Arquivo da tag: Síntese Biográfica

Poeta Edivaldo de Lima – Síntese biográfica

Edivaldo de Lima

Edivaldo de Lima, pernambucano, filho de Goiana, além de escritor, revela-se também como educador. Fez o curso de licenciatura em História, na Faculdade de Formação de Professor de Goiana (FFPG), onde escreveu o seu primeiro poema no ventre de sua vida acadêmica.

Após produzi-lo, escreveu seu poema no IV Concurso Literário ocorrido na sua cidade natal. Neste evento, Edivaldo de Lima foi premiado na segunda colocação. Este prêmio foi o ponto de partida para estimular a sua veia poética, sendo, a partir daí, o início da produção de diversos poemas.

Seu contato com o universo dos cordéis se deu no ano de 2007 a partir do encontro com o cordelista Davi Teixeira, com quem teve os seus primeiros passos para escrever cordéis, transformando o seu primeiro poema em cordel (PEREIRA, 2012).

Edivaldo de Lima publica em seus cordéis temas variados, abordando desde romances, histórias cômicas, além do universo didático e o viés memorialístico com pilares de homenagens, como é o caso do Cordel intitulado “Zé do Carmo – Artesão dos Anjos“, publicado em 2014, em homenagem ao ceramista brasileiro, Zé do Carmo.

O viés didático de seus folhetos merece destaque, tendo em vista que estes assumem um caráter educacional vinculado à arte do cordel, com a arte de educar. Nesse contexto, destacamos alguns cordéis de sua produção, entre eles: A ponte caiu e a água faltou, A criança no trânsito, Aborto Não: Diga Sim à Vida. Vejamos, a seguir, alguns versos desta obra:

Aborto Não: Diga Sim à Vida

Veja esta pergunta,

Eu quero lhe fazer.

Como você se sente

Tendo que interromper

A vida de seu filho

Ao menos deixe-o nascer.

 

 A você  vou pedir.

Boa dedicação sim

Reaja mesmo assim.

Todos devem dizer não.

Ou isto nunca tem fim.

 

Juramento de Médico,

Pra  toda vida salvar.

Umas não tem jeito,

Teremos que lamentar.

Mas tem outras indefesas,

Mesmo assim querem matar. (p.01)

[…]

O poeta também é xilogravurista e arte-educador, ministrando palestras e oficinas nas escolas (PEREIRA, 2012).

FONTES CONSULTADAS

PEREIRA, A. A. Edivaldo de Lima: cordelista e poeta goianense. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www. blogdoandersonpereira.com/search/?q=edivaldo+lima>. Acesso em: 14 ago. 2014.

CODERLIMA. Edivaldo de Lima:  poeta cordelista. [Goiana, PE: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://edivaldodelimacordel.blogspot.com.br/valdo>. Acesso em: 14 ago. 2014.

GOIANA Tv. A. Ceramista Zé do Carmo é homenageado neste dia 7 de setembro em Goiana-PE. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.goianatv.com/2014/09/ceramista-ze-do-carmo-e-homenageado.html>. Acesso em: 14 ago. 2014.

Poeta Delarme Monteiro da Silva – Síntese biográfica

Delarme Monteiro da Silva (17/04/1918 – )

Delarme Monteiro da Silva nasceu na capital pernambucana, em 17 de abril de 1918.  Em 1938, no seio de sua juventude aos 20 anos de vida, Delarme, publicou o seu primeiro romance em verso, A feiticeira do Bosque. O mesmo foi impresso na tipografia de João Martins de Athayde, representando o início de uma parceria traçada entre Delarme e Athayde que, a partir de então, passa a trabalhar como aprendiz de tipógrafo, editando paralelamente os seus trabalhos, assinados e revendidos por ele mesmo em formato de folhetos.

Nascido e vivido no ventre da cidade de Recife, o poeta fez de lá também a sua morada final, falecendo no ano de 1994.

