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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poeta Elói Teles de Moraes – Produção literária

TELES, Elói. A confederação dos Cariris. Crato: Academia dos Cordelistas do Crato. Junho de 1992.  Xilogravura de Maranhão. 8 p. (Coleção…)

MORAIS, Elói Teles de. Um sonho com dona Bárbara. Crato: Academia dos Cordelistas do Crato. Novembro de 1992.  Xilogravura de 8 p. (Coleção…)

A História do Crato em Versos (6 volumes)

História do Crato: o fim do século (Vol. 6)

História do Crato (em verso): o aldeamento (Vol. 1)

História do Crato: Crato – cidade (Vol. 5)

História do Crato: criação do munícipio (Vol. 2)

História do Crato: o primeiro de Setembro (Vol.4)

História do Crato: a revolução de 1817 (Vol. 3)

A lagoa encantada

A pedra da batedeira

Acorda meu Crato

Don Giovani

Terra ardente

Poeta Elói Teles de Moraes – Síntese biográfica

Poeta popular, folclorista, locutor, escritor, advogado (Faculdade de Direito do Crato, 1980), jornalista e servidor do Ministério da Agricultura, homem plural, Elói Teles de Morais nasceu em 19 de abril de 1936.

Em entrevista concedida a Gilmar de Carvalho nos estúdios da Rádio Educadora do Crato no estado do Ceará, em 2/12/1989, publicada no Diário do Nordeste (CARVALHO, 2016), Elói afirma que nasceu no Crato. Ele se contradiz durante a entrevista quando fala da infância, conta que os pais eram naturais de Santana do Cariri, trabalhadores da roça, com dez filhos. O pai, um autodidata, percebeu que deveria levar a família para o Crato, disse ele: “Até que chegou ao ponto que ele sentiu que podia trazer a gente pro Crato e trouxe”. Mendonça (2016), no Blog do Crato, assegura que Elói Teles nasceu no sítio Baraúnas, município de Várzea-Alegre, e foi registrado no Crato (CE). Na mesma postagem, conta que o cordelista foi preso (1964) acusado de ato subversivo durante o governo militar e na prisão versou:

Cadeia, estas tuas grades
Prendem o meu corpo revolto
Porém tu não sabes cadeia,
Que o meu ideal está solto!

O cordelista locutor consagrou-se apresentando, diariamente, das cinco às seis horas da manhã, por mais de 30 anos, o programa matuto Coisas do Meu Sertão (1965), divulgando música e poesia popular, tocando forró e declamando poesias de autores nordestinos, especialmente da região do Cariri. Elói Teles iniciou sua vida radiofônica em 1958 apresentando o programa na Rádio Araripe do Crato, onde, em 1964, era comentarista esportivo e foi diretor por 13 anos. Posteriormente, foi para a Rádio Educadora do Cariri (CARVALHO, 2016; MENDONÇA, 2016).

Em seu blog, Antônio Moraes (2011) afirma que o programa Coisas do Meu Sertão era encerrado com poesia do Zé Praxedi.

Doto intéôto dia
Basta mercê percisá
Um criado as suas orde
Na serra do jatobá
 
Prusarmoço tem galinha
Tem quaiada pra jantá
Agua cherosa no tanque
Pra vasmincê se banhá
 
Leite quente au pé da vaca
Quando o dia amanhecê
Café torrado no caco
De quando in vez pra mecê
 
Aguardente potiguá
Causo goste de bebê
Capim mimoso verdin
Pro seu cavalo cumê
 
Pra o doto fazê lanche
Mé de abêia cum farinha
Tem da fonte milagrosa
Agua fria da quartinha
 
Pra vasmincê se deitá
Uma rêde bem arvinha
Leve tambem sua muié
Proquê lá só tem a minha

Elói Teles conta que realizava, diariamente, diversificados programas radiofônicos, do jornalístico que ia ao ar ao meio-dia, outro vespertino de forró, o de mesa de debates de assuntos comunitários que ia ao ar aos sábados e, no mesmo dia, um noturno – A Festa da Casa Grande, que tocava música regional, e o matutino dominical de músicas antigas Baú das Velhas Recordações (CARVALHO, 2016).

