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Poeta Paulo Roxo Barja – Síntese biográfica

Paulo Roxo Barja

Natural da Cidade de Santos, São Paulo, o poeta declara-se Santista “de cidade e de time”. Confessa ainda ter herdado do pai Antonio Barja Filho o gosto pela música e da mãe Ila Maria Roxo Barja o amor pela Literatura, junção que culminou com sua formação eclética.

Paulo Roxo Barja é o que se pode caracterizar como um profissional eclético. Possui toda formação acadêmica em Física desde a graduação ao pós-doutoramento, sem descurar da pesquisa cientifica, ao mesmo tempo transita livre e criativamente pela música e pela literatura, especificamente a literatura popular, considerando que já publicou mais de 50 folhetos de cordel que tratam de temáticas diversas, como educação ambiental, política e saúde, incluindo adivinhas e fábulas para crianças de todas as idades, além de atuar no campo musical também profissionalmente. Nesse sentido, o poeta-música alia em sua caminhada artística música e literatura com espetáculos, ministrando cursos e oficinas, atuando em teatro com composições musicais que inclui apresentações em praças públicas, parques escolas, colégios, bibliotecas tanto no Brasil como em países da América Latina e Europa. No campo musical atuou ainda em vários grupos destacando-se o Lunatus Ensemble Medieval.

Em face de sua competência literária o artista foi um dos ganhadores da Bolsa Funarte de Circulação Literária no ano de 2010. Sua produção decorre da paixão do poeta pela cultura popular, o músico e professor coleciona cordéis desde a década de 80.

Em 2000, começou a criar trilhas sonoras para o teatro e a trabalhar com direção musical. Logo depois, passou a se dedicar também aos fotopoemas. Em 2008, a produzir os folhetos intitulados “Cordéis Joseenses”, tornando-se membro da Academia Joseense de Letras.

Sua produção trata ainda de tema atuais a exemplo, do transcrito abaixo:

Ministério em contraponto

 

Reeleita, Dona Dilma

já merece reprimenda:

a ministra Kátia Abreu

mostrou que nunca se emenda.

Disse agora, em entrevista,

que latifúndio é uma lenda!

Ministra, fale a verdade,

o bom senso recomenda…

Espero que a presidenta

prontamente a repreenda

e exija reforma agrária:

latifúndio não é lenda!

 

Para fazer contraponto

ao pensamento precário

de Kátia na Agricultura,

do outro lado do cenário

surge Patrus Ananias

(Desenvolvimento Agrário):

 

“Direito de propriedade

precisa ser adequado

à necessidade humana;

não pode ser aplicado

acima de outros direitos,

pois isso seria errado.”

 

“Sei que a polêmica existe:

vou debater no plenário

e chamar pra discussão

também o Judiciário.

Não pode haver injustiça

escondida nesse armário.”

 

Por isso tudo, meu povo,

movimentos sociais

devem, sim, organizar-se

e lutar cada vez mais

pra garantir inclusão

e aproximar desiguais.

 

Somente o debate aberto

(junto ao reconhecimento

de que existem latifúndios)

dará fim ao sofrimento.

Pressão justa, popular:

Reforma já, cem por cento!

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA JOSEENSE DE LETRAS. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <https://academiajoseensedeletras. wordpress.com/paulo-roxo-barja/>. Acesso em: 10 out. 2014.

BARJA, Paulo Roxo. Cordéis joseenses. Disponível em: <http://cordeisjoseenses.blogspot.com.br/>. Acesso em: 10 nov. 2014.

BRASIL. Prefeitura Municipal de Ilha Bela. Feira literária de Ilha Bela: Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://www.ilhabela.sp.gov.br/noticias/arte-dos-contadores-de-historia-e-destaque-na-feira-literaria-de-ilhabela#.VL0gj9LF-VN>. Acesso em: 10 out. 2014.

BRASIL. Fundação Nacional de Arte. Palestra sobre o cordel no território da cidadania: Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://www.funarte.gov.br/literatura/palestras-sobre-cordel-nos-territorios-da-cidadania/#ixzz3OnvVQcjy>. Acesso em: 11 out. 2014.

PORTAL MACUNAIMA. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://portalmacunaima.ning.com/profile/PauloRoxoBarja>. Acesso em: 11 out. 2014.

