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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poeta João Rodrigues Amaro – Capas de Folhetos

Poeta João Rodrigues Amaro – Produção literária

A briga do trocador com a Nêga e Pirambu

Mulher super-teimosa

O babão

Mulher briguenta, ciumenta e rabugenta

As preces de uma velha vitalina

Eu vi o Delfim Neto no inferno

Carta do matuto para o homem daquilo roxo

Poeta João Rodrigues Amaro – Síntese biográfica

Apontado como uma dos grandes cordelistas pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), João Rodrigues Amaro, mais conhecido como João Amaro, adotava os pseudônimos de Jotamaro e Mr. Karyakyni (AMARO, 1982).

Segundo informações contidas em texto reproduzido no blog Soldados da Borracha: denúncia, João Rodrigues Amaro é autor do livro Retalhos da Minha Vida e Poesias Populares, onde narra toda dificuldade sofrida na floresta amazônica quando foi recrutado para o exército da borracha.

O cordelista de Sobral, João Amaro, 68, puxou, sem querer, a ponta de um novelo. No começo, o assunto nem era esse. O aposentado mostrava material, dezenas de folhetos de cordéis de sua autoria, para uma matéria sobre os versos fesceninos, veiculada pelo suplemento Sábado.No decorrer da entrevista, no entanto, uma surpresa: a vida de João Amaro se confundia com a de 55 mil nordestinos que formaram, durante a II Guerra Mundial, o Exército da Borracha. (SAGA …, 2014, destaque nosso)

Sabendo que o Ceará foi o centro do recrutamento e transporte dos nordestinos para os seringais, isso reforça a possibilidade de tratar-se do cordelista Jotamaro, que era cearense. Com relação à sua naturalidade, há diferentes fontes com diversificada informação. Na contracapa do folheto As Preces da Velha Vitalina, publicado em 1982, consta que Jotamaro é concidadão de Guajará Cialdini, natural de Sobral, a Princesa do Norte. Na página 52 da tese de Francinete Fernandes de Sousa (2009), consta a informação que João Amaro (Jotamaro) nasceu e morreu em Fortaleza (CE) 1926-1993 (AMARO, 1982; SOUSA, 2009).

As Preces de uma Velha Vitalina
 
Caro amigo Guajará
Certo dia fui passando
Defronte a uma igreja
Vi uma velha rezando
E entrei sem ela vê
De perto fiquei brexando
 
Talvez uns 60 anos
Eu acho que a velha tinha
Sua venta era bicuda
Modo o bico da galinha
Estava usando um colan
E uma saia curtinha
(AMARO, 1982)

O cordel O Babão, com 8 páginas e 38 estrofes em sextilha, na primeira página podemos ler:

Meu caro e amigo leitor
eu vou falar de um ente
cujo dito eu considero
pior do que uma serpente
pois só vive neste mundo
para fazer mal a gente.
 
O que induz a mim
a fazer este livrinho
é a raiva que eu tenho
deste sujeito mesquinho
que temos como um amigo
e o tratamos com carinho.
 
Mas ele não corresponde
e trai a nossa amizade
pois é um cabra safado
que vive só de maldade
e só se sente feliz
cometendo falsidade
 
Eu estou me referindo
ao indivíduo babão
o sujeito caboeta
bajulador de patrão
um cretino que só paga
o bem com a ingratidão.
 
(AMARO …, 2013; AMARO; [s;d;])

FONTES CONSULTADAS

AMARO, João. As preces de uma velha vitalina. Fortaleza: [s.n.], 1982. In: Cordelteca. Disponível em: <http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cordel&pagfis=64616 >. Acesso em: 7 set. 2017.

AMARO, João. O babão. [S.l. : s.n.], [s.d.].

MESTRES do Cordel. [S.l. : s.n.]. In: CECORDEL. 6 jan. 2013. Disponível em: <http://cecordel.blogspot.com.br/2013/01/os-mestres-do-cordel-serie-os-mestres.html&gt;. Acesso em 8 set. 2017.

SAGA dos Arigós: história dos Soldados da Borracha. [S.l. : s.n.]. In: Soldados da borracha: denúncia. 24 jan. 2014. Disponível em: <http://soldadodaborrachadenuncia.blogspot.com.br/2014/01/a-saga-dos-arigos-historia-dos-soldados.html&gt;.  Acesso em: 7 set. 2017.

