Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta José Bernardo da Silva – Síntese biográfica

José Bernardo da Silva (02/11/1901 – 1971)

Considerado um dos mais expressivos editores de literatura de cordel durante as décadas de 40, 50 e 60. Mesmo com o seu falecimento em 1971, a Lira Nordestina (nome que ganhou a sua casa editorial – a Tipografia São Francisco – por sugestão do poeta Patativa do Assaré) continuou esse trabalho até meados da década de 80.

José Bernardo da Silva nasceu em Alagoas no dia 2 de novembro de 1901. Filho de pequeno sitiante, segundo apuraram os mais acreditados pesquisadores da literatura de cordel, emigrou com seu pai na seca de 1915 para Pernambuco, instalando-se inicialmente na cidade de Vitória do Santo Antão, onde trabalhava na lavoura. Em 1924, casa-se com Ana Vicência de Arruda e Silva. Veio pela primeira vez ao Juazeiro do Norte em 1926, numa romaria, percorrendo todo o trajeto a pé em companhia da mulher e da filha mais velha. Chegando à Meca do Cariri, travou conhecimento com o grande Patriarca do Juazeiro – Padre Cícero e resolveu fixar-se na cidade, onde começou a trabalhar como vendedor ambulante de raízes e outros produtos medicinais usados pelo povo e, também a vender os primeiros folhetos, seus e de outros autores.

Em 1936, fundou a mais renomada editora popular de todos os tempos. Inicialmente, voltada à impressão dos folhetos do próprio José Bernardo e de outros poetas da região. A Tipografia São Francisco ganhou impulso extraordinário com a aquisição dos direitos autorais das obras editadas por João Martins Ataíde, entre as quais as de Leandro Gomes de Barros. Devido a essa prática, antigamente comum na literatura de cordel, de transferência de direitos autorais de um autor para um editor, o nome de José Bernardo aparece em inúmeros folhetos de autoria alheia, o que torna difícil precisar os que foram efetivamente escritos por ele. O seu acervo de mais de 200 obras passou, com o fim da Tipografia São Francisco, para a Lira Nordestina e, mesmo com o seu falecimento em 1971, a Lira Nordestina continuou esse trabalho até meados da década de 80.

Em relação à sua função de tipógrafo registrou em verso o poeta:

 Não sou poeta vos digo

Mas com rima arranjo o pão.

Sou chapista e impressor

Sou bom na composição.

O meu saber se irradia

Conheço com perfeição

Agradeço esta opulência

À Divina Providência

E ao Padre Cícero Romão

FONTES CONSULTADAS

FLOGÃO. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.flogao.com.br/arievaldocordel/29191043>. Acesso em: 20 nov. 2014.

PINTO, Rosário. José Bernardo da Silva. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2011/05/ cordel-de-saia-homenageia-jose-bernardo.html>. Acesso em: 11 nov. 2014.

RAMOS, Everardo. Escritores-illustradores de folhetos de cordel: processos de criação popular. IN: ENCONTRO REGIONAL DA ABRALIC, 2007, São Paulo. Anais… São Paulo: [s.n], 2007.

Poeta José Clementino de Souto – Síntese biográfica

José Clementino de Souto (1921 – 2011)

“José Alves Sobrinho” foi o nome adotado por José Clementino de Souto na sua vida profissional. Nascido em Pedra Lavrada, Paraíba, em julho de 1921, foi um dos grandes cantadores de sua época, tendo se tornado um pesquisador atento e dedicado à cultura popular.

Ainda na infância, ele aprendeu na escola a escrever uma quadra na poesia popular, ao ser solicitado para escrevê-la, como exercício, cabendo a José Clementino, órfão de mãe, a tarefa de versejar sobre o tema: mãe, e assim o fez:

Como eu não tenho mãe
Como todo mundo tem
Minha mãe é mãe Dionísia
Que me beija e me quer bem.