VOA VIOLA. Paulo Roxo Barja. Disponível em: <http://voaviola.com.br/main.php?g_profile=261&g_ct=trajetoria>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta Francisco de Souza Campos – Síntese biográfica

Francisco de Souza Campos (26/09/1926 -)

Natural da cidade de Timbaúba, localizada na Zona da Mata Norte do estado de Pernambuco, Francisco de Souza Campos, poeta popular, nasceu em 26 de setembro de 1926. Integrante de uma família cuja verve poética parece estar na genética. Irmão dos poetas Manoel de Souza Campos e José de Souza Campos, Francisco traz em seus escritos temáticas tradicionais, em sua maioria em folhetos de 8 páginas, tendo sido considerado como uma de suas mais significativas obras o Cordel lançado pela Editora Luzeiro intitulado “Enfrentando a Morte”. Como exemplo de seus escritos, registramos As Bravuras de Maria Jararaca, extraído da Revista Jangada do Brasil:

Pra quem gosta de história

de cacete, foice ou faca

surgiu agora as bravuras

de Maria Jararaca

leiam e depois me digam

se mulher é parte fraca

 

Para provar que mulher

não é como o povo pensa

leia leitor esta história

embora não se convença

não quero dizer com isto

que o leitor vá dar crença

Mulher faz cousas na vida

que o homem morre e não faz

briga, mata dá pancada

conquista até satanás

e faz cousa que eu acho

que ela é forte demais

 

Mas, vamos deixar pra lá

que seja forte ou fraca

que seja calma ou não

que goste ou não de fuzarca

vamos contar a história

de Maria Jararaca

 

Habitava antigamente

nos sertões de Mato Grosso

um casal numa fazenda

um verdadeiro colosso

tinha dois filhos somente

sendo uma moça e um moço

 

A moça era Maria

de gênio e instinto forte

perversa e muito briguenta

punha em jogo sua sorte

brincava com a desgraça

e desafiava a morte

 

Quando ainda meninota

frequentava a escola

menino que lhe insultasse

ia ligeiro pra sola

não comia desaforo

nem engolia parola

 

Os seus pais por muito tempo

davam conselhos demais

porém ela não seguia

as instruções de seus pais

e assim enveredou-se

no caminho do satanás

 

Seus pais vendo que não davam

deixou-a a cargo do mundo

seguindo a vida ilegal

braba assanhada e afoita

um verdadeiro animal

 

Maria em casa gritava

eu não guardo desaforo

comigo é na cacetada

brincou comigo é no couro

até minha professora

tem que me guardar decoro

 

Muito perto da escola

havia uma barraca

onde uns desocupados

ali tomavam “truaca”

insultando todo mundo

fazendo a maior fuzarca

 

Um certo dia ela vinha

sozinha pelo caminho

sem se importar com a vida

nem pensava em desalinho

quando naquele momento

se deu tanto burburinho

 

Lá da barraca que eu

falei inda agora a pouco

surgiu um preto vadio

e como quem está louco

chegou perto de Maria

e deu um tremendo soco

Aí os outros caíram

numa grande gargalhada

porque Maria estava

caída ensanguentada

fazendo cara de choro

também muito encabulada

 

Maria que só andava

com uma faca afiada

guardada dentro da bolsa

ficou com ela empunhada

se fez na faca e entrou

como uma alucinada

Caíram na gargalhada

da calçada da barraca

dizendo uns aos outros

olhem uma Jararaca

que quer ganhar uma pisa

com um cipó de piaca

 

Neste momento avançaram

para bater em Maria

ela se fez no trinxete

que na bolsa conduzia

e danou-se a cortar gente

só se ouvia a gritaria

 

Cortou cinco e correu um

dos que estavam na barraca

Maria dava pesada

mordia e danava a faca

desta vez ficou conhecida

por Maria Jararaca

 

O nome de Jararaca

se espalhou neste dia

e assim numa semana

todo mundo já sabia

que a moça jararaca

com certeza era Maria

 

Jararaca foi crescendo

até que moça ficou

não enjeitava parada

e assim se acostumou

não quis viver com os pais

de sua casa arribou

 

Sua fama se estendeu

nos sertões de Mato Grosso

não corria de barulho

punha o povo em alvoroço

gostava de comprar briga

não enjeitava destroço

 

Agora vamos falar

num vigia viciado

atacar mocinhas pobres

cumprindo o seu triste fado

de cabra afoito e vadio

um verdadeiro tarado

 

O vigia era um sujeito

metido a brabo e ruim

dizia abertamente

eu gosto de ser assim

gozo carinho de moças

todas se passam pra mim

 

Certa vez este vigia

viu Maria numa feira

disse agora estou com tudo

oh! menina de primeira

aquela ali vai comigo

pra dentro da capoeira

 

Não sabia que Maria

tinha aprendido dar murro

mãosada em cara de macho

que o cara dava urro

mordia que só cachorro

dava coice que só burro

 

Maria que conhecia

do vigia sua fama

dizia consigo eu hoje

irei forrar tua cama

é hoje que vou encher

a boca dele de lama

 

O cabra naquele instante

deu com a vista em Maria

ela naquele momento

fez um sinal pro vigia

dando impressão para ele

que ela lhe aceitaria

 

E assim saiu na frente

e o vigia atrasado

saíram logo da feira

para um certo reservado

o vigia todo fofo

de gogó levantado

 

O vigia conhecendo

que ali não ia gente

deu um pulo adiantou-se

e tomou logo a frente

sem esperar que iria

enfrentar uma serpente

 

E disse para Maria

pode tirar a casaca

porém Maria puxou

de sua cinta uma faca

e disse para o vigia

se quer morrer emburaca

 

