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Poeta Varneci Santos do Nascimento – Síntese biográfica

Varneci Santos do Nascimento 

Varneci Santos do Nascimento, ou simplesmente Varneci Nascimento, é filho de Alôncio Chaves do Nascimento e Rita Evangelista dos Santos. Conheceu a arte do cordel em seu próprio lar, através de seu pai, que sempre lia os cordéis e fazia os repentes em família, motivando o gosto de Varneci por esta encantadora forma de versejar.

Graduado em História pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Varneci, além de historiador, é escritor, cordelista e palestrante, proferindo palestras sobre a arte do cordel.  Inclusive, o autor utiliza em suas apresentações os recursos do stand-up para aproximar e estimular os jovens a lerem este gênero literário. Varneci Nascimento pode ser considerado um verdadeiro semeador da arte do cordel, pois se dedica a divulgar esta arte em escolas, saraus, universidades etc.

Haurélio (2011) salienta que este autor é considerado como uma verdadeira revelação da poesia popular. Assim como outros poetas, Varneci acredita que o cordel pode e deve ser usado como instrumento paradidático na educação brasileira, estimulando a leitura nos estudantes. É autor de mais de 200 obras escritas em cordel sobre as mais variadas temáticas, inclusive muitos de seus cordéis versejam sobre histórias bíblicas.

Foi classificado em 5º lugar no Concurso Nacional de Cordel promovido pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e em 2ª colocação em outro concurso na Bahia, com o romance O Amor Vence o Racismo.

Em 2001, a pedido da Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo, escreveu o cordel Paulo Freire: Um Educador Diferente, para a abertura da semana Paulo Freire.

O poeta teve uma de suas obras publicadas pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o livro intitulado: Jorge Amado: o Amado do Brasil. Esta obra lhe rendeu uma carta de agradecimento da escritora Zélia Gattai.

Em 2008, Verneci Nascimento lança um cordel intitulado: Memórias Póstumas de Brás Cubas em cordel. Dessa feita, ele lança este cordel da obra de Machado de Assis, o qual compõe a coleção Clássicos em Cordel.  Este cordel foi selecionado para a feira de Bolonha, em 2009, e comprado pela Biblioteca Nacional.

Em 2009 participou, com outros escritores, de um encontro nacional de poetas cordelistas com o presidente Lula objetivando discutir políticas de incentivo ao cordel. Em 2011, o poeta lança A escrava Isaura em cordel. Um de seus trabalhos que obtiveram destaque foi o cordel O Cangaço Sustentado pelos Coronéis. Este, por sua vez, foi estudado em uma universidade da Alemanha pela professora Ingrid Hapke.

O cordelista Varneci Nascimento, semeador de cordéis, continua sua trajetória disseminando a arte em versos, atuando inclusive em um projeto pioneiro da Prefeitura de São Paulo, projeto intitulado Ônibus Biblioteca, no qual proferiu inúmeras palestras.

Através da arte de divulgar o cordel, o poeta escreveu, em 2008, um cordel intitulado: Esdobrando o Cordel. Dessa feita, veremos alguns trechos como se seguem:

Desdobrando o Cordel

Com caráter jornalístico

Mas sem ser algo maçante

Pois fala de poesia,

Popular que é brilhante

Que informa emocionando

De maneira cativante

O surgimento da nossa

Poesia popular

Nos jograis, nos trovadores,

Da pra gente procurar

Se não achar não desista,

Continue a pesquisar

Buscando sem se cansar

Oralmente e n papel

Sem se importar com a forma

Que publica o menestrel,

E ache a Literatura

Que chamamos de cordel.

Que veio de Portugal,

Quando da nossa invasão

Se trouxeram coisas ruim

E mataram tanto irmão

Índio, deixaram o cordel,

Como uma compensação.