Com sua primeira produção, encantou de pronto o professor que afirmou ter o aluno verve para a rima. Ex-cantador de viola, chegou a perder a voz devido a um trauma nas cordas vocais, mas, para não se divorciar daquilo que mais amava, que era cantar, começou a pesquisar e se dedicar a escrever o folhetinho e vender na feira. Como não tinha mais mercado na sua região, ele foi acumulando conhecimentos acerca do assunto de folclore.

Funcionário aposentado da Universidade Federal da Paraíba (campus II, em Campina Grande), lá organizou juntamente com o professor Átila Almeida um arquivo por volta de 5 mil folhetos de cordel. Ministrou, inclusive, cursos rápidos (de extensão) de literatura popular na universidade, no antigo Nell. Tem dezesseis obras publicadas no campo da Literatura de Cordel, entre pelejas, folhetos de oito a dezesseis páginas e romances de vinte e quatro a sessenta e oito páginas.

Faleceu na cidade de Campina Grande, Paraíba, em 21 de setembro de 2011, aos 90 anos, vítima de complicações de um câncer.

FONTES CONSULTADAS

DINIZ, Joseilda de Sousa. Recriar o espaço de voz do poeta: a memória entre dois mundos. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 35, 2010. Disponível em: <http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/view/1647/1266>. Acesso em: 10 nov. 2014.

FERREIRA, Rau. João Benedito: o cantador de esperança. Esperança: [s.n], 2011.

LUCENA, Bruna Paiva de. Cante lá que eu canto cá: poéticas populares dentro e fora das molduras. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 35. p. 51-76, jan./jun. 2010.

MORAIS, Alexandre. Cultural e coisa e tal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://culturaecoisaetal.blogspot.com. br/2011/09/jose-alves-sobrinho.html>. Acesso em: 12 nov. 2014.

OLIVEIRA, Bernardina Maria Juvenal Freire de; ALBUQUERQUE, Maria Elizabeth Baltar Carneiro de. Na memória da tradição: informação sobre vida e obra de poetas populares brasileiros. IN: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14., 2013, Florianópolis. Anais… Florianópolis, 2013.

OLIVEIRA, Diana Reis de; NICOLAU, Marcos. José Alves Sobrinho sob o olhar da Câmera: o processo de construção de um vídeo documentário sobre um mestre de Cultura Popular. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO, 30., 2007, Santos. Anais… Santos: Intercom, 2007.

PLURAL Pluriel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.pluralpluriel.org/index.php?option=com_content&view=article&id=413:numero-10-textes-et-documents&catid=36:contes-croniques-poesie&Itemid=57>. Acesso em: 15 nov. 2014.

SANTOS, Luciany Aparecida Alves; MARINHO, Ana Cristina. Narrativas culturais da literatura de cordel brasileira. Cultura & Tradução, João Pessoa, v. 1, n. 1, 2011.

Poeta José Alves Pontes – Síntese biográfica

José Alves Pontes (08/02/1920 – 11/11/2009)

 

Filho de João Alves Pontes e Cândida Alves Pontes, nasce em 8 de fevereiro de 1920 o poeta cordelista José Alves Pontes, no município de Pilar, Paraíba. Ajudou seu pai na agricultura até os 23 anos de idade, mas sempre teve vocação para a poesia popular. Com o falecimento do pai em 1948, começou a vender folhetos de cordel nas feiras vizinhas e empregou-se na tipografia  A Folha, em Itabaiana, PB, depois em outra gráfica situada em Timbaúba, Pernambuco, das quais saiu como gráfico profissional. Em 1951, ele foi morar em Guarabira, Paraíba, passando a trabalhar na tipografia de Manoel Camilo dos Santos até 1957; em seguida, passou a trabalhar por conta própria com uma máquina manual que ele mesmo construiu, de ferro e madeira, e em 1962, ele instalou sua tipografia chamada “Tipografia e Folhetaria Pontes”. Especializou-se em publicar seus próprios folhetos, e também trabalhos de encomenda para todo o Nordeste e demais regiões do país. Em 1985, por questões financeiras, vendeu sua tipografia, vindo a trabalhar como empregado e revisor na tipografia de um amigo seu, lá mesmo em Guarabira, Paraíba, onde faleceu aos 11 de novembro de 2009.

