Poeta Manoel Camilo dos Santos – Síntese biográfica

Manoel Camilo dos Santos (09/06/1905)

Manoel Camilo dos Santos, filho de Antônio Camilo Pereira e Maria Tomaz Ferreira dos Santos nasceu no dia 9 de junho de 1905 na cidade de Guarabira, no brejo paraibano. Faleceu em Campina Grande, onde viveu boa parte de sua vida (SANTOS, 1995).

Criado na agricultura, aos completar 18 anos passou a se dedicar ao comércio ambulante. Na década de 30, foi morar na capital paraibana, João Pessoa, onde trabalhou como marceneiro, sendo também cantador. Mas, na década de 40 abandona a cantoria, passando a dedicar-se a escrever e editar folhetos, iniciando a sua vida de poeta nesse período retornando à sua cidade natal. Na década de 50, dando continuidade a essa feita mudou-se para a cidade de Campina Grande, Paraíba, onde passou a morar.

Manoel Camilo fundou a Tipografia e Folhateria Santos, em Guarabira, e com sua mudança para Campina Grande, a mesma também foi transferida para essa cidade. Após uma reformulação da tipografia, a mesma passou a chamar-se Estrela da Poesia, em detrimento do seu pseudônimo: Estrella da poesia. O poeta, que se estabeleceu na cidade de Campina Grande, nesse período, passou a constituir-se em um dos mais promissores tipógrafos de cordel da região (CIPRIANO, 2013).

Também foi membro fundador da Academia Brasileira de Cordel, ocupando a cadeira de nº 25, que tem como patrono Inácio Catingueira. Suas habilidades se remontam para além da escrita, e este poeta revestido de arte foi também repentista e violeiro, poeta popular, tipógrafo, xilógrafo, datilógrafo, horoscopista, escritor e editor (ALMEIDA; ALVES SOMBRINHO, 1990).

Ao longo de sua jornada, recebeu algumas condecorações em reconhecimento de sua contribuição à cultura brasileira, em especial à poesia. Nesse sentido, em 1955, foi diplomado em Salvador no Congresso de Poetas e Repentistas do Brasil. Em 1960, este reconhecimento se replica, e o poeta Manoel Camilo dos Santos é novamente diplomado, desta vez no segundo Congresso de Poetas e Violeiros, que ocorreu na cidade de São Paulo. Em 1975, o artista paraibano recebeu o prêmio de melhor poeta popular do Brasil, prêmio este concedido pela Universidade Regional do Nordeste, na cidade de Campina Grande, Paraíba. E, em 1978, no Rio de Janeiro, torna-se patrono da Casa da Cultura São Saruê, cujo nome homenageia o poeta pelo seu poema, intitulado: Viagem a São Saruê.

Como viveu grande parte de sua história na cidade de Campina Grande-PARAÍBA, onde ocorrem entre os meses de junho e julho os festejos juninos, denominados O maior São João do mundo, o poeta não poderia deixar de ser homenageado. Nesse sentido, no Arraial Sítio São João, em Campina Grande, todos os anos, instala-se uma casa-folhetaria na qual ficam abertos para visitação pública, peças e maquinários da Estrella da Poesia.

Nessa longa jornada, produtiva e criativa, Manoel Camilo dos Santos teve como seus primeiros folhetos publicados O Romance de Abel com Margarida e a Peleja com Pedro Simão.

Em 1955, publicou outro folheto intitulado: O Sabido sem Estudo; em 1956, publicou a Viagem a São Saruê, por ventura seu folheto mais famoso, que foi inclusive traduzido para o francês, em 1979, pela professora Idelete Muzart F. Dos Santos, compondo o livroLes Imaginaires (ALMEIDA; ALVES SOMBRINHO, 1990). No folheto que contém dez páginas, com xilogravuras na capa e em algumas páginas, o poeta utilizou trinta e uma estrofes em sextilhas, com versos em redondilha maior e duas estrofes em décimas, com versos decassílabos, que descrevem uma viagem a um lugar onde há vida em abundância, fartura na comida, felicidade, não existem problemas e nem preocupação com trabalho e dinheiro, todos vivem bem e felizes (SANTOS, 1995).