O vigia que bancava

a fama de valentão

conseguiu tomar a faca

caíram ambos agarrados

enrolando pelo chão

 

A luta era temerosa

nem um dos dois se rendia

Jararaca deu um golpe

na garganta do vigia

o bruto naquela hora

reconheceu que perdia

Maria naquele instante

retomou a sua faca

soltou o vigia e disse

vem agora e me ataca

se não conheces a fama

de Maria Jararaca

 

O vigia arrependido

dizia assim: me perdoe

tremia, urinou na calça

obrou em pé feito boi

mas junto de Jararaca

deu a gangrena e não foi

 

Jararaca o pegou

e torceu um cipó forte

abriu as pernas do cabra

para o sul e para o norte

amarrou cada, num pau

pra poder dar-lhe um surrote

 

Com a ira que estava

deu-lhe um tremendo castigo

só dava dentro das pernas

do seu rival inimigo

num lugar que sei o nome

porém eu morro e não digo

 

O vigia nunca mais

quis fazer papel de louco

tornou-se calmo e bisonho

muito retraído e choco

porque onde o pau bateu

inchou mais do que um coco

 

E depois de cinco anos

Maria regenerou-se

pra tirar o apelido

daquele lugar mudou-se

foi uma mulher de bem

com pouco tempo casou-se

 

Feliz do homem que tem

Seu coração amoroso

O vigia desgraçou-se

Um tipo vil criminoso

Zombou da mulher mas teve

A morte por seu repouso

FONTES CONSULTADAS

CAMPOS, F. S. As bravuras de Maria Jararaca. Jangada do Brasil, a. 11, n. 121, Fev. 2009. Disponível em: <http://www.jangadabrasil.com.br/revista/fevereiro121/cn12102.asp>. Acesso em: 10 nov. 2014.

GRANDES autores da Literatura de Cordel. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 10 nov. 2014.

HAURÉLIO, M. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com .br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso: 11 nov. 2014.

ÍNDICE de Autores. Francisco de Souza Campos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cibertecadecordel.com.br/ indice_autor_result_cordel.php?idautor=2311>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poetisa Maria Godelivie Cavalcanti de Oliveira – Síntese biográfica

Maria Godelivie Cavalcanti de Oliveira

Natural da cidade de Campina Granda, Paraíba, Maria Godelivie nasceu em 14 outubro de 1959. Seu envolvimento com a literatura popular se deu por intermédio de seu pai que frequentemente adquiria folhetos de Cordel e os lia para ela. Ao ser alfabetizada, Maria acompanhava o pai a feira central da Cidade onde encontrara um vasto número de violeiros, cantadores, cordelistas, poetas que lhes atraia sua atenção e admiração.

Curso Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) onde cursou a disciplina de Literatura Popular, reacendendo a paixão pela antiga poesia, bem como lhe despertou a vontade de produzir o mesmo gênero literário transformando-a em poetisa, cordelista e educadora. Nessa última de suas funções sempre atrela o ensino a presença do cordel em sala de aula. De acordo com Queiroz (2006) a cordelista se utiliza do cordel na sala de aula tanto os de sua autoria como de outros autores, momento em que adentra na estrutura narrativa do texto, dos personagens, bem como inclui um certo tom humorístico na relação com o pedagógico em seus escritos, a poetisa cumpre o papel de transmissão de valores no processo de modernização da sociedade contemporânea, para tanto adota títulos jocosos como forma de atrair o interesse do leitor, nesse sentido temos como exemplo: O Doidinho bem dotado, de 2003 e O gostosão, de 2002. Este último refere-se ao triangulo amoroso

 

Minha nossa! Meu Senhor!

Onde fui eu me meter,

Arranjar duas mulheres?

Eu não tinha o que fazer?

Agora já não sei mais

Como o caso resolver

Sou casado de aliança

Perante padre e juiz

A mulher legítima é braba,

Prometeu? Faz o que diz,

E eu, o que vou fazer

Com esse impasse infeliz.

 

Outra característica de seus escritos revela-se na sensibilidade em retratar a mulher representada por sua integridade de caráter, firmeza e perspicácia com que enfrenta fatos do cotidiano. Por outro lado esta mesma mulher é também denunciadora de preconceitos sedimentados na memória e tradição popular. O equilíbrio manifesta-se no percurso da ação, entre o comportamento individual e o coletivo. Para Queiroz (2006, p. 80) Maria Godelivie “Vale-se da maneira mais conservadora para metrificar seus versos e tratando de temas do cotidiano, da oralidade que lhe foi passada através de diversas fontes e resgatando mitos e lendas, a poetisa busca a transformação de atitudes, crenças e valores, construindo socialmente, uma outra representação ideológica. É a voz insurgente da mulher no contexto da literatura de cordel”.

 

FONTES CONSULTADAS

QUEIROZ, Doralice Alves de. Mulheres cordelistas: percepções do universo feminino na literatura de cordel. 2006. 121 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Programa de Pós-graduação Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

O NORDESTE. Maria Godelivie. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Maria+Godelivie>. Acesso em: 12 nov. 2014.