SOUSA, Francinete Fernandes de. A mulher negra mapeada: trajeto do imaginário popular nos folhetos de cordel. 2009. 254 f. Tese (Doutorado em Letras)- Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.

Poeta João Rodrigues Amaro – Identificação

Nome: João Rodrigues Amaro

Pseudônimo: Jotamaro

Poeta João Quinto Sobrinho – Capas de Folhetos

Poeta João Quinto Sobrinho – Produção literária

A descrição positiva da moça desmantelada

A donzela escravizada na traição da vingança

A história da menina que passou três dias perdida no bosque do Amazonas

A história do vaqueiro que casou com Carmelita

A inocente perdida nas matas do Amazonas

A inocente perdida nas matas do Amazonas e os milagres de São Francisco

A mais nova e verdadeira história da virgem peregrina Nossa Senhora de Fátima

A mais nova profecia de Frei Vidal da Penha a contar de 1951 a 1960

A mensagem de Lúcia de Fátima transmitida à igreja e à humanidade por intermédio do Padre Agostinho portador de Lúcia, a vidente de Fátima

A noiva sentenciada na torre do sofrimento

A nova despedida dos romeiros em homenagem a Nossa Senhora

A segunda profecia do profeta de Campina discriminando os acontecimentos de 1944 a 1950

A segunda revelação da menina que está vendo Nossa Senhora e os milagres da Santa

A voz de Frei Damião convertendo os pecadores

A voz d’um santo profeta sobre o castigo futuro

As bravatas de Norberto e o heroísmo de Madalena

As bravuras do vaqueiro que casou com Carmelita

Batalha de dois amantes: Liberato e Juliana

Carta profética dum pombo misterioso

Descrição do Juazeiro em louvor da romaria

Exemplo de um rapaz que morreu e tornou para pregar contra a moda e sobre o que viu no inferno

História completa de um homem que conversou com o diabo numa rua de Juazeiro

História da guerra de Juazeiro em 1914

História de 3 sonhos de um padre sobre o céu, o purgatório e o inferno

História do homem que falou com o diabo em Juazeiro

João Noberto e Luciana

Nascimento de padrinho Cícero e a troca misteriosa das crianças

O anticristo em pessoa propagando a corrupção

O Barão do Potengí

O exemplo interessante da vida de Carolina

O maior peso da guerra causado pela Alemanha

O mais novo e verdadeiro aviso de Frei Damião combatendo a rabugem do protestantismo

O mensageiro do céu anunciando o fim do mundo

O mensageiro do céu combatendo a corrupção

O mundo desmantelado pela má convicção

O mundo em lamentação

O nascimento misterioso de padrinho Cícero

O que diz meu padrinho Cícero sobre a santa romaria

O que se vê pelo mundo na corrupção de hoje em dia

O sermão de Frei Damião em Alagoa Nova e a conversão do protestante

O sermão misterioso de padrinho Cícero Romão

Os avisos sacrossantos do pastor Frei Damião

Os milagres de padrinho Cícero

Os milagres de São Francisco

Os milagres do Padrinho Cícero perante o Papa de Roma

Os verdadeiros milagres do Pe. Cícero Romão

Palavra de Padrinho Cícero sobre o mistério de Juazeiro

Profecia de Frei Vidal da Penha para o ano de 1960

Profecia de Frei Vidal da Penha para o ano de 1963

Profecia de Frei Vidal da Penha para o ano de 1964

Profecia de Frei Vidal da Penha para o ano de 1966

Profecia de Frei Vidal da Penha para o ano de 1968

Profecia de Frei Vidal da Penha para o ano de 1971

Profecia de Frei Vidal para o ano de 1967

Profecia de Padrinho Cícero sobre a igreja do Horto

Profecia do Padre Cícero sobre o mistério do Horto: aviso e consumação

Profecia, aviso e morte de padrinho Cícero Romão

Toinha e Napoleão

Um exemplo interessante duma moça vaidosa

Um mensageiro do céu anunciando o fim do mundo

Poeta João Quinto Sobrinho – Síntese biográfica

Há controvérsia sobre o local de nascimento do poeta popular paraibano João Quinto Sobrinho, pois na página 569 da obra Literatura Popular em Verso: antologia (1986), encontramos a informação que “[…] nasceu no Município de Cuité ou Cajazeiras, Estado da Paraíba”. Já no verbete da Enciclopédia Itaú Cultural, encontramos registro de que nasceu no município de Areia, onde consta como data de nascimento 24 de junho de 1900 e a de falecimento o ano de 1983, na cidade de Juazeiro do Norte (CE).

