Arquivo da categoria: Síntese Biográfica

Poeta Severino Gonçalves de Oliveira – Síntese biográfica

Severino Gonçalves de Oliveira

Severino Gonçalves de Oliveira atendia, também, pelos nomes de Cirilo de Oliveira ou Cirilo que costumava usar nos acróstico.

Não foram localizados registro de sua naturalidade nem data do seu nascimento, pelo menos não encontramos registros que remontem ao fato. Quanto ao seu falecimento também são desconhecidas. Sabe-se apenas que foi assassinado no município de Gravatá no estado de Pernambuco.

Foi trovador, cordelista e xilogravador. Segundo Ferrandez foi um dos primeiros cordelista a produzir as gravuras dos seus folhetos.

A principal característica dos temas dos seus versos era temas religiosos e de braveza o que o remonta as tradições trovadoresca da Idade Média. A responsabilidade do lançamento de suas produções ficavam sob a responsabilidade da Editora Luzeiro.

 A vitória do príncipe Roldão no reino do pensamento

 Neste livro aqui se vê

Um drama misterioso

Do rei mais caritativo,

Hospitaleiro e bondoso,

Pai de dois filhos solteiros:

Um justo e o outro orgulhoso.

 

Esse rei era viúvo

Mas vivia alegremente,

Um dia, pela manhã,

Sem esperar, de repente,

Deu-lhe uma dor de cabeça,

Cegou instantaneamente.

FONTES CONSULTADAS

FERRANDEZ, Isabela A. Severino Gonçalves de Oliveira. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://7e5grupodeestudos 2011.blogspot.com.br/2011/09/severino-goncalves-de-oliveira-por.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

CORDEL atemporal. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

A VITÓRIA do Príncipe Roldão no Reino do Pensamento – Luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/278-a-vitoria-do-principe-roldao-no-reino-do-pensamento-luzeiro.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

MOÇAMBIQUE. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://6gmocambique.blogspot.com.br/2009/9severino-conçalves-de oliveira-ele-era.html>. Acesso em: 21 nov. 2014.

Poeta Silvino Pirauá de Lima – Síntese biográfica

Silvino Pirauá de Lima (1848 – 1913)

Silvino Pirauá de Lima, natural de Patos, no alto sertão da Paraíba, veio ao mundo em pleno século XIX, precisamente em 1848, antes da Lei Áurea e da suposta libertação da escravatura. Filho de lavradores e fugindo da seca, que devastava o alto sertão, em 1898 semeou seus versos e rimas nas terras pernambucanas cantando em ruas e praças. Fixou, a princípio, residência na cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco.

Sua pouca condição financeira familiar não lhe deu a oportunidade de  frequentar os bancos escolares. O fato não o impediu de adquirir instrução, cultura e conhecimentos gerais que lhe renderam o  título,  por meio dos seus desafiantes,  de  O poeta enciclópedico.

Seguidor devotado de Francisco Romano Caluête, o Romano de Teixeira, acompanho-o nas suas perigrinações pelo Norte e Nordeste do país. E,  nesta região, tornou popular  o romance rimado. A descrição que  versou a respeito da flora e fauna amazonense ficou famosa. Porém, as descrições  perderam-se no  tempo.

Poeta, cordelista, cantador, violeiro, glosador, poeta popular repentista e como tal foi o primeiro a usar a sextilha no cordel, além de adotar a  categoria de estrofes, recursos novos na época para o gênero literário,  martelo agalopado que, de acordo com Aurélio e Houaiss (2010) respectivamente,  consiste em  “estrofe de seis pés decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios”  ou “verso decassílabo com seis pés e rimas emparelhadas, que é cantado ou declamado por cantadores sertanejos; por vezes é improvisado; martelo de seis pés”.  É atribuida, ainda, a Silviano a criação de folhetos em parceria com Leandro Gomes Barrros.

Exerceu as atividades de poeta durante toda a vida, até que em 1913 foi acometido pela varíola levando-o a óbito. À época, vivia na cidade de Bezerros, Pernambuco.

 

 E tudo vem a ser nada

Tanta riqueza inserida

Por tanta gente orgulhosa,

Se julgando poderosa

No curto espaço da vida;

Oh! que idéia perdida.

Oh! que mente tão errada,

Dessa gente que enlevada

Nessa fingida grandeza

Junta montões de riqueza,

E tudo vem a ser nada.

 

Vemos um rico pomposo

Afetando gravidade,

Ali só reina bondade,

Nesse mortal orgulhoso,

Quer se fazer caprichoso,

Vive até de venta inchada,

Sua cara empantufada,

Só apresenta denodos

Tem esses inchaços todos

E tudo vem a ser nada.

 

Trabalha o homem, peleja

Mesmo a ponto de morrer,

É somente para ter,

Que ele tanto moureja,

Às vezes chove e troveja

E ele nessa enredada

À lama, ao sol, ao chuveiro,

Ajuntam tanto dinheiro,

E tudo vem a ser nada.

 

Temos palácios pomposos

Dos grandes imperadores,

Ministros e senadores,

E mais vultos majestosos;

Temos papas virtuosos

De uma vida regrada,

Temos também a espada

De soberbos generais,

Comandantes, Marechais,

E tudo vem a ser nada.

