POVO de domingo com uma “tira” do cangaceiro “Nonato Lamparina”, personagem inventado em 1982.

Na década seguinte, passou a trabalhar em agências de propaganda de Fortaleza, tempos difíceis para o cordel, quando sentia dificuldade em encontrar folheteiros nas visitas a Canindé, onde só encontrava material da Editora Luzeiro, São Paulo. Preocupado com a decadência do folheto de feira, voltou a produzir, inclusive em parceria com Pedro Paulo Paulino e Gonzaga Vieira, ocasião em que publicaram a Coleção Cancão de Fogo.

Ao adaptar Luzia Homem para cordel, Viana obteve o primeiro lugar do prêmio Domingos Olympio de Literatura (2002), promovido pela Prefeitura de Sobral, Ceará e ficou entre os dez primeiros colocados do Concurso de Literatura de Cordel promovido pelo Metrô de São Paulo.

FONTES CONSULTADAS

AUTO-BIOGRAFIA Arievaldo. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.flogao.com.br/arievaldo cordel/71441038>. Acesso em: 06 nov. 2014.

PROJETO Acorda Cordel na Sala de Aula comemora 10 anos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.vermelho. org.br/ce/noticia.php?id_secao=61&id_noticia=134220>. Acesso em: 06 nov. 2014.

VIANA, A. O Nordeste: enciclopédia Nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Arievaldo+Viana>. Acesso em: 06 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Arievaldo_ Viana>. Acesso em: 05 nov. 2014.

______. Centenário de Manoel Barbosa Lima, meu “avôhai”. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.luizberto.com/mala-da-cobra-arievaldo-vianna/centenario-de-manoel-barbosa-lima-meu-%E2%80%9Cavohai%E2%80%9D&gt;. Acesso em: 06 nov. 2014.

 

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