(p.03)

[…]

Atualmente, reside em São Paulo, onde presta serviços à Editora Luzeiro. É, também, autor de vários outros títulos, entre eles: O massacre de Canudos, A morte e a justiça, Cangaço – um movimento social, Visita de Lampião a Padre Cícero no Céu, Os dez mandamentos do preguiçoso, A mãe abandonada, entre outros.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, MARCO. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014

LITERATURA de Cordel. Varneci Santos do Nascimento. In: CÂMARA Brasileira de Jovens Escritores. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel42. htm>. Acesso em: 05 out. 2014.

NASCIMENTO, Varneci do. Desdobrando o cordel. São Paulo, 2008.

VARNECI Santos do Nascimento. O autor. In: CORDEL do Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldo brasil.com.br/v1/varneci-santos-do-nascimento/ >. Acesso em: 27 out. 2014.

WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. Varneci Nascimento. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Varneci_ Nascimento>. Acesso em: 13 out. 2014.

Poetisa Maria Vânia Freitas de Alencar Carvalho Frota – Síntese biográfica

Maria Vânia Freitas de Alencar Carvalho Frota

Maria Vânia Freitas de Alencar Carvalho Frota, filha do poeta Alencar (1905-1959), nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1948. A arte pulsa em suas veias: é cordelista, trovadora, atriz, poetisa, artista plástica e, para além da arte, é também licenciada em Letras, especialista em Administração Pública e esposa do poeta cordelista Gerardo Carvalho (Pardal).

Haurélio (2011) relata que Vânia Freitas possui uma rica poética, tendo vários títulos publicados. Desses, muitos são citados em artigos de jornais e em monografias.

Em 2005, a cordelista representou o Cecordel em 2005, no I Congresso Internacional de Literatura de Cordel em João Pessoa, Paraíba. Outros momentos importantes ocorreram em 2005 e 2007, quando Vânia Freitas representou a mesma entidade no Congresso Cearense de Folclore em Limoeiro do Norte, Ceará. A cordelista participou de eventos importantes no cenário literário, entre eles: o II Festival de Trovadores e Repentistas em Quixadá, Ceará e as Bienais Internacionais do Livro acontecidas, em 2006 e 2008, em Fortaleza, Ceará.

Foi contemplada em 2007, com a estatueta de São Gonçalo no III Festival de Trovadores e Repentistas em Senador Pompeu, Ceará. No mesmo ano, ela recebeu também o I Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero na Cultura Popular Nordestina em João Pessoa, Paraíba. No tocante à temática abordada pela cordelista em seus versos, percebe-se que ela escreve em variados contextos, não se ancorando especificamente em uma única temática. Nesse sentido, sabendo-se que é comum na conteporaneidade nos depararmos com a narrativa de acontecimentos políticos, Ricarte (2009) relata que os  fatos políticos abordados nos folhetos esbanjam sérias críticas a fatos, tais como corrupção, crimes e casos inusitados envolvendo políticos. A autora traz como exemplos deste tipo de cordel, três folhetos de Vânia Freitas, sendo eles: “Cuecão de dólares aperta a vida de cearense” e “A deputada que dançou porque dançou” e “No lamaçal do mensalão”, este último escrito por Vânia Freitas em parceria com Gerardo Pardal.

No contexto da temática tragédia, Ricarte (2009) destaca mais um folheto de Vânia Freitas, intitulado: “Juiz perde o juízo e mata vigia indefeso”, este por sua vez narra a tragédia da morte de um inocente.

Entre outras temáticas versejadas por Vânia Freitas, percebem-se: Folhetos educativos, com um viés memorialístico, e até mesmo de cunho religioso. Nesse contexto, é revelada a multiplicidade desta cordelista, isto é, desta artista nordestina.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/ 2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html.>. Acesso em: 19 out. 2014.

RICARTE, Alyne B. F. Virino. O folheto na história e história no folheto: práticas e discursos culturais do cordel de circunstância em Fortaleza (1987- 2007). 2009. 230 f. Dissertação. (Mestrado em História e Culturas) – Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2009.

CORDELIZANDO na net: o seu cordel virtual. Disponível em: . Acesso em: 19 out. 2014.