Elói Teles deixou legado na promoção da cultura do Crato e região, tornando-se a partir de seu legado literocultural um folclorista de destaque, sendo grande animador de folguedos, incentivador de bandas cabaçais (banda de couro), reisados, maneiro-pau e literatura popular, especialmente o cordel (MENDONÇA, 2016).

Desse modo, ele sempre impulsionou a cultura como cordelista e promotor cultural, valorizando e divulgando diversas manifestações culturais. Presidiu a Fundação Casa do Folclore Cego Aderaldo, passando a ser a Fundação Mestre Elói. Dirigiu, também, a banda de música municipal. Fundou e foi o primeiro presidente da Academia de Cordelistas do Crato, ocupando a cadeira de nº 7 (CABRAL, 1992; MENDONÇA, 2016).

O cordelista realizou o sonho de publicar uma série de folhetos sobre a história do Crato. Reconhecer a história local significa resgatar e preservar a sua tradição, por isso ter afirmado: “O nosso homem do campo não conhece [a história], o cratense da periferia também não. Temos que contar a história na linguagem dele. A única saída seria o cordel, e procurei fazer, dentro das minhas limitações” (CARVALHO, 2016).

Além dos 6 volumes de A História do Crato em Versos, Elói escreveu uma série de cordéis sobre as lendas do Crato, dentre eles: A Lagoa Encantada e A Pedra da Batedeira (CARVALHO, 2016). O poeta foi pai de quatro filhos com a professora Elionai Grangeiro. Faleceu aos 64 anos na cidade do Crato, terra por ele versada em rima, cordel que compõe a coleção que homenageia os 250 anos da cidade (CABRAL, 1992).

A Confederação dos Cariris
 
Quero usar o dom do verso
Que Deus me deu com fartura
Pra no meu grande universo
Com minha verve segura
Contar uma bela estória
Coberta de muita glória
De gente muito feliz
Que viveu na nossa terra
Nestes nossos pés de serra
Nossos índios Cariris.
 
Como é bom falar dum povo
Que viveu bem natural
Tanto o velho como o novo
Tinham vida colossal
Os Cariris nestas matas
Nos rios e nas cascatas
A caçar e a pescar
Tinham nas tocas fartura
Sobrevivência segura
Sem nada os incomodar
 
Mas esse é o lado belo
É o lado colorido
A parte sem ter flagelo
Sem ninguém ser perseguido
Há porém dos Cariris
Que mostrar os seus perfis
De sofrimento e de dor
De lutas, guerras e mortes
Daqueles guerreiros fortes
Índio bravo, sofredor.
 
[…]

O jornalista Humberto Cabral (1992) biografou Elói Teles no cordel A Confederação dos Cariris, classificando-o como “patrimônio cultural da nossa região”.

FONTES CONSULTADAS

CABRAL, Humberto. Elói Teles. In: TELES, Elói. A confederação dos Cariris. Crato: Academia dos Cordelistas do Crato. Junho de 1992. 

CARVALHO, Gilmar de. O legado de Elói Teles. Diário do nordeste.  [S.l. : s.n.], 19 abr. 2016. Caderno 3. Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/o-legado-de-eloi-teles-1.1533433&gt;. Acesso 29 mar. 2017.

MENDONÇA, Dihelson. Blog do Crato homenageia o radialista Elói Teles de Morais: 10 anos de falecimento. In: BLOG do Crato. [S.l. : s.n.]. 11 out. 2016. Disponível em: <http://blogdocrato.blogspot.com.br/2010_10_11_archive.html&gt;. Acesso em: 28 mar. 2017.

