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Poeta Manoel Camilo dos Santos – Síntese biográfica

Manoel Camilo dos Santos (09/06/1905)

Manoel Camilo dos Santos, filho de Antônio Camilo Pereira e Maria Tomaz Ferreira dos Santos nasceu no dia 9 de junho de 1905 na cidade de Guarabira, no brejo paraibano. Faleceu em Campina Grande, onde viveu boa parte de sua vida (SANTOS, 1995).

Criado na agricultura, aos completar 18 anos passou a se dedicar ao comércio ambulante. Na década de 30, foi morar na capital paraibana, João Pessoa, onde trabalhou como marceneiro, sendo também cantador. Mas, na década de 40 abandona a cantoria, passando a dedicar-se a escrever e editar folhetos, iniciando a sua vida de poeta nesse período retornando à sua cidade natal. Na década de 50, dando continuidade a essa feita mudou-se para a cidade de Campina Grande, Paraíba, onde passou a morar.

Manoel Camilo fundou a Tipografia e Folhateria Santos, em Guarabira, e com sua mudança para Campina Grande, a mesma também foi transferida para essa cidade. Após uma reformulação da tipografia, a mesma passou a chamar-se Estrela da Poesia, em detrimento do seu pseudônimo: Estrella da poesia. O poeta, que se estabeleceu na cidade de Campina Grande, nesse período, passou a constituir-se em um dos mais promissores tipógrafos de cordel da região (CIPRIANO, 2013).

Também foi membro fundador da Academia Brasileira de Cordel, ocupando a cadeira de nº 25, que tem como patrono Inácio Catingueira. Suas habilidades se remontam para além da escrita, e este poeta revestido de arte foi também repentista e violeiro, poeta popular, tipógrafo, xilógrafo, datilógrafo, horoscopista, escritor e editor (ALMEIDA; ALVES SOMBRINHO, 1990).

Ao longo de sua jornada, recebeu algumas condecorações em reconhecimento de sua contribuição à cultura brasileira, em especial à poesia. Nesse sentido, em 1955, foi diplomado em Salvador no Congresso de Poetas e Repentistas do Brasil. Em 1960, este reconhecimento se replica, e o poeta Manoel Camilo dos Santos é novamente diplomado, desta vez no segundo Congresso de Poetas e Violeiros, que ocorreu na cidade de São Paulo. Em 1975, o artista paraibano recebeu o prêmio de melhor poeta popular do Brasil, prêmio este concedido pela Universidade Regional do Nordeste, na cidade de Campina Grande, Paraíba. E, em 1978, no Rio de Janeiro, torna-se patrono da Casa da Cultura São Saruê, cujo nome homenageia o poeta pelo seu poema, intitulado: Viagem a São Saruê.

Como viveu grande parte de sua história na cidade de Campina Grande-PARAÍBA, onde ocorrem entre os meses de junho e julho os festejos juninos, denominados O maior São João do mundo, o poeta não poderia deixar de ser homenageado. Nesse sentido, no Arraial Sítio São João, em Campina Grande, todos os anos, instala-se uma casa-folhetaria na qual ficam abertos para visitação pública, peças e maquinários da Estrella da Poesia.

Nessa longa jornada, produtiva e criativa, Manoel Camilo dos Santos teve como seus primeiros folhetos publicados O Romance de Abel com Margarida e a Peleja com Pedro Simão.

Em 1955, publicou outro folheto intitulado: O Sabido sem Estudo; em 1956, publicou a Viagem a São Saruê, por ventura seu folheto mais famoso, que foi inclusive traduzido para o francês, em 1979, pela professora Idelete Muzart F. Dos Santos, compondo o livroLes Imaginaires (ALMEIDA; ALVES SOMBRINHO, 1990). No folheto que contém dez páginas, com xilogravuras na capa e em algumas páginas, o poeta utilizou trinta e uma estrofes em sextilhas, com versos em redondilha maior e duas estrofes em décimas, com versos decassílabos, que descrevem uma viagem a um lugar onde há vida em abundância, fartura na comida, felicidade, não existem problemas e nem preocupação com trabalho e dinheiro, todos vivem bem e felizes (SANTOS, 1995).

