Poeta João Chaves – Síntese biográfica

Exímio cordelista, trovador, compositor, intérprete, seresteiro e músico que tocava flauta, pistom e viola, tendo sido também jornalista, advogado e político. Autodidata eclético das artes às leis, João Chaves, filho de ilustre família montes-clarense, do prof. João Antônio Gonçalves Chaves e Dona Júlia Prates Chaves, nasceu em Montes Claros (MG) em 22 de maio de 1885 e morreu faltando 11 dias para completar 85 anos, ao 11º dia do mês de maio de 1970, na sua cidade natal (AZEVEDO, 1978; COTRIM, 2011; JOÃO…, [20–]).

Azevedo apresenta João Chaves como um dos “nomes mais expressivos da genuína literatura informativa, de cordel de Minas Gerais” (AZEVEDO, 1978, p. 17).

Joãozinho, como era chamado por familiares e amigos, desde cedo apresentava suscetibilidade para as letras, pois gostava de ler e escrever, tendo escrito seu primeiro poema aos oito anos de idade, intitulado Triste Recordação, onde narra o incidente ocorrido aos três anos, quando se perdeu na fazenda do tio (JOÃO…, [1985?]).

Triste Recordação
 
Eu tinha apenas três anos,
Estava na flor da vida,
Precisava dos carinhos
Da minha mãe tão querida.
 
Eu era muito criança,
Não me sentia inda forte,
Arrastado pelo fado,
Eu fui cumprir minha sorte.
 
Fiquei perdido no mato,
Ouvindo feras bravias,
Dormi nas trevas da noite
Ao canto d’aves ímpias.
 
Fiz da camisa lençol,
Da calça fiz meu calção;
Do casaco, travesseiro,
Fiz minha cama no chão.
 
Assim a noite passei;
N’outro dia me encontraram.
Papai e mamãe vieram
E todos os dias me abraçaram.
 
Fui encontrado roído
De formiga e de cupim.
Todos choraram deveras,
Todos choraram por mim.
 
(AZEVEDO, 1978, p. 103)

Com os padres da Congregação Premonstratense da Bélgica, aos 19 anos, estudou história, francês, literatura, poesia, música e teatro. Devoto da Virgem Santíssima o levou a compor o Hino a Nossa Senhora, também conhecido como Pelas Horas Matutinas (JOÃO…, [1985?]).

A fértil imaginação do cordelista foi propagada nos poemas História de uma Exilada, Separação de Noivos, A Filha do Czar e A Religiosa Prisioneira (JOÃO…, [1985?]).

Aos 30 anos, casou-se com Maria das Mercês de Figueiredo, no dia 21 de junho de 1915, tendo-a como companheira de toda a vida e com quem teve onze filhos: Ulpiano, José, Raimundo, Sidney, Henrique, Maria de Lourdes, Lígia, Risoleta, Maria Aparecida, e duas Marias do Rosário (JOÃO…, [1985?]).

Autor de inúmeras poesias, homenageado por Jackson Antunes com o Cordel de João Chaves, esse artista ímpar compôs modinhas, muitas em parceria com Teófilo de Azevedo Filho, ou simplesmente Téo Azevedo. A modinha Amo-te Muito (1910), sucesso internacional, é uma de suas composições, considerada obra-prima do cancioneiro mineiro (AZEVEDO, 1978).

Amo-te Muito
 
Amo-te muito, como as flores amam
O frio orvalho que o infinito chora.
 Amo-te como o sabiá-da-praia
Ama a sangüínea e deslumbrante aurora.
 Oh! Não te esqueças que te amo assim.
Oh! Não te esqueças nunca mais de mim.
 
Amo-te muito como a onda à praia
e a praia à onda, que a vem beijar...
 Amo-te tanto como a branca pérola
Ama as entranhas do infinito mar.
Oh! Não te esqueças que te amo assim.
 Oh! Não te esqueças nunca mais de mim
 
Amo-te muito, como a brisa aos campos
e o bardo à lua derramando luz.
 Amo-te tanto quanto amo o gozo
e Cristo amou ardentemente a cruz.
Oh! Não te esqueças que te amo assim.
Oh! Não te esqueças nunca mais de mim

Vencedor do I Concurso de Seresta de Minas Gerais, realizado na cidade mineira de Ouro Preto em 20 de abril de 1967, por isso patrono da seresta de sua cidade natal. Também compôs Adeus, canção que ficou conhecida como O Bardo, serenata em tributo ao amigo Manoel Silva Reis, falecido em 1908 (AZEVEDO, 1978; COTRIM, 2011; JOÃO…, [20–]).

Foi jornalista em Montes Claros onde fundou A Palavra (1909) e O Sol (1913). Este último com primeiro número publicado em 27 de agosto de 1914, sendo que os dois jornais eram publicados semanalmente. Em Bocaiúva, fundou o jornal A Defesa. Em todos os jornais, registrou e difundiu seu talento literário poético de compositor (JOÃO…, [1985?]; JOÃO…, [20–]).

Em 1917, venceu as eleições para vereador de Montes Claros, exercendo o mandato por apenas dois anos (1917-1919). (JOÃO…, [1985?]).

Como patrono da cadeira de número 31 da Academia Montes-clarense de Letras, o nome do poeta João Chaves foi imortalizado.

FONTES CONSULTADAS

AZEVEDO, Teófilo de. Literatura popular do norte de minas: a arte de fazer versos. São Paulo, 1978.

COTRIM, Dário. Vitrine literária. O Norte de Minas, Montes Claros, out. 2011. Caderno de Modinhas. Disponível em: <http://cms.hojeemdia.com.br/preview/www/2.917/2.925/1.468517/1.474565&gt;. Acesso em: 28 set. 2017.

JOÃO Chaves. [S.l.: s.n.]. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. [20–]. Disponível em: <http://dicionariompb.com.br/joao-chaves&gt;. Acesso em: 28 set. 2017.

JOÃO Chaves: o último bardo, sua vida e sua obra. . [S.l. : s.n.]. In: João Carlos: eternas lembranças. [1985?]. Disponível em: <http://montesclaros.com/joaochaves/img/livr/chaves.htm&gt;. Acesso em: 29 set. 2017.

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