MORAIS, Antônio. Coisas do meu Sertão: seu Elói. In: BLOG do Antônio Morais. [S.l. : s. n.]. 6 ago. 2011. Disponível em: <http://blogdosanharol.blogspot.com.br/2011/08/coisas-do-meu-sertao-seu-eloi.html&gt;. Acesso em: 28 mar. 2017.

Poeta Elói Teles de Moraes – Identificação

Nome: Elói Teles de Moraes

Poeta Francisco Nunes de Oliveira

Poeta Francisco Nunes de Oliveira – Síntese biográfica

Francisco Nunes de Oliveira foi um repentista alagoano que galgou significativo reconhecimento literário. Costumava se autodenominar de Francisco Nunes Brasil, por considerar um nome poético para um repentista, mas a sua existência modesta o reduziu para Chico Nunes e, mais tarde, em autoelogio adotou como codinome Rouxinol de Palmeira (LAGO, 1975). Muito embora Lima (2016), ao citar Luiz B. Torres, afirma que Chico Nunes gostava de se apresentar aos desconhecidos adotando outros codinomes como: “Nabucodonosor Aciobá Brasileiro da Costa Ouricuri Bacamarte da Silva Arranca Toco, Rouxinol da Palmeira e exemplo pra cabra ruim”.

Francisco Nunes de Oliveira nasceu em Palmeira dos Índios no Estado de Alagoas em 04 de maio de 1904, na Rua de Cima, posteriormente denominada de Rua Costa Rego. Lima (2016) historia que Chico Nunes nasceu na Rua Pernambuco Novo ou Pernambuquinho e completa:

[…] Era uma Rua de mulherio, de mistura de randevus e cabarés, aonde a promiscuidade ia até as últimas consequências. Mas, apesar da imundice ali reinante, era a mais procurada pelos homens e a noite se transformava, no logradouro mais animado da pequena Palmeira dos Índios.

Filho de um mestre de obras e uma costureira, José Nunes da Costa e Francisca Nunes de Oliveira, falecidos, respectivamente em 1942 e 1947. Após a morte dos pais, Chico Nunes foi morar com o amigo barbeiro João Vieira. Posteriormente, recebeu uma casa do tio Gaspar, na Rua Pernambuco Novo, nº 35, onde residiu até morrer (LAGO, 1975).

Foi o quinto filho de uma prole de doze, dos quais apenas sete sobreviveram, faleceu aos 48 anos, no dia 21 de fevereiro de 1953, com nefrite crônica ou cirrose hepática. Por cinco anos e nove meses, Chico viveu com Maria Tercila, com quem não casou no civil ou religioso e chamava carinhosamente de Guriatã. Eles tinham se conhecido em 14 maio de 1947 (LAGO, 1975; LIMA, 2016).

Com vida difícil e frustrada, tornou-se mordaz e afirmava: “Se o mundo fosse bom, o dono morava nele” (LAGO, 1975, p. 23). Seus versos transmitem a desilusão com a vida:

A vileza do destino
Espedaçou meu futuro,
O meu viver é obscuro
Desde o tempo de menino.
Hoje sou um peregrino,
Não sei o que é riqueza,
Bruxuleia a luz acesa,
Perdi a perseverança ...
E o retrato de minha infância
Está na minha pobreza.
 
Na terra dos marechais,
Sem ter quem me queira bem,
Ó morte, por que não vens
Tirar meus dias finais?
Vivo gemendo meus ais,
Só sei o que é aspereza,
Não apresento nobreza,
Sou igual a uma balança ...
E o retrato da minha infância
Está na minha pobreza.
(LAGO, 1975, p. 24)

Em Chico Nunes das Alagoas, Lago (1975) realiza um “levantamento poético-existencial […] sobre o que fez e rimou um repentista despreocupado de tipografia ou sequer cadernos de rascunhos”.

O poeta não tinha interesse em escrever ou publicar os seus repentes, os quais muitas vezes causavam verdadeira admiração. Até certa ocasião, eu [José Nunes da Costa, o Cazuza, primo de Chico Nunes] o animei para que mandasse alguém copiar (o que fazia), a fim de publicar um pequeno folheto. Mas ele não levou a sério a minha idéia.

