Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta Andrelino da Silva – Síntese biográfica

Andrelino da Silva, mais conhecido como Lino Sapo, é filho de José Anderson da Silva e Damiana Lúcia da Silva. Nasceu em Riachuelo no estado do Rio Grande do Norte, no sexto dia do primeiro mês do ano de 1981. Casado com Larissa Melo, escreveu o primeiro cordel em 2008, produção intitulada Melhor um Roçado do que Casar com Mulher Feia (FORMULÁRIO, 2016).

O poeta aponta como fontes inspiradoras a vida ea sua região. Poeticamente, autobiografa-se em Lino por Lino: o poeta em poesia (SAPO, 2016).

Desculpe-me meu povo
esse jeito de eu falar
Sou matuto do sertão
Num sei me apronunciar
Perdoem a simplicidade
A vida de humildade
Que vou agora apresentar
 
Nasci na Cachoeira do Sapo
La nas brenhas do sertão
Num grupo abandonado
A qual tenho gratidão
Por abrigar minha família
Retirantes durante o dia
Em busca de teto e pão
 
Lá o meu primeiro lar
Após longa caminhada
Uma família formada
Nas ruínas da morada
Pai, mãe e minha irmã
Eu nasci quase manhã
Sob o canto da passarada
 
Era uma terrinha nova
Abraçando os retirantes
Que há tempo buscava
Um lar aconchegante
Essa sem porta e janela
Sem tranca nem tramela
Já nos servia bastante
[...]

FONTES CONSULTADAS

SILVA, Andrelino da. Formuláriorespondido online no blog Memórias daPoesia Popular em 20/06/2016. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br>.

SAPO, Lino. Cordel da felicidade. In: RECANTO das letras. [S.l. : s.n.], 28nov. 2013. Disponível em:<http://www.recantodasletras.com.br>. Acesso em: 15 maio2017.

Poetisa Ana Maria de Santana – Síntese biográfica

Cordelista de Alagoinhas (BA), Ana Maria de Santana nasceu na véspera do Natal, 24 de dezembro, do ano de 1924, na fazenda Ladeira (SANTANA, 1982). Foi professora primária municipal na cidade de Salvador, onde residia, no bairro Sete de Abril, na Rua Santo André, 247 (SANTANA, 1982).

Além do oficio de professora, a poeta encontrou nas letras seu oficio literário, como revela um de seus cordéis de 8 páginas, 32 estrofes, sextilhas de 7 sílabas, intitulado:

História de Lucas da Feira
 
Apreciem meus leitores
O que agora vou narrar
É sobre Lucas da Feira
De quem sempre ouvi falar
Nas ruas de Alagoinhas,
P'ra "seu qualquer" decorar.
 
O Lucas de quem lhes falo
É de "Saco de Limão"
Sítio em Feira de Santana
Princesa por tradição
Onde uma grande balança
Pesa gado, de porção.
 
Um amigo que eu tinha
Era um guarda tarimbado
Nascido em Santo Amaro
Capoeirista afamado
Estes folhetos antigos
Decorava, a seu agrado.
 
E eu, que desde criança
Sempre achei engraçado
Ia ouvindo e gravando
Sem nada ser consultado
E continuo escrevendo
Estou cumprindo o meu fado.
 
(SANTANA, 1982, p. 1)

FONTES CONSULTADAS

SANTANA, Ana Maria de. Visite a Bahia. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1981.

SANTANA, Ana Maria de. História de Lucas na feira. Salvador: [S.n.], 1982.

Poeta Amaral Américo de Araújo – Síntese biográfica

Poeta barrense, nascido na mesorregião do Sul Cearense (Barros) no vigésimo primeiro dia de novembro de 1972, Amaral Américo de Araújo escreveu seu primeiro cordel ainda jovem, aos 17 anos, intitulado Feira Filosófica (1989) (FORMULÁRIO, 2017).

Mestre Américo, como é mais conhecido, é filhode Severino Américo de Araújo e Joana da Graça Américo. O poeta afirma que suaverve poética foi inspirada por grandes artistas, como Federico Garcia Lorca,Gilberto Gil, Ivanildo Vila Nova, Jackson do Pandeiro, João Cabral de MeloNeto, Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré, como por familiares e toda a nossagente, do misticismo popular, como das “rezadeiras, lavadeiras, romeiros,cantadores de feira, livros de filosofia e programas de rádio” (FORMULÁRIO,2017).

FONTES CONSULTADAS

ARAÚJO, Amaral Américo de. Formulário respondido onlineno blog Memórias da Poesia Popular em 15/04/2017. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br>.

