Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta Marcus Moraes Accioly – Síntese biográfica

Marcus Moraes Accioly (21/01/1943)

Pernambucano, natural da cidade de Aliança, Marcos Accyoly como é conhecido nasceu no Engenho Laureano em 21 de janeiro de 1943. Formou-se em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco e fez mestrado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco, onde ingressou como professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira na mesma universidade. Seu interesse literário antecede sua formação em literatura e o conduz nesse caminho tornando-o reconhecido por seus escritos que em sua maioria traz as marcas da cultura nordestina sem deixar de lado seus aspectos geográficos expressivamente do sertão nordestino. Tanto que integra o Movimento Armorial que de acordo com Santana tem seu alicerce teórico na obra do escritor paraibano Ariano Suassuna que fundiu elementos da cultura popular do povo nordestino na relação com a literatura clássica. O movimento busca atingir todas as expressões e modalidades artísticas que vão desde a música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões. Tal movimento, ganhou a adesão de inúmeros intelectuais da época, em contraposição a força cultural estadunidense que tendia expandir-se e sufocar nossa brasilidade.

A produção da poética armorial vinculou-se fortemente à produção da literatura de cordel, à moda de viola, a instrumentos como a rabeca, criando uma atmosfera sonora que sustenta o canto dos músicos que seguem tal filosofia, da qual Accioly participou ativamente. Em seus escritos o poeta-escritor tem o Nordeste como tema, compondo poemas em torno de vários eixos regionais, geográficos e culturais do sertão nordestino.

Segundo Fábio Lucas citado por Antônio Miranda Accioly é um […] domador de palavras, dum fascinado de todos os jogos que a boa Retórica, antiga e moderna, oferece aos artífices do encantamento por meio da expressão verbal. Marcus Accioly faz a coreografia de todos os ritmos, pratica as convenções e as audácias de todos os tempos. Nesse sentido vale conferir seu ecletismo poético, por meio do fragmento do cordel GURIATÃ: um cordel para menino

 […]

Do trem-de-ferro

Quem grita na noite?

 

Não vejo ninguém,

É o eco do grito

Do apito do trem,

É a boca-da-noite

Que grita também,

É o eco do eco

Que ecoa no além.

 

Quem grita na noite?

 

Não vejo ninguém,

É o grito da ponte

Debaixo do trem,

É o vento que chora

Por morte de alguém,

é o coro das almas

Que dizem amém.

 

Quem grita na noite?

 

Não vejo ninguém,

É a boca-do-túnel

Na frente do trem,

É o grito sem grito

De um eco que vem

Dos montes que aos montes

Ecoam mais cem.

 

Quem grita na noite?

Em sua trajetória literária, o poeta-escritor recebeu vários prêmios, com destaque para as obras Narciso, Sisifo, Nordestinados, Latiamérica, sendo com Narciso, o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte em 1985; e no mesmo ano e com a mesma obra o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras; Com Sísifo/1976 e Nordestinados recebeu por duas vezes consecutivas o Prêmio Recife de Humanidades, entre outros.

Do ponto de vista de sua atuação ocupou o cargo de vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), seção Pernambuco, é ainda membro da Academia Pernambucana de Letras. NO campo público ocupou vários cargos, a exemplo de Coordenador Cultural do Nordeste/ MEC na gestão de Eduardo Portella e também foi Secretário Executivo do Ministério da Cultura, gestão Antônio Houaiss.

Atualmente, prossegue em sua produção literária tendo dez livros inéditos, e contribui para o Jornal do Commercio com artigos de opinião publicados quinzenalmente às quintas-feiras.

 

FONTES CONSULTADAS

MIRANDA, Antônio. Marco Accioly. In: POESIAS dos Brasis. Disponível em:  <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_ brasis/pernambuco/marcus_accioly.html>. Acesso em: 10 ago. 2014.

SANTANA, Ana Lúcia. Movimento Armorial. In: INFOESCOLA: navegando e aprendendo. Disponível em: <http://www.infoescola.com/artes/movimento-armorial/>. Acesso em: 10 ago. 2014.

Poeta Marcos Aurélio Gomes de Carvalho – Síntese biográfica

Marcos Aurélio Gomes de Carvalho

Natural da cidade de Bodocó, alto sertão pernambucano, o poeta Marco Di Aurélio inclui em seu currículo vasta experiência profissional que o tornara poeta de um lirismo límpido sensível às causas sociais e ao próximo, razão que provavelmente conduz a sua entrega total as raízes e a cultura popular nordestina. Sua verve poética e artística o conduz pelas artes plásticas, pelo cinema, pela fotografia pelos palcos, pelos contos e, sobretudo pela poética, muito embora se declara em seu Cordel intitulado AUTODIDATA, como transcrito:

Sou apenas um poeta

de letras ajuntador

não completei a escola

me ocupei trabalhador

mas não sou ignorante

de leitura interessante

nisso sim me fiz doutor.

 

Um doutor de entender

da vida sua grandeza

do mundo e seus confins

do belo a realeza

da rosa em seu carmim

da pureza de um jardim

ultrapassando a beleza.

 

Um doutor de entender

que a vida pura e bela

é um céu azul e branco

é um sítio sem cancela

uma canção entoada

uma vida derramada

e a gente em cima dela

 

Um doutor de entender

que tudo que vai tem volta

de um bicho que se prende

de outro que assim se solta

no ciclo da inspiração

em sua respiração

que no mundo não se esgota.

 

De entender que o destino

parece querendo ser

uma coisa já traçada

aquilo que tem que haver

pois não existe uma praça

o seu ar a sua graça

se não houver um querer.

