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Poeta Antônio Ribeiro da Conceição – Síntese biográfica

Antônio Ribeiro da Conceição (22/10/1947)

O Antônio-cardosense Bule-Bule (pseudônimo de Antônio Ribeiro da Conceição) nasceu aos 22 de outubro de 1947. De ascendência africana, nato da região de Expansão Metropolitana de Feira de Santana na Bahia, é um ator, cantador, compositor, cordelista, escritor, poeta, repentista e músico, respeitado não só por seus múltiplos talentos, mas por manter as tradições musicais sertanejas baianas: samba rural baiano (samba sertanejo) e coco.

Antônio Ribeiro da Conceição teve sua trajetória retratada no primeiro episódio do documentário Visceral Brasil – as veias abertas da música. Dirigido pela cineasta Márcia Paraíso e codirigido por Carla Joner, o capítulo intitulado O trovador, o cabra e os mundos apresentou formação artística de Bule-Bule, que “sem romper com as origens, extrapolara a visibilidade regional e torna-se referência para a MPB” (O TROVADOR, 2014).

Antônio gravou seis CDs:

  • Cantadores da terra do sol,
  • Série grandes repentistas do Nordeste,
  • A fome e a vontade de comer,
  • Só não deixei de sambar,
  • Repente não tem fronteiras e
  • Licutixo.

Publicou quatro livros:

  • Bule-Bule em Quatro Estações,
  • Gotas de Sentimento,
  • Um Punhado de Cultura popular e
  • Só Não Deixei de Sambar

Produção artística incrementada por mais de oitenta cordéis e participação em peças teatrais e publicitárias, agraciadas pelo Prêmio Colunista. Bule-Bule foi recompensado com o Prêmio Hangar de Música no Rio Grande do Norte junto com Margareth Menezes e Ivete Sangalo.

Utilizando o poema, cantou a vida, homenageando o Rei do Baião, nosso saudoso Luiz Gonzaga, por meio da poesia intitulada O Nordeste Ainda Chora a Morte de Gonzagão.

“Quando a sirene da morte
Deu seu toque inicial
A luz do palco da vida
Mostrou seu clarão final
E Gonzagão deu início
Ao show celestial


Quem pouco conhece a vida
Não sabe o valor da morte
Saber viver é um dom
Ser feliz é muita sorte
Para o espírito ser livre
Precisa a vida ter corte


Gênio não morre, se afasta
Das vistas da multidão
Foi isso que aconteceu
Com o nosso Gonzagão


Que o mundo guarda com zelo
Na pasta do coração
Citarei outros valores
Que engrandece a nação
Castro Alves, Frei Caneca
E Catulo da Paixão


Zumbi, Tancredo e Getúlio
E padre Cícero Romão
Maria Felipa é
Símbolo de libertação
Joana Angélica é lembrada
Pela coragem e ação
Ninguém esquece Ana Neri
Quitéria e Nara Leão
No dia dois de agosto
Voou da serra um xexéu
O baião ficou sem rei
Entrou um anjo no céu


O Brasil perdeu um músico
Jesus ganhou um troféu
Aquela sanfona branca
Seu Luis deu de presente
A Jesus dizendo assim
Coloque-a na sua frente
E nas suas horas de folga
Toque um forró pra gente


Jesus disse, seu Luis eu vivo muito ocupado
Pouca gente vem aqui
Mas, muitos mandaram recado
Por esta razão meu tempo
Tem sido todo tomado
Vou chamar seu Januário
E Catulo da Paixão
Noel, Pixinguinha
Clara e Nara Leão


Lindu, Jakson do Pandeiro
Pra darem início a função
Zé Marcolino, Zé Dantas
Também já está chegando
Fale aí pra Glauber Rocha
Passar a noite filmando


Que quando acabar na terra
Assalto, sequestro e guerra
Eu projeto e fico olhando”.

FONTES CONSULTADAS:

AMORIM, M. Antônio Francisco diz ter sido imortalizado mais uma vez. [S.l.]: O Mossoroense, [2006?]. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/omossoroense/280506/conteudo/cotidiano1.htm>. Acesso em: 4 nov. 2014.

ANTÔNIO RIBEIRO DA CONCEIÇÃO. Editora Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Bule-Bule. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Bule-Bule#cite_note-bio1-1>. Acesso em: 04 nov. 2014.

