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Sobre Memórias da Poesia Popular

Projeto (CNPq/PPGCI-UFPB) vinculado ao Grupo de Pesquisa Leitura, Organização, Representação, Produção e Uso da Informação, coordenado pela professora Dra. Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.

Poetisa Antônia Albuquerque – Identificação

Nome: Antônia Albuquerque

Poetisa Antonia Albuquerque – Síntese biográfica

Cordelista paraibana, Antônia Albuquerque é natural de Araçagi (PB). Poetisa de alma nordestina e artista das letras que ama ler e escrever, habilidade desenvolvida pelas leituras que permitem viagens por meio dos sonhos e da imaginação (ALBUQUERQUE, [2013?]).

Casada, mãe de três filhas, descendente de agricultores, frequentemente retorna às raízes por considerar essencial voltar de onde começou, reviver o seio e o ambiente familiares, checar memórias, marcar encontro consigo mesma. Passeio de volta de quem deixou a cidade natal para residir em outro Estado, Rio de Janeiro. O que pensa do itinerário ao passado? “Para mim são os dias mais felizes da vida, por estar tão pertinho das pessoas que me fazem tão bem.” (ALBUQUERQUE, [2013?]).

Se o gosto musical diz muito da pessoa, podemos afirmar que Antônia é romântica, pois gosta de músicas com letras que falem de amor. Tudo o que é natural a emociona, por isso adora passear e curtir a natureza, “[…] ir à praia à noite, ver a lua, as estrelas. Sou totalmente apaixonada por esse lazer, me transmite paz, me traz inspiração, acalma a alma, acalenta meu coração” (ALBUQUERQUE, [2013?]).

Seu cordel Alma nordestina resulta do amor às origens e ressignifica memórias, matéria-prima da sua identidade.

Alma nordestina

Para iniciar, sou cabra da peste

Que só quer um dedo de prosa,

Que falará de uma nação valente

Que encontrei em meu nordeste

Terra amada, sofrida e formosa

Com muitos talentos e brava gente …

Terra de gibão e chapéu de couro,

Peixeira, jerimum e vaquejada,

Carne de sol, buchada e pamonha,

Mas que sempre supriu de ouro

O resto do Brasil, terra tão amada,

sem jamais se mostrar tristonha.

Manteiga de garrafa, frango a cabidela,

Sarapatel, milho cozido e cocada,

Pé de moleque, cuscuz e arroz doce,

Compõem a festa junina quando amarela

A vegetação desta terra tão amada,

Água dividida por eles como se de todos fosse.

Que se esquece desta vida injusta e ferina,

Cumprindo as tradições de seus ancestrais,

Se lança homenagear todos os santos,

Vestindo-se de laços e fitas para as festas juninas,

Esquecendo-se de suas lamúrias e de seus ais,

Bailando felizes por todos os recantos …

Como olvidar da buchada de bode, da macaxeira,

Da paçoca de carne, do queijo e do baião de dois,

Do beiju e da tapioca que hoje integram o país,

Lembrando que somos brasileiros sem fronteiras,

Todos à espera do amanhã que virá depois,

Provando que brotamos de uma única raiz.

Sua história a todos em muito encanta

Em cada canto, quando lhe cantam

No peito de cada singela, como esta, criação

Quando borbulha em minhas veias a admiração

Por suas terras, mesmo secas e rachadas,

Mas cheias de esperança dessa gente arretada.

Hoje, comigo, carrego no fundo de meu peito,

Por ela, tão boas e saudosas lembranças

Deste mundo encantado, repleto de poesia,

Vivido ao seu lado e com profundo respeito,

Canto as aventuras vividas em criança,

Registrando em versos esta singela alegria.

Tenho alma nordestina, também sou cabra da peste,

Filha de agricultores que lavraram a terra

E mesmo morando distante, em outro estado,

Cultivo minha raiz com brio e tenho amado

Este meu recanto e que ninguém conteste,

Tenho imenso orgulho de ser do nordeste.

(Antônia Albuquerque, 2015)

FONTES CONSULTADAS

ALBUQUERQUE, Antonia. Alma nordestina. [S. l. : s. n.]. In: Recantos das letras. 10 out. 2015. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/cordel/5410250&gt;. Acesso em: 10 ago. 2017.

