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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poeta Jorge Calheiros – Síntese biográfica

Jorge Calheiros (08/08/1939)

Nasceu na cidade de Pilar, em Alagoas, no dia 08 de agosto de 1939. Ainda garoto, por volta dos 10 anos, ajudava o seu pai e os três irmãos a catar madeira no meio da mata para fazer carvão, depois vendido no comércio de Pilar. Foi nesta época em que teve o primeiro contato com a literatura de cordel, ao redor de uma fogueira, à noite, onde os meninos se reuniam para assistir, fascinados, contações de histórias.

Com familiaridade crescente com a literatura oral, era natural que Jorge acabasse tendo vontade de desenvolver sua própria produção poética. No entanto, a urgência de ter seu ganha-pão o obrigou a abdicar do seu talento. Aos 11 anos, trabalhou, com carteira assinada, na construção do Edifício Brêda e, aos 12, foi empregado de uma fábrica de tecidos em Fernão Velho.

Em busca de melhores condições de vida, o mestre cordelista tornou-se um “andarilho”. Trabalhou em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mesmo que tivesse exercido ofícios que o afastavam da sua derradeira paixão, Jorge nunca deixou de produzir os seus folhetos de cordel. Duvidando da qualidade do material e com receio de cometer gafes, caso os apresentasse em público, Jorge guardava seus escritos para si mesmo. Foi assim até que, numa dessas suas andanças pelo País, fez amizade com um cordelista que iria se apresentar durante um festival de poesia em Aracaju.

Daquele dia em diante, Jorge deixou de lado a sua insegurança e começou a divulgar o seu trabalho entre amigos e conhecidos. Hoje, ele contabiliza cerca de 100 edições dos livretos. Entre os mais conhecidos, estão Maloqueiro Zé Catacra, Conselho de um Velho Pai, O Pobre e a Medicina e Brigas de Amor.

Pelo conjunto do seu trabalho e pelo papel que desempenha na preservação da cultura oral nordestina, através dos seus cordéis, Jorge Calheiros foi agraciado em 2011 pelo Registro de Patrimônio Vivo de Alagoas (RPV/AL). E, em 2010, a história do Matuto Zé Cará foi adaptada para o cinema, no curta-metragem alagoano narrado pelo próprio cordelista e ilustrado em forma de animações criadas pelo artista plástico Weber Bagetti.

FONTES DE CONSULTADAS

GRACILIANO. Jorge Calheiros: o poeta dos cordéis. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://graciliano.tnh1.com.b r/2013/05/22/jorge-calheiros-o-poeta-dos-cordeis/>. Acesso em: 21 nov. 2014.

O NORDESTE.com. Jorge Calheiros. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Jorge+Calheiros>. Acesso em: 27 nov. 2014.

 

Poeta Joaquim Luiz Sobrinho – Síntese biográfica

Joaquim Luiz Sobrinho

Nasceu em Jatobá do Brejo, município de Belo Jardim, Pernambuco. Começou a vender folhetos de literatura de cordel na feira de Belo Jardim, ocasião em que escreveu a sua primeira obra, O Príncipe que trouxe a sina de morrer enforcado, conseguindo com ela muito sucesso. Dessa oportunidade em diante, ele não parou mais de escrever. Muitos de seus folhetos ainda permanecem inéditos. Faleceu em idade bastante avançada.

FONTES DE CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>.Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Joaquim Batista de Sena – Síntese biográfica

Joaquim Batista de Sena (21/05/1912 – 1990)

Nasceu no dia 21 de maio de 1912, em Fazenda Velha, do termo de Bananeiras, hoje pertencente ao município de Solânea-PB. Faleceu no distrito de Antônio Diogo (Redenção, Ceará) no início da década de 90. Autodidata, adquiriu vasto conhecimento sobre cultura popular e era um defensor intransigente da poesia popular nordestina. Começou como cantador de viola, permanecendo três anos neste ofício, no final da década de 30.

No início da década de 40, vendeu um sítio de sua propriedade e adquiriu sua primeira tipografia, que funcionou algum tempo na cidade de Guarabira, Paraíba, transferindo-se depois para Fortaleza, onde atuou durante muitos anos. Na capital cearense, sua tipografia adotou o nome de “Graças Fátima”. O poeta explicava a razão desse título: durante a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelo Nordeste, na década de 50, ele conseguiu ganhar muito dinheiro vendendo folhetos sobre a visita da santa, ampliando consideravelmente seus negócios. Por essa época, foi vítima de um naufrágio da Baía de Quebra-Potes (Maranhão), salvou-se nadando, mas perdeu uma mala de folhetos contendo diversos originais.

