Poeta Antônio Queiroz de França – Síntese biográfica

Cearense de Jaguaretama, Antônio Queiroz de França nasceu no dia 22 de junho de 1948. Esse cordelista, que fixou residência em Maracanaú (CE) em 1972, é membro da Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú (SOPOEMA), da Sociedade dos Amigos de Rodolfo Teófilo (SOCIARTE) e da Associação dos Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE) (A LITERATURA…, [20–]; FRANÇA, 2010c; O MANIFESTO…, 2011).

Antônio Queiroz produziu e adaptou clássicos da literatura mundial à linguagem cordelística, sendo um poeta popular premiado no I Concurso Paulista de Literatura de Cordel e classificado no II em 2003 (FRANÇA, 2010c; O MANIFESTO…, 2011).

Autodidata, publica cordéis de denúncia ao capitalismo e em favor da transformação social com produção poética de qualidade técnica, atendendo à métrica e à rima próprias do cordel, e embasado historicamente; por isso, reconhecido como “grande poeta que coloca sua arte a serviço do povo” (A LITERATURA …, [20–]). Outra característica é a ilustração como elemento inovador em sua produção literária popular em formato de cordel.

Assim versou o Manifesto Comunista (1847) de Karl Marxe Friedrich Engels, narrando a motivação do manifesto, historiando o socialismoe a luta dos trabalhadores. De acordo com Menezes (2015), o poeta afirmou:“Escrevi desta forma para facilitar a assimilação por quem é menos politizado”.

O manifesto comunista em versos
 
Pensadores, sociólogos,
Cientistas sociais
Preocupam-se com o Homem,
Esse “rei dos animais”,
Que cultiva o egoísmo.
Da ética, não lembra mais.
 
Devido à desigualdade,
Estudam a economia,
E chegam à conclusão
Que a poucos privilegia.
Sem o mínimo pra ter vida,
Sofre a grande maioria.
 
Fizeram a divisão,
Após “estudos profundos”:
“Primeiro mundo”, dos ricos;
“Terceiro”, dos moribundos.
Os pobres, escravizados
Por burgueses dos dois mundos.
 
Um grande gênio alemão,
E um outro camarada,
Prepararam uma tese,
Da humanidade estudada,
E descobriram a causa
Da fome verificada.
[...]

(FRANÇA, 2010, p. 11)

Em O beato Zé Lourenço e o massacre do Caldeirão, França (2011b) cumpre o que é próprio do cordel: perpetuar fatos e personagens históricos no imaginário popular.

INSISTO MAIS UMA VEZ
 
Em pedir que os leitores
Leiam a saga do povo
(Suas lutas, seus valores).
Apesar de sermos mais
Do que os nossos rivais,
Somos sempre perdedores.
 
Lembro o menino e o boi,
Cuja metáfora contém
A pura realidade:
Menino puxa, o boi vem!
Esse domínio acontece
Porque o boi não conhece
A enorme força que tem.
 
Outra vez uso a caneta
Para escrever sobre a pena
Que esse Estado, à revelia,
A todo o povo condena,
Assim age a autoridade:
Se quisermos liberdade
As armas entram em cena.
 
Assim foi lá em Canudos,
Desde a lusa invasão,
E no reino dos Palmares,
Balaiada, em Maranhão ...
Neste trabalho revivo
Parte de um triste arquivo
Da história do Caldeirão.
 
No Estado do Ceará,
Na cidade de Juazeiro,
Aonde vai romaria
Do Brasil e do estrangeiro,
Da Paraíba, um José,
Atraído pela fé,
Foi um famoso romeiro.
[...]

(FRANÇA, 2011b, p. 11-13)

Preocupação inerente dopoeta em divulgar grandes personagens, poetizou o pensamento do comandante daintegração latino-americana Ernesto Guevara de La Serna.

As aventuras do guerrilheiro Che Guevara 
 
Companheiros desejosos
De justiça social,
Quero lembrar nestes versos
Um alguém especial,
Que morreu pela defesa
Da divisão da riqueza
E da paz universal.
 
Preservando o ser humano,
Incutindo a consciência
De que por fraternidade
Reclama nossa existência,
Ou o homem muda a ideia,
Ou o fim dessa odisseia
Nega a nossa inteligência.
 
É causa de vida ou morte,
Além de ideologia,
Que nós lutemos por isso,
Pra mudar a economia,
Porque, na realidade,
Como anda a humanidade,
Do fim está perto o dia.
[...]

(FRANÇA, 2010a, p. 13)

FONTES CONSULTADAS

A LITERATURA de cordel de Antônio Queiroz de França a serviço da revolução. [S.l.: s.n]. In:Inverta. [20–]. Disponível em:<https://inverta.org/jornal/edicao-impressa/482/cultura/a-literatura-de-cordel-de-antonio-queiroz-de-franca-a-servico-da-revolucao>.Acesso em: 17 set. 2017.

FRANÇA, Antônio Queiroz de. A história da heroína Olga Benário: literatura de cordel. Brasília:Ensinamento, 2011a. 120 p.

FRANÇA,Antônio Queiroz de. As aventuras do guerrilheiro Che Guevara: literatura de cordel. Brasília:Ensinamento, 2010a. 120 p.

FRANÇA,Antônio Queiroz de. O beato Zé Lourenço e o massacre do Caldeirão. Brasília: Ensinamento, 2011b.108 p.

FRANÇA,Antônio Queiroz de. O cavaleiro da esperança e a coluna Prestes. Brasília: Ensinamento, 2011c. 119 p.

FRANÇA,Antonio Queiroz de. Os três anciãos: literatura de cordel. Brasília: Ensinamento, 2010b. 84 p.

FRANÇA,Antônio Queiroz de; GERALDINO, Rômulo (Il.). O manifesto comunista em versos.Brasília : Ensinamento, 2010c. 83 p.

MENEZES, Cynara. O manifesto comunista em cordel. [S.l. : s.n.]. In: Socialista morena. 9 jun. 2015.Disponível em: <http://www.socialistamorena.com.br/o-manifesto-comunista-em-cordel>.Acesso em: 17 set. 2017.

O MANIFESTO comunista em cordel. In: Plaggiado.26 fev. 2011. Disponível em:<http://plaggiado.blogspot.com.br/2011/02/o-manifesto-comunista-em-cordel.html>.Acesso em: 17 set. 2017.

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