BULE-BULE: cantor, compositor e repentista. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.bulebule.com.br/? conteudo=9>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

BULE-BULE: o cantador do samba rural baiano. In: Cantaiada e poemia: cultura-folclore-Brasil. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://poemia.wordpress.com/2009 /01/28/bule-bule-o-cantador-do-samba-rural-baiano/>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

DANTAS, F. M. Biografia de Antônio Ribeiro Falcão. In: Memórias de Conceição do Almeida. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://conceicaodoalmeida.wordpress .com/2012/01/31/biografia-de-antonio-ribeiro-falcao-por-frederico-m-dantas/>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

DOCUMENTÁRIO fará gravações sobre vida e obra do repentista feirense Bule Bule. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.acordacidade.com.br/noticias/105984/documentario-fara-gravacoes-sobre-vida-e-obra-do-repentista-feirense-bule-bule.html>. Acesso em: 4 de nov. 2014.

Poeta Antônio Francisco Teixeira de Melo – Síntese biográfica

Antônio Francisco Teixeira de Melo (21/10/1949)

Cordelista norte-rio-grandense nascido aos 21 de outubro de 1949, em Mossoró, Rio Grande do Norte, filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo, cresceu no bairro da zona sul, Lagoa do Mato, ao qual dedicou um poema antológico.

Antônio Francisco, aventureiro e esportista, dedicou-se ao ciclismo, realizando turismo de bicicleta pela região Nordeste do nosso país continental, por isso só voltou-se para a literatura popular aos 46 anos, com sua primeira poesia Meu Sonho, obra que apresenta traços impressionistas e surrealistas, onde o autor recorre ao sonho para demonstrar sua inquietação com a interação entre homem e o meio. Poema composto de 37 estrofes de 6 versos, utilizando a redondilha maior (heptassílabo) e rimas alternadas (WIKIPÉDIA, 2014).

Como ser múltiplo, exerceu funções como: historiador (Bacharel em História, pela UERN), xilógrafo, compositor e confeccionador de placas de carro.

Apesar da carreira literária tardia, é reconhecido publicamente pela musicalidade de seus poemas, passando a ser alvo de estudo de vários compositores brasileiros. O reconhecimento da qualidade da sua produção levou-o a ser eleito para a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) em 15 de maio de 2006, onde ocupa a cadeira de número 15, cujo patrono é o poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré.

Antônio Francisco passou a ser considerado o “novo Patativa do Assaré”, não só pela cadeira que passou a ocupar na ABLC, mas principalmente pela  relevância da sua produção literária. Por tal razão, durante as comemorações do Ano da França no Brasil (2009), a Aliança Francesa de Natal promoveu um sarau em homenagem a este cordelista potiguar.

Costa (2004), ao verbetar Antônio Francisco no Dicionário de poetas cordelistas do Rio Grande do Norte, pormenorizou a avaliação das qualidades deste cordelista ao afirmar que não se discute sua monumental competência poética na nova geração da Literatura de Cordel potiguar e cita estudiosos e críticos, como Celso da Silveira, Cid Augusto, Crispiniano Neto, Luiz Antônio, Rubens Coelho, Clotilde Tavares, Caio César Muniz, Geraldo Maia, Marcos Ferreira e Kyldelmir Dantas, para fundamentar sua afirmação.

Sua produção poética cordelista foi reunida em duas antologias: Dez Cordéis num Cordel Só, título que exemplifica sua habilidade em trabalhar com sílabas de uma redondilha maior, e Por Motivos de Versos, este último apresenta um nordestino agradecido pela sua origem, com histórias que remetem à terra natal, onde no poema Um bairro chamado Lagoa do Mato, ele faz uma narrativa memorialística apresentando as transformações ocorridas:

“Nasci numa casa de frente pra linha,
Num bairro chamado Lagoa do Mato.
Cresci vendo a garça, a marreca e o pato,
Brincando por trás da nossa cozinha.
A tarde chamava o vento que vinha
Das bandas da praia pra nos abanar.
Titia gritava: está pronto o jantar!
O Sol se deitava, a Lua saía,
O trem apitava, a máquina gemia,
Soltando faísca de fogo no ar.

O galo cantava, peru respondia,
Carão dava um grito quebrando aruá,
A cobra piava caçando preá,
Cantava em dueto o sapo e a jia,
Aguapé se deitava e depois se abria,
Soltava seu cheiro nos braços do ar
O vento trazia pro nosso pomar,
Vovô se sentava no meio da gente
Contando história de cabra valente
Ouvindo lá fora o vento cantar.
Mas hoje nosso bairro está diferente.