Em 1973, vendeu sua gráfica e sua propriedade literária para Manoel Caboclo e Silva e tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro, também no ramo da literatura de cordel, mas não foi bem sucedido. De volta ao Ceará, ainda editou alguns folhetos de sucesso, como o que escreveu em parceria com Vidal Santos, sobre o desastre aéreo da Serra da Aratanha (Pacatuba, Ceará), onde faleceu, dentre outros, o industrial Edson Queiroz.

Sena era um grande poeta, de verve apurada e rico vocabulário. Conhecia bem os costumes, a fauna, a flora e a geografia nordestina, motivo pelo qual seus romances eram ricos em descrições dessa natureza. Pode-se dizer que com a sua morte, fechou-se um ciclo na poesia popular nordestina e o gênero “romance” perdeu um de seus maiores poetas. Só agora, no início deste novo século, surgem novos romancistas que pretendem dar continuidade à trilha deixada pelo mestre.

FONTES CONSULTADAS

CÂMARA Brasileira de Jovens Escritores. Joaquim Batista de Sena. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em <http://www.camarabrasileira.com/cordel14.htm>. Acesso em: 15 nov. 2014.

CARVALHO, Reinaldo Forte. Cordel, almanaques e horóscopos: e(ru)dição dos folhetos populares em Juazeiro do Norte-CE. (1940 – 1960). 2008. 136 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Programa de Pós-graduação em História e Culturas, Fortaleza, 2008.

GONÇALVES. Marco Antonio. Cordel híbrido, contemporâneo e cosmopolita. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 4,  n. 1, p. 21-38, 2007.

GONÇALVES. Marco Antonio. Nordeste e antinordeste: a experiência nordestina contemporânea através do Mundo Poético do Cordel. [S.l.: s.n], 2008.   Disponível em: Users/Beth/Downloads/CORDEL.pdf.> Acesso em: 04 ago. 2014.

 MENEZES NETO, Geraldo Magella de. A exclusão do cordel do cânone literário paraense: uma discussão sobre literatura de cordel, cultura popular e folclore. Revista Estudos Amazônicos, v. 7, n. 1, p. 198-236, 2012.

PINTO JUNIOR, Edivaldo Gomes; CIPRIANO, Maria do Socorro. A dimensão da propriedade intelectual na literatura de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/A%20DIMENSAO%20DA%20PROPRIEDADE%20INTELECTUAL%20NA%20LITERATURA%20DE%20CORDEL.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

ROCHA, José Maria Tenório. Cultura greco-romana nos cantares do povo nordestino. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.lacult.org/docc/oralidad_05_32-37-cultura-greco-romana.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

Poeta João Melchíades Ferreira da Silva – Síntese biográfica

João Melchíades Ferreira da Silva (07/09/1869 – 10/12/1933)

João Melchíades nasceu em Bananeiras, interior da Paraíba, em 7 de setembro de 1869 e faleceu em João Pessoa em 10 de dezembro de 1933. Aprendeu a ler com um dos seus avós, que era ex-seminarista e professor dos meninos da região. Foi cantador e poeta de bancada, segundo Francisco das Chagas Batista, seu amigo e principal editor. É considerado um dos grandes poetas da primeira geração da literatura de cordel. Sargento reformado por causa do beribéri, João Melchíades passou a morar na capital paraibana. Sustentava a família com a aposentadoria que recebia mensalmente do Exército, da venda de seus folhetos e de cantorias.

Sabe-se que a maior parte dos folhetos de João Melchíades foi publicada pela Popular Editora, tipografia do amigo e cordelista paraibano Francisco das Chagas Batista. Não é conhecida a data do seu primeiro folheto, mas em 1914 passou a publicá-los regularmente. O poeta lia História, Geografia, Mitologia, Romances e a Bíblia; era muito religioso e amigo de alguns frades.

Viajava anualmente para vender folhetos pelo interior, sobretudo nos sertões da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, participando também de cantorias. Essas viagens eram feitas em época de safra. As viagens eram sempre a cavalo, levando um alforje com folhetos seus e de Chagas Batista, bem como terços, livros de missa e “romances de prateleira”.