 

Viagem a São Saruê

Doutor mestre pensamento

me disse um dia: -Você

Camilo vá visitar

o país São Saruê

pois é o lugar melhor

que neste mundo se vê.

Eu que desde pequenino

sempre ouvia falar

nesse tal São Saruê

destinei-me a viajar

com ordem do pensamento

fui conhecer o lugar.

 

Iniciei a viagem

as quatro da madrugada

tomei o carro da brisa

passei pela alvorada

junto do quebrar da barra

eu vi a aurora abismada.

 

Pela aragem matutina

eu avistei bem defronte

a irmã da linda aurora

que se banhava na fonte

já o sol vinha espargindo

no além do horizonte.

Surgiu o dia risonho

na primavera imponente,

as horas passavam lentas

o espaço encandescente

transformava a brisa mansa

em um mormaço dolente.

(p. 1)

[…]

Este folheto traz nuances de um imaginário, remontando a uma terra que esbanja fartura, lugar impossível de existir, exalando paralelamente uma utopia, que se entrelaça em seus escritos.

Manoel Camilo conviveu com intelectuais, tais como: Ariano Suassuna, João Silveira, Orígenes Lessa, Sebastião José do Nascimento, entre outros. Dialogando também com intelectuais da literatura cordelista, entre os quais destacamos Manoel Caetano e Zé Nogueira. Nesse sentido, Gomes e Bezerra (2014) relatam que esses diálogos, associados às leituras de vida do próprio escritor, possibilitaram a organização de seu espaço literário. O referido poeta discutiu em suas obras determinados temas com raízes nordestinas, entre eles: o cangaço, a seca, o matuto, a fome, etc. Ele conferiu a seus cordéis, temáticas próprias da região Nordeste, percebendo-se que em centenas deles, essas temáticas se destacam (GOMES; BEZERRA, 2014).

Com relação às temáticas por ele exploradas em sua produção, destacamos dois cordéis romances, entre eles: A Bela Sertaneja e Amantes Encarcerados; histórias do cangaço, como o Terror do Banditismo e Monstros da Paraíba; aventuras, como As aventuras de Pedro Quengo; pelejas, como A primeira peleja de Manoel Camilo dos Santos como Romano Elias; religiosidade como Nascimento vida e morte de Jesus; entre outros cordéis (GOMES; BEZERRA, 2014).

FONTES CONSULTADAS

ALMEIDA, Átila; ALVES SOBRINHO, José.  Dicionário bio-bibliográfico  de  poetas populares. 2. ed. João Pessoa: UFPB, 1990.

CIPRIANO, Maria do Socorro. Tipografia de cordel na Paraíba: entre o comércio e a poesia. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 17., Natal.  Anais… Natal: [s.n.], 2013.

GOMES, Germana Guimarães; BEZERRA, Aluska Karla Alves. O DISCURSO regionalista nordestino nos cordéis de Manoel Camilo dos Santos. Disponível em: <http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/textos/ST%2018%20-%20Germana%20Guimar%C3%A3es%20Gomes% 20e%20Aluska%20Karla%20Alves%20Bezerra%20TC.PDF>. Acesso em: 02 out. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Manuel Camilo dos Santos. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Manuel_Camilo_dos_Santos#Liga.C3.A7.C3.B5es_externas>. Acesso em: 16 nov. 2014.

OLIMPIO Oliveira Solicita Criação do Museu do Cordel. In: SISTEMA Nordeste de Notícia: on line. Disponível em: <http://www.snn.com.br/noticia/52316/14/olimpio-oliveira-solicita-criacao-do-museu-do-cordel.html>. Acesso em: 28 nov. 2014.

MANOEL Camilo dos Santos. In: Cordel, autores e obra.  Disponível em: <http://cordel1002.blogspot.com.br/2013/ 11/manoel-camilo-dos-santos.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

SANTOS, Neide Medeiros. Viagem a São Saruê: uma viagem utópica. Itinerários, Araraquara, n. 8, p. 123-128, 1995.