Chico Nunes era muito apegado a mim [Valdemar de Sousa Lima]. E quantas vezes lhe pedi que me trouxesse os seus versos copiados, pois desejava formar um caderno, como lembrança. Mas o amarelo, irônico e extrovertido como o diabo, não ligava para essa história de escrever. Queria era encher a barriga de cachaça e lorotar, soltando a coisa por aí. Quem quisesse que pegasse. (LAGO, 1975, p. 47)

Na obra, o autor busca apresentar Francisco Nunes de Oliveira por meio das lembranças de seu amigo Zé do Cavaquinho (José Rodrigues de Moura), proprietário do boteco Trovador Berrante, frequentado por Lago durante as filmagens de São Bernardo, em Viçosa (AL).  Ao biografar o Rouxinol de Palmeira, o autor esclarece:

A obra dessa gente não pode ser analisada como dos poetas que a posteridade reúne em Obras Completas e cita em Ontologias. Esses podem deter-se na ideia que ocorre, refugá-la ou aprofundar-lhe a essência. E elaborar o verso, trabalhar a frase, comparar a música das palavras para escolher a melhor, aquela que se encaixa no todo sem deixar espaço para outra. E reveem, expurgam, enxugam, refazem. Não há o tempo como um elemento implacável a exigir a conclusão do poema. O importante é que a obra saia perfeita.

O repentista, ao contrário, rima ao impacto do fato de momento, da frase que espicaça. Produz cantando ou falando, sem vagares para rever. Uma multidão espera o resultado da peleja. Em seu íntimo palpita o orgulho de uma condição que lhe deu superioridade ambiental, como diz Câmara Cascudo em Vaqueiros e cantadores. […] Vacilar será perder o que custou anos para ser alcançado: o respeito de toda uma cidade, zona ou sertão. […] (LAGO, 1975, p. 11-12)

O trovador palmeirense não deixou uma única linha publicada, mas é a ele atribuída a autoria da décima biográfica Velho Tamarineiro:

Fui visitar a morada
Onde nasci e me criei,
Não achei casa nem nada
Das coisas que lá deixei.
Só, lá no fim do terreiro,
Um velho tamarineiro
Que meus pais queriam bem.
Enquanto os donos viveram,
Viveu. Quando eles morreram
A árvore morreu também.
(LAGO, 1975, p. 13)

Aos 4 anos, Francisco Nunes de Oliveira apresentou desejo de frequentar a escola e o pai providenciou um bauzinho de lata que servia para levar objetos escolares como caderno e cartilha. Uma manhã, indo para escola, encontrou dois colegas mais velhos, Evangelista (Vanja) e Raul, e o contentamento por se sentir igual aos amigos levou a falar suas primeiras rimas:

Olha o banha e o baranha,
Olha o Vanja e o Aú
Eu também vou pra escola
Carregando meu baú.
(LAGO, 1975, p. 25)

Lago (1975) cita Bezerra e Silva, amigo de infância de Chico Nunes, que em seu livro Terra dos Xucurus, ratifica as informações de que muito pequeno o repentista glosava. Também avalia que o repentista não desejava estudar por ter frequentado a escola por um período de um ano, porém D. Luísa, irmã do poeta, explica que por ter uma alta miopia, consequência do sarampo, Chico deixou a escola por ter sido dispensado pela professora Amélia Bonfim, somado às dificuldades do ensino público da época e à impossibilidade de acesso ao ensino particular. Sem concluir o curso primário, falava correto e costumava ler dicionários e usando expressões pouco comuns embaraçava os adversários de desafio.

De acordo com as informações da sobrinha Beby Nunes, ele foi um homem de muitos amores, como Honorina e Heronita, mas que não se concretizaram por ser boêmio e não representar um bom partido. Lago (1975) também cita Anália e afirma que dentre os guardados de Maria Tercila, derradeira companheira de Chico Nunes, foi encontrada a glosa Saudades de Honorina, com a seguinte nota: “Improvisos do poeta Francisco Nunes Brasil: Dedicados à virgem dos meus sonhos, Honorina, em 18 de março de 1938 – Palmeira dos Índios” (LAGO, 1975, p. 37).