Após a morte de João Melchíades, sua esposa Senhorinha e seus filhos venderam os direitos de publicação ao poeta e cantador Manuel Camilo dos Santos, que passou a editar os folhetos de Melchíades. Entretanto, naquela ocasião, os cordéis já eram publicados por João Martins de Athayde e, posteriormente, por José Bernardo da Silva, principalmente “O Romance do Pavão Misterioso”. A disputa entre editores pelos direitos de publicação das obras do “Cantor da Borborema” se estendeu por muitos anos até 2010, quando entraram em domínio público.

FONTES DE CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMelquiades/joaoMelquiades_biografia.html#>. Acesso em: 15 nov. 2014.

PINTO JUNIOR, Edivaldo Gomes; CIPRIANO, Maria do Socorro. A dimensão da propriedade intelectual na literatura de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/A%20DIMENSAO%20DA%20PROPRIEDADE%20INTELECTUAL%20NA%20LITERATURA%20DE%20CORDEL.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

WIKIPEDIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Melch%C3%ADades_Ferreira_da_Silva>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta João Martins de Athayde – Síntese biográfica

João Martins de Athayde (23/06/1880 – 07/08/1959)

Nasceu em Ingá de Bacamarte, Paraíba, em 23 de junho de 1880, e faleceu em Limoeiro, Pernambuco, no dia 07 de agosto de 1959. Corroborando com estas informações, Benjamin ([2004?]) e Gaspar (2009), observam que “João nasceu em Cachoeira de Cebolas, povoado de Ingá do Bacamarte, Paraíba, segundo ele próprio em 23 de junho de 1880. Devido à seca de 1898, migrou para Pernambuco, radicando-se no Recife. Faleceu em Limoeiro (PE), em 1959”.

Durante sua vida como poeta, instalado em Recife com gráfica própria, foi o maior editor de folhetos de seu tempo, entre 1920 e 1950. Editava também obras de outros poetas, compradas ou adquiridas por permuta.

João Martins de Athayde foi figura controvertida e chegou a ser elogiado por Mário de Andrade e por Tristão de Ataíde, recebendo até votos para Príncipe dos Poetas Brasileiros (quando da eleição de Guilherme de Almeida).

Foi acusado de comprar originais de dezenas de poetas populares e publicá-los sem mencionar os nomes dos autores, fato que tem ocasionado sérias dificuldades na identificação da autoria de histórias rimadas da literatura de cordel. No entanto, este fato não diminui a importância da sua obra, tampouco sua contribuição para a poesia popular no Brasil. Suas obras até hoje são reimpressas, quando seu estilo irônico e jornalístico se revela nos versos que faziam crítica aos costumes modernos.

FONTES DE CONSULTADAS

BENJAMIN, R. João Martins de Ataíde. Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, [2004?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMartins/joaoMartinsdeAtaide_biografia.html#>.

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>.

GASPAR, L. João Martins de Athayde. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2009. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=375&Itemid=189>.

MEMÓRIAS do Cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.memoriasdocordel.com.br/2013/04/grandes-nomes-do-cordel-2-joao-martins.html>. 

WIKIPÉDIA. João Martins de Athayde. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Martins_de_Athayde>

Poeta João Lucas Evangelista – Síntese biográfica

João Lucas Evangelista (06/05/1937)

Nasceu em 6 de maio de 1937, em Crateús, Ceará. Aos 19 anos, abandonou todas as outras atividades para viver somente de literatura de cordel. Tem mais de 60 trabalhos publicados, entre poemas, folhetos e romances, todos de grande aceitação popular, tendo também gravado dois discos de poemas populares. Além de poeta, é compositor, cantor, violonista, pintor e sócio da U.P.I. (União dos Profissionais da Imprensa). Viveu durantes muitos anos em Taguatinga do Norte, Distrito Federal, usando como transporte uma perua, transformada em biblioteca volante da cultura popular, a qual era equipada para ser sua hospedagem e palco de trabalho. Participa ativamente na divulgação da poesia popular, fazendo palestras e seminários em escolas de todos os níveis. Hoje, reside em sua cidade natal.

