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Poeta José Acaci – Síntese biográfica

José Acaci  

José Acaci é professor, compositor e poeta cordelista. Nascido em Macaíba, Rio Grande do Norte, Acaci herdou do pai, Chagas Ramalho, o dom e a paixão pela literatura de cordel e, da mãe, Dona Mariquinha, a sabedoria e a garra para enfrentar as batalhas da vida sempre sorrindo. Membro da ANLIC – Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel, da SPVA – Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte, e da Associação Internacional Poetas Del Mundo, o poeta recebeu o título Consul Poetas Del Mundo, pela Associação Internacional Poetas Del Mundo, com sede no Chile, o Mérito Luiz da Câmara Cascudo, pela Academia Caxambuense de Letras, em Caxambu, Minas Gerais, e o Mérito Noel Rosa, pela Associação Brasileira de Dentistas Escritores, São Paulo/SP, e, no ano 2011, José Acaci representou a cultura potiguar no XV Congresso Brasileiro de Folclore, que aconteceu em São José dos Campos, São Paulo, a convite da Comissão Brasileira de Folclore.

O seu primeiro livro foi Histórias de Rio pequeno – Uma Viagem Poética sobre a História de Parnamirim. Autor também dos CDs Cordas e Cordéis e Do Cordel à Embolada e de mais de sessenta folhetos de literatura de cordel, Acaci lança agora a segunda edição de Conselhos Pra Juventude.

Em sua poética, José Acaci traz a lume discussões de caráter acadêmico, a exemplo do cordel Sobre o Direito Romano, como se pode verificar nos fragmentos que seguem:

 Recebi um desafio

de um velho camarada

que eu fiquei duvidoso

se topava essa empreitada:

Pensar num texto em cordel

e escrever no papel

sem cometer um engano,

ser bastante categórico

e escrever um breve histórico

sobre o Direito Romano 

[…]

 

Também quero acrescentar

a ação dos senadores

cujas deliberações

guiavam os imperadores.

 era o Senatus-Consultus,

que junto aos jurisconsultos

com suas opiniões,

ditaram de frase em frase,

e assim formularam a base

para as constituições.

 

Eu vou terminando aqui

botando em primeiro plano

a importância do estudo

sobre o Direito Romano.

Que esse cordel seja um prumo

pra que você tenha um rumo

e lhe sirva como guia,

se acaso tenha gostado,

lhe digo muito obrigado,

adeus, até outro dia

Outra característica da obra de Acaci é o poema de circunstâncias, a exemplo do “Cordel sobre Tortura” que recebeu o apoio do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Nenzinha Machado, CEDDH-PI, Coordenação Geral de Combate à Tortura, da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal. Ei-lo na íntegra:

 Para mostrar esses versos que apresento

Eu me visto no manto da humildade

Pois não quero ser dono da verdade,

Quero apenas chamar a atenção nesse momento

Para essa ferida na estrutura

Da sociedade e na cultura

De um povo sofrido, que rejeita,

Mas ao ficar calado, ele aceita

Essa praga chamada de tortura.

Quem se sente à vontade para pensar

Em promover ou apoiar a tortura,

Estará cometendo uma loucura,

Uma insanidade milenar.

É preciso parar para pensar

Que a tortura é uma barbaridade.

É a mão consciente da maldade

Trabalhando com projetos e planos

Pra trazer para nós seres humanos

Sofrimento, injustiça e crueldade.

A tortura transforma nós humanos

Nos mais vis dos mais vis seres que existem,

E o silêncio daqueles que assistem

E se calam, também comete danos.

O Brasil, a mais de quinhentos anos,

Utiliza da prática da tortura,

Desde a colonização á ditadura.

Dos escravos trazidos nos porões

Até hoje, no escuro das prisões,

Essa prática mantém sua estrutura.

 

Na tortura tem a ação ativa

Do agente que é o torturador,

Além do torturado, o sofredor,

E da sociedade permissiva.

Quem se cala é agente da passiva,

pois permite que um crime aconteça,

Sem que o criminoso reconheça

E pague pelo crime cometido

Contra quem deveria ser punido

Com a pena que acaso ele mereça.