Seu estilo literário trazia questões de caráter religioso em paralelo com a riqueza, como se pode verificar na estrofe do cordel intitulado História de Geraldo e Silvina:

 

No sertão da Paraíba

Em certo tempo passado

Existiu um fazendeiro

Muito rico em terra e gado,

Porém um ruim como ele

No mundo não foi criado.

Não acreditava em santo

E nem a Deus dava crença

Pegava um pobre indefeso

Com barbaridade imensa

Dava uma surra e botava-o

Mais uma noite na prensa.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

RAMOS, Felipe Aires; DANTAS, Priscila Mayara Santos; CIPRIANO, Maria do Socorro. Literatura de cordel: operações midiáticas e práticas de leituras. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/ Literatura%20de%20Cordel%20Operacoes%20Midiaticas%20e%20Praticas%20de%20Leituras.pdf>. Acesso em: 05 ago. 2014.

HISTORIA de Geraldo e Silvina – Luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/ 232-historia-de-geraldo-e-silvina-luzeiro.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta José Adão Filho – Síntese biográfica

José Adão Filho

Natural do município de Fagundes localizado na região metropolitana de Campina Grandeestado da Paraíba. José Adão Filho traz em sua poética o senso de humor e a vivacidade atribuída a Leandro Gomes de Barros. Lamentavelmente, pouco se tem registrado sobre sua biografia e em relação à sua produção literária também resta pequena amostragem, a exemplo dos fragmentos extraídos do cordel Marco parahybano, em que o poeta demonstra desafiar outro cantador ao afirmar categoricamente que quem quiser atacar seu marco, seria necessário levantar os pontos citados por ele:

 Para derrubar meu marco

O cantador arranjaria

Material que não fosse

Conhecido hoje em dia

Nem que no meu já houvesse

Descripto em cantoria.

[…]

Vindo com fogo eu apago

Com água, toda derramo

Com vinho não me embriago

Com veneno bebo e chamo

Licor também tenho

Chumbo, espada muito amo

[…]

 

Geographia, botânica

Chimica, geologia

Mecânica, fundição

Aviação, zoologia

Nada disso se ignora

Nesta minha poesia.

FONTES CONSULTADAS

ALMEIDA, Átila Augusto F. de; ALVES SOBRINHO, José. Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada. João Pessoa: Editora Universitária, 1978.

CORDEL: terceiro ato – moral da peça: a tradição se refaz. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://bdtd.biblioteca.ufpb.br/tde_arquivos/9/TDE-2011-05-25T092511Z-1050/Publico/parte2.pdf>. Acesso em: 25 out. 2014.

COSTA, Rangel Alves da. Estudo para o cordel: o que é esse folheto pendurado no barbante. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2740269>. Acesso em: 04 jul. 2014.

 DOURADO, Gustavo. A presença do cordel.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.overmundo.com.br/overblog/a-presenca-do-cordel>. Acesso: 04 jul. 2014.

LEMOS, Wagner. História da literatura de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.wagnerlemos.com.br/ literaturadecordel.htm>. Acesso em: 04 jul. 2014.

