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Poeta Manoel Monteiro da Silva – Síntese biográfica

Manoel Monteiro da Silva (04/02/1937 – 06/2014)

Manoel Monteiro da Silva nasceu na cidade de Bezerros, a 102 km de Recife, Pernambuco, no dia 4 de fevereiro de 1937, mas desde 1955 morava na Rainha da Borborema, Campina Grande, Paraíba, onde fora radicado.

Em junho de 2014, deixou o mundo do cordel de luto, ao falecer aos 77 anos. Após oito dias desaparecido, o poeta e cordelista pernambucano Manoel Monteiro foi encontrado morto em um quarto de hotel em Belém, Pará. Sua morte foi confirmada pela família dele no final da tarde do dia 8 de junho de 2014 (LOPES, 2014).

Manoel Monteiro foi um dos grandes responsáveis pela difusão da literatura nas escolas. Viveu boa parte de sua vida na cidade de Campina Grande, Paraíba, divulgando a cultura e a história do estado que o acolheu.  Nos últimos anos de sua vida, Manoel Monteiro enfrentava problemas de saúde, sendo diagnosticado com diabetes, apresentando dificuldade na visão, e ainda assim, estava em plena atividade escrevendo livros paradidáticos para grandes editoras. Lançou pouco antes de sua morte, o projeto intitulado: Cordelando a Paraíba, no qual ele e outros escritores recontaram a história de cada um dos 223 municípios paraibanos (LOPES, 2014).

Participou do Projeto Paraíba, Sim Senhor!. Nesse projeto, Manoel Monteiro apresentava resumos biográficos de ilustres filhos deste Estado. Foi também membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), onde ocupava a cadeira de número 38, que era patroneada pelo poeta pernambucano Manoel Tomaz de Assis (HAURÉLIO, 2011).

Detalhista, meticuloso, aborda em seus folhetos, temas variados e polêmicos, com surpreendente objetividade, representante do chamado Novo Cordel. Seguro no ofício de escrever versos rimados e metrificados, suas narrativas são envolventes prendendo o leitor aos seus versos, dando mais valoração e qualidade à sua produção, sendo inclusive indicada a ser trabalhada em várias escolas do Brasil, principalmente pela riqueza de seus escritos.

Manoel Monteiro não é apenas um escritor da poesia popular: acima de tudo, é um grande incentivador e divulgador desta modalidade literária não apenas no estado da Paraíba, mas no Brasil. Foi também um exímio pesquisador da cultura popular, escrevendo artigos para jornais e revistas. Fez das contracapas de seus folhetos uma espécie de espaço de crítica, onde ele expunha o que pensava sobre o assunto abordado em questão (RIBEIRO, 2009). Ganhou em 2010, o prêmio de melhor cordelista do país, outorgado pela Associação Brasileira de Literatura de Cordel, situada no Rio de Janeiro, em Santa Teresa.

Foram mais de 200 títulos escritos por Manoel Monteiro, a exemplo de A Maior Festa Junina é Feita Aqui em CampinaO Castigo da SoberbaUma Tragédia de AmorPeleja de Manoel Camilo com Manoel Monteiro; Padre Cícero: Político ou Padre? Cangaceiro ou Santo?Quer Escrever um Cordel? Aprenda a Fazer FazendoCartilha do DiabéticoA Estória do ET, entre outros.  Ao contrário de alguns poetas, Manoel Monteiro trouxe em seu cordel intitulado: Lampião. Herói de meia tigela um certo tom de crítica e realismo, descortinando as astúcias do coronel Virgulino, vejamos:

Lampião. Herói de meia tigela

Todo cordel produzido

Com, ou sem inspiração,

Mostrando a VIDA e os CRIMES

Do facínora LAMPIÃO,

Não soube, ou fez-se esquecido,

Que só aplaude bandido

Quem só admira ladrão.

 

Tem centenas de folhetos

Sobre a vida dessa escória,

Mas, se uns não dizem nada,

Outros lhes cobre de glória;

Sem pesquisa, se diluem

E em nada contribuem

Com subsídio pra a história

(p. 1)

[…]

Para Manoel, a receita para ser um bom cordelista é produzir seus textos adaptando-os à realidade. Dessa feita, se estamos no século XXI, a produção tem que ser feita baseando-se nas demandas de temáticas atuais. Nesse sentido, o cordel será pensado através de temas da atualidade, possibilitando uma melhor interação com o próprio público leitor.

Diante desse contexto, destacamos como exemplo o cordel produzido pelo poeta Manoel Monteiro, intitulado: Verbos, Versos e Rimas e Nova Ortografia. Para o cordelista, pensar no cordel do século XXI é também pensar na produção de textos que possibilitem uma interação com as escolas brasileiras, sendo uma forma de auxiliar o professor no ensino em sala de aula.

Em entrevista realizada por Rubênio Marcelo, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 26 de abril de 2010, Manoel Monteiro afirma: “… o Novo Cordel de que eu falo é o cordel atual, o cordel do século XXI, este que está sendo utilizado, com eficiência, pelos professores nas salas de aula. O cordel, no momento, está em uma evidência muito maior do que nos seus ditos tempos áureos e pioneiros. Isto é verdade.” Certamente, por pensar assim e agir assim, Manoel Monteiro foi considerado o maior expoente do novo cordel.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco. Dicionário básico de autores de cordel. In: Cordel Atemporal, 5 jun. 2011. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 04 out. 2014.

LOPESSeverino.  Poeta Manoel Monteiro é encontrado morto em Belém e país perde seu maior cordelista. PB Agora, João Pessoa, 08 de Junho de 2014. Disponível em: <http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20140608212234&cat=cultura&keys=poeta-manoel-monteiro-encontrado-morto-belem-pais-perde-seu-maior-cordelista>. Acesso em: 19 out. 2014.