Poeta Alberto Lima – Síntese biográfica

Capricorniano nascido em 27 de dezembro de 1980, o atuante cordelista baiano Alberto Lima apresenta sua arte em transportes e praças públicas, em instituições de educação, além de participar de diversos eventos que fomentam a literatura de cordel e sua produção. Quer sejam em encontros, conferências, seminários, mostras ou oficinas realizadas em diversas regiões brasileiras, ele percorreu os estados de Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Bahia (Nordeste), Rio Grande Sul (Sul) e Minas Gerais e São Paulo (Sudoeste) compartilhando técnicas da arte popular da literatura de cordel (LIMA, 2010a; 2010b).

Prova viva de sua ativa atuação cultural são as suas participações nas bienais do livro baianas, precisamente nas 9ª, 10ª e 11ª Bienal do Livro da Bahia (2009, 2011 e 2013) ministrando exposição, apresentações e palestras sobre cordel (OS MELHORES …, 2013).

Durante a 11ª Bienal do Livro na Bahia, o Espaço do Cordel foi uma das maiores atrações.  Vinte e dois poetas compuseram a programação oficial de arte viva realizando performance na  Praça de Poesia e Cordel, cuja abertura do dia 22 de novembro foi de Alberto Lima, “bradando títulos, versos e soprando uma flauta transversal que deu um novo toque aos recitais e shows seguintes” (OS MELHORES …, 2013).

Nas apresentações ministradas em instituições de ensino superior, passou na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Universidade Católica do Salvador (UCSal), Universidade Salvador (UNIFACS), Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Faculdade Castro Alves, Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Fundação Pedro Calmon (LIMA, 2015).

Em 2009, ministrou oficina de produção literária na Biblioteca Central dos Barris (Salvador/BA), no projeto “Bibliotecas Abertas aos Domingos”. No ano seguinte, ministrou a mesma oficina na Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) na I Mostra Integrada de Saúde da Família e Vigilância à Saúde (LIMA, 2015).

Durante a VIII Conferência Estadual de Saúde da Bahia (2011), Alberto Lima apresentou o Cordel da Primavera da Saúde, produzido pelos militantes da #PrimaveradaSaúde, movimento de “luta por uma regulamentação da Emenda Constitucional 29 que efetivamente aumente o investimento do Estado Brasileiro no sistema público de saúde” (AS FLORES …, 2011).

Nos encontros de educação popular em saúde, o cordelista Alberto Lima promove cuidados e formas de levar informação por meio do cordel, assim também difunde a poesia popular (LIMA, 2014).

FONTES CONSULTADAS

LIMA, Alberto. A morte do jumento querido. [S.l.], [s.n.], 2010. Disponível em: <http://poetaalbertolima.blogspot.com>. Acesso em: 10 dez. 2015.

LIMA, Alberto.  ABC do ladrão/terrorista.[S.l.], [s.n.], 2010. Disponível em: <http://poetaalbertolima.blogspot.com>. Acessoem: 10 dez. 2015.

ASFLORES da Bahia se somam à #PrimaveradaSaúde. In: CONASEMS. [S.l. :s.n.], 15 set. 2011. Disponível em:<http://www.conasems.org.br/as-flores-da-bahia-se-somam-a-primaveradasaude>.Acesso em: 17 abr. 2017.

LIMA, Alberto. Agenda do poeta Alberto Lima. In: Poeta Alberto Lima: blogspot. [S.l. : s.n.], 5 dez. 2010. Disponível em:<http://poetaalbertolima.blogspot.com>. Acesso em: 14 abr.2017.

LIMA, Alberto. Blog do poeta. In: PoetaAlberto Lima. [S.l. : s.n.], 21 março 2015. Disponível em:<http://poetaalbertolima.blogspot.com>.Acesso em: 14 abr. 2017.

LIMA, Alberto. Cordéis do Poeta Alberto Lima e downloads. In: Poeta Alberto Lima: blogspot. [S.l. : s.n.], 15 nov. 2010.Disponível em:<http://poetaalbertolima.blogspot.com>. Acessoem: 14 abr. 2017.

LIMA, Alberto. Educação popular em saúde, emseu encontro internacional.. In: Poeta Alberto Lima: blogspot. [S.l. :s.n.], 31 jul. 2014. Disponível em:<http://poetaalbertolima.blogspot.com>. Acesso em: 17 abr. 2017.

OS MELHORES momentos da XI Bienal do Livro da Bahia 2013. In: Oficina de cordel. 25 nov. 2013. Disponível em:<http://oficinadecordel.blogspot.com.br>. Acessoem: 15 abr. 2017.