 

Poeta Sátyro Xavier Brandão – Síntese biográfica

Sátyro Xavier Brandão

Sátyro Xavier Brandão é natural de Propriá, Sergipe. Na qualidade de poeta de cordel, ele costumava assinar suas obras simplesmente adotando o pseudônimo de Sátyro. Faleceu na metade do século XX, fazendo parte do grupo de sergipanos que desbravaram o sul da Bahia, quando da introdução da cultura do cacau (HAURÉLIO, 2011).

Lançou pela Editora Luzeiro dois folhetos: A triste sorte de Jovelina, O exemplo da mocidade. Este último reporta um registro memorialístico de sua vida sofrida, sendo estas as obras mais conhecidas, publicadas por Sátyro. Vejamos a seguir um trecho de sua obra:

 

A Triste Sorte de Jovelina

Eu agora vou contar

Um caso que se passou

Por muitas partes do mundo

Esta história se contou

Para termos a certeza

Aonde existe firmeza

A força que tem o amor.

 

Este caso foi passado

No sertão do Cariri

Quem caminha contra a sorte

Nada pode adquirir

Depois que Deus determina

Quem  nasce com sua sina

Cedo  ou tarde tem de cumprir

 

Havia no Cariri

Um homem rico afamado

Rico de força e dinheiro

Muitas fazendas de gado

Corajoso e valentão

Seu nome em todo o sertão

Tinha de ser respeitado.

(p.1)

  […]

 

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIA de Sátiro Xavier Brandão. In: CORDEL Paraíba: espaço destinado à publicação de poemas e informações diversas relacionadas com a literatura de cordel. S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordelparaiba.blogspot.com.br/2010/04/satiro-xavier-brandao-biografia-cordel.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

BRANDÃO, Sátyro Xavier. A triste sorte de Jovelina. [S.l.]: Editora Luzeiro, [20?].

HAURÉLIO, MARCO. Dicionário básico de autores de cordel. S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014

SÁTYRO Xavier Brandão. In: CORDELIZANDO na NET. O seu cordel virtual. S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/ grandes-autores.html>.  Acesso em: 23 nov. 2014.

Poeta Manoel Alves de Sousa – Síntese biográfica

Manoel Alves de Sousa (24/04/1949)

Nascido na cidade de Santamaria do Suaçuí, Minas Gerais, no dia 24 de abril de 1949, Manoel Alves de Souza, nome dado no seu registro de batismo, assume no cenário poético sua identidade enquanto Manoel Santamaria, como é conhecido no mundo do cordel.

O poeta teve seus primeiros contatos com a literatura de cordel na sua infância, quando se mudou para Governador Valadares, Minas Gerais. Nessa época, muitos nordestinos que saíam de sua terra natal, em busca de oportunidade, fixavam residência lá, trazendo na bagagem seus folhetos de cordel.

Diante desse contexto, Silva (2007) afirma que Manoel Santamaria fora praticamente alfabetizado à luz da literatura de cordel, compartilhando as estórias com seu pai lendo-as em voz alta, já que o mesmo não sabia ler, apresentando-o alguns cordéis clássicos, entre eles, O Pavão Misterioso. O encantamento pelo cordel se intensificou após visitar o Nordeste, no período de sua mocidade na década de 60.

Autodidata em inglês e espanhol, ele passou no vestibular para Letras da Universidade Pedro II, no Rio de Janeiro. Sua fluência no inglês abriu as portas da embaixada dos Estados Unidos e da Organização Mundial de Saúde, onde foi funcionário.

Manoel Santamaria exerceu o magistério até 1981, quando ingressou no trabalho das plataformas petrolíferas da bacia de Campos, Rio de janeiro, como operador de rádio e intérprete passando a operador de lastro e supervisor de segurança industrial, e é na atmosfera de confinamento da plataforma que ele se inspira para produzir os seus versos de cordel (SILVA, 2007).