SOUSA, Maurilio Antonio Dias de. Biografia de Manoel Camilo dos Santos. In: FUNDAÇÃO CASA RUI BARBOSA. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ManuelCamilo/manuelCamilo_biografia.html. Acesso em: 13 nov. 2014.

 

Poeta Manoel Caboclo e Silva – Síntese biográfica

Manoel Caboclo e Silva (02/01/1926 – 21/07/1996)

Manoel Caboclo e Silva nasceu no dia 2 de janeiro de 1926, em Juazeiro do Norte, Ceará, filho de João Caboclo da Silva e Rita Zeferina de Athayde. Sua aproximação com os folhetos deu-se no ano de 1938, quando o mesmo foi convidado por José Bernardo da Silva para trabalhar como aprendiz na Tipografia São Francisco. Dedicado ao trabalho, Manoel Caboclo foi gradativamente aprendendo o ofício, trabalhando inclusive no processo de produção dos folhetos da tipografia.

No final da década de 40, Manoel Caboclo deixa a Tipografia São Francisco, indo trabalhar com João Ferreira de Lima, astrólogo, poeta e editor do Almanaque de Pernambuco, que era impresso na Tipografia São Francisco. Carvalho (2008) reforça que Manoel Caboclo desenvolveu, ao longo de sua passagem pela Tipografia São Francisco, um conhecimento tanto no que tange à produção, editoração e distribuição dos folhetos de cordel, como também à arte e magia da ciência astrológica.

Na parceria com João Ferreira de Lima, munido de uma vasta experiência, os dois abriram em sociedade uma gráfica localizada próximo ao Mercado Central de Juazeiro do Norte. Passou, assim, a imprimir o Almanaque de Pernambuco na sua gráfica. Alçando novos voos, João Ferreira desfaz a sociedade, e Caboclo dá continuidade no ramo, montando a sua própria tipografia.

Tipografia essa inaugurada em 1966, intitulada, Folhetaria Casa dos Horóscopos. Lá, Caboclo publicou trabalhos de sua autoria e de outros autores como João Cordeiro e João de Cristo Rei. Nossa Senhora chorando falou à menina de dez anos foi o folheto mais famoso da Tipografia, com uma tiragem de 45 mil cópias, conforme relatos do próprio Manoel Caboclo.

No ano de 1973, Caboclo adquiriu os direitos de publicação de Joaquim Batista de Sena que editava cordéis em Fortaleza, adquirindo também os direitos de publicação das obras de Luiz da Costa Pinheiro e de José Camelo, pertencentes a Batista de Sena.

A Folhetaria Casa dos Horóscopos editou, não apenas cordéis, mas também o almanaque O Juízo do Ano. Porém, com a morte de Manoel Caboclo, morre também a Folhetaria, que encerrou suas atividades exatamente no dia de sua morte, 21 de julho de 1996 (CARVALHO, 2008).

Após a morte de Caboclo, o almanaque O Juízo do Ano, que já passava por um período de crise, também deixa de circular, fato que já havia sido previsto por Manoel Caboclo, quando previu através da astrologia, uma fase complicada em razão das turbulências provocadas por Saturno (CARVALHO, 2006).

Melo (2011, p. 116) enfatiza: “as aproximações entre os almanaques e a literatura de cordel podem ser percebidas por meio da leitura do almanaque Juízo do ano, editado pelo poeta de cordel Manoel Caboclo durante o período de crise em sua tipografia”. A autora relata que Manoel Caboclo harmonizava a escritura poética e paralelamente informativa, refletindo em suas produções.

Outro ponto relevante é o fato de o cordelista também conciliar os seus dotes astrológicos, vendendo talismãs e horóscopos individuais por meio de correspondências trocadas com os consulentes, através da própria produção da tipografia. Fato este perceptível através da edição de 1970 do Juízo do ano, na qual Manoel Caboclo apresenta os efeitos nocivos do hábito de fumar e, paralelamente, aproveita para fazer propaganda de seus serviços como astrólogo (MELO, 2011).