Os indígenas foram torturados

E até hoje ainda guardam na memória

Os momentos cruéis da sua história

Com irmãos e parentes dizimados.

Não podemos ver e ficar calados

Ao saber que essa prática funesta,

Uma ação ignóbil como esta,

É usada pra arrancar confissões,

Promovendo dores e humilhações,

Sofrimentos e tudo que não presta.

 

As torturas guardadas na memória

Não merecem ficar na impunidade.

Foram crimes contra a humanidade,

Mas que foram julgados pela história.

Numa guerra, quem obtém vitória,

Perpetua a surdez e a cegueira,

Conta os fatos, mas à sua maneira,

O grilhão da tortura ele destrói,

E por trás da verdade se constrói

Uma história que não é verdadeira.

 

Na história recente brasileira

E nos noticiários atuais,

As torturas já são casos banais,

E esse tema é notícia corriqueira.

É preciso frear essa carreira

No caminho febril da impunidade,

E lutar para que a sociedade

Abra os olhos da sua indiferença,

Para tentar se livrar dessa doença

 Que assola valor da humanidade

 

Sucessivos governos brasileiros

Assinaram convenções e tratados.

Protocolos foram ratificados,

E os países seguiram esses roteiros

De ações em busca dos verdadeiros

Culpados pela prática das torturas,

É constante essa luta nas procuras

Pelos torturados e mandantes.

É luta de vitórias flutuantes,

E vitórias de poucas criaturas.

 

Num país que sua lei objetiva

Que é crime o ato de torturar,

Não se sente de bem ao se falar

Da pessoa que faz ou incentiva,

Da que assiste de forma permissiva,

Das que vêem e que ficam caladas,

Ou acham que as pessoas torturadas

Merecem todo aquele sofrimento.

Isso é coisa que não tem cabimento

Em nações que se dizem respeitadas.

 

Não podemos ficar indiferentes

À tortura em qualquer modalidade,

E nenhuma ação com gravidade

Justifica as torturas conseqüentes.

E as pessoas que assistem coniventes

Apequenam nossa sociedade

Quando, num ato de leviandade,

Deixam pessoas serem torturadas,

Espancadas, marcadas, humilhadas,

E feridas na sua integridade.

 

Há exemplos de gente torturada

Simplesmente por não ter documento

Ou por estar jogada ao relento

Cochilando na fria madrugada.

E por qualquer motivo é espancada

Seja por opção sexual,

Sua condição psíquica e mental,

Sua raça, sua cor, sua cidade,

O seu gênero, o seu time, sua idade,

Ou a sua condição social.

 

Precisamos que a sociedade

Abra os olhos contra todos os fatos

Que sejam associados a maus tratos

Sofrimentos e a impunidade.

Precisamos que em cada cidade

Aconteça uma conscientização

Dos direitos de cada cidadão,

E que todos se engajem na procura

De uma sociedade sem tortura,

                       Essa coisa sem lógica e sem razão.        

 

Em resumo, o que estamos precisando,

É de um pouco de amor no coração,

Mais respeito para o cidadão,

E atenção para quem está precisando.

Omitir é como estar apoiando

A tortura, esta ação má e servil.

E essa nossa luta varonil

Deve ser incansável e persistente,

Pra um dia dizermos plenamente

“Acabou-se a tortura no Brasil.”

FONTES CONSULTADAS

 ACACI, José. Cordel sobre tortura. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <Users/Joao/Downloads/Cordel%20sobre% 20tortura%20(1).pdf>. Acesso em: 20 jul. 2014.

ESPAÇO do cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://espacodocordel.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&maxresults=17>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta Jorge Renato de Menezes – Síntese biográfica

Jorge Renato de Menezes (1969 – )

Poeta cordelista e produtor cultural, Menezes nasceu em 1969 na cidade do Recife. Viveu a infância entre as cidades de Recife, Tuparetama, São José do Egito e Arcoverde. Nesta última, viveu da adolescência à fase adulta, quando se mudou para o Recife, onde reside até hoje.  Membro da Unicordel – União dos Cordelistas de Pernambuco, é também produtor da banda Vates e Violas. Como gosta de dizer, Jorge Filó é neto, filho, sobrinho, irmão e amigo de poetas e toca sua vida “respirando e transpirando poesia”. É filho de um grande nome da poesia popular nordestina, Manoel Filó, que faz parte da família poética do Pajeú, região do sertão pernambucano farta em bons poetas e repentistas. Além de escrever cordéis, Jorge é um hábil sonetista e escreve seus sonetos sob o pseudônimo ou quem sabe heterônimo de Anacreonte Sordano, a exemplo do Poema da meia idade:

Durante o tempo que foi minha infância

Vivi na ânsia de crescer um dia

E o tempo rude não tardou seu passo

Fez meu regaço de melancolia.