 

Honra, grandezas, brasões;

Entusiasmos, bondades;

São completas vaidades

São perfeitas ilusões,

Argumentos, discussões;

Algazarra, palavrada,

Sinagoga, caçoada,

Murmúrios, tricas, censura,

Muito tem a criatura,

E tudo vem a ser nada.

Vai tudo numa carreira

Envelhece a mocidade,

A avareza e a vaidade

É quer queira ou não queira;

Tudo se torna em poeira,

Cá nesta vida cansada

É uma lei promulgada

Que vem pela mão Divina,

O dever assim destina

E tudo vem a ser nada.

Formosuras e ilusões,

Passatempos e prazeres;

Mandatos, altos poderes;

De distintos figurões,

Cantilenas de salões;

E festa engalanada,

 

Virgem donzela enfeitada

No gozo de namorar,

Mancebos a flautear,

E tudo vem a ser nada.

Lascivas, depravações

Na imoral petulância,

São enlevos da infância,

São infames corrupções;

 

São fingidas seduções

Que faz a dama enfeitada

Influi-se a rapaziada

Velhos também de permeio

E vivem nesse paleio,

E tudo vem a ser nada.

Bailes, teatros, festins,

Comadre, drama, assembléia,

Clube, liceu, epopéia;

Todos aguardam seus fins,

Flores, relvas e jardins,

Festas com grande zoada,

Outeiro e Campinada

Frondam, copam e florescem,

Brilham, luzem, resplandecem

E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,

Repleto de garantia,

De brasões e fidalguia

É ele considerado,

 

Mas, quanto está enganado

Nesta ilusória pousada

Cá nesta breve morada.

Não vemos nada imortal

Temos um ponto final;

E tudo vem a ser nada.

Tudo quanto se divisa

Neste cruento torrão,

As árvores, a criação,

 

Tudo em fim se finaliza,

Até mesmo a própria brisa,

Soprando a terra escarpada,

Com força descompassada

Se transformando em tufão,

Deita pau rola no chão,

E tudo vem a ser nada.

 

Infindo só temos Deus,

Senhor de toda a grandeza,

Dos céus e da natureza,

De todos os mundos seus.

Do Brasil, dos Europeus,

Da terra toda englobada

Até mesmo da manada

Que vemos no arrebol:

Nuvem, lua, estrela e sol,

Tudo mais vem a ser nada.

 

 A história de Zezinho e Mariqunha

 Mariquinha, moça rica e muito linda,

 no palácio da nobreza era a flor

em seu jovem coração da mocidade,

 dedicava por Zezinho o seu amor

 

E os pais de Mariquinha não queriam,

 por Zezinho ser um pobre sem vintém

mas no mundo a maldade não consegue,

 separar dois corações que se quer bem.

 

Foi assim que o Zezinho foi-se embora,

 pelo mundo com a sorte foi lutar

na esperança de um dia enriquecer

e poder com Mariquinha se casar.

 

Nesse tempo que o Zezinho esteve ausente,

 oito anos sem jamais comunicar

com seu primo, homem idoso que ela odiava,

 obrigaram Mariquinha a se casar.

 

E depois de oito anos sem notícia,

 milionário o Zezinho regressou

pois foi mesmo justamente neste dia,

 com seu primo Mariquinha se casou.

Estava ainda com seu véu de casamento,

 Mariquinha com Zezinho encontrou

num abraço de paixão os dois morreram,

 e assim este romance terminou.

Nota: Há, além da de Pirauá, mais duas versões de Zezinho e Mariquinha. Uma de Artur da Silva Torres, publicada no Rio de Janeiro, na década de 1940. Outra mais recente, de Antônio Teodoro dos Santos, publicada pela Editora Prelúdio de São Paulo, uma década depois, este assina sob um de seus pseudônimos, Trovador Jaguarari. (http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2013/03/ze-fortuna-e-silvino-piraua-cultura.html)

 

FONTES CONSULTADAS

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

WIKIPÉDIA. Silvino Pirauá de Lima. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Silvino_ Pirau%C3%A1_de_Lima>. Acesso em: 27 out. 2014.

RECANTO das letras. Textos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/2205692>. Acesso em: 27 out. 2014.

CASA Rui Barbosa. Biografia.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/SilvinoPiraua/silvinoPiraua_biografia.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

ACORDA Cordel.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http:acordacordel.blogspot.com.br/2013/01/obra-prima-de Silvino-pirau-de-lima.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

ACORDA Cordel. Obra prima de Silvino Pirauá de Lima.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://acordacordel.blogspot.com.br/2013/01/obra-prima-de-silvino-piraua-de-lima.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

CARVALHO, Rodrigues de. Cancioneiro do norte. Peleja da Alma (do cantador paraibano Silvino Pirauá). Jangada Brasil, ano 3, n. 38, out. 2001. Disponível em: <http://www.jangadabrasil.com.br/outubro38/cn38100c.htm>. Acesso em: 27 out. 2014.

Poeta Severino de Andrade Silva – Síntese biográfica

Severino de Andrade Silva ou Zé da Luz (29/03/1904 – 12/02/1965)

Severino de Andrade Silva nasceu em Itabaiana, Paraíba, em 29/03/1904. Adotou o nome de Zé da Luz.