Sua trajetória literária é marcada por uma vasta produção, reconhecida por sua qualidade, destacando-se pelos temas de mistério e encantamento, presentes em vários de seus folhetos.

Keller (2013) destaca o potencial jornalístico que pode ser agregado ao cordel e, nesse sentido, ela esclarece trazendo como exemplo o cordel de autoria de Delarme, intitulado: A lamentável morte de Getúlio Vargas, feito pelo poeta, imediatamente, após escutar a notícia do suicídio do ex-presidente, veiculada pelo rádio na manhã de 24 de agosto de 1954. Ao saber da notícia, o poeta registrou o acontecimento tomado por uma intensa comoção. Esse cordel obteve grande repercussão; segundo a autora, o sucesso foi tão grande que ele vendeu milhares de exemplares em apenas dois dias.

Cabral (2011) afirma que Delarme Monteiro da Silva, atordoado com a notícia, tratou logo de versejar sobre o acontecido, reproduzindo os passos que teriam levado ao término da vida de Getúlio Vargas. Neste, o poeta chama atenção do leitor ao se dirigir a Getúlio como o “defensor do povo”, trazendo à tona uma representação social em torno de sua pessoa (CABRAL, 2000, p. 12).

Em suas entrelinhas, Delarme compara Getúlio com um “lapidador” de diamantes, que buscou modificar o seu país, lapidando-o de tal forma que o renovou, transformando-o em um novo país. Esta afirmativa pode ser observada em um dos trechos de seu cordel:

A lamentável morte de Getúlio Vargas

[…]

Mas ainda existe um homem

Que confiança nos traz,

Seu governo é relembrado

Pelas obras colossais

Homem de virtudes largas

Seu nome é Getúlio Vargas

Que não promete mais faz.

Getúlio foi o governo

Que brilhou nosso país,

Foi como lapidador

De diamantes, rubis,

Burilou deu nome e fama

Tirando o Brasil da lama,

Cortando o mal pela raiz. (p.2)

 

 No corpo de suas produções, destacam-se também: O Enjeitado de OrionO Mistério dos Três AnéisO Sino da Torre NegraO Morcego HumanoA Fada e o Guerreiro, refletindo os traços de mistérios e encantamentos explorados pelo autor.

Haurélio (2011) relata que Delarme era muito conceituado entre os poetas do Nordeste, destacando suas habilidades culturais e suas inspirações. Revelando-o como um dos poucos autores de cordel que merecem ser reconhecidos como gênio, compondo obras vibrantes que descrevem detalhadamente o contexto em que se passa, remontando inclusive aos aspectos psicológicos de seus personagens. Tavares (2014, p. 156) reconhece-o como um poeta de grande inspiração e bom humor.

Diante do reconhecimento de sua obra, ressalta-se afirmação da professora da ECA- USP e do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC/SP e coordenadora do Núcleo de Poéticas da Oralidade, PUC/SP, Jerusa Pires Ferreira, que relata: “Delarme Monteiro da Silva é um dos melhores poetas da nossa literatura de folhetos” (FERREIRA, 2000, p. 6).

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, G. G. Getúlio Vargas e as representações nos corpus de folhetos de 1945 a 1954. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA: ANPUH, 26., 2011, São Paulo.  Anais …. São Paulo: [s.n.], 2011.

DELARME Monteiro da Silva. Grandes Autores da Literatura de Cordel. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 24 ago. 2014.

FERREIRA, J. P. O judeu errante. A materialidade da lenda. Revista Olhar, ano 2 , n. 3, jun. 2000.

HAURÉLIO, M. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/ 06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014.

KELLER,  M.  Literatura de cordel: a memória do sertão em folhetos. Memórias do subsolo. [S.l.: s.n, 20?].  Disponível em: <http://lounge.obviousmag.org/memorias_do_subsolo/2013/01/literatura-de-cordel-a-memoria-do-sertao-em-folhetos-de-papel.html>. Acesso em: 03 out. 2014.

