Severino Borges Silva (1919 – 1991)
Severino Borges Silva nasceu em 08 de outubro de 1919 na cidade de Aliança, Pernambuco. Violeiro, poeta e improvisador criava e versava folhetos da literatura de cordel.
Estudioso e inteligente poeta de bancada, aquele que escreve os versos. Foi também considerado um dos maiores improvisadores do Nordeste.
Sua maior fonte de renda era repente posto que a viola garantia a sua sobrevivência e a da numerosa família. Desta forma, a venda dos seus folhetos não seguia “a lei do cordel”; esses eram vendidos de forma casual.
Os que o conheceram contam que, nos últimos anos de sua vida, ele enfrentou graves problemas financeiros e de saúde. De acordo com Jota Barros, o cordelista solicitou ajuda financeira de Arlindo Pinto de Souza que havia publicado quantidade expressiva de sua obra como diretor da Editora Luzeiro. No entanto, não logrou êxito.
Uma grande quantidade dos seus títulos foram publicados, originalmente, pela tipografia ou folheteria Luzeiro do Norte em Recife, Pernambuco de João José da Silva. Os que mais se destacaram foram Aladim e a lâmpada Maravilhosa, As bravuras de um sertanejo e A Princesa Maricruz e o cavaleiro do ar.
Residiu parte da sua vida em Timbaúba, cidade vizinha à sua terra natal onde veio a falecer em 1991.
Adquiridos junto a João José da Silva, vários textos de sua autoria foram relançados pela editora Luzeiro de São Paulo, conforme exemplificamos:
O cavaleiro das flores
Inspirai-me, ó Musas santas,
do Reino dos Trovadores,
Pra eu contar o romance,
A meus queridos leitores,
Do filho do conde Mabre
E o Cavaleiro das Flores!
Tinha o conde, em seu domínio,
Florestas e serranias,
Donde vários caçadores
Traziam, todos os dias,
Pra mesa do dito conde,
Caças de altas valias.
Peleja de Severino Borges com Patativa do Norte
No ano cinquenta e um
A vinte e dois de janeiro
Viajei de Timbaúba
Com destino a Juazeiro;
Dessa vez quase eu achava
A tampa do tabaqueiro.
A Princesa Anabela e o Filho do Lenhador
Deus, farol vivo e brilhante,
Que pelo mundo se estende –
Seus mistérios insondáveis,
Homem nenhum compreende,
Pois tudo quanto existe
Ao seu poder se rende!
Mas tem homem que procura
Desfazer no que Deus faz –
Por isso eu conto uma história
Passada séculos atrás,
No reino do rei Beltrão,
Antes dos tempos feudais.
O romance da Princesa do Reino do Mar Sem-Fim
Santa musa, irmão de Apolo,
Manda um anjo querubim
Trazer as setas poéticas
Para auxiliar a mim,
Que vou contar o romance
Do Reino do Mar-sem-Fim.
A herdeira desse reino
Era uma linda donzela;
Chamava-se Elizabeth,
Risonha, atraente e bela
Por isso, todos os príncipes
Queriam casar-se com ela.
FONTES CONSULTADAS
CORDEL Atemporal. Dicionário básico de autores de cordel. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html>. Acesso em: 27 out. 2014.
CORDEL Atemporal. Mestre Severino. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://marcohaurelio.blogspot.com.br /2011/05/mestre-severino.html>. Acesso em: 27 out. 2014.
CASA RUI BARBOSA. Perfis biográficos. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ janela_perfis.html>. Acesso em: 27 out. 2014.
O CAVALEIRO das flores – luzeiro. [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro.com.br/cordeis/ 276-o-cavaleiro-das-flores-luzeiro.html>. Acesso em: 27 out. 2014.
PELEJA de Severino Borges com Patativa do Norte – Luzeiro . [S.l.: s.n., 20?]. Disponível em: <http://www.editoraluzeiro. com.br/cordeis/277-peleja-de-severino-borges-com-patativa-do-norte-luzeiro.html>. Acesso em: 27 out. 2014.