Alfaiate de profissão, mas não perdeu os moldes das rimas e versos, usando a voz do seu povo para propagar a sua obra nas feiras e estradas mantendo de forma pura as expressões matutas que são enfatizadas e dramatizadas por quem as recita seus cordéis.

Não há registro de livro publicado do poeta em vida. Mas seus versos são declamados pelos seus descendentes amigos e admiradores na sua forma original de talhar os seus poemas.

Zé da Luz faleceu no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, em 12/02/1965. Escreveu versos para cantar e decantar a sua terra natal Itabaiana no estado da Paraíba, bem como as belezas naturais da múltipla cultura brasileira, por meio de uma linguagem do povo interiorano, sertanejo como testemunham os versos que seguem:

 

Nem a distança das mia

Nem a grandeza  do mar:

Me faz isquecer um só dia

Da minha terrra natá!

Da tabaiana querida

Da mió quadra das vida

Que passo, não vorta mais…

Do meu tempo de menino

De menino a rapazinho

De rapazinho a rapaz.

E a terra caiu no chão

Visitando o meu sertão

Que tanta grandeza encerra,

Trouxe um punhado de terra

Com a maior satisfação.

Fiz isso na intenção,

Como fez Pedro Segundo,

De quando eu deixasse o mundo

Levá-lo no meu caixão.

Chegando ao Rio, pensei

Guardá-lo só para mim

E num saquinho de brim

Essa relíquia encerrei!

Com carinho e com cuidado

Numa ripa do telhado,

O saquinho pendurei…

Uma doença apanhei

E vendo bem próxima a morte

Lembrando as terras do norte

Do saquinho me lembrei.

 

Que cruel desilusão!

As traças, sem coração

Meteram os dentes no saco,

 Fizeram um grande buraco

E a terra caiu no chão.

 

 Brasi caboco

 O qui é Brasí Caboco?

É um Brasi diferente

do Brasí das capitá.

É um Brasi brasilêro,

sem mistura de instrangero,

um Brasi nacioná!

 

É o Brasi qui não veste

liforme de gazimira,

camisa de peito duro,

com butuadura de ouro…

Brasi caboco só veste,

camisa grossa de lista,

carça de brim da “polista”

gibão e chapéu de coro!

 

Brasi caboco num come

assentado nos banquete,

misturado cum os home

de casaca e anelão…

Brasi caboco só come

o bode seco, o feijão,

e as veiz uma panelada,

um pirão de carne verde,

nos dias da inleição

quando vai servi de iscada

prus home de posição.

 

Brasi caboco num sabe

falá ingrês nem francês,

munto meno o português

qui os outros fala imprestado…

Brasi caboco num inscreve;

munto má assina o nome

pra votar pru mode os home

Sê gunverno e diputado

 

Mas porém. Brasi caboco,

é um Brasi brasileiro,

sem mistura de instrangero

Um Brasi nacioná!

 

É o Brasi sertanejo

dos coco, das imbolada,

dos samba, dos vialejo,

zabumba e caracaxá!

 

É o Brasi das vaquejada,

do aboio dos vaquero,

do arranco das boiada

nos fechado ou tabulero!

 

É o Brasi das caboca

qui tem os óio feiticero,

qui tem a boca incarnada,

como fruta de cardoro

quando ela nasce alejada!

 

É o Brasi das promessa

nas noite de São João!

dos carro de boi cantano

pela boca dos cocão.

 

É o Brasi das caboca

qui cum sabença gunverna,

vinte e cinco pá-de-birro

cum a munfada entre as perna!

 

Brasi das briga de galo!

do jogo de “sôco-tôco”!

É o Brasi dos caboco

amansadô de cavalo!

É o Brasi dos cantadô,

desses caboco afamado,

qui nos verso improvisado,

sirrindo, cantáro o amô;

cantando choraro as mágua:

Brasi de Pelino Guedes,

de Inácio da Catingueira,

de Umbelino do Texera

e Romano de Mãe-d’água!

É o Brasi das caboca,

qui de noite se dibruça,

machucando o peito virge

no batente das jinela…

Vendo, os caboco pachola

qui geme, chora e soluça

nas cordas de uma viola,

ruendo paxão pru ela!

 

É esse o Brasi caboco.

Um Brasi bem brasilero,

sem mistura de instrangêro

Um Brasía nacioná!

Brasi, qui foi, eu tô certo

argum dia discuberto,
pru Pêdo Arves Cabrá.

 Ai! Se Sêsse!…

Se um dia nós se gostasse;

Se um dia nós se queresse;

Se nós dos se impariásse,

Se juntinho nós dois vivesse!

Se juntinho nós dois morasse

Se juntinho nós dois drumisse;

Se juntinho nós dois morresse!

Se pro céu nós assubisse?

Mas porém, se acontecesse

qui São Pêdo não abrisse

as portas do céu e fosse,

te dizê quarqué toulíce?

E se eu me arriminasse

e tu cum insistisse,

prá qui eu me arrezorvesse

e a minha faca puxasse,

e o buxo do céu furasse?…

Tarvez qui nós dois ficasse

tarvez qui nós dois caísse

e o céu furado arriasse

e as virge tôdas fugisse!!!