PERFIS Biográficos. [S.l.]: Fundação Casa Rui Barbosa, [20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html&gt>.  Acesso em: 23 out. 2014.

TAVARES, B.. Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil. São Paulo: Editora 34, 2014.

 

 

Poetisa Nezite Alencar – Síntese biográfica

Nezite Alencar

Nezite Alencar nasceu na microrregião da Chapada do Araripe, precisamente no sítio Olho D’água dos Guálteres, distrito de Quixariú, vinculado ao município Campos Sales – CE, cidade que guarda o túmulo de uma famosa Alencar, a heroína republicana Bárbara Pereira de Alencar, revolucionária da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador, mãe do político Tristão Gonçalves e avó do escritor José de Alencar.

A cordelista que ocupa a cadeira 21 da Academia dos Cordelistas do Crato (2006) é graduada em História pela Universidade Regional do Cariri (URCA), especialista em História do Brasil, conhecimentos que fundamentaram seus trabalhos, que compõem a coleção Cordel da Paulus: Canudos, o movimento e o massacre em cordel, Tiradentes e a Inconfidência Mineira e Afro-Brasil em cordel.

Autora do paradidático Cordel das Festas e Danças Populares (PAULUS, 2011), proporciona uma viagem cultural por meio de danças e ritmos que animam as festas populares brasileiras, como o carnaval, o carimbó, a capoeira, o samba e a ciranda, apresentando as contribuições africanas, indígenas e europeias na formação da identidade nacional.

Foi seu infantojuvenil, Juanito e o monstro marinho, que no ano anterior foi selecionado para o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel (2010), do Ministério da Cultura (MEC). Esta mesma obra compôs a Cesta Básica de Cultura e Conhecimento, lançada na Feira do Livro de Brasília.

O Projeto Cordel Engajado do Coletivo Camaradas contemplou o cordel Quem são esses camaradas? de Nezite; o referido projeto foi apoiado pelo  Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel (2010), produzindo 21 mil cordéis para serem distribuídos em estabelecimentos de ensino e ONGs.

Quem são esses camaradas,
Da cultura defensores?
São estudantes, artistas,
Brincantes e professores,
São poetas cordelistas
E também pesquisadores.
Querem saber os senhores
Que faz o grupo, afinal?
Arte, estética, educação
E produção cultural;
A teoria marxista
É seu referencial.
No cenário nacional
É conhecido também,
Faz Política com P grande,
Coisa que ao povo convém,
Faz inclusão social
Sem discriminar ninguém.

 Tanto sucesso desta poetisa cordelista deve-se à sua precoce dedicação à poesia, pois ainda adolescente publicou seu primeiro livro, Em Forma de Coração (1987). Outra obra da autora é a Flor do Mato (poesia) em 2006.

FONTES CONSULTADAS

ALENCAR, Nezite. Quem são esses camaradas? In: CORDEL engajado: coletivo camaradas. Disponível em: <http://cordelengajado.blogspot.com.br/search/label/Quem%20s%C3%A3o%20esses%20Camaradas%3F%20%20Nezite%20Alencar>. Acesso em: 17 nov. 2014.

NEZITE Alencar. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. Grandes autores: dicionário básico de autores de cordel. In: CORDELIZANDO na net: o seu cordel virtual. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/ grandes-autores.html&gt>.  Acesso em: 17 nov. 2014.

PINHEIRO, Elmano. Cariri presente na cesta básica de cultura e conhecimento. In: Chapada do Araripe. 13 out. 2010. Disponível em: <http://www.crato.org/chapadadoararipe/ ?p=29454>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Natanael de Lima – Síntese biográfica

Natanael de Lima (11/01/1922)

Natanael de Lima nasceu aos 11 de janeiro de 1922, na então vila de Fagundes, no Planalto da Borborema na Serra do Bodopitá, atualmente cidade da região metropolitana de Campina Grande, Paraíba.

