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Poeta João Ferreira de Lima – Síntese biográfica

João Ferreira de Lima (03/11/1902 – 19/08/1972)

Nascido ao terceiro dia do mês de novembro de 1902, na pequena cidade de São José do Egito no estado de Pernambuco, João Ferreira de Lima foi autor do mais célebre almanaque popular nordestino, o Almanaque de Pernambuco, lançado em 1936, cuja tiragem anual chegou a ultrapassar 70 mil exemplares. A após a sua morte, em 19 de agosto de 1972 na cidade de Bezerros-PE, o almanaque passou a ser editado por sua filha Berenice. Sua obra não é muito extensa, porém tem qualidade, onde se destacam, pelo menos, dois grandes clássicos da literatura de cordel: Proezas de João Grilo Romance de Mariquinha e José de Sousa Leão. Além de poeta, ele era astrólogo.

Sobre o folheto As proezas de João Grilo convém ressaltar o seguinte: João Ferreira de Lima o escreveu originalmente em sextilhas, num folheto de 8 páginas, intitulado As palhaçadas de João Grilo. Por volta de 1948, a obra foi ampliada para 32 páginas na tipografia de João Martins de Athayde, pelo poeta Delarme Monteiro. As estrofes que foram acrescentadas são todas em sextilhas, sendo fácil identificar quais são as de autoria de João Ferreira de Lima.

Uma vertente em particular a ser notada na obra de João Ferreira de Lima  refere-se à crítica e à sátira social, como se pode observar no folheto As palhaçadas de João Grilo, quando após responder a todas as adivinhas propostas pelo rei, que lhe concederia o benefício de instalar-se no castelo, João Grilo impõe à nobreza valores de caráter moralizante, como podemos constatar nos versos:

 “…E então toda a repulsa

transformou-se de repente

o rei chamou-o pra mesa

como homem competente

consigo, dizia João:

na hora da refeição

vou ensinar esta gente“.

 

E, continua sua lição nos versos que se seguem:

 

 “…Eu estando esfarrapado

ia comer na cozinha

mas como troquei de roupa

como junto com a rainha

vejo nisto um grande ultraje

homenageiam meu traje

e não a pessoa minha…”.

 

Esse tal João Grilo é a imagem do anti-herói, como Pedro Malazartes, João Malasarte e Pedro Quengo, personagens também abordadas pelos poetas João Martins de Ataíde, Paulo Nunes Batista e Antonio Pauferro da Silva, com As perguntas do rei e as respostas de João Grilo, dentre outros.

Percorreu vários temas da poesia popular, privilegiando as Discussões e Pelejas, publicou Discussão de dois poetas, Antônio da Cruz com Cajarana Peleja de João Athayíde com João Lima, do qual temos conhecimento de duas edições: uma de Recife, 1921 e outra, de Juazeiro do Norte, Tipografia São Francisco, 1957.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoFerreiradeLima_biografia.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

CÂMARA Brasileira de Escritores. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel20.htm>.  Acesso em: 20 nov. 2014.

SILVA, J. C. Literatura de cordel: um fazer popular a caminho da sala de aula. 2007. 57 f. Dissertação (Mestrado em Letras)- Universidade Federal da Paraíba,  Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-graduação em Letras, João Pessoa, 2007.

TIMBÓ, M. P.; BESSA, A. Z. S. A identidade e representação do Ceará na literatura de cordel: análise dos cordéis o Romance do Pavão Misterioso e As proezas de João Grilo. Revista Investigações, v. 25, n. 1, jan. 2012.

Poeta João Damasceno Nobre – Síntese biográfica

João Damasceno Nobre (06/05/1910 –  )

No dia 6 de maio de 1910, nasce na Fazenda Bebedouro, distrito de Serraria, Município de Inhambupe, estado da Bahia, o menino poeta João Damasceno Nobre. Antes de se dedicar ao cordel, em 1917 acompanhando a família, usou seu corpo e pensamentos no trabalho da lavoura cacaueira no mesmo Estado em que nasceu.

Em 1955, publicou seu primeiro folheto “As aflições do Presente e as Glórias do Porvir”. Seu conjunto literário: As Profecias do Boi MisteriosoO Cisne Misterioso, A História do Perverso Barba Roxa e o O quengo do Pedro Malazarte no Fazendeiro foram publicados pela extinta editora Prelúdio. Sua arte era assinada com o pseudônimo Amador Silvestre.

O folheto “O quengo do Pedro Malazarte no Fazendeiro” foi reeditado há quase cinquenta anos, o que lhe garante o status de clássico da literatura de cordel.

Trecho do cordel O quengo do Pedro Malazarte no Fazendeiro, da Editora Prelúdio,

 

 Vou contar nesse momento

Um caso que foi passado

De um camarada perverso

Que nunca foi enganado;

Mas um dia foi buscar lã,

Porém saiu tosquiado.

 

Toda pessoa que ia

Com esse cara trabalhar,

Ele inventava uma treita

Para o pobre não pagar,

E todo mundo caia

No seu jeito de enganar.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIAS de poetas. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/grandes-autores.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

BONFIM, João Bosco Bezerra. O gênero do cordel sob a perspectiva crítica do discurso. 2009. 275 f. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Instituro de Letras, Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Brasília, 2009.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

LIMA, Marcio Alexandre Barbosa. A literatura de cordel e o uso da mentira. Emblemas, v. 8, n. 2, p. 229-262, jul./dez. 2011.

Poeta Antônio Carlos de Oliveira Barreto – Síntese biográfica

Antônio Carlos de Oliveira Barreto

Natural da cidade de Santa Bárbara no sertão baiano, Antônio Barreto, como é conhecido, é graduado em Letras Vernáculas, especialista em Psicopedagogia e Literatura Brasileira. Professor, poeta e cordelista, sua verve poética inspira-se na cultura popular, na natureza, na poesia e, em especial, nas pessoas, no cotidiano e na realidade como revelam alguns de seus folhetos de circunstância, além de temáticas que fazem referência à educação, problemas sociais, futebol, humor, biografias e pesquisas. Compõe, ainda, toadas, xotes e baiões.

Sua vasta obra tem sido divulgada em jornais, revistas e na Internet, ora por meio de seu blog pessoal, ora por outros meios.