FONTES CONSULTADAS

INTERPOETICA Figura da vez. Zé da Luz: uma luz na região dos Josés. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=66&catid=50>. Acesso em: 27 out. 2014.

CORDEL Poesia e Repente. Zé da Luz. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogdomimica.blogspot.com.br/p/ze-da-luz.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

POESIA Popular Nordestina. A terra caiu no chão.  [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < poesianordestina.blogspot.com/2010/12/e-terra-caiu-no-chao.html >. Acesso em: 27 out. 2014.

JORNAL da Besta Fubana. Seis Poemas de Zé da Luz. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: < http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/cinco-poemas-de-ze-da-luz>. Acesso em: 27 out. 2014.

Poeta Severino Borges Silva – Síntese biográfica

Severino Borges Silva (1919 – 1991)

Severino Borges Silva nasceu em 08 de outubro de 1919 na cidade de Aliança, Pernambuco. Violeiro, poeta e improvisador criava e versava folhetos da literatura de cordel.

Estudioso e inteligente poeta de bancada, aquele que escreve os versos.  Foi também considerado um dos maiores improvisadores do Nordeste.

Sua maior fonte de renda era repente posto que a viola garantia a sua sobrevivência e a da numerosa família. Desta forma, a venda dos seus folhetos não seguia “a lei do cordel”; esses eram vendidos de forma casual.

Os que o conheceram contam que, nos últimos anos de sua vida, ele enfrentou graves problemas financeiros e de saúde. De acordo com Jota Barros, o cordelista solicitou ajuda financeira de Arlindo Pinto de Souza que havia publicado quantidade expressiva de sua obra como diretor da Editora Luzeiro. No entanto, não logrou êxito.

Uma grande quantidade dos seus títulos foram publicados, originalmente, pela tipografia ou folheteria Luzeiro do Norte em Recife, Pernambuco de João José da Silva. Os que mais se destacaram foram Aladim e a lâmpada Maravilhosa, As bravuras de um sertanejo e A Princesa Maricruz e o cavaleiro do ar.

Residiu parte da sua vida em Timbaúba, cidade vizinha à sua terra natal onde veio a falecer em 1991.

Adquiridos junto a João José da Silva, vários textos de sua autoria foram relançados pela editora  Luzeiro de São Paulo, conforme exemplificamos:

O cavaleiro das flores

Inspirai-me, ó Musas santas,

do Reino dos Trovadores,

Pra eu contar o romance,

A meus queridos leitores,

Do filho do conde Mabre

E o Cavaleiro das Flores!

 

Tinha o conde, em seu domínio,

Florestas e serranias,

Donde vários caçadores

Traziam, todos os dias,

Pra mesa do dito conde,

Caças de altas valias.

 

Peleja de Severino Borges com Patativa do Norte

No ano cinquenta e um

A vinte e dois de janeiro

Viajei de Timbaúba

Com destino a Juazeiro;

Dessa vez quase eu achava

A tampa do tabaqueiro.

 

A Princesa Anabela e o Filho do Lenhador

Deus, farol vivo e brilhante,

Que pelo mundo se estende –

Seus mistérios insondáveis,

Homem nenhum compreende,

Pois tudo quanto existe

Ao seu poder se rende!

 

Mas tem homem que procura

Desfazer no que Deus faz –

Por isso eu conto uma história

Passada séculos atrás,

No reino do rei Beltrão,

Antes dos tempos feudais.

 

 O romance da Princesa do Reino do Mar Sem-Fim

 Santa musa, irmão de Apolo,

Manda um anjo querubim

Trazer as setas poéticas

Para auxiliar a mim,

Que vou contar o romance

Do Reino do Mar-sem-Fim.

A herdeira desse reino

Era uma linda donzela;

Chamava-se Elizabeth,

Risonha, atraente e bela

Por isso, todos os príncipes

Queriam casar-se com ela.

FONTES CONSULTADAS

CORDEL Atemporal. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

CORDEL Atemporal. Mestre Severino. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/05/mestre-severino.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

CASA RUI BARBOSA. Perfis biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

O CAVALEIRO das flores – luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/ 276-o-cavaleiro-das-flores-luzeiro.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

PELEJA de Severino Borges com Patativa do Norte – Luzeiro . [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro. com.br/cordeis/277-peleja-de-severino-borges-com-patativa-do-norte-luzeiro.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

Poeta Eneias Tavares dos Santos – Síntese biográfica

Eneias Tavares dos Santos (22/11/1931)

Eneias Tavares dos Santos, alagoano, nasceu em 22 de novembro de 1931 na cidade de Marechal Deodoro. De origem humilde, filho de agricultores, não obteve a sua formação primária completa, estudando já na vida adulta, música, pintura e desenho, desabrochando, assim, suas veias artísticas no universo da xilogravura e da literatura.

Quanto à xilogravura, esta, ele aprendeu sozinho, desenvolvendo vários trabalhos, como exemplo, a Via-Sacra para a Galeria de Arte de Aracaju- SE. Cabral (2014) referencia Aurélio (2010) ressaltando que entre outros poetas que se destacaram na produção da arte xilográfica, encontra-se Eneias Tavares dos Santos.

