A mulher que pediu um filho ao diabo
O jegue misterioso
Meu Pai Xangô e Saravá Oxosse (embolada)
A mulher que pediu um filho ao diabo
O jegue misterioso
Meu Pai Xangô e Saravá Oxosse (embolada)
O cordelista e embolador Galdino Silva nasceu na cidade de Salvador no estado da Bahia, em 1878, onde viveu até o seu falecimento em 1958, aos 80 anos (LITERATURA…, 1986). Utilizando recurso estilístico de linguagem comum ao cordel, o apóstrofe, para invocar um interlocutor, Galdino Silva fazia seus poemas, a exemplo do cordel intitulado:
A Mulher que Pediu um Filho ao Diabo Leitores eu vou contar Uma história verdadeira De uma infeliz mulher Que um dia fez uma asneira Pediu um filho ao Diabo E o filho nasceu de rabo E mordeu a mão da parteira. Esta mulher se chamava Felismina do Orobó Casada com Chico Inaço No sertão do Chorrochó Ela vivia zangada, Pois tanto tempo casada Nunca teve um filho só. Quem pede a Deus e tem fé Será dado, tarde ou cedo Quem pede a Deus há de ter Quem tem fé move rochedo E quem pede a Satanás Só tem de cair pra trás Pois tudo dele faz medo. […] (LITERATURA…, 1986, p. 266)
FONTE CONSULTADA
LITERATURA popular em verso: antologia. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. Coleção reconquiste o Brasil. Nova série; v. 95.
Nome: Galdino Silva





























































































MAXADO, Franklin. A bela história de Jaci, a prostituta virgem e santa. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1978. 13 p.
MAXADO, Franklin. A cama que matou a noiva no gozo da lua de merda. São Paulo, SP: [s.n.], 1983. 8 p.
MAXADO, Franklin. A chave do coração amante ou Herculano e Sinhazinha. [Feira de Santana, BA]: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1998. 31, [1] p.
MAXADO, Franklin. A cinderela mulata da cidade maravilhosa. São Paulo, SP: [s.n.], 1984. 9 p.
MAXADO, Franklin. A conversa internética entre Maxado e Jotacê!: (nas águas de Cuíca e Rodolfo). Salvador, BA: Tapera, 2005. 13 p.
MAXADO, Franklin. A feira de Feira de Santana já vai sair do meio da rua. [Feira de Santana, BA]: [s.n.], [200-?]. 9 p.
MAXADO, Franklin. A feira de Feira quer voltar prá praça. [Feira de Santana, BA]: [s.n.], [200-?]. 7 p.
MAXADO, Franklin. A história do Bairro George Américo. Feira de Santana, BA: Universidade Estadual de Feira de Santana, 1999. 10 p.
MAXADO, Franklin. A madama sulista que foi no mangue baiano nas águas de Jorge Amado. Mundo Novo, BA: [s.n.], 1981. 9 p.
MAXADO, Franklin. A verdadeira lenda do Pai Inácio da Chapada: jagunço do capitão Lucas da Feira. [Feira de Santana, BA]: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1997. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. As aventuras amorosas de Dona Mariquinha. Fortaleza, CE: Tupynanquim, 2002. 8 p.
MAXADO, Franklin. Aventuras duma doutora carioca e feminista ou A mulher do século XXI: dedicado à Drª Márcia Moura. Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1985. 11 p.
MAXADO, Franklin. Bate-papo virtual sobre as coisas e figuras de Feira de Santana e de Santa Bárbara por dois poetas sertanejos. Feira de Santana, BA: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 2006. 16 p.
MAXADO, Franklin. Capitão Lucas da Feira: a verdadeira história. Feira de Santana, BA: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 2002. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. Carta de um pau-de-arara apaixonado pra sua noiva. São Paulo, SP: [s.n.], 1976. 8 p.