Atualizado, o poeta apropria-se das tecnologias na divulgação do seu trabalho e atua ainda como professor, profere palestras, recitais e oficinas por meio da literatura de cordel em diversas escolas públicas, particulares, universidades e outras instituições, além de participar de colóquios, seminários, congressos e festivais de poesia e cultura popular no Brasil e no exterior. Para Antônio Barreto:

“O Cordel flui pelas águas

Do rio a simplicidade

Sua nascente vem do campo

Ao abraço com a cidade

Galopando por caminhos

de lonjuras e espinhos

clamando por liberdade…”

 

Sua obra é conhecida e aceita amplamente, a exemplo do poema “Canto lírico de um Sertanejo”, transcrito na íntegra que tão bem representa o povo nordestino.

Sou do seio das catingas

lá das bandas do sertão

carrego na veia a essência

dos acordes do azulão

do açum preto o sustenido

da cigarra o alarido

da coruja a solidão.

 

Sou o Pajé lá da floresta

o Xamã buscando a cura

de toda ferida aberta

da mais profunda loucura

sonho eterno de menino

eu sou o badalar do sino

e o doce da rapadura.

 

Bode deserto no pasto

apartado do rebanho

Asa Branca em retirada

cobra que não tem tamanho

o tatu-bola escondido

um lobisomem sofrido

assanhaço sem assanho.

 

Sou caipira itinerante

águas velozes do rio

bem-te-vi anunciando

que andorinha está no cio

o verão queimando a mata

um cachorro vira-lata

todas as noites de frio.

 

Galo da crista vermelha

no seu despertar da aurora

berro do garrote magro

que o verão então devora

canário longe do ninho

voando sempre sozinho

desde as lonjuras de outrora.

 

Urubu buscando a presa

papagaio falador

gavião beijando as nuvens

inocente beija-flor

sou preguiça descansando

nessa estrada passeando

sem inveja do condor.

 

Galope incansável sou

do meu cavalo alazão

gozando da liberdade

indiferente à razão

que vai tangendo a boiada

numa longa caminhada

nos capinzais do sertão.

 

Todo sol de primavera

com seus raios de esperança

colorindo a nostalgia

esturricando a lembrança

incendiando o amanhã

das aves de ‘arribaçã’

e do meu sonhar-criança.

 

Eu sou o arrebol primeiro

com a corneta da alegria

convocando a passarada

a mais uma sinfonia

sou também o entardecer

todo o escarlate-morrer

vestido de poesia.

 

Sou o amor dos inocentes

o vento abrindo janela

soprando nos meus ouvidos

que vai chegar Cinderela

promessas de uma princesa:

la belle de jour surpresa

que ainda espero por ela.

 

Sou a sanfona do “Lua”

pondo estrelas a dançar

espada de Virgulino

querendo sangue inventar

Conselheiro na idéia

coisas do arco da “véia”

tentando me alucinar.

 

Sou a imensidão do açude

suas águas cristalinas

lágrimas desatinadas

escorrendo nas colinas

todo o frio das invernadas

a solidão das manadas

as serpentes assassinas.

 

Picula, bumba-meu-boi

dança de roda ao luar

saci-pererê no mato

sou vaga-lume a piscar

cobra cega vendo tudo

sou caipira e não me iludo

colorindo meu sonhar.

 

Sonhar de pombo-correio

levando cartas de amor

atravessando caatingas

no seu singelo labor

fugindo lá das montanhas

realizando façanhas

com destino a Salvador.

 

Umbuzeiro solitário

contando estrelas no céu

mandacaru sem espinhos

a coivara em fogaréu

um tição de fogo aceso

e este mundo todo preso

debaixo do meu chapéu.

 

Sou o abôio dos vaqueiros

pelos ventos da alegria

nessa estrada empoeirada

seja noite, ou luz do dia

eu sou o berro da manadas

as estrelas prateadas

a viola e a cantoria.

 

O cantar de um menestrel

a flauta de Pan chorando

a gaita com seu lamento

a primavera chegando

o canto do bacurau

o Sítio do Pica-Pau

em meus sonhos habitando.

 

Sou o mistério luminoso

do pequeno vaga-lume

brincadeira de cometas

das rosas todo o perfume

sou a solidão das rochas

o fogo aceso das tochas

das noites todo o negrume.

 

As vestes das nuvens brancas

traduzindo calmaria

derretendo-se no solo

e arejando a escadaria

da igreja de Santa Bárbara

e das ruas de Pasárgada

para me dar moradia.

 

Cavaleiro, anjo de luz

nesse abrir-fechar porteira

explorando meu sertão

com bravura e brincadeira

mas logo se alguém se atreve

lanço fogo, água e neve

saco da espada guerreira.

 

Eu sou menino-ancião

porta aberta pro mistério

magia de Salomão

matuto falando sério

um compulsivo do estudo

querendo saber de tudo

mas às vezes sem critério.

 

Rodas do carro-de-boi

nas estradas do sem fim

com seu gemido sem cura

acenando adeus pra mim

apagando da memória

a doce infância de glória

desse louco querubim.

 

Eu sou uma casinha branca

cercada pela alegria

encoberta de esperança

que o futuro já anuncia

o chegar da primavera

e também da Nova Era

na mais perfeita harmonia.

 

Sou o breu que banha a noite

de suspense e de mistério

segredos da madrugada

silêncio do monastério

alarido dos pardais

a dança dos bambuzais

no tablado do etéreo.

 

Meu avô tirando leite

na vaquinha holandesa

canarinho na cancela

com seu canto de surpresa

minha avó fazendo renda

minha mãe com sua prenda

colorindo a farta mesa.

 

Minhas irmãs no varal

meus irmãos lá no roçado

abraçados à enxada

e também puxando arado

semeando seu sustento

desprovidos de lamento

tendo a sorte do seu lado.

 

Do jacarandá eu sou

fortaleza e solidão

sonho que desaparece

na iminência da extinção

ante o corte do machado

e a ganância do mercado

dessa industrialização.

 

Eu sou o acre do limão

laranja que nunca acaba

o gosto do tamarindo

o mel da jabuticaba

o maracujá açu

a castanha do caju

e o gostinho da goiaba.

 

Do jasmim sou todo aroma

do canavial o mel

da gaiola o passarinho

o esperar Papai Noel

o pavão e sua beleza

o verde da Natureza

o Maestro e seu pincel.

 

Mas o tempo em disparada

não me espera lá na esquina

quando do meu sonho acordo

minha vida então declina

e noutra realidade

solitário na cidade

vou cumprindo minha sina.

 

O trem que me conduziu

diluiu-se na estação

não há passagem de volta

pra retornar ao sertão.

Sem asas para voar

sem sonhos para sonhar

vou seguindo essa missão.

E na selva de cimento

já não sou anjo de luz

junto aos animais falantes

eu vou carregando a cruz.

Sou mais um na multidão

perdido na contramão:

o destino me conduz.