Paraiba CRIATIVA. Maria Godelivie. Disponível em: <http://www.paraibacriativa.com.br/539/maria-godelivie.html.>. Acesso em: 10 set. 2014.

Poeta Luís Carlos Rolim de Castro – Síntese biográfica

Luís Carlos Rolim de Castro

Lucarocas pseudônimo de LuÍs Carlos Rolim de Castro nasceu na cidade de Fortaleza, CE, escritor, poeta, pintor, xilógrafo, escultor e serigrafista, tem em seu currículo uma vasta produção literária de quantidade e qualidade eclética, herança herdada de seu pai artista circense.

Graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) com habilitação em literatura e língua português, além de possuir especialização em Metodologia do Ensino Fundamental e Médio e Administração Escolar.

Sua produção literária se materializa em formato de cordel obedecendo as rimas, e as métricas necessárias aos grandes escritores desse gênero entre outros como crônicas, contos, teatro e poesia de forte lirismo e sensualidade, todavia é nas raízes nordestinas e sertanejas que debruça-se de forma mais frequente, adotando inclusive em sala de aula o cordel como ferramenta de ensino aprendizagem, mantendo viva    a tradição popular.

O poeta múltiplo é membro do Centro de Cordelista do Nordeste (CECORDEL); da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), onde ocupa a cadeira de n11 e tem como patrono Patativa do Assaré; da Associação Cearense de Escritores (ACE) e Membro coordenador do Pró-cordel, o Cordel em movimento. Reconhecido na arte do cordel, Lucasrocas recebeu vários reconhecimentos dentre os quais destacamos:

1994 – 1° Lugar – Literatura de Cordel – Crateús, Ceará.

1997 – 4º Lugar – Literatura de Cordel, Rio de Janeiro.

2000 – 1º Lugar – Literatura de Cordel, Rio de Janeiro.

2000 – 3º Lugar – Soneto – Portugal.

2001 – Menção Honrosa – Cordel, Rio de Janeiro.

2001 – Destaque Especial – Poesia – Cruz Alta, Rio Grande do Sul.

FONTES CONSULTADAS

LUCAROCAS. Disponível em: <http://www.onordeste.com/ onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Lucarocas>. Acesso em: 10 nov. 2014.

LUCAROCAS, o poeta: semeando cultura e colhendo saberes. Disponível em: <http://www.lucarocas.com.br/lucarocas _62.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta José Carlos de Freitas – Síntese biográfica

José Carlos de Freitas (06/03/1964)

Natural do município de Senhor do Bom Fim, interior baiano, José Carlos de Freitas muda-se para Salvador em 1997, onde ocupara o cargo de fiscal da Prefeitura na Feira de São Joaquim. Ainda nos idos de sua infância Jotacê Freitas, como ficou artisticamente conhecido, iniciou-se pelos caminhos da Literatura popular por intermédio de sua mãe que devota do Padre Cícero Romão Batista e de Lampião costumava adquirir na feira os cordéis que retratassem esses personagens, instigado ainda pela cantoria livre embalada por deficiente visual enquanto transitava na feira livre.

Influenciado pela literatura popular aos 10 anos de idade, Jotacê dá seus primeiros passos na convivência com esse gênero literário.

Já em Salvador ingressa no Curso de Letra na UFBA torna-se bolsista de Literatura sob a orientação Doralice Alcoforado e começa a pesquisar a literatura popular  dando continuidade a sua produção com versos livres escritos em cordel. Nessa convivência e aprofundamento teórico Jotacê passa a valorizar a literatura popular em especial arte do cordel passando a dedicar-se a sua própria produção, mesmo sem considerar o rigor da métrica. Proposta que na contemporaneidade pode ser vista como processo de inovação com  rimas toantes.

Sua produção abarca temas transita por temáticas educativas, bem como direciona também sua produção para o público infantil. Poeta, professor e palestrante atua em todas as idades e públicos por meio da versatilidade da literatura de cordel.

O poeta tem sua produção mais de oitenta cordéis publicados que ele mesmo edita de maneira artesanal. O poeta-professor revela em seus escritos um senso lírico provavelmente influenciado pela literatura de Leminski, Oswald e Mário de Andrade. Entretanto, o que se pode afirmar que Jotacê traz em seus escritos um certo humor critico, a exemplo registramos os poemas extraídos do livreto Entrelinhas.

De quando eu era pequeno

 

 O meu maior sonho

era usar calça comprida

para fazer pose

para as meninas crescidas.

 Caminhava muito

pela estação do trem

e de vez em quando batia a cabeça

nos postes dos telégrafos.

 Minha mãe bradava

que eu só podia

ter minhoca na cabeça.

 Meu pai amenizava:

 deixa o menino, mulher,

 quem sabe ele terá

mente fértil?

