Todos os posts de Memórias da Poesia Popular

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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poeta Antônio Sena Alencar – Produção literária

A carta que chegou ao céu

A chegada do Lampião no Codó

A peleja do Joaquim Jaqueira com Manoel Barra Mansa

História de José Colatino e o Carranca do Piauí

João das Questões

João Sem Medo

O casamento do matuto solteirão

O preguiçoso que fez pacto com o cão

O valente Pedro Campina

Travessuras do Preto Cassiano e seu triste fim

Poeta Antônio Sena Alencar – Síntese biográfica

Natural de Assaré (CE), Antônio Sena Alencar nasceu em 28 de outubro de 1928. Filho de poeta, José Sena Alencar e de Dona Ana Maria Alencar, o cordelista Antônio Sena Alencar deixou a terra natal aos 10 anos, mudando-se para Balsas (MA) onde viveu até os 24 anos. Em 1952, mudou para outro município maranhense – Carolina e no mesmo ano seguiu para o estado de Goiás, onde se radicou. Foi no município de Filadélfia (GO) que Antônio Sena Alencar ingressou no Fisco Estadual. Casou-se com Desirée Souza Sena e teve sete filhos (BATISTA, 1976).

Repentista e cordelista, ele escreveu vários folhetos, todos em Goiás e publicados em São Paulo, pela Editora Prelúdio, a quem vendeu os direitos autorais (de 1959 a 1964) (BATISTA, 1976).

São do seu folheto O casamento do matuto solteirão estas estrofes:

Se o leitor nunca viu
Um palhaço do sertão
Analise este livrinho
Veja bem a sensação
Até é divertido
A vida e o casamento
Do matuto solteirão
 
Num recanto do sertão
Nasceu esse mandioqueiro
Onde criou-se isolado
Muito atrasado e grosseiro
Com vinte anos de idade
Nem tinha ido à cidade
Nem conhecia dinheiro
 
Chama-se Manoel
Nome que o fez cristão
Mas que pouco lhe servia
Este símbolo de ablução
Pois no meio onde vivia
Todo mundo o conhecia
Por matuto solteirão
 
Vivia o pobre matuto
Num casebre solitário
Em companhia da mãe
Sem recurso e sem salário
Ninguém ligava p'raêle
Fazia era troça dêle
No seu papel de otário
[...]
(ALENCAR, [19--?]b)

FONTES CONSULTADAS

ALENCAR, Antônio Sena. João das questões. São Paulo: Prelúdio, [19–?]a. 32 p.

ALENCAR, Antônio Sena. O casamento do matuto solteirão. São Paulo: Prelúdio, [19–?]b. 30 p.

ALENCAR, Antônio Sena. O preguiçoso que fêz pacto com o cão. São Paulo: Prelúdio, c1965. 31 p.

BATISTA, Paulo Nunes. Cordel em Goiás: Terceiro de uma série. Jornal O Popular, Goiânia, 15 fev. 1976. In: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cdu&pagfis=11246>. Acesso em: 21 ago. 2017.

Poeta Antônio Sena Alencar – Identificação

Nome: Antônio Sena Alencar

Poeta Antônio Queiroz de França – Capas de Folhetos

Poeta Antônio Queiroz de França

Poeta Antônio Queiroz de França – Produção literária

20 anos da partida de Luiz Gonzaga, o rei do baião (em parceria com Evaristo Geraldo)

A história da heroína Olga Benário

A igreja do diabo e o neoinfernismo

Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos (em parceria com Rouxinol do Rinaré)

As aventuras do guerrilheiro Che Guevara

Luiz Carlos Prestes – O Cavaleiro da Esperança

O beato Zé Lourenço e o massacre do Caldeirão

O Cavaleiro da Esperança e a Coluna Prestes

O lobo do homem

O manifesto comunista em versos

O martírio de Frei Tito

O martírio de Frei Tito Os três anciãos

Poeta Antônio Queiroz de França – Identificação

Nome: Antônio Queiroz de França

Poeta Antônio Queiroz de França – Síntese biográfica

Cearense de Jaguaretama, Antônio Queiroz de França nasceu no dia 22 de junho de 1948. Esse cordelista, que fixou residência em Maracanaú (CE) em 1972, é membro da Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú (SOPOEMA), da Sociedade dos Amigos de Rodolfo Teófilo (SOCIARTE) e da Associação dos Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE) (A LITERATURA…, [20–]; FRANÇA, 2010c; O MANIFESTO…, 2011).

Antônio Queiroz produziu e adaptou clássicos da literatura mundial à linguagem cordelística, sendo um poeta popular premiado no I Concurso Paulista de Literatura de Cordel e classificado no II em 2003 (FRANÇA, 2010c; O MANIFESTO…, 2011).

Autodidata, publica cordéis de denúncia ao capitalismo e em favor da transformação social com produção poética de qualidade técnica, atendendo à métrica e à rima próprias do cordel, e embasado historicamente; por isso, reconhecido como “grande poeta que coloca sua arte a serviço do povo” (A LITERATURA …, [20–]). Outra característica é a ilustração como elemento inovador em sua produção literária popular em formato de cordel.

Assim versou o Manifesto Comunista (1847) de Karl Marx e Friedrich Engels, narrando a motivação do manifesto, historiando o socialismo e a luta dos trabalhadores. De acordo com Menezes (2015), o poeta afirmou: “Escrevi desta forma para facilitar a assimilação por quem é menos politizado”.