 

Mas não me entrego porque

sertanejo é mais que forte

é raio rasgando o céu

muito mais que o vento-norte

semente de luz plantada

todo desafio da estrada

de quem nunca teme a morte…

 

FONTES CONSULTADAS

BARRETO, Antonio. A voz do cordel. Disponível em: <https://barretocordel.wordpress.com/capas-de-cordel/>. Acesso em: 23 jul. 2014.

SUTTANA, Renato. O arquivo de Renato Suttana: poemas de Antonio Carlos Barreto. Disponível em: <http://www.arquivors.com/acbarreto1.htm>. Acesso em: 23 jun. 2014.

VATE, Verônica de. Antonio Carlos de Oliveira Barreto. In: O CAVALEIRO de Fogo. Disponível em: <http://jivmcavaleirodefogo.blogspot.com.br/2008/05/antonio-carlos-de-oliveira-barreto.html>. Acesso em: 22 jul. 2014.

Poeta Aderaldo Ferreira de Araújo – Síntese biográfica

Aderaldo Ferreira de Araújo (24/06/1878 – 29/06/1967)

Natural da cidade do Crato, na região do Cariri, sul do estado do Ceará, nasceu em 24 de junho de 1878 e faleceu em 29 de junho de 1967. Em sua trajetória, três duros episódios marcaram profundamente sua vida e contribuíram para mudar seu destino: a morte do pai, a perda da visão e a morte de sua progenitora. A perda da visão foi o segundo episódio trágico de sua história, ocorrido logo após o falecimento de seu pai, que, segundo Aderaldo (1994, p. 15), ocorreu no dia 10 de março de 1896, quando tinha 18 anos, uma “[…] morte macia. Veio chegando devagarinho até levar o melhor alfaiate e o melhor pai que conheci”.

Órfão de pais e acometido de cegueira, após tomar um copo d’agua, precisava buscar novas alternativas para sobrevivência, como narra em seu Livro “Eu sou o cego Aderaldo”:

[…] como é que se conta a história de um moço que ficou cego porque tomou um copo d’água? Que mal pode fazer um copo d’água? Por que eu haveria de cegar por isso apenas? Eu havia pedido água para beber na casa defronte à nossa: – Dona, me dê água… Quando devolvia o copo com um “muito obrigado”, senti aquela dor horrível, um arrocho querendo sair da minha cabeça. Meus olhos ficaram logo turvos.

Apertavam-se, doíam, como se estivessem cheios de espinhos de cacto. – Meu Deus! Foi o que pude dizer. Até aí, ainda enxergava. Eu podia ver o mundo, as coisas. Sabia o que era uma manhã de sol, um dia de chuva, o chegar da noite… Mas depois disso, ai meu Deus! Meus olhos se fecharam para sempre (ADERALDO, 1994, p. 15-16).

Todavia, para o poeta ainda em descoberta, como seria possível cantar e decorar poemas, como confessara no livro já citado: “como pudera decorar fixar na mente a aquela estrofe? Imaginei então que, naquela estrofe, estava a mão poderosa de Deus, a dizer-me que meu destino era cantar” (ADERALDO, 1994, p. 16-17). Tentativa que não lhe faltou incentivo por parte de sua mãe, que dizia: canta filho… um dia o pessoal te compreenderá!” (ADERALDO, 1994, p. 17). Pôs-se a cantar seu primeiro verso: “Oh! Santo de Canindé!/Que Deus te deu cinco chagas,/Fazei com que este povo/Para mim faça as pagas;/Uma sucedendo às outras/Como o mar soltando vagas!”. Dando início, assim,  à sua nova carreira.

O sofrimento causado pela morte repentina de sua progenitora fez de Aderaldo um novo resiliente, pois buscou apaziguar o sofrimento por meio da poética cantada, destacando-se entre suas primeiras composições: “As três lágrimas”, dedicada à sua mãe.

[…] eu ainda era pequeno/mas me lembro bem/de ver minha pobre mãe em negra viuvez/ meu pai jazia morto/ Estendido em um caixão/Pela primeira vez!// E a pobre minha Mãe/Daquilo estremeceu:/De uma moléstia forte/A minha mãe morreu./Fiquei coberto de luto/E tudo se desfez/E eu chorei então/pela segunda vez// Então, o Deus da Glória,/O mais sublime artista,/Decretou lá do Céu,/Perdi a minha vista./Fiquei na escuridão,/Ceguei com rapidez/E eu chorei então/pela terceira vez.// Meus prantos se enxugaram./Das lágrimas que corriam/Chegou-me a poesia/E eu me consolei./Sem pai, sem mãe, sem vista,/Meus olhos se apagaram;/Tristonhos se fecharam/E eu nunca mais chorei (ADERALDO, 1994, p. 25).

O Cego Aderaldo em sua poética associava alguns sentimentos de pertença ao lugar de sua origem e às terras sertanejas, representando o melhor das características do povo do Nordeste com fortes características românticas e dramáticas, além de revelar-se um refinado declamador de poemas épicos, tornando-se um dos mais significativos representantes da poética e cultura nordestinas percorrendo o Nordeste, especialmente todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco, aliando às suas viagens invencionices, a exemplo do uso do gramofone para divertir os ouvintes.

Com uma fama cada vez maior, especificamente após a famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí), após sua permanência neste e em outros estados, resolveu ir rumo ao Juazeiro do Norte para conhecer Padre Cícero que o recebeu pessoalmente. Posteriormente, encontra Lampião.

Suas atividades e poéticas tornaram-se uma lenda para a poética regionalista. De coração valente, solteiro, adotou 26 filhos ou 24 filhos, não se tem certeza exata dos números e os ensinou a tocar, fazendo com que se apresentassem em algumas ocasiões.

FONTES CONSULTADAS

ADERALDO, C.; CAMPOS, E. (Orgs.) Eu sou o Cego Aderaldo. Apresentação Raquel de Queiroz. São Paulo: Maltese, 1994.

BLOG coisas nossas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogcoisasnossas.blogspot.com.br/2009/09/cego-aderaldo.htm>. Acesso em: 14 jul. 2014.

CEGO Aderaldo: biografia, causos e presepadas por ele mesmo.[S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.jornalde poesia.jor.br/cego1.html>. Acesso em: 14 jul. 2014.

EENCICLOPEDIA Itaú Cultural. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/ index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=5099&cd_item=35>. Acesso em: 14 jul. 2014.

LIMA, F. P. F. A produção do espaço sagrado em Quixadá – Ceará:estudo das interrelações econômicas, socioculturais e o lugar. 2012. 126 f. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro, SP. 2012. Disponível em: <http://base.repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449 /95690/lima_fpf_me_rcla.pdf?sequence=1>. Acesso em: 14 jul. 2014.

