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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poetisa Maria de Lourdes Aragão Catunda – Síntese biográfica

A cearense Maria de Lourdes Aragão Catunda, mais conhecida como Dalinha Catunda, filha de Espedito Catunda de Pinho e Maria Neuza Catunda, é uma cordelista, declamadora e contadora de histórias. Traz no sangue o dom artístico, pois a mãe era poetisa e a tia contadora de histórias. Natural de Ipueiras (CE), nasceu no dia 28 de outubro de 1952 e radicou-se, ainda jovem, no Rio de Janeiro (MAGALHÃES, [21–]; OLIVEIRA; SOARES, 2016).

Desde cedo aprendeu a transformar sentimentos em versos e prosas, e ao produzir trabalhos de reconhecido valor literário cultural, Dalinha Catunda conquistou espaço hegemonicamente masculino da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupando a cadeira 25 cujo patrono é Juvenal Galeno. Também é membro da Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes (AILCA) e sócia benemérita da Academia dos Cordelistas do Crato (ACC) (MAGALHÃES, [21–]; OLIVEIRA; SOARES, 2016).

No blog Cordel de Saia, Dalinha propôs o mote: Se tem mulher no cordel/Você tem que respeitar. E na primeira estrofe, versou:

MULHER NO CORDEL
 
O homem é mestre no verso
E a mulher nunca se acanha
Rodando a saia com manha
Ingressa nesse universo
Encara tema diverso
Na cultura popular,
Ocupando seu lugar
E faz bem o seu papel
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.
(CATUNDA et. al., 2012)

Segundo Magalhães ([21–]), Dalinha planejou e fundou o grupo Flor do Cariri, no Crato (CE), e assim ressignificou a contação de história e cantigas de roda, traços da sua infância e formadores de sua identidade nordestina.

Por meio de sua verve poética, apresenta autorrelato de suas origens, unindo sua vida à sua inserção histórica e sociocultural. A poesia biográfica de um tempo vivido fortalece a identidade. Vamos apreciar os poemas Filha do Nordeste e Nordestina, sim senhor! e descobrirmos um pouco dessa poetisa popular.

Filha do Nordeste
 
Sou Dalinha, sou da lida.
Sou cria do meu Sertão.
Devota de São Francisco
E de Padre Cícero Romão.
 
Sou rês da Macambira,
Difícil de ir ao chão.
Sou o brotar das caatingas,
Quando chove no sertão.
 
Sou cacimba de água doce,
Jorrando em pleno verão.
Sou o sol quente do agreste.
Sou o luar do sertão.
 
Minha árvore é mandacaru.
Meu peixe, curimatã.
Eu tomo com tapioca,
O meu café da manhã.
 
Sou uma bichinha da peste,
Meu ídolo é Lampião.
Sou filha das Ipueiras.
Sou de forró e baião.
 
Sou rapadura docinha,
Mas mole eu não sou não.
Sou abelha que faz mel,
Sem esquecer o ferrão.
 
E se alguém realmente,
Inda perguntar quem sou,
Digo sem medo de errar:
Sertaneja, Sim Senhor!
 
Nordestina, sim senhor!
 
Eu sou nordestina
Me orgulho de ser
Sou do Ceará
Com muito prazer
Não faço suspense
Sou ipueirense
Pra quem quer saber.
 
Se escuto a sanfona
Perfumo o cangote
Dançando faceira
Aguento o pinote
Pois sou dançadeira
Levanto a poeira
Capricho no xote.
 
Eu danço São João
Eu pulo fogueira
Faço simpatia
A da bananeira
Me visto de chita
Com laço de fita
Desfilo faceira.
 
Eu como cuscuz
Paçoca e baião
Como tapioca
E bife do oião
Eu como buchada
Também malassada
Sem indigestão.
 
Na rede me deito
Pra me balançar
E nesse balanço
Preciso contar
Cumprindo o destino
Eu já fiz menino
Sem punhos quebrar.
 
Eu sou ribaçã
Sou ave migrante
Sou rio que corre
Que segue adiante
Eu sou empolgada
Comigo só nada
É quem se garante.
 