 

Portanto sei entender

que a vida que aqui se tem

o tudo que aqui se faz

se projeta muito além

não vivemos numa estrada

como rota já traçada

a vida não é um trem

É preciso se buscar

no meio do existir

em tudo que se pensar

no chorar ou no sorrir

que a vida é qual o vento

que povoa o firmamento

eternamente a fluir.

 

Toda cosmologia

tenta mas não explica

o teor de tudo ser

enfeita e até complica

a razão do seu querer

procurando conhecer

o tudo que multiplica.

Como toda vida é

um conjunto de ilusão

construída ela está

pelo pó em suspensão

e a cada sopro vai

se levanta e depois cai

em nova combinação.

 

Em sua poética Marco Di Aurélio marca sua produção pelo tradicionalismo poético que caracteriza o cordel desde o conteúdo ao aspecto físico e xilográfico. Por outro lado, isto não o caracteriza conservador em seus posicionamentos, encarna um regionalismo nativista, sem radicalismos nem barreiras conservadoras. Escritor e cordelista, autor de vários folhetos de Literatura de Cordel, feitor de poemas e militante da Academia Paraibana de Poesias. Entre outras publicações, é autor do livro de contos autobiográficos sobre as coisas do sertão Com-Caso.

Sua obra transita do cordel ao soneto, do aboio à poesia moderna, das incelências aos musicais e documentário, tornando-se o autor da primeira edição de literatura de cordel no sistema Braille no Brasil, atividade que iniciou por meio do patrocínio da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de João Pessoa, onde atualmente é radicado.

 

SABER DE NÓS

Saber de mim

é saber pouco

pois é de mim

saber-se o outro

quando bem sei

que lendo a lei

sou só um louco.

 

Saber de ti

sei que existo

sabendo nós

sabemos misto

querendo a dois

sabemos pois

desse imprevisto.

 

Não sabem eles

nossa loucura

eu que escrevo

essa estrutura

e tu não vês

quando me lês

não temos cura.

FONTES CONSULTADAS

BELIZÁRIO NETO, Manoel Messias. Cordelista pernambucano radicado na Paraíba, Marco Di Aurélio. In: CORDEL Paraíba: espaço destinado à publicação de poemas e informações diversas relacionadas com a literatura de cordel. Disponível em: <http://cordelparaiba.blogspot.com.br/2010/ 05/cordelista-pernambucano-radicado-na.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

CARVALHO, Marcos Aurélio Gomes de, (Marco di Aurélio). Arubu.  [S.l.]: [s.n.], 2001.  

MARCO DI Aurélio. Jornal da Besta Fubana. Disponível em: <http://www.luizberto.com/coluna/lapa-de-quengo-marco-di-aurelio>. Acesso em: 10 out. 2014.

VIEIRA, Fátima. Marco Di Aurélio. Disponível em: <http://www.fatima-vieira.com/marco_25.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

Poeta Marcelo Alves Soares – Síntese biográfica

Marcelo Alves Soares (1953)

Um dos mais significativos poetas cordelistas da atualidade, Marcelo Soares herdou de seu pai, José Soares, o poeta-repórter (1914-1981) o faro jornalístico e o senso crítico que, aliados a uma incrível variedade de estilos e modalidades na arte de versejar, tornam seus cordéis leitura deliciosa, sobretudo pelo domínio e o conhecimento que demonstra possuir em rima, verso e oração. Adota vários pseudônimos em sua obra tais como: H. Romeu, H. Tadeu Luz, Pessoa dos Anjos, Ad. Vinhão Vidente, Joaquim Quincas e Marcelo Olecram, conforme informe do próprio autor a Maria Alice Amorim.

O artista poeta, residente na cidade João Pessoa, Paraíba, destaca-se ainda nas artes gráficas, pelo desenho, pela pintura cujo talento levou-o a criação de capas e ilustrações para livros, discos, cartazes de filmes, shows, espetáculos teatrais, destacando-se, sobretudo pelas xilogravuras. Inclui ainda em seu vasto currículo sua verve poética, editor, educador e músico na categoria de forró.

Seu talento o levou a atuar em várias editoras Brasiliense, ltatiaia, Prelo, Paulinas, Contexto e Global e para jornais como O Globo, Jornal do Brasil, O Pasquim, Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco. Seu trabalho teve o reconhecimento de Ariano Suassuna com quem trabalhou por quatro anos consecutivos.

Como xilógrafo iniciou sua carreira com o primeiro curso realizado na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1984), ensinou na Escolinha de Arte do Brasil (1984-1985) e trabalhou no ateliê de Augusto Rodrigues (1987-1991). Retornando a Pernambuco, Marcelo tornou-se Diretor de Cultura do Município de Timbaúba (1992-1996), fundou a Folheteria Cordel (1997), trabalhou com Ariano Suassuna (1994-1998), ministrou oficinas de gravura, no Brasil e nas cidades de Marseille, Toulon, Poitiers e Paris, em 2005, durante as comemorações do Ano do Brasil na França, e na Universidade do Porto, em Portugal, em 2007. Em 2008, tornou-se Artista Visitante na Universidade do Rio de Janeiro (UERJ). Em 2009 viajou aos EUA para participar da Folk Art International Market em Santa Fé, New México.

Na atualidade destaca-se como um dos mais talentosos e indiscutivelmente, um dos grandes xilogravuristas e cordelistas, divulgador e conservador das tradições culturais nordestinas. Sua poética rica de um lirismo peculiar, o xilógrafo-poeta ou poeta artista, carrega em suas criações as relações com o cotidiano, trazendo a lume temáticas revestidas de um certo criticismo ao momento histórico, político e cultural do país, sem deixar de lado o aspecto humorístico presente em suas produções. O xilógrafo poeta é ainda membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel em Pernambuco desde 2011.