O cordelista integra o grupo fundador da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), com sede no Rio de Janeiro, reunindo-se com seus confrades sempre que possível, segue conciliando o trabalho na plataforma, sem abandonar o universo do cordel.

O poeta já produziu vários folhetos, e sua forma de versejar reveste-se de temas que se moldam à atualidade, atuando como meio educativo para informar, possibilitando reflexões do público leigo, como é o caso do seu cordel: Quem vê cara não vê AIDS, entre outros de sua autoria.

 Existem muitas campanhas,

Programas de prevenção,

Mas muitas pessoas há

Que não prestam atenção;

Que desconhecem os riscos

 Para a contaminação!           

 

Segundo especialistas

E grandes pesquisadores,

A vacina não tem prazo,

Ainda, e esses Doutores

Nos prescrevem, por enquanto,

É cautela nos amores!

 

A fraqueza e o diálogo

São pontos fundamentais,

Quando é preciso abordar

Temas tão graves, mortais

Como a AIDES, que se alastra

Em Proporções anormais!

(p.2)

[…]

FONTES CONSULTADAS

MANOEL SANTAMARIA. In: Brasiliana. A divulgação Científica no Brasil. Disponível em: <http://www.museu davida.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=727&sid=5>. Acesso em: 23 nov. 2014.

SANTAMARIA, Manoel. Quem vê cara não vê AIDS. Araruama: [s.n, 19- -]

SILVA, Gonçalo Ferreira. Biografia do autor Manuel Santamaria. O cordelista petroleiro. In: SANTAMARIA, Manuel. Governador do Destrito Federal, atropela gramática e “demite” gerúndio. 2007. Disponível em: < http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cordel&pagfis=91604&pesq=&esrc=s>. Acesso em: 26 nov. 2014.

Poeta Manoel Messias Belizário Neto – Síntese biográfica

Manoel Messias Belizário Neto (10/10/1981)

Manoel Messias Belizário Neto adota artisticamente o nome de Manoel Belizário. Nasceu em 10 de outubro de 1981 no Sítio Lages, zona rural do município de Aguiar, Paraíba. Mudou-se para a cidade aos 10 anos, com o objetivo de estudar, morando com o póstumo avô José Parente. Lá, Manoel Messias estudou do primário ao ensino médio e, em 2004, partiu rumo à capital paraibana após passar no vestibular para Letras, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Seus primeiros contatos com a literatura de cordel foram ainda quando criança, através de seus irmãos mais velhos, que liam e reliam à luz do candeeiro as histórias rimadas, para o deleite da família.

Com relação à composição dos cordéis, Manoel Messias só inicia quando, trabalhando em sala de aula com textos poéticos e munido por uma necessidade de incentivar os seus alunos para o estudo, compôs seus primeiros folhetos intitulados: Peleja do Aluno Preguiçoso com o Estudioso e Conselhos de Mãe.

Esses foram os primeiros, de muitos outros folhetos, que seriam produzidos e continuam sendo ao longo de sua vida. Entre eles: “Satan Processa Bin Laden e Bush Por Plágio e Difamação, que, em 2007, foi vencedor: A Peleja da IntegraçãoCordel do Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros.

Ao longo de sua trajetória poética, Manoel Belizário já compôs mais de trinta folhetos e, no ano de 2010, resolveu disseminar sua poesia no mundo virtual passando a publicar pequenos poemas em cordel com o intuito não apenas de divulgar o seu trabalho especificamente, mas seu maior objetivo era, acima de tudo, divulgar o cordel, a cultura popular, derrubando as fronteiras físicas e geográficas, dissipando-os pelo mundo, através do meio digital. Dessa forma, Manoel Messias Belizário Neto passa a lançar seus poemas na Biblioteca Virtual dos escritores, criando, também, um blog denominado: Cordel Paraíba.