MANOEL Monteiro. In: O NORDESTE.  Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Manoel+Messias+Belizario+Neto>. Acesso em: 14 nov. 2014.

MANOEL Monteiro da Silva. In: CORDEL de Saia. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2010 /12/balela-de-belem-manoel-monteiro.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

MONTEIRO, Manoel. Lampião. Herói de meia tigela. 2. ed. Campina Grande, 2011.

______. O maior expoente do novo cordel. Campo Grande, 26 abr. 2010. Entrevista concedida a Rubênio Marcelo. Disponível em: <http://cordelparaiba.blogspot. com.br/2010/04/manoel-monteiro-e-o-novo-cordel.html>. Acesso em: 13 out. 2014.

RIBEIRO, Johniere Alves. Manoel Monteiro: visibilidade de uma poética. 2009. 107 f. Dissertação (Mestrado em Literatura e Interculturalidade) – Universidade Estadual da Paraíba. Campina Grande, 2009.

Poeta Manoel Monteiro da Silva – Produção Literária

50 anos de amor: a vida, a família, a Deus

A bodega Santo Antonio

A capela de São Pedro

A culinária caprina: tem gosto de manjar, e… aroma do campo

A esperança renasce….

A estória de E.T.: um homem de outro mundo

A estória do rei, do rato, do gato….

A evolução do papel – da China aos dias de hoje

A folkmídia nasceu pelas mãos do Dr. Luyten

A grande peleja de Pinto com Lourival

A história de Fred ou A obsessão das águas=Fred´s history or the obsession of the Waters

A história de Fred ou A obsessão das águas=La historia de Fred o la obsesión de las aguas

A maldição dos pês: preto, pobre, puto e puta

A mulher de antigamente e a mulher de hoje em dia

A mulher de antigamente e a mulher de hoje em dia

A revolta dos pretos

A Saúde

A vida do Padre Cícero: político ou padre? cangaceiro ou santo?

Ah! Que saudade danada do sertão de antigamente

Aluízio Campos: um homem de idéias e realizações

Ariano Suassuna: senhor das iluminogravuras

Aos heróis da FEB, nossa eterna gratidão

Aos mestres com muito amor

As aventuras do filho de Antonio Cobra Choca

Augusto dos Anjos: o poeta do infortúnio

Buda, o iluminado: nascimento, vida e morte

Campina dos meus amores e a estória de et: um homem de outro mundo

Campina dos meus amores: ode à Rainha da Borborema

Cartas sertanejas ou Cantigas do exílio (em parceria com Moreira de Acopiara, seu confrade da ABLC)

Cartilha do diabético

Celso Furtado: o inimigo da fome

Chateaubriand: Deus e Diabo do Cariri de Umbuzeiro

Conheça o enigma das inscrições rupestres do Lajedo Pai Mateus.

Contaram-me e conto para vocês uma lenda do povo

Cordel do consumidor consciente

De amigo para amigo

E tudo vem a ser nada

Exaltação à cachaça & Todo homem tem na vida um passado a recordar

Exaltação à cachaça ou Uma homenagem a água que passarinho não bebe.

Exorcizando o cigarro; Mulher gosta de ouvir… impróprio para menores de 90 anos

Imagé de Campina

João Pessoa, parabéns cidade dos olhos verdes

Lampião: era o cavalo do tempo atrás da besta da vida

Leandro Gomes: o rei do cordel

Manoel Joaquim Barbosa: um guerreiro do bem

Manual de primeiros socorros

Maria Garrafada: mestra do amor, pecadora e santa

No vai e vem do amor

Nova história da Paraíba (recontada em Cordel)

Nova história da Paraíba recontada em cordel: suas principais cidades, seu folclore, seus atributos turísticos, sua gente….

Novos tempos para o doente mental: cuidar sim, excluir não

O Brasil idoso: um país de cabelos brancos

O castigo da soberba

O cordel do referendo e porque dizer sim

O crime da sombra misteriosa

O holocausto dos homens nus

O homem do pinto grande ou A verdadeira estória do pinto pelado

O inventário de Pedro

O milagre do algodão colorido

O museu histórico

O planeta água está pedindo socorro

O poder das plantas na cura das doenças

O preço da soberba ou A mãe desnaturada

O PROCON sem mistério nos mistérios do cordel

O segredo das pedras: saiba qual a sua pedra da sorte

O terror de Rosinha: perdida na mata escura

O vingador da honra ou O filho justiceiro

Os games na escola

Padre Inácio Rolim: mestre, escola e cientista

Pedro Américo: o gênio de Areia

Peleja de Manoel Camilo com Manoel Monteiro

Poesia popular de ler e brincar

Quatro poemas de corno

Quem não usa camisinha não pode dizer que ama

Quer escrever um cordel?: aprenda a fazer fazendo….

Salvem a fauna! Salvem a flora! Salvem as águas do Brasil!

Severino Cabral: pé-de-chumbo, coração de ouro, pavio curto

Um menino de engenho chamado Zé Lins do Rego

Um paraíso azul chamado Brasil

Uma lenda Caiapó

Uma lenda do povo Caiapó

Uma longa viagem: de Campina à Santa Teresa

Uma paixão no deserto: comovente história de amor e magia

Uma saga de sucessos com cheiro de peixe e carne, paçoca e pirão de queijo

Uma tragédia de amor

Uma tragédia de amor e A louca dos caminhos

Venha viver em Campina Grande o maior São João do mundo

Viva São João sem fogueira e sem balão