Já a literatura de cordel, adentra no cenário de sua vida em 1947, ano em que Eneias esteve na Bahia, travando conhecimento com o cordel, retornando para sua terra natal, como vendedor de folhetos (HAURÉLIO, 2011).

Na sua carreira profissional, trabalhou no Conservatório de Música de Sergipe, além de ter sido também funcionário do Museu Théo Brandão, na capital alagoana, Maceió (HAURÉLIO, 2011).

Dessa feita, percebe-se que antes de descobrir o seu talento enquanto escritor, Eneias trabalha como um semeador de folhetos, e este contato com essa fascinante forma de escrever, de se expressar, de falar ao outro, fez desabrochar a sua veia artística, que ora estava adormecida, acordando como um vulcão que surge em erupção no ano de 1953, quando escreveu o seu primeiro livro, intitulado: O cavalo Ventania, escrevendo posteriormente entre outras obras: O pai traidorO cangaceiro Isaías e A carta de Satanás a Roberto Carlos, este último foi o seu maior êxito comercial.

Seus poemas versam, sobre moralidade, animais, casos extraordinários e aberrações.

 Lamentação de um cavalo indo para o matadouro

 Neste mundo escandaloso

Quanta coisa tem se dado!

Mas o povo não se lembra

De Deus, nosso pai amado

Vive desonestamente

Sem ver que futuramente

Vai tudo ser castigado.

Pega o homem os animais

Vende para o matadouro

Para xarque ou mortadela

Numa falta de decoro

Por isso é que brevemente

Satanás pega essa gente

E no inferno tira o couro.

O homem acaba tudo

Quando a natureza cria

Acaba o gado e as aves,

— Tem até quem coma gia—

De cobra até o leão

Da baleia ao camarão…

E a fome não sacia.

O povo vive a deriva

Sem religião, sem nada

Por isso é que um fazendeiro

Criatura desalmada

Agora em Minas Gerais

Vendeu vários animais para uma xarqueada.

Na carrada ia: jumento,

Cavalo, burro e cachorro

Um zurrava, outro latia

Como quem pede socorro

— ou talvez fosse dizendo:

Pelo jeito que estou vendo

Dessa vez sei que morro.

Porém entre os animais

Ia um cavalo alazão

Muito velho e muito magro

Que causava compaixão

Estava sendo vendido

Porém já tinha servido

Muitos anos ao patrão.

(p.3-4)

[…]

Neste poema, percebemos fortemente a interseção de uma das temáticas abordadas por Tavares, em seus escritos, a temática animal, que ele entrelaça em um paralelo, real e ficcional, demonstrando nuances da realidade cotidiana vivida pelos animais.

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, G. G. Relatos orais, memória e narrativa: histórias do poeta José Costa Leite 1950-1960. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.encontro2012.historia oral.org.br/resources/anais/3/1340373289_ARQUIVO_ArtigoGeovanni-XIEncontroHistoriaOral.pdf>. Acesso em: 18 set. 2014.

ENEIAS Tavares dos Santos. In: O Nordeste. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/ enciclopediaNordeste/index.php?titulo=En%C3%A9ias+Tavares+dos+Santos Produção literária>. Acesso: 18 nov. 2014.

HAURÉLIO, M. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogs pot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014.

PERFIS Biográficos. Fundação Casa Rui Barbosa. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa. gov.br/cordel/janela_perfis.html&gt;>. Acesso em: 23 out. 2014.

 

Poeta Edivaldo de Lima – Síntese biográfica

Edivaldo de Lima

Edivaldo de Lima, pernambucano, filho de Goiana, além de escritor, revela-se também como educador. Fez o curso de licenciatura em História, na Faculdade de Formação de Professor de Goiana (FFPG), onde escreveu o seu primeiro poema no ventre de sua vida acadêmica.

Após produzi-lo, escreveu seu poema no IV Concurso Literário ocorrido na sua cidade natal. Neste evento, Edivaldo de Lima foi premiado na segunda colocação. Este prêmio foi o ponto de partida para estimular a sua veia poética, sendo, a partir daí, o início da produção de diversos poemas.

Seu contato com o universo dos cordéis se deu no ano de 2007 a partir do encontro com o cordelista Davi Teixeira, com quem teve os seus primeiros passos para escrever cordéis, transformando o seu primeiro poema em cordel (PEREIRA, 2012).

Edivaldo de Lima publica em seus cordéis temas variados, abordando desde romances, histórias cômicas, além do universo didático e o viés memorialístico com pilares de homenagens, como é o caso do Cordel intitulado “Zé do Carmo – Artesão dos Anjos“, publicado em 2014, em homenagem ao ceramista brasileiro, Zé do Carmo.

O viés didático de seus folhetos merece destaque, tendo em vista que estes assumem um caráter educacional vinculado à arte do cordel, com a arte de educar. Nesse contexto, destacamos alguns cordéis de sua produção, entre eles: A ponte caiu e a água faltou, A criança no trânsito, Aborto Não: Diga Sim à Vida. Vejamos, a seguir, alguns versos desta obra:

Aborto Não: Diga Sim à Vida

Veja esta pergunta,

Eu quero lhe fazer.

Como você se sente

Tendo que interromper

A vida de seu filho

Ao menos deixe-o nascer.

 

 A você  vou pedir.

Boa dedicação sim

Reaja mesmo assim.