Em 2011, o professor e poeta popular Manoel Messias Belizário Neto lançou, em João Pessoa, o projeto Semeando Cordel na Escola e na Sociedade, que foi patrocinado pelo Fundo Municipal de Cultura. Sua proposta ancorou-se na difusão da literatura de cordel nas escolas, dando acessibilidade à população deste fazer poético, além de incentivar a descoberta de novos poetas, ora adormecidos pelo anonimato (BERTO, 2011).

Para tanto, fora produzido um livro, de autoria do próprio proponente do projeto, intitulado: Agruras de um Poeta Popular ou Congresso dos Poetas Populares no Paraíso. De sua produção, metade foi doada para as cem escolas do município de João Pessoa que participaram do projeto e a outra metade foi cedida ao autor.

Seus cordéis  versam sobre temas atuais, muitas vezes ecoam como um apelo da própria população, como é o caso de um de seus poemas, intitulado: O Assassinato da Juíza Patrícia Acioli, que ocorreu em São Gonçalo, Rio de janeiro, no ano de 2011. Neste poema, o poeta clama para que a justiça seja feita, remontando um tom de descrença com a própria justiça. Diante disso, ele escreve:

 

O Assassinato da Juíza Patrícia Acioli

 

 Peço a justiça divina

Para vir me abençoar

Me trazendo inspiração

No que me ponho narrar

Já que a justiça da terra

Estou ciente não há.

 

Porque, leitor meu, enquanto

Existir corrupção,

Má vontade, indiferença,

Falsidade, omissão

Será o fundo do poço

O futuro da nação.

 

Leitor amigo confesso

Que estou indignado

Vendo esta situação

A qual chegou nosso Estado

A morte dessa juíza

Deixa o Brasil revoltado.

 

Patrícia Acioli era

Magistrada destemida.

Honrava o cargo que tinha

Tendo o certo por medida.

Nem que pra isso pusesse

Em risco a própria vida.

 

[…]

 

A juíza então andava

De forma desprotegida

Esperando que um dia

Pudesse ser atendida

Pelo injusto tribunal

Que não lhe dava saída.

 

Até que num certo dia

Ocorreu o esperado

Patrícia ao chegar em casa

Teve o carro rodeado

Por um grupo de bandidos

Muito bem municiados.

 

Foi então covardemente

Que ela foi assassinada

Por omissão da justiça

Que mesmo sendo avisada

Botou a venda no rosto

E preferiu fazer nada.

[…]

 

Com a alma de poeta, Manoel Belizário é professor de língua portuguesa e cordelista, segue semeando a arte do cordel, produzindo as reflexões dos seus leitores e difundindo cultura.

 

FONTES CONSULTADAS

BERTO, Luiz.  Manuel Messias Belizário Neto. In: JORNAL da Besta Fubana. Uma Gazeta Da Bexiga Lixa. Publicado em: 14 maio 2011. Disponível em: <http://www.luizberto.com/ correspondencia-recebida/manoel-messias-belizario-neto-joao-pessoa-pb-8P>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDEL de Manoel Messias Belizário Neto. In: MUNDO do cordel. Disponível em: <http://mundocordel. blogspot.com.br/2011/08/cordel-de-manoel-messias-belizario-neto.html>. Acesso em: 23 out. 2014.

MANOEL MESSIAS BELIZÁRIO NETO In: O NORDESTE. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enci clopediaNordeste/index.php?titulo=Manoel+Messias+Belizario+Neto>.  Acesso em: 14 nov. 2014.

SOBRE Manoel Belizario. In: CORDEL Paraíba: espaço destinado à publicação de poemas e informações diversas relacionadas com a literatura de cordel. Disponível em: <http://cordelparaiba.blogspot.com.br/2010/03/quem-e-manoel-messias-belizario-neto.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Manoel Cândido da Silva – Síntese biográfica

Manoel Cândido da Silva (10/09/1922 – 22/08/2005)

Manoel Cândido da Silva nasceu no dia 10 de setembro de 1922, na cidade de Piancó, Paraíba e faleceu no dia 22 de agosto de 2005.