Eu sou mesmo agreste
Meu nome é Dalinha
Não fujo de embate
Não fujo da rinha
Se você empaca
Não puxe sua faca
Deixe na bainha.

Dalinha passou a escrever cordéis quando começou a residir no Rio de Janeiro, como forma salvaguardar sua identidade nordestina, como afirmou em entrevista: “O cordel propriamente dito, eu só comecei a fazer aqui no Rio e passei também a escrever mais, por conta da saudade que eu sentia do mundo que deixei para trás”. Tal afirmação demonstra sua paixão pela cultura popular e sua origem, por isso trabalha para manter viva a cultura cordelística.

Antes de concluir, não podemos deixar de apresentar como a cordelista Dalinha é vista pelos olhos da parceira de produção poética Maria do Rosário Pinto:

[…] Sua temática é sempre corajosa, carregada de humor e com rimas impecáveis. Sua criatividade/atividade é intensa, explode ao menor sinal. Basta cutucá-la com um tema qualquer, que logo começa um novo poema. […] nos mostra o que mais a caracteriza poeticamente – versatilidade na criação temática, na arte da composição, da rima e da estruturação das orações. (CATUNDA, 2010)

Eternizada no folheto de Josenir Amorim Alves de Lacerda, Dalinha Catunda: a abelha do sertão.

Vieram me pergunta
quem é mesmo essa Dalinha
que tão faceira caminha
sem no verso tropeçar
que sabe tão bem falar
com carinho e precisão
das belezas do sertão
empolgada e sem preguiça
nossa saudade ela atiça
no forno do coração.
 
Essa "cabôca" sem par
responde sem ter receio
é daqui do nosso meio
digo sem medo de errar
da cultura popular
é ferrenha protetora
é mestre e divulgadora
enaltece o seu valor
com zelo e com destemor
do cordel é defensora
[…]
 
(LACERDA, 2011)

Com sua literatura de cordel, Dalinha já versou com vários poetas populares, como Dideus Sales, Francisco Itaerço, Fred Monteiro, Josenir Lacerda, Luiz de Assis Monteiro, Marco Di Aurélio e Rosário Pinto.

FONTES CONSULTADAS

CATUNDA et. al. Mulher no cordel I. [S.l. : s.n.] In: Cordel de saia. 27 set. 2012. Disponível em: <http://cordeldesaia.blogspot.com.br/2012/09/mulher-no-cordel.html&gt;. Acesso em: 23 out. 2017.

CATUNDA, Dalinha. Cobra criada. Rio de Janeiro: ABLC, 2010.

LACERDA, Josenir. Dalinha Catunda: a abelha do sertão. Crato: Academia dos Cordéis de Crato, 2011.

MAGALHÃES, Elton Linton O. Personalidades. [S.l. :s.n.]. In: Cordel na web.   [21–]. Disponível em: <https://ocordelnaweb.wordpress.com/entrevistas-2/&gt;. Acesso em: 22 out. 2017.

OLIVEIRA, Ana Aparecida Alves Pereira; SOARES, Maria Clara Pereira. Cordelistas no processo migratório: a expressão da experiência feminina e nordestina. Ponto e Vírgula, São Paulo, v. 20, p. 83-103, segundo semestre 2016.

Poetisa Maria de Lourdes Aragão Catunda – Identificação

Nome: Maria de Lourdes Aragão Catunda

Pseudônimo: Dalinha Catunda

Poetisa Maria Alda Oliveira – Síntese biográfica

A cordelista Maria Alda Oliveira, autora do livro Ao Sanfoneiro Dominguinhos, lançado no XV Festival de Violeiros do SESC Iguatu (2013), com o apoio do projeto SESC-Cordel, na solenidade de lançamento, declamou:

Esta semente brotada
do sertão de Garanhuns
como ele, mais alguns
filhos desta Pátria Amada
uma joia garimpada
logo ao amanhecer
da vida, soube escolher
o que não havia enganos
bem pequeno aos doze anos
cantou, tocou pra valer.
(ALDA …, 2013)