Poeta Adolfo Mariano de Jesus – Síntese biográfica

Filho dos mineiros Francisco Mariano de Jesus e Maria Antônia de Oliveira, Adolfo Mariano de Jesus também nasceu em solo mineiro na cidade de Patrocínio, no dia 20 de fevereiro de 1895 e teve quatro irmãos: Bernardino Mariano de Oliveira, Maria Delfina Guimarães, João Mariano de Oliveira e João Francisco Guimarães (ADOLFO …, 2003; O POETA …, 2009).

Em 1897, quando Adolfo tinha apenas dois anos de idade seus pais radicaram-se na terra das congadas, Catalão – GO, precisamente na fazenda do Pari, hoje pertencente à Goiandira e nesta cidade pode-se dizer que teve sua formação sociocultural. Homem múltiplo, Adolfo Mariano foi “administrador, ativista, conferencista, contista, cordelista, cronista, educador, ensaísta, escritor, fazendeiro, ficcionista, intelectual, literato, memorialista, orador, pensador, pesquisador, poeta e produtor cultural.” (ADOLFO …, 2003; O POETA …, 2009).

Viveu na fazenda Chapéu, também em Goiandira, casado com Tereza Francisca de Rezende e teve onze filhos: Jesus, Maria, Tércio, Gerson, Laerte, Lecita, Terezinha, Divino, Linea Mariano de Rezende, Jair e Dileno. Faleceu aos 86 anos de idade, no dia 10 de janeiro de 1982, na cidade de Goiânia, em consequência de uma pneumonia (O POETA …, 2009).

Mário Ribeiro Martins biografou Adolfo Mariano de Jesus no Dicionário Biobibliográfico de Goiás (1999), além de focalizá-lo em outras produções Estudos Literários de Autores Goianos e Escritores de Goiás (ADOLFO …, 2003).

No site Usina das Letras ainda encontramos a informação de que Adolfo Mariano de Jesus foi membro da União Brasileira de Escritores de Goiás, da Associação Brasileira de Cordelistas, além de estar presente na Estante do Escritor Goiano, do Serviço Social do Comércio (Sesc), e autor de múltiplos textos de estudos folclóricos (ADOLFO …, 2003).

Passou a publicar aos 30 anos, em 1925, no jornal Novo Horizonte de Catalão, porém começou a escrever seus versos cedo, após uma instrução rudimentar que recebeu por um curto período de 11 meses, do mestre João Barbosa de Melo, quando ainda morava na fazenda dos pais. Ainda jovem também aprendeu a tocar viola e sanfona (O POETA …, 2009).

Moreira (2012) conta que ofolclorista paulista José A. Teixeira estudou o folclore goiano, em 1938, vindoa publicar o livro Folclore Goiano(1940), com segunda edição após 18 anos, precisamente em 1958, ambas pela Cia.Editora Nacional. Eis o que nos falou Teixeira (1938) apud Moreira (2012):

Este homem sertanejo, cuja fama, apesar da sua modéstia, corria sertão afora; durante sua vida escreveu versos sonoros para a memória popular, dentre estes sobressaem os referentes à coluna Prestes e à revolução de 1930; sua moda fornece dados históricos e reacionais da população sertaneja, ante estes dois acontecimentos; além deste particular enfoque, sua poesia registrou, também, os velhos processos políticos e eleitorais da época ena região onde morava, quando imperavam a fraude e a violência.

Adolfo Mariano de Jesus, tambémconhecido como Adolfo Mariano de Goiandira, escreveu poemas como: ABC da Revolução – coluna Prestes(ADOLFO …, 2003; MOREIRA, 2012; O POETA …, 2009; PETROF, 2015).

ABC da Revolução

Amigu leia estis versu
I presti bem atenção,
Neli queru dar us dadu
Da ultima revolução,
Desde u Piris du Riu             
Até u velhu Catalão.
 
Coluna Siquera Campus
Chegandu naqueli pontu,
Feislogu requisição
Pidinducincuentacontu;
Numa ocasião de crisi
Achou todu mundu prontu.
 
Demoraram alguns minutu
I começô a malvadeza,
U Siquêr aautorizô
Qui ali fizesse limpeza,
Saquiasse o dinhêro
U restu desse à pobreza.
 
ZoroastrudiArtiaga
Logutirô uma linha
Fugiu levandu a mudança
Puxada numa carrocinha
I pidindu aos que ficassi
Ninguem dê nuticias minha..

Teixeira (1938) apud Moreira (2012) assim delineia opoeta: “homem de meia estatura, moreno, magro, pais mineiros, lê e escreve;sempre com sua viola, toda enfeitada de fitas”.