Neste sentido, este poeta, cordelista, artista, teve sua importância para o sertanejo, oferecendo-lhes serviços tais como: horóscopos individuais, astrologia, astronomia, numerologia, parapsicologia, radioterapia, fenologia, onoromancia e outras ciências ocultas (CARVALHO, 2006).

No que tange à produção de suas obras, é curioso saber que Caboclo produzia seus folhetos inicialmente de forma anônima, mas, por sugestão do pesquisador Liêdo Maranhão, passou a assumir a sua autoria.

Seus poemas versam sobre os mais variados detalhes do cotidiano vivenciados pela sociedade contemporânea, tais como violência, romances, lutas e histórias de amor, mas foi a vertente religiosa, centrada na figura de Pe. Cícero, a maior parte de sua produção poética.

Como escritor, estima-se que ele tenha escrito mais de 50 folhetos, além de ter deixado um legado valioso que foi o almanaque O Juízo do Ano que é objeto de pesquisa até os dias de hoje.

Vejamos como no seu folheto intitulado Discussão do Caboclo com Severino Pavão, o cordelista esbanja o cotidiano no interior, remontando ao canto da viola e até mesmo ao período de São João, atestando sua veia marcante nas questões já citadas.

 

Discussão do Caboclo com Severino Pavão

No ano de trinta e quatro

a vinte e três de São João

as nove horas do dia

me entregaram um cartão

que tinha as iniciais

de SEVERINO PAVÃO

 

No cartão dizia assim:

– “ Sou o rei da poesia”

só canto com cabra bom

que sirva pra cantoria.

Eu mandei logo chamá-lo

na tarde do mesmo dia.

 

O povo já conhecia

minha viola afamada

eu só ia a uma cantoria

com uma aposta firmada

para o cantor que perdesse

a viola ser quebrada.

 

Na Fazenda do Angico

nesta noite de São João

só era em que se falava

numa grande discussão

para quebrarem a viola

De Severino Pavão.

 (p. 1)

[…]

 

As lembranças de infância são uma das características na obra de Manoel Caboclo, atestada através de suas memórias reavivadas pelo poeta que as transformava em suas narrativas históricas a partir de sua singular poética.

FONTES CONSULTADAS

CARVALHO, Reinaldo Forte. Cordel, Almanaques e Horóscopos: e(ru)dição dos folhetos populares em Juazeiro do Norte-CE (1940 – 1960). 2008, 127 f. Dissertação (Mestrado História e Cultura) – Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2008.

CARVALHO, Gilmar de. Lyra popular. Fortaleza: Museu do Ceará, 2006.

MELO, Rosilene Alves de. Almanaques de cordel: do fascínio da leitura para a feitura da escritura, outro campo de pesquisa. Revista ieb, n. 52, p. 107-122, set./mar. 2011.

MEMÓRIAS DO CORDEL. Manoel Caboclo e a Folhetaria Casa dos Horóscopos. Disponível em: <http://memorias docordel.blogspot.com/2013/05/manoel-caboclo-e-folhetaria-casa-dos.html&gt;>. Acesso em: 23 nov. 2014.

MEMÓRIAS DO CORDEL. Almanaque O Juízo do Ano. Disponível em: <http://memoriasdocordel.blogspot.com. br/2013/05/almanaque-o-juizo-do-ano.html&gt>. Acesso em: 23 nov. 2014.

Poeta Manoel Azevedo – Síntese biográfica

Manoel Azevedo (08/12/1962)

Manoel Azevedo nasceu em 8 de dezembro de 1962. Nordestino potiguar, nasceu na cidade de Santana do Mato, estado do Rio Grande do Norte. Além de poeta, é músico e professor lecionando aulas de línguas portuguesa e inglesa.

Apaixonado pela arte desde sua infância, ele admirava e se encantava pela narrativa dos versos de cordel, ouvida pelo rádio ou nas feiras livres, onde se deleitava contemplando as estórias contadas pelos cordelistas.