Se hoje lembro quando eu menino

Sem ter destino, em liberdade plena

No meu presente vivo atrelado

A esse estado que só me envenena.

 

O eu menino, banhado em virtudes

As atitudes de pura inocência

Hoje carrega no meu eu adulto

A dor do insulto da incoerência.

 

Meu eu adulto não sabe sonhar

Para brincar, perdeu a magia

Quando menino com tudo sonhava

Quando brincava com a alegria.

 

Foi-se um tempo feliz, inebriante

O eu infante já não mais existe

Meu eu adulto não tem fantasia

Sem poesia todo o mundo é triste.

 

Vivo o presente de recordações

Minhas ações do meu eu crescido

É de lembranças do meu eu criança

Uma esperança de um tempo perdido.

Poeta, conectado com a contemporaneidade do seu tempo, edita com regularidade o blog No Pé da Parede com o qual se articula na internet e divulga a pluralidade da cena literária nordestina. Transita nas diversas cenas literárias da cidade do Recife/PE, sendo considerado um dos precursores em unir as manifestações da poesia alternativa e da poesia popular. Transita, com igual desenvoltura, em eventos culturais dos mais diversos gêneros, tendo seus poemas publicados pelos fanzines alternativos em circulação.

FONTES CONSULTADAS

JORGE Filó. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=229&catid=48>. Acesso em: 22 nov. 2014.

POEMAS e homilias: anacronia de Anacreonte Sordano. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <https://anacreontesordano. wordpress.com/>.  Acesso em: 14 nov. 2014.

NO PÉ da parede. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://nopedaparede.blogspot.com.br/>.  Acesso em: 14 nov. 2014.

Poeta Jorge Calheiros – Síntese biográfica

Jorge Calheiros (08/08/1939)

Nasceu na cidade de Pilar, em Alagoas, no dia 08 de agosto de 1939. Ainda garoto, por volta dos 10 anos, ajudava o seu pai e os três irmãos a catar madeira no meio da mata para fazer carvão, depois vendido no comércio de Pilar. Foi nesta época em que teve o primeiro contato com a literatura de cordel, ao redor de uma fogueira, à noite, onde os meninos se reuniam para assistir, fascinados, contações de histórias.

Com familiaridade crescente com a literatura oral, era natural que Jorge acabasse tendo vontade de desenvolver sua própria produção poética. No entanto, a urgência de ter seu ganha-pão o obrigou a abdicar do seu talento. Aos 11 anos, trabalhou, com carteira assinada, na construção do Edifício Brêda e, aos 12, foi empregado de uma fábrica de tecidos em Fernão Velho.

Em busca de melhores condições de vida, o mestre cordelista tornou-se um “andarilho”. Trabalhou em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mesmo que tivesse exercido ofícios que o afastavam da sua derradeira paixão, Jorge nunca deixou de produzir os seus folhetos de cordel. Duvidando da qualidade do material e com receio de cometer gafes, caso os apresentasse em público, Jorge guardava seus escritos para si mesmo. Foi assim até que, numa dessas suas andanças pelo País, fez amizade com um cordelista que iria se apresentar durante um festival de poesia em Aracaju.

Daquele dia em diante, Jorge deixou de lado a sua insegurança e começou a divulgar o seu trabalho entre amigos e conhecidos. Hoje, ele contabiliza cerca de 100 edições dos livretos. Entre os mais conhecidos, estão Maloqueiro Zé Catacra, Conselho de um Velho Pai, O Pobre e a Medicina e Brigas de Amor.