Calou-se o carão que cantava na croa,
A boca do tempo comeu a lagoa
E com ela se foi o sossego da gente.
O vento que sopra agora é mais quente
E sem energia não sabe soprar.

A máquina do trem deixou de passar,
Ninguém olha mais pros raios da Lua
Que vivem perdidos no meio da rua
Por trás dos neóns sem poder brilhar.

Perdeu-se traíra debaixo do barro,
O sapo e a jia também foram embora.
Aguapé criou pé, deu no pé e agora?
Só rosas de plástico tristonhas num jarro,
Fumaça de lixo, descarga de carro,
Suor de esgoto pra gente cheirar,
Telefone gritando pra gente pagar,
Um louco na rua rasgando uma moto,
Um besta na porta pedindo o meu voto
E outro lá fora querendo comprar.

Um carro de som fanhoso bodeja:
Tem água de coco, tem caldo de cana,
Cocada de leite, gelé de banana,
Remédio pra caspa, tem copo, bandeja.
Uns quatro vizinhos brincando de igreja
Vão pra calçada depois do jantar.
O mais exaltado começa a pregar:
Jesus é fiel, castiga, mas ama!
E eu sem dormir rolando na cama
Pedindo a Jesus pro culto acabar.

E pegue zoada por trás do quintal:
Salada, paul, pomada, paçoca,
Pamonha, canjica, bejú, tapioca,
A do Zé tem mais coco, a do Pepe é legal!
Dez bola, dez bola, só custa um real!
Mas traga a vasilha pra não derramar!

Apuveite! Apuveite!
Que vai se acabar!
E alguém grita: gol!
Minha casa estremece
E eu digo baixinho: meu Deus se eu pudesse
Armar minha rede no fundo do mar!”

Este e outros poemas de Antônio Francisco compõem o projeto “nas ondas da leitura” da editora IMEPH (Fortaleza, Ceará), com publicações que trabalham a identidade, com o intuito de fortalecer, valorizar e valorar a cultura.

FONTES CONSULTADAS

AMORIM, M. Antônio Francisco diz ter sido imortalizado mais uma vez. O Mossoroense. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/omossoroense/280506/conteudo/cotidiano1.htm>. Acesso em: 04 nov. 2014.

MELO, A. F. T. Editora Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/ content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

CATÁLOGO. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http:// www.imepheditora.com.br/catalogo_busca.php?busca=Antonio+Francisco&button=Buscar+autor>. Acesso em: 04 nov. 2014.

COSTA, G. Dicionário de poetas cordelistas do Rio Grande do Norte: a memória da literatura de cordel no Rio Grande do Norte. Natal: Queima Bucha, 2004.

DEZ CORDÉIS num cordel só, de Antônio Francisco Teixeira de Melo. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.passei web.com/estudos/livros/dez_cordeis_num_cordel_so>.  Acesso em: 22 out. 2014.

HAURÉLIO, M. Cordel Atemporal: dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

MELO, A. F. T. Um bairro chamado Lagoa do Mato. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://blogcarlossantos.com.br/um-bairro-chamado-lagoa-do-mato/>. Acesso em: 04 nov. 2014.

WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Meu sonho. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_ Sonho>.  Acesso em: 04 nov. 2014.

 

Poeta Antônio Américo de Medeiros – Síntese biográfica

Antônio Américo de Medeiros (07/02/1930 – 21/01/2014)

Cantador, cordelista, editor, folhetista, vendedor e precursor de programa radiofônico, o norte-rio-grandense Antônio Américo de Medeiros nasceu no município de São João do Sabugi, Rio Grande do Norte, no dia 7 de fevereiro de 1930, vindo a falecer aos 84 anos, em uma terça-feira, 21 de janeiro de 2014, na cidade de Patos, Paraíba.

Poeta, cantando seus próprios versos ao som da viola, ainda adolescente (15 anos), começou a viajar pelo Nordeste como cantador profissional. Radicou-se em Patos, município da mesorregião do sertão paraibano, onde criou o programa radiofônico Violas e Repentes (1960), que ficou no ar por 23 anos, na Rádio Espinharas, onde trabalhou com José Batista.