O manifesto comunista em versos

Pensadores, sociólogos,

Cientistas sociais

Preocupam-se com o Homem,

Esse “rei dos animais”,

Que cultiva o egoísmo.

Da ética, não lembra mais.

Devido à desigualdade,

Estudam a economia,

E chegam à conclusão

Que a poucos privilegia.

Sem o mínimo pra ter vida,

Sofre a grande maioria.

Fizeram a divisão,

Após “estudos profundos”:

“Primeiro mundo”, dos ricos;

“Terceiro”, dos moribundos.

Os pobres, escravizados

Por burgueses dos dois mundos.

Um grande gênio alemão,

E um outro camarada,

Prepararam uma tese,

Da humanidade estudada,

E descobriram a causa

Da fome verificada.

[…]

(FRANÇA, 2010, p. 11)

Em O beato Zé Lourenço e o massacre do Caldeirão, França (2011b) cumpre o que é próprio do cordel: perpetuar fatos e personagens históricos no imaginário popular.

INSISTO MAIS UMA VEZ

Em pedir que os leitores

Leiam a saga do povo

(Suas lutas, seus valores).

Apesar de sermos mais

Do que os nossos rivais,

Somos sempre perdedores.

Lembro o menino e o boi,

Cuja metáfora contém

A pura realidade:

Menino puxa, o boi vem!

Esse domínio acontece

Porque o boi não conhece

A enorme força que tem.

Outra vez uso a caneta

Para escrever sobre a pena

Que esse Estado, à revelia,

A todo o povo condena,

Assim age a autoridade:

Se quisermos liberdade

As armas entram em cena.

Assim foi lá em Canudos,

Desde a lusa invasão,

E no reino dos Palmares,

Balaiada, em Maranhão …

Neste trabalho revivo

Parte de um triste arquivo

Da história do Caldeirão.

No Estado do Ceará,

Na cidade de Juazeiro,

Aonde vai romaria

Do Brasil e do estrangeiro,

Da Paraíba, um José,

Atraído pela fé,

Foi um famoso romeiro.

[…]

(FRANÇA, 2011b, p. 11-13)

Preocupação inerente do poeta em divulgar grandes personagens, poetizou o pensamento do comandante da integração latino-americana Ernesto Guevara de La Serna.

As aventuras do guerrilheiro Che Guevara

Companheiros desejosos

De justiça social,

Quero lembrar nestes versos

Um alguém especial,

Que morreu pela defesa

Da divisão da riqueza

E da paz universal.

Preservando o ser humano,

Incutindo a consciência

De que por fraternidade

Reclama nossa existência,

Ou o homem muda a ideia,

Ou o fim dessa odisseia

Nega a nossa inteligência.

É causa de vida ou morte,

Além de ideologia,

Que nós lutemos por isso,

Pra mudar a economia,

Porque, na realidade,

Como anda a humanidade,

Do fim está perto o dia.

[…]

(FRANÇA, 2010a, p. 13)

FONTES CONSULTADAS

A LITERATURA de cordel de Antônio Queiroz de França a serviço da revolução. [S.l.: s.n]. In: Inverta. [20–]. Disponível em: <https://inverta.org/jornal/edicao-impressa/482/cultura/a-literatura-de-cordel-de-antonio-queiroz-de-franca-a-servico-da-revolucao&gt;. Acesso em: 17 set. 2017.

FRANÇA, Antônio Queiroz de. A história da heroína Olga Benário: literatura de cordel. Brasília: Ensinamento, 2011a. 120 p. ISBN 9788562410291.

FRANÇA, Antônio Queiroz de. As aventuras do guerrilheiro Che Guevara: literatura de cordel. Brasília: Ensinamento, 2010a. 120 p. ISBN 9788562410147.

FRANÇA, Antônio Queiroz de. O beato Zé Lourenço e o massacre do Caldeirão. Brasília: Ensinamento, 2011b. 108 p. ISBN 9788562410185.

FRANÇA, Antônio Queiroz de. O cavaleiro da esperança e a coluna Prestes. Brasília: Ensinamento, 2011c. 119 p. ISBN 9788562410192.

FRANÇA, Antonio Queiroz de. Os três anciãos: literatura de cordel. Brasília : Ensinamento, 2010b. 84 p. ISBN 9788562410222.

FRANÇA, Antônio Queiroz de; GERALDINO, Rômulo (Il.). O manifesto comunista em versos. Brasília : Ensinamento, 2010c. 83 p. ISBN 9788562410215.

MENEZES, Cynara. O manifesto comunista em cordel. [S.l. : s.n.]. In: Socialista morena. 9 jun. 2015. Disponível em: <http://www.socialistamorena.com.br/o-manifesto-comunista-em-cordel/&gt;. Acesso em: 17 set. 2017.

O MANIFESTO comunista em cordel. In: Plaggiado. 26 fev. 2011. Disponível em: <http://plaggiado.blogspot.com.br/2011/02/o-manifesto-comunista-em-cordel.html&gt;. Acesso em: 17 set. 2017.

Poeta Antônio Queiroz de França – Identificação

Nome: Antônio Queiroz de França

Poeta Antônio Eugênio da Silva