Todos devem dizer não.

Ou isto nunca tem fim.

 

Juramento de Médico,

Pra  toda vida salvar.

Umas não tem jeito,

Teremos que lamentar.

Mas tem outras indefesas,

Mesmo assim querem matar. (p.01)

[…]

O poeta também é xilogravurista e arte-educador, ministrando palestras e oficinas nas escolas (PEREIRA, 2012).

FONTES CONSULTADAS

PEREIRA, A. A. Edivaldo de Lima: cordelista e poeta goianense. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www. blogdoandersonpereira.com/search/?q=edivaldo+lima>. Acesso em: 14 ago. 2014.

CODERLIMA. Edivaldo de Lima:  poeta cordelista. [Goiana, PE: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://edivaldodelimacordel.blogspot.com.br/valdo>. Acesso em: 14 ago. 2014.

GOIANA Tv. A. Ceramista Zé do Carmo é homenageado neste dia 7 de setembro em Goiana-PE. [S.l.: s.n.: 20?]. Disponível em: <http://www.goianatv.com/2014/09/ceramista-ze-do-carmo-e-homenageado.html>. Acesso em: 14 ago. 2014.

Poeta Delarme Monteiro da Silva – Síntese biográfica

Delarme Monteiro da Silva (17/04/1918 – )

Delarme Monteiro da Silva nasceu na capital pernambucana, em 17 de abril de 1918.  Em 1938, no seio de sua juventude aos 20 anos de vida, Delarme, publicou o seu primeiro romance em verso, A feiticeira do Bosque. O mesmo foi impresso na tipografia de João Martins de Athayde, representando o início de uma parceria traçada entre Delarme e Athayde que, a partir de então, passa a trabalhar como aprendiz de tipógrafo, editando paralelamente os seus trabalhos, assinados e revendidos por ele mesmo em formato de folhetos.

Nascido e vivido no ventre da cidade de Recife, o poeta fez de lá também a sua morada final, falecendo no ano de 1994.

Sua trajetória literária é marcada por uma vasta produção, reconhecida por sua qualidade, destacando-se pelos temas de mistério e encantamento, presentes em vários de seus folhetos.

Keller (2013) destaca o potencial jornalístico que pode ser agregado ao cordel e, nesse sentido, ela esclarece trazendo como exemplo o cordel de autoria de Delarme, intitulado: A lamentável morte de Getúlio Vargas, feito pelo poeta, imediatamente, após escutar a notícia do suicídio do ex-presidente, veiculada pelo rádio na manhã de 24 de agosto de 1954. Ao saber da notícia, o poeta registrou o acontecimento tomado por uma intensa comoção. Esse cordel obteve grande repercussão; segundo a autora, o sucesso foi tão grande que ele vendeu milhares de exemplares em apenas dois dias.

Cabral (2011) afirma que Delarme Monteiro da Silva, atordoado com a notícia, tratou logo de versejar sobre o acontecido, reproduzindo os passos que teriam levado ao término da vida de Getúlio Vargas. Neste, o poeta chama atenção do leitor ao se dirigir a Getúlio como o “defensor do povo”, trazendo à tona uma representação social em torno de sua pessoa (CABRAL, 2000, p. 12).

Em suas entrelinhas, Delarme compara Getúlio com um “lapidador” de diamantes, que buscou modificar o seu país, lapidando-o de tal forma que o renovou, transformando-o em um novo país. Esta afirmativa pode ser observada em um dos trechos de seu cordel:

A lamentável morte de Getúlio Vargas

[…]

Mas ainda existe um homem

Que confiança nos traz,

Seu governo é relembrado

Pelas obras colossais

Homem de virtudes largas

Seu nome é Getúlio Vargas

Que não promete mais faz.

Getúlio foi o governo

Que brilhou nosso país,

Foi como lapidador

De diamantes, rubis,

Burilou deu nome e fama

Tirando o Brasil da lama,

Cortando o mal pela raiz. (p.2)

 

 No corpo de suas produções, destacam-se também: O Enjeitado de OrionO Mistério dos Três AnéisO Sino da Torre NegraO Morcego HumanoA Fada e o Guerreiro, refletindo os traços de mistérios e encantamentos explorados pelo autor.

Haurélio (2011) relata que Delarme era muito conceituado entre os poetas do Nordeste, destacando suas habilidades culturais e suas inspirações. Revelando-o como um dos poucos autores de cordel que merecem ser reconhecidos como gênio, compondo obras vibrantes que descrevem detalhadamente o contexto em que se passa, remontando inclusive aos aspectos psicológicos de seus personagens. Tavares (2014, p. 156) reconhece-o como um poeta de grande inspiração e bom humor.

Diante do reconhecimento de sua obra, ressalta-se afirmação da professora da ECA- USP e do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC/SP e coordenadora do Núcleo de Poéticas da Oralidade, PUC/SP, Jerusa Pires Ferreira, que relata: “Delarme Monteiro da Silva é um dos melhores poetas da nossa literatura de folhetos” (FERREIRA, 2000, p. 6).

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, G. G. Getúlio Vargas e as representações nos corpus de folhetos de 1945 a 1954. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA: ANPUH, 26., 2011, São Paulo.  Anais …. São Paulo: [s.n.], 2011.