Este paraibano, de família pobre, começou a vida como um agricultor enfrentando a dura lida no cultivo da terra. Não teve acesso ao ensino formal e ainda jovem, aos 18 anos (1940), cantava emboladas, mas em 1942 comprou uma viola, influenciado pelo repentista Manoel Fabrício da Silva (Asa Branca), com quem formou dupla e ficaram conhecidos.

Aos 24 anos (1946), publicou seu primeiro livro, O Brasil em decadência, posteriormenteZuzu e Carmelita, Josino e Nestorina, João sem Direção, Genival e Belinha e muitos outros. Em seus cordéis, ele usava o acróstico NDELIMA.

Foi premiado em primeiro lugar cantando no programa Onde está o poeta, de Almirante (1950), na cidade do Rio de Janeiro, onde ganhou um prêmio, desafiando seis poetas cantadores na sala de espetáculo João Caetano.

Ao retornar à Paraíba, passou a trabalhar como carpinteiro, na construção civil, deixando de lado a poesia.

O falecido Natanael de Lima é citado no cordel de Marco Haurélio e João Gomes de Sá, intitulado O cordel: sua história, seus valores:

[…]
Citemos Antônio Eugênio,
Por dever e por estima,
O grande Apolônio Alves
E Natanael de Lima,
Que ao lado dos outros mestres
Estão no andar de cima.
[…].

Lançou folhetos pela Editora Luzeiro: O escravo fiel, O romance de João sem Direção, O ferreiro das três idades, deste últimos citamos uma estrofe.

Este é um drama lendário
Que baixou em minha mente
Não é história de amor
O caso é bem diferente
É a vida de um ferreiro
Que viveu antigamente.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco; SÁ, João Gomes de. O cordel: sua história, seus valores. In: ROUXINOL do Rinaré.

NATANAEL de Lima. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL Atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. Grandes autores da Literatura de Cordel. In: RECANTO das letras. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. In: PARAÍBA Criativa. Disponível em: <http://www.paraibacriativa.com.br/11019/natanael-de-lima-2.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Manoel Moreira Júnior – Síntese biográfica

Manoel Moreira Júnior (23/07/1961)

O poeta e músico cearense, Manoel Moreira Júnior, cujo sobrenome artístico – Moreira Acopiara, indica sua naturalidade, Acopiara, Ceará, desde 2005 ocupa a cadeira de número quatro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).

Escritor profícuo, vivendo de sua obra e apaixonado por poesia popular, segundo Bezerra (2014) “hesita em assumir o título de cordelista. […] vê nas métricas do cordel uma limitação à escrita criativa”, por trabalhar com palavras, prefere emoldurar esta matéria-prima nos mais diversos estilos, porém não há como não vincularmos a ele a denominação, pois já publicou mais de cem cordéis, dentre eles Cordel em arte e versos (DUNA DUETO, 2008), que narra um pouco da história do cordel no Brasil, explica as linguagens do cordel e da xilogravura através de versos, apresentando a produção desse gênero literário, livro que em 2008 “foi um dos escolhidos pelo MEC para nutrir bibliotecas” (MINDRISZ, 2008), selecionado entre mais de dois mil inscritos no Programa Nacional Biblioteca da Escola, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), incluído no gênero literário de cultura popular. Outros quatro livros do autor foram eleitos para compor o acervo do mesmo programa, outros três pela Secretaria de Educação de São Paulo, para a rede municipal de ensino da cidade e quatro títulos pela Secretaria de Educação da sua cidade natal.

O poeta e declamador que viveu no interior do Ceará, no Sítio Cantinho, até os 20 anos, vindo a radicar-se em Diadema, São Paulo, tem sido convidado para proferir palestras, ministrar oficinas e workshops sobre literatura de cordel, xilogravura e repente, em diversas regiões do Brasil.

A mãe, que era professora, não só alfabetizou Moreira, como desenvolveu o hábito de leitura do menino, apresentou-o a grandes autores, como Graciliano Ramos, Machado de Assis, Patativa do Assaré, entre outros. Dos livros aos cordéis, Moreira recebeu boas influências literárias.