Poeta José Acaci – Síntese biográfica

José Acaci  

José Acaci é professor, compositor e poeta cordelista. Nascido em Macaíba, Rio Grande do Norte, Acaci herdou do pai, Chagas Ramalho, o dom e a paixão pela literatura de cordel e, da mãe, Dona Mariquinha, a sabedoria e a garra para enfrentar as batalhas da vida sempre sorrindo. Membro da ANLIC – Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel, da SPVA – Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte, e da Associação Internacional Poetas Del Mundo, o poeta recebeu o título Consul Poetas Del Mundo, pela Associação Internacional Poetas Del Mundo, com sede no Chile, o Mérito Luiz da Câmara Cascudo, pela Academia Caxambuense de Letras, em Caxambu, Minas Gerais, e o Mérito Noel Rosa, pela Associação Brasileira de Dentistas Escritores, São Paulo/SP, e, no ano 2011, José Acaci representou a cultura potiguar no XV Congresso Brasileiro de Folclore, que aconteceu em São José dos Campos, São Paulo, a convite da Comissão Brasileira de Folclore.

O seu primeiro livro foi Histórias de Rio pequeno – Uma Viagem Poética sobre a História de Parnamirim. Autor também dos CDs Cordas e Cordéis e Do Cordel à Embolada e de mais de sessenta folhetos de literatura de cordel, Acaci lança agora a segunda edição de Conselhos Pra Juventude.

Em sua poética, José Acaci traz a lume discussões de caráter acadêmico, a exemplo do cordel Sobre o Direito Romano, como se pode verificar nos fragmentos que seguem:

 Recebi um desafio

de um velho camarada

que eu fiquei duvidoso

se topava essa empreitada:

Pensar num texto em cordel

e escrever no papel

sem cometer um engano,

ser bastante categórico

e escrever um breve histórico

sobre o Direito Romano 

[…]

 

Também quero acrescentar

a ação dos senadores

cujas deliberações

guiavam os imperadores.

 era o Senatus-Consultus,

que junto aos jurisconsultos

com suas opiniões,

ditaram de frase em frase,

e assim formularam a base

para as constituições.

 

Eu vou terminando aqui

botando em primeiro plano

a importância do estudo

sobre o Direito Romano.

Que esse cordel seja um prumo

pra que você tenha um rumo

e lhe sirva como guia,

se acaso tenha gostado,

lhe digo muito obrigado,

adeus, até outro dia

Outra característica da obra de Acaci é o poema de circunstâncias, a exemplo do “Cordel sobre Tortura” que recebeu o apoio do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Nenzinha Machado, CEDDH-PI, Coordenação Geral de Combate à Tortura, da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal. Ei-lo na íntegra:

 Para mostrar esses versos que apresento

Eu me visto no manto da humildade

Pois não quero ser dono da verdade,

Quero apenas chamar a atenção nesse momento

Para essa ferida na estrutura

Da sociedade e na cultura

De um povo sofrido, que rejeita,

Mas ao ficar calado, ele aceita

Essa praga chamada de tortura.

Quem se sente à vontade para pensar

Em promover ou apoiar a tortura,

Estará cometendo uma loucura,

Uma insanidade milenar.

É preciso parar para pensar

Que a tortura é uma barbaridade.

É a mão consciente da maldade

Trabalhando com projetos e planos

Pra trazer para nós seres humanos

Sofrimento, injustiça e crueldade.

A tortura transforma nós humanos

Nos mais vis dos mais vis seres que existem,

E o silêncio daqueles que assistem

E se calam, também comete danos.

O Brasil, a mais de quinhentos anos,

Utiliza da prática da tortura,

Desde a colonização á ditadura.

Dos escravos trazidos nos porões

Até hoje, no escuro das prisões,

Essa prática mantém sua estrutura.

 

Na tortura tem a ação ativa

Do agente que é o torturador,

Além do torturado, o sofredor,

E da sociedade permissiva.

Quem se cala é agente da passiva,

pois permite que um crime aconteça,

Sem que o criminoso reconheça

E pague pelo crime cometido

Contra quem deveria ser punido

Com a pena que acaso ele mereça.

Os indígenas foram torturados

E até hoje ainda guardam na memória

Os momentos cruéis da sua história

Com irmãos e parentes dizimados.