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA Brasileira de Literatura de Cordel em Pernambuco. Marcelo Soares. Disponível em: <http://acordacordel.blogspot.com.br/2011/09/ablc-em-caruaru.html>. Acesso em: 01 out. 2014.

ALMEIDA, Verucci Domingos de; NASCIMENTO, Adriana Vicente do. Dialogando textos, discutindo leituras: um trabalho com cordéis em sala de aula. Disponível em: <http://editorarealize.com.br/revistas/enlije/trabalhos/5657018fc1400ce07262256c558128dc_535_196_.pdf>. Acesso em: 10 out. 2014.

MARCELO Soares. In: O NORDESTE: enciclopédia do Nordeste. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Marcelo+Soares>. Acesso em: 09 out. 2014.

MARCELO SOARES. Disponível em: <http://www. marcelosoares.org/>. Acesso em: 10 out. 2014.

NO pé da parede. Parabéns poeta e xilógrafo Marcelo Soares. Disponível em: <http://nopedaparede.blogspot.com.br/ 2007/11/parabens-poeta-e-xilografo-marcelo.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

POETA popular Marcelo Soares é o palestrante convidado da Roda de Leitura. Disponível em: <http://www.joaopessoa .pb.gov.br/poeta-popular-marcelo-soares-e-o-palestrante-convidado-da-roda-de-leitura/>. Acesso em: 28 jun. 2014.

Poeta Paulo Nunes Batista – Síntese biográfica

Paulo Nunes Batista (02/08/1924)

Paulo Nunes Batista, nascido dia 02 de agosto de 1924, capital do Estado da Paraiba, ou seja, Parahyba do Norte, que posterior a revolução de 1930 e após a morte de João Pessoa, passando a chamar-se João Pessoa. O poeta já nasceu circundado por intelectuais e cordelista. Conforme Haurélio, seu pai, Francisco das Chagas Batista era cordelista, apoiado pelo blog da Casa Rui Barbosa que acrescenta a atividade de folclorista e o nome da genitora do poeta Hugolina Nunes Batista. Alem de cordelista, escritor, contista é advogado e jornalista.

Pelas suas posições ideias políticas Santana e Oliveira narra, que: “Na década de 1930, foi preso em diversas cidades brasileiras, pela sua participação e envolvimento com o Partido Comunista.” Embora se tenha conhecimento do fato e se dizendo comunista Nunes jamais se agregou oficialmente a qualquer legenda política.

No entanto, com relação as suas atividades intelectuais e culturais, faz parte de algumas instituições, ocupando a cadeira de número 8 na  qual foi empossado em 31 de agosto de 2000  diz Santana e Oliveira. Publicou mais de 130 folhetos de cordel e 28 livros de contos e poemas grande número através da Editora e Gráfica Franciscana, Petrolina, Ceará, 2007,  desta forma, seus escritos estão presentes na literatura brasileira.

Sua formação intelectual teve inicio em João Pessoa onde estudou o primário e, em Goiânia concluiu o curso de Madureza, “do curso de educação de jovens e adultos Após – e também do exame final de aprovação do curso – que ministrava disciplinas dos antigos ginásio e colegial, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1961.” formou-se em Direito, na Faculdade de Direito de Anápolis, em 1977.

Em 1969, por concurso público, ingressou no Fisco Estadual e trabalhou em diversas cidades goianas. Hoje é aposentado.

Após morar em vários estados do Nordeste Alagoas e Bahia, Sudoeste Rio de Janeiro e São Paulo e Minas Gerais. Em 1947 fixou residência em Anápolis no estado de Goiás. Ali, em 1949, publicou o seu primeiro folheto de cordel pela Tipografia do jornal A luta. De acordo com Haurélio, “Seus textos poéticos foram traduzidos até para o japonês”.

Ainda com relação a publicação da sua obra,  Santana e Oliveira firmam que: “Suas obras foram traduzidas para  o inglês, espanhol, italiano, esperanto e braille.”

“Escreveu e editou dezenas de livros, sendo, no cordel, o ABC a modalidade que mais abraçou” garante Aurélio. O blog da casa de Rui Barbosa relata que: “Outra característica do poeta são os folhetos de utilidade pública voltados para o esclarecimento da população”. Para Altimar de Alencar Pimentel citado por Antônio Miranda  em seu blog, acrescenta: […] é esse lirismo, expressão maior do seu amor ao próximo, às coisas, à vida, o ponto mais alto da poesia de Paulo Nunes Batista, onde ele se despoja de compromissos ideológicos, para permitir que o poema surja pleno, límpido, cristalino”, a exemplo do poema Velhas Praias, dedicado a Francisco Miguel de Moura:

Ó minhas lavas praias nordestinas,

enfeitadas com velas de jangadas,

que, sobre o mar, vão leves, enfunadas

ao vento bom das ilusões meninas.

 

Praias perdidas na longíngua infância,

mas que retornam na sutil fragancia,

no adeus dos coqueirais, que o ser me invade…

 

Praias de brisas mansas soluçando…

Os olhos do Menino marejando…

E o coração chorando de saudades…

Atuou “também como professor lecionando a língua portuguesa no Colégio Comercial daquela cidade em 1950”.

Leitores eu vou contar

A vida de Bico Doce

Sujeito mais sabido

Que neste mundo encontrou-se

O próprio Cancão de Fogo

Com ele um dia embrulhou-se.

 

Zé  Bico Doce nasceu

Disse-me quem assistiu

Antes do tempo esperado

Para o mundo ele existiu;

Nasceu andando e falando

Coisa que nunca existiu

 FONTES CONSULTADAS

BATISTA, Paulo Nunes. Disponível em: <http://academiagoianadeletras.org/membro/paulo-nunes-batista/>. Acesso em: 28 out. 2014.