MAXADO, Franklin. Chica Bananinha, a sapatão barbuda de lá da Paraíba. Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1984. 8 p.
MAXADO, Franklin. Ciro e Lula apoiam Colbert e Gerinaldo e mandam votar no 23. [Feira de Santana, BA]: [s.n.], [200-?]. 8 p.
MAXADO, Franklin. Cordel: homenagem da Cacimba a Franklin Machado. Rio de Janeiro, RJ: Copy& Arte, [19–?]. [29] p.
MAXADO, Franklin. Dadinho botou a Bahia no mapa dos cantadores. Feira de Santana, BA: [s.n.], 2003. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. Dificuldades do cordel mostradas por um poeta. Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1985. 8 p.
MAXADO, Franklin. Entrar na terceira idade é saber viver com arte. Feira de Santana, BA: Imprensa Universitária, 1999. 8 p.
MAXADO, Franklin. Estamos no fim do mundo. Morro do Chapéu, BA: [s.n.], 1978. 10 p.
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MAXADO, Franklin. Feira de Santana tem sua casa do sertão na U.E.F.S.: Casa do Sertão. Feira de Santana, BA: Museu Casa do Sertão, 2003. 16 p.
MAXADO, Franklin. Feira de Santana tem sua casa do sertão na U.E.F.S.: Casa do Sertão. Feira de Santana, BA: Universidade Estadual de Feira de Santana, 1994. 18 p.
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MAXADO, Franklin. Maluf, que me desculpe, mas sou baiano também. São Paulo: [s.n.], 2004. 8 p.
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MAXADO, Franklin. Maria Quitéria, heroína baiana que foi homem. 3. ed. São Paulo, SP: [s.n.], [19–]. 8 p.
MAXADO, Franklin. Nossa Senhora da paz vai sempre a Anguera e só um beato a vê. Feira de Santana, BA: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1998. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. O baiano que foi ao Japão por dentro da terra. [Feira de Santana, BA]: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1998. 11, [1] p.
MAXADO, Franklin. O bode subversivo que deu no diabo. Mundo Novo, BA: [s.n.], 1979. 13 p.
MAXADO, Franklin. O boi assassino ou o monstro de Baixa Grande. Baixa Grande, BA: [s.n.], 1979. 8 p.
MAXADO, Franklin. O caboclo comedor que bagunça sessão espírita. São Paulo, SP: [s.n.], 1977. 9 p.
MAXADO, Franklin. O cangaceiro que deu pra beato ao fugir da caipora. Pedra de Guaratiba, RJ: [s.n.], 1980. 9 p.
MAXADO, Franklin. O discurso do candidato. [Rio de Janeiro, RJ]: [s.n.], 1983. [6] p.
MAXADO, Franklin. O filho do Crioulo Doido com a Dona Maria Banha. Salvador, BA: [s.n.], 1986. 9 p.
MAXADO, Franklin. O filme de Castro Alves e Rui Barbosa feito por Glauber Rocha no além ou A baianada no céu. Salvador, BA: [s.n.], 1986. 9 p.
MAXADO, Franklin. O goleiro bicha que matou o time de AIDS. São Paulo, SP: [s.n.], 1985. 8 p.
MAXADO, Franklin. O japonês que ficou roxo pela mulata. São Paulo, SP: [s.n.], 1976. 10 p.
MAXADO, Franklin. O jumento que virou gente ou O milagre do Frei Damião. Feira de Santana, BA: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1998. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. O milagre de São Jumento no Pará. São Paulo, SP: [s.n.], 1980. 8 p.
MAXADO, Franklin. O mundo vai estourar do jeito em que se vive. Mundo Novo, BA: [s.n.], 1976. 9 p.
MAXADO, Franklin. O nordestino pensava que a japonesa tinha a coisa atravessada. São Paulo, SP: [s.n.], 1985. 8 p.