João Quinto Sobrinho “Mudou o nome para João de Cristo Rei, por ter alcançado graças numa promessa que fez ao Cristo Redentor” (LITERATURA …, 1986, p. 569).

O nome adotado por João Quinto Sobrinho, os nomes de santos que deu aos seus quatro filhos: Francisco de Assis, João Bosco, José Maria e Maria das Virgens e a sua verve poética demonstram sua religiosidade e devoção a julgar pelo número de cordéis dedicados a santos católicos, como afirma Lopes (1994), citado por Stinghen (2000, p. 66-67)

Falar em João de Cristo Rei é, de certa forma, falar sobre o ‘Movimento Religioso de Juazeiro’. Por intermédio de vários cordéis, esse talentoso poeta popular assumiu, em certo sentido, o papel de “porta-voz” das idéias e dos ideais que circula(va)m no imaginário dos fiéis devotos do Pe. Cícero. Dessa forma, estudar sua vida, sua poesia, significa, inevitavelmente, penetrar numa complexa rede de crenças do imaginário popular do Sertão. Há um sabor de coletividade quando falamos em João de Cristo Rei. O seu “perfil” confunde-se com o rosto dos peregrinos.

Viveu 52 anos em Juazeiro do Norte, entre os anos 1931 e 1983, mas antes de ir para o Ceará, ele foi professor de poesia do poeta paraibano José Clementino de Souto (LITERATURA …, 1986; OLIVEIRA; NICOLAU, 2007). De suas obras poéticas, apresentamos trecho do folheto História da Guerra de Juazeiro em 1914.

Vou descrever a batalha
Da guerra de Juazeiro,
Para se vê entre a luta
De metralha e Fuzileiro
O poder de meu Padrinho
A vitória do romeiro.
 
Antes de travarem a luta
Meu Padrinho disse assim:
— O governo do Estado
Se revoltou contra mim,
Para tomar Juazeiro
Prender tudo e me dar fim
 
Mas ele está enganado
Aqui não entra ninguém
Juazeiro é todo meu
E da mãe de Deus também
Parte aqui na minha terra
O cão, não teve e nem tem.
 
Não tenho medo de homem
Por mais que seja graúdo,
Acima de mim só Deus
Homem rico e casacudo
Querendo me dominar
Se derrota e perde tudo.
 
E disse ao Doutor Floro
Vamos cavar os valados
Que Franco Rabelo vem
Com seus batalhões armados
E nós não temos trincheiras
Para enfrentar os malvados.
(REI, 2014)

FONTES CONSULTADAS

JOÃO de Cristo Rei. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5869/joao-de-cristo-rei&gt;. Acesso em: 01 Out. 2017. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

OLIVEIRA, Diana Reis de; NICOLAU, Marcos. José Alves Sobrinho sob o olhar da câmera: o processo de construção de um vídeo documentário sobre um mestre de cultura popular. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 30., 2007, Santos: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0190-2.pdf&gt;. Acesso em: 2 out. 2017.

REI, João de Cristo. História da guerra de Juazeiro em 1914. [S.l. : s.n.]. In: O BERRO NET. 20 mar. 2014. Disponível em: <http://oberronet.blogspot.com.br/2014/03/historia-da-guerra-de-juazeiro-em-1914.html&gt;. Acesso em: 2 out. 2017.

STINGHEN, Marcela Guasque. Padre Cícero: a canonização popular. 2000. 171 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, 2000.

Poeta João Quinto Sobrinho – Identificação

Nome: João Quinto Sobrinho

Pseudônimo: João de Cristo Rei

Poeta João Chaves

Poeta João Chaves – Produção literária

A filha do Czar

A religiosa prisioneira

Adeus

Amo-te muito

As floristas

Cristo e Tiradentes

História de uma exilada

Palmeira antiga

Perdão

Separação de noivos

Triste recordação