Em parceria com cantadores sertanejos, como as duplas – Mococa e Paraíso (Fortuna Musical Edições – 2013), e Teodoro e Sampaio, Caju (in memoriam) e Castanha e pelo ator Jackson Antunes, suas músicas têm sido gravadas.

 FONTES CONSULTADAS

ACOPIARA, Moreira de. Do Diário do Grande ABC. 2010. In: MOREIRA Acopiara. Disponível em: <http://moreira acopiara.wordpress.com/&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

BEZERRA, Leonardo. Os voos poéticos de Moreira de Acopiara. jan. 2014. In: DIÁRIO do Nordeste. Disponível em: <http://www.lindomarrodrigues.com/2014/01/os-voos-poeticos-de-moreira-de-acopiara.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

MINDRISZ, Liora. Escritor de Diadema será lido por alunos de todo o País. 2008. In: ABCD Maior. Disponível em: <http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=9636&gt;>. Acesso em: 17 nov. 2014.

MOREIRA DE ACOPIARA. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL Atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Minelvino Francisco Silva – Síntese biográfica

Minelvino Francisco Silva (29/11/1926 – 29/11/1998)

Trovador, xilógrafo, fotógrafo e tipógrafo, Minelvino Francisco Silva, nasceu na fazenda Olhos D’água de Belém, localizada no povoado de Palmeiral, em Mundo Novo, Bahia, no dia 29 de novembro de 1926. Criado na cidade do ouro, Jacobina, Bahia, veio a ser garimpeiro. Posteriormente, mudou-se para Itabuna, Bahia (1948), como afirma em sua autobiografia:

“Chegando em Itabuna
Corajoso e muito afoito
Com cento e vinte mil réis
Que só dava pra o biscoito
Isto em 11 de Dezembro
Do ano de 48 (1948)”.

(SILVA, 1987, p. 9, citado por RODRIGUES, 2010, p.1)

 

Minelvino faleceu aos 72 anos (1998), no dia do seu aniversário, em Itabuna, Bahia, cidade em que se radicou e procurou homenagear os trovadores apresentando projeto à Câmara de Vereadores, dando a denominação de Rua dos Trovadores a uma de suas vias públicas; plano aprovado em 1956, pelo prefeito Francisco Ferreira da Silva, passou à antiga Avenida Itajuípe para denominação proposta. Rodrigues (2010) ainda pormenoriza que a “nomeação da rua se deu por conta das reuniões que aconteciam na residência do poeta popular com demais artistas: trovadores, violeiros e repentistas.” Pelo reconhecimento e direitos dos poetas populares, Minelvino também lutou para que os trovadores tivessem direito à aposentadoria.

Produtor profícuo de cordéis, escreveu aproximadamente 500 folhetos, vários deles lançados pela Editora Luzeiro.

Pinto (2014) afirma que o primeiro contato de Minelvino com a literatura de cordel foi com o clássico Pavão misterioso, vindo a versar sua primeira sextilha aos 22 anos, por ocasião do I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros (1955), dedicada a João Martins de Ataíde. Mas sua primeira publicação ocorreu 6 anos antes, em 1949, quando publicou  A enchente de Miguel Calmon e o desastre do trem de Água Baixa, editado pelo amigo, cordelista e editor de folhetos populares, Rodolfo Coelho Cavalcante.

Ganhador do concurso de Literatura de Cordel, promovido pelo Núcleo de Pesquisa e Cultura da Literatura de Cordel (1980) como parte das comemorações do centenário de João Martins de Ataíde, com o folheto Vida, profissão e morte, de João Martins de Ataíde.

FONTES CONSULTADAS

MINELVINO Francisco Silva. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL atemporal.  Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;>. Acesso em: 16 nov. 2014.

______. In: O NORDESTE: enciclopédia Nordeste. Disponível em: <enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Minelvino+ Francisco+Silva<r=m&id_perso=1252>. Acesso em: 16 nov. 2014.