BATISTA, Paulo Nunes. Sonetos seletos. Petrolina, PE: Franciscana, 2005. 100 p.

PERFIS biográficos. Paulo Nunes Batista. Disponível em: <www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 28 out. 2014.

CORDEL Atemporal. BATISTA, Paulo Nunes. In: DICIONÁRIO básico de autores de Cordel. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 20 out. 2014.

MENEZES, Ebenezer Takuno de;  SANTOS, Thais Helena dos. Madureza” (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira: EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002. Disponível em:  <http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/ dicionario.asp?id=293>. Acesso em: 28 nov. 2014.

MIRANDA, Antonio. Paulo Nunes Batista. InPOESIAS dos Brasis. Disponível em: <http://www.antoniomiranda. com.br/poesia_brasis/goias/paulo_nunes_batista.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

SANTANA Ana Elisa; OLIVEIRA, Noelle. Cordelista e escritor, Paulo Nunes Batista fala de seus mais de 28 livros publicados. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/ cultura/2014/04/cordelista-e-escritor-paulo-nunes-batista-fala-de-seus-mais-de-28-livros-publicados>. Acesso em: 20 out. 2014.

Poetisa Maria Ilza Bezerra – Síntese biográfica

Maria Ilza Bezerra (22/12/1959)

Maria Ilza Bezerra nasceu no dia 22 de dezembro de 1959, na cidade de Fronteiras, Piauí. Filha de costureira, foi alfabetizada pela mãe, e ao aprender a ler, aproximou-se da literatura de cordel, mergulhando em leituras diárias, as quais fazia para o deleite de seus parentes e vizinhos idosos, lendo os mais variados romances de cordel. Entre eles:Iracema, de Alfredo Pessoa de Lima, O Pavão Misterioso, de José Camelo de Melo Resende e O Macaco Misterioso, de João José da Silva, entre outros. Foi através do gosto pela literatura, que Maria Ilza Bezerra conheceu as obras de William Shakespeare, de quem adaptaria, depois, para o cordel, a tragédia romântica Romeu e Julieta, lançando-o pela Editora Luzeiro. A autora de Romeu e Julieta em cordel é servidora pública, de uma vasta experiência como professora do ensino fundamental, médio e superior, graduada em Letras, é também especialista em Literatura Brasileira, Ensino, Comunicação e Cultura.

Haurélio (2011) relata que a cordelista Ilza Bezerra, teve um trajeto itinerante, reflexo de seu percurso estudantil, nesse sentido o autor destaca, entre essa travessia, a sua estada nas cidades de Fronteiras, Piauí, Teresina, Piauí, Campos Sales, Ceará, Picos, Piauí, Araripina, Pernambuco e Maceió, Alagoas. Em  Maceió, Alagoas,  morou 13 anos, retornando à sua cidade natal no ano de 2000 e após cinco anos, partiu para a capital do Piauí,  onde reside atualmente.

Além de Romeu e Julieta, Maria Ilza Bezerra publicou: Tudo é um momento, em 1998; Uma fada na Floresta, em 1999; Auto do Padre Cícero, em 2003; Cidadania Ferida, em 2005; Nas garras do gavião, 2009, que trata-se de uma história de fictícia que tem como cenário a cidade de Fronteiras, esse folheto foi editado pela Editora Tupynanquim de Fortaleza, Ceará, entre outros.

Para a cordelista Maria Ilza, o cordel é uma espécie de seu porta-voz, histórias que eternizam o passado, embalam o presente e contemplam o futuro (BEZERRA, 2007).

Catunda (2013) reafirma que Ilza Bezerra utiliza o cordel como seu porta-voz, sendo premiada com “A Produção Poética – Projeto Vídeo Escola”, em Maceió, Alagoas, no ano de 1998. Em sua trajetória literária, participou também do Concurso Nacional de Literatura do Sindicato dos Escritores de Alagoas (1999).

Outra obra de Ilza Bezerra é: A verdadeira História de Maria das Tiras, cordel publicado pela editora Tupynanquim.

Maria das Tiras: uma plural mulher

Com aquele ar tão cansado

Pelas ruas vai pensando

Sem temer nenhum perigo

Pra muitos sai semeando

O seu discurso espontâneo

De repente vai cantando:

 – Que acontecerá comigo

Vivendo neste lugar?

 Sei que sou uma cidadã

Mas tropeço ao caminhar

Pois tenho fome de tudo

E estou sempre a lamentar!

Imagine este meu jeito

Assusta a humanidade

Pois venho lá do sertão

Pra conquistar a cidade

Sou chamada de coitada

No país da diversidade!

Eu tenho a cara da seca

Pareço uma vagabunda

Se minha barriga ronca

Sou nojenta, sou imunda

Mas sou vítima do descaso

Levo muito pé na bunda!

Você pode perceber

Eu sou mulher penitente

Vivo numa sociedade

Que age impiedosamente

Mas tenho a minha cultura

Eu sou migrante, sou gente!

Eu sou uma mulher que ri

Sou uma pobre que chora

Sou uma velha que ama

Sou uma cidadã que implora

Quero apenas ser feliz

Quero meu respeito agora!

Quero fazer minha história

Quero amor a vida inteira

Chega de tanto desprezo

Por ser sem eira, nem beira

Quero ter o meu cantinho

Em um lugar sem fronteira.

Que lugar é este aqui,

Que o voto se negocia?

 Pois nossa dignidade

Passa a ser mercadoria

Sou uma velha sertaneja,

E tenho soberania!

