Poeta Antônio Eugênio da Silva – Síntese biográfica

O cantador e cordelista do brejo paraibano Antônio Eugênio da Silva nasceu em 1907. Não se sabe ao certo em que localidade, podendo ter sido em Chã de Campestre, Areia, ou em Esperança. Morou em Solânea (PB), remota Chã do Moreno. (ANTÔNIO …, 2008).

De suas produções poéticas reproduzimos os versos cordelísticos conhecido em todo o Brasil:

Valdemar e Irene

Vou contar uma história

d’uam moça e um rapaz,

um caso recente que

deu-se em minas gerais.

O  leitos preste atenção

amor falso o que é que faz.

Sempre é triste o resultado

da moça que ama dois,

porém deixando o primeiro

pode amar outro depois.

A que fizer coleção

essa a muito se dispôs.

Me refiro a um rapaz

que fez uma ação grosseira,

o qual moço se chamava

Valdemar Melo Moreira.

Foi isso em Juiz de Fora,

uma cidade mineira.

Valdemar desde criança

era ativo e inteligente,

seu pai era um alfaiate,

um pobre, porém decente,

botou Valdemar na escola,

ele aprendeu de repente.

Tinha força de vontade

estudava noite e dia

e logo tirou concurso

sendo em datilografia,

faltou pouco para ele

formar-se em engenharia.

Porém, por sua desdita

o seu pai adoeceu,

ele saiu do colégio

não findou o estudo seu.

O pai gastou o que tinha

com três semanas morreu.

[…]

Moreira (2015) explica que é a musicalidade e metrificação do verso que criam expectativas da narrativa cordelística, o que emociona o leitor e demonstra esta carga emotiva por meio do cordel O Cavaleiro Roldão, de Antônio Eugênio da Silva:

– Em nome de Deus rogamos

a vossa real majestade

pela paz e a virtude

peço-vos por caridade

pra perdoar um agravo

de responsabilidade.

Com estas prerrogativas

o rei ficou comovido

disse: levantem e declarem

que será tudo atendido

dou-vos a palavra de honra

de fazer qualquer pedido:

– Senhor, vimos vossa irmã

em triste situação

mora ali numa caverna

há anos morreu Milão

é mãe daquele menino

o qual chama-se Roldão.

O rei quis arrepender-se

porém tinha garantido

mandou buscar a irmã

e o sobrinho destemido

embora ela não fosse

o que dantes tinha sido.

Nos pés do Imperador

ficou ela ajoelhada

pediu perdão ao irmão

da sua culpa passada

disse-lhe o Imperador

tu já estas perdoada.

FONTES CONSULTADAS

ANTONIO Eugênio da Silva. In: SILVA, Gonçalo Ferreira da (Org.). 100 cordéis históricos segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Mossoró: Queima-bucha, 2008.  p. 323-327.

MOREIRA, Alam Félix dos Santos. O universo-cordel versando sobre o verso. In: MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 4., 2015, Guanabi/Bahia. Anais … Guanabi: IFBaiano. Disponível em: <https://www.micifbaiano2015.com/anais/artigo/85&gt;.  Acesso em: 12 set. 2017.

SILVA, Antonio Eugênio da. Valdemar e Irene. [S.l. : s.n.], [s.d.].

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