 

Da juventude

 

tudo imediato

pra já

tudo a jato

como se o tempo

não se acumulasse

passo a passo

 

Da preservação

 

saindo da toca

um lagarto

se abisma com a destruição

seu lar

seu ninho

sua casa

é canteiro de construção

com as unhas

na pedra cravadas

lamenta

a própria extinção.

FONTES CONSULTADAS

ARAÚJO, Roselí. Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopedia Nordeste/index.php?titulo=Jotac%C3%AA+Freitas>. Acesso em: 10 out. 2014.

CAVALEIRO DE FOGO.  Verônica de Vate – Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://jivmcavaleirodefogo.blogspot.com.br/2012/04/veronica-de-vate-jotace-freitas.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

FELICÍSSIMO, Gustavo. O poeta Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://sopadepoesia.blogspot.com.br/ 2009/06/o-poeta-jotace-freitas.html>. Acesso em: 12 out. 2014.

FREITAS, Jotacê. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=120077 >. Acesso em: 15 jun. 2014.

POESIA BAIANA. Perfil – Jotacê Freitas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <https://poesiabaiana.wordpress.com/catego ry/poesiapopular/cordel/>. Acesso em: 10 nov. 2014.

WIKIPÉDIA. Senhor do Bom Fim. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Senhor_do_ Bonfim_%28Bahia%29>. Acesso em: 10 out. 2014.

Poeta Altair Leal – Síntese biográfica

Altair Leal (1960 –  )

Nascido na cidade de Limoeiro localizado nMesorregião do Agreste e na Microrregião do Médio Capibaribe do Estado de Pernambuco, em 1960. O poeta radicou-se na cidade do Recife desde 1975 onde tornou-se funcionário público municipal, além de atuar na área de radicalismo. Sua poética de tradição eminentemente oral buscou no cordel sua forma de fixação,  manifestação e divulgação de sua produção literária, muito embora também escreva poesia de versos livres e sonetos.

O poeta possui envolvimento nos movimentos literários pernambucanos, é membro da Academia de Letras e Artes de Paulista, Pernambuco, Membro da União de Cordelistas de Pernambuco (Unicordel) e da União Brasileira de Escritores, seccional Pernambuco, além de compor o grupo de Invenção de Poesia de Recife. Eclético, sua produção literária se caracteriza por temáticas irreverentes e de alerta social, a exemplo dos que versam sobre Dengue, Água, Leite Materno entre tantos outros temas sociais.

Versátil Altair Leal desempenha em sua trajetória vários papeis o de poeta, cordelista, líder de movimentos culturais, tanto que integra o grupo de Intervenções da Poesia na cidade do Recife. Sua verve poética o destaca como recitador acumulando prêmios nessa arte a exemplo da conquista do 1º lugar na RECITATA (Concurso de Recital Poético do Festival Recifense de Literatura  em 2007) e 5º lugar no mesmo concurso no anos de 2006. Além destes prêmios alçou ainda o terceiro lugar  na Expo Saúde do Recife com o Cordel de Combate a Dengue.

Atua ainda como facilitador e multiplicador da arte popular ministrando oficinas de cordel, ativador cultural no estado de Pernambuco e recitador reconhecido. Em um de poemas Altair Leal, em sua versatilidade lírica, escreve:

 

Quando um dia eu partir pra outra vida

Vais chorar por não ter o meu calor

Mas te juro eu lutei por teu amor

Tantas vezes eu chamei de querida

E ao sentir que na minha despedida

 

Nada levo a não se triste caixão

Tantos anos, de você levei um não

E este não só me trouxe amargura

Quando tu for passar na sepultura

Vai sentir que ainda bate um coração

 

No final meus pecados vou apagar

Parto livre no dia que eu morrer

E bem sei quando isso acontecer

Ao saber que muito vais chorar

As maldades que eu fiz você passar

 

Foram tantas que tiraram teu apreço

E o chão frio que meu novo endereço

Vela o corpo de mais uma criatura

Ao passar cuspas a minha sepultura

De você é só isso que mereço

FONTES CONSULTADAS

LEAL, Altair. Disponível em: <http://ubepaulistape.blogspot.com.br/p/blog-page_10.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

LEAL, Altair. Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=181&catid=48>. Acesso em: 10 out. 2014.

LEAL, Altair. Disponível em: <http://www.panteracordelaria.blogspot.com.br/>. Acesso em: 10 out. 2014.

LEAL, Altair. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Altair+Leal>. Acesso em: 10 out.  2014.

LIMOEIRO. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Limoeiro_%28Pernambuco%29>. Acesso em: 09 dez. 2014.

MIRANDA, Antônio. Perfis: Altair Leal. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/altair_leal.html>. Acesso em: 09 dez. 2014.

