Poeta Ademar da Silva Siqueira – Síntese biográfica

Poeta amazonense da capital, Ademar da Silva Siqueira nasceu no dia 27 de novembro de 1967. Filho de Severino Alves Siqueira e Odete Rabelo da Silva, ele deixou a Capital da Borracha para residir na Capital do Carnaval, posteriormente na Capital das Mangueiras, cidade de paisagem repleta de belezas naturais, radicando-se, em seguida, na capital por ele alcunhada de “Capital do Queijo”, como narra: “[…] Além de Manaus, já morei no Rio de Janeiro, Belém do Pará e atualmente resido em Belo Horizonte, capital do queijo, como costumo brincar” (FORMULÁRIO, 2016; SIQUEIRA, [20–]).

Amante das coisas simples e boa prosa, é como se autodescreve o poeta popular Ademar da Silva Siqueira, que adotou como sua a cidade de Belo Horizonte (MG) e com carinho se designa filho da Amazônia e de Minas Gerais, por isso “amazoneiro”. Ademar Siqueira, como é mais conhecido, é casado com Shirley Cristina, descrita por ele como “mineirinha maravilhosa”, com quem teve dois filhos (SIQUEIRA, [20–]; FORMULÁRIO, 2016).
Causas e prosas, assim como as coisas simples da vida, são elementos culturais apreciados por Ademar Siqueira, que assim se define:

Meu hobby é a leitura e escrita, não sou poeta, mas tenho um coração aberto para os sentimentos. E sinto prazer em escrever. Tenho sido agraciado com a simpatia de alguns leitores que também amam poesia. Espero que os amigos leitores que visitam o meu recanto encontrem encanto e beleza nos versos que publico. Ademais, espero atrair amigos amantes das coisas simples, para que possamos compartilhar das coisas da alma e do coração (SIQUEIRA, [20–]).

O poeta foi marcado pelo destino do sangue nordestino, como afirmou em resposta a um post do blog de Luiz Berto, Jornal da Besta Fubana: “Filho do norte num mote de nascença, trago na veia a saga sertaneja, sou filho de um pernambucano, não encontro outra razão para minha herança que não seja essa, de ser filho de pernambucano […]” (SIQUEIRA, 2016). A herança nordestina aliada à inspiração obtida pela obra do poeta campinense Jessier Quirino, a quem considera estímulo para sua produção o fez compor o Cordel Desesperado, publicado no Recanto das Letras, um espaço virtual, com esperança de que seus leitores “encontrem encanto e beleza […] das coisas da alma e do coração” (SIQUEIRA, [20–]).

Cordel Desesperado

Vige tu num sabe da acontecença
Que deixou o véio Zé Tino zuruó
Um desatino pra Dona Florença
Pois nada podia ter sido pió
Embucharam sua fia Hortença
Valei-me minha santa paciença
Foi Tião o Tiãozinho Fogoió.

A peste bateu asa do sertão
O véio tinha planos pra famía
De tristeza se encheu seu coração
Tiraram a honra da única fia
Vige Maria! Tá armada a confusão
Eu é que não queria tá na pele do Tião
Florença chorava lavando as vasía.

Zé Tino apoiado na lei do rapapé
Contratou um cabra bem marvado
Que acudia pelo nome Barnabé
Valentão no sertão era arrochado
Fogoió quis dá uma de xeleléu
Enfrentando toda a fúria do Pitéu
Bajulou mas num teve resultado.

Hortença que já beirava os quarenta
Moça véia destinada ao caritó
Zambêta com belo palmo de venta
Se viu favorecida pelo peste Fogoió
Mexeste na carne agora tu aguenta
Rói o osso e mastiga a pimenta
E sapeca o beiço no jiló.

Fogoió sem destino deu no pinote
Caiu nas brenhas na caixa bozó
Dizem que ele foi pro norte
Errante sem rota no cafundó
Pra outros encontrou a morte
Pro Zé foi uma questão de sorte
Um dia ele ainda fecha seu paletó.

Mas a vida marvada num dá trégua
O mês nono também já se passou
Fogoió ficou na baixa-da-égua
Feliz Zé Tino agora é vovô
Florença ganhou foi um xodó
O neto ruivinho puxou ao Fogoió
No fim o ódio deu lugar pro amor.

(SIQUEIRA, 2014)

Ademar Siqueira escreveu seu primeiro cordel em 2013, aos 46 anos de idade, intitulado Cordel Sem Nome.

Calango corre no muro
Eu juro corro no vento
Pirulito cabe no furo
E o mote no pensamento
A gente só faz no escuro
O que no claro é um tormento

Aranha sobe na parede
E a formiga no chão passeia
No gancho eu armo uma rede
E no solo ninguém me aperreia
Levanto e mato minha sede
E a fome eu mato na ceia

[…]

(SIQUEIRA, 2013)

FONTES CONSULTADAS

SIQUEIRA, Ademar. Formulário respondido online no blog Memórias da Poesia Popular em 15/09/2016. Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.com.br>.

SIQUEIRA, Ademar. Cordel desesperado. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. 15 set. 2014. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/4963321>. Acesso em: 24 jul. 2017.

SIQUEIRA, Ademar. Cordel sem nome. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. 21 set. 2013. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/4492247>. Acesso em: 24 jul. 2017.

SIQUEIRA, Ademar. In: Cinco poemas de Jessier Quirino. Jornal da Besta Fubana. [S.l : s.n.]. 12 maio 2016. Disponível em: <http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/cinco-poemas-de-jessier-quirino>. Acesso em: 24 jul. 2017. [Disse: comentário em post de blog].

SIQUEIRA, Ademar. Perfil. In: Recanto das Letras. [S.l : s.n.]. [20–]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=115813>. Acesso em: 24 jul. 2017.

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