Faz hoje um mês e dois dias
Que você se foi embora,
Meu coração ainda chora
Cheio de melancolias.
Na maior das agonias
Eu fiquei na quarta-feira,
Solucei a tarde inteira,
Dando suspiros e ais …
De triste não canta mais
O Rouxinol da Palmeira.
 
Você diz que não há verdade
No coração de um cantor,
Mas se não existisse amor
Não existia amizade,
Digo com sinceridade
A ti, morena faceira:
A saudade é a companheira
Da esperança que passeia …
Não canta mais nem gorjeia
O Rouxinol da Palmeira.
[…]
(LAGO, 1975, p. 37-38)

Aventura amorosa de um jovem de 18 anos com Eronildes, garota de programa, obrigou-o a tomar uma injeção de vitamina B1 para doença sexualmente transmissível, aplicada no braço esquerdo pelo farmacêutico Valfrido Góis que era padrinho de seu irmão. Como consequência da aplicação da injeção, “o braço deu de secar, secar, mirrando completamente” (LAGO, 1975, p. 42). Chico veio a dar um tiro no próprio pulso da mão deformada, em 1924, e assim poetizou o momento:

Não há dor que eu não aguente,
Que a dor em mim já fez calo,
Mas a desgraça que falo
É desgraça diferente.
Perdi a mão fazendo repente
Na pensão do Zé Narciso.
Isso me deu prejuízo
E me deixou arrasado.
Até o governo do Estado
Mostrou preocupação
Ao ver perder sua mão
O Chico Nunes falado.
(LAGO, 1975, p. 42)

Lago (1975) aponta o descaso dos pesquisadores de poesia popular como uma das causas do desgosto e revolta de Chico Nunes, suposição confirmada em correspondências trocadas com os folcloristas José Aloísio Brandão Vilela, Theotônio Vilela Brandão e José Veríssimo de Melo. Aponta ainda que apenas Neri Camelo, em suas obras Alma do Nordeste e Através do Sertão, “o citou e situou […] No primeiro desses livros, o referido autor não faz por menos em sua admiração: Palmeira dos Índios é o berço de um dos maiores improvisadores do nordeste – Chico Nunes”, além de enviar um exemplar com foto dedicada ao glosador (LAGO, 1975, p. 45).

O homem incrédulo movia o poeta com suas glosas, como a Terra, cinza e nada mais, remetida a Aloísio Vilela em 1937:

O ouro com seu brasão,
Esse herói entre os humanos,
Vestiu dos mais finos panos
O grande rei Salomão,
Mas o grande rei de então,
Que brilhou entre os cristais,
Numa das horas fatais
Foi levado à terra fria.
Tornou-se no mesmo dia
Terra, cinza e nada mais.
 
Os grandes imperadores,
Os presidentes e papas,
Dizem os livros e mapas
Que lamentavam horrores …
Poetas de altos valores,
Por decretos divinais
Ou por sentenças legais
Deixaram de versejar.
Todos foram se tornar
Terra, cinza e nada mais.
 
Bem vimos Pedro Segundo,
Imperador do Brasil,
Ganhou loas mais de mil
Neste pedaço de mundo.
Mas, por mistério profundo,
Sentiu dores sem iguais,
Seguiu as leis dos mortais,
Deixando as glórias do trono.
Tornou-se, depois do sono,
Terra, cinza e nada mais.
 
O marechal Floriano
Peixoto,homem ilustrado,
Foi um brasileiro honrado
Do Estado Alagoano.
Como não foi desumano
Teve épocas colossais,
Foi o rei dos marechais
De ferro, disposto e forte.
Mas virou, depois da morte,
Terra, cinza e nada mais.
 