Natural de Iguatu (CE), Maria Alda possui o título de embaixatriz do Parque Cultural Rei do Baião, memorial do cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga, localizado em São João do Rio do Peixe (PB). O Parque é destinado a encontros de fãs e intérpretes do Rei do Baião, onde ocorre, anualmente, o Festival de Músicas Gonzaguianas. No espaço também ocorre o Concurso de Poesia em Homenagem ao Gonzagão (CONPOZAGÃO) que já teve a cordelista Alda como participante (ARAÚJO, 2017; CARDOSO, 2013; ENTREVISTA …, 2013).

Em entrevista ao Caldeirão Político (2013), Alda Oliveira explicou o que Luiz Gonzaga significa para ela: “[…] os repentistas, as nossas riquezas, a seca, a estrada do retirante, além da voz de protesto denunciando as injustiças e o abandono do Nordeste. […]” (ENTREVISTA…, 2013).

FONTES CONSULTADAS

ALDA homenageia Dominguinhos. [S.l.: s.n]. In: Caldeirão político: 38 anos. 14 nov. 2013. Disponível em: <http://www.caldeiraodochico.com.br/alda-homenageia-dominguinhos/&gt;. Acesso em: 07 set. 2017.

ARAÚJO, Egnaldo Peixoto de. Um parque para o rei [S.l. : s.n.]. In: Parque Cultural O Rei do Baião: o espaço dos gonzaguianos. 9 mar. 2017. Disponível em: <http://gonzagaodobrasil.blogspot.com.br/?m=0&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.

CARDOSO, Francisco Alves. Chora sanfona! [S.l. : s.n.]. In: Caldeirão político: 38 anos. 24 jul. 2013. Disponível em: <http://www.caldeiraodochico.com.br/chora-sanfona/&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.

ENTREVISTA sobre vida e obra de Luiz Gonzaga com a escritora e cordelista Maria Alda Oliveira, da cidade de Iguatu, Estado do Ceará. [S.l. : s.n.]. In: Caldeirão político: 38 anos. 12 jul. 2013. Disponível em: <http://www.caldeiraodochico.com.br/entrevista-sobre-vida-e-obra-de-luiz-gonzaga/&gt;. Acesso em: 7 set. 2017.

Poetisa Maria Alda Oliveira – Identificação

Nome: Maria Alda Oliveira

Poeta Joviano dos Santos – Síntese biográfica

Poeta cordelista, repentista, declamador regionalista, Joviniano dos Santos, mais conhecido como Jove da Mata, nasceu em Januário (MG), região do Alto Médio São Francisco (SOUTO, 2014).

Jove da Mata era fazendeiro da região da Mata do Engenho. Foi membro da Academia Municipalista de Letras de Belo Horizonte e da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais (AMULMIG), onde nessa última tomou posse em 11 de dezembro de 1968, passando a patrono da cadeira 41 (SOUTO, 2014).

Souto (2014) afirma que Jove da Mata é autor de poemas populares que retratam fatos históricos reais pessoais, da terra natal e do povo da região do São Francisco, como podemos ver no poema transcrito de Azevedo (1978), que foi produzido em 21 de maio de 1941.

ABC DE SÃO FRANCISCO
 
-A-
A justiça em São Francisco
Tem se tornado famosa,
Vulgarizou o seu nome
Numa baila vergonhosa,
Quer na roça ou na cidade
O seu nome está na prosa.
-B-
Basta dizer que o Fórum
Parece mais um covil
O juiz que o preside
Afeiçoou-se ao lôdo vil,
De ser baixo e turbulento
É este o seu perfil.
-C-
Com a nova constituinte
A coisa modificou,
O ministro da justiça
O direito reformou,
Em São Francisco, ao contrário
No ostracismo ficou.
[…]
-Z-
Zangue zangue quem zangar
Meu a bêcê escrevi
E canto com causa justa
As misérias que já vi
É o extrato da história
Da terra onde nasci ! …
 
Til é um acento gráfico
E com ele vou fundar
As misérias de São Francisco
Faz vergonha de contar
E se ofende a vosmecês
Por Deus queiram me desculpar.
(AZEVEDO, 1978, p.113-116)

Escrito na fazenda Mata do Engenho, resultante da decisão de tornar-se poeta no lugar de um criminoso.