 

Poeta Leandro Gomes de Barros – Síntese biográfica

Leandro Gomes de Barros (19/11/1865 – 04/03/1918)

Poeta popular nascido em 1865, na fazenda Melancia, Município de Villa do Pombal, Estado da Paraíba. Pode ser considerado o primeiro poeta popular caso esse título não caiba a Pirauá, que publicou estórias versadas em folhetos. Sua veia poética parece ter surgido as 15 anos de idade, na Serra de Teixeira, Paraíba, região que imperavam cantadores e glosadores, ao conviver com sujeitos de expressiva significância para a poesia oral no Brasil, dentre os quais merecem destaque Nicandro Nunes da Costa, Bernardo Nogueira, Inácio da Catingueira e Romano Mãe d’água. Aos dezesseis anos de idade transferiu-se para o estado de Pernambuco, onde residiu por longos anos nas cidades de Vitória de Santo Antão, Jaboatão e, posteriormente, Recife.

Apesar do pouco domínio da lecto-escrita, como ele mesmo afirma na sextilha de A Mulher Roubada, publicada em 1907, no Recife escreveu:

Leitores peço desculpa

Se a obra não for de agrado

Sou um poeta sem força

O tempo tem me estragado,

Escrevo há 18 anos

Tenho razão de estar cansado

Ele escreveu mais de mil narrativas, concretizadas através do investimento que realizou na produção, comercialização e veiculação de uma mídia diferenciada que alcançaria todo o Nordeste do Brasil, o folheto de cordel. Viveu exclusivamente de produto de suas histórias rimadas iniciando sua escrita em 1889. Leandro glosava, mas não era repentista; escrevia. E foi escrevendo e vendendo folhetos que sustentou enorme família que construíra com D. Venustiniana [Eulália de Souza] Aleixo de Barros. Leandro bebia sem ser alcoólatra e disso nunca fez mistério. Num folheto escreveu sobre suas bebedeiras. É preciso levar em conta que a métrica, a rima e o senso de humor faziam o poeta beber mais nos versos que na realidade. Tinha um espírito crítico e não deixava escapar uma única oportunidade de ler com olhos críticos a realidade. Possibilitando fluir o espírito criativo, utilizava-se frequentemente da paródia, da sátira e da alegoria, para tratar temas da realidade, questões facilmente assimiladas e compreendidas por seus leitores. Leandro produziu cerca de 20 romances de 32 a 48 páginas. Câmara Cascudo em seu livro, Vaqueiros e Cantadores (1984), registra que Barros escreveu para sertanejos, matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboieiros, feirantes e vaqueiros. Seus versos eram lidos nas feiras, fazendas, sob as oiticicas, no oitão das casas pobres, nas horas do “rancho”, soletrados com paixão, admiração com uma certa dose de fanatismo. Após extensa e significativa produção literária, o poeta faleceu em 04 de março de 1918, deixando sua produção literária para seu genro e também escritor, o paraibano Pedro Batista que publicou suas histórias por volta de 1920, quando a viúva vendeu parte dos direitos autorais ao poeta João Martins de Atayde. Apesar disso, outras pessoas também republicaram seus textos sem conceder-lhe o direito de criação, embora esta fosse uma de suas preocupações, considerando que na maior parte de seus impressos ele demonstrou preocupação com questões de plágio, registrando em 09 de julho de 1917, na História de João Cruz, o seguinte:

  Aviso Importante

Aos meus caros leitores do Brasil – Ceará, Maranhão, Pará e Amazonas – aviso que desta data em diante todos os meus folhetos  completos trarão o meu retrato. Faço este aviso afim de prevenir aos incautos que tem sido enganados na sua bôa fé por vendedores de folhetos menos sérios que teem alterado e publicados os meus livros, comettendo assim crime vergonhoso.

A mesma preocupação parece continuar com o autor que insiste em alertar aos leitores, como registra na obra A Peleja de Antonio Batista e Manoel Cabeceira: “O autor reserva o direito de propriedade”. E acrescenta em a Batalha de Oliveira com Ferrabraz: “O editor e proprietário reserva os direitos de reprodução de acordo com o Artigo 649 do Código Civil”.

Ainda precavido acrescentou na Alma da minha Sogra: “Aviso: Com o fim de evitar abusos constantes, resolvi d’ora em diante estampar em todas as minhas obras o meu retrato em um clichê, sem logar determinado”.

De acordo com Marques (2011) a poética de Leandro Gomes de Barros atravessou o século XX perpassando por várias regiões do país abordando temáticas das mais variadas, como assinalou Viana (2005, p. 2) ao referir-se a Leandro Gomes de Barros como pioneiro da literatura de cordel:

 

Leandro foi um gigante

À poesia popular

Deu legado relevante

Escreveu drama e tragédia

Fez gracejo e fez comédia

Com sua lira atuante.

A sua obra sabemos

Ser centenas de poemas

Escreveu vários estilos

Seguindo vários esquemas

No romance e no folheto

Sua pena era amuleto

Dominando vários temas.

FONTES CONSULTADAS:

ABREU, Márcia. História de cordéis e folhetos. Campinas, SP: Mercado das Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1999. p. 92.

BARROSO, Maria Helenice. No palco das reminiscências: as cores do cordel no Brasil e em Portugal. 2013. 258 f. Tese (Doutorado em História) – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília, 2013.