Pelo conjunto do seu trabalho e pelo papel que desempenha na preservação da cultura oral nordestina, através dos seus cordéis, Jorge Calheiros foi agraciado em 2011 pelo Registro de Patrimônio Vivo de Alagoas (RPV/AL). E, em 2010, a história do Matuto Zé Cará foi adaptada para o cinema, no curta-metragem alagoano narrado pelo próprio cordelista e ilustrado em forma de animações criadas pelo artista plástico Weber Bagetti.

FONTES DE CONSULTADAS

GRACILIANO. Jorge Calheiros: o poeta dos cordéis. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://graciliano.tnh1.com.b r/2013/05/22/jorge-calheiros-o-poeta-dos-cordeis/>. Acesso em: 21 nov. 2014.

O NORDESTE.com. Jorge Calheiros. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Jorge+Calheiros>. Acesso em: 27 nov. 2014.

 

Poeta Joaquim Luiz Sobrinho – Síntese biográfica

Joaquim Luiz Sobrinho

Nasceu em Jatobá do Brejo, município de Belo Jardim, Pernambuco. Começou a vender folhetos de literatura de cordel na feira de Belo Jardim, ocasião em que escreveu a sua primeira obra, O Príncipe que trouxe a sina de morrer enforcado, conseguindo com ela muito sucesso. Dessa oportunidade em diante, ele não parou mais de escrever. Muitos de seus folhetos ainda permanecem inéditos. Faleceu em idade bastante avançada.

FONTES DE CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>.Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Joaquim Batista de Sena – Síntese biográfica

Joaquim Batista de Sena (21/05/1912 – 1990)

Nasceu no dia 21 de maio de 1912, em Fazenda Velha, do termo de Bananeiras, hoje pertencente ao município de Solânea-PB. Faleceu no distrito de Antônio Diogo (Redenção, Ceará) no início da década de 90. Autodidata, adquiriu vasto conhecimento sobre cultura popular e era um defensor intransigente da poesia popular nordestina. Começou como cantador de viola, permanecendo três anos neste ofício, no final da década de 30.

No início da década de 40, vendeu um sítio de sua propriedade e adquiriu sua primeira tipografia, que funcionou algum tempo na cidade de Guarabira, Paraíba, transferindo-se depois para Fortaleza, onde atuou durante muitos anos. Na capital cearense, sua tipografia adotou o nome de “Graças Fátima”. O poeta explicava a razão desse título: durante a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelo Nordeste, na década de 50, ele conseguiu ganhar muito dinheiro vendendo folhetos sobre a visita da santa, ampliando consideravelmente seus negócios. Por essa época, foi vítima de um naufrágio da Baía de Quebra-Potes (Maranhão), salvou-se nadando, mas perdeu uma mala de folhetos contendo diversos originais.

Em 1973, vendeu sua gráfica e sua propriedade literária para Manoel Caboclo e Silva e tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro, também no ramo da literatura de cordel, mas não foi bem sucedido. De volta ao Ceará, ainda editou alguns folhetos de sucesso, como o que escreveu em parceria com Vidal Santos, sobre o desastre aéreo da Serra da Aratanha (Pacatuba, Ceará), onde faleceu, dentre outros, o industrial Edson Queiroz.

Sena era um grande poeta, de verve apurada e rico vocabulário. Conhecia bem os costumes, a fauna, a flora e a geografia nordestina, motivo pelo qual seus romances eram ricos em descrições dessa natureza. Pode-se dizer que com a sua morte, fechou-se um ciclo na poesia popular nordestina e o gênero “romance” perdeu um de seus maiores poetas. Só agora, no início deste novo século, surgem novos romancistas que pretendem dar continuidade à trilha deixada pelo mestre.

FONTES CONSULTADAS

CÂMARA Brasileira de Jovens Escritores. Joaquim Batista de Sena. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em <http://www.camarabrasileira.com/cordel14.htm>. Acesso em: 15 nov. 2014.

CARVALHO, Reinaldo Forte. Cordel, almanaques e horóscopos: e(ru)dição dos folhetos populares em Juazeiro do Norte-CE. (1940 – 1960). 2008. 136 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Programa de Pós-graduação em História e Culturas, Fortaleza, 2008.

GONÇALVES. Marco Antonio. Cordel híbrido, contemporâneo e cosmopolita. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares, v. 4,  n. 1, p. 21-38, 2007.