De acordo com Lima (2014), Manoel de Azevedo saiu aos nove anos de idade de sua terra natal, rumo à capital do Rio Grande do Norte, onde fez seus estudos básicos e despontou para a música, poesia e para o magistério. Ao longo de sua trajetória no universo artístico e educacional, Manoel de Azevedo recebeu vários prêmios e homenagens por sua dedicação à cultura popular, além de sua contribuição também para a educação. Foi contemplado também no Festival de Música Potiguar Brasileira 2011, ficando em 3º lugar, com a música Aurora na Serra de Santana, que remete à sua cidade natal.  Esse festival foi promovido pela FM Universitária

Lima (2014) afirma que Manoel de Azevedo é um exemplo pouco comum de artista versátil. Segundo o autor, essa versatilidade está relacionada ao próprio itinerário existencial do poeta Manoel que percorreu na vida, como estações principais, Santana do Matos, Natal, e Londres. Esse trajeto reflete profundamente a sua produção poética, ressalta Lima (2014).

Dentro de seu contexto literário, Manoel parece explorar suas obras em três estações, a saber: a primeira delas por influência de sua cidade natal, Santana do Matos, período em que o  poeta remonta ao sertão, ressignificando suas lembranças. Posteriormente, ele penetra no universo do novo convívio, a cidade de Natal, no qual Lima (2014) intitula, um novo amor, uma nova musa, a cidade de Natal, retratando suas paisagens lírica, física, humana. E, a terceira estação, em que o poeta desabrocha-se em poemas de feição erudita, alguns escritos em inglês como Ode to Vivaldi e outros de alma inglesa, Liverpooliana, como Lennon in the sky with diamonds.

Mergullhou no universo dos cordéis no ano de 2000, ano em que Manoel Azevedo fez o seu primeiro cordel intitulado: O Misto, no Projeto Chico Traíra. Entre as suas produções mais recentes está o cordel intitulado: A Tragédia do Nyenburg (Episódio dos Tempos Coloniais no Rio Grande do Norte), lançado pela Editora Luzeiro. Neste, o poeta descreve em linguagem de cordel uma tragédia marítima ocorrida com um navio holandês, em 1763. Manoel de Azevedo narra a desventura do NYENBURG.

FONTES CONSULTADAS

MANOEL de Azevedo. 5º ANOS. In: Cordel Potiguar. Disponível em: <http://cordelpotiguar.blogspot.com.br/ 2012/11/manuel-de-azevedo-50-anos.html>. Acesso em: 08 nov. 2014.

______. In: O NORDESTE: enciclopédia nordeste. Disponível em: <http://www.onordeste.com /onordeste/enciclopedia Nordeste/index.php?titulo=Manuel+de+Azevedo>. Acesso em: 10 nov. 2014.

CORDEL Resgata História do Bairro Candelária. Tribuna do Norte, Natal-RN, 19 nov. 2011. Disponível em: <http://tribunadonorte.com.br/noticia/cordel-resgata-historia-do-bairro-candelaria/203196>. Acesso em: 10 nov. 2014.

LIMA, Diógenes da Cunha. In: MANOEL de Azevedo lança “A Tragédia do Nyenburg. Disponível em: <http://foque.com.br/ taian/index.php/manuel-azevedo-lanca-a-tragedia-do-nyenburg/>. Acesso em: 25 nov. 2014.

Poeta Josenir Amorim Alves de Lacerda – Síntese biográfica

Josenir Amorim Alves de Lacerda (16/01/1953)

Nasceu em Crato, Ceará, no dia 16 de janeiro de 1953. Com trabalho alicerçado na cultura popular, ela tem publicado vários cordéis ao longo da história. É uma das fundadoras da Academia de Cordelistas do Crato (ACC), na qual ocupa a cadeira n° 03. Recentemente, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). A autora verseja em rimas, como ocorre no poema O menino que nasceu falando:

 

Uma história interessante

Contou-me o velho Chicão

Acontecida distante

Num afastado torrão

Só não sei bem o lugar

Se São Paulo ou Trapiá

Norte ou Sul dessa nação.

[…]

FONTES CONSULTADAS

BEZERRA, Sandra Nancy Ramos Freire. Oralidade, memória e tradição nas narrativas de assombrações na região do Cariri. 2011. 177 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Departamento de História, Programa de Pós-graduação em História Social, Fortaleza, 2011.