ALBUQUERQUE, Antonia. Perfil. [S.l. : s.n.] In: Recanto das letras. [2013?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=151962&gt;. Acesso em: 10 ago. 2017.

Poetisa Antonia Albuquerque

Poetisa Antonia Albuquerque – Produção literária

Ser poeta

Alma nordestina

Brincadeira de criança

Poetisa Antonia Albuquerque – Identificação

Nome: Antonia Albuquerque

Poetisa Anna Célia Motta – Produção literária

Ciranda do diabo

Poetisa Anna Célia Motta – Síntese biográfica

Anna Célia Motta é professora de literatura e línguas em São Paulo e se autointitula “paulistana de mineirices” por ser contadora de “causos”. Por meio de histórias, ela nos convida a entrar no seu mundo encantado, amante do cotidiano, da vida rica em detalhes e sabedoria. Desfruta da família, dos alunos e das coisas belas da vida, como Monet e boas leituras (MOTTA, [2012?]).

Se os “causos” dão asas à alma, sua linguagem poética de classe temática religiosa nos faz “cirandar”.

Ciranda do diabo

Deus nos deu a vida.

Mas o diabo veio atrás.

E nos deu a dura lida.

Então na pressa,

Nem percebemos e

A trocamos,

pelas filas,

pela moeda bandida,

e

Viramos vítimas

dos assaltos,

da violência,

do desafeto,

e desamor,

do incesto

e pedofilia,

das injúrias,

do destemor,

das celas encardidas,

do cansaço,

e da preguiça,

da sede

e fome,

da distração,

do sossego,

da descrença,

da solidão,

da impaciência

e revolta,

da cegueira,

da vaidade,

do descaso,

do egoísmo,

do superego,

dos excessos

de um lado,

da escassez

do outro,

da falta de boa vontade,

pela morte do amor.

Para a alegria do capeta

que sentado está.

Esperando que o povo todo

Logo venha a se lascar.

E ele esperto e enganador,

Os cacos venha apanhar.

Mas o caboclo

muito astuto,

A solução foi procurar.

Na luz divina

que a todos pode salvar.

(MOTTA, 2015)

FONTES CONSULTADAS

MOTTA, Anna Célia. Perfil. [S.l. : s.n.]. In: Recanto das letras. [2012?]. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=113253&gt;. Acesso em: 8 ago. 2017.

MOTTA, Anna Célia. Ciranda do diabo. [S.l. : s.n.]. In: Recanto das letras. 28 mar. 2015. Disponível em: <https://www.recantodasletras.com.br/cordel/5186391&gt;. Acesso em: 8 ago. 2017.

Poetisa Anna Célia Motta – Identificação

Nome: Anna Célia Motta

Pseudônimo: Paulistana de Mineirices

Poeta Adrelino da Silva

Poeta Adrelino da Silva – Produção literária

A glória de não ter morrido no dia do casamento (2016)

A padiola e os bebinhos corruptos (2015)

A televisão de dona Tel (2010)

A verdadeira história do disco avuador de Angicos-RN (2015)

Albano: nosso mestre e patrono do saber. De Riachuelo-RN para o Brasil (2015)

Cachoeira do Sapo/RN: do ontem ao hoje (2011)

Candidato a Fantasma da ALRN (2016)

Chico de Maria e Maria de Chico (2015)

Cordel a ser declamado em meu casamento (2015)

Família Rodrigues Nascimento de Pedra Preta/RN (2014)

Filiz Dia Do Traba-I-A-Dor (2013)

Homenagem as mães de Cachoeira do Sapo (2016)

Jesus o Judas e Eu (2013)

Lino por Lino: o poeta em poesia (2016)

Maria: 90 anos envelhecida em barris de carvalho (2014)

Melhor um roçado do que casar com mulher feia (2008)

Meu amor proibido que terminou em tragédia (2015)

Meu querer bem por Sivirina (2012)

Natal cidade turística: um passeio entre versos (2009)

O berço da corrupção (2016)

O dia que fui herói no sertão (2015)

O dia que São Pedro descontou tudo em mim (2015)

O matuto decepcionado com o lutador campeão (2015)

O pau quebrou no céu (2012)

Parabenizar de Toinha do Farelo (2015)

Tremedeira com amor nas Terras da Pedra Preta/RN (2013)

Um roçado diferente (2016)