Artista plural que nasceu na morada dos urus, Uruoca, Ceará, em 20 de março de 1920. Aos 16 anos, mudou-se para Fortaleza (CE) para dar continuidade aos estudos, onde conheceu as artes visuais. Em 1941, participou de salões organizados pelo Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) onde foi premiado e em 1944 foi partícipe do grupo de fundadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP) (20 DE MARÇO…, 2011; BARBOSA…, [21–]; FRANCISCO …, [21–]).
Barboza Leite, filho de uma agente ferroviário, foi um artista autodidata que trilhou as mais diversas esferas do fazer artístico criativo, de folclorista a cordelista, xilógrafo, fotógrafo, pintor, jornalista, ensaísta, cenógrafo, ator e compositor (FRANCISCO …, [21–]).
Residindo no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, o artista coordenou a Escolinha de Arte da Fundação Álvaro Alberto. Colaborou na criação do Teatro Municipal Armando Melo (1967) e do Conselho Municipal de Cultura, além da Escola de Artes da Secretaria de Cultura, tendo sido, respectivamente, presidente por dois anos e seu primeiro diretor (FRANCISCO …, [21–]).
Fez parte da Orquestra Sinfônica de Duque de Caxias, compondo canção que se tornou hino do município, e participou da elaboração da proposta de criação da Secretaria de Cultura do Município (1991) (FRANCISCO …, [21–]).
Desenvolveu projetos culturais: Salões de Artes Plásticas, a Feira do Folclore Nordestino e a 1ª Feira de Artes de Duque de Caxias. Por toda a sua atuação na esfera da cultura caxiense, o dia do seu aniversário passou a ser o Dia Municipal da Cultura no Município de Duque de Caxias no Rio de Janeiro (20 DE MARÇO…, 2011).
Na esfera das letras, publicou livros e cordéis. Seu primeiro livro foi Esquema da Pintura do Ceará (1949) e o primeiro cordel Estória de Retirantes (BARBOZA, 1977; BARBOSA…, [21–]; FRANCISCO …, [21–]).
Na contracapa do seu primeiro cordel estão registradas as seguintes palavras do editor:
Este é o primeiro de uma série de folhetos no estilo de cordel que Barboza Leite apresenta. É uma forma de expressão que o artista advoga para o vasto trabalho de quem vem dedicando sua vida através da sua pintura, de reportagens e livros que tem escrito e, aliás, do seu comportamento humano em face dos problemas de sua gente, ou seja, dos humildes, nem sempre bafejados com as graças do céu ou dos homens. Outrossim, estas edições têm a finalidade filantrópica. Vamos ajudar ao poeta, gente!(BARBOZA, [19–])
Publicou ainda Viagem pela Poesia onde reuniu a produção poética (1940 a 1990) de 103 poetas radicados em Duque de Caxias (FRANCISCO …, [21–]). Em sua verve poética, Barboza Leite biografou Estórias de Retirantes:
As vezes fico pensando nos caminhos percorridos por um homem sempre andando desde que é nascido. Do lugar em que nasceu traz o homem o sentido, também dos que conheceu igualmente vem nutrido. Sei que isso, igualmente, a todo homem acontece ... mas a uns é mais clemente a sorte que se oferece. Uns há que nasceram gozando uma situação definida, outros há que, mal chegando, já encontram de partida a família que emigra - como se dá no sertão, e a inclemência fustiga a criança do seu chão. Muitas vezes eu via isto mesmo acontecer: mal a criança nascia já começava a correr. […]
E, assim, poetizou A Arte do Cordel:
Vamos puxar o cordel enquanto se pode puxar a abelha só faz mel se tem pólen pra sugar e é preciso esvoaçar escolhendo cada flor como quem busca um amor assim também vamos indo com as rimas construindo de estrofes uma flor Flor que o coração oferta e que a mente cultiva flor que o sol traz aberta nas cores que a luz avisa e tornam a visão cativa o cordel singrou a história como âncora da memória mergulhando em muitos mares inscrevendo-se nos ares entre o amor e a glória Reportando-se ao real mas curtindo a ficção sem encontrar um rival pelas sendas do sertão cultivando a tradição das estórias espantosas das lendas maravilhosas o cordel é língua viva que a mão do homem ativa em busca da perfeição […]
Barboza Leite faleceu aos 76 anos, no dia 22 de dezembro de 1996, na cidade de Duque de Caxias (RJ) onde passou a residir desde os 27 anos de idade (1947), influenciado pelo amigo poeta Solano Trindade. Dois anos depois, foi aprovado no concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) onde foi servidor até aposentar-se no final dos anos 80. Em 1952, buscou a família no Ceará para residir no estado do Rio de Janeiro (BARBOSA…, [21–]; FRANCISCO …, [21–]).
FONTES CONSULTADAS
20 DE MARÇO: um dia de Cultura de verdade! [S.l :s.n.]. In: Lurdinha. 27 mar. 2011. Disponível em: <http://lurdinha.org/site/tag/dia-municipal-da-cultura/>. Acesso em: 18 out. 2017.
BARBOSA LEITE, Francisco. [S.l. : s.n.]. In: Brasil Artes Enciclopédias. [21–]. Disponível em: <http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/nacional/barbosa_leite.htm>. Acesso em: 18 out. 2017.
BARBOZA, Leite. A arte do cordel na poesia popular. Rio de Janeiro: Imprimec Gráfica Editora, 1977. 16 p. : 48 estrofes : décimas : 7 sílabas.
BARBOZA, Leite. História de retirantes. Rio de Janeiro: Imprimec Gráfica Editora, [19–]. 16 p. : 94 estrofes : quadras : 7 sílabas.
FRANCISCO Barboza Leite – Barboza Leite. [S.l. : s.n.] In: Catálogo das artes. [21–]. Disponível em: <https://www.catalogodasartes.com.br/app/artista/Francisco%20Barboza%20Leite%20-%20Barboza%20Leite/>. Acesso em: 18 out. 2017.
LEITE, Francisco Barboza. Desfiando o novelo do cordel. Niterói: Museu de Artes e Tradições Populares, 1997.