CORDEL Atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;>. Acesso em: 26 nov. 2014.

LACERDA, Josenir Amorim Alves de. O menino que nasceu falando. Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/ docreader.aspx?bib=Cordel&pasta=C3905&pesq=>. Acesso em: 12/06/2014.

QUEIROZ, Doralice Alves de. Percepções do universo feminino na Literatura de Cordel. 2006. 121 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-graduação em Letras, Belo Horizonte, 2006.

Poeta José Walter Pires – Síntese biográfica

José Walter Pires

É sociólogo, advogado, educador, cordelista por paixão. Nascido em Ituaçu, sertão da Bahia, cidadão brumadense. Enfoca, em seus cordéis, o imaginário sertanejo, além de temas sociais, educativos, históricos e de conteúdos específicos.

Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros/MG, com mais de cinquenta títulos publicados, além de crônicas do cotidiano nos jornais Tribuna do Sertão e Jornal do Sudoeste, palestrante e intenso participante de projetos culturais e atividades literárias regionais e estaduais. Sua poética capta com sensibilidade a realidade a partir de rimas, como mostra o poema As viúvas da Seca:

 

São chamadas dessa forma

Mulheres abandonadas

No Nordeste brasileiro

Embora sendo casadas

Mas vivendo sem maridos

         E de filhos carregadas.            

 

Isso ocorre quando a seca

Se alastra pelo sertão

E o sol queimando tudo

Deixa a terra em exaustão

Com a fome campeando

Matando sem compaixão

 

Na miséria dos casebres

Padecendo o sofrimento

Sem água para beber

Sem qualquer alimento

Crianças morrendo à mingua

Em completo desalento

[…]

O pai, sertanejo forte

inteiramente abatido

Vagueando a imensidão

Com o seu olhar perdido

Preso a um fio de esperança

Dentro do peito escondido

[…]

FONTES CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

BLOG do Fredinho. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://luizfrederico.com.br/blog/?tag=jose-walter-pires>. Acesso em: 25 nov. 2014.

PIRES, José Walter. As viúvas da seca. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2014/02/as-viuvas-da-seca-de-jose-walter-pires.html>. Acesso em: 12 jun. 2014.

Poeta José Soares do Nascimento – Síntese biográfica

José Soares do Nascimento (09/10/1906)

Nasceu em Caruaru, Pernambuco, em 9 de outubro de 1906. Bom cantador e poeta popular, Nascimento viveu muito tempo em Caruaru.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>.Acesso em: 22 out. 2014.

SILVA, Vania Ferreira da Silva. Informação e memória na literatura de cordel: produção e fluxo. 2012. 168 f. Mestrado (Dissertação) – Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Artes e Comunicação, Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, Recife: [s.n], 2012.

Poeta José Soares da Silva – Síntese biográfica

José Soares da Silva (23/09/1937)

O poeta cordelista e xilógrafo José Soares da Silva, o Dila, nasceu no dia 23 de setembro de 1937, no município paraibano de Pirauá, mudando-se para Bom Conselho, Pernambuco, ainda criança. Filho de Domingos Soares da Silva e Josefa Maria da Silva, Dila conheceu a literatura de cordel e a xilogravura nas feiras livres do interior nordestino, onde os poetas populares vendiam seus trabalhos. Ainda criança, envolveu-se com a arte e começou a escrever suas primeiras linhas. As primeiras ilustrações estamparam cordéis próprios e de poetas como J. Borges e João José da Silva. Na mesma época, ainda menino, vendia cordel nas feiras de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Ceará.

Considerado um dos melhores xilógrafos do Nordeste, escreve, publica e ilustra folhetos, entalhando não só madeira, mas também pedaços de borracha vulcanizada, técnica incomum entre os artistas populares.

No início da década de 50, o artista se instalou em Caruaru, onde vive até hoje. Ele conta com inúmeras publicações, quase todas sobre as peripécias do diabo, as histórias de Padre Cícero, Lampião e cangaceiros. Em seus folhetos, assinava como Dila, José Soares da Silva, José Cavalcanti Ferreira ou ainda José Ferreira da Silva.