Depois de muito ponderar e meditar as coisas, resolvi tornar-me poeta em vez de bandido e cantar a minha própria dor! Rogoberto Ferreira da Silva juiz de Direito de São Francisco, que homem horroroso! Acompadrou-se com o ditador da terra, homem que só conhece como Deus do céu e da terra dinheiro! Em nome da justiça, com seus processos mais ou menos cúpidos invadia as fazendas e vendia o gado e seu compadre. (N. do Autor)(AZEVEDO, 1978, p. 116)

Produções de Jove da Mata foram recolhidas por Saul Alves Martins, antropólogo, folclorista, professor da UFMG e membro da Comissão Mineira de FOLCLORE onde foi presidente de 1980-1983 (AZEVEDO, 1978).

Na sinopse da obra de Rodrigues Júnior (2012), intitulada Jove da Mata: identidade e memória na literatura popular sanfranciscana, podemos ler que o poeta versejava de forma única, recitando o rio São Francisco e a realidade regional (SINOPSE, [2012?]).

FONTES CONSULTADAS

AZEVEDO, Teófilo de. Literatura popular do norte de minas: a arte de fazer versos. São Paulo: Global, 1978. Cultura popular, nº 3.

SINOPSE. [S.l. : s.n.]. In: CLUBE de autores. [2012?]. Disponível: <https://www.clubedeautores.com.br/book/133109–JOVE_DA_MATA_IDENTIDADE_E_MEMORIA_NA_LITERATURA_POPULAR_SANFRANCISCANA#.WdrWK1tSzIU&gt;. Acesso em: 8 out. 2017.

SOUTO, Maria Generosa Ferreira (Org.). Escritores mineiros: poesia e ficção. Montes Claros: Clube de Autores, 2014.