Que lugar é este aqui,

Que não valoriza a vida?

Eu tenho fome de arte

Não apenas de comida

Ah, como é duro viver

Com a cidadania ferida!

Eu sou uma mulher sedenta

Vivo num mundo perverso

Não tenho casa, nem abrigo

E o meu relento é verso

Eu quero ter o meu espaço

E conquistar o universo!

Eu não sou nenhuma louca

Sou um pouco diferente

Tenho a minha identidade

Tenho um jeito persistente

E nessa minha linguagem

Eu posso gritar: SOU GENTE!

Sou nada pra burguesia

Eu passo por imbecil

Meu valor é mascarado

Mas sou de um povo varonil

E posso mostrar pra o mundo

Esta face do Brasil!

Ah! Esta voz não se cala

Parece até uma miragem

Mas esta mulher humilde

Demonstra muita coragem

O sertão está no sangue!

 Mesmo com essa roupagem…

FONTES CONSULTADAS

BEZERRA, Claudia. Professora da rede estadual lança Romeu e Julieta em cordel. Disponível em: < http://www.piaui2008.pi.gov.br/materia.php?id=23893>. Acesso em: 15 set. 2014.

BEZERRA, Maria Ilza. Maria das Tiras: uma plural mulher.  In: MUNDO Jovem: um Jornal de Idéias. Disponível em: <http://www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/cordel/maria-das-tiras-uma-plural-mulher>. Acesso em: 05 nov. 2014.

CATUNDA, Dalinha. As mulheres do cordel: versos de Ilza Bezerra. In: CORDEL de saia. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2013_10_01_archive.html>. Acesso em: 15 set. 2014.

HAURELIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL Atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio. blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 04 nov. 2014.

Poeta Vicente Vitorino de Melo – Síntese biográfica

Vicente Vitorino de Melo (16/11/1917)

O cordelista, cantador e astrólogo popular, Vicente Vitorino de Melo, nasceu no agreste pernambucano, na conhecida Princesa do Capibaribe, em Limoeiro, Pernambuco, no dia 16 de novembro de 1917 e radicou-se em outro município do Estado, Caruaru.

Vicente foi cantador de viola até os 33 anos de idade (1950), passando a dedicar-se às três outras tradições populares do nordeste: o cordel, a astrologia popular e o almanaque. Em 1952, em Caruaru, lançou o Almanaque do Nordeste, publicação anual, impresso nas folheterias de cordel, visando os agricultores e chegando aos seus leitores por meio da feira e do rádio.

Em 1948, publicou seu primeiro folheto cujo tema foi Frei Damião: O exemplo da asa branca profetizado por Frei Damião. O tema está presente em mais dois cordéis de Vicente: Exemplo da crente que profanou frei Damião Horrores que a Asa Branca traz profetizado pelo Frade Frei Damião (publicado em 1948, em Caruaru, Pernambuco e reeditado no ano de 1954, em Campina Grande, ParaíbaNeste trabalho, o poeta atribui ao baião Asa Branca (1947), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, a causa de muitos desastres naturais, por entender que a canção faz apologia ao inferno e a satanás (HAURÉLIO, 2011; NÓBREGA, 2012).

Quando diz que na fornalha

tem um pé de plantação

será da árvore maldita

do fruto da maldição

deste fruto que se colhe

o sabor da perdição.

O Missionário dos Sertões, Frei Damião de Bozzano, neste poema, recomenda:

Aviso a todos os cristãos

Em nome de Deus amado

Que não cante a Asa Branca

Deixe as modas e o ditado

Quem não ouvir meus conselhos

De Deus será castigado.

Outro trabalho conhecido é o notável folheto Discussão de um crente com um cachaceiro, considerado um dos melhores do gênero, cuja edição foi celebrada com o editor Giuseppi Baccário, da Casa das Crianças de Olinda (MESTRE, 2011).

Você já leu alguns livros

De fabricar aguardente?

Pinga-fogo, Canta-galo…

– Deus me livre! – Disse o crente,

De eu ler certas misérias

Disse o bêbado: – São matérias

De conteúdo excelente!

Este poeta de bancada publicou pela editora popular cearense, A TUPYNANQUIM: O príncipe Alípio – ou o julgamento de Satanás.

Vicente Vitorino de Melo já é falecido.

FONTES CONSULTADAS

ALMANAQUE astrológico I. In: ESPAÇO astrológico. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://espacoastrologico.org/ almanaques-astrologicos/>. Acesso em: 25 de nov. 2014.

ALMANAQUE do Nordeste 2015 traz de previsões do tempo ao resgate da cultura popular na autoria de Genilvaldo Silva. [S.l.: s.n., 2014]. In: INFORMA Bahia. Disponível em: <http://www.informabahia.com.br/almanaque-nordeste-2015-traz-de-previsoes-tempo-ao-resgate-da-cultura-popular-na-autoria-de-genilvaldo-silva/>;. Acesso em: 25 nov. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Relembrando o Rei do Baião.  2011. In: CORDEL Atemporal: espaço dedicado à literatura de cordel e à divulgação da cultura popular brasileira. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/08 /relembrando-o-rei-do-baiao.html>. Acesso em: 25 nov. 2014.

LUIZ, André. Almanaque do nordeste resiste à evolução. 2012 In: AL Notícias.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.alnoticiasichu.com/?p=22371>.  Acesso em: 25 nov. 2014.

MESTRES do Cordel – VI: Vicente Vitorino de Melo. 2011. In: ACORDA Cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://acordacordel.blogspot.com.br/2011/06/mestres-do-cordel-v_28.html>. Acesso em: 25 nov. 2014.