FONTES CONSULTADAS

BONFIM, João Bosco Bezerra. O gênero do cordel sob a perspectiva crítica do discurso. 2009. 275 f.  Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade de Brasília, Brasília – DF, 2009.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;>. Acesso em: 26 nov. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonarde Dantas de; HOLANDA, Virgínia Célia Cavalcante de. Elos possíveis entre o ensino de geografia e a literatura de cordel. Revista Homem, Espaço e Tempo, p. 96-113, set. 2008.

MEDEIROS, Antonio Heleonarde Dantas de; HOLANDA, Virgínia Célia Cavalcante de. Geografia e literatura de cordel: trilhando práticas e possibilidades em sala de aula.Caminhos de Geografia, Urbelândia, v. 9, n. 28, p. 134-145, dez. 2008.

MELO, Alex Canuto de. Memórias candangas: representações de outras Brasílias na literatura de cordel. 2013. 53 f. Monografia (Graduação) – Departamento de Teoria Literária, Instituto de Letras, Universidade de Brasília, Brasília – DF, 2013.

MENDES, Simone. A morte em forma de poesia: comoção, indignação e reivindicação em cordéis midiatizados. Revista de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 35, p. 139-152, jan./jun. 2010.

O NORDESTE. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Lucas+Evangelista<r=l&id_perso=1301>. Acesso em: 26 nov. 2014.

ROCHA, Henrique Pereira; SÁ, Wedja Samira de. A notícia em cordel: a reelaboração do fato jornalístico nos folhetos de ocasião. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 36., 2013, Manaus. Anais… Manaus: Intercom, 2013.

Poeta João Gomes de Sá – Síntese biográfica

João Gomes de Sá

Nasceu em Água Branca, no sertão alagoano, e mora em São Paulo. É formado em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde em 1977 trabalhou como bolsista da Funarte no Museu de Antropologia e Folclore Dr. Théo Brandão, dessa mesma universidade e conheceu as manifestações de cultura espontânea de seu povo. Além de suas atividades como professor de Português, dá orientações técnicas sobre o folclore e escreve poesia popular e literatura de cordel – muitas vezes, para ilustrar suas aulas.

FONTES CONSULTADAS

BULHÕES, R. M.; ENEDINO, W. C. O corcunda de Notre-Dame em cordel: carnavalização, performance e teatralidade na literatura popular. Cerrados: Revista do Programa de Pós-graduação em Literatura. p. 97-111, [20?].

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

MENEZES NETO, G. M. Questionamentos à historiografia do cordel brasileiro. Hist. Historiogr., Ouro Preto, n. 13, p. 220-225, dez. 2013.

 

Poeta João Firmino Cabral – Síntese biográfica

João Firmino Cabral (01/011940 – 01/02/2013)

No primeiro dia de janeiro de 1940, nasce João Firmino Cabral em Itabaiana, Sergipe. Filho de Pedro Firmino Cabral (cantador de feira e embolador) e Tercília da Conceição (roceira). Seu pai foi repentista e sustentou a família cantando embolada nas feiras de Itabaiana/SE, Pernambuco, Paraíba e Ceará. Morreu quando o filho contava com 11 anos de idade e, João Firmino passou a ser criado pelo repentista Manoel de Almeida Filho, um nome de destaque na literatura de cordel em Sergipe e no Brasil. Aos 14 anos de idade já estava vendendo os clássicos livretos de literatura de cordel de autoria de Manoel de Almeida, onde o cordelista instalava seu pequeno serviço de alto-falante na proximidade do relógio do Mercado Antônio Franco e ficava cantado suas obras. No mesmo local, outros poetas da época marcavam presença na área na venda de seus trabalhos, a exemplo de Pedro Armando dos Santos, falecido há mais de 30 anos, Genésio Gonçalves de Jesus, José Aristides e outros.

Aos 16 anos, após pedir consentimento a Manoel de Almeida, parte para a cidade de Alagoinhas, na Bahia, para vender folhetos da literatura de cordel, onde aluga um pequeno quarto e, ao retornar, resolve fazer seus folhetos.

O título do seu primeiro folheto impresso na cidade de Alagoinha, na Tipografia Comunista Vanguarda, foi “As bravuras de Miguel o valente sem igual”. Como não sabia como era o processo de impressão, recebeu a ajuda de um dono da gráfica que fez uso de um clichê já utilizado em outra impressão para ilustrar a capa do folheto. No livro havia mais erros ortográficos do que acertos; mesmo assim, vendeu bem seu trabalho na cidade baiana.