FONTES CONSULTADAS

ADOLFOMariano de Jesus. In: USINA das letras. [S.l. : s.n.], 2003. Disponível em:<http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=3741&cat=Ensaios>.Acesso em: 2 mar. 2017.

MOREIRA, Hélio. Folclore goiano. In: MINHAS crônicas. [S.l. : s.n.], 2012. Disponívelem: <http://minhcronicas.blogspot.com.br/2012/04/folclore-goiano.html>.Acesso em: 3 mar. 2017.

O POETA Nato: Adolfo Mariano. In: Blog o poeta nato: Adolfo Mariano. [S.l. : s.n.],[2009].  Disponível em:<http://fund.adolfomariano.blog.uol.com.br>.Acesso em: 3 mar. 2017.

PETROF,Daiana. A revolução de 1930 e o folclore goiano. Diário da manhã, [S.l.], 30 jun. 2015. Disponívelem:<https://www.dm.com.br/opiniao/2015/06/a-revolucao-de-1930-e-o-folclore-goiano.html>.Acesso em: 3 mar. 2017.

Poeta Ademar da Silva Siqueira – Síntese biográfica

Poeta amazonense da capital, Ademar da Silva Siqueira nasceu no dia 27 de novembro de 1967. Filho de Severino Alves Siqueira e Odete Rabelo da Silva, ele deixou a Capital da Borracha para residir na Capital do Carnaval, posteriormente na Capital das Mangueiras, cidade de paisagem repleta de belezas naturais, radicando-se, em seguida, na capital por ele alcunhada de “Capital do Queijo”, como narra: “[…] Além de Manaus, já morei no Rio de Janeiro, Belém do Pará e atualmente resido em Belo Horizonte, capital do queijo, como costumo brincar” (FORMULÁRIO, 2016; SIQUEIRA, [20–]).

Amante das coisas simples e boa prosa, é como se autodescreve o poeta popular Ademar da Silva Siqueira, que adotou como sua a cidade de Belo Horizonte (MG) e com carinho se designa filho da Amazônia e de Minas Gerais, por isso “amazoneiro”. Ademar Siqueira, como é mais conhecido, é casado com Shirley Cristina, descrita por ele como “mineirinha maravilhosa”, com quem teve dois filhos (SIQUEIRA, [20–]; FORMULÁRIO, 2016).
Causas e prosas, assim como as coisas simples da vida, são elementos culturais apreciados por Ademar Siqueira, que assim se define:

Meu hobby é a leitura e escrita, não sou poeta, mas tenho um coração aberto para os sentimentos. E sinto prazer em escrever. Tenho sido agraciado com a simpatia de alguns leitores que também amam poesia. Espero que os amigos leitores que visitam o meu recanto encontrem encanto e beleza nos versos que publico. Ademais, espero atrair amigos amantes das coisas simples, para que possamos compartilhar das coisas da alma e do coração (SIQUEIRA, [20–]).

O poeta foi marcado pelo destino do sangue nordestino, como afirmou em resposta a um post do blog de Luiz Berto, Jornal da Besta Fubana: “Filho do norte num mote de nascença, trago na veia a saga sertaneja, sou filho de um pernambucano, não encontro outra razão para minha herança que não seja essa, de ser filho de pernambucano […]” (SIQUEIRA, 2016). A herança nordestina aliada à inspiração obtida pela obra do poeta campinense Jessier Quirino, a quem considera estímulo para sua produção o fez compor o Cordel Desesperado, publicado no Recanto das Letras, um espaço virtual, com esperança de que seus leitores “encontrem encanto e beleza […] das coisas da alma e do coração” (SIQUEIRA, [20–]).

Cordel Desesperado

Vige tu num sabe da acontecença
Que deixou o véio Zé Tino zuruó
Um desatino pra Dona Florença
Pois nada podia ter sido pió
Embucharam sua fia Hortença
Valei-me minha santa paciença
Foi Tião o Tiãozinho Fogoió.

A peste bateu asa do sertão
O véio tinha planos pra famía
De tristeza se encheu seu coração
Tiraram a honra da única fia
Vige Maria! Tá armada a confusão
Eu é que não queria tá na pele do Tião
Florença chorava lavando as vasía.

Zé Tino apoiado na lei do rapapé
Contratou um cabra bem marvado
Que acudia pelo nome Barnabé
Valentão no sertão era arrochado
Fogoió quis dá uma de xeleléu
Enfrentando toda a fúria do Pitéu
Bajulou mas num teve resultado.

Hortença que já beirava os quarenta
Moça véia destinada ao caritó
Zambêta com belo palmo de venta
Se viu favorecida pelo peste Fogoió
Mexeste na carne agora tu aguenta
Rói o osso e mastiga a pimenta
E sapeca o beiço no jiló.