Poeta Joviano dos Santos – Identificação

Nome: Joviano dos Santos

Pseudônimo: Jove da Mata

Poeta José Pedro de Lima – Capas de Folhetos

Poeta José Pedro de Lima – Produção literária

3º dia temático da escola
A condenação do ex presidente da república Luiz Inácio da Silva
A garcinha da lagoa aos sábados
A melhor idade pra o homem e pra mulher
A minha cidade hoje
A morte de Gabiru e a vingança de sapinho
A morte de Messias e a prisão de Dido
A morte de Pitoquim e a prisão de Nivaldo Carneiro
A mulher que morou 18 anos em uma funerária dentro do…
A pedalada fiscal
A penúltima votação do impeachment
A pescadora da lagoa e a garça
A prisão de Edinardo Cunha o homem de mais de 200 milhões de reais
A prisão de Geddel Vieira Lima quase o dono Bhaia
A tragédia com o time de Chapecoense onde 71 pessoas morreram
A tragédia do avião que ia com o time da Chapecoense, …
Amigo Lulalá agora baixei de vez
Ana Carolina e nora que casou com o sogro seu Missilino
Antônio Mangerioba o primo de Lampião
Antônio um homem muito rico, chegou a ser dono da Petrobrás
As aventuras de Altair em busca da felicidade
Até que enfim descobriram aonde estava o dinheiro
Brigando pelo poder impeachment dá isso aí
Cadê a mala que tava aqui
Cadê o dinheiro que tava aqui? O rato comeu
Cantinho do Açai
Companheiro Lula lá eu baixei a mercadoria, baixei energia…
Companheiro vim buscar meu pagamento
Comprando em Oitizeiro 2
Continuação da condenação de Lula
Continuação da Copa de 2014
Copa do mundo de 2014 – Apagão da seleção
Costela com macaxeira dá nisso. A culpa é de Pacú Tabaco
Delatores 3
Denuncia de corrupção de Miguel Temer
Dia 15 de setembro de 2016 morre o ator Domingos Montagner
Discursão de maranhão com Sarney
Discursão do pastor e o cachaceiro
Doença não é bom pra ninguém, eu tive muito doente mais hoje
É um assalto mano
Esqueceram o pote com o pai no avião
Esse é o cara
Eu já disse que num vi e também num sei de nada
Fabiola casada com Cadú, traiu com seu melhor amigo Léo…
Felipe o grande guerreiro
Gilma visita Ibama
Herança mortal Viviane a mulher herdeira de 1 bilhão de reais
Homenagem as mães
Irineu o terror de Mangabeira
Irmãos de sangue
Joesley Batista o homem que enganou o presidente da república
Jommar o Porto Riquenho que foi assassinado dia 18/10/15…
José já entrgou os papéis
Julgamento do 1º mensalão no inferno
Julgamento do Michel Temer
Kaká um aventureiro que lutou muito, mas trouxe Florinda…
Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão
Mainha essa carne ta fraca eu quero boi
Mande essa mulher embora
Ministro porque essa crise? Que crise?
Morte Domingos Montagner e desespero de Camila
Na globo é só emoção
Não chore, foi só 7X1
Não deixe de conhecer a família gado Nuca Gado e Zéca Gado
Não mexa no meu dinheiro
Não roube seu irmão Jesus tá vendo tudo
Não trafique, não use, se usar e não pagar morre
Não vá embora Levy, não vá embora. Se você for, vou chorar…
No tempo da justiça reta I
O arrombador
O artesanato da Paraíba tem
O assaltante e o cavalo
O beija-flor
O boy e o político
O caçador de veado
O cagão do forro da graxa
O cordel dos bichos de 1 a 25 veja como jogar e ganhar
O depoimento do Lula ao Sérgio Moro
O encontro de Dengo e Denga
O encontro de Dengo e Denga. A garça da lagoa
O encontro de dengue e zika
O encontro de Gilma com o Barba
O encontro de Jô Soares e Faustão II
O encontro do mensalão com Gilma
O engano do garçom
O famoso João Mané o vendedor de rolinha
O golpe do falso pastor
O golpe do falso sobrinho em plena greve dos bancários
O hexa não foi dessa vez. Só faltou dois batentes. Quem sabe
O homem que enricou vendendo bosta de elefante, e hoje…
O homem que matou 3 cachorros com um peido
O homem que matou a mulher por lhe negar a senha do…
O homem que passava fome pra juntar dinheiro até que…
O homem que vendeu a rola da mulher na feira de Oitizeiro
O impeachment 2
O jabar salgada, pastel vencido e susto deu nisso
O ladrão e o cavalo preso parte II
O lamento dos mensaleiros
O mala que levou a mala a mando de outro mala
O mandamento do baiano – O dia da sofrência da seleção
O mundo começou assim
O veinho morreu com 99 anos. 1 ano pra cem e não teve…
Operação Lava Helicóptero
Operadora Lava Avião
Os 14 condenados
Os delatores parte 2
Os dois matutos na feira (Zé Cubelo, Joanita Quirino)
Os dois vendedores de pássaros
Papo de ex
Pisaram no rabo da cobra e esqueceram a cabeça
Pof, pof, pof quem é? Sou eu a morte vim te buscar! O que quer?
Prenderam o homem errado, Serginho é inocente
Protesto numero dois
Protesto numero um
Quer se dar bem!?! Seja um Vereador
Respeite a nossa igreja, não eu quero doar um dinheiro
Sai da minha cadeira, essa cadeira é minha
Se queres enxergar bem visite as Óticas Diniz
Se todos os governadores fossem como este o Brasil não teria crise
Se você quer viver mais então pare de fumar
Segurança não existe, saúde muito pior, educação nem se…
Senador Aécio ai vai os 2 milhões pra comprar sua casa, os…
Serveró novinho já aprontava na escola onde estudava
Severina Totó – uma mulher guerreira
Severó um menino inteligente
Sofrendo sem merecer
Trazei todos os dizimos para a casa do Senhor
Tudo começou depois que mataram seus pais
Uma carta para geraldo do Domingo Show
Uma carta para Gugu
Uma gorda da pesada 2
Uma pequena homenagem do poeta José Pedro de Lima aos
Vamos a caminhada da vitória
Vergonha e não tocar no assunto – Cordel da prevenção
Vilma uma moradora de rua que virou empresária de sucesso
Vizitando a 98 FM JPL o poeta
Waldir Maranhão o homem que anulou o impeachment
Zé burú o king kong de cajazeiras o homem que fez uma…
Zika zero