GONÇALVES. Marco Antonio. Nordeste e antinordeste: a experiência nordestina contemporânea através do Mundo Poético do Cordel. [S.l.: s.n], 2008.   Disponível em: Users/Beth/Downloads/CORDEL.pdf.> Acesso em: 04 ago. 2014.

 MENEZES NETO, Geraldo Magella de. A exclusão do cordel do cânone literário paraense: uma discussão sobre literatura de cordel, cultura popular e folclore. Revista Estudos Amazônicos, v. 7, n. 1, p. 198-236, 2012.

PINTO JUNIOR, Edivaldo Gomes; CIPRIANO, Maria do Socorro. A dimensão da propriedade intelectual na literatura de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/A%20DIMENSAO%20DA%20PROPRIEDADE%20INTELECTUAL%20NA%20LITERATURA%20DE%20CORDEL.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

ROCHA, José Maria Tenório. Cultura greco-romana nos cantares do povo nordestino. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.lacult.org/docc/oralidad_05_32-37-cultura-greco-romana.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

Poeta João Melchíades Ferreira da Silva – Síntese biográfica

João Melchíades Ferreira da Silva (07/09/1869 – 10/12/1933)

João Melchíades nasceu em Bananeiras, interior da Paraíba, em 7 de setembro de 1869 e faleceu em João Pessoa em 10 de dezembro de 1933. Aprendeu a ler com um dos seus avós, que era ex-seminarista e professor dos meninos da região. Foi cantador e poeta de bancada, segundo Francisco das Chagas Batista, seu amigo e principal editor. É considerado um dos grandes poetas da primeira geração da literatura de cordel. Sargento reformado por causa do beribéri, João Melchíades passou a morar na capital paraibana. Sustentava a família com a aposentadoria que recebia mensalmente do Exército, da venda de seus folhetos e de cantorias.

Sabe-se que a maior parte dos folhetos de João Melchíades foi publicada pela Popular Editora, tipografia do amigo e cordelista paraibano Francisco das Chagas Batista. Não é conhecida a data do seu primeiro folheto, mas em 1914 passou a publicá-los regularmente. O poeta lia História, Geografia, Mitologia, Romances e a Bíblia; era muito religioso e amigo de alguns frades.

Viajava anualmente para vender folhetos pelo interior, sobretudo nos sertões da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, participando também de cantorias. Essas viagens eram feitas em época de safra. As viagens eram sempre a cavalo, levando um alforje com folhetos seus e de Chagas Batista, bem como terços, livros de missa e “romances de prateleira”.

Após a morte de João Melchíades, sua esposa Senhorinha e seus filhos venderam os direitos de publicação ao poeta e cantador Manuel Camilo dos Santos, que passou a editar os folhetos de Melchíades. Entretanto, naquela ocasião, os cordéis já eram publicados por João Martins de Athayde e, posteriormente, por José Bernardo da Silva, principalmente “O Romance do Pavão Misterioso”. A disputa entre editores pelos direitos de publicação das obras do “Cantor da Borborema” se estendeu por muitos anos até 2010, quando entraram em domínio público.

FONTES DE CONSULTADAS

BIOGRAFIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMelquiades/joaoMelquiades_biografia.html#>. Acesso em: 15 nov. 2014.

PINTO JUNIOR, Edivaldo Gomes; CIPRIANO, Maria do Socorro. A dimensão da propriedade intelectual na literatura de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.rn.anpuh.org/evento/veeh/ST06/A%20DIMENSAO%20DA%20PROPRIEDADE%20INTELECTUAL%20NA%20LITERATURA%20DE%20CORDEL.pdf>. Acesso em: 04 ago. 2014.

WIKIPEDIA. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Melch%C3%ADades_Ferreira_da_Silva>. Acesso em: 20 nov. 2014.