Fogoió sem destino deu no pinote
Caiu nas brenhas na caixa bozó
Dizem que ele foi pro norte
Errante sem rota no cafundó
Pra outros encontrou a morte
Pro Zé foi uma questão de sorte
Um dia ele ainda fecha seu paletó.

Mas a vida marvada num dá trégua
O mês nono também já se passou
Fogoió ficou na baixa-da-égua
Feliz Zé Tino agora é vovô
Florença ganhou foi um xodó
O neto ruivinho puxou ao Fogoió
No fim o ódio deu lugar pro amor.

(SIQUEIRA, 2014)

Ademar Siqueira escreveu seu primeiro cordel em 2013, aos 46 anos de idade, intitulado Cordel Sem Nome.

Calango corre no muro
Eu juro corro no vento
Pirulito cabe no furo
E o mote no pensamento
A gente só faz no escuro
O que no claro é um tormento

Aranha sobe na parede
E a formiga no chão passeia
No gancho eu armo uma rede
E no solo ninguém me aperreia
Levanto e mato minha sede
E a fome eu mato na ceia

[…]

(SIQUEIRA, 2013)

FONTES CONSULTADAS

SIQUEIRA, Ademar. Formulário respondido online no blog Memórias da Poesia Popular em 15/09/2016. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br>.

SIQUEIRA, Ademar. Cordel desesperado. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. 15 set. 2014. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/4963321>. Acesso em: 24 jul. 2017.

SIQUEIRA, Ademar. Cordel sem nome. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. 21 set. 2013. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/4492247>. Acesso em: 24 jul. 2017.

SIQUEIRA, Ademar. In: Cinco poemas de Jessier Quirino. Jornal da Besta Fubana. [S.l : s.n.]. 12 maio 2016. Disponível em: <http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/cinco-poemas-de-jessier-quirino>. Acesso em: 24 jul. 2017. [Disse: comentário em post de blog].

SIQUEIRA, Ademar. Perfil. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. [20–]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=115813>. Acesso em: 24 jul. 2017.

Poeta Luiz da Costa Pinheiro – Síntese biográfica

Luiz da Costa Pinheiro

Potiguar, o poeta-editor Luiz da Costa Pinheiro nasceu no município de Goianinha, Rio Grande do Norte e radicou-se em Fortaleza, Ceará. Patrono da cadeira 9 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupada por Olegário Alfredo, é autor de grandes romances, com ricos enredos onde sobressaem elementos culturais indígenas, européias a africanas no Ceará (SOUSA, 2009).

Sua obra-prima, Boi Mandigueiro e o Cavalo Misterioso, foi escrito em dois volumes de 32 páginas, do qual extraímos a primeira página:

No Rio Grande do Norte

[…] havia um fazendeiro
era muito respeitado
pela fama do dinheiro
criava numa fazenda
para qualquer encomenda
um grande Boi Mandigueiro

Esse boi quando corria
segundo diz o boato
tinha equilibrio no corpo
com ligeireza de gato
por meio de forte mandinga
corria mais na caatinga
do que veado no mato

Na carreira ele arrancava
jucá velho de miôlo
sabiá e mororó
levava tudo no rôlo
quebrava paus com as pontas
espedaçando as vergônteas
caindo lone o rebôlo.

Poeta inspirado, é autor de várias obras.

FONTES CONSULTADAS

PINHEIRO, Luiz da Costa. Grandes autores da Literatura de Cordel. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 01 set. 2016.

QUINTELA, Vilma Mota. Literatura de cordel: ensaios. 1996. 124 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1996.

SOUSA, José Josberto Montenegro. Argumentos/enunciados da poética popular: um mosaico de signos. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 25., 2009, Fortaleza. Anais … Fortaleza, 2009.

Poeta Rodolfo Coelho Cavalcante – Síntese biográfica

Rodolfo Coelho Cavalcante (12/03/1919 – 7/10/1986)

Natural da cidade de Rio Largo, Alagoas, o poeta cordelista Rodolfo Coelho Cavalcante nasceu no dia 12 de março de 1919, filho de Artur de Holanda Cavalcante e Maria Coelho Cavalcante. Ainda na adolescência deixou a casa dos pais e percorreu todo o interior do estado de Alagoas, Sergipe, Aos 13 anos de idade, deixou a casa paterna. Percorreu parte do norte e do nordeste especificamente os estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Maranhão e Piauí, exercendo atividades circense como palhaço, propagandista e camelô com o objetivo de auxiliar as finanças familiares entre outras atividades. Fase esta em que já era possível vislumbrar um exímio versejador participando de pastoris, cheganças e reisados.