Tem como segundo folheto “A Profecia Sagrada do Padre Cícero Romão” e, para desenvolver o trabalho poético, fez uso das muitas histórias que sua avó e sua mãe contavam sobre o padre. O livro foi revisado e impresso em Aracaju, precisamente, na então Tipografia J. Andrade, hoje uma das mais qualificadas gráficas de Sergipe.

Em Aracaju, viveu exclusivamente da literatura de cordel e manteve a única banca fixa de folhetos cordelianos de Sergipe, localizada na Passarela das Flores do Mercado Antônio Franco, onde frequentemente recebia com carinho poetas sergipanos e de outros Estados, como também estudantes, professores, pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Já escreveu diversos folhetos educativos a pedido de escolas e entidades públicas e privadas.

Com sua literatura de cordel, percorreu quase todas as cidades do Nordeste. Publicou 450 títulos em literatura de cordel, um número expressivo que mostra, de fato, seu valor na literatura de cordel no Brasil. Faleceu em 01 de fevereiro de 2013.

FONTES DE CONSULTA

ALCOFORADO, D. F. X. A estratégia discursiva do cordel prosificado. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/boitata/volume-1-2006/artigo%20 Dora.pdf.>. Acesso em: 29 jul. 2014.

DONATO, H. Literatura popular sergipana: o exemplo da moça que dançou o lambadão no inferno. Revista Forum Identidades, v. 6, n. 3, p. 163-176, jul./dez. 2009.

L. FILHO, S. A. Folkmarketing: uma estratégia comunicacional construtora de discurso. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.eventos.uepg.br/ojs2_revistas/inde x.php?journal=folkcom&page=article&op=viewFile&path%5B%5D=641&path%5B%5D=468>. Acesso em: 29 jul. 2014.

MEDEIROS, A. H. D.; HOLANDA, V. C. C. Elos possíveis entre o ensino de geografia e a literatura de cordel. Revista Homem, Espaço e Tempo, p. 96-113, set. 2008.

MEDEIROS, A. H. D.; HOLANDA, V. C. C. Geografia e literatura de cordel: trilhando práticas e possibilidades em sala de aula. Caminhos de Geografia Uberlândia, v. 9, n. 28, p. 134-145, dez. 2008.

MENDES, S. P. S.. A mulher na poesia de cordel de Leandro Gomes de Barros. 2009. 123 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do  Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais, Vitória, 2009.

SANTOS, O. A vida de João Firmino Cabral. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.osmario.com.br/ler. asp?id=18007&titulo=memorias>. Acesso em: 20 nov. 2014.

SILVA, A. L.; FELIZOLA, M. P. M. Comunicação e políticas públicas: um estudo de caso  sobre a literatura de cordel em Sergipe. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 32., 2013, Curitiba. Anais… Curitiba: Intercom, 2009.

SILVA, R. J. Bandido e herói: o vingador do sertanejo no folheto de Cordel.Cadernos do IL, Porto Alegre, n. 45, p. 175-190, dez. 2012.

 

Poeta João Ferreira de Lima – Síntese biográfica

João Ferreira de Lima (03/11/1902 – 19/08/1972)

Nascido ao terceiro dia do mês de novembro de 1902, na pequena cidade de São José do Egito no estado de Pernambuco, João Ferreira de Lima foi autor do mais célebre almanaque popular nordestino, o Almanaque de Pernambuco, lançado em 1936, cuja tiragem anual chegou a ultrapassar 70 mil exemplares. A após a sua morte, em 19 de agosto de 1972 na cidade de Bezerros-PE, o almanaque passou a ser editado por sua filha Berenice. Sua obra não é muito extensa, porém tem qualidade, onde se destacam, pelo menos, dois grandes clássicos da literatura de cordel: Proezas de João Grilo Romance de Mariquinha e José de Sousa Leão. Além de poeta, ele era astrólogo.

Sobre o folheto As proezas de João Grilo convém ressaltar o seguinte: João Ferreira de Lima o escreveu originalmente em sextilhas, num folheto de 8 páginas, intitulado As palhaçadas de João Grilo. Por volta de 1948, a obra foi ampliada para 32 páginas na tipografia de João Martins de Athayde, pelo poeta Delarme Monteiro. As estrofes que foram acrescentadas são todas em sextilhas, sendo fácil identificar quais são as de autoria de João Ferreira de Lima.