MAXADO, Franklin. O parto artificial da cabocla liberada. São Paulo, SP: [s.n.], 1985. 8 p.
MAXADO, Franklin. O poeta Castro Alves também visitou Lençóis. Feira de Santana, BA: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1997. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. O rapaz que deixou de ser donzelo no bordel. São Paulo, SP: [s.n.], [19–]. 11 p.
MAXADO, Franklin. O tarado da capa preta que assusta estudantes: (ou o punheteiro e a jumentinha). São Paulo, SP: [s.n.], 1984. 9 p.
MAXADO, Franklin. O travesti que fumou o charuto do alemão. Salvador, BA: [s.n.], 1995. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. O vaqueiro que se tornou astronauta. Salvador, BA: Livraria Maxado Nordestino, 1979. 8 p.
MAXADO, Franklin. Os filhos do carnaval. São Paulo, SP: [s.n.], 1982. 8 p.
MAXADO, Franklin. Os velhos putanheiros. São Paulo, SP: [s.n.], 1984. 9 p.
MAXADO, Franklin. Os viadinhos amigados. São Paulo, SP: [s.n.], 1984. 8 p.
MAXADO, Franklin. Padre Pinto faz a cabeça no candomblé, solta a franga e canta de galo. Salvador, BA: [s.n.], 2006. 8 p.
MAXADO, Franklin. Peleja de Zé Limeira com Crioulo Doido. São Paulo, SP: [s.n.], 1977. 13 p.
MAXADO, Franklin. Quem casa, quer casa e… cama!. São Paulo, SP: [s.n.], 1983. 6, [1] p.
MAXADO, Franklin. Romance do vaqueiro Marciano da Égua. São Paulo, SP: Gráfica e editora GED, 1976. 18 p.
MAXADO, Franklin. Saci e bicho folharaz no reino da bicharada. Feira de Santana, BA: [s.n.], 1977. 9 p.
MAXADO, Franklin. Segundo encontro de Maxado com Rodolfo Cavalcante na banca dos trovadores. [Feira de Santana, BA]: Museu de Arte Contemporânea Feira de Santana (MAC), 1997. 7, [1] p.
MAXADO, Franklin. Testamento de Judas pela Semana Santa. São Paulo, SP: [s.n.], 1980. 9 p.
A alma de Lampião faz misérias no Nordeste
Brasília: 50 anos de esperança candanga
Carta dumpau-de-arara apaixonado pra sua noiva
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O sapo que desgraça o Corinthians
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Vaquejada de sete peões pra derrubar uma mineira
O poeta baiano Franklin de Cerqueira Machado nasceu em Feira de Santana em 15 de março de 1943. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos (1960), mas só ficou por poucos meses. Foi para Salvador, onde concluiu o curso secundário no Colégio da Bahia. Ficou um ano sem estudar, vindo a graduar-se em Direito, pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e escolheu dedicar-se tão-somente à literatura de cordel a partir de 1975(CORDEL …, 2007; LEITE, 2014; SANTOS; QUEIROZ, 2012).
Retorna para a terra natal em 1966, já bacharel em Direito, quando também publicou seu primeiro livro intitulado Álbum de Feira de Santana (SANTOS; QUEIROZ, 2015).
O autor de A Volta do Pavão Misterioso é assim descrito por Santos e Queiroz: “[…] poeta, dramaturgo, xilógrafo, ator, estudioso de cordel, dentre outras artes, sendo considerado um divisor de águas na literatura de cordel, pois seus folhetos e xilogravuras foram vendidos em todo o Brasil (2012, p. 94)”. Franklin Maxado (ou Maxado Nordestino) teve sua produção estudada pelo especialista em cangaço, Antônio Amaury Corrêa de Araújo (CORDEL …, 2007).
Maxado Nordestino também escreveu sobre o gênero literário popular em três obras, consideradas referências no gênero: O Que É Literatura de Cordel (1980), Cordel, Xilogravura e Ilustrações (1982) e O Cordel Televivo: futuro, presente e passado da literatura de cordel (1984) (SANTOS; QUEIROZ, 2012; TEIXEIRA, 2009).