NOGUEIRA JR, A. Projeto Releituras.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.releituras.com/cegoaderald o_menu.asp>. Acesso em: 14 jul. 2014.

Poeta Abraão Batista – Síntese biográfica

Abraão Batista

Nascido sob as bênçãos do Padim Ciço no Juazeiro do Norte, Ceará, em 1935. Filho de mãe pernambucana e pai potiguar, Abraão Batista, órfão de pai aos 7 anos de idade, cursou as primeiras letras ainda no Juazeiro e o ensino médio no Lyceu na cidade de Fortaleza, ingressando no ensino superior. Formou-se em Farmacêutico Bioquímico pela Universidade Federal do Ceará, vindo posteriormente a exercer o magistério no ensino público e privado e, posteriormente, no ensino superior junto à Universidade Regional do Cariri (URCA). Como docente, atuou no ensino da Física, Desenho Geométrico e Projetivo, Ecologia e Biofísica.

Apesar de sua carreira acadêmica, sua verve poética brota ainda na infância quando inicia seus primeiros trabalhos de múltipla expressão artística. Segundo Antônio Miranda, seus primeiros trabalhos surgem ora por meio da pintura, do desenho do qual originarão suas xilogravuras, ora por meio de esculturas em barro, ora por meio dos escritos poéticos fazendo aflorar seu lado poético sem esquecer sua tradição com uma produção que atravessa décadas.

Poeta, xilógrafo, gravador, escultor e ceramista. Abraão Batista tem como marco inicial de seus trabalhos o ano de 1968, quando ocorreu o episódio do Papa da época cassar 44 santos católicos. Aproveitou-se do fato e tomou como mote para escrever “A entrevista de um jornalista de Juazeiro do Norte com os 44 santos caçados”. Herdeiro dos grandes cordelistas e do Mestre Noza, mestre maior do artesanato Juazeirense, com seu espírito empreendedor funda o Centro de Cultura Mestre Noza e a Associação dos Artesãos do Padre Cícero, com o objetivo de congregar os artesãos de Juazeiro contribuindo para a organização e valorização da atividade de artesanato na cidade. Dentre sua vasta produção que ultrapassa mais de 200 títulos, destaca-se o “O Homem que Deixou a Mulher para Viver com uma Jumenta na Paraíba”. Em suas ações empreendedoras da valorização da cultura popular, ele é membro fundador da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede na cidade do Rio de Janeiro.

Aposentado, leva sua arte para todos os lugares por meio de sua assídua participação em feiras, proferindo palestras, entre outras atividades. Sua poética inspira-se nas belezas e realidades regionais e encontra eco junto a várias instituições nacionais e internacionais, a exemplo da Bibliotheque virtuelle cordel da Université de Poitiers, França.

Em seus versos, inspira-se na tradição popular a exemplo do fragmento extraído do folheto:

Conversa da caapora com o Saci Pererê:

 Quando o homem contraria

a terra e a Natureza

por certo, em algum dia

ela mesma, com certeza

dá o troco para o homem

com toda sua beleza.

Hoje, o próprio homem

é um grande destruidor

destroi os campos e serras

tornando-se um malfeitor

confundindo sua família

que é dádiva do Criador.

Agora não se sabe mais

quem é o bom, quem é ruim

a “droga” tomou de conta

[…]

Outro exemplo se dá no folheto “Luta do homem com um lobisomem

 Agora que eu andei

Pelas florestas do além

Enetrei no inconsciente

Íntimo que cada um tem,

Sinto-me autorizado

Para escrever o que vem.

 

Fui aos céus pra ver Jesus

E no inferno eu vi Caifaz;

Nestes canto eu tive luz

Que na terra ninguém faz,

Meus pensamentos aqui pus

Descrevendo uma luta assaz.

[…]

FONTES CONSULTADAS

ARTE Educação. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em <http://www.arteducacao.pro.br/Cultura/cordel/cordel2.htm>. Acesso em: 18 nov. 2014.

BATISTA, A. A anatomia do frevo: xilogravuras de Abraão Batista. Juazeiro do Norte, CE: Edições do Autor, 2006.

______. Literatura de cordel. Antologia. São Paulo: Global, 1976. 

______.  O Nordeste: Enciclopédia Nordeste.  [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Abra%C3%A3o%20Batista>. Acesso em: 10 out. 2014.

______.  Poesias brasileiras.  [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/cea ra/abraao_batista.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

LINHARES, T. R. S. Abraão Batista, cordelista e xilógrafo cearense.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < http://www.camarabrasileira.com/cordel05.htm>. Acesso em: 10 jun. 2014.

LITERATURA Popular: memória. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.unicamp.br/iel/memoria/LiteraturaPopular/ BancodeDados/Autor_A/index.htm>. Acesso em: 18 nov. 2014.

RESENDE, V. M. A relação entre literatura de cordel e mídia: uma reflexão acerca das implicações para o gênero. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <file:///C:/Users/Joao/Downloads/1245-3442-1-PB.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2014.

Poeta Abdias Campos – Síntese biográfica

Abdias Campos

Natural do município de Amparo – Paraíba, localizado na microrregião do Cariri Ocidental. Abdias Campos inicia sua apreciação pela poética cordelista a partir de sua convivência com a feira e o mercado público da cidade interiorana como confessado por ele no folheto a História do Forró, editado pela Campos de Versos, Folheteria Pernambucana, situada na cidade do Recife – Pernambuco:

 

 […] a poética violeira, o forró lá do mercado,

que tão bem executado lhe parecia comum.

Depois viu o zum zum zum do tocador da cidade

com muita dificuldade para fazer aquilo lá […].