Não podemos ver e ficar calados

Ao saber que essa prática funesta,

Uma ação ignóbil como esta,

É usada pra arrancar confissões,

Promovendo dores e humilhações,

Sofrimentos e tudo que não presta.

 

As torturas guardadas na memória

Não merecem ficar na impunidade.

Foram crimes contra a humanidade,

Mas que foram julgados pela história.

Numa guerra, quem obtém vitória,

Perpetua a surdez e a cegueira,

Conta os fatos, mas à sua maneira,

O grilhão da tortura ele destrói,

E por trás da verdade se constrói

Uma história que não é verdadeira.

 

Na história recente brasileira

E nos noticiários atuais,

As torturas já são casos banais,

E esse tema é notícia corriqueira.

É preciso frear essa carreira

No caminho febril da impunidade,

E lutar para que a sociedade

Abra os olhos da sua indiferença,

Para tentar se livrar dessa doença

 Que assola valor da humanidade

 

Sucessivos governos brasileiros

Assinaram convenções e tratados.

Protocolos foram ratificados,

E os países seguiram esses roteiros

De ações em busca dos verdadeiros

Culpados pela prática das torturas,

É constante essa luta nas procuras

Pelos torturados e mandantes.

É luta de vitórias flutuantes,

E vitórias de poucas criaturas.

 

Num país que sua lei objetiva

Que é crime o ato de torturar,

Não se sente de bem ao se falar

Da pessoa que faz ou incentiva,

Da que assiste de forma permissiva,

Das que vêem e que ficam caladas,

Ou acham que as pessoas torturadas

Merecem todo aquele sofrimento.

Isso é coisa que não tem cabimento

Em nações que se dizem respeitadas.

 

Não podemos ficar indiferentes

À tortura em qualquer modalidade,

E nenhuma ação com gravidade

Justifica as torturas conseqüentes.

E as pessoas que assistem coniventes

Apequenam nossa sociedade

Quando, num ato de leviandade,

Deixam pessoas serem torturadas,

Espancadas, marcadas, humilhadas,

E feridas na sua integridade.

 

Há exemplos de gente torturada

Simplesmente por não ter documento

Ou por estar jogada ao relento

Cochilando na fria madrugada.

E por qualquer motivo é espancada

Seja por opção sexual,

Sua condição psíquica e mental,

Sua raça, sua cor, sua cidade,

O seu gênero, o seu time, sua idade,

Ou a sua condição social.

 

Precisamos que a sociedade

Abra os olhos contra todos os fatos

Que sejam associados a maus tratos

Sofrimentos e a impunidade.

Precisamos que em cada cidade

Aconteça uma conscientização

Dos direitos de cada cidadão,

E que todos se engajem na procura

De uma sociedade sem tortura,

                       Essa coisa sem lógica e sem razão.        

 

Em resumo, o que estamos precisando,

É de um pouco de amor no coração,

Mais respeito para o cidadão,

E atenção para quem está precisando.

Omitir é como estar apoiando

A tortura, esta ação má e servil.

E essa nossa luta varonil

Deve ser incansável e persistente,

Pra um dia dizermos plenamente

“Acabou-se a tortura no Brasil.”

FONTES CONSULTADAS

 ACACI, José. Cordel sobre tortura. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <Users/Joao/Downloads/Cordel%20sobre% 20tortura%20(1).pdf>. Acesso em: 20 jul. 2014.