O grande Dr. Rui Barbosa,
Muito sábio e competente,
No mundo viveu decente,
Sua estrela foi luminosa.
Sua voz era poderosa,
Abalando até os jornais.
Preparava os editais
Com acerto e muita ciência …
Tornou-se após a existência
Terra, cinza e nada mais.
 
Estou muito arrependido
Com meu triste nascimento,
Neste mundo de tormento
Antes não fosse nascido.
De que serve ter vivido
Como meus formosos sinais
E ter na lira os ideais?
Vou deixar de ser poeta,
Pois terei de ser, na certa,
Terra, cinza e nada mais.
 
Estou triste e quase morto,
Passo a vida a meditar …
Me vejo neste lugar
Sem prazer e sem conforto.
De reumatismo ando torto,
Com dores descomunais.
Dando suspiros e ais
De tudo perdi a fé …
Breve Chico Nunes é
Terra, cinza e nada mais.
(LAGO, 1975, p. 56-58)

O repentista ganhou um carimbo, presente de José Branco, para identificar suas glosas (LAGO, 1975, p. 29).

FONTES CONSULTADAS

LIMA, Marcos. Chico Nunes das Alagoas, o Poeta esquecido. [S.l. :s.n]. In: Na sombra do juazeiro. 13 nov. 2016. Disponível em: <http://nasombradojuazeiro.com.br/2016/11/13/chico-nunes-das-alagoas-o-poeta-esquecido/&gt;. Acesso em: 13 set. 2017.

COMO MÁRIO LAGO descobriu Chico Nunes das Alagoas.[S.l. : s.n.]. In: História de Alagoas. 27 maio 2015. Disponível em: <http://www.historiadealagoas.com.br/mario-lago-descobre-chico-nunes-das-alagoas.html&gt;. Acesso em: 13 set. 2017.

Poeta Francisco Nunes de Oliveira – Identificação

Nome: Francisco Nunes de Oliveira

Pseudônimo: Chico Nunes

Poeta Francisco de Assis Silva – Capas de Folhetos

Poeta Francisco de Assis Silva

Poeta Francisco de Assis Silva – Produção literária

Augusto Frederico Schmidt: um autêntico brasileiro

Poeta de Assis Silva – Síntese biográfica

Francisco de Assis Silva, o Chico de Assis ou Chico Repentista, que faz dupla com João Santana, é natural de Alexandria (RN) e vive a cultura popular desde tenra idade, ouvindo cantadores. Com apenas 15 anos, fez sua primeira apresentação como repentista e aos 19 (1982) já se tornara profissional (BRANDT, 2010; CHICO …, [20–]).

Repentista, cordelista e arte-educador, Chico de Assis, o presidente de associações de repentistas, foi cantador titular de diversos programas radiofônicos, participante de festivais e torneios de repentistas (ASSIS, [19-?]; CHICO …, [20–]).

O múltiplo Chico de Assis foi diretor da Casa do Cantador do Brasil (DF) no período de 1995-1998 e em 2011-2012, períodos em que exerceu a função de conselheiro de Cultura da Ceilândia.  Chico também foi presidente da Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno (ACRESPO) (ASSIS, [19-?]; BRANDT, 2010; CHICO …, [20–]).

Seu retorno ao cargo de diretor da Casa do Cantador, ou Palácio da Poesia em Ceilândia/Brasília, como também é conhecido, revitalizou o espaço.

Após 13 anos de silêncio, diversos cantares – além do repente e do cordel – ressoaram na Casa do Cantador, na cidade de Ceilândia, em 2011. Conhecida por ser um templo da cultura nordestina, a casa projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer retomou projetos que ocorreram de 1995 a 1998 […].