 

Embora paraibano, foi em Pernambuco que Abdias Campos expandiu as fronteiras de seu talento e formação. Graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco, formação que contribuiu para o seu lado empreendedor. Traz em seu fazer poético a educação, ministrando oficinas, proferindo palestras e produzindo folhetos educativos com temas transversais, a exemplo dos cordéis: “Aquecimento global. É frescura ou a coisa esquentou mesmo?”, “Água”, “Poluição sonora”, “Lixo. Onde botar?”. Nos versos, o poeta apresenta uma relação direta do homem com a natureza e o meio ambiente. Sua produção, em linguagem coloquial, conduz os homens à reflexão, bem como trata de temas que versam questões da atualidade; outra característica de sua produção, a exemplo do folheto “Racismo no futebol”, como demonstra em seus versos:

 

RACISMO NO FUTEBOL

Neste folheto de versos

Minha homenagem singela

Aos jogadores negros

Que sofrem com a mazela

Do racismo inoportuno

De decadente tabela

Vamos fechar a janela

Na cara dessa vergonha

Combater com veemência

A atitude bisonha

Do racismo que apregoa

A jogada mais tristonha

 

Em todo canto do mundo

Tem-se ouvido um grito só

Do gramado à arquibancada

O campo de futebol

Virou palco de racismo

Que chegamos a ter dó

 

Dó de saber qu’inda há

Dentro dos seres humanos

Esses sentimentos podres

Que provocam desenganos

Quando nos julgamos mais

Mais nos tornamos insanos

[…]

A vida não pede cor

Para aquele ou para aquela

A quem pintou nesse quadro

A mais bonita aquarela

Trazendo a arte da bola

Por entre as traves da tela

 

Poeta, cordelista, violeiro, compositor, ator, declamador com uma carreira profícua, Abdias Campos alia tradição e contemporaneidade fazendo seus versos e produzindo seus textos com temas que relacionam tradição e atualidade. Sem descurar as origens, como ele mesmo ressalta no folheto “A história da literatura de cordel”, o poeta explica a função desse gênero textual:

Na alfabetização

Da zona canavieira

O cordel era a cartilha

Que se comprava na feira

Educando o homem rude

Para a leitura primeira

 

Apesar de trazer em sua poética a tradição característica da composição poética dos versos que emanam das estratégias de textualização escrita cujas raízes originam-se nos aspectos orais das cantorias, o mundo contemporâneo atrai Abdias Campos na junção. Nesse sentido, adota as tecnologias como meio de divulgar sua produção mantendo na Internet sua própria Livraria Virtual intitulada Abdias Campos nos “Campos de Versos: educando com Arte”, o que reitera o lado empreendedor do artista, bem como a possibilidade de dar a conhecer sua poética e, ao mesmo tempo, dela sobreviver. Muito embora o poeta atue em outras frentes simultaneamente com gravação de CDs, escreve artigos, ministra palestras e oficinas, trabalhou como ator na minissérie “A Pedra do Reino”, obra da autoria do também paraibano Ariano Suassuna, levada ao ar pela Rede Globo no ano de 2007. No mesmo ano, ele narrou, em cordel, o filme de animação “Até o Sol Raiá”, dos diretores Fernando Jorge e Leandro Amorim.

Criativo, eclético, empreendedor são adjetivações que podem ser empregadas ao poeta cordelista Abdias Campos que também produz uma literatura educativa de cunho infantil, assim como em parcerias com outros autores, inclusive no campo da peleja característica que se tem pelo viés da oralidadade, a exemplo da peleja em que verseja os poetas Abdias Campos (AC) e Luis Homero (LH), na obra “Peleja de Cantadores” em que cada um, em desafio ao outro, busca revelar a relação mar versus sertão:

 

PELEJA DE CANTADORES

AC-A caatinga ressequida

Sob os lampejos do sol

Envolta nesse lençol

Parece está esquecida

Mas dali sai tanta vida

Que causa admiração

Por tal multiplicação

E tanta variedade

Até o mar tem vontade

De ser filho do sertão

 

LH-O mar vive enlouquecido

Pra conhecer essa terra

Sentir o cheiro da serra

Quando a tarde tem chovido

Vê o muçambê florido

Na rachadura do chão

A abelha no pendão

Mostrando a simplicidade

Até o mar tem vontade

De ser filho do sertão

 

AC-Os predadores da sorte

Repórteres da decadência

Mostram um sertão sem clemência

Fadado a viver da morte

Nunca subiram num corte

Da serra da Conceição

Pra pegar preá com a mão

E constatar a verdade

Até o mar tem vontade

De ser filho do sertão

 

LH-Ver a casaca de couro

Duetando à tardezinha

E um bem-te-vi que adivinha

Dando flechada em besouro

Venha escutar o estouro

Da pedreira do trovão

E a jia no cacimbão

Cantarolando a saudade

Até o mar tem vontade

De ser filho do sertão

Adquira o cordel e leia toda a peleja

 

Em sua vasta produção literária, o poeta não deixa a tradição e a alia às tecnologias oportunizando ainda, em sua forma peculiar de ser, abranger o público em geral desde o infantil ao público adulto, contribuindo ainda para a formação de multiplicadores sobre o conhecimento da arte poética do fazer popular, tanto que produz o cordel, vendo-o no formato tradicional e o disponibiliza também para compra on-line, além da produção em áudio, a exemplo dos CDs e kits infantis.

FONTES CONSULTADAS

ACIOLI, A. S. Literatura popular como ferramenta para a educação ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 5, p. 76-86, 2010. Disponível em: <http://www.sbecotur.org.br/revbea/index.php/revbea/article/viewFile/1693/832>. Acesso em: 20 set. 2014.

AMORIM, M. A. No visgo do improviso ou a peleja virtual entre cibercultura e tradição: comunicação e mídia digital nas poéticas de oralidade. 2007. 118 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007.

CABRAL, G. G. As representações de poder no corpus de folhetos de 1945 a 1954: leituras da Era Vargas. 2008. 171 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2008.

CAMPOS, A. A história da literatura de cordel. 5. ed. Recife: Folheteria Campos de Versos, [20?].

LIVRARIA Virtual: educando com arte. Abdias nos Campos de Versos. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.abdiascampos.com.br/v2/>. Acesso em: 20 nov. 2014.

NOGUEIRA JR, A. Projeto releituras. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.releituras.com/abdias_menu.asp>. Acesso em: 29 nov. 2014.

PORTAL Pernambuco. Nação Cultural. Abdias Campos. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.nacaocultural.com.br/ abdiascampos/>. Acesso em: 20 nov. 2014.

______. ______. Literatura de cordel cantada e declamada. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: < http://penc.achanoticias.com.br/literatura-de-cordel-cantada-e-declamada>. Acesso em: 20 nov. 2014. (áudio).

SANTANA, D. P. Poesia popular nordestina: uma abordagem para o tratamento da relação fala-escrita. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.cchla.ufrn.br/visiget/ pgs/pt/anais/Artigos/Doralice%20Pereira%20de%20Santana%20%28U%C3%89VORA%29.pdf>. Acesso em: 20 set. 2014.

SILVA, N.; SANTOS, M. A. C. Literatura marginal e os livros didáticos da educação de jovens e adultos de São Paulo. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.unicap.br/jubra/wp-content/uploads/2012/10/ TRABALHO-58.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2014.