Poeta José Pedro de Lima – Síntese biográfica

Índio é o pseudônimo do cordelista paraibano José Pedro de Lima, nascido em Dona Inês (PB) em 15 de maio de 1946. Homem simples, com expressiva produção cordelística para quem começou a versejar aos 60 anos, pois já escreveu mais de quatro centenas de folhetos. Foi o vencedor do Concurso Novos Escritos da Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOP), em 2007, na categoria literatura de cordel publicando Irineu: o terror de Mangabeira (CORDELISTA…, 2016; LIMA, V.1).

José Pedro é o segundo filho de Manoel Pedro Pereira e Severina Luiz de Lima, com quem aprendeu a ler, escrever e contar, pois só pôde frequentar a escola por poucos dias (CORDELISTA…, 2016).

Casado com Miriam de Lima, com quem tem seis filhos: Júnior, Felipe, Lucas, Eliomar, Emanuel e Socorro. Reside no litoral sul paraibano, em Barra de Gramame, ganhando a vida vendendo espetinhos de churrasco às margens do rio no limite entre João Pessoa e o Conde (LIMA, V.1).

Verseja, praticamente, sobre todos os temas do cordel. Um deles foi destaque em matéria publicada no jornal Correio da Paraíba por abordar formas de prevenção contra o vírus da Zika onde podemos ler os versos iniciais do folheto de 8 páginas, produção de número 327, intitulado Zika Zero:

Existem onze maneiras
Do tal Zika combater
Preste bastante atenção
É fácil de aprender
Nunca deixe água parada
Manter a caixa fechada
Assim podemos vencer
(CORDELISTA …, 2016).

Na mesma matéria jornalística, encontramos a informação de que José Pedro de Lima começou a escrever cordéis após uma reportagem local sobre a qualidade das vias de acesso à Barra de Gramame, e o poeta apresentou alguns de seus versos sobre a péssima situação das estradas. O repórter elogiou e aconselhou José Pedro a investir no seu dom. Estimulado pelas palavras de apoio, Índio procurou participar de oficinas de cordel e deu início à sua produção independente (CORDELISTA…, 2016).

Cordelista historiógrafo memorialista, narra fatos passados e contemporâneos, como seus cordéis autobiográficos e sobre a corrupção política. Eis os trechos de Minha História Contada em Verso 1, folheto nº 342:

Foi lá nos anos cinquenta
O mês eu não estou lembrado
Nessa época meu pai tava
Dois meses desempregado
Meu pai disse Severina
Andei em toda Campina
E não ganhei um cruzado
 
Era crise em todo Estado
E emprego nem pensar
Meu pai tinha profissão
Era um pedreiro exemplar
Que andava permanente
Nem uma vaga de servente
Conseguia encontrar
 
Era pra lá e pra cá
Andava o dia inteiro
Trabalhava em qualquer coisa
Para conseguir dinheiro
Andava igual besta tonta
Pra ver se pagava a conta
Que devia ao leiteiro
[…]

Cada pessoa traz em si uma coletividade, são suas memórias de grupo e experiências vividas. Assim José Pedro expressa sua sofrida história de vida, das dificuldades passadas quando residia em Campina Grande (PB), com apenas 7 anos, com seus pais  Manoel e Severina e mais quatro irmãos, e tiveram que migrar para Pombal (PB), onde residiram debaixo de uma ponte por quase um ano, como verseja em Minha História Contada em Verso 2.