NÓBREGA, Xico. Luiz Gonzaga inspira a literatura popular desde a década de 1950. 2012. In: LUZ de fifó. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://luzdefifo.blogspot.com.br/2012_05_01_ archive.html>;. Acesso em: 25 nov. 2014.

VIANA, Arievaldo. O grande astrólogo Vicente Vitorino de Melo. 2011. In: FAMOSOS, política e esporte. [S.l.: s.n., 20?].

_____. Vicente Vitorino de Melo. 2011. In: CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?].

VICENTE Vitorino de Melo. In: O NORDESTE: Enciclopédia Nordeste. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Vicente+Vitorino+de+Melo>. Acesso em: 12 nov. 2014.

Poeta Manoel Pereira Sobrinho – Síntese biográfica

Manoel Pereira Sobrinho (06/08/1918)

Manoel Pereira Sobrinho, conhecido nos acrósticos como Pereira, Manoel Pereira ou apenas Manoel, nasceu no dia 6 de agosto de 1918 no distrito de Passagem, município de Patos de Espinhara, sertão paraibano.

Entre 1948 e 1956, ele foi editor na Rainha da Borborema (Campina Grande, Paraíba), já intitulado, nesse período, um poeta popular. Em 1948, Manoel Pereira funda a Casa Pereira, sua própria editora de folhetos, que funcionou ativamente até o ano de 1956 (RAMOS, [20–?]).

Em meados da década dos anos 60, final dos anos 50, o poeta mudou-se para São Paulo, onde firmou vínculo com a Editora Prelúdio (antecessora da Editora Luzeiro), para a qual reescreveu romances de Leandro e de outros autores famosos, conservando os títulos originais (HAURÉLIO, 2011).

Em sua vasta produção de folhetos, destacam-se os romances, além dos cordéis de cunho político. Sua forma própria de se expressar, demonstrando de fato suas convicções e pensamentos, gerava, muitas vezes, antipatia de alguns leitores, tornando-se malquisto para algumas pessoas.   Sua produção pode ser percebida em dois pilares: o primeiro, em um menor quantitativo, corresponde aos folhetos políticos, cujo teor é permeado de ataques a figuras importantes da época, como o governador da Paraíba (Dr. Promessa). No contexto dessa produção, o poeta reveste-se para o ataque utilizando uma linguagem rude e violenta, gerando muitas vezes inimizades (RAMOS, [20- -?]). O segundo pilar, da produção de seus folhetos, relaciona-se aos romances, nos quais Manoel Pereira adapta, para a linguagem popular, obras eruditas consagradas nacional ou internacionalmente, além de suas próprias criações.

Observemos, então, um trecho de uma de suas obras românticas, conforme o romance intitulado Dimas e Madalena nos labirintos da sorte, sendo este produzido por Manoel Pereira, na década de 90, e publicado pela Editora Luzeiro.

Dimas e Madalena nos labirintos da sorte

[…]

Durante o dia, nas cruzes,

Duas vezes Dimas ia,

Orava e ganhava o mato,

Caçava frutas e comia-

E assim, nesse sofrer,

Confiando em Deus vivia.

 

Cresceu demais o cabelo,

Que todo corpo cobria,

Fazia tangas de embiras

E muito alegre s vestia.

Mudou as feições, de formas

Que ninguém o conhecia.

 

Um dia estava orando,

Ouviu um grito sem fim,

No centro da grande mata,

Bem alto dizendo assim:

– Jesus pai dos pescadores!

Vinde socorrer a mim.

[…]

(p. 13)

De sua produção, destacamos alguns outros folhetos lançados pela Editora Luzeiro, entre eles: A escrava do destino;  Helena, a virgem dos sonhosOs sofrimentos de Célia ou As três espadas de doresRosinha e Sebastião; Tiradentes; o Mártir da Independência, entre outros.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel.  In: CORDEL Atemporal, 5 jun. 2011. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 04 nov. 2014.

PEREIRA SOBRINHO, Manoel. Dimas e Madalena nos labirintos da sorte. São Paulo: Luzeiro [19- -].

RAMOS, Everaldo. Biografia de Manoel Pereira Sobrinho. In: FUNDAÇÃO CASA RUI BARBOSA. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ManuelPereira/manuelPereira_biografia.html#>. Acesso em: 04 nov. 2014.

Poeta Manoel Monteiro da Silva – Síntese biográfica

Manoel Monteiro da Silva (04/02/1937 – 06/2014)

Manoel Monteiro da Silva nasceu na cidade de Bezerros, a 102 km de Recife, Pernambuco, no dia 4 de fevereiro de 1937, mas desde 1955 morava na Rainha da Borborema, Campina Grande, Paraíba, onde fora radicado.

Em junho de 2014, deixou o mundo do cordel de luto, ao falecer aos 77 anos. Após oito dias desaparecido, o poeta e cordelista pernambucano Manoel Monteiro foi encontrado morto em um quarto de hotel em Belém, Pará. Sua morte foi confirmada pela família dele no final da tarde do dia 8 de junho de 2014 (LOPES, 2014).

Manoel Monteiro foi um dos grandes responsáveis pela difusão da literatura nas escolas. Viveu boa parte de sua vida na cidade de Campina Grande, Paraíba, divulgando a cultura e a história do estado que o acolheu.  Nos últimos anos de sua vida, Manoel Monteiro enfrentava problemas de saúde, sendo diagnosticado com diabetes, apresentando dificuldade na visão, e ainda assim, estava em plena atividade escrevendo livros paradidáticos para grandes editoras. Lançou pouco antes de sua morte, o projeto intitulado: Cordelando a Paraíba, no qual ele e outros escritores recontaram a história de cada um dos 223 municípios paraibanos (LOPES, 2014).