STAFABAND. Disponível em: <http://www.stafaband.info /download/mp3/ lagu_cantor_abdias_causas_impossiveis/>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta Severino Gonçalves de Oliveira – Síntese biográfica

Severino Gonçalves de Oliveira

Severino Gonçalves de Oliveira atendia, também, pelos nomes de Cirilo de Oliveira ou Cirilo que costumava usar nos acróstico.

Não foram localizados registro de sua naturalidade nem data do seu nascimento, pelo menos não encontramos registros que remontem ao fato. Quanto ao seu falecimento também são desconhecidas. Sabe-se apenas que foi assassinado no município de Gravatá no estado de Pernambuco.

Foi trovador, cordelista e xilogravador. Segundo Ferrandez foi um dos primeiros cordelista a produzir as gravuras dos seus folhetos.

A principal característica dos temas dos seus versos era temas religiosos e de braveza o que o remonta as tradições trovadoresca da Idade Média. A responsabilidade do lançamento de suas produções ficavam sob a responsabilidade da Editora Luzeiro.

 A vitória do príncipe Roldão no reino do pensamento

 Neste livro aqui se vê

Um drama misterioso

Do rei mais caritativo,

Hospitaleiro e bondoso,

Pai de dois filhos solteiros:

Um justo e o outro orgulhoso.

 

Esse rei era viúvo

Mas vivia alegremente,

Um dia, pela manhã,

Sem esperar, de repente,

Deu-lhe uma dor de cabeça,

Cegou instantaneamente.

FONTES CONSULTADAS

FERRANDEZ, Isabela A. Severino Gonçalves de Oliveira. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://7e5grupodeestudos 2011.blogspot.com.br/2011/09/severino-goncalves-de-oliveira-por.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

CORDEL atemporal. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

A VITÓRIA do Príncipe Roldão no Reino do Pensamento – Luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/278-a-vitoria-do-principe-roldao-no-reino-do-pensamento-luzeiro.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

MOÇAMBIQUE. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://6gmocambique.blogspot.com.br/2009/9severino-conçalves-de oliveira-ele-era.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

Poeta Silvino Pirauá de Lima – Síntese biográfica

Silvino Pirauá de Lima (1848 – 1913)

Silvino Pirauá de Lima, natural de Patos, no alto sertão da Paraíba, veio ao mundo em pleno século XIX, precisamente em 1848, antes da Lei Áurea e da suposta libertação da escravatura. Filho de lavradores e fugindo da seca, que devastava o alto sertão, em 1898 semeou seus versos e rimas nas terras pernambucanas cantando em ruas e praças. Fixou, a princípio, residência na cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco.

Sua pouca condição financeira familiar não lhe deu a oportunidade de  frequentar os bancos escolares. O fato não o impediu de adquirir instrução, cultura e conhecimentos gerais que lhe renderam o  título,  por meio dos seus desafiantes,  de  O poeta enciclópedico.

Seguidor devotado de Francisco Romano Caluête, o Romano de Teixeira, acompanho-o nas suas perigrinações pelo Norte e Nordeste do país. E,  nesta região, tornou popular  o romance rimado. A descrição que  versou a respeito da flora e fauna amazonense ficou famosa. Porém, as descrições  perderam-se no  tempo.

Poeta, cordelista, cantador, violeiro, glosador, poeta popular repentista e como tal foi o primeiro a usar a sextilha no cordel, além de adotar a  categoria de estrofes, recursos novos na época para o gênero literário,  martelo agalopado que, de acordo com Aurélio e Houaiss (2010) respectivamente,  consiste em  “estrofe de seis pés decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios”  ou “verso decassílabo com seis pés e rimas emparelhadas, que é cantado ou declamado por cantadores sertanejos; por vezes é improvisado; martelo de seis pés”.  É atribuida, ainda, a Silviano a criação de folhetos em parceria com Leandro Gomes Barrros.

Exerceu as atividades de poeta durante toda a vida, até que em 1913 foi acometido pela varíola levando-o a óbito. À época, vivia na cidade de Bezerros, Pernambuco.

 

 E tudo vem a ser nada

Tanta riqueza inserida

Por tanta gente orgulhosa,

Se julgando poderosa

No curto espaço da vida;

Oh! que idéia perdida.

Oh! que mente tão errada,

Dessa gente que enlevada

Nessa fingida grandeza

Junta montões de riqueza,

E tudo vem a ser nada.

 

Vemos um rico pomposo

Afetando gravidade,

Ali só reina bondade,

Nesse mortal orgulhoso,

Quer se fazer caprichoso,

Vive até de venta inchada,

Sua cara empantufada,

Só apresenta denodos

Tem esses inchaços todos

E tudo vem a ser nada.

 

Trabalha o homem, peleja

Mesmo a ponto de morrer,

É somente para ter,

Que ele tanto moureja,

Às vezes chove e troveja

E ele nessa enredada

À lama, ao sol, ao chuveiro,

Ajuntam tanto dinheiro,

E tudo vem a ser nada.

 

Temos palácios pomposos

Dos grandes imperadores,

Ministros e senadores,

E mais vultos majestosos;

Temos papas virtuosos

De uma vida regrada,

Temos também a espada

De soberbos generais,

Comandantes, Marechais,

E tudo vem a ser nada.

 

Honra, grandezas, brasões;

Entusiasmos, bondades;

São completas vaidades

São perfeitas ilusões,

Argumentos, discussões;

Algazarra, palavrada,

Sinagoga, caçoada,

Murmúrios, tricas, censura,

Muito tem a criatura,

E tudo vem a ser nada.

Vai tudo numa carreira

Envelhece a mocidade,

A avareza e a vaidade

É quer queira ou não queira;

Tudo se torna em poeira,

Cá nesta vida cansada

É uma lei promulgada

Que vem pela mão Divina,

O dever assim destina

E tudo vem a ser nada.

Formosuras e ilusões,

Passatempos e prazeres;

Mandatos, altos poderes;

De distintos figurões,

Cantilenas de salões;

E festa engalanada,

 

Virgem donzela enfeitada

No gozo de namorar,

Mancebos a flautear,

E tudo vem a ser nada.

Lascivas, depravações

Na imoral petulância,

São enlevos da infância,

São infames corrupções;

 

São fingidas seduções

Que faz a dama enfeitada

Influi-se a rapaziada

Velhos também de permeio

E vivem nesse paleio,

E tudo vem a ser nada.

Bailes, teatros, festins,

Comadre, drama, assembléia,

Clube, liceu, epopéia;

Todos aguardam seus fins,

Flores, relvas e jardins,

Festas com grande zoada,

Outeiro e Campinada

Frondam, copam e florescem,

Brilham, luzem, resplandecem

E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,

Repleto de garantia,

De brasões e fidalguia

É ele considerado,

 

Mas, quanto está enganado

Nesta ilusória pousada

Cá nesta breve morada.