Sofríamos de fazer dó
Naquele lugar friento
Embaixo daquela ponte
Expostos a chuva e ao vento
Confesso meu camarada
Que durante a madrugada
Pra nós era um sofrimento
[…]
 
Quase um ano
E nós no mesmo lugar
Foi aí que a minha mãe
Inventou de engravidar
Pra nossa felicidade
Pai aluga na cidade
Uma casa pra morar
[…]
 
Tudo foi se encaixando
No seu devido lugar
Seu Zé e pai trabalhando
Nada mais ia faltar
Só que para complicar
A mãe foi engravidar
Tudo voltou a piorar
[…]

O pai do poeta era exímio pedreiro e em Pombal/PB trabalhou na construção do cinema, como nos conta rimando, na página 2 do Minha História Contada em Verso 3, cordel nº 344:

[…]
O meu pai na obra era
Quase o encarregado
O dono ficava ali
Feliz e muito animado
E naquela correria
Em ritmo acelerado
 
Pai tinha o maior cuidado
Pra tudo ficar perfeito
O dono ali do seu lado
Ficava bem satisfeito
Enquanto ia o serviço
Era feito no capricho
Com qualidade e bem feito
 
Dessa maneira o cinema
Rápido era construído
O dono muito feliz
Em ver seu prédio erguido
Pra que adultos e crianças
Tivesse a esperança
De ter seu show garantido

Com a separação dos pais, a mãe decidiu migrar para o estado do Rio Grande do Norte onde José Pedro foi agricultor. Anos depois, trabalhou como armador na construção das pontes de Picuí e Trapiá. Com o término das obras, foi com a construtora para Campina Grande (PB) e após 23 anos reencontrou seu pai, como versou em Minha História Contada em Verso 4, cordel de número 345.

Bem que eu queria acabar
Mais ainda não dá não
A cidade de Pombal
Traz muita recordação
Da ponte que me hospedei
Do rio onde pesquei
Até piaba de mão
 
Ali vivemos um tempão
Até as coisas mudar
Quando mãe viu que a gente
Já podia trabalhar
Então não mediu distância
Juntou ali as crianças
Fomos pra outro lugar
 
Dessa vez fomos morar
Bem distante de Pombal
O Rio Grande do Norte
Pra nós foi o ideal
Logo que a gente chegou
Viramos agricultor
Pra nós foi muito legal
 
E foi na agricultura
Que a gente se criou
Foi onde aprendi tudo
Que faz o agricultor
Cortei lenha de machado
Capinei limpei roçado
Cortei terra e trator
[…]
 
Respondi pra ele tudo
Que possa imaginar
Sei limpar mato e roçado
Sei colher e sei plantar
Ele disse cidadão
Meu ramo é a construção
Tem coragem de enfrentar
[…]

Em conversa com José Pedro de Lima, ele refletiu que seu dom é divino e sua inspiração vem do cotidiano e suas memórias. Da ligação entre vida e memória presente nos seus versos biográficos memorialísticos, apreciamos rastros de sua vida e a construção de sua identidade.

FONTES CONSULTADAS

CORDELISTA José Pedro Lima se inspira no combate ao vírus da Zika. Correio da Paraíba Online, João Pessoa, 28 jun. 2016. Disponível em: <http://correiodaparaiba.com.br/cultura/musica/cordelista-jose-pedro-lima-se-inspira-no-combate-ao-virus-da-zika/&gt;. Acesso em: 14 out. 2017.

LIMA, José Pedro. Minha história contada em verso: cordel 1, nº 342. [Conde]: [S.n.], [21–].

LIMA, José Pedro. Minha história contada em verso: cordel 2, nº 343. [Conde]: [S.n.], [21–].

LIMA, José Pedro. Minha história contada em verso: cordel 3, nº 344. [Conde]: [S.n.], [21–].

LIMA, José Pedro. Minha história contada em verso: cordel 4, nº 345. [João Pessoa]: [S.n.], [21–].

Poeta José Pedro de Lima – Identificação

Nome: José Pedro de Lima

Pseudônimo: Índio