Participou do Projeto Paraíba, Sim Senhor!. Nesse projeto, Manoel Monteiro apresentava resumos biográficos de ilustres filhos deste Estado. Foi também membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), onde ocupava a cadeira de número 38, que era patroneada pelo poeta pernambucano Manoel Tomaz de Assis (HAURÉLIO, 2011).

Detalhista, meticuloso, aborda em seus folhetos, temas variados e polêmicos, com surpreendente objetividade, representante do chamado Novo Cordel. Seguro no ofício de escrever versos rimados e metrificados, suas narrativas são envolventes prendendo o leitor aos seus versos, dando mais valoração e qualidade à sua produção, sendo inclusive indicada a ser trabalhada em várias escolas do Brasil, principalmente pela riqueza de seus escritos.

Manoel Monteiro não é apenas um escritor da poesia popular: acima de tudo, é um grande incentivador e divulgador desta modalidade literária não apenas no estado da Paraíba, mas no Brasil. Foi também um exímio pesquisador da cultura popular, escrevendo artigos para jornais e revistas. Fez das contracapas de seus folhetos uma espécie de espaço de crítica, onde ele expunha o que pensava sobre o assunto abordado em questão (RIBEIRO, 2009). Ganhou em 2010, o prêmio de melhor cordelista do país, outorgado pela Associação Brasileira de Literatura de Cordel, situada no Rio de Janeiro, em Santa Teresa.

Foram mais de 200 títulos escritos por Manoel Monteiro, a exemplo de A Maior Festa Junina é Feita Aqui em CampinaO Castigo da SoberbaUma Tragédia de AmorPeleja de Manoel Camilo com Manoel Monteiro; Padre Cícero: Político ou Padre? Cangaceiro ou Santo?Quer Escrever um Cordel? Aprenda a Fazer FazendoCartilha do DiabéticoA Estória do ET, entre outros.  Ao contrário de alguns poetas, Manoel Monteiro trouxe em seu cordel intitulado: Lampião. Herói de meia tigela um certo tom de crítica e realismo, descortinando as astúcias do coronel Virgulino, vejamos:

Lampião. Herói de meia tigela

Todo cordel produzido

Com, ou sem inspiração,

Mostrando a VIDA e os CRIMES

Do facínora LAMPIÃO,

Não soube, ou fez-se esquecido,

Que só aplaude bandido

Quem só admira ladrão.

 

Tem centenas de folhetos

Sobre a vida dessa escória,

Mas, se uns não dizem nada,

Outros lhes cobre de glória;

Sem pesquisa, se diluem

E em nada contribuem

Com subsídio pra a história

(p. 1)

[…]

Para Manoel, a receita para ser um bom cordelista é produzir seus textos adaptando-os à realidade. Dessa feita, se estamos no século XXI, a produção tem que ser feita baseando-se nas demandas de temáticas atuais. Nesse sentido, o cordel será pensado através de temas da atualidade, possibilitando uma melhor interação com o próprio público leitor.

Diante desse contexto, destacamos como exemplo o cordel produzido pelo poeta Manoel Monteiro, intitulado: Verbos, Versos e Rimas e Nova Ortografia. Para o cordelista, pensar no cordel do século XXI é também pensar na produção de textos que possibilitem uma interação com as escolas brasileiras, sendo uma forma de auxiliar o professor no ensino em sala de aula.

Em entrevista realizada por Rubênio Marcelo, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 26 de abril de 2010, Manoel Monteiro afirma: “… o Novo Cordel de que eu falo é o cordel atual, o cordel do século XXI, este que está sendo utilizado, com eficiência, pelos professores nas salas de aula. O cordel, no momento, está em uma evidência muito maior do que nos seus ditos tempos áureos e pioneiros. Isto é verdade.” Certamente, por pensar assim e agir assim, Manoel Monteiro foi considerado o maior expoente do novo cordel.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. In: Cordel Atemporal, 5 jun. 2011. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 04 out. 2014.

LOPESSeverino.  Poeta Manoel Monteiro é encontrado morto em Belém e país perde seu maior cordelista. PB Agora, João Pessoa, 08 de Junho de 2014. Disponível em: <http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20140608212234&cat=cultura&keys=poeta-manoel-monteiro-encontrado-morto-belem-pais-perde-seu-maior-cordelista>. Acesso em: 19 out. 2014.

MANOEL Monteiro. In: O NORDESTE.  Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Manoel+Messias+Belizario+Neto>. Acesso em: 14 nov. 2014.

MANOEL Monteiro da Silva. In: CORDEL de Saia. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2010 /12/balela-de-belem-manoel-monteiro.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

MONTEIRO, Manoel. Lampião. Herói de meia tigela. 2. ed. Campina Grande, 2011.

______. O maior expoente do novo cordel. Campo Grande, 26 abr. 2010. Entrevista concedida a Rubênio Marcelo. Disponível em: <http://cordelparaiba.blogspot. com.br/2010/04/manoel-monteiro-e-o-novo-cordel.html>. Acesso em: 13 out. 2014.

RIBEIRO, Johniere Alves. Manoel Monteiro: visibilidade de uma poética. 2009. 107 f. Dissertação (Mestrado em Literatura e Interculturalidade) – Universidade Estadual da Paraíba. Campina Grande, 2009.

Poeta Manoel de Assis Campina – Síntese biográfica

Manoel de Assis Campina (1897 )

Manoel de Assis Campina nasceu em Sergipe, no ano de 1897. Foi cantador, poeta cordelista e repentista. Autor de algumas obras como: Aventuras de Justino no reino de sete quartosAparecimento de Padre Cícero na Urucânia com o nome de Padre Antônio; A cheia de 48 e Discussão dum Fiscal com uma Fateira. Esta última já foi, muitas vezes, representada em círculos teatrais populares. Nesta obra, o autor ressignifica a raiva crescente da personagem com relação a um determinado fiscal do Estado. Nesse contexto, a fateira representa a raiva do povo pela imposição do Estado (VIANA, 2014).