Não vemos nada imortal

Temos um ponto final;

E tudo vem a ser nada.

Tudo quanto se divisa

Neste cruento torrão,

As árvores, a criação,

 

Tudo em fim se finaliza,

Até mesmo a própria brisa,

Soprando a terra escarpada,

Com força descompassada

Se transformando em tufão,

Deita pau rola no chão,

E tudo vem a ser nada.

 

Infindo só temos Deus,

Senhor de toda a grandeza,

Dos céus e da natureza,

De todos os mundos seus.

Do Brasil, dos Europeus,

Da terra toda englobada

Até mesmo da manada

Que vemos no arrebol:

Nuvem, lua, estrela e sol,

Tudo mais vem a ser nada.

 

 A história de Zezinho e Mariqunha

 Mariquinha, moça rica e muito linda,

 no palácio da nobreza era a flor

em seu jovem coração da mocidade,

 dedicava por Zezinho o seu amor

 

E os pais de Mariquinha não queriam,

 por Zezinho ser um pobre sem vintém

mas no mundo a maldade não consegue,

 separar dois corações que se quer bem.

 

Foi assim que o Zezinho foi-se embora,

 pelo mundo com a sorte foi lutar

na esperança de um dia enriquecer

e poder com Mariquinha se casar.

 

Nesse tempo que o Zezinho esteve ausente,

 oito anos sem jamais comunicar

com seu primo, homem idoso que ela odiava,

 obrigaram Mariquinha a se casar.

 

E depois de oito anos sem notícia,

 milionário o Zezinho regressou

pois foi mesmo justamente neste dia,

 com seu primo Mariquinha se casou.

Estava ainda com seu véu de casamento,

 Mariquinha com Zezinho encontrou

num abraço de paixão os dois morreram,

 e assim este romance terminou.

Nota: Há, além da de Pirauá, mais duas versões de Zezinho e Mariquinha. Uma de Artur da Silva Torres, publicada no Rio de Janeiro, na década de 1940. Outra mais recente, de Antônio Teodoro dos Santos, publicada pela Editora Prelúdio de São Paulo, uma década depois, este assina sob um de seus pseudônimos, Trovador Jaguarari. (http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2013/03/ze-fortuna-e-silvino-piraua-cultura.html)

 

FONTES CONSULTADAS

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

WIKIPÉDIA. Silvino Pirauá de Lima. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Silvino_ Pirau%C3%A1_de_Lima>. Acesso em: 27 out. 2014.

RECANTO das letras. Textos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/2205692>. Acesso em: 27 out. 2014.

CASA Rui Barbosa. Biografia.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/SilvinoPiraua/silvinoPiraua_biografia.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

ACORDA Cordel.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http:acordacordel.blogspot.com.br/2013/01/obra-prima-de Silvino-pirau-de-lima.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

ACORDA Cordel. Obra prima de Silvino Pirauá de Lima.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://acordacordel.blogspot.com.br/2013/01/obra-prima-de-silvino-piraua-de-lima.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

CARVALHO, Rodrigues de. Cancioneiro do norte. Peleja da Alma (do cantador paraibano Silvino Pirauá). Jangada Brasil, ano 3, n. 38, out. 2001. Disponível em: <http://www.jangadabrasil.com.br/outubro38/cn38100c.htm>. Acesso em: 27 out. 2014.

Poeta Severino de Andrade Silva – Síntese biográfica

Severino de Andrade Silva ou Zé da Luz (29/03/1904 – 12/02/1965)

Severino de Andrade Silva nasceu em Itabaiana, Paraíba, em 29/03/1904. Adotou o nome de Zé da Luz.

Alfaiate de profissão, mas não perdeu os moldes das rimas e versos, usando a voz do seu povo para propagar a sua obra nas feiras e estradas mantendo de forma pura as expressões matutas que são enfatizadas e dramatizadas por quem as recita seus cordéis.

Não há registro de livro publicado do poeta em vida. Mas seus versos são declamados pelos seus descendentes amigos e admiradores na sua forma original de talhar os seus poemas.

Zé da Luz faleceu no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, em 12/02/1965. Escreveu versos para cantar e decantar a sua terra natal Itabaiana no estado da Paraíba, bem como as belezas naturais da múltipla cultura brasileira, por meio de uma linguagem do povo interiorano, sertanejo como testemunham os versos que seguem:

 

Nem a distança das mia

Nem a grandeza  do mar:

Me faz isquecer um só dia

Da minha terrra natá!

Da tabaiana querida

Da mió quadra das vida

Que passo, não vorta mais…

Do meu tempo de menino

De menino a rapazinho

De rapazinho a rapaz.

E a terra caiu no chão

Visitando o meu sertão

Que tanta grandeza encerra,

Trouxe um punhado de terra

Com a maior satisfação.

Fiz isso na intenção,

Como fez Pedro Segundo,

De quando eu deixasse o mundo

Levá-lo no meu caixão.

Chegando ao Rio, pensei

Guardá-lo só para mim

E num saquinho de brim

Essa relíquia encerrei!

Com carinho e com cuidado

Numa ripa do telhado,

O saquinho pendurei…

Uma doença apanhei

E vendo bem próxima a morte

Lembrando as terras do norte

Do saquinho me lembrei.

 

Que cruel desilusão!

As traças, sem coração

Meteram os dentes no saco,

 Fizeram um grande buraco

E a terra caiu no chão.

 

 Brasi caboco

 O qui é Brasí Caboco?

É um Brasi diferente

do Brasí das capitá.

É um Brasi brasilêro,

sem mistura de instrangero,

um Brasi nacioná!

 

É o Brasi qui não veste

liforme de gazimira,

camisa de peito duro,

com butuadura de ouro…

Brasi caboco só veste,

camisa grossa de lista,

carça de brim da “polista”

gibão e chapéu de coro!

 

Brasi caboco num come

assentado nos banquete,

misturado cum os home

de casaca e anelão…

Brasi caboco só come

o bode seco, o feijão,

e as veiz uma panelada,

um pirão de carne verde,

nos dias da inleição

quando vai servi de iscada

prus home de posição.

 

Brasi caboco num sabe

falá ingrês nem francês,

munto meno o português

qui os outros fala imprestado…

Brasi caboco num inscreve;

munto má assina o nome

pra votar pru mode os home

Sê gunverno e diputado

 

Mas porém. Brasi caboco,

é um Brasi brasileiro,

sem mistura de instrangero

Um Brasi nacioná!