PINTO, Maria Rosário. Minelvino Francisco Silva. In: FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Disponível em: <MinelvinoFrancisco/minelvinoFrancisco_biografia.html>. Acesso em: 16 nov. 2014.

RODRIGUES, Robson. Minelvino Francisco Silva: o olhar de um trovador sobre uma emergente região. In: SEMINÁRIO CULTURA E POLÍTICA NA PRIMEIRA REPÚBLICA: CAMPANHA CIVILISTA NA BAHIA, 2010. Ilhéus. Anais… Ilhéus: UESC, 2010.

SILVA, Minelvino Francisco. Os traços da minha vida . Itabuna, 1987.

Poeta Luzimar Medeiros Braga – Síntese biográfica

Medeiros Braga (20/04/1941)

Medeiros Braga, cujo nome civil é Luzimar Medeiros Braga, é economista de formação, e exerceu as funções de professor, jornalista e funcionário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nasceu no município de Nazarezinho, no semiárido paraibano, no dia 20 de abril de 1941. O filho de Francisco Assis Braga e Anatilde Mendes de Medeiros iniciou no ensino formal em Senador Pompeu, Ceará, de onde retornou ainda menino, ficando até a vida adulta em sua terra natal, mas sem afastar-se da leitura. Tinha suas demandas literárias atendidas pelos livros trazidos pela irmã Uilna, que estudava em Fortaleza, Ceará.

Medeiros Braga é um poeta memorialístico condoreiro visto que apresenta uma produção literária que biografa personalidades, como por exemplo: Santos Dumont, Paulo Freire, Chico Pereira, Margarida Maria Alves, Nelson Mandela, Chico Mendes, Karl Marx, Che Guevara, Rosa Luxemburgo, Anita Garibaldi, Zumbi dos Palmares, Arruda Câmara, Bertold Brecht, Ho Chi Minh, Castro Alves, Manoel Lisboa, Simón Bolivar, Ariano Suassuna, e outros; ou ressignifica fatos históricos, como A revolta do quebra-quilos em cordel, A revolução francesa, A transposição das águas do Rio São Francisco, Guerra de Canudos. Com vistas à educação e conscientização política do povo, acredita que a literatura popular pode ser um elemento de formação e transformação. Tomaz (2014) ressalva que os cordéis deste autor: “[…] são feitos para ensinar, para não deixar que fatos importantes da história sejam esquecidos […]”

Com temática diversificada, abarcando história, ecologia, geografia, filosofia, cangaço e a literatura clássica universal, em cordel, em 2013 passou a ser membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).

FONTES CONSULTADAS

MEDEIROS BRAGA. In: Editora Alfa Ômega. Disponível em: <http://site.alfaomega.com.br/autores/medeiros-braga&gt>. Acesso em: 16 nov. 2014.

TOMAZ, Severino. Conversando com o maior cordelista do Brasil – Medeiros Braga. 2014. In: ROTA 232. Disponível em: <http://www.rota232.com.br/conversando-com-o-maior-cordelista-do-brasil-medeiros-braga&gt>. Acesso em: 16 nov. 2014.

PARAIBANO de Nazarezinho assume Cadeira na ABLC. In: PORTAL paulista online. Disponível em: <http://portalpaulistaonline.blogspot.com.br/2013/04/paraibano-de-nazarezinho-assume-cadeira.html&gt>. Acesso em: 16 nov. 2014.

Poeta Maviael Melo – Síntese biográfica

Maviael Melo

O poeta, músico, compositor, cordelista, cantador e arte educador, Maviael Melo, nasceu em Iguaraci, Pernambuco, município do sertão do Pajeú pernambucano, mas curtiu Juazeiro, Bahia e Petrolina, Pernambuco, durante toda infância e adolescência, pois seus pais mudaram-se para Petrolina, onde residiram por longo tempo.