Atualmente, ele conserva em sua residência mais de cem títulos que mesclam realidade e ficção. O espaço funciona como ponto turístico. Em maio de 2002, o xilógrafo foi contemplado com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

FONTES CONSULTADAS

O NORDESTE.com. Dila. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Dila>. Acesso em: 28 nov. 2014.

PORTAL Pernambuco. Dila (cordelista e xilógrafo): patrimônio vivo de pernambuco. Disponível em: <http://www.nacaocultural.org.br/dila-cordelista-e-xilografo-patrimonio-vivo-de-pernambuco>. Acesso em: 22 nov. 2014.

WIKIPEDIA. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Dila>. Acesso em: 22 nov. 2014.

Poeta José Pacheco da Rocha – Síntese biográfica

José Pacheco da Rocha (1890 – 27/04/1954)

Além de poeta popular bastante fecundo, caracterizado pela jocosidade e variedade de temas de suas composições, dedicou-se a várias atividades paralelas: trabalhou em feiras, ora vendendo folhetos, ora comerciando gêneros alimentícios.

Segundo Átila de Almeida e José Alves Sobrinho, em seu Dicionário Biobibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada Volume 1 publicado em 1978 pela Editora Universitária de João Pessoa – Paraíba, “José Pacheco da Rocha nasceu em 1890, em Porto Calvo, Alagoas e faleceu no dia 27 de abril de 1954, acidentado”. Os autores não especificam as causas do acidente. As informações sobre a vida do grande poeta são escassas e cheias de controvérsia. Há quem afirme que ele era pernambucano de Correntes. Segundo José Costa Leite, que o conheceu pessoalmente no final da década de 40, na feira de Itabaiana, Paraíba, Pacheco era um camarada alegre, brincalhão e irreverente. Era acaboclado, de estatura mediana, e tinha um braço mais grosso que o outro. Gostava de trajar terno branco e promovia verdadeiros espetáculos recitando seus poemas nas feiras nordestinas.

Os grandes poetas do presente e os pesquisadores que realmente entendem de literatura de cordel consideram José Pacheco um dos grandes pilares da trindade máxima do cordel, ao lado de Leandro Gomes de Barros e José Camelo de Melo.

FONTES CONSULTADAS

CÂMARA Brasileira de Jovens Escritores. José Pacheco. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com /cordel24.htm>. Acesso em: 01 nov. 2014.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;.> Acesso em: 26 nov. 2014.

FILHO, Severino Alves de. Folkmarketing: uma estratégia comunicacional construtora de discurso. Disponível em: <http://www.eventos.uepg.br/ojs2_revistas/index.php?journal=folkcom&page=article&op=viewFile&path%5B%5D=641&path%5B%5D=468>. Acesso em: 29 set. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonarde Dantas de; HOLANDA, Virgínia Célia Cavalcante de. Geografia e literatura de cordel: trilhando práticas e possibilidades em sala de aula. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 9, n. 28, p. 134-145, dez. 2008.

MELO, Alex Canuto de Melo. Memórias candangas: representações de outras Brasílias na literatura de cordel. 2013. 53 f. Monografia (Graduação) –  Universidade de Brasília, Departamento de Teoria Literária, Brasília: [S.n], 2013.

RICARTE, Alyne B. F. Virino. O folheto na história e a história no folheto: práticas e discursos culturais do cordel de circunstância em Fortaleza (1987- 2007). 2009. 230 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Coordenação do Mestrado em História e Culturas, Fortaleza: [s.n], 2009.

SANTOS, Morgana Ribeiro dos. Perspectivas da literatura de cordel no ensino fundamental: poesia popular nordestina nos livros didáticos. In: CONGRESO INTERNACIONAL ASOCIACIÓN DE LINGÜÍSTICA Y FILOLOGÍA DE AMÉRICA LATINA, 22., 2014. Anais… João Pessoa: [s.n], 2014.