Uma vertente em particular a ser notada na obra de João Ferreira de Lima  refere-se à crítica e à sátira social, como se pode observar no folheto As palhaçadas de João Grilo, quando após responder a todas as adivinhas propostas pelo rei, que lhe concederia o benefício de instalar-se no castelo, João Grilo impõe à nobreza valores de caráter moralizante, como podemos constatar nos versos:

 “…E então toda a repulsa

transformou-se de repente

o rei chamou-o pra mesa

como homem competente

consigo, dizia João:

na hora da refeição

vou ensinar esta gente“.

 

E, continua sua lição nos versos que se seguem:

 

 “…Eu estando esfarrapado

ia comer na cozinha

mas como troquei de roupa

como junto com a rainha

vejo nisto um grande ultraje

homenageiam meu traje

e não a pessoa minha…”.

 

Esse tal João Grilo é a imagem do anti-herói, como Pedro Malazartes, João Malasarte e Pedro Quengo, personagens também abordadas pelos poetas João Martins de Ataíde, Paulo Nunes Batista e Antonio Pauferro da Silva, com As perguntas do rei e as respostas de João Grilo, dentre outros.

Percorreu vários temas da poesia popular, privilegiando as Discussões e Pelejas, publicou Discussão de dois poetas, Antônio da Cruz com Cajarana Peleja de João Athayíde com João Lima, do qual temos conhecimento de duas edições: uma de Recife, 1921 e outra, de Juazeiro do Norte, Tipografia São Francisco, 1957.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoFerreiradeLima_biografia.html>. Acesso em: 22 nov. 2014.

CÂMARA Brasileira de Escritores. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.camarabrasileira.com/cordel20.htm>.  Acesso em: 20 nov. 2014.

SILVA, J. C. Literatura de cordel: um fazer popular a caminho da sala de aula. 2007. 57 f. Dissertação (Mestrado em Letras)- Universidade Federal da Paraíba,  Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-graduação em Letras, João Pessoa, 2007.

TIMBÓ, M. P.; BESSA, A. Z. S. A identidade e representação do Ceará na literatura de cordel: análise dos cordéis o Romance do Pavão Misterioso e As proezas de João Grilo. Revista Investigações, v. 25, n. 1, jan. 2012.

Poeta João Damasceno Nobre – Síntese biográfica

João Damasceno Nobre (06/05/1910 –  )

No dia 6 de maio de 1910, nasce na Fazenda Bebedouro, distrito de Serraria, Município de Inhambupe, estado da Bahia, o menino poeta João Damasceno Nobre. Antes de se dedicar ao cordel, em 1917 acompanhando a família, usou seu corpo e pensamentos no trabalho da lavoura cacaueira no mesmo Estado em que nasceu.

Em 1955, publicou seu primeiro folheto “As aflições do Presente e as Glórias do Porvir”. Seu conjunto literário: As Profecias do Boi MisteriosoO Cisne Misterioso, A História do Perverso Barba Roxa e o O quengo do Pedro Malazarte no Fazendeiro foram publicados pela extinta editora Prelúdio. Sua arte era assinada com o pseudônimo Amador Silvestre.

O folheto “O quengo do Pedro Malazarte no Fazendeiro” foi reeditado há quase cinquenta anos, o que lhe garante o status de clássico da literatura de cordel.

Trecho do cordel O quengo do Pedro Malazarte no Fazendeiro, da Editora Prelúdio,

 

 Vou contar nesse momento

Um caso que foi passado

De um camarada perverso

Que nunca foi enganado;

Mas um dia foi buscar lã,

Porém saiu tosquiado.

 

Toda pessoa que ia

Com esse cara trabalhar,

Ele inventava uma treita

Para o pobre não pagar,

E todo mundo caia

No seu jeito de enganar.

FONTES CONSULTADAS

BIOGRAFIAS de poetas. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/grandes-autores.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

BONFIM, João Bosco Bezerra. O gênero do cordel sob a perspectiva crítica do discurso. 2009. 275 f. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Instituro de Letras, Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Brasília, 2009.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

LIMA, Marcio Alexandre Barbosa. A literatura de cordel e o uso da mentira. Emblemas, v. 8, n. 2, p. 229-262, jul./dez. 2011.