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Poeta Manoel D’Almeida Filho – Síntese biográfica

Manoel D’Almeida Filho (13/10/1914 – 08/06/1995)

Manoel D’Almeida Filho, filho de Manoel Joaquim D’Almeida e Josefa Pastora da Conceição, nasceu no dia 13 de outubro de 1914 na cidade de Alagoa Grande, no estado da Paraíba e faleceu em Aracaju, Sergipe, no dia 8 de junho de 1995. Filho de agricultores, viveu no campo até os oito anos de idade, quando foi levado pela primeira vez à cidade, onde se deparou com o encanto da literatura de cordel.

Iniciou seu contato com a arte, através da cantoria, assumindo papel de cantador, por um período de sua vida. Mas a sua forte veia poética eclodiu, sendo como poeta de bancada, que Manoel D’Almeida Filho se destacou, produzindo obras admiráveis, de muita qualidade. O seu primeiro folheto foi escrito em 1936, intitulado: A Menina que Nasceu Pintada com as Sobrancelhas Raspadas.

Em 1940, fixou residência em Aracaju, capital de Sergipe, tornando-se, na década de 1950, um dos mais respeitados autores do gênero (QUINTELA, 20?).

Foi em Aracajú, Sergipe, que passou a maior parte de sua vida.  Lá, o poeta manteve uma banca de folhetos. No ano de 1955, ajudou Rodolfo Coelho Cavalcante a organizar o primeiro Congresso de Trovadores e Violeiros, realizado em Salvador. Nesta ocasião, entrou em contato com a Editora Prelúdio (antecessora da Luzeiro) de São Paulo, onde publicaria boa parte de sua obra passando a ser, até meados da década de 90, um dos principais colaboradores desta editora (VIANA, 2011).  Aos oitenta anos, ainda estava em atividade no Mercado Municipal de Aracaju, além de atuar como revisor de diversos originais.  Nesse sentido, percebemos sua dedicação à arte do cordel, até o fim de sua vida, no ano de 1995.

Suas obras ramificam-se em romances de amor e aventuras passados no Nordeste, biografias de cangaceiros, histórias diversas entrelaçando a cultura de massa, além de contos, alguns desses, de cunho erótico, publicados com o pseudônimo Adam Fialho (QUINTELA,20?).

Manoel D’Almeida sempre fora rigoroso com a qualidade de seus escritos. Luciano (2014) lembra que o poeta trabalhava diuturnamente na confecção, buscando a excelência, colecionando as rimas, organizando suas narrativas. O poeta escrevia narrativas longas, sem repetições mantendo sempre sua criatividade.

Dentre suas obras, perfazendo em média 200 títulos publicados, destacamos as seguintes: Vicente, o rei dos ladrões (1953); Josafá e Marieta (1956); Os cabras de Lampeão (1966); Os três conselhos da sorte (1970); Gabriela (1976); A troca das esposas (1982), entre outras.

Uma de suas obras que merece destaque, segundo Luciano (2014), é O Direito de Nascer,que foi escrita baseando-se em uma radio-novela cubana, sendo adaptada para o Brasil na época. Este é, talvez, o maior romance, em termos quantitativos, do cordel brasileiro com aproximadamente 700 sextilhas.

Com sua característica marcante pela extensão de seus escritos, o poeta escreve o poema mais extenso sobre a vida do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, o tão conhecido Lampião. Este poema intitulado: Os Cabras de Lampião fora um trabalho preparado com muita pesquisa, muita delicadeza poética, muita lucidez.

 

Os Cabras de Lampião

 

Quando na sua fazenda

Não pode entrar Lampião

Foi expulso pelas tropas,

Dada  a movimentação,

Da política e do Exercito

Que vasculhavam o sertão.

 

Lampião em vista disso

Correu e foi se acoitar

Nas zonas de Pajeú

Onde pode descansar

Numa grota com o grupo

Até a luta passar…

 

Desmantelada a coluna

Com todos os revoltosos

Fugiu para Bolívia

Como maus e perigosos,

Lampião voltou à baila

Com seus atos criminosos.

(p. 19)

[…]

FONTES CONSULTADAS

LUCIANO, Aderaldo. Centenário de Manoel D’Almeida Filho, imortal da poesia brasileira.GGN. O Jornal de todos os Brasis, 05 fev. 2014. Disponível em: <http://jornalggn. com.br/blog/aderaldo-luciano/centenario-de-manoel-dalmeida-filho-imortal-da-poesia-brasileira>. Acesso em: 24 nov. 2014.

MANOEL D’Almeida Santos. In: O NORDESTE.  Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopedia Nordeste/index.php?titulo=Manoel+D%27Almeida+Filho>. Acesso em: 14 nov. 2014.

QUINTELA, Vilma Mota. Biografia de Manoel D’Almeida Filho. In: FUNDAÇÃO CASA RUI BARBOSA. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ManuelDalmeida/manuelDalmeida_biografia.html#>. Acesso em: 14 nov. 2014.

VIANA, Arievaldo. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL Atemporal, 5 jun. 2011. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 03 nov. 2014.

Poeta Manoel D’Almeida Filho – Produção Literária

A Afilhada da Virgem da Conceição

A beata santa – ou o falso Cristo

A camponesa e o príncipe encantado

A luta de Zé do Caixão com o Diabo

A menina que nasceu pintada com as sobrancelhas raspadas

A noiva do Diabo

A Princesa Rosinha na cova dos ladrões

A sorte do amor

A sorte do preguiçoso

A troca das esposas

A vitória de Floriano e a negra feiticeira

A volta de Lampião ao inferno

Briga de São Pedro com Jesus por causa do inverno

Como ser feliz no casamento

Disputa de Bocage com um Padre

Gabriela

Historia de Jesus Cristo e o Mestre dos Mestres

Jesus Cristo e São Pedro na casa dos pobres

Jesus e o Mestre dos Mestres

Jesus Mestre dos Mestres

Josafá e Marieta

O comprador de barulho

O exemplo de um servo de Deus

O feitiço por cima de feiticeiro

O ferreiro e a macaca

O homem que numa hora passou cem anos andando

O lobisomem encantado

O milagre da Apolo 13

O monstro misterioso

O Príncipe enterrado vivo e a rainha justiceira

O rapaz que matou a familia aconselhado pelo Diabo

O sacrifício do amor e o noivo ressuscitado

O vaqueiro do barulho

Os amigos do barulho e o bandido carne frita

Os cabras de Lampião

Os dois amigos leais

Os quatro sabios do reino e a princesa encarcerada

Os tres conselhos da sorte

Padre Cícero, o Santo do Juazeiro

Peleja de Rodolfo Coelho Cavalcante com Manoel D’Almeida Filho

Peleja de Zé do Caixão com o Diabo

Quando a coragem triunfa

Rufino o rei do barulho

Vicente o rei dos ladrões

Vida, vingança e morte de Corisco

Zé Baiano vida e morte