A convite do jornalista Juarez Bahia, Franklin Machado foi para São Paulo (1971), onde passou quinze anos. Na antiga terra da garoa, trabalhou na redação dos jornais: “Folha de São Paulo, Diário Popular, sucursal de A Tribuna, de Santos, e no Diário do Grande ABC […]” (LEITE, 2014; SANTOS; QUEIROZ, 2012).
Anteriormente, em Salvador, fez parte do Jornal da Bahia (1967), onde foi responsável pela criação da primeira sucursal desse jornal no interior da Bahia e colaborou com o jornal O Pasquim. Em Feira de Santana, fundou a sucursal das Emissoras e Diários Associados (LEITE, 2014; SANTOS; QUEIROZ, 2012).
Ao retornar para a Bahia (1985), Edvaldo Boaventura (secretário de governo) convidou Maxado para trabalhar na TV Educativa, vindo a criar o comentário em cordel, no jornal diário (SANTOS; QUEIROZ, 2012).
Mas o que é o cordel para esse poeta e estudioso da poesia popular? “[…] é poesia; é gráfica; é canto; são as artes plásticas; é música, é teatro; é jornalismo; e é comércio. E ainda é até esporte, pois o poeta carrega sua mala para a feira, e em viagens exercita os músculos” (SANTOS; QUEIROZ, 2012, p. 95 apud MAXADO, 1980, p.124).
De acordo com as pesquisadoras Santos e Queiroz (2015, p. 306), ainda na década de 60, Maxado uniu-se a artistas e intelectuais de Feira de Santana onde atuou no teatro, encenando e escrevendo, e em
[…] 1971 apresentou o espetáculo músico-teatral “Terra de Lucas”, como uma maneira de se despedir de sua cidade, pois havia decidido partir para São Paulo. […].
Na capital paulista, o escritor também se dedicou às questões artísticas, participando de apresentações e recitais, conheceu inúmeros outros artistas em início de carreira, como, por exemplo, Torquato Neto, Belchior, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Mas foi em seu estado de origem que encontrou um artista, o poeta Rodolfo Cavalcante, que, segundo o próprio autor, foi quem o fez ver a possibilidade de se tornar um poeta de cordel. […].
Maxado é autor de inúmeras obras cordelísticas, com centenas de publicações, além de participar de antologias de poetas e publicar livros de poemas eruditos, como Protesto à Desuman-idade (1970), Profissão de Poeta (1988) e Negramafricamente (1995) (SANTOS; QUEIROZ, 2012).
Franklin Maxado usa o próprio nome como mote, como nos mostram Santos e Queiroz (2012, p. 97).
M – aneirei até demais A sua vida de verdade. X – amo atenção para a letra A, de arte, artesidade. D – o criador, esperamos O poder da eternidade
Geraldo Leite, em seu blog Filhos Ilustres da Bahia, descreve o poeta por ele mesmo.
Maxado Nordestino, diz ele, foi meu nome quando me lancei profissionalmente no cordel. Franklin Maxado é meu nome artístico e literário, daí Franklin Machado Nordestino. Em xilogravura assino F. Maxado ou somente F.M. pois diminui o número de letras para cortar na madeira. Maxado para fixar uma marca e Nordestino porque no sul me identificaram como “o nordestino” e isso reafirma minhas origens e cultura (LEITE, 2014).
Referência no gênero, a Editora Hedra organizou uma antologia com cinco de seus trabalhos mais significativos.
FONTES CONSULTADAS
CORDEL – Franklin Maxado. In: HEDRA. [S.l. : s. n.]. [2007?]. Disponível em: <https://www.hedra.com.br/livros/cordel-franklin-maxado>. Acesso em: 10 mar. 2017.
Nome: Franklin De Cerqueira Machado
Pseudônimos: Franklin Maxado; Maxado Nordestino