FONTE CONSULTADA

VIANA, Rodrigo. Poesia de Cordel… literária?. Mercado Popular. São Paulo, 22/fev/2014. Cultura. Disponível em: <http://mercadopopular.org/2014/02/poesia-de-cordel-libertaria/>. Acesso em: 25 nov. 2014.

Poeta Manoel D’Almeida Filho – Síntese biográfica

Manoel D’Almeida Filho (13/10/1914 – 08/06/1995)

Manoel D’Almeida Filho, filho de Manoel Joaquim D’Almeida e Josefa Pastora da Conceição, nasceu no dia 13 de outubro de 1914 na cidade de Alagoa Grande, no estado da Paraíba e faleceu em Aracaju, Sergipe, no dia 8 de junho de 1995. Filho de agricultores, viveu no campo até os oito anos de idade, quando foi levado pela primeira vez à cidade, onde se deparou com o encanto da literatura de cordel.

Iniciou seu contato com a arte, através da cantoria, assumindo papel de cantador, por um período de sua vida. Mas a sua forte veia poética eclodiu, sendo como poeta de bancada, que Manoel D’Almeida Filho se destacou, produzindo obras admiráveis, de muita qualidade. O seu primeiro folheto foi escrito em 1936, intitulado: A Menina que Nasceu Pintada com as Sobrancelhas Raspadas.

Em 1940, fixou residência em Aracaju, capital de Sergipe, tornando-se, na década de 1950, um dos mais respeitados autores do gênero (QUINTELA, 20?).

Foi em Aracajú, Sergipe, que passou a maior parte de sua vida.  Lá, o poeta manteve uma banca de folhetos. No ano de 1955, ajudou Rodolfo Coelho Cavalcante a organizar o primeiro Congresso de Trovadores e Violeiros, realizado em Salvador. Nesta ocasião, entrou em contato com a Editora Prelúdio (antecessora da Luzeiro) de São Paulo, onde publicaria boa parte de sua obra passando a ser, até meados da década de 90, um dos principais colaboradores desta editora (VIANA, 2011).  Aos oitenta anos, ainda estava em atividade no Mercado Municipal de Aracaju, além de atuar como revisor de diversos originais.  Nesse sentido, percebemos sua dedicação à arte do cordel, até o fim de sua vida, no ano de 1995.

Suas obras ramificam-se em romances de amor e aventuras passados no Nordeste, biografias de cangaceiros, histórias diversas entrelaçando a cultura de massa, além de contos, alguns desses, de cunho erótico, publicados com o pseudônimo Adam Fialho (QUINTELA,20?).

Manoel D’Almeida sempre fora rigoroso com a qualidade de seus escritos. Luciano (2014) lembra que o poeta trabalhava diuturnamente na confecção, buscando a excelência, colecionando as rimas, organizando suas narrativas. O poeta escrevia narrativas longas, sem repetições mantendo sempre sua criatividade.

Dentre suas obras, perfazendo em média 200 títulos publicados, destacamos as seguintes: Vicente, o rei dos ladrões (1953); Josafá e Marieta (1956); Os cabras de Lampeão (1966); Os três conselhos da sorte (1970); Gabriela (1976); A troca das esposas (1982), entre outras.

Uma de suas obras que merece destaque, segundo Luciano (2014), é O Direito de Nascer,que foi escrita baseando-se em uma radio-novela cubana, sendo adaptada para o Brasil na época. Este é, talvez, o maior romance, em termos quantitativos, do cordel brasileiro com aproximadamente 700 sextilhas.

Com sua característica marcante pela extensão de seus escritos, o poeta escreve o poema mais extenso sobre a vida do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, o tão conhecido Lampião. Este poema intitulado: Os Cabras de Lampião fora um trabalho preparado com muita pesquisa, muita delicadeza poética, muita lucidez.

 

Os Cabras de Lampião

 

Quando na sua fazenda

Não pode entrar Lampião

Foi expulso pelas tropas,

Dada  a movimentação,

Da política e do Exercito

Que vasculhavam o sertão.

 

Lampião em vista disso

Correu e foi se acoitar

Nas zonas de Pajeú

Onde pode descansar

Numa grota com o grupo

Até a luta passar…

 

Desmantelada a coluna

Com todos os revoltosos

Fugiu para Bolívia

Como maus e perigosos,

Lampião voltou à baila

Com seus atos criminosos.

(p. 19)

[…]

FONTES CONSULTADAS

LUCIANO, Aderaldo. Centenário de Manoel D’Almeida Filho, imortal da poesia brasileira.GGN. O Jornal de todos os Brasis, 05 fev. 2014. Disponível em: <http://jornalggn. com.br/blog/aderaldo-luciano/centenario-de-manoel-dalmeida-filho-imortal-da-poesia-brasileira>. Acesso em: 24 nov. 2014.

MANOEL D’Almeida Santos. In: O NORDESTE.  Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopedia Nordeste/index.php?titulo=Manoel+D%27Almeida+Filho>. Acesso em: 14 nov. 2014.

QUINTELA, Vilma Mota. Biografia de Manoel D’Almeida Filho. In: FUNDAÇÃO CASA RUI BARBOSA. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ManuelDalmeida/manuelDalmeida_biografia.html#>. Acesso em: 14 nov. 2014.

VIANA, Arievaldo. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL Atemporal, 5 jun. 2011. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 03 nov. 2014.