Poeta João Martins de Athayde – Síntese biográfica

João Martins de Athayde (23/06/1880 – 07/08/1959)

Nasceu em Ingá de Bacamarte, Paraíba, em 23 de junho de 1880, e faleceu em Limoeiro, Pernambuco, no dia 07 de agosto de 1959. Corroborando com estas informações, Benjamin ([2004?]) e Gaspar (2009), observam que “João nasceu em Cachoeira de Cebolas, povoado de Ingá do Bacamarte, Paraíba, segundo ele próprio em 23 de junho de 1880. Devido à seca de 1898, migrou para Pernambuco, radicando-se no Recife. Faleceu em Limoeiro (PE), em 1959”.

Durante sua vida como poeta, instalado em Recife com gráfica própria, foi o maior editor de folhetos de seu tempo, entre 1920 e 1950. Editava também obras de outros poetas, compradas ou adquiridas por permuta.

João Martins de Athayde foi figura controvertida e chegou a ser elogiado por Mário de Andrade e por Tristão de Ataíde, recebendo até votos para Príncipe dos Poetas Brasileiros (quando da eleição de Guilherme de Almeida).

Foi acusado de comprar originais de dezenas de poetas populares e publicá-los sem mencionar os nomes dos autores, fato que tem ocasionado sérias dificuldades na identificação da autoria de histórias rimadas da literatura de cordel. No entanto, este fato não diminui a importância da sua obra, tampouco sua contribuição para a poesia popular no Brasil. Suas obras até hoje são reimpressas, quando seu estilo irônico e jornalístico se revela nos versos que faziam crítica aos costumes modernos.

FONTES DE CONSULTADAS

BENJAMIN, R. João Martins de Ataíde. Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, [2004?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/JoaoMartins/joaoMartinsdeAtaide_biografia.html#>.

CORDEL atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>.

GASPAR, L. João Martins de Athayde. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2009. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=375&Itemid=189>.

MEMÓRIAS do Cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.memoriasdocordel.com.br/2013/04/grandes-nomes-do-cordel-2-joao-martins.html>. 

WIKIPÉDIA. João Martins de Athayde. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Martins_de_Athayde>

Poeta João Lucas Evangelista – Síntese biográfica

João Lucas Evangelista (06/05/1937)

Nasceu em 6 de maio de 1937, em Crateús, Ceará. Aos 19 anos, abandonou todas as outras atividades para viver somente de literatura de cordel. Tem mais de 60 trabalhos publicados, entre poemas, folhetos e romances, todos de grande aceitação popular, tendo também gravado dois discos de poemas populares. Além de poeta, é compositor, cantor, violonista, pintor e sócio da U.P.I. (União dos Profissionais da Imprensa). Viveu durantes muitos anos em Taguatinga do Norte, Distrito Federal, usando como transporte uma perua, transformada em biblioteca volante da cultura popular, a qual era equipada para ser sua hospedagem e palco de trabalho. Participa ativamente na divulgação da poesia popular, fazendo palestras e seminários em escolas de todos os níveis. Hoje, reside em sua cidade natal.

FONTES CONSULTADAS

BONFIM, João Bosco Bezerra. O gênero do cordel sob a perspectiva crítica do discurso. 2009. 275 f.  Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade de Brasília, Brasília – DF, 2009.

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;>. Acesso em: 26 nov. 2014.

MEDEIROS, Antonio Heleonarde Dantas de; HOLANDA, Virgínia Célia Cavalcante de. Elos possíveis entre o ensino de geografia e a literatura de cordel. Revista Homem, Espaço e Tempo, p. 96-113, set. 2008.

MEDEIROS, Antonio Heleonarde Dantas de; HOLANDA, Virgínia Célia Cavalcante de. Geografia e literatura de cordel: trilhando práticas e possibilidades em sala de aula.Caminhos de Geografia, Urbelândia, v. 9, n. 28, p. 134-145, dez. 2008.

MELO, Alex Canuto de. Memórias candangas: representações de outras Brasílias na literatura de cordel. 2013. 53 f. Monografia (Graduação) – Departamento de Teoria Literária, Instituto de Letras, Universidade de Brasília, Brasília – DF, 2013.

MENDES, Simone. A morte em forma de poesia: comoção, indignação e reivindicação em cordéis midiatizados. Revista de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 35, p. 139-152, jan./jun. 2010.

O NORDESTE. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Lucas+Evangelista<r=l&id_perso=1301>. Acesso em: 26 nov. 2014.