Haurélio (2011) relata que a biografia de Manoel Cândido Silva foi publicada no romance Manassés e Marili, pela Editora Luzeiro, revelando que o mesmo foi poeta popular, vendedor de folhetos e ourives abandonando a arte do cordel ao tornar-se pastor evangélico.

Quando vendia os seus folhetos pelas feiras, Manoel Cândido era muito querido pelos colegas e pelo próprio público leitor. Tendo como seu forte o romantismo, publicou alguns romances. Suas obras mais famosas são: Jônatas e Mauriceia, Edgar e Estelita, Risoleta e Juvino, Manassés e Marili entre a luta e o amor. Podemos perceber que sua verve poética direciona-se para o romantismo em uma estrofe do seu cordel:

Manassés e Marili entre a luta e o amor

 É sobre a palavra amor

que com forças Divinas

eu vou escrever um drama

que se passou em Goiás

com um velhote orgulhoso

e um destemido rapaz

 

No estado de Goiás

Em Porto Nacional

Junto a serra das Carrixas

Na fazenda Litoral

Foi ali que deu-se este

drama sensacional

 

Era o chefe dessa terra

o doutor Pedro Moisés

do serrote das Carrixas

a serra do Javaés

era ele o manda-chuva

 brigava por bem uns dez

Doutor Moisés era rico

usuário e poderoso

dez vezes bilionário

egoísta e orgulhoso

só dava valor a ouro

bandoleiro ou criminoso

 (p. 2)

[…]

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014.

MANOEL Cândido da Silva. In: Paraíba criativa. Disponível em: http://www.paraibacriativa.com.br/526/manoel-candido-da-silva.html. Acesso em: 26 nov. 2014.

______. In: CORDELIZANDO na NET. O seu cordel virtual. Disponível em: <http://cordelizandonanet .blogspot.com.br/p/ grandes-autores.html>.  Acesso em: 23 nov. 2014.

SILVA, Manoel Cândido da. Manasses e Marli entre a luta e o amor. Recife: Ed. Prop. João José da Silva: Luzeiro do Norte, [19- -].

Poeta José Evangelista Rodrigues Cavalcanti – Síntese biográfica

José Evangelista Rodrigues Cavalcanti (1953)

Poeta cordelista e compositor, membro fundador da União dos Cordelistas de Pernambuco (Unicordel), nasceu em Pesqueira, Pernambuco em 1953 e foi radicado em Recife desde 1966.

Além de escrever, Evangelista edita seus próprios folhetos, bem como os de vários companheiros de poesia. Escreve desde os 22 anos, mas demorou a publicar, seja pela falta de meios, seja pela falta de entendimento da importância deste gênero literário ainda na contemporaneidade. Sendo um poeta cronista do seu tempo, escreve regularmente  acerca de temas afinados com os acontecimentos nacionais.  Participa dos movimentos ligados à poesia de tradição e tem mais de 20 títulos publicados; alia ao aspecto da tradição a tecnologia como meio de divulgação de sua obra. Publicou em CD Cordas e Cordéis, em 2006, uma coletânea de poemas. Participou, também, do filme o Visgo do improviso de Maria Alice Amorim em 2007.

FONTE CONSULTADA

PERFIS. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=231&catid=48>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta José de Souza Campos – Síntese biográfica

José de Souza Campos (1924)

José de Souza Campos nasceu em Timbaúba, a 02 de abril de 1924. Começou aos 12 anos, vendendo folhetos em feiras livres e depois se tornou autor. Publicou, entre outros, os folhetos A arca de Noé no Monte Ararat e A história da novilha de ouro.

FONTE CONSULTADA

MEMÓRIA da Poesia  Popular: informação sobre vida e obra de poetaspopulares brasileiros. Poeta José Campos – síntese bibliográfica. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.wordpress.com/2014/12/03/poeta-jose-de-souza-campos-sintese-biografica/&gt;. Acesso em: 15 nov. 2014.