 

É o Brasi sertanejo

dos coco, das imbolada,

dos samba, dos vialejo,

zabumba e caracaxá!

 

É o Brasi das vaquejada,

do aboio dos vaquero,

do arranco das boiada

nos fechado ou tabulero!

 

É o Brasi das caboca

qui tem os óio feiticero,

qui tem a boca incarnada,

como fruta de cardoro

quando ela nasce alejada!

 

É o Brasi das promessa

nas noite de São João!

dos carro de boi cantano

pela boca dos cocão.

 

É o Brasi das caboca

qui cum sabença gunverna,

vinte e cinco pá-de-birro

cum a munfada entre as perna!

 

Brasi das briga de galo!

do jogo de “sôco-tôco”!

É o Brasi dos caboco

amansadô de cavalo!

É o Brasi dos cantadô,

desses caboco afamado,

qui nos verso improvisado,

sirrindo, cantáro o amô;

cantando choraro as mágua:

Brasi de Pelino Guedes,

de Inácio da Catingueira,

de Umbelino do Texera

e Romano de Mãe-d’água!

É o Brasi das caboca,

qui de noite se dibruça,

machucando o peito virge

no batente das jinela…

Vendo, os caboco pachola

qui geme, chora e soluça

nas cordas de uma viola,

ruendo paxão pru ela!

 

É esse o Brasi caboco.

Um Brasi bem brasilero,

sem mistura de instrangêro

Um Brasía nacioná!

Brasi, qui foi, eu tô certo

argum dia discuberto,
pru Pêdo Arves Cabrá.

 Ai! Se Sêsse!…

Se um dia nós se gostasse;

Se um dia nós se queresse;

Se nós dos se impariásse,

Se juntinho nós dois vivesse!

Se juntinho nós dois morasse

Se juntinho nós dois drumisse;

Se juntinho nós dois morresse!

Se pro céu nós assubisse?

Mas porém, se acontecesse

qui São Pêdo não abrisse

as portas do céu e fosse,

te dizê quarqué toulíce?

E se eu me arriminasse

e tu cum insistisse,

prá qui eu me arrezorvesse

e a minha faca puxasse,

e o buxo do céu furasse?…

Tarvez qui nós dois ficasse

tarvez qui nós dois caísse

e o céu furado arriasse

e as virge tôdas fugisse!!!

FONTES CONSULTADAS

INTERPOETICA Figura da vez. Zé da Luz: uma luz na região dos Josés. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=66&catid=50>. Acesso em: 27 out. 2014.

CORDEL Poesia e Repente. Zé da Luz. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogdomimica.blogspot.com.br/p/ze-da-luz.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

POESIA Popular Nordestina. A terra caiu no chão.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < poesianordestina.blogspot.com/2010/12/e-terra-caiu-no-chao.html >. Acesso em: 27 out. 2014.

JORNAL da Besta Fubana. Seis Poemas de Zé da Luz. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/cinco-poemas-de-ze-da-luz>. Acesso em: 27 out. 2014.

Poeta Severino Borges Silva – Síntese biográfica

Severino Borges Silva (1919 – 1991)

Severino Borges Silva nasceu em 08 de outubro de 1919 na cidade de Aliança, Pernambuco. Violeiro, poeta e improvisador criava e versava folhetos da literatura de cordel.

Estudioso e inteligente poeta de bancada, aquele que escreve os versos.  Foi também considerado um dos maiores improvisadores do Nordeste.

Sua maior fonte de renda era repente posto que a viola garantia a sua sobrevivência e a da numerosa família. Desta forma, a venda dos seus folhetos não seguia “a lei do cordel”; esses eram vendidos de forma casual.

Os que o conheceram contam que, nos últimos anos de sua vida, ele enfrentou graves problemas financeiros e de saúde. De acordo com Jota Barros, o cordelista solicitou ajuda financeira de Arlindo Pinto de Souza que havia publicado quantidade expressiva de sua obra como diretor da Editora Luzeiro. No entanto, não logrou êxito.

Uma grande quantidade dos seus títulos foram publicados, originalmente, pela tipografia ou folheteria Luzeiro do Norte em Recife, Pernambuco de João José da Silva. Os que mais se destacaram foram Aladim e a lâmpada Maravilhosa, As bravuras de um sertanejo e A Princesa Maricruz e o cavaleiro do ar.

Residiu parte da sua vida em Timbaúba, cidade vizinha à sua terra natal onde veio a falecer em 1991.

Adquiridos junto a João José da Silva, vários textos de sua autoria foram relançados pela editora  Luzeiro de São Paulo, conforme exemplificamos:

O cavaleiro das flores

Inspirai-me, ó Musas santas,

do Reino dos Trovadores,

Pra eu contar o romance,

A meus queridos leitores,

Do filho do conde Mabre

E o Cavaleiro das Flores!

 

Tinha o conde, em seu domínio,

Florestas e serranias,

Donde vários caçadores

Traziam, todos os dias,

Pra mesa do dito conde,

Caças de altas valias.

 

Peleja de Severino Borges com Patativa do Norte

No ano cinquenta e um

A vinte e dois de janeiro

Viajei de Timbaúba

Com destino a Juazeiro;

Dessa vez quase eu achava

A tampa do tabaqueiro.

 

A Princesa Anabela e o Filho do Lenhador

Deus, farol vivo e brilhante,

Que pelo mundo se estende –

Seus mistérios insondáveis,

Homem nenhum compreende,

Pois tudo quanto existe

Ao seu poder se rende!

 

Mas tem homem que procura

Desfazer no que Deus faz –

Por isso eu conto uma história

Passada séculos atrás,

No reino do rei Beltrão,

Antes dos tempos feudais.

 

 O romance da Princesa do Reino do Mar Sem-Fim

 Santa musa, irmão de Apolo,

Manda um anjo querubim

Trazer as setas poéticas

Para auxiliar a mim,

Que vou contar o romance

Do Reino do Mar-sem-Fim.

A herdeira desse reino

Era uma linda donzela;

Chamava-se Elizabeth,

Risonha, atraente e bela

Por isso, todos os príncipes

Queriam casar-se com ela.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

CORDEL Atemporal. Mestre Severino. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/05/mestre-severino.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

CASA RUI BARBOSA. Perfis biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

O CAVALEIRO das flores – luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/ 276-o-cavaleiro-das-flores-luzeiro.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

PELEJA de Severino Borges com Patativa do Norte – Luzeiro . [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro. com.br/cordeis/277-peleja-de-severino-borges-com-patativa-do-norte-luzeiro.html>. Acesso em: 27 out. 2014.