Os dons artísticos de Mavi (apelido) são hereditários, pois é filho do poeta e cantador de viola, Heleno Rodrigues (Itapetim, Pernambuco). Sua mãe, Dona Lourdinha, teve onze filhos, dos quais três são cantores e compositores: Maciel Melo, Marcone Melo e Maviael Melo.

Mavi lançou seu primeiro CD, Entre a Ponte dos Sonhos, em Petrolina, Pernambuco (abril de 2014). Esta produção fonográfica foi composta da seleção de trabalhos – causos, poesias e canções – com os quais ganhou alguns festivais nacionais, a exemplo da música Chegou a vez; convidado a participar do DVD Ética & Ecologia: desafios do século 21, do teólogo Leonardo Boff, lançado em 2008.

Aclamado poeta ambientalista e arte-educador, suas obras abordam temas sobre cuidados com a água, a terra, o planeta e o ser; enquanto pedagogo de formação, ministra oficinas de cordel mostrando a arte como ferramenta pedagógica.

O Cordel das Águas teve mais de cem mil cópias distribuídas nas escolas públicas dos estados da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Belém do Pará, por ocasião do Fórum Social Mundial (FSM), evento altermundialista (janeiro de 2009).

Residindo em Salvador, Bahia, já apresentou sua “musicalidade poética do homem cultural nordestino” (MELO, 2014) em diversas cidades brasileiras.

Seu poema Olhar pro Sertão

Deslumbrando ao Sertão mais uma vez
Fez-se em risco de raio no horizonte
Cor à margem, aos olhos de uma ponte
Do que falta fazer e o que se fez
Nessa lida do contar até três
Quem na frente desponta às vezes ganha
Mas quem fica pra trás nem sempre apanha
Nesse olhar pro sertão que abastece
Cada verso em poesia é feito prece
Com o tempo conversa e faz barganha
Vou olhando o sertão e novamente
Abasteço o galão dessa poesia
Brindo ao tempo que no contar do dia
Galopeia um compasso diferente
Quando a rima se mostra, o tom da mente
Encandeia uma fresta irradiando
Entre o pôr de um sol e a noite andando
Com a saudade na praça, à madrugada
Faz teu cheiro presente a coisa amada
Vai a cada distância aproximando
Pelo mundo de forma a questionar
De sentir o que vê em cada ser
Pela estrada o caminho a percorrer
É a busca de onde se quer chegar
Envolvendo: o sertão só quis cuidar
De quem cuida do sonho de um poeta
Acordando com a rima que completa
Traz nas cordas os versos violão
No dedilhar direito dessa mão
Que da minha é esquerda predileta

Quero ao lado do verso prosseguir
Quero o sonho contigo a noite inteira
Cada olhar, cada riso e brincadeira
Quero tudo em diários de sorrir
No sertão de um ser tão de porvir
Vislumbremos então cumplicidades
Quando eu fui carregado de saudades
Eu levei cada olhar do teu sorriso
No sertão outro verso sem aviso
Veio em rimas doutras felicidades.

FONTES CONSULTADAS

MELO, Maviael. Interperfis. Disponível em: <option=com_content&view=article&id=257&catid=48>. Acesso em: 16 nov. 2014.

______. Olhar pro sertão. In: MAVIAEL  Melo. Disponível em: <http://poetamavi.wix.com/maviael-melo#!olhar-pro-serto/c1ip4&gt;.  Acesso em: 16 nov. 2014.

______. Poesia. In: MAVIAEL  Melo. Disponível em: <food/c1jo3>. Acesso em: 16 nov. 2014.

PEIXINHO, Juliane . Com show, disco de Maviael Melo é lançado em Petrolina, PE. In: G1: Petrolina e região: TV Grande Rio. 6 abr. 2014. Disponível em: <http://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2014/04/com-show-disco-de-maviael-melo-e-lancado-em-petrolina-pe.html&gt;. Acesso em: 16 nov. 2014.