 

Poeta José Costa Leite – Síntese biográfica

José Costa Leite (27/07/1927)

Natural da cidade de Sapé na Paraíba, José Costa Leite nasceu em 27 de julho de 1927. Filho de Paulino Costa Leite e Maria Rodrigues dos Santos, o poeta popular e xilógrafo vive em Condado, Pernambuco. Diz que nunca frequentou a escola, tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel. Em relação à cidade escolhida para residir, o poeta revela em seu cordel intitulado Quem gostar de Terra boa só quer morar em Condado e justifica o porquê da escolha da referida cidade como se pode testemunhar nas estrofes que seguem:

 A antiga Goianinha

Que é Condado hoje em dia

É a terra da magia

Que o povo sempre acarinha

Tem a cidade vizinha

Goiana no mesmo estado

 

Condado

É um lugar amado

A notícia sempre voa

Só quer morar em Condado.

 

É estrela da zona da Mata Norte

Da zona pernambucana

É a cidade da cana

Seu terreno é muito forte

Bom pra se pegar transporte

Tem carro pra todo lado

É o lugar apropriado

Onde não tem gente a-toa

Quem gosta de terra boa

Só quer morar em Condado.

Condado é terra da jaca

Manga, mamão, macaxeira

Pra população inteira

Até mesmo em Jararaca

A produção não é fraca

Dar cada inhame aloprado

Só vive contando loa

Quem gostar de terra boa

Só quer morar em Condado.

 

O Condado é bom demais

Pra quem planta agricultura

Pois é terra da fartura

E muita gente, aliás

Na lavoura vive em paz

Planta muito e tem lucrado

Lavoura no seu roçado

E canta dizendo loa

Quem gostar de terá (terra?) boa

Só quer morar em Condado.

Em 1947, ele começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Logo em seguida, improvisa-se xilógrafo, gravando na madeira a imagem que ilustra seu terceiro título: O rapaz que virou bode. Torna-se, assim, um profissional polivalente, exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta, editor, ilustrador e continua a vender folhetos, de feira em feira. Todavia, ele alerta:

 O cordel já vem do sangue

Tinha recebido a seta

Da deusa da poesia

Numa paisagem direta

Olhando um dicionário

Pois não há Educandário

Que ensine a ser poeta.

 

Pois a pessoa já nasce

Trazendo a poesia

No dia que ele morrer

Ela vai em companhia

Pois a poesia é bela

O vivente nasce com ela

E no juízo ela se cria.

José Costa Leite, com sua poética peculiar, seduz pela forma como transita entre a poesia, a história e a ficção, fabulando em versos que representam e imprimem por meio da palavra sua cosmovisão de mundo (CABRAL, 2013). Deixa fluir uma sensibilidade que o faz caminhar por entre mundos reais e fantásticos. Seu olhar poético o faz se apropriar das coisas que estão à sua volta, retratando o Brasil e seu povo, ou seja, toda sua arte origina-se na realidade social relacionada sempre às condições de espaço, tempo, cultura e relações sociais. Com estes elementos, o poeta explora, inventa e transmite, por meio da linguagem, seus sonhos, utopias e desejos.

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, Geovanni Gomes. Biografia, trajetórias e memória: histórias do poeta José Costa Leite. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 17., 2013, Natal. Anais… Natal, 2013.

CABRAL, Geovanni Gomes. Relatos orais, memória e narrativa: histórias do poeta José Costa Leite 1950-1960. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.encontro 2012.historiaoral.org.br/resources/anais/3/1340373289_ARQUIVO_ArtigoGeovanni-XIEncontroHistoriaOral.pdf>. Acesso em: 09 set. 2014.

CARVALHO, Márcia Ferreira de. A representação da mulher e de satanás em José Costa Leite. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ actas/article/viewFile/15862/9075>. Acesso em: 09 set. 2014.

MONTEIRO, Ênio Chaves; PIRES, Vera. Tautologia da xilogravura de cordel: oralidade, texto e imagem. Nau Literária, v. 1, n. 9, jan./jun. 2013.