Todavia foi em Parnaíba no Piauí que mantem seu primeiro investimento no cordel adquirindo para revenda os folhetos do poeta e editor João Martins de Ataíde, dando inicio a atividade de folheteiro.

Em 1945 instala-se em Salvador, Bahia, inicia o movimento em defesa da classe poetas, publicando um folheto dedicado ao Governador da época Otávio Mangabeira, que acabou por liberar os poetas, cantadores e folheteiros da proibição de comercializarem seus produtos em praças públicas. Sua carreira de cordelista e defensor da cultura popular se firma e promove em 1955, juntamente com Manoel D’Almeida Filho e outros expoentes da poesia popular o I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros ocasião em que foi fundada a Associação Nacional de Trovadores e Violeiros, hoje Grêmio Brasileiro de Trovadores, com sede em Salvador, BA. Como jornalista, fundou alguns periódicos, como A Voz do Trovador, O Trovador e Brasil Poético. Tornando-se ainda autor do Hino dos Trovadores.

Seu envolvimento o conduziu a militar também no jornalismo e posteriormente auxilia na fundação da Associação de Imprensa Periódica da Bahia, e filia-se à Associação Baiana de Imprensa. Trovador entusiasta, fundou A voz do trovador, O trovador e Brasil poético, órgãos do movimento trovadoresco. Tem idealizado e realizado muitos movimentos, visando à união dos cantadores.

Brito (2014, p. 39) ao referir-se a Rodolfo Coelho Cavalcante afirma: “O poeta transforma sua experiência de ler, ouvir, imaginar e perceber em narrativas poéticas que imprime e formata em folhetos como meio de comunicação para transmitir informações e notícias originárias de várias fontes, para serem lidas, ouvidas e adquiridas por outros grupos de consumidores”.

Nesse caminhar o poeta também vai atuar como editor promovendo uma significativa rede de distribuidores em todo o nordeste, divulgando sua própria obra e de outros poetas. Sua obra percorria vários temas sendo os mais recorrentes os abecês, biografias, cantorias e fatos do cotidiano. Foi também tema de vários poetas e pesquisadores da literatura de cordel.

O início de sua carreira não foi nada fácil. Imprimia seus folhetos de maneira muito artesanal, no geral composto de 8 páginas, com capas em xilogravuras ou clichês, confeccionados artesanalmente, com a ajuda dos filhos. Somente a impressão era feita em tipografias.

O poeta após uma vasta produção e luta permanente em defesa da cultura popular morre em 7 de outubro de 1986, vitima de atropelamento em frente a sua residência na cidade de salvador, Bahia. Morte que causou repercussão no Brasil e no exterior levando outros poetas a publicar sobre ele. Provavelmente o que mais toca os corações poéticos seja o fato do poeta e trovadorista ter enviado pouco antes de seu falecimento uma trova para o II Concurso de Trovas de Belém do Pará, com o seguinte texto:

Quando este mundo eu deixar

A ninguém direi adeua.

Dos poetas quero levar

Suas trovas para Deus.

Com esta trova Rodolfo Coelho Cavalcante encantou-se deixando seu legado lítero poético, e um território firme para a cultura popular.

FONTES CONSULTADAS

BRITO, Gilmário Moreira. Produção e circulação de folhetos políticos e religiosos de Rodolfo Coelho Cavalcante. Revista Educação e Políticas em Debate, Uberlândia, MG, v. 3, n. 1, p. 38-52, jan./jul. 2014. Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/revistaeducaopoliticas/article/view/27681/15160>. Acesso em: 11 nov. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot .com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

MEMÓRIAS DO CORDEL. Grandes nomes do cordel – Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. 

MIRANDA, Antonio. Poesia dos brasis: Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/bahia/rodolfo_coelho_cavalcante.html>. Acesso em: 11 out. 2014.

PINTO, Maria do Rosário. Rodolfo Coelho Cavalcanti. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/ cordel/RodolfoCoelho/rodolfoCoelho_biografia.html>. Acesso em: 11/11/2014.

WIKIPEDIA. Rodolfo Coelho Cavalcante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_ Coelho_Cavalcante>. Acesso em: 11/11/2014.

Poeta Raimundo Luiz do Nascimento – Síntese biográfica

Raimundo Luiz do Nascimento (06/04/1926)

Raimundo Luiz do Nascimento, poeta popular mais conhecido como Raimundo Santa Helena ou apenas Santa Helena nasceu no município de Santa Helena localizado no extremo Oeste da Paraíba, limita-se ao Norte com a cidade de Triunfo, ao Sul com Bom Jesus e Cajazeiras, ao Leste com São João do Rio do Peixe e a Oeste com o Baixio e Umarí no Estado do Ceará. Razão pela qual levou o poeta a intitular-se de paraibense.