ESPAÇO do cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://espacodocordel.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&maxresults=17>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta Jorge Renato de Menezes – Síntese biográfica

Jorge Renato de Menezes (1969 – )

Poeta cordelista e produtor cultural, Menezes nasceu em 1969 na cidade do Recife. Viveu a infância entre as cidades de Recife, Tuparetama, São José do Egito e Arcoverde. Nesta última, viveu da adolescência à fase adulta, quando se mudou para o Recife, onde reside até hoje.  Membro da Unicordel – União dos Cordelistas de Pernambuco, é também produtor da banda Vates e Violas. Como gosta de dizer, Jorge Filó é neto, filho, sobrinho, irmão e amigo de poetas e toca sua vida “respirando e transpirando poesia”. É filho de um grande nome da poesia popular nordestina, Manoel Filó, que faz parte da família poética do Pajeú, região do sertão pernambucano farta em bons poetas e repentistas. Além de escrever cordéis, Jorge é um hábil sonetista e escreve seus sonetos sob o pseudônimo ou quem sabe heterônimo de Anacreonte Sordano, a exemplo do Poema da meia idade:

Durante o tempo que foi minha infância

Vivi na ânsia de crescer um dia

E o tempo rude não tardou seu passo

Fez meu regaço de melancolia.

Se hoje lembro quando eu menino

Sem ter destino, em liberdade plena

No meu presente vivo atrelado

A esse estado que só me envenena.

 

O eu menino, banhado em virtudes

As atitudes de pura inocência

Hoje carrega no meu eu adulto

A dor do insulto da incoerência.

 

Meu eu adulto não sabe sonhar

Para brincar, perdeu a magia

Quando menino com tudo sonhava

Quando brincava com a alegria.

 

Foi-se um tempo feliz, inebriante

O eu infante já não mais existe

Meu eu adulto não tem fantasia

Sem poesia todo o mundo é triste.

 

Vivo o presente de recordações

Minhas ações do meu eu crescido

É de lembranças do meu eu criança

Uma esperança de um tempo perdido.

Poeta, conectado com a contemporaneidade do seu tempo, edita com regularidade o blog No Pé da Parede com o qual se articula na internet e divulga a pluralidade da cena literária nordestina. Transita nas diversas cenas literárias da cidade do Recife/PE, sendo considerado um dos precursores em unir as manifestações da poesia alternativa e da poesia popular. Transita, com igual desenvoltura, em eventos culturais dos mais diversos gêneros, tendo seus poemas publicados pelos fanzines alternativos em circulação.

FONTES CONSULTADAS

JORGE Filó. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=229&catid=48>. Acesso em: 22 nov. 2014.

POEMAS e homilias: anacronia de Anacreonte Sordano. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <https://anacreontesordano. wordpress.com/>.  Acesso em: 14 nov. 2014.

NO PÉ da parede. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://nopedaparede.blogspot.com.br/>.  Acesso em: 14 nov. 2014.

Poeta Jorge Calheiros – Síntese biográfica

Jorge Calheiros (08/08/1939)

Nasceu na cidade de Pilar, em Alagoas, no dia 08 de agosto de 1939. Ainda garoto, por volta dos 10 anos, ajudava o seu pai e os três irmãos a catar madeira no meio da mata para fazer carvão, depois vendido no comércio de Pilar. Foi nesta época em que teve o primeiro contato com a literatura de cordel, ao redor de uma fogueira, à noite, onde os meninos se reuniam para assistir, fascinados, contações de histórias.

Com familiaridade crescente com a literatura oral, era natural que Jorge acabasse tendo vontade de desenvolver sua própria produção poética. No entanto, a urgência de ter seu ganha-pão o obrigou a abdicar do seu talento. Aos 11 anos, trabalhou, com carteira assinada, na construção do Edifício Brêda e, aos 12, foi empregado de uma fábrica de tecidos em Fernão Velho.

Em busca de melhores condições de vida, o mestre cordelista tornou-se um “andarilho”. Trabalhou em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mesmo que tivesse exercido ofícios que o afastavam da sua derradeira paixão, Jorge nunca deixou de produzir os seus folhetos de cordel. Duvidando da qualidade do material e com receio de cometer gafes, caso os apresentasse em público, Jorge guardava seus escritos para si mesmo. Foi assim até que, numa dessas suas andanças pelo País, fez amizade com um cordelista que iria se apresentar durante um festival de poesia em Aracaju.