CURRAN, Mark J. História do Brasil em cordel. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998. p. 43.

FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Folhetos de papel: memórias do cordel. Disponível em: <http://docvirt.cohttp://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=RuiCordel&pasta=Folhetos%20Raros%20de%20Leandro%20Gomes%20de%20Barros%20-%20Colecao%20SNB%20-%20Poemas%20Completos&pesq=m/docreader.net/docreader.aspx?bib=RuiCordel&pasta=Folhetos%20Raros%20de%20Leandro%20Gomes%20de%20Barros%20-20Colecao%20SNB%20-%20Poemas%20Completos&pesq=>. Acesso em: 10 out. 2014.

LOPES, José Ribamar. Literatura de cordel: antologia. Fortaleza. BNB. 1982, p. 19; Proença, 1986, p. 577.

MARQUES, Francisco Cláudio Alves. O poeta popular Leandro Gomes de Barros e a sátira ao discurso burguês-militarista no contexto da primeira república. Miscelânea Revista de Pós-graduação em Letras, Marília, v. 9, p. 320-341, jan./jun. 2011.

MAYA, Ivone da Silva Ramos. O Poeta de cordel e a primeira república: a voz visível do popular. 2006. 141 f. Dissertação (Mestrado em História, Política e Bens Culturais) – Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <bitstream/handle/10438/2134/CPDOC2006IvonedaSilvaRamosMaya.pdf?sequence=1>. Acesso em: 20 out. 2014.

PROENÇA, Manoel Cavalcanti. Antologia literatura popular em verso. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. p. 575

SILVA, José Itamar Sales da. A representação da sogra na obra de Leandro Gomes de Barros. 127 f. Dissertação (Mestrado em Literatura e Interculturalidade) Universidade Estadual da Paraíba. Campina Grande, PB, 2010.

TERRA, Ruth Brito Lemos. Memória de lutas: literatura de folhetos no Nordeste (1893-1930). São Paulo: Global, 1983. p. 40.

VIANA, Antônio Klévisson. Leandro Gomes de Barros: o pioneiro da Literatura de Cordel. Fortaleza: Tupynanquim, 2005.

PROENÇA, Manoel Cavalcanti. Antologia literatura popular em verso. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986.

Poeta Antônio Klévisson Viana Lima – Síntese biográfica

Antônio Klévisson Viana Lima – (03/11/1972 -)

Natural de Quixeramobim, Sertão Central do Ceará, Klévisson Viana nasceu em 03 de novembro de 1972, cresceu em meio a canções, repentes de viola e rodas de glosas, cordel e reisado, o que culminou com sua verve poética e empreendedora fundando em 1990 a Editora Tupynanquim, especializada em literatura de cordel com sede em na cidade de Fortaleza, Ceará.

Klevissón Viana transita entre vários gêneros da poética popular, é reconhecido também por seu talento no desenho tornando-se cartunista com participação em exposições internacionais, além de poeta e editor. Premiado, o cearense em parceria com o quadrinista Flávio Colin, Júlio Shimamoto e Mozart Couto, ganhou seu segundo troféu HQ Mix, ilustrando as histórias do roteirista Wellington Srbek. Em 2003, recebeu com a HP-cordel A moça que namorou o bode, mais um troféu HQ Mix: o de Melhor Publicação.

O poeta múltiplo possui trabalhos publicados em países como Bélgica, Holanda, França, Itália e Turquia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Rio de Janeiro (ABLC), Presidente Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE) e membro da Academia Brasileira de Cordel e Cantoria (ABC), com sede em Fortaleza, Ceará.

FONTES CONSULTADAS:

HAURÉLIO, M. Klévisson Viana. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

TUPYNANQUIM. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tupynanquim>. Acesso em: 12 nov. 2014.

VIANA, A. Antônio Klévisson Viana. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel21. htm>. Acesso em: 10 nov. 2014.

VIANA, K. Biografia. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.bigorna.net/index.php?secao=biografias&id=1127189288>. Acesso em: 10 out. 2014.

Poeta João Antônio de Barros – Síntese biográfica

João Antônio de Barros (24/06/1935 – 11/08/2009)

Natural de Glória de Goitá, estado de Pernambuco, João Antônio de Barros, ou Jotabarros como era conhecido nasceu em 24 de junho de 1935 e faleceu em 11 de agosto de 2009, aos 74 anos de idade na cidade de São Paulo onde residia desde 1973.

O poeta era marceneiro, entalhador, xilógrafo, repentista e cordelista. Viveu inteiramente uma vida dedicada à arte e dela retirou seu sustento, especialmente da venda de seus cordéis e de suas xilogravuras que o tornaram conhecido. Outro de seus atributos artísticos era o repente e as cantigas de improviso acompanhadas do som da viola.