De acordo com a Simone Mendes (Fundação Casa de Rui Barbosa) seus folhetos retratam uma face autobiográfica, reforçando a construção de uma escrita de si, que tem como ponto de partida o assassinato de seu pai pelos cangaceiros de Lampião quando invadiram o sertão cajazeirense, Paraíba, em 09 de junho de 1927.

Em razão do fatídico episódio Santa Helena foi forçado a fugir de casa com apenas 11 anos de idade rumo a Fortaleza local em que fora acolhido por uma professora que o incentivou a estudar e trabalhar, atuando como cobrador de ônibus, garçom, engraxate entre outras atividades convergindo para seu ingresso em 1943 na Escola de Aprendizes de Marinheiro do Ceará. Na Marinha participou da Segunda Guerra Mundial, vindo a ser condecorado pelo Presidente da República.

Seu primeiro cordel foi declamado em 1945, a bordo do navio Bracuí, após o fim da segunda grande guerra, intitulando-o de “Fim da Guerra”. Para alguns de seus biógrafos esta data é reiterada como sendo a data de publicação de seu primeiro cordel.

Do ponto de vista de sua narrativa o poeta possui uma variedade temática em sua poética que vai desde o cangaço, meio ambiente, educação sexual, saúde, biografias de personalidades, a exemplo de Tancredo Neves, Getúlio Vargas, Chico Buarque de Holanda entre outros, conforme revela a sextilha transcrita em homenagem aos cinquenta anos do cantor e poeta:

 

Em 71 o Chico

Mesmo na ‘revolução’

Lança outro LP

Chamado de ‘Construção!

LP de filme lança

(72) – Aliança

Bethania e Nara Leão

Por outro lado, o poeta também se vincula a temas da atualidade, especificamente os que estão na predileção da mídia. Por outro lado ao produzir seu texto o poeta busca várias fontes que tratam da mesma temática, para, a partir, de então, construir seu poema, imprimindo sua opinião pessoal acerca da temática em pauta.

Outra inovação na obra do poeta é construção de cordéis bilíngues, facilidade adquirida pelo fato de ter ele estudado nos Estados Unidos da América, tanto que publicou durante a ECO 92 o cordel intitulado “Brazilian Amazônia”.

Em 1983 recebeu juntamente com Gilberto Freyre, Augusto Ruschi e Jorge Amado o Prêmio Porto de São Mateus de Resistência cultural. Tem cerca de 2 milhões de exemplares de mais de 300 títulos em circulação. Foi criador da Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro, RJ, local onde auxiliou a divulgação da culinária tipicamente nordestina, artesanato, trios e bandas de forró, dança, cantores e poetas populares, repente e literatura de cordel.

FONTES CONSULTADAS

ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://academiaportocalvenseaphla.blogspot. com.br/2013/09/ablc-academia-brasileira-de-literatura.html>. Acesso em: 10 nov. 2014.

BRASILIANA a divulgação científica no Brasil. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11&sid=5>. Acesso em: 29 nov. 2014.

DICIONÁRIO Cravo Albin da Música popular brasileira. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/raimundo-santa-helena/biografia>: Acesso em: 11 nov. 2014.

MENDES, Simone. Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ RaimundoSantaHelena/raimundoSantaHelena_biografia.html>. Acesso em: 29 ago. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonardi Dantas de; HOLANDA, Virginia Célia Cavalcante de. Elos possíveis entre o ensino de geografia e a literatura de cordel. Revista Homem, Espaço e Tempo, set., 2008. Disponível em:  <http://www.uvanet.br/ rhet/artigos_setembro_2008/elos_possiveis.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2014.

O NORDESTE. Enciclopédia Nordeste: Raimundo Santa Helena. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Raimundo+Santa+Helena>. Acesso em: 11 out. 2014.

WIKIPEDIA. Santa Helena (Paraíba). [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Helena_ %28Para%C3%ADba%29>. Acesso em: 10 nov. 2014.

Poeta Pedro Monteiro de Carvalho – Síntese biográfica

Pedro Monteiro de Carvalho (25/03/1956)

Pedro Monteiro de Carvalho, funcionário público, poeta cordelista é natural da Cidade de Campo Maior no Piauí. Filho dos lavradores Raimundo Monteiro de Carvalho e Maria Verônica de Carvalho, nasceu aos 25 de Março de 1956. Sua infância tipicamente roceira deu-se entremeada por histórias contadas à luz de lamparinas e terreiros enluarados ouvindo contos e tradições nordestinas.