DELARME Monteiro da Silva. Grandes Autores da Literatura de Cordel. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607>. Acesso em: 24 ago. 2014.

FERREIRA, J. P. O judeu errante. A materialidade da lenda. Revista Olhar, ano 2 , n. 3, jun. 2000.

HAURÉLIO, M. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n, 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/ 06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 19 out. 2014.

KELLER,  M.  Literatura de cordel: a memória do sertão em folhetos. Memórias do subsolo. [S.l.: s.n, 20?].  Disponível em: <http://lounge.obviousmag.org/memorias_do_subsolo/2013/01/literatura-de-cordel-a-memoria-do-sertao-em-folhetos-de-papel.html>. Acesso em: 03 out. 2014.

PERFIS Biográficos. [S.l.]: Fundação Casa Rui Barbosa, [20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html&gt>.  Acesso em: 23 out. 2014.

TAVARES, B.. Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil. São Paulo: Editora 34, 2014.

 

 

Poetisa Nezite Alencar – Síntese biográfica

Nezite Alencar

Nezite Alencar nasceu na microrregião da Chapada do Araripe, precisamente no sítio Olho D’água dos Guálteres, distrito de Quixariú, vinculado ao município Campos Sales – CE, cidade que guarda o túmulo de uma famosa Alencar, a heroína republicana Bárbara Pereira de Alencar, revolucionária da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador, mãe do político Tristão Gonçalves e avó do escritor José de Alencar.

A cordelista que ocupa a cadeira 21 da Academia dos Cordelistas do Crato (2006) é graduada em História pela Universidade Regional do Cariri (URCA), especialista em História do Brasil, conhecimentos que fundamentaram seus trabalhos, que compõem a coleção Cordel da Paulus: Canudos, o movimento e o massacre em cordel, Tiradentes e a Inconfidência Mineira e Afro-Brasil em cordel.

Autora do paradidático Cordel das Festas e Danças Populares (PAULUS, 2011), proporciona uma viagem cultural por meio de danças e ritmos que animam as festas populares brasileiras, como o carnaval, o carimbó, a capoeira, o samba e a ciranda, apresentando as contribuições africanas, indígenas e europeias na formação da identidade nacional.

Foi seu infantojuvenil, Juanito e o monstro marinho, que no ano anterior foi selecionado para o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel (2010), do Ministério da Cultura (MEC). Esta mesma obra compôs a Cesta Básica de Cultura e Conhecimento, lançada na Feira do Livro de Brasília.

O Projeto Cordel Engajado do Coletivo Camaradas contemplou o cordel Quem são esses camaradas? de Nezite; o referido projeto foi apoiado pelo  Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel (2010), produzindo 21 mil cordéis para serem distribuídos em estabelecimentos de ensino e ONGs.

Quem são esses camaradas,
Da cultura defensores?
São estudantes, artistas,
Brincantes e professores,
São poetas cordelistas
E também pesquisadores.
Querem saber os senhores
Que faz o grupo, afinal?
Arte, estética, educação
E produção cultural;
A teoria marxista
É seu referencial.
No cenário nacional
É conhecido também,
Faz Política com P grande,
Coisa que ao povo convém,
Faz inclusão social
Sem discriminar ninguém.

 Tanto sucesso desta poetisa cordelista deve-se à sua precoce dedicação à poesia, pois ainda adolescente publicou seu primeiro livro, Em Forma de Coração (1987). Outra obra da autora é a Flor do Mato (poesia) em 2006.

FONTES CONSULTADAS

ALENCAR, Nezite. Quem são esses camaradas? In: CORDEL engajado: coletivo camaradas. Disponível em: <http://cordelengajado.blogspot.com.br/search/label/Quem%20s%C3%A3o%20esses%20Camaradas%3F%20%20Nezite%20Alencar>. Acesso em: 17 nov. 2014.

NEZITE Alencar. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot. com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. Grandes autores: dicionário básico de autores de cordel. In: CORDELIZANDO na net: o seu cordel virtual. Disponível em: <http://cordelizandonanet.blogspot.com.br/p/ grandes-autores.html&gt>.  Acesso em: 17 nov. 2014.

PINHEIRO, Elmano. Cariri presente na cesta básica de cultura e conhecimento. In: Chapada do Araripe. 13 out. 2010. Disponível em: <http://www.crato.org/chapadadoararipe/ ?p=29454>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Natanael de Lima – Síntese biográfica

Natanael de Lima (11/01/1922)

Natanael de Lima nasceu aos 11 de janeiro de 1922, na então vila de Fagundes, no Planalto da Borborema na Serra do Bodopitá, atualmente cidade da região metropolitana de Campina Grande, Paraíba.

Este paraibano, de família pobre, começou a vida como um agricultor enfrentando a dura lida no cultivo da terra. Não teve acesso ao ensino formal e ainda jovem, aos 18 anos (1940), cantava emboladas, mas em 1942 comprou uma viola, influenciado pelo repentista Manoel Fabrício da Silva (Asa Branca), com quem formou dupla e ficaram conhecidos.

Aos 24 anos (1946), publicou seu primeiro livro, O Brasil em decadência, posteriormenteZuzu e Carmelita, Josino e Nestorina, João sem Direção, Genival e Belinha e muitos outros. Em seus cordéis, ele usava o acróstico NDELIMA.

