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Poeta Leandro Gomes de Barros – Síntese biográfica

Leandro Gomes de Barros (19/11/1865 – 04/03/1918)

Poeta popular nascido em 1865, na fazenda Melancia, Município de Villa do Pombal, Estado da Paraíba. Pode ser considerado o primeiro poeta popular caso esse título não caiba a Pirauá, que publicou estórias versadas em folhetos. Sua veia poética parece ter surgido as 15 anos de idade, na Serra de Teixeira, Paraíba, região que imperavam cantadores e glosadores, ao conviver com sujeitos de expressiva significância para a poesia oral no Brasil, dentre os quais merecem destaque Nicandro Nunes da Costa, Bernardo Nogueira, Inácio da Catingueira e Romano Mãe d’água. Aos dezesseis anos de idade transferiu-se para o estado de Pernambuco, onde residiu por longos anos nas cidades de Vitória de Santo Antão, Jaboatão e, posteriormente, Recife.

Apesar do pouco domínio da lecto-escrita, como ele mesmo afirma na sextilha de A Mulher Roubada, publicada em 1907, no Recife escreveu:

Leitores peço desculpa

Se a obra não for de agrado

Sou um poeta sem força

O tempo tem me estragado,

Escrevo há 18 anos

Tenho razão de estar cansado

Ele escreveu mais de mil narrativas, concretizadas através do investimento que realizou na produção, comercialização e veiculação de uma mídia diferenciada que alcançaria todo o Nordeste do Brasil, o folheto de cordel. Viveu exclusivamente de produto de suas histórias rimadas iniciando sua escrita em 1889. Leandro glosava, mas não era repentista; escrevia. E foi escrevendo e vendendo folhetos que sustentou enorme família que construíra com D. Venustiniana [Eulália de Souza] Aleixo de Barros. Leandro bebia sem ser alcoólatra e disso nunca fez mistério. Num folheto escreveu sobre suas bebedeiras. É preciso levar em conta que a métrica, a rima e o senso de humor faziam o poeta beber mais nos versos que na realidade. Tinha um espírito crítico e não deixava escapar uma única oportunidade de ler com olhos críticos a realidade. Possibilitando fluir o espírito criativo, utilizava-se frequentemente da paródia, da sátira e da alegoria, para tratar temas da realidade, questões facilmente assimiladas e compreendidas por seus leitores. Leandro produziu cerca de 20 romances de 32 a 48 páginas. Câmara Cascudo em seu livro, Vaqueiros e Cantadores (1984), registra que Barros escreveu para sertanejos, matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboieiros, feirantes e vaqueiros. Seus versos eram lidos nas feiras, fazendas, sob as oiticicas, no oitão das casas pobres, nas horas do “rancho”, soletrados com paixão, admiração com uma certa dose de fanatismo. Após extensa e significativa produção literária, o poeta faleceu em 04 de março de 1918, deixando sua produção literária para seu genro e também escritor, o paraibano Pedro Batista que publicou suas histórias por volta de 1920, quando a viúva vendeu parte dos direitos autorais ao poeta João Martins de Atayde. Apesar disso, outras pessoas também republicaram seus textos sem conceder-lhe o direito de criação, embora esta fosse uma de suas preocupações, considerando que na maior parte de seus impressos ele demonstrou preocupação com questões de plágio, registrando em 09 de julho de 1917, na História de João Cruz, o seguinte:

  Aviso Importante

Aos meus caros leitores do Brasil – Ceará, Maranhão, Pará e Amazonas – aviso que desta data em diante todos os meus folhetos  completos trarão o meu retrato. Faço este aviso afim de prevenir aos incautos que tem sido enganados na sua bôa fé por vendedores de folhetos menos sérios que teem alterado e publicados os meus livros, comettendo assim crime vergonhoso.

A mesma preocupação parece continuar com o autor que insiste em alertar aos leitores, como registra na obra A Peleja de Antonio Batista e Manoel Cabeceira: “O autor reserva o direito de propriedade”. E acrescenta em a Batalha de Oliveira com Ferrabraz: “O editor e proprietário reserva os direitos de reprodução de acordo com o Artigo 649 do Código Civil”.

Ainda precavido acrescentou na Alma da minha Sogra: “Aviso: Com o fim de evitar abusos constantes, resolvi d’ora em diante estampar em todas as minhas obras o meu retrato em um clichê, sem logar determinado”.

De acordo com Marques (2011) a poética de Leandro Gomes de Barros atravessou o século XX perpassando por várias regiões do país abordando temáticas das mais variadas, como assinalou Viana (2005, p. 2) ao referir-se a Leandro Gomes de Barros como pioneiro da literatura de cordel:

 

Leandro foi um gigante

À poesia popular

Deu legado relevante

Escreveu drama e tragédia

Fez gracejo e fez comédia

Com sua lira atuante.

A sua obra sabemos

Ser centenas de poemas

Escreveu vários estilos

Seguindo vários esquemas

No romance e no folheto

Sua pena era amuleto

Dominando vários temas.

FONTES CONSULTADAS:

ABREU, Márcia. História de cordéis e folhetos. Campinas, SP: Mercado das Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1999. p. 92.

BARROSO, Maria Helenice. No palco das reminiscências: as cores do cordel no Brasil e em Portugal. 2013. 258 f. Tese (Doutorado em História) – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília, 2013.

CURRAN, Mark J. História do Brasil em cordel. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998. p. 43.

FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Folhetos de papel: memórias do cordel. Disponível em: <http://docvirt.cohttp://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=RuiCordel&pasta=Folhetos%20Raros%20de%20Leandro%20Gomes%20de%20Barros%20-%20Colecao%20SNB%20-%20Poemas%20Completos&pesq=m/docreader.net/docreader.aspx?bib=RuiCordel&pasta=Folhetos%20Raros%20de%20Leandro%20Gomes%20de%20Barros%20-20Colecao%20SNB%20-%20Poemas%20Completos&pesq=>. Acesso em: 10 out. 2014.

LOPES, José Ribamar. Literatura de cordel: antologia. Fortaleza. BNB. 1982, p. 19; Proença, 1986, p. 577.

MARQUES, Francisco Cláudio Alves. O poeta popular Leandro Gomes de Barros e a sátira ao discurso burguês-militarista no contexto da primeira república. Miscelânea Revista de Pós-graduação em Letras, Marília, v. 9, p. 320-341, jan./jun. 2011.

MAYA, Ivone da Silva Ramos. O Poeta de cordel e a primeira república: a voz visível do popular. 2006. 141 f. Dissertação (Mestrado em História, Política e Bens Culturais) – Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <bitstream/handle/10438/2134/CPDOC2006IvonedaSilvaRamosMaya.pdf?sequence=1>. Acesso em: 20 out. 2014.

PROENÇA, Manoel Cavalcanti. Antologia literatura popular em verso. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. p. 575

SILVA, José Itamar Sales da. A representação da sogra na obra de Leandro Gomes de Barros. 127 f. Dissertação (Mestrado em Literatura e Interculturalidade) Universidade Estadual da Paraíba. Campina Grande, PB, 2010.

TERRA, Ruth Brito Lemos. Memória de lutas: literatura de folhetos no Nordeste (1893-1930). São Paulo: Global, 1983. p. 40.

VIANA, Antônio Klévisson. Leandro Gomes de Barros: o pioneiro da Literatura de Cordel. Fortaleza: Tupynanquim, 2005.

PROENÇA, Manoel Cavalcanti. Antologia literatura popular em verso. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986.

Poeta Leandro Gomes de Barros – Produção Literária

A alma de uma sogra

A batalha de Oliveiros com Ferrabrás

A confissão de Antônio Silvino

A donzela Teodora

A força do amor ou Alonso e Marina

A história do marco brasileiro

A morte de Alonso e A vingança de Marina

A mulher roubada

A órfã

A peleja de Leandro Gomes com uma velha de Sergipe

A Princesa da Pedra Fina

A prisão de Oliveiros e seus companheiros

A sogra enganando o diabo

A vida de Cancão de Fogo e o seu testamento

A vida de Pedro Cem

As proezas de um namorado mofino

Bamam e Gercina ou O príncipe e a fada

Branca de Neve e o soldado guerreiro

Casamento e divórcio da lagartixa

Como Antônio Silvino fez o diabo chocar

Estória da Donzela Teodora

Estoria da Princesa da Pedra Fina

Estória da Princesa Rosa

Estória de Juvenal e o dragão

Estória do boi misterioso

História da Índia Neci

História da Princesa da Pedra Fina

História de João da Cruz

História de Juvenal e o dragão

História de Roberto do Diabo

História do Boi Misterioso

Historia do cachorro dos mortos

Índia Necy

Juvenal e o dragão

Meia noite no cabaré

O cachorro dos mortos

O cachorro que estercava dinheiro

O cavalo que defecava dinheiro

O dinheiro: (o testamento do cachorro)

O mal em paga do bem

O principe e a fada

O soldado jogador

O testamento da cigana Esmeralda

O testamento de Cancão de Fogo

O verdadeiro romance o Reino da pedra Fina

Os bichos que falavam

Os cálculos de Antônio Silvino

Os collectores de Great Western

Os defensores dos inocentes de Garanhuns

Os dois amantes

Os homens de mandioca

Os horrores da influenza hespanola

Os martírios de Genoveva

Os martyrios de Christo

Os sofrimentos de Alzira

Padre Nosso do imposto

Panellas que muito mexem

Paródia

Peleja de Antônio Baptista e Manoel Cabaceira

Peleja de José do Braço com Izidio Gavião

Peleja de Josué Romano e Manoel Serrador

Peleja de Manoel Riachão com o Diabo

Peleja de Romano e Ignácio da Catingueira

Peleja de Silvino Pirauá com José Patrício

Peleja de Ulisses Bahiano com José do Braço

Peleja entre Romano e Ignácio da Catingueira

Pranto dos Catholicos

Prodígios da natureza

Quanto perdeu-se

Queixas amorosas

Quem comeu da vacca?

Recordações

Roldão no leão de ouro

Roques Mateus do Rio São Francisco

Se algum dia eu morrer

Segunda peleja de Romano do Teixeira com Inácio da Catingueira

Segundo debate de Riachão com o diabo fingindo em homem chamado mubança se algum dia eu morrer

Sonho de ilusão

Sou natural do sertão conhecido por sertanejo

Suspiros de um sertanejo

Todas as lutas de Antônio Silvino

Três quengos finos

Últimas palavras de um Papa na hora da morte

Um beijo áspero

Um pau com formigas

Um pouco de tudo

Um sonho de trez horas

Um susto de minha sogra

Uma viagem ao céu

Uns olhos

Vaccina para não ter sogra

Viagem de João Lezo à serra do céo

Vida e testamento de Cancão de Fogo

Villa Nova na prizão

Vingança de um filho

Vitória dos aliados