História completa da Cruz da Menina (1977) foi seu primeiro romance. Possuindo a arte de criar, também passou a transferir emoções ao dedicar-se a outras artes, como editor e vendedor de cordel, para divulgar produto cultural pouco apreciado pela mídia de massa.  Na sua afamada banca de folhetos, localizada no Box 2 do antigo Mercado Público de Patos, disponibilizou trabalhos poéticos de outros consagrados artistas populares, como: Leandro Gomes de Barros, José Pacheco e José Camelo de Melo Resende.

Teve cordéis publicados pela Tipografia Pontes (Guarabira, Paraíba), pelas Editoras Coqueiro (Recife, Pernambuco) e Luzeiro (São Paulo, São Paulo) e pela Fundação Ernany Sátiro teve sua coletânea Vida, Verso e Viola na qual se encontra seu primeiro folheto romance, que faz referência ao Santuário da Cruz da Menina, construído para a Santa do Povo, a menina Francisca, que foi assassinada (1923) por seus pais adotivos.

Antônio parou de cantar aos 58 anos, mas comercializou cordéis até os 75 anos de idade.  A Paraíba reconheceu a dedicação deste potiguar em prol da cultura popular local e, no ano de 2003, Américo foi agraciado com a Medalha Ednaldo do Egypto, da Assembleia Legislativa do Estado.

Luciano (2014) nos lembra de que o poeta utilizava acrósticos, dentro do poema, para assinar suas obras, e cita esta composição poética retirada da História Completa da Cruz da Menina:

“A história verdadeira
Não me canso de contar
Toda certa e pesquisada
O melhor pude arranjar
Nesta pesquisa que fiz
Isto me fez tão feliz
O poeta é pra lutar.
A Cruz da Menina agora
Me inspirou este tanto
Eu nunca pensei fazer
Rica história leio e canto
Inspiração nordestina
Contei da Cruz da Menina
O fato verídico e santo”.

 

FONTES CONSULTADAS

ANTÔNIO AMÉRICO DE MEDEIROS. In: Editora Luzeiro: biografias de poetas. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

LUCIANO, Aderaldo. Cordel no sertão da Paraíba: o caso Antonio Américo de Medeiros. In: Luis Nassif Online, 2014. Disponível em: <http://jornalggn.com.br/blog/aderaldo-luciano/cordel-no-sertao-da-paraiba-o-caso-antonio-americo-de-medeiros>. Acesso em: 22 out. 2014.

VIANA, Arievaldo. Antônio Américo de Medeiros. In: HAURÉLIO, Marco. Cordel atemporal: dicionário básico de autores de cordel. Disponível em: < http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Antônio Alves da Silva – Síntese Biográfica

Antônio Alves da Silva (07/06/1928 – 14/08/2013)

Veio ao mundo em um dia especial, Dia das Musas, entidades mitológicas inspiradoras dos artistas. Nascido em 7 de junho de 1928, Antônio Alves da Silva “extraordinário romancista, dominava todas as formas fixas do verso popular e tinha no humor seu traço mais marcante”. (HAURÉLIO, 2013). Natural do município de Mata de São João, no recôncavo baiano, nasceu de parto natural em uma casa de taipa, coberta de palha de pindoba, na Rua do Veludo, nos arredores do centro da cidade, tendo como genitores Ambrósio Prudêncio da Silva (motorneiro de bonde) e Leonor Ives do Nascimento (lavadeira).

Ficou órfão de mãe aos 5 anos e, aos 7, quase morreu afogado no rio Jacuípe, vindo a ser salvo por uma jovem veranista, da capital, evento esse que veio a ser tema do folheto intitulado: “O drama da minha vida”. Em meio a uma vida simples, Antônio só frequentou a escola até a 3ª série primária. Mudou-se para Salvador e, em consequência dos parcos recursos financeiros, não conseguiu prosseguir com os estudos, vindo a ser um autodidata.

Antônio residiu em Salvador – BA e no Rio de Janeiro – RJ, onde trabalhou ao lado do legendário Mestre Azulão, vindo a fixar-se em Feira de Santana – BA. Foi casado e teve seis filhos.

O estilo literário vindo de Portugal e acolhido na Bahia, unido às tradições populares oriundas do lugar onde nasceu, forjou o gosto do poeta, que aos 18 anos começou a escrever cordéis e tendo suas primeiras obras adquiridas pelo poeta alagoano radicado em Salvador – BA, Rodolfo Coelho Cavalcante.