Aos dezessete anos rumou para terras paulistanas e na periferia da Capital se instalou adquirindo experiências pautadas nas lutas por justiça social cidadania. Seu espirito de leitor voraz foi sendo alimentado por seu próprio autodidatismo e a busca por desvendar o novo, compreensão e observação da realidade.

De acordo com o poeta ao ser entrevistado por Juliana Gobbe para o site “Tecendo em Reverso”, assinalou:

Sou poeta cordelista
Me chamo Pedro Monteiro,
Amasso o barro da rima
No metro do bom oleiro,
Sou um campo-maiorense,
Das terras Piauiense,
Nosso sertão brasileiro.

Pode-se inferir ainda que o poeta Pedro Monteiro para além de cordelista é forte apreciador do teatro, tanto que atuou em peças teatrais, a exemplo: Saúde! Salve-se quem puder e em Danação. Isto revela a aproximação do poeta com outras formas de expressão artística e da cultura popular. Sua verve artística aliada ao espirito empreendedor colaborou com a criação da Caravana do Cordel, projeto coletivo que aglutina poetas populares nordestinos como cordelistas, repentistas, contadores de histórias, músicos, xilógrafos e interessados na cultura popular, residentes no estado de São Paulo com o objetivo de juntos difundirem a arte popular.

O poeta Pedro Monteiro descobre sua verve poética após um encontro inesperado com os poetas Marco Haurélio, Varneci Nascimento e João Gomes de Sá, que participavam de uma feira de Cultura Nordestina no Anhembi. Ocasião em que foi encorajado por Marco Haurélio a escrever Chicó, o Menino das Cem Mentiras, obra que conduziu o poeta a sua estreia no mundo do Cordel, fato que despertou a vocação que, até então, adormecida.

Tanto que o poeta não para de produzir, lançando, pela Luzeiro, sua mais nova obra “O Triunfo do Poeta no Reino do Cafundó”. De acordo com Marco Haurélio As estrofes do introito demonstram que a literatura é a soma do talento individual à capacidade de garimpar no inconsciente coletivo:

Certa vez imaginando
A nossa ancestralidade,
Joguei luz no pensamento,
E busquei na oralidade
Histórias que se perderam
No vão da modernidade.

Peguei caneta e papel,
Remexi nos meus lembrados,
Invoquei sabedoria
Dos nossos antepassados,
Lembrei-me da minha avó
Fazendo seus proseados.

Ela falava que um reino
Chamado de Cafundó
Tinha um monarca viúvo
De nome Halabadjó,
Que dizia descender
Do patriarca Jacó.

Este Rei tinha uma filha
Pronta para se casar.
Por ela ser unigênita,
Era preciso arranjar
Um pretendente que fosse
Apto para governar.

Maristela era o seu nome
Uma formosa donzela,
O Rei invocou a Vênus
Para ser tutora dela.
Nos encantos, esta deusa
Foi generosa com ela.

Sua feição parecia
O brilho celestial,
Um primor de formosura,
Uma arte escultural,
Como o fulgor da aurora
No rebento matinal.

Foi assim que certo dia
Halabadjó publicou
Um edital informando
Que sua corte aprovou
E aquela sucessão
Ele assim normatizou.

A regra daquele edito
Foi por um sábio proposta:
Seria feito a disputa
Entre pergunta e resposta,
Somente o sábio dos sábios
Venceria aquela aposta.

FONTES CONSULTADAS

ACORDA. Caravana do Cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://acorda.net.br/?gallery=caravanadocordel>. Acesso em: 27 set. 2014.

GOBBE, Juliana. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://tecendoemreverso.blogspot.com.br/2014/08/pedro-monteiro.html>. Acesso em: 29 set. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/ 2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 10 out. 2014.

HAURÉLIO, Marco. Mais um triunfo do poeta Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marco haurelio.blogspot.com.br/2011/09/mais-um-triunfo-do-poeta-pedro-monteiro.html>. Acesso em: 23 nov. 2014.

INSTITUTO LEANDRO GOMES DE BARROS. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://ilgbsp.blogspot.com.br/>. Acesso em: 12 maio 2014.

NASCIMENTO, Varneci. Pedro Monteiro lança novo folheto. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://varnecicordel. blogspot.com.br/2010/06/pedro-monteiro-lanca-novo-folheto.html>. Acesso em: 29 set. 2014.

SANTOS, Cleusa. Cascordel: Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.cascordel.com/products/pedro-monteiro-http-meuscontoseversos-blog-terra-com-br-/>. Acesso em: 11 nov. 2014.

WIKIPEDIA. Pedro Monteiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Monteiro>. Acesso em: 11 out. 2014.