Daquele dia em diante, Jorge deixou de lado a sua insegurança e começou a divulgar o seu trabalho entre amigos e conhecidos. Hoje, ele contabiliza cerca de 100 edições dos livretos. Entre os mais conhecidos, estão Maloqueiro Zé Catacra, Conselho de um Velho Pai, O Pobre e a Medicina e Brigas de Amor.

Pelo conjunto do seu trabalho e pelo papel que desempenha na preservação da cultura oral nordestina, através dos seus cordéis, Jorge Calheiros foi agraciado em 2011 pelo Registro de Patrimônio Vivo de Alagoas (RPV/AL). E, em 2010, a história do Matuto Zé Cará foi adaptada para o cinema, no curta-metragem alagoano narrado pelo próprio cordelista e ilustrado em forma de animações criadas pelo artista plástico Weber Bagetti.

FONTES DE CONSULTADAS

GRACILIANO. Jorge Calheiros: o poeta dos cordéis. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://graciliano.tnh1.com.b r/2013/05/22/jorge-calheiros-o-poeta-dos-cordeis/>. Acesso em: 21 nov. 2014.

O NORDESTE.com. Jorge Calheiros. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Jorge+Calheiros>. Acesso em: 27 nov. 2014.

 

Poeta Joaquim Luiz Sobrinho – Síntese biográfica

Joaquim Luiz Sobrinho

Nasceu em Jatobá do Brejo, município de Belo Jardim, Pernambuco. Começou a vender folhetos de literatura de cordel na feira de Belo Jardim, ocasião em que escreveu a sua primeira obra, O Príncipe que trouxe a sina de morrer enforcado, conseguindo com ela muito sucesso. Dessa oportunidade em diante, ele não parou mais de escrever. Muitos de seus folhetos ainda permanecem inéditos. Faleceu em idade bastante avançada.

FONTES DE CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>.Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Joaquim Batista de Sena – Síntese biográfica

Joaquim Batista de Sena (21/05/1912 – 1990)

Nasceu no dia 21 de maio de 1912, em Fazenda Velha, do termo de Bananeiras, hoje pertencente ao município de Solânea-PB. Faleceu no distrito de Antônio Diogo (Redenção, Ceará) no início da década de 90. Autodidata, adquiriu vasto conhecimento sobre cultura popular e era um defensor intransigente da poesia popular nordestina. Começou como cantador de viola, permanecendo três anos neste ofício, no final da década de 30.

No início da década de 40, vendeu um sítio de sua propriedade e adquiriu sua primeira tipografia, que funcionou algum tempo na cidade de Guarabira, Paraíba, transferindo-se depois para Fortaleza, onde atuou durante muitos anos. Na capital cearense, sua tipografia adotou o nome de “Graças Fátima”. O poeta explicava a razão desse título: durante a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelo Nordeste, na década de 50, ele conseguiu ganhar muito dinheiro vendendo folhetos sobre a visita da santa, ampliando consideravelmente seus negócios. Por essa época, foi vítima de um naufrágio da Baía de Quebra-Potes (Maranhão), salvou-se nadando, mas perdeu uma mala de folhetos contendo diversos originais.

Em 1973, vendeu sua gráfica e sua propriedade literária para Manoel Caboclo e Silva e tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro, também no ramo da literatura de cordel, mas não foi bem sucedido. De volta ao Ceará, ainda editou alguns folhetos de sucesso, como o que escreveu em parceria com Vidal Santos, sobre o desastre aéreo da Serra da Aratanha (Pacatuba, Ceará), onde faleceu, dentre outros, o industrial Edson Queiroz.

Sena era um grande poeta, de verve apurada e rico vocabulário. Conhecia bem os costumes, a fauna, a flora e a geografia nordestina, motivo pelo qual seus romances eram ricos em descrições dessa natureza. Pode-se dizer que com a sua morte, fechou-se um ciclo na poesia popular nordestina e o gênero “romance” perdeu um de seus maiores poetas. Só agora, no início deste novo século, surgem novos romancistas que pretendem dar continuidade à trilha deixada pelo mestre.