Chico Repentista, como é conhecido o nordestino do Rio Grande do Norte, ocupa o cargo de diretor pela segunda vez. A primeira foi de 1995 a 1998. Morador de Ceilândia há 17 anos, o artista plástico, graduado pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, voltou à casa no dia 31 de janeiro de 2011. Quarenta dias após a posse, a nova diretoria realizou uma seletiva de cantadores para o Festival Regional de Repentistas. Em 18 de março foi a vez da Sexta do Repente, com apresentações de uma dupla de repentista vinda do Nordeste e outra formada por cantadores do DF. O primeiro encontro recebeu dois grandes repentistas, Valdir Teles e Geraldo Amâncio. Ao todo, foram dez edições. (CASA …, 2012)

Referência no Distrito Federal, Chico de Assis conquistou o exterior. No Timor Leste (2002), realizou exposição de cordéis e xilogravuras, além de oficinas de literatura de cordel na Universidade de Dili. Em 2011, realizou shows nas cidades francesas: Paris, Caylus, Marseille, Mullom, Carmaux, Canet, Cordes, Albi e Bordeaux, em parceria com o grupo musical Cordae / La Talvera, momento em que gravou o CD Cantoria na França com os repentistas Rogério Meneses, Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira.  Em 2013, fazendo dupla com João Santana, participou do XX Festival Internacional Romerías de Mayo em Holguín, realizado em Cuba, quando conferiram palestras em faculdades e na Casa de Cultura de Ibero-América (CHICO …, [20–]).

No cordel, Chico de Assis elaborou folhetos com tema que versava sobre a saúde dos trabalhadores para o Ministério da Saúde, além do livro de literatura de cordel Os Direitos da Pessoa com Deficiência (2013) (CHICO …, [20–]).

Como uma de suas produções cordelísticas, Chico de Assis poetizou a biografia do poeta Augusto Frederico Schmidt. Em 64 estrofes, narra vida, obra e carreira diplomática do literata Schmidt (BIOGRAFIA…, 2016).

Augusto Frederico Schmidt: um autêntico brasileiro
 
Quero que Deus me ajuda
Com a inspiração nata
Do poeta popular
Que canta o rio e a mata
Para contar a história
De um grande diplomata
 
Fala de Augusto Schmidt
Que foi um grande escritor,
Foi jornalista e poeta,
Um grande empreendedor
E no mundo da política
Exímio articulador
 
Nasceu no Rio de Janeiro,
Mil novecentos e seis,
Nasceu em berço de ouro,
Filho de um casal burguês,
Mas sempre sonhou por fim
À pobreza, de uma vez.
 
Gozou na primeira infância
Paz, amor, felicidade,
Curtindo os prazeres da
Maravilhosa cidade
Não cedendo nem ao peso
Do peso da obesidade.
(ASSIS, [19-?])

FONTES CONSULTADAS

ASSIS, Chico de. Augusto Frederico Schmidt: um autêntico brasileiro. [Brasília]: Fundação Alexandre de Gusmão, [19-?]. 16 p.

BIOGRAFIA do Poeta Augusto Frederico Schmidt em Literatura de Cordel! [S.l. : s.n.]. In: Fundação Yedda & Augusto Frederico Schmidt. 11 abr. 2016. Disponível em: <http://fundacaoschmidt.org.br/a-biografia-do-poeta-augusto-frederico-schmidt-em-literatura-de-cordel/&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.

BRANDT, Pedro. Referências no DF, Chico de Assis e João Santana desenvolvem um trabalho afinado com as tradições. Correio Braziliense. 9 jul. 2010. Caderno Diversão e arte. Disponível em: <http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2010/07/09/interna_diversao_arte,201582/referencias-no-df-chico-de-assis-e-joao-santana-desenvolvem-um-trabalho-afinado-com-as-tradicoes.shtml&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.

CASA do Cantador retoma agenda cultural. [S.l.: s.n.]. In: Agência Brasília. 2 jan. 2012. Disponível em: <https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2012/01/02/casa-do-cantador-retoma-agenda-cultural/&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.

CHICO de Assis [S.l. : s.n.]. In: Encontro dos campeões do repente. [20–]. Disponível em: <http://www.campeoesdorepente.com.br/chico-de-assis/&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.