 

Poeta Mauro Machado – Síntese biográfica

Mauro Machado (21/12/1982)

O poeta e cordelista Mauro Machado, que é membro fundador da União dos Cordelistas de Pernambuco (Unicordel), nasceu em Brasília, Distrito Federal, no dia 21 de dezembro de 1982. Reside no Recife desde 1990 e herdou o gosto pelo(s) verso(s), do poeta popular paraibano, seu avô Mauro Ananias da Costa.

Autor de vários folhetos, dentre eles: A história junina de Quincas e seus dois amores ou O dia em que Recife juntou duas bandas de um coração (Recife: SEC, 2007).

“Oh, que os três santos juninos,
Me deixem aqui versar
Sobre um amor verdadeiro,
Que eu acabei de escutar,
Que veio do interior,
Mas, por ser grande o amor,
No Recife foi parar.
Quincas de Mané Zoião,
Um cabra-macho-da-peste,
Caboco trabalhador,
D’uma cidade do Agreste,
Homem de bom coração,
Que sempre fez oração,
Para nossa mãe celeste,
Tinha o coração partido,
Metade dele batia
Pela sua bela noiva,
Que uma santa parecia.
Rosinha era uma beleza,
Era um poço de pureza,
E de Quincas a alegria.
[…]”.

 

FONTES CONSULTADAS

MACHADO, Mauro. O Nordeste: enciclopédia Nordeste. Disponível em: <enciclopediaNordeste/index.php?titulo= Mauro+Machado<r=m&id_perso=1391>. Acesso em: 14 de nov. 2014.

______. A história junina de Quincas e seus dois amores ou O dia em que Recife juntou duas bandas de um coração. Recife: SEC, 2007. Disponível em: <bib=Cordel&PagFis=80412>. Acesso em: 14 de nov. 2014.

Poeta Mário Augusto de Araújo – Síntese biográfica

Mário Augusto de Araújo (05/08/1954)

O pintor letrista, artista plástico, artesão, xilógrafo e cordelista, Mário Augusto de Araújo, mais conhecido como Mário Pintor, filho de João Augusto de Araújo e Maria Augusta de Araújo, nasceu na terra dos caboclinhos, Goiana, Pernambuco, no dia 5 de agosto de 1954, na centenária Rua Fundo da Mala.

Sua primeira obra, pintada aos 13 anos (1967), retratou a Sagrada Família, e ainda compõe seu acervo pessoal. Mário principiou na vida profissional como pintor letrista, em seguida entrou para o universo das artes plásticas com a pintura a óleo.

Foi no ano de 1970 que Mário estudou cerâmica, tendo como mestre o patrimônio vivo de Pernambuco, o ceramista e pintor Zé do Carmo. Com uma produção ligada a elementos folclóricos e animais silvestres, suas peças recebem o acabamento manual do rosto. Além da pintura e da cerâmica, Mário também transita pela xilografia, pois ilustra sua produção cordelística, que foi iniciada aos 42 anos (1996).

Apesar da dificuldade de viver da arte em Goiana, Pernambuco, persiste na trilha.

Feito uma ave solitária no meio de tantas outras, Mário Pintor insiste no que quer e acredita. Assim prossegue produzindo sua arte.

FONTES CONSULTADAS

MÁRIO PINTOR. Pintando cordel. [Philippe Wollney, entrevistador].  In: MOVIMENTO silêncio interrompido & IAPÔI cibeclube. Abr. 2010.   Disponível em: <ttp://www.youtube.com/watch?v=tQ3Vushx5Vg>. Acesso em: 14 nov. 2014.

PINTANDO CORDEL. Mario Pintor, figura ícone da resistência artística em Goiana, para um pouco sua caminha para um breve conversa com o poeta Philippe Wollney.

VIEIRA, Ricardo Vieira. em breve o livro Goiana: fragmentos de sua história. In: FALA Goiana. Disponível em: <http://falagoiana.blogspot.com.br/2012/01/em-breve-o-livro-goiana-fagmentos-de.html&gt>. Acesso em: 14 nov. 2014.