ROCHA, Henrique Pereira; SÁ, Wedja Samira de. A notícia em cordel: a reelaboração do fato jornalístico nos folhetos de ocasião. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 36., 2013, Manaus. Anais… Manaus: Intercom, 2013.

Poeta João Gomes de Sá – Síntese biográfica

João Gomes de Sá

Nasceu em Água Branca, no sertão alagoano, e mora em São Paulo. É formado em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde em 1977 trabalhou como bolsista da Funarte no Museu de Antropologia e Folclore Dr. Théo Brandão, dessa mesma universidade e conheceu as manifestações de cultura espontânea de seu povo. Além de suas atividades como professor de Português, dá orientações técnicas sobre o folclore e escreve poesia popular e literatura de cordel – muitas vezes, para ilustrar suas aulas.

FONTES CONSULTADAS

BULHÕES, R. M.; ENEDINO, W. C. O corcunda de Notre-Dame em cordel: carnavalização, performance e teatralidade na literatura popular. Cerrados: Revista do Programa de Pós-graduação em Literatura. p. 97-111, [20?].

CORDEL Atemporal. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

MENEZES NETO, G. M. Questionamentos à historiografia do cordel brasileiro. Hist. Historiogr., Ouro Preto, n. 13, p. 220-225, dez. 2013.

 

Poeta João Firmino Cabral – Síntese biográfica

João Firmino Cabral (01/011940 – 01/02/2013)

No primeiro dia de janeiro de 1940, nasce João Firmino Cabral em Itabaiana, Sergipe. Filho de Pedro Firmino Cabral (cantador de feira e embolador) e Tercília da Conceição (roceira). Seu pai foi repentista e sustentou a família cantando embolada nas feiras de Itabaiana/SE, Pernambuco, Paraíba e Ceará. Morreu quando o filho contava com 11 anos de idade e, João Firmino passou a ser criado pelo repentista Manoel de Almeida Filho, um nome de destaque na literatura de cordel em Sergipe e no Brasil. Aos 14 anos de idade já estava vendendo os clássicos livretos de literatura de cordel de autoria de Manoel de Almeida, onde o cordelista instalava seu pequeno serviço de alto-falante na proximidade do relógio do Mercado Antônio Franco e ficava cantado suas obras. No mesmo local, outros poetas da época marcavam presença na área na venda de seus trabalhos, a exemplo de Pedro Armando dos Santos, falecido há mais de 30 anos, Genésio Gonçalves de Jesus, José Aristides e outros.

Aos 16 anos, após pedir consentimento a Manoel de Almeida, parte para a cidade de Alagoinhas, na Bahia, para vender folhetos da literatura de cordel, onde aluga um pequeno quarto e, ao retornar, resolve fazer seus folhetos.

O título do seu primeiro folheto impresso na cidade de Alagoinha, na Tipografia Comunista Vanguarda, foi “As bravuras de Miguel o valente sem igual”. Como não sabia como era o processo de impressão, recebeu a ajuda de um dono da gráfica que fez uso de um clichê já utilizado em outra impressão para ilustrar a capa do folheto. No livro havia mais erros ortográficos do que acertos; mesmo assim, vendeu bem seu trabalho na cidade baiana.

Tem como segundo folheto “A Profecia Sagrada do Padre Cícero Romão” e, para desenvolver o trabalho poético, fez uso das muitas histórias que sua avó e sua mãe contavam sobre o padre. O livro foi revisado e impresso em Aracaju, precisamente, na então Tipografia J. Andrade, hoje uma das mais qualificadas gráficas de Sergipe.

Em Aracaju, viveu exclusivamente da literatura de cordel e manteve a única banca fixa de folhetos cordelianos de Sergipe, localizada na Passarela das Flores do Mercado Antônio Franco, onde frequentemente recebia com carinho poetas sergipanos e de outros Estados, como também estudantes, professores, pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Já escreveu diversos folhetos educativos a pedido de escolas e entidades públicas e privadas.

Com sua literatura de cordel, percorreu quase todas as cidades do Nordeste. Publicou 450 títulos em literatura de cordel, um número expressivo que mostra, de fato, seu valor na literatura de cordel no Brasil. Faleceu em 01 de fevereiro de 2013.

FONTES DE CONSULTA

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