Muitos de seus escritos refletem o olhar do imigrante sobre a cidade de São Paulo, presença marcante em sua produção literária. De espirito crítico lia como ninguém a realidade social tanto que sua obra prima por uma qualidade informacional da realidade histórica, política e social de cada época, a exemplo do verso extraído da obra “Um arranca rabo em São Paulo”:

“No ano de oitenta e três

Perto do ano dois mil

Na capital de São Paulo

No começo de Abril

A fome obrigou o povo

A compromissar o Brasil

 

Há mais de dezoito anos

O povo estava amrrado

Nas cordas da ditadura

Sofrendo angustriado

E havendo democracia

Cobra o seu atrasado”

O poeta é autor de mais de trinta e três obras entre as quais tornou-se muito conhecido pelo clássico “Maria Bonita e Lampião no paraíso tentado por Satanás publicado pela editora Luzeiro”.

FONTES CONSULTADAS:

HAURÉLIO, M. João Antônio de Barros. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06 /dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 18 nov. 2014.

BARROS, J. A. Perfis. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casarui barbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 10 out.  2014.

______. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://archive.today/18rx#selection-221.0-223.474>. Acesso em: 18 nov. 2014.

______. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://gloriadogoitacultural.blogspot.com.br/2011/02/gloria-do-goita-cultural-escritores.html>. Acesso em: 18 nov. 2014.

GALVÃO, A. M. O. Cordel leitores e ouvintes. Belo Horizonte: Autêntica 2001.

CARDOSO, L. Literatura de cordel: uma questão da historiografia literária brasileira. [S.l.]: Clube de Autores, 2008.

SANTOS, L. A. A. Literatura de cordel e migração nordestina: tradição e deslocamento. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.gelbc.com.br/pdf_revista/3505. pdf> . Acesso em: 12 dez. 2014.

 

Poeta Marcus Haurélio Fernandes Farias – Síntese biográfica

Marcus Haurélio Fernandes Farias  (05/07/1974)

Natural de Ponta da Serra, município de Riacho de Santana no sertão baiano o poeta popular, folclorista, revisor e selecionador de textos para editoras brasileiras, palestrante, homem da palavra, que transita entre a teoria e a prática da literatura popular. Licenciado em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VI – Caetité. O autor faz uso de seu conhecimento acadêmico, sem deixar de lado sua verve poética. Lança-se no mercado editorial brasileiro trabalhando com adaptações dos grandes Clássicos da Literatura, a exemplo da obra Lucíola de José de Alencar, A megera domada, de William Shakespeare, e O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, uma das obras ganhadoras do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010, do Ministério da Cultura, na categoria Produção (livros e CDs).

Sua produção de aceitação nacional, o faz reconhecido no campo dos estudos folclóricos e da literatura de cordel, tornando-se um dos escritores que desenvolve parcerias com grandes nomes da poética e da critica literária, bem como do jornalismo culto, a exemplo de Jô Soares.

Vários dos livros de sua autoria foram selecionados por programas de governo, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Ministério da Educação, desenvolvido desde 1997, com o objetivo de promover o acesso à cultura e o incentivo à leitura de alunos e professores por meio da distribuição de acervos de obras de literatura, de pesquisa e de referência, Apoio ao Saber e Salas de Leitura, do Estado de São Paulo, Minha Biblioteca, da prefeitura paulistana, Leitura para a Cidadania, promovido pela Paulus Editora e o Programa Itaú Social. Nesse sentido, suas obras circulam o país atingindo e formando leitores em todas as faixas etárias.

O poeta-escritor recebeu forte influência da poesia de Leandro Gomes de Barros poeta paraibano radicado no velho Recife, Minelvino Francisco Silva e Rodolfo Coelho Cavalcante, Manoel Pereira Sobrinho e Delarme Monteiro da Silva. É também o idealizador da coleção Fábulas do Brasil em Cordel, da editora Leya. É colaborador do Centro de Estudos Ataíde Oliveira, da Universidade do Algarve, Faro, Portugal.

FONTES CONSULTADAS

FARIAS, Marcus Haurélio Fernandes, Galopando o cavalo pensamento. Fortaleza, CE: Tupynanquim, 2007. 8 p.

______. Traquinagens de João Grilo. Fortaleza, CE: Tupynanquim, [200-?]. 16 p

HÁURÉLIO, Marco. Cordel Atemporal: espaço dedicado à literatura de cordel e a divulgação da cultura popular brasileira. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.b r/p/contato.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

______. In: O NORDESTE: enciclopédia do Nordeste. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopedia Nordeste/index.php?titulo=Marco+Haur%C3%A9lio>. Acesso em: 09 out. 2014.

______.  Literatura de cordel: do sertão à sala de aula. São Paulo: Paulus, 2013.

 PROGRAMA NACIONAL Biblioteca da Escola. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content &view=article&id=12368:programa-nacional-biblioteca-da-escola&catid=309:programa-nacional-biblioteca-da-escola&Itemid=574>. Acesso em: 10 out. 2014.

WIKIPEDIA. Marco Haurélio. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Haur%C3%A9lio>. Acesso em: 11 nov. 2014.