Considerado expressivo cordelista baiano, visto como “mestre dos mestres na literatura de cordel” (SILVA, [s.d.]), ele escreveu mais de 100 títulos, muitos publicados pela Editora Luzeiro de São Paulo. Sua produção foi reconhecida e premiada, por cinco vezes em 1º lugar: três em Salvador – BA, um em Feira de Santana – BA, e em São Paulo – SP.

Com versos apresentando sátiras sociais e histórias de aventura, publicou: A princesa Jerusa e o gigante da ilha encantada, A crise na porta do pobre, João Terrível e o dragão vermelho, Maria Besta Sabida, João Azarento na corte da rainha Maravilha, As palhaçadas de João Errado, Últimos dias de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos.

Nas sextilhas de João Terrível e o dragão vermelho, cordel da Coleção Luzeiro,

“Leitores, meu pensamento
Penetra no feudalismo
Para contar um romance
De ação e de heroísmo,
No tempo em que neste mundo
Dominava o paganismo.
Este fato foi passado
Em terras orientais
De palácios encantados
E monstros descomunais,
Porque o povo só gosta
De romances colossais”.

Observamos um modelo de narrativa embasado em Leandro Gomes de Barros, do início do século XX, demostrando o arcabouço cultural do cordelista.

Após extensa e significativa produção literária, o poeta faleceu aos 85 anos, em 14 de agosto de 2013.

FONTES CONSULTADAS

AGOSTO e os poetas. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://acord acordel.blogspot.com.br/2013_08_11_archive.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

HAURÉLIO, M. Luto no mundo do cordel. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://zecacordel.blogspot.com.br/2013/08/luto-no-mundo-do-cordel.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

PERFIS biográficos. Casa Rui Barbosa. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/janela_perfis.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SILVA, A. A. Editora Luzeiro: biografias de poetas. [S.l.:S.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/content/1-biografias-de-poetas>. Acesso em: 22 out. 2014.

______. João Terrível e o Dragão Vermelho: Luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://editoraluzeiro.com.br/ cordeis/167-joao-terrivel-e-o-dragao-vermelho-luzeiro.html>. Acesso em: 22 out. 2014.

SILVA, C. M. V. Antônio Alves da Silva, mestre dos mestres na literatura de cordel – parte I. In: GUERRA, D. Blog professor repórter. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível: <http://www.professorreporter. jornalfolhadoestado.com/noticias/255/antonio-alves-da-silva-mestre-dos-mestres-na-literatura-de-cordel–parte-i/>. Acesso em: 22 out. 2014.

______. Antônio Alves da Silva, mestre dos mestres na literatura de cordel – parte II. In: GUERRA, D. Blog professor repórter. [S.l. :s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.professor reporter.jornalfolhadoestado.com/noticias/256/antonio-alves-da-silva-mestre-dos-mestres-na-literatura-de-cordel–parte-ii>. Acesso em: 22 out. 2014.

Poeta Severino Francisco de Melo – Síntese Biográfica

Severino Francisco de Melo (19/02/1940)

Nasceu, filho de agricultores, em 19 de fevereiro de 1940, no Engenho Gameleira, Vitória de Santo Antão – Pernambuco. Aos 17 anos já escrevia enredos de histórias versados em rimas de cordel. Em 1962, publica A briga das almas no cemitério de Pirituba, As Estrepulias de um lobisomem e o Alarme do povo. Depois, ainda em 1962, mudou-se para a Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, onde trabalhou como operário nas empresas locais. Em 2006, quando aposentado voltou a publicar seus folhetos, lançando os seguintes títulos: A pirraça do jegue, No Brasil do mensalão, Impunidade democratizada, Vida de engenho, Amor de homem chorão, Guerra e duelos do desamor e Ambição e os bens da natureza. Sente-se preservador da cultura popular e suas tradições. É integrante da União dos Cordelistas de Pernambuco (Unicordel).

FONTES CONSULTADAS        

DOCVIRT. Disponível em: bib=cordel&pagfis=84462&pesq=> . Acesso em: 21 nov. 2013.

RECIFE: Natal de vozes e Luzes (2007). Disponível em: <https://memoriasdapoesiapopular.wordpress.com/tag/severino-francisco-de-melo/ -&gt; . Acesso em: 21 nov. 2013.