OLIVEIRA JUNIOR, Rômulo José Francisco de. Como se consagra um mito?: representações do cangaceiro Antonio Silvino nos cordéis de José Costa Leite. Revista Tempo Histórico, v. 5, n. 1, p. 1-15, 2013.

Poeta José Camelo de Melo Resende – Síntese biográfica

José Camelo de Melo Resende (20/04/1885 – 28/10/1964)

Natural do povoado de Pilõezinhos, município de Guarabira, Paraíba, José Camelo de Melo Resende nasceu em 20 de abril de 1885 e faleceu na cidade de Rio Tinto, Paraíba, aos 28 de outubro de 1964. Poeta popular, cantador, carpinteiro e xilógrafo, era, segundo Átila Almeida e José Alves Sobrinho, homem imaginoso e brilhante. Começou a versar romances por volta de 1923, mas não escrevia suas composições: guardava-as na memória para cantá-las onde se apresentasse.

No fim dos anos 1920, mete-se em complicações e foge para Rio Grande do Norte, onde se esconde por uns tempos. É nessa época que João Melquíades Ferreira da Silva publica na Paraíba, em seu nome, o romance Pavão misterioso, obra criada por José Camelo. Este denuncia o golpe, mas o romance continuara a ser atribuído a João Melquíades (o caso gerou polêmica que perdura até os dias atuais, apesar de já estar provada e documentada a verdadeira autoria).

Pavão misterioso torna-se um dos maiores sucessos da literatura de cordel, sendo reeditado inúmeras vezes, além de inspirar peças de teatro, canção, novela de televisão e filme de animação. Segundo Vicente Barbosa (2013)

De todos os Cordéis até hoje impressos, um deles teve destaque, e tornou-se um grande best-seller do gênero. Trata-se do Romance do Pavão Misterioso, obra do cordelista guarabirense José Camelo de Melo Rezende (1885-1964) que ganhou fama no Brasil e no mundo. O Romance do Pavão Misterioso já foi adaptado para o teatro, cinema, literatura, música e televisão, com seu texto simples, aliado à fluência dos versos e às referências aos contos das Mil e Uma Noites alcançou a espantosa tiragem de mais de dez milhões de cópias, vendidas em todo o País.

 De acordo com Marcu Haurélio, em 2013, para celebrar os 90 anos de encantos do Pavão Misterioso, o poeta Paulo Gracino, natural de Guarabira, fez uma homenagem a essa obra inesquecível com o poema 90 anos de encantos de um Pavão Misterioso, como revelam as primeiras estrofes da poética:

 Quem é que nunca ouviu

Um dia alguém contar

A história de um pavão,

 Que começou a voar

Há mais de noventa anos

E que nem pensa em parar.

Ele é misterioso,

 Mas nunca foi encantado.

 Passeou no mundo todo

E sempre foi bem lembrado,

 Por tudo que fez e faz

E por onde tem passado.

Ele é o grande astro

De um romance acontecido.

Um romance de verdade,

Daqueles bem aguerrido,

Que já tem quase cem anos,

E jamais foi esquecido.

No fim da vida, porém, quase octogenário, o poeta se deixa ganhar pela frustração e amargura, destruindo – segundo seus contemporâneos – umas cinquenta obras de sua autoria.

FONTES CONSULTADAS

BARBOSA, Vicente. 90 anos do romance o pavão misterioso. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.vermelho.org.br/noticia/215584-11>. Acesso em: 12 jun. 2014.

BIOGRAFIA. José Camelo de Melo Resende.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/JoseCamelo/joseCamelo_biografia.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SANTOS, Elisa Duque Neves dos; CARREIRÃO, Paula Carreirão;  VIANNA, Sabrina. O corpo e a voz na contação de O Pavão Misterioso. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/IIICILLIJ/Trabalhos/Trabalhos/S3/elisasantos.pdf.>. Acesso em: 06 ago. 2014.