FONTES CONSULTADAS

CÂMARA Brasileira de Jovens Escritores. Joaquim Batista de Sena. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em <http://www.camarabrasileira.com/cordel14.htm>. Acesso em: 15 nov. 2014.

CARVALHO, Reinaldo Forte. Cordel, almanaques e horóscopos: e(ru)dição dos folhetos populares em Juazeiro do Norte-CE. (1940 – 1960). 2008. 136 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Programa de Pós-graduação em História e Culturas, Fortaleza, 2008.

GONÇALVES. Marco Antonio. Cordel híbrido, contemporâneo e cosmopolita. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 4,  n. 1, p. 21-38, 2007.

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 MENEZES NETO, Geraldo Magella de. A exclusão do cordel do cânone literário paraense: uma discussão sobre literatura de cordel, cultura popular e folclore. Revista Estudos Amazônicos, v. 7, n. 1, p. 198-236, 2012.

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ROCHA, José Maria Tenório. Cultura greco-romana nos cantares do povo nordestino. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.lacult.org/docc/oralidad_05_32-37-cultura-greco-romana.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

Poeta João Melchíades Ferreira da Silva – Síntese biográfica

João Melchíades Ferreira da Silva (07/09/1869 – 10/12/1933)

João Melchíades nasceu em Bananeiras, interior da Paraíba, em 7 de setembro de 1869 e faleceu em João Pessoa em 10 de dezembro de 1933. Aprendeu a ler com um dos seus avós, que era ex-seminarista e professor dos meninos da região. Foi cantador e poeta de bancada, segundo Francisco das Chagas Batista, seu amigo e principal editor. É considerado um dos grandes poetas da primeira geração da literatura de cordel. Sargento reformado por causa do beribéri, João Melchíades passou a morar na capital paraibana. Sustentava a família com a aposentadoria que recebia mensalmente do Exército, da venda de seus folhetos e de cantorias.

Sabe-se que a maior parte dos folhetos de João Melchíades foi publicada pela Popular Editora, tipografia do amigo e cordelista paraibano Francisco das Chagas Batista. Não é conhecida a data do seu primeiro folheto, mas em 1914 passou a publicá-los regularmente. O poeta lia História, Geografia, Mitologia, Romances e a Bíblia; era muito religioso e amigo de alguns frades.

Viajava anualmente para vender folhetos pelo interior, sobretudo nos sertões da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, participando também de cantorias. Essas viagens eram feitas em época de safra. As viagens eram sempre a cavalo, levando um alforje com folhetos seus e de Chagas Batista, bem como terços, livros de missa e “romances de prateleira”.

Após a morte de João Melchíades, sua esposa Senhorinha e seus filhos venderam os direitos de publicação ao poeta e cantador Manuel Camilo dos Santos, que passou a editar os folhetos de Melchíades. Entretanto, naquela ocasião, os cordéis já eram publicados por João Martins de Athayde e, posteriormente, por José Bernardo da Silva, principalmente “O Romance do Pavão Misterioso”. A disputa entre editores pelos direitos de publicação das obras do “Cantor da Borborema” se estendeu por muitos anos até 2010, quando entraram em domínio público.

FONTES DE CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMelquiades/joaoMelquiades_biografia.html#>. Acesso em: 15 nov. 2014.

PINTO JUNIOR, Edivaldo Gomes; CIPRIANO, Maria do Socorro. A dimensão da propriedade intelectual na literatura de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/A%20DIMENSAO%20DA%20PROPRIEDADE%20INTELECTUAL%20NA%20LITERATURA%20DE%20CORDEL.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

WIKIPEDIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Melch%C3%ADades_Ferreira_da_Silva>. Acesso em: 20 nov. 2014.