 

Viagem a São Saruê

Doutor mestre pensamento

me disse um dia: -Você

Camilo vá visitar

o país São Saruê

pois é o lugar melhor

que neste mundo se vê.

Eu que desde pequenino

sempre ouvia falar

nesse tal São Saruê

destinei-me a viajar

com ordem do pensamento

fui conhecer o lugar.

 

Iniciei a viagem

as quatro da madrugada

tomei o carro da brisa

passei pela alvorada

junto do quebrar da barra

eu vi a aurora abismada.

 

Pela aragem matutina

eu avistei bem defronte

a irmã da linda aurora

que se banhava na fonte

já o sol vinha espargindo

no além do horizonte.

Surgiu o dia risonho

na primavera imponente,

as horas passavam lentas

o espaço encandescente

transformava a brisa mansa

em um mormaço dolente.

(p. 1)

[…]

Este folheto traz nuances de um imaginário, remontando a uma terra que esbanja fartura, lugar impossível de existir, exalando paralelamente uma utopia, que se entrelaça em seus escritos.

Manoel Camilo conviveu com intelectuais, tais como: Ariano Suassuna, João Silveira, Orígenes Lessa, Sebastião José do Nascimento, entre outros. Dialogando também com intelectuais da literatura cordelista, entre os quais destacamos Manoel Caetano e Zé Nogueira. Nesse sentido, Gomes e Bezerra (2014) relatam que esses diálogos, associados às leituras de vida do próprio escritor, possibilitaram a organização de seu espaço literário. O referido poeta discutiu em suas obras determinados temas com raízes nordestinas, entre eles: o cangaço, a seca, o matuto, a fome, etc. Ele conferiu a seus cordéis, temáticas próprias da região Nordeste, percebendo-se que em centenas deles, essas temáticas se destacam (GOMES; BEZERRA, 2014).

Com relação às temáticas por ele exploradas em sua produção, destacamos dois cordéis romances, entre eles: A Bela Sertaneja e Amantes Encarcerados; histórias do cangaço, como o Terror do Banditismo e Monstros da Paraíba; aventuras, como As aventuras de Pedro Quengo; pelejas, como A primeira peleja de Manoel Camilo dos Santos como Romano Elias; religiosidade como Nascimento vida e morte de Jesus; entre outros cordéis (GOMES; BEZERRA, 2014).

FONTES CONSULTADAS

ALMEIDA, Átila; ALVES SOBRINHO, José.  Dicionário bio-bibliográfico  de  poetas populares. 2. ed. João Pessoa: UFPB, 1990.

CIPRIANO, Maria do Socorro. Tipografia de cordel na Paraíba: entre o comércio e a poesia. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 17., Natal.  Anais… Natal: [s.n.], 2013.

GOMES, Germana Guimarães; BEZERRA, Aluska Karla Alves. O DISCURSO regionalista nordestino nos cordéis de Manoel Camilo dos Santos. Disponível em: <http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/textos/ST%2018%20-%20Germana%20Guimar%C3%A3es%20Gomes% 20e%20Aluska%20Karla%20Alves%20Bezerra%20TC.PDF>. Acesso em: 02 out. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Manuel Camilo dos Santos. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Manuel_Camilo_dos_Santos#Liga.C3.A7.C3.B5es_externas>. Acesso em: 16 nov. 2014.

OLIMPIO Oliveira Solicita Criação do Museu do Cordel. In: SISTEMA Nordeste de Notícia: on line. Disponível em: <http://www.snn.com.br/noticia/52316/14/olimpio-oliveira-solicita-criacao-do-museu-do-cordel.html>. Acesso em: 28 nov. 2014.

MANOEL Camilo dos Santos. In: Cordel, autores e obra.  Disponível em: <http://cordel1002.blogspot.com.br/2013/ 11/manoel-camilo-dos-santos.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

SANTOS, Neide Medeiros. Viagem a São Saruê: uma viagem utópica. Itinerários, Araraquara, n. 8, p. 123-128, 1995.

SOUSA, Maurilio Antonio Dias de. Biografia de Manoel Camilo dos Santos. In: FUNDAÇÃO CASA RUI BARBOSA. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ManuelCamilo/manuelCamilo_biografia.html. Acesso em: 13 nov. 2014.

 

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