SILVA, Danilo de Abreu. Cordel: educomídia no discurso popular. [S.l.: s.n., 20?].  Disponível em: <http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/4/40/GT6_-_009.pdf>. Acesso em:  29 set. 2014.

SILVA, Fabio Luiz Carneiro Mourilhe. A estética da literatura de cordel nos quadrinhos de Jô Oliveira. Intercom. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 31., 2008, Natal. Anais… Natal: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2008.

Poeta José Medeiros de Lacerda – Síntese biográfica

José Medeiros de Lacerda

De um galego descendente de holandesa com português e uma bisneta de índia Panati nasceu José Medeiros de Lacerda, mais um descendente das sete irmãs da Cacimba da Velha.

Aos 8 anos, já escrevia estórias do seu imaginário como O Aventureiro, descrevendo a saga de um garoto criado entre as matas da Várzea Comprida na Fazenda Passagem do Meio, de seus avós maternos.

Com 12 anos, extremamente amante dos estudos, viu seu sonho desmoronar-se. Só homem já feito conseguiu voltar às salas de aula, de onde nunca mais saiu. Primeiro como aluno, depois professor. O sangue de Tropeiro da Borborema, herdado do pai, o fez percorrer o Brasil, de Roraima ao Paraná, carregando seus sonhos, compondo seus poemas, idealizando seus cordéis. No teatro, ele foi ator, dançarino, coreógrafo e autor; na poesia, um aprendiz, do cordel é professor. Em Santa Luzia, constituiu família, e em Patos concluiu seu curso de Letras na atual Faculdade Integrada de Patos na Paraíba.

Hoje se realiza vendo seus cordéis lidos em todos os estados do Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste brasileiros, fonte que lhe serve de inspiração como revelado nos versos do A filha do Coronel e o ferreiro apaixonado.

Sou viajante e poeta

Levo a vida a viajar

Colhendo aqui e ali

Estórias para versejar

E o tema deste poema

Consegui em Capanema

No Estado do Pará

Sua felicidade aumenta ao testemunhar o uso de sua literatura em várias escolas pelo Brasil afora, vivenciando sua poesia em sala de aula. Seus cordéis têm cunho educativo, informativo e histórico, sem nunca serem usados como desabafos íntimos, válvulas de escape diante das pressões existenciais.

FONTE CONSULTADA

JOSÉ Medeiros de Lacerda. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cordelnarua.recantodasletras.com.br/perfil.php>. Acesso em: 20 nov. 2014.

 

Poeta José Maria Gonzaga Vieira – Síntese biográfica

José Maria Gonzaga Vieira (20/09/1946)

Nasceu em Canindé no dia 20 de setembro de 1946. Autodidata, milita na imprensa escrita e falada. Pertence à Associação de Arte e Cultura de Canindé. É correspondente de vários grêmios culturais de Fortaleza, Natal, Campina Grande e Brasília. É autor de quase duas dezenas de folhetos rimados, com destaque para A história de Aparecida e A menina perdida nas matas do Amazonas. Participa do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, criado pelo poeta Arievaldo Viana e implantado em Canindé, em parceria com a Secretaria de Educação do Município.

Começou escrevendo folhetos de oito páginas, principalmente no gênero ABC, tendo publicado O ABC do MOBRAL, dos Tubarões, do Consumidor e outros de cunho político e social. No gênero romance, seu melhor trabalho é A lida de Conrado e a honradez sertaneja, que foi ampliado de 16 para 32 páginas pelo poeta Arievaldo Viana.

Habitante de um dos maiores centros religiosos do Nordeste, já escreveu diversos folhetos tendo São Francisco das Chagas de Canindé como tema principal. É citado em artigo da escritora francesa Sylvie Deb’s, publicado na revista Latitude, da Universidade de Sorbonne. Também já teve a sua obra pesquisada por outra francesa, Martine Kunz, que reside atualmente em Fortaleza. É também conhecido como Gonzaga Vieira ou Gonzaga de Canindé.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

CORDELIZANDO na net. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/grandes-autores.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

GONZAGA Vieira (Gonzaga de Canindé). [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel 26.htm>. Acesso em: 22 out. 2014.