Foi premiado em primeiro lugar cantando no programa Onde está o poeta, de Almirante (1950), na cidade do Rio de Janeiro, onde ganhou um prêmio, desafiando seis poetas cantadores na sala de espetáculo João Caetano.

Ao retornar à Paraíba, passou a trabalhar como carpinteiro, na construção civil, deixando de lado a poesia.

O falecido Natanael de Lima é citado no cordel de Marco Haurélio e João Gomes de Sá, intitulado O cordel: sua história, seus valores:

[…]
Citemos Antônio Eugênio,
Por dever e por estima,
O grande Apolônio Alves
E Natanael de Lima,
Que ao lado dos outros mestres
Estão no andar de cima.
[…].

Lançou folhetos pela Editora Luzeiro: O escravo fiel, O romance de João sem Direção, O ferreiro das três idades, deste últimos citamos uma estrofe.

Este é um drama lendário
Que baixou em minha mente
Não é história de amor
O caso é bem diferente
É a vida de um ferreiro
Que viveu antigamente.

FONTES CONSULTADAS

HAURÉLIO, Marco; SÁ, João Gomes de. O cordel: sua história, seus valores. In: ROUXINOL do Rinaré.

NATANAEL de Lima. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL Atemporal. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. Grandes autores da Literatura de Cordel. In: RECANTO das letras. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

______. In: PARAÍBA Criativa. Disponível em: <http://www.paraibacriativa.com.br/11019/natanael-de-lima-2.html&gt>. Acesso em: 17 nov. 2014.

Poeta Minelvino Francisco Silva – Síntese biográfica

Minelvino Francisco Silva (29/11/1926 – 29/11/1998)

Trovador, xilógrafo, fotógrafo e tipógrafo, Minelvino Francisco Silva, nasceu na fazenda Olhos D’água de Belém, localizada no povoado de Palmeiral, em Mundo Novo, Bahia, no dia 29 de novembro de 1926. Criado na cidade do ouro, Jacobina, Bahia, veio a ser garimpeiro. Posteriormente, mudou-se para Itabuna, Bahia (1948), como afirma em sua autobiografia:

“Chegando em Itabuna
Corajoso e muito afoito
Com cento e vinte mil réis
Que só dava pra o biscoito
Isto em 11 de Dezembro
Do ano de 48 (1948)”.

(SILVA, 1987, p. 9, citado por RODRIGUES, 2010, p.1)

 

Minelvino faleceu aos 72 anos (1998), no dia do seu aniversário, em Itabuna, Bahia, cidade em que se radicou e procurou homenagear os trovadores apresentando projeto à Câmara de Vereadores, dando a denominação de Rua dos Trovadores a uma de suas vias públicas; plano aprovado em 1956, pelo prefeito Francisco Ferreira da Silva, passou à antiga Avenida Itajuípe para denominação proposta. Rodrigues (2010) ainda pormenoriza que a “nomeação da rua se deu por conta das reuniões que aconteciam na residência do poeta popular com demais artistas: trovadores, violeiros e repentistas.” Pelo reconhecimento e direitos dos poetas populares, Minelvino também lutou para que os trovadores tivessem direito à aposentadoria.

Produtor profícuo de cordéis, escreveu aproximadamente 500 folhetos, vários deles lançados pela Editora Luzeiro.

Pinto (2014) afirma que o primeiro contato de Minelvino com a literatura de cordel foi com o clássico Pavão misterioso, vindo a versar sua primeira sextilha aos 22 anos, por ocasião do I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros (1955), dedicada a João Martins de Ataíde. Mas sua primeira publicação ocorreu 6 anos antes, em 1949, quando publicou  A enchente de Miguel Calmon e o desastre do trem de Água Baixa, editado pelo amigo, cordelista e editor de folhetos populares, Rodolfo Coelho Cavalcante.

Ganhador do concurso de Literatura de Cordel, promovido pelo Núcleo de Pesquisa e Cultura da Literatura de Cordel (1980) como parte das comemorações do centenário de João Martins de Ataíde, com o folheto Vida, profissão e morte, de João Martins de Ataíde.

FONTES CONSULTADAS

MINELVINO Francisco Silva. Dicionário básico de autores de cordel. In: CORDEL atemporal.  Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html&gt;>. Acesso em: 16 nov. 2014.

______. In: O NORDESTE: enciclopédia Nordeste. Disponível em: <enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Minelvino+ Francisco+Silva<r=m&id_perso=1252>. Acesso em: 16 nov. 2014.

PINTO, Maria Rosário. Minelvino Francisco Silva. In: FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Disponível em: <MinelvinoFrancisco/minelvinoFrancisco_biografia.html>. Acesso em: 16 nov. 2014.

RODRIGUES, Robson. Minelvino Francisco Silva: o olhar de um trovador sobre uma emergente região. In: SEMINÁRIO CULTURA E POLÍTICA NA PRIMEIRA REPÚBLICA: CAMPANHA CIVILISTA NA BAHIA, 2010. Ilhéus. Anais… Ilhéus: UESC, 2010.

SILVA, Minelvino